Bugio sobrevive após tomar dois choques e cair de torre de energia elétrica

Um bugio, que passou três dias em uma torre de energia elétrica, foi resgatado no último sábado (22) após tomar dois choques e sofrer uma queda. O animal sobreviveu, mas queimou cerca de 70% do corpo e talvez precise amputar uma mão. O acidente aconteceu na cidade de Blumenau, em Santa Catarina.

Foto: Projeto Bugio

Resgatado pelo Projeto Bugio, o animal está recebendo os cuidados necessários. De acordo com o coordenador do Projeto, Julio Cesar de Souza Júnior, é possível que o bugio tenha sofrido danos neurológicos. Apesar de ter sobrevivido às primeiras 24 horas, consideradas as mais críticas, o estado de saúde dele é delicado. Nesta semana, o animal será submetido a novos exames. As informações são do projeto O Município.

O bugio foi visto na torre, pela primeira vez, na manhã de quarta-feira (19). Assustado, ele se isolou no local após tomar um choque e cair no rancho de uma moradora do bairro Salto do Norte. A Polícia Militar Ambiental e o Projeto Bugio foram acionados, mas não conseguiram resgatar o animal, que se recusava a descer da torre. No sábado (22), as equipes retornaram ao bairro, com a presença de funcionários da Celesc, para tentar salvar o bugio, que acabou tomando outro choque e caindo no chão.

Júnior explicou que mais da metade dos macacos que são eletrocutados morrem e que cerca de 30% dos atendimentos feitos pelo Projeto envolvem choques. Outros casos frequentes são atropelamentos e brigas com cachorros. O contato com a rede de energia elétrica mata aproximadamente 200 animais de diversas espécies anualmente na região, segundo a Promotoria Regional.

Para tentar solucionar o problema, o Projeto Bugio e a Celesc anunciaram, há pouco mais de uma semana, uma parceria para promover alterações na rede elétrica de Blumenau na intenção de proteger os animais. Pontes de passagem serão instaladas e cabos localizados em áreas habitadas por bugios, especialmente na região norte do município, receberão proteção.


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Porcos são mortos a pauladas em matadouros na Tailândia

Imagens de câmeras escondidas feitas no matadouro central da Tailândia e compartilhadas com o jornal The Guardian mostram funcionários do local matando porcos a pauladas com bastões de madeira e acertando os animais nos olhos com o que parecem ser máquinas de atordoamento caseiras.

O ideal seria jamais tirar a vida de um animal, seja ele humano ou não humano, mas a Tailândia nesse caso, ainda tem diretrizes específicas para os matadouros de porcos – que exigem que os animais sejam mortos “sem sofrer” – práticas humanitárias de morte nos matadouros de pequeno e médio porte do país budista são praticamente inexistentes, afirmam ativistas pelos direitos animais.

“O público tailandês, em geral, não está ciente da necessidade de práticas de morte humanitária”, disse o ativista dos direitos animais Wadchara Pumpradit.

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Jo-Anne McArthur/We Animals

“As pessoas acreditam que os animais de criação nascem para serem mortos e comidos e as pessoas não consideram suas necessidades ou seu direito de serem respeitados”.

Infelizmente a carne de porco é considerado um ingrediente básico nas receitas tailandesas, desde a cozinha doméstica normal até as barracas de rua do país. Aproximadamente 18 milhões de porcos são criados por ano por produtores no país, variando de cerca de 200 mil pequenos proprietários a gigantes multinacionais, em uma indústria avaliada em cerca de 3,5 bilhões de dólares construída sobre a exploração desses animais indefesos.

Em um matadouro no centro da Tailândia, onde 500 porcos são mortos a cada dia, a fotojornalista e ativista Jo-Anne McArthur documentou recentemente os animais chegando aos montes em picapes. Ela então seguiu o processo de morte deles, e assistiu quando eles foram golpeados com um grande bastão de madeira, abertos com uma faca, deixados para sangrar e finalmente arrastado para um tanque de água fervente.

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Do início ao fim, as práticas do matadouro são representativas das operações em matadouros em toda a região, disse a consultora mundial de animais de criação Kate Blaszak da organização internacional de proteção dos animais (World Animal Protection – WAP).

O uso gaiolas é um modo comum de transporte de animas no sudeste da Ásia. Normalmente, os animais chegam abarrotados, desidratados, exaustos e gravemente queimados pelo sol, se forem transportados durante o dia, muitas vezes através das fronteiras estaduais”, disse Blaszak.

“Você vê um péssimo cuidado com os animais: porcos caindo e escorregando, ou sendo derrubados, arrastados, espancados e chutados. Pauladas são uma tentativa manual de atordoar um animal – para deixá-lo inconsciente antes de matá-lo com faca (deixando para sangrar)”.

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

“A velocidade simples da pancada manual não pode suprir a energia necessária para um atordoamento efetivo. Uma paulada com um bastão de madeira apenas acerta e causa contusões e abusos nos animais”.

É desumano e cruel.

Imagens secretas de um matadouro a céu aberto em Phnom Penh, onde os porcos são agredidos violentamente à vista dos prédios ao redor, provocaram pedidos de ativistas para que o governo implementasse leis mais rigorosas sobre o bem-estar dos animais.

Engatinhando em relação aos direitos animais

Em 2014, a Tailândia aprovou seu primeiro ato de bem-estar animal, que abrange animais domésticos, animais de trabalho e animais para alimentação. As exceções incluem animais mortos por motivos esportivos e religiosos tradicionais.

Em 2016, uma mulher de 23 anos foi a primeira pessoa a ser processada sob a lei depois que ela jogou o chihuahua de sua colega de quarto na janela do apartamento no 5º andar em Bangcoc.

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

O incidente provocou indignação nas mídias sociais, mas em uma nação notória por seus conturbados templos de tigres, santuários de elefantes e tráfico de animais selvagens, o conceito do que constitui a crueldade contra os animais é evidentemente pouco claro.

Grupos de assistência social, juntamente com a Sociedade Tailandesa para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (TSPCA), esperam trabalhar em conjunto com o governo tailandês para fortalecer o papel da aplicação da lei. Mas Pumpradit não está esperando milagres imediatos.

“A TSPCA foi a primeira a introduzir o ato de bem-estar animal, e isso levou cerca de 20 anos”, disse Pumpradit.

“Será uma longa batalha. Lei e regulamentação são uma coisa, mas a aplicação da lei é o mais desafiador. Se você pune exemplarmente, as pessoas provavelmente não cumprirão a lei quando estiverem a portas fechadas”.

A necessidade de uma reforma nas leis visando o bem-estar animal em toda a região é urgente, disse Blaszak, acrescentando que os porcos são animais altamente inteligentes, capazes de sentir dor e sofrimento intensos.

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PL quer proibir coleiras que dão choques em animais

Coleiras que dão choque são comercializadas livremente atualmente (Foto: Amicus Inovações/Facebook)

O Projeto de Lei (PL) 1.113/2019, de autoria do deputado federal Célio Studart (PV-CE), quer proibir em todo o Brasil o comércio de coleiras que dão choques em animais. Esse tipo de dispositivo é alvo de críticas de manifestantes que lutam pelos direitos animais.

Atualmente, as coleiras são comercializadas em lojas físicas e online. A cidade de Recife (PE) já conta com leis específicas que proíbem o comércio da coleira. Outras, como o Rio de Janeiro (RJ), ainda tentam proibir. De acordo com o parlamentar, países como o Reino Unido também já aboliram o uso desse tipo de coleira.

“Saliente-se que esta proposição legislativa é mais um mecanismo para o avanço nas políticas públicas para animais no Brasil, tendo em vista que almeja evitar o uso de métodos ultrapassados e cruéis, que causam dor e sofrimento aos animais, como as coleiras de choque, por exemplo”, justifica Studart.

Ademais, o parlamentar usa como base o artigo 225 da Constituição Federal. Segundo o texto da Constituição, “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”, o que, segundo Studart, também diz respeito ao bem-estar animal.

As coleiras que dão choque são vendidas com o objetivo de domesticar o animal. Algumas dessas ferramentas visam impedir que os cachorros façam muito barulho. O site Adestrador Online criou uma campanha virtual para tentar pressionar parlamentares a proibirem o comércio da coleira. No entanto, a iniciativa conta ainda com menos de 4 mil assinaturas.

“Para os críticos das coleiras de choque, elas representam formas inaceitáveis de treinamento para a modificação de comportamentos indesejados, uma vez que tem potencial de causar dor e não possuem vantagens em relação ao treinamento através da recompensa, que, por sua vez, não traz risco algum ao bem estar animal”, explica o abaixo-assinado.

De acordo com um estudo publicado em 2014, ao fim de treinamento de cães, com o uso e sem o uso de coleiras eletrônicas, não foi possível destacar benefícios consistentes com relação à aplicação de choques em cachorros. No entanto, houve um aumento na preocupação com o bem-estar do animal.

Outra pesquisa, publicada em 2015, aponta que os cães reconhecem emoções, assim como os humanos. O estudo indica que cães podem extrair e integrar informações emocionais, tornando-se mais dócil ou mais agressivo diante de certo tipo de comportamento.

Outros projetos

O PL 1.113/2019 não foi o primeiro projeto impetrado com o objetivo de proteger o bem-estar animal. Outro PL impetrado nesta legislatura foi o 48/2019, de autoria do deputado federal Fred Costa (Patri-MG). O projeto quer criar um Disque Denúncia de maus-tratos e abandono de animais.

Dois dos principais projetos de lei que visam a defesa dos animais são o PL 215/2007, de autoria do ex-deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que institui o Código Federal de Bem-Estar Animal, que conta com 49 PLs apensados a ele; e o PL 11.210/2018, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que objetiva elevar a pena por maus-tratos aos animais, e conta com 23 PLs apensados a ele.

De acordo com o projeto de Tripoli, o Código Federal de Bem-Estar Animal seria um conjunto de diretrizes e normas para, entre outros objetivos, prevenir, reduzir e eliminar as causas dos sofrimentos físicos e mentais de animais. Segundo o site da Câmara, ainda está sendo aguardada a criação de uma Comissão Temporária pela Mesa Diretora para analisar a proposta.

Enquanto isso, o projeto de Randolfe Rodrigues quer elevar a pena de maus-tratos aos animais para a detenção de um ano a quatro anos, além da possibilidade de aplicação de multa. Atualmente, a pena é de três meses a um ano, além da multa. O projeto ainda aguarda a designação do relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

Fonte: Opinião e Notícia