Circo usa hologramas no lugar de animais para acabar com os maus-tratos

Photo: Twitter

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Muitas pessoas já se conscientizaram do mal que o cativeiro representa para os animais. Nascidos para serem livres os animais sofrem e morrem quando privados de sua liberdade. Apresentando doenças mentais e físicas decorrentes dessa violência.

Contudo os zoológicos do mundo parecem estar mudando os conceitos nos quais eles são baseados. Em muitos países os zoológicos já foram deixados para trás, essas instalações são verdadeiras “cadeias” onde os animais selvagens são trancados em gaiolas ou jaulas ou maltratados, sem falar nos abusos praticados contra a integridade desses seres sencientes, num zoo de Gaza onde as garras de uma leoa foram cortadas para que as crianças pudessem brincar com ela.

No caso dos circos, a situação e os maus-tratos podem ser ainda piores, com choques, espancamentos e privação de alimento como forma de “treinamento”. Mas alguns desses circos estão caminhando na direção oposta, às vezes até de forma radical e, para isso, estão recorrendo às mais recentes tecnologias disponíveis. Isso permite que os visitantes apreciem a visão dos animais em plena ação, mas sem danificá-los ou ameaçar sua saúde.

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O circo em questão está localizado na Alemanha, é chamado de Circo Roncalli, e é o primeiro no mundo que substituiu animais por hologramas realistas.

As animações feitas por computador são projetadas em tamanho real e mostradas de maneira espetacular em movimento.

Animais como elefantes, cavalos selvagens, macacos e até peixes correm, nadam e fazem acrobacias no palco.

O circo já existe há muitas décadas, sendo sido fundado em 1976, mas recentemente eles decidiram substituir os animais por 11 projetores, lasers e lentes estrategicamente posicionadas para oferecer um belíssimo show sem envolver um único animal.

Graças à tecnologia, muitos animais se livram de ficar presos em cativeiro, enquanto os humanos podem desfrutar de sua presença virtual dessa maneira incrível e inovadora.

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Circos com animais selvagens estão a um passo de serem proibidos

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

O sofrimento e a exploração dos animais de circo pode acabar em breve nos Estados Unidos. Um projeto de lei que proíbe o uso de animais selvagens em circos itinerantes acabou de ser introduzido no congresso americano.

A medida, chamada de Viagens com Animais Exóticos e Lei de Proteção à Segurança Pública (TEAPSPA), foi apresentada hoje à Câmara dos Representantes, Common Dreamsreported.

O projeto de lei alteraria a Lei de Bem-Estar Animal, uma lei que monitora o tratamento humano dados aos animais em pesquisa, transporte, entretenimento e muito mais desde 1966.

A TEAPSPA proibiria que circos itinerantes e atos semelhantes que exibissem animais exóticos e selvagens. O site do projeto explica os “efeitos adversos” do cativeiro e do transporte em animais usados para entretenimento.

“Devido ao confinamento severo, falta de exercício ao ar livre e a restrição de comportamentos naturais, os animais usados em circos itinerantes sofrem constantemente e são propensos a problemas de saúde, comportamentais e psicológicos”, explica o texto do projeto.

“É comum a equipe de circo maltratar os animais usando ganchos, chicotes, bastões elétricos e barras de metal, o que muitos considerariam ´tortura pura´”, diz a TPSPSPA.

O texto acrescenta que as autoridades policiais tem que lutar para conseguir monitorar efetivamente os circos devido à sua mobilidade constante, o que significa que a “brutalidade” enfrentada pelos animais geralmente não é documentada.

“O Congresso tem a responsabilidade de proteger o bem-estar dos animais e garantir a segurança pública”, afirma o site.

A proibição do envolvimento de animais exóticos e selvagens em circos também beneficiaria a economia, segundo a TEAPSPA, que a chama de “solução menos dispendiosa para esse problema”.

O projeto aponta que entre 2007 e 2010, o USDA inspecionou o circo Carson & Barnes Circus, 42 vezes, gastando um total de 57.246 dólares para fazer isso.

Chimpanzé Black é transferido de zoológico para santuário em Sorocaba (SP)

O chimpanzé Black foi transferido do Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” para o Santuário de Grandes Primatas, em Sorocaba, no interior de São Paulo. A transferência foi feita na tarde desta segunda-feira (6) por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Foto: Divulgação/Prefeitura de Sorocaba

A decisão judicial atendeu a um pedido da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e da Associação Sempre Pelos Animais, de São Roque (SP). Entre os argumentos utilizados no processo que justificam a transferência do animal, está a falta de convívio do chimpanzé com outros animais da espécie. As informações são do G1.

O TJ-SP estabeleceu um prazo, até o dia 8 de maio, para a transferência de Black. Como o zoológico não abre de segunda-feira, essa foi a data escolhida para a retirada do animal do local. O caso tramita na Justiça há mais de um ano. Em primeira instância, o pedido das ONGs foi negado, mas um novo julgamento resultou em um parecer favorável.

Uma gaiola foi usada para transferir o animal. Para que o chimpanzé entrasse, alimentos foram colocados dentro dela. O objetivo era transferi-lo sem precisar usar sedativos, já que ele é idoso e tem cerca de 50 anos.

Explorado em circo

Black foi levado ao zoológico na década de 1970, após ser resgatado de um circo, que o explorava para entretenimento humano. No zoo, ele teve a companhia de outras duas chimpanzés. A última morreu há cerca de 10 anos e, desde então, ele vivia sozinho.

O promotor do Meio Ambiente Jorge Marum explicou que a promotoria deu parecer favorável para a transferência de Black e fez reuniões para viabilizar o cumprimento da decisão. Segundo ele, no entanto, a decisão pode ser revertida.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Sorocaba

“Não é uma decisão definitiva, é uma liminar. O processo continua, vão ser colhidas provas, vão ser ouvidos especialistas para que a decisão seja tomada com respaldo técnico da melhor forma possível”, explica o promotor.

O promotor lembrou que o chimpanzé é idoso, foi explorado em um circo, estava solitário e vivendo há muito tempo no zoológico. “Penso que seria uma aposentadoria merecida. Claro que também levei em conta os laudos técnicos anexados ao processo”, diz.

Luciano Ferro, representante jurídico das entidades que moveram a ação pedindo a transferência de Black, lembrou do período em que o chimpanzé viveu no Santuário dos Primatas, quando foi levado ao local temporariamente, em 2014, para que o recinto dele no zoológico passasse por manutenção.

“No zoológico ele vive em situação de isolamento, no santuário ele vai ter contato com outros animais. Ele já esteve no santuário e teve um bom histórico. O recinto do Black já está preparado para recebê-lo no santuário, ele vai ter paz”, comentou Ferro. Ativistas afirmam que, no período em que viveu no santuário, o chimpanzé se socializou com outros membros da espécie e conquistou uma amiga chamada Margarete.

Ferro criticou manifestações feitas no zoológico. “A gente estava bastante chateado por a prefeitura estar fazendo manifestação dentro do zoológico durante toda semana. Um zoológico que diz que prima pelo bem-estar dos animais não deveria permitir manifestação pública praticamente dentro do recinto dos animais, que era o que estava acontecendo com o Black”, disse.

Apesar da crítica, Ferro afirmou que o zoológico colaborou durante a transferência do animal. “Ao todo, foram 6 profissionais do projeto GAP que acompanharam o manejo do Black para entrar na caixa, mais 6 do zoológico. O zoológico colaborou, já tinha sido acertado que seria uma operação colaborativa entre as partes e foi o que aconteceu”, contou.

Ferro disse ainda que a transferência do chimpanzé foi um grande sucesso. “O Black ficou super bem adaptado, não teve nenhum problema. Todas aquelas mentiras que estavam sendo contadas a respeito do Black, de que o santuário iria jogá-lo em meio a um monte de primatas não era verdade. O Black vai ser socializado, a priori, apenas com uma companheira e isso no tempo certo, não vai ser agora. Tudo isso vai ser registrado”, concluiu.

O santuário, que é filiado ao Great Ape Project/Projeto dos Grandes Primatas (GAP), é uma propriedade particular mantida por sua família fundadora.

Justiça impede que animais maltratados sejam devolvidos a circo no DF

O juiz Carlos Frederico Maroja de Medeiros, da Vara do Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal, determinou que os animais resgatados do Le Cirque há mais de 10 anos, em condições de maus-tratos, não sejam devolvidos aos tutores que os exploraram para entretenimento humano. A decisão judicial atende a um pedido do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e de outras entidades, que acionaram a Justiça após uma ação movida pelo circo no âmbito criminal ter determinado a devolução dos animais ao antigo tutor.

Foto: TV Globo/ Reprodução

A advogada Ana Paula de Vasconcelos, representante das entidades no processo, lembra que os animais foram resgatados em 2008 em uma ação conjunta entre a Delegacia do Meio Ambiente e o Ibama, em razão dos maus-tratos que sofriam. Foram salvos quatro elefantes, um hipopótamo, duas lhamas, duas girafas, dois camelos, uma zebra e dez pôneis. Os animais foram encaminhados para santuários e para o Zoológico de Brasília. No entanto, devido aos maus-tratos que sofreram, alguns deles morreram, entre eles um pônei, duas lhamas, dois camelos e uma girafa.

“Esses animais ficaram todos esses anos acolhidos e agora, depois de 11 anos, a Justiça determinou a devolução deles e nós não poderíamos aceitar isso. Eles foram extremamente maltratados, explorados e subjugados, são extremamente sofridos. Depois de tanto tempo, os donos do circo pleitearam a devolução deles e, após uma batalha judicial no âmbito criminal, foi determinada a devolução. Então, nós entramos com uma ação cível para proibir a devolução desses animais”, explicou a advogada.

Foto: TV Globo/ Reprodução

A decisão que impediu que os animais sejam devolvidos ao circo foi proferida em caráter liminar, isso é, provisório, e o processo segue em curso. “A expectativa é que o tribunal se sensibilize para que esses animais não sejam tratados como coisas e que, após 11 anos de acolhimento e de uma nova realidade, eles não sejam colocados novamente na condição em que foram explorados durante tanto tempo. A expectativa é que haja uma pressão da sociedade para que esses animais possam ter uma velhice em paz e não sejam explorados mais”, disse Ana Paula, ao abordar o que é esperado pelas ONGs em relação ao resultado definitivo do processo.

Medeiros considerou, ao decidir pela proibição da devolução dos animais ao circo, que eles “estavam em situação de evidente maus-tratos, com saúde abalada e vivendo em condições insalubres” quando foram salvos. O juiz lembrou ainda que, há mais de dez anos, quando foi determinado o resgate dos animais, os proprietários do Le Cirque se negaram a entregar os animais, o que, segundo o magistrado, reforça a necessidade de manter os animais nos locais que os abrigaram após eles serem resgatados.

Foto: TV Globo/ Reprodução

“É evidente o risco de alienação ou sumiço dos animais, caso se permita que retornem à prisão dos réus, que já demonstraram temeridade suficiente para desafiar a ação dos poderes públicos”, afirmou o juiz.

A decisão cabe recurso por parte do Le Cirque, que em 2015 teve os proprietários absolvidos.

Confira a íntegra do processo clicando aqui.

Ursos fantasiados são forçados a dançar e pular corda em circo norte-coreano

Foto: Mark Woodman

Foto: Mark Woodman

Imagens perturbadoras mostram ursos covardemente explorados, obrigados a dançar e fazer truques antinaturais, como pular corda e saltar sobre obstáculos, em um circo norte-coreano.

O australiano Mark Woodman, de 42 anos, foi levado ao circo em Pyongyang, na Coreia do Norte, como parte de uma excursão de cinco dias pelo país.

Enquanto ele assistia ao “show”, os ursos eram cruelmente ordenados a saltar sobre seus treinadores, dançar, dar piruetas, e pular corda antes de se curvar agradecendo a platéia pelos aplausos. Woodman disse que ninguém se atreveu a reclamar ou sair durante o show.

“Foi apresentada uma série de performances clássicas de circo, realizadas por artistas excepcionalmente talentosos e bem treinados – trapezistas, malabares e equilibristas – intercalados com atos cômicos”, disse ele.

“Os ursos dançarinos eram a única apresentação com animais. Eu fiquei inicialmente chocado e paralisado, o que me fez filmar essa performance em particular. Era diferente de tudo que eu tinha visto, absolutamente assustador”.

Woodman conta que embora eu tenha ouvido dizer que os ursos ainda eram usados em apresentações na Ásia Central e na Rússia, ele confessa que nunca pensou que veria uma coisa dessas.

“Tudo o que podíamos fazer era observar e absorver a cena tétrica. Não havia espaço para reclamações ou para deixar a apresentação”

Woodman, que é Perth, na Austrália Ocidental, disse que o comportamento dos ursos era tão antinatural que alguns espectadores pensaram que eram pessoas fantasiadas de animais.

Foto: Mark Woodman

Foto: Mark Woodman

“Depois de assistirmos ao espetáculo no circo, enquanto esperávamos pelo nosso ônibus, eu estava conversando com nosso guia turístico e outro companheiro de turnê”, lembrou ele.

“Uma mulher que fazia parte da excursão de turismo disse que pensou o todo que os animais vistos no show eram pessoas vestidas de ursos! O guia turístico e eu tivemos que dizer a verdade a ela”.

Fotografias de outros espetáculos recentes usando macacos provam que eles também foram submetidos ao mesmo tratamento cruel.

O grupo que atua em defesa dos direitos animais, Animal Defenders International (ADI), disse que animais de circo como estes foram treinados a este ponto vindos de uma vida inteira de sofrimento.

Foto: Mark Woodman

Foto: Mark Woodman

O presidente da ADI, Jan Creamer, disse: “Forçados a se apresentar em shows de circo, esses pobres animais sofrem uma vida inteira de tortura e privações”.

“Sem o estímulo normal, social e mental que eles desfrutariam com suas famílias na natureza, a resignação desses animais inteligentes e sensíveis é conseguida através de violência, ameaças e privação de comida, água e afeto durante o treinamento.

O público pode ajudar a acabar com o sofrimento desses animais, evitando shows desse tipo e deixando que os circos saibam porque eles estão indo se divertir em outro lugar.

Woodman disse não ter se arrependido de sua viagem à Coreia do Norte.

“Desde uma viagem que fiz ao Oriente Médio, a partir de 2009, passei a visitar países que são cultural e religiosamente distintos do que eu estava acostumado”, disse ele.

Woodman se define como um ateu gay que se concentra em viajar para países que “amam a Deus e odeiam os gays”. “É um estilo de viagem desafiador, mas infinitamente gratificante, que me levou a conhecer pessoas LGBT e outros locais em todo o mundo”, disse ele.

“Isso ajuda a superar os estereótipos e as narrativas divulgadas pela mídia e/ou pelo governo e distinguir as pessoas dos regimes”.

Exemplos pelo mundo

Segundo informações da PETA esses 26 países já proibiram circos que usam animais selvagens: Áustria, Bolívia, Bósnia Herzegovina, Colômbia, Costa Rica, Croácia, Chipre, El Salvador, Estônia, Grécia, Guatemala, Irlanda, Israel, Itália, Luxemburgo, Macedônia, Malta, México, Nova Zelândia, Paraguai, Peru, Romênia, Escócia, Singapura, Eslováquia e Eslovênia

Mais e mais pessoas estão boicotando qualquer entretenimento que envolva exploração animal, e essa mudança na opinião pública tem motivado muitos governos a agir.

No final do ano passado, o Havaí proibiu o uso de animais selvagens em circos, tornando-se o segundo estado americano a fazê-lo depois de Nova Jersey.

Em novembro, Portugal aprovou uma proibição semelhante. A lei aprovada pelo parlamento português impede que mais de mil animais diferentes, incluindo leões, avestruzes, camelos, pinguins, elefantes e rinocerontes sejam forçados a se apresentar.

Elefanta explorada em circo passa a sofrer de paralisia de tromba

Animais selvagens que são explorados e mantidos em cativeiro em circos sofrem de problemas de saúde como obesidade, artrite e fome (desnutrição). O pior de tudo é que eles desenvolvem zoocose – depressão e comportamento compulsivo, como movimentos ritmados sem objetivo e automutilação.

Na natureza, os elefantes vivem em grupos de até 100 outros animais e chegam a caminhar até 40 quilômetros por dia. Mas em cativeiro, eles são privados da socialização – atividade de extrema importância para a espécie – com outros elefantes e sua saúde mental e física é terrivelmente afetada.

Em fevereiro, Animal Defenders International publicou imagens comoventes de Betty, uma elefanta que vem sendo explorada pelo Garden Bros Circus, o video foi gravado durante a passagem do circo itinerante por Denver, Colorado (EUA).

O vídeo mostra Betty severamente abatida, de cabeça baixa, exibindo um comportamento estressado e sendo forçada a carregar pessoas em suas costas no circo. Sua tromba fica se arrastando no chão o tempo todo, o que é um sinal de paralisia do membro, freqüentemente causado por trauma.

Isso é ainda mais preocupante considerando que o homem ao lado de Betty, Larry Corden, está segurando um “bullhoook” – ferramenta de tortura criada especialmente para o “treinamento” de elefantes – e já foi acusado publicamente de crueldade contra animais há alguns anos. Em 2015, ele forçou um elefante assustado a sair de um palco de circo, inserindo um gancho em sua boca.

O bullhook é um cabo longo de metal com um gancho afiado na ponta. Esta ferramenta cruel é usada para quebrar o espírito e a vontade dos elefantes, para que eles fiquem com medo de serem feridos e obedeçam a tudo que for mandado por seus algozes, desde carregar humanos em suas costas até realizar truques artificiais.

Foto: Animal Defenders International

Foto: Animal Defenders International

Além do óbvio desconforto e da paralisia de tromba de Betty, acredita-se que ela também tenha outros problemas de saúde, que exijam cuidados médicos imediatos, incluindo dor e rigidez nas articulações.

Foi criada uma petição exigindo a imediata libertação de Betty para que ela possa receber tratamento médico adequado e se ver livre dessa vida cruel de circo onde a exploração e o sofrimento são sua rotina diária.

Explorado, e sob intensa pressão, leão reage violentamente ao interagir com treinador

Foto: One Green Planet/Reprodução

Foto: One Green Planet/Reprodução

Leões são originários da savanas africanas, geneticamente preparados para correr grandes distancias, em velocidades que alcançam 56km/h, eles vivem em bandos, caçam e convivem com os demais animais, além de tudo isso, esse mamífero majestoso é o maior predador de sua cadeia alimentar.

De posse dessa informação fica fácil entender porque esses animais selvagens não se adaptam ao cativeiro. Sua saúde física e mental sofre impactos terríveis e muitas vezes irreversíveis. Os leões explorados em circos, especificamente, são extremamente abusados para serem usados como entretenimento humano.

Esses animais são ensinados a fazer truques anti-naturais mediante punições severas, o treinamento para tais truques envolve métodos cruéis como espancamento com bastões, chicotes, fome e muito mais.

Considerando sua situação infeliz, vivendo uma vida afastado de seus pares, sendo obrigado a obedecer comandos sem sentido e sofrendo todo tipo de crueldade, é simples compreender porque um animal aprisionado em cativeiro pode se tornar agressivo.

Alguns dos comportamentos agressivos e anormais que eles exibem são: andar de um lado para o outro sem parar, bater as cabeças contra as gaiolas e automutilar-se.

Em outros ambientes cativos, como zoológicos, os animais até atacam e matam uns aos outros. Um exemplo de um incidente violento desses foi quando um urso dançarino russo atacou seu treinador na frente de uma multidão. Recentemente, uma situação semelhante aconteceu envolvendo um leão em um circo na Ucrânia.

O auto-entitulado “domador” de leões, Hamada Kouta, foi recentemente atacado na Ucrânia durante um show. No vídeo, nota-se que o leão claramente já esta farto do circo. Ele pode ser visto batendo no treinador com as patas antes de atacá-lo, mordendo-o no ombro.

Apesar da escolha infeliz de carreira, onde o objetivo é subjugar animais selvagens para submetê-los a sua vontade, o treinador sobreviveu ao ataque. O leão não mordeu propositalmente o pescoço do treinador, o que provavelmente resultaria em morte.

Kouta diz que eles geralmente dão aos animais três dias para se acostumarem a um novo local, mas eles começaram a se apresentar imediatamente e ele acredita que é por isso que o leão estava estressado.

Embora a programação de viagem de um circo certamente deva causar mais pressão e estranheza aos animais em cativeiro, está provado que os animais de circo vivem vidas continuamente estressantes devido ao fato de estarem sendo mantidos presos. Eles não podem caçar, andar pela selva ou seguir seus instintos de tantas outras maneiras que eles poderiam se estivessem na natureza.

O treinador não culpou o leão e afirmou que ele era o culpado pelo ataque pois ele havia “perdido o tempo certo”, Kouta ainda se referiu aos animais do circo como seus “filhos”. O que é assustador levando-se em conta o tipo de abuso que esses animais sofrem.

Muitos dos animais encontrados em cativeiro são tirados de suas mães ainda bebês a para serem criados em ambientes solitários, onde eles “desenvolvem doenças relacionadas ao estresse, depressão, ansiedade e extrema frustração”, segundo informações do One Green Planet.

Kouta também mencionou que sua maior preocupação no momento do ataque era não assustar as crianças que visitavam o circo, infelizmente é uma mensagem perigosa a que esta sendo passada para as crianças, dizer que os grandes felinos são como crianças para ele.

Esse tipo de “show” cruel ensina às crianças que elas podem dominar os animais selvagens e submetê-los à sua vontade, prendendo-os e entretendo-se com eles, o que não é verdade. Ser mantido em cativeiro por humanos é o pior crime que se pode cometer contra os leões ou qualquer outro animal selvagem.

Washington proíbe circo famoso de usar animais em suas apresentações

Foto: Pixabay

O Garden Bros. Circus é um popular circo que tem 100 anos de estrada. Na rota de sua atual turnê, estava a capital dos Estados Unidos – Washington.

A Garden Bros. anunciou que seu show incluiria elefantes, camelos cavalaos – crianças poderiam montassem em qualquer um deles.

No entanto, a DC Health negou ao grupo o ‘Exotic Animal Permit’, o que significa que seus shows programados poderiam continuar, mas apenas com artistas humanos .

O bem-estar animalfoi a razão da negativa. A PETA denunciou que trabalhadores do circo bateram na cara de um elefante com um anzol, chicotearam uma lhama e forçavam os elefantes mancos a fazerem truques e dar carona. O circo também teria negligenciado a prestação de cuidados veterinários aos animais feridos. As informações são do LiveKindly.

Vários locais nos Estados Unidos cancelaram a aprentação do circo após tomarem conhecimento sobre seus padrões de bem-estar animal, incluindo Lancaster, Califórnia, Walpole e Massachusetts.

O Centro de Convenções de Greenville, na Carolina do Sul, se comprometeu a proibir a Garden Bros. de se apresentar, assim como todos os outros circos que envolvem animais.

Foto: Stock

Proibições

A cada dia, mais e mais pessoas optam por boicotar entretenimentos que exploram e abusam de animais animal. Essa mudança está motivando muitos governos a agir.

Na última quarta-feira (27), Madri (Espanha) proibiu o uso de animais selvagens em circos. O grupo de esquerda ao qual pertence também a prefeita, Manuela Carmen, Ahora Madrid (“Madri agora”), mais os socialistas e os representantes eleitos do partido Ciudadanos votaram a favor do texto. Os conservadores do Partido do Povo votaram contra.

Las Palmas também proibiu a prática, assim como Nova York e Havaí.

“Quando não estão em performance, os elefantes são acorrentados ou confinados a pequenas jaulas e os leões e tigres são mantidos em gaiolas de transporte onde quase não dá para se mexerem”, continuou Block, acrescentando que os animais frequentemente recebem cuidados inadequados, assim como alimentação precária”, disse Kitty Block, presidente e CEO da Humane Society dos Estados Unidos (HSUS) após as decisões.

Dia Internacional do Circo traz reflexão sobre exploração animal para entretenimento

Hoje, 27 de março, é celebrado o Dia Internacional do Circo. A data foi criada para homenagear o palhaço Piolim, personagem de Abelardo Pinto, que comandou o circo Piolim por mais de trinta anos. É necessário, porém, que esse dia seja visto também como uma oportunidade para refletir sobre os animais explorados para entretenimento humano em circos mundo afora.

Foto: Pixabay

Animais domésticos, especialmente cachorros, e selvagens, como tigres, macacos, ursos, elefantes e leões, são vítimas de exploração. Forçados a aprender truques anti-naturais, eles vivem aprisionados e, no caso dos silvestres, privados da vida em liberdade, na natureza, ao lado de suas famílias.

Os maus-tratos nestes ambientes também são frequentes. Para que aprendam a realizar os comandos, os animais são ensinados na base da agressão. Muitos deles ficam traumatizados, passam a desenvolver movimentos repetitivos e apresentam sinais claros de estresse.

A ursa Marsha é um desses animais. Nascida na Rússia, ela foi explorada por 25 anos por um circo que fazia excursões pelo Brasil. Após uma vida de sofrimento, ela foi condenada a viver, até os 32 anos, no Parque Zoobotânico de Teresina, no Piauí, onde sofria com o calor intenso do estado e realizava movimentos repetitivos frequentemente, devido ao estresse. No ano passado, porém, a ursa foi resgatada e encaminhada para um santuário onde ganhou não só uma vida nova, mas também outro nome: Rowena.

Apesar de ainda haver exploração animal em circos, muitos deles deixaram de explorar animais, por iniciativa própria ou após proibições feitas por legislações. Entre os locais que criaram leis para proibir a presença de animais em circos estão: a cidade de Los Palmas, na Espanha, Havaí, Portugal, os estados brasileiros da Paraíba e de São Paulo, a Guatemala, o País de Gales, os estados norte-americanos de Nova Jersey e Nova York, a Escócia, a Itália e a Irlanda.

Foto: Pixabay

Um marco significante para os direitos animais no que se refere à exploração para entretenimento humano foi o fechamento do circo norte-americano Ringling Bros Circus. Durante 36 anos, o circo foi alvo de protestos contra a presença de animais nos espetáculos, o que o levou à derrocada.

No entanto, apesar da vitória, a luta pela libertação dos animais ainda está longe de acabar, conforme lembra Chris DeRose, presidente e fundador da organização Last Chance For Animals, em artigo no Los Angeles Times. “Enquanto o fim do Ringling é uma vitória para cada ativista que escreveu uma carta, assinou uma petição ou protestou em frente ao circo, a luta para libertar os animais da crueldade, incluindo da indústria do entretenimento, está longe de acabar. Outros circos continuam explorando animais em nome do lucro, assim como zoológicos, aquários e rodeios”, reforça.

A opinião pública, porém, está do lado dos animais e dá apoio às entidades que lutam para que eles deixem de ser explorados e maltratados. Uma pesquisa feita em 2015 pela Gallup descobriu que 62% dos norte-americanos acredita que os animais merecem proteção e 32% defende que os animais devem ter os mesmos direitos que as pessoas. Em relação aos circos, uma pesquisa da YouGov, conduzida pela AAP Animal Advocacy e pela Protection of the Netherlands, concluiu que 65% dos europeus não pagariam para visitar um circo que explora animais selvagens. De acordo com os resultados do levantamento, 63% na Alemanha, 71% na Itália, 73% na Espanha e 76% no Reino Unido votaram contra a exploração de animais silvestres em circos.

‘Dumbo’ alimenta a indústria de exploração animais

Tim Burton está no caminho do tapete vermelho com mais um longa-metragem, um remake de “Dumbo”, um filme da Disney de 1941.

O lado oposto do reconhecimento do cineasta pela obra é o que a história do filme traz em sua real essência: a exploração animal para entretenimento humano.

Burton nunca gostou de circos. Segundo ele, animais enjaulados realizando truques o incomodava demais. Então o que o levou a recontar essa história?

Nas palavras do próprio cineasta diz: “Não há como negar o romance de fugir para se juntar ao circo. E ainda mais se a aventura envolver um elefante voador.”

“A coisa que eu gostava em ‘Dumbo’ era apenas a ideia – a imagem de um elefante voador e um desajeitado – e todo esse tipo de coisa é muito atraente para mim”, disse ele à AFP.

Talvez pelo fato de ter sido chamado de ‘esquisito’ por garotos da escola, o cineasta tenha se identificado com ‘o elefante de orelhas enormes que é ridicularizado por todos’. O tema da alienação ou deficiência como fonte de força faz parte de sua obra.

“Você pode ter um desajeitado notado por algo e usar isso como uma coisa positiva”, disse Burton, apontando para as orelhas grandes e flexíveis de Dumbo.

‘Dumbo’ não a imagem da superação. Aprender a voar não o libertou da opressão humana, mas sim o aprisionou ainda mais. Enquanto ‘estranho’, para nada servia. Quando ‘estranho mas voador’, fonte de dinheiro e sucesso para um circo falido.

O filme nada mais é do que a falsa retração do circo como um ambiente feliz, de descobertas, sonhos e recomeços – o que é uma grande ilusão. Por de baixo das lonas coloridas, o que existe é exploração, abuso, medo, tristeza e solidão.

O filme

A nova roupagem de “Dumbo”, que chega aos cinemas americanos em 29 de março, conta a história do filhote de elefante que nasceu com orelhas enormes. Após ser ridicularizado por todos, ele descobre que pode voar e se transforma na principal atração de seu circo, sendo explorado por isso.

Em 2015, a PETA havia pedido a Tim Burton que seu remake tivesse um final feliz longe da indústria do circo.

O grupo de defesa animal pediu ao diretor que, na nova versão, o elefante orelhudo e sua mãe fossem enviados a um santuário.

N época, a vice-presidente da PETA, Lisa Lange, disse “Esperamos que na sua adaptação de Dumbo o jovem elefante e sua mãe possam ter um final feliz de verdade, vivendo suas vidas num santuário ao invés de continuarem aprisionados e abusados na indústria de entretenimento.”

Infelizmente, Burton não atendeu ao pedido, e ‘Dumbo’ será mais um exemplo de como não se deve tratar a vida selvagem.