Pesquisa estima aumento de 17% no consumo de produtos veganos até 2020 na China

Foto: Vegan Information

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O crescimento contínuo da população da China, que atualmente é de cerca de 1,5 bilhão de habitantes no país, os hábitos de consumo e as tendências alimentares dos chineses estão evoluindo para novas direções. A indústria de alimentos está agora tendo que atender a uma demanda crescente por alimentos à base de vegetais mais do que nunca.

Usando o GlobalData, a consultoria Verdict Foodservice descobriu que a indústria de alimentos chinesa está mudando rapidamente e que os consumidores estão sendo influenciados pela tendência global de alimentação saudável.

Alimentos orgânicos estão se tornando cada vez mais populares, e à medida que os níveis públicos de conscientização sobre questões de segurança alimentar estão aumentando, a indústria de serviços alimentícios está oferecendo cardápios orgânicos com mais frequência.

Os dados revelaram que o veganismo também se tornou mais popular entre a indústria chinesa de alimentos, de acordo com as estatísticas do South China Morning Post (dados de 2017), o mercado vegano deverá crescer mais de 17% de 2015 a 2020. ”Isto implica uma população vegana de mais de 200 milhões de pessoas em 2020”, diz a pesquisa.

Nesta semana, a KFC lançou um hambúrguer sem carne na China, embora o produto seja vegetariano, e não é totalmente vegano. Um sorvete feito de aveia também foi lançado no país em maio, assim como o ovo feito à base de vegetais, “just egg”.

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Mais de 60 cachorros são resgatados de matadouro dias antes do início do Festival de Yulin

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Mais de 60 cães que aguardavam a morte trancafiados em gaiolas superlotadas e sujas foram resgatados de um matadouro em Yulin, na China, dias antes da cidade receber seu festival anual de carne de cachorro.

Os 62 cães, alguns ainda usando coleiras, estavam aterrorizados, exaustos e desnutridos quando foram encontrados em um matadouro escondido por ativistas chineses em 12 de junho, segundo relatos.

Eles foram levados imediatamente para um abrigo temporário para receber atendimento de emergência, comida e água, disseram que os ativistas estão no processo de organizar os animais para serem enviados para os centros de resgate em todo o país.

Todos os anos, milhares de cães são cruelmente mortos, esfolados e cozidos com maçaricos antes de serem comidos pelos moradores de Yulin durante o festival realizado no solstício de verão.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Imagens comoventes e fortes, divulgadas pela organização Humane Society International (HSI), mostram dezenas de cachorros indefesos sendo mantidos em uma pequena sala vazia. Muitos deles espremidos em gaiolas enferrujadas.

Wei, um dos ativistas chineses, disse à HSI: “Estava quente demais dentro do matadouro quando chegamos lá, os cães estavam exaustos e ofegantes, alguns se apertando contra a parede em um esforço para não serem notados”.

“Outros nos perseguiram se enrolando em nossas pernas, ansiosos por atenção”.

Esses animais provavelmente vieram em um dos últimos caminhões de cães que entraram em Yulin antes do festival porque o governo local provavelmente impediria a entrada de mais caminhões na cidade, acrescentou Wei.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

O ativista continuou: “Queremos que o mundo veja os horrores que é o comércio de carne de cachorro da China, entre os quais Yulin é o típico exemplo, e também para que os amantes de cachorros, de todos os lugares do mundo, ergam suas vozes contra esta terrível crueldade”.

“Por favor, não desperdice sua saliva dizendo que comer carne de cachorro faz parte da cultura chinesa. Não é nossa cultura roubar os animais domésticos das pessoas. Não é nossa cultura comer cachorros”.

Embora o festival de carne de cachorro de Yulin tenha deixado o mundo em estado de choque, a maioria das pessoas na China não come de fato cães.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Os animais são tipicamente consumidos por uma minoria de residentes no norte da China, perto da península coreana e da Mongólia, bem como no sul da China, perto do Vietnã.

Segundo o Dr. Peter Li, especialista em políticas da HSI na China, Yulin se torna um “lugar muito tenso” agora, com os comerciantes de cães e matadouros em alerta máximo à medida que o festival se aproxima.

“Por isso, foi difícil para esses ativistas chineses conquistarem a confiança dessa instalação para liberar os cães”, disse Li.

Ele acrescentou: “Pedimos ao governo chinês que mostre que não tolerará as gangues de ladrões de cães que perpetuam esse comércio e que acabam indo parar no comércio brutal de carne de cachorro e gato”.

A HSI está atualmente ajudando os cães resgatados a serem transportados para um abrigo de longo prazo no norte da China. A organização disse que também procuraria famílias adequadas no exterior, para adotar os animais.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

O Yulin Dog Meat Festival, realizado no solstício de verão, é um festival de comida altamente controverso na província de Guangxi, no sul da China.

Todos os anos, milhares de cães são cruelmente mortos, esfolados e cozidos com maçaricos antes de serem comidos pelos habitantes locais.

O popular restaurante de carne de cachorro Yulin No. 1 Crispy Dog Meat preparou 12 mesas ao longo da calçada do lado de fora com mais 20 mesas próximas para as festas do ano passado, informaram fontes locais na época.

Estima-se que 10 milhões de cães são mortos por sua carne na China anualmente. Pessoas de outros países asiáticos, como Vietnã e Coréia do Sul, também têm a tradição de comer cachorros.

No ano passado, a Humane Society International, organização de bem-estar animal, resgatou 136 cães de três abatedouros subterrâneos perto de Yulin, antes do início do festival que dura de três dias

A ONG afirma que os trabalhadores dos frigoríficos e matadouros matam cerca de 50 cães todos os dias para consumo humano.

Mas a organização explicou que a influência e o tamanho do festival foram reduzidos nos últimos anos graças ao protesto do público.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Embora a China tenha leis para salvaguardar a fauna silvestre e terrestre, atualmente faltam leis para proteger o bem-estar animal ou para evitar a crueldade contra os animais.

Em setembro de 2009, ativistas dos direitos animais e especialistas jurídicos começaram a circular um projeto de lei sobre a proteção de animais e em 2010, outro projeto de lei sobre a prevenção de crueldade com animais para consideração do Conselho de Estado, de acordo com a Human Rights in China – organização governamental com sede em Nova York.

O esboço propõe uma multa de até 6.000 yuans (cerca de 900 dólares) e duas semanas de detenção para os culpados de crueldade contra animais, segundo o jornal China Daily. No entanto, até hoje, nenhum progresso foi feito.

Embora a primeira legislação do país que protege o bem-estar animal ainda tenha que ser adotada, os casos crescentes de abandono de animais e séria crueldade contra animais como a morte de cães e a queima de gatos levaram a um sério ressentimento espalhado pela sociedade.

Dois jovens chineses lutam pela proteção dos elefantes

Foto: VCG Photo/Reprodução

Foto: VCG Photo/Reprodução

Dois jovens chineses abraçaram a missão de proteger os elefantes. Um deles é Zhang Chaodao, diretor de Black Elephant, um documentário de 9 minutos que revela o treinamento e tratamento desumanos que sofrem elefantes na Tailândia. Zhang conta que nunca vai esquecer a visão e os sons que experimentou durante um encontro no país.

“De repente, o elefante não queria mais obedecer”, disse ele. “O mahout (treinador de elefantes) novamente usou seu ankus (ferramenta de metal em forma de gancho) para dominá-lo. Então ouvimos o som da pele do animal sendo dilacerada pelo instrumento de tortura. Nesse momento o elefante subitamente começou a enlouquecer. Ele fazia um som que nunca poderíamos imaginar em nossas vidas.”

Segundo Zhang a Tailândia é o destino turístico mais procurado pelo povo chinês. “Muitos chineses vão para lá todos os anos, e em suas listas de atrações, a primeira coisa é montar elefantes ou assistir a um show de elefantes. Gostaria que mais chineses soubessem o que acontece de verdade com esses animais”, diz ele

O documentário produzido por Zhang já foi assistido online milhões de vezes desde seu lançamento em 2017. Ele pede aos turistas que parem de montar e assistir a shows com elefantes, em vez disso, se quiserem realmente ver esses animais que vão a santuários. É preciso conscientização para fazer viagens com mais responsabilidade.

“Como consumidor, você muda o que compra, tem o poder da escolha, com essa mudança, você também muda o sistema pouco a pouco”, disse ele.

Em 2017, três agências de viagens chinesas anunciaram que deixariam de vender pacotes de passeio de elefante e shows com performances desses animais.

Enquanto Zhang exorta os consumidores chineses a usar seu poder para aumentar o bem-estar dos elefantes, Huang Hongxiang, outro jovem chinês, colocou sua vida em grande perigo, indo disfarçado para a África na intenção de expor os traficantes de marfim.

Foto: VCG Photo/Reprodução

Foto: VCG Photo/Reprodução

Huang Hongxiang, é ativista pela proteção da vida selvagem, ele se envolveu em uma investigação secreta para expor o crime de tráfico que tem levado a morte centenas de elefantes. “Muitas vezes eu uso uma câmera escondida, e se certas pessoas me encontrassem com isso, eu estaria em sérios problemas”

Huang foi destaque no documentário de 2016 The Ivory Game. Ele fingiu ser um comprador de marfim chinês e enganou um comerciante de Uganda, levando-o direto para uma armadilha policial.

“Quando a polícia apareceu, eu era a pessoa mais próxima desse criminoso. Então, quem sabe o que poderia acontecer? Quem sabe se ele tinha uma arma ou uma faca, ou o que ele poderia fazer”, disse ele.

Foto: VCG Photo/Reprodução

Foto: VCG Photo/Reprodução

O documentário trouxe muita exposição a Huang, o que significa que ele nunca mais vai poder se disfarçar, muitos sabem quem ele é. Mas o ativista disse que há uma razão para ter ido a público.

Huang disse: “Há um milhão de pessoas na China que poderiam fazer o mesmo que eu. Mas por que até agora relativamente poucos chineses fazem esse tipo de coisa ou assumem um papel em defesa da vida selvagem? Por que quando você vai visitar uma ONG internacional de conservação da vida selvagem você vê muitos brancos e negros, alguns sul-americanos, mas você não vê muitos chineses?”.

A China proibiu todo o comércio de marfim e atividades ligadas a utilização do material no final de 2017. O ato foi saudado como um passo gigantesco para salvar os elefantes da extinção.

Huang e Zhang compartilham a mesma missão e mandam a mesma mensagem: Proteja os elefantes e deixe-os viver livremente.