Estudantes vão às ruas em diversos países em atos contra o aquecimento global

Manifestações contra o aquecimento global foram realizadas por estudantes em diversos países nesta sexta-feira (15). O objetivo é pressionar os governos para que medidas favoráveis ao clima sejam colocadas em prática.

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

O protesto recebeu o nome de Fridays For Future (Sextas-feiras Pelo Futuro, em tradução livre). A iniciativa é da estudante Greta Thunberg, que passou a faltar às aulas todas as sextas-feiras desde setembro de 2018, em sua escola em Estocolmo, na Alemanha, para sentar em frente ao Parlamento da Suécia e protestar contra as mudanças climáticas.

A exigência dos estudantes é de que o Acordo de Paris, assinado por mais de 190 países, seja cumprido, com as metas para retardar o efeito do aquecimento global sendo colocadas em prática. As informações são do portal R7.

Os protestos estão sendo realizados na Europa, na Ásia, na África e no Brasil. Os alunos brasileiros têm atos marcados para acontecer no Rio de Janeiro e em Brasília.

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

As manifestações receberam o apoio de Cristina Figueres, funcionária da ONU (Organizações das Nações Unidas), que gerenciou o Acordo de Paris em 2015. Ao jornal The Guardian, ela afirmou que “chegou a hora de ouvir a voz dos jovens estudantes, que estão preocupados com o seu futuro”.

Os governos têm recebido há 30 anos advertências sobre a emissão de dióxido de carbono, que agrava o aquecimento global e que já atingiu níveis recordes nos dois últimos anos.

A ONU informou, através de um relatório publicado em outubro de 2018, que a humanidade tem até 2030 para impedir mudanças irreversíveis no clima e que há fortes indícios de que ocorra uma crise climática em 2040.

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

Mais de mil atos pelo clima devem ser realizados no mundo nesta sexta-feira

Mais de 1,3 mil manifestações pelo clima estão programadas para esta sexta-feira (15) em todo o mundo. Na Alemanha, serão realizadas 150 delas. O Brasil será palco de 19 atos. Todos os protestos são realizados por estudantes de mais de cem países durante o horário de aula.

O movimento recebeu o nome de “Fridays For Future” (Sextas-feiras Para o Futuro, em tradução livre). O objetivo é combater as mudanças climáticas exigindo que os governos adotem práticas para salvar o clima do planeta. As informações são do portal DW.

De acordo com o porta-voz do movimento no estado alemão de Brandemburgo, Vincent Bartolain, “os preparativos estão avançados na Alemanha”. O jovem afirma que os estudantes estão “organizados em vários grupos locais, que planejam as manifestações, mas recebem material informativo da equipe nacional de organização”, ao se referir a flyers, adesivos e cartazes, produzidos com o mínimo de prejuízo ao meio ambiente, geralmente a partir de papel reciclado, nos quais são escritas palavras de ordem como “podemos aguentar faltas às aulas, mas não as mudanças climáticas!”, “ão, ão, ão, chega de carvão!”, ou ainda o slogan do movimento: “não há um planeta B!” e “marche agora ou nade depois!”.

Na Alemanha, uma campanha de doações foi feita para cobrir os custos de produção do material e de viagens. No entanto, segundo Bartolain, a maior parte das despesas é paga com os próprios recursos dos estudantes.

“Queremos fazer os políticos se mexerem”, responde Bartolain, que lembra que o desejo deles é de que algo realmente seja feito a favor da proteção climática na Alemanha, “para que não seja só da boca pra fora e empurrar com a barriga.”

Com 18 anos, Bartolain é membro do Partido Verde e candidato ao legislativo de Brandemburgo na eleição de setembro. Ele faz parte da mesma geração de jovens alemães que a ativista sueca pelo clima Greta Thunberg, de 16 anos. São conhecidos por serem mais engajados na luta política do que a geração anterior.

Greta se manifesta, há meses, todas às sextas-feiras a favor do clima perante o prédio do parlamento sueco. Portadora da síndrome de Asperger, ela foi incluída pela revista Time na lista dos 25 adolescentes mais influentes de 2018. E ela tem feito milhares de adolescentes em todo o mundo se inspirarem nela e seguir seu exemplo. Apenas na Alemanha já são 155 grupos locais, segundo o próprio movimento, que está presentes em todas as redes sociais, por meio das quais artigos, notícias, eventos e manifestações são divulgados.

O Fridays For Future recebeu o apoio de 12 mil cientistas, por meio de uma carta assinada por eles, e também tem sido apoiado por organizações e associações. Para os cientistas, os estudantes têm motivações legítimas e bem fundamentadas, pois as medidas adotadas até o momento por governos do mundo todo para proteger o clima, a biodiversidade, as florestas, os oceanos, os mares e o solo são insuficientes e a hora de agir é agora.

Um dos cientistas, Volker Quaschning, da Escola Superior de Técnica e Economia de Berlim, afirmou que os políticos europeus que disseram que os jovens deveriam retornar às aulas não sabem do que falam. “E é por isso que nós estamos aqui. Nós somos os profissionais e podemos dizer: a nova geração está com a razão. E faltar aula também é um gesto de coragem”, disse Quaschning, que, assim como os demais cientistas, defende que as exigências dos alunos sejam atendidas.

No meio político, os estudantes têm recebido muitas críticas. A ministra da Educação, Anja Karliczek, e o ministro da Economia, Peter Altmaier, afirmaram que os protestos deveriam ser feitos fora do horário de aula. O presidente nacional do Partido Liberal (FDP), Christian Lindner, disse que os jovens não podem entender as implicações globais e as viabilidades técnicas e econômicas do combate ao aquecimento global. O partido populista de direita AfD chegou a falar em “abuso político de crianças”. A ministra do Meio Ambiente, Svenja Schulze, por sua vez, elogiou o engajamento dos alunos.

As críticas, porém, não vieram apenas dos políticos. Nas redes sociais, xingamentos estão sendo proferidos contra o movimento, que afirmou que irá acionar a Justiça contra quem fizer ameaças ao Fridays For Future e aos seus participantes.

Bartolain lembra que os jovens não irão desistir. “Estamos só no começo”, concluiu. Segundo ele, mais pessoas estão se unindo ao movimento e novos grupos locais estão se formando na Alemanha.

Austrália oferece ajuda a nações do Pacífico no combate à mudança climática

As preocupações com o aquecimento global e suas terríveis consequências para o planeta estão cada vez maiores à medida que pouco e lentamente os governos trabalham para retardar o problema. Alguns deles inclusive manifestam interesse de abandonar o acordo climático de Paris, como Estados Unidos e Brasil.

Scott Morrison e sua esposa Jenny chegam a Port Vila, Vanuatu. Foto: AAP

Outros, como a Austrália, mostram interesse em cooperar com o futuro incerto do planeta.

O primeiro-ministro Scott Morrison é o primeiro líder australiano a visitar Vanuatu, na Oceania, desde 1990. Em um encontro com o primeiro-ministro Charlot Salwai em Port Vila, na última quarta-feira (9), ele prometeu ajudar Vanuatu e outras nações do Pacífico a lidar com os efeitos da mudança climática para que possam seu estilo de vida.

“Estamos muito comprometidos com os recursos no Pacífico para gerar programas que possam lidar com os impactos da mudança climática aqui”, disse Morrison no início de uma reunião com autoridades.

Segundo o The New Daily, Morrison disse também que a Austrália trabalharia diretamente com as nações do Pacífico para enfrentar as mudanças climáticas.

“Em vez de passar por agências internacionais com fundos como esse, acreditamos que podemos fazer isso da melhor forma como parceiros”, disse ele.

O Sr. Salwai agardeceu a oportunidade de falar sobre segurança, infraestrutura e economia, como o programa de trabalhadores sazonais e o esquema de trabalho do Pacífico na agenda.

Morrison disse que a Austrália está trabalhando duro para garantir oportunidades para jovens trabalhadores do Pacífico obterem treinamento e habilidades futuras.

O primeiro-ministro australiano viajará a Fiji na quinta-feira para mais reuniões sobre segurança, infraestrutura e economia.

Chris Bowen, front-office do Partido Trabalhista, disse que Morrison e o governo haviam ignorado o Pacífico por muito tempo, então era realmente importante que ele visitasse as nações insulares.

 

Pinguins estão entre as espécies mais vulneráveis ​​às mudanças climáticas

As desastrosas consequências do aquecimento global são sentidas em todas as partes do mundo, seja nos mares, nas florestas ou nas cidades. É uma corrida contra o tempo pra frear os danos irreversíveis desta catástrofe.

Algumas das espécies mais carismáticas do mundo são as que mais correm risco devido às mudanças climáticas, segundo um novo relatório.

Pinguim Adélie. Foto: Kate Kloza

Publicado na Frontiers in Marine Science na quinta-feira passada, mostra que as geleiras e as plataformas de gelo, tão importantes para certas espécies,  são as primeiras a sentir os efeitos do clima.

O  estudo analisou a literatura anterior sobre os efeitos em espécies únicas para descobrir se algumas se sairão melhor ou pior em um clima mais quente.

“Algumas das espécies mais carismáticas estão em risco”, disse o autor do estudo, Simon Morely.

O pinguim-imperador que se reproduz nas plataformas de gelo, e os pinguins Adèlie e chinstrap se alimentam de krill que vivem sob o gelo, foram considerados alguns dos mais vulneráveis.

Animais que se alimentam em águas abertas – como certos tipos de baleias, ou o pinguim-rei – poderiam se beneficiar, ele explicou, porque seu suprimento de comida é basicamente um tipo de peixe.

Pinguim imperador. Foto: Pixabay

Mesmo que possa haver benefícios positivos para algumas espécies, nunca é certo como o ecossistema como um todo será afetado, disse Jackie Dawson, presidente de pesquisa do Canadá em meio ambiente, sociedade e política.

“Nós sempre pensamos nos ursos polares ursos do Ártico e pinguins na Antártida”, disse ela à Global News. “Mas você sabe o que importa é o ecossistema.”

Mormente advertiu que o estudo se concentra apenas nos animais sobre os quais já existem informações.

Pinguim Chinstrap. Foto: Steve Billy Barton

“Existem animais raros que nós simplesmente não sabemos nada sobre e isso pode causar outros efeitos sobre os ecossistemas”, disse ele.

“É tudo sobre como rapidamente estas coisas mudam  – porque um ecossistema pode lidar com mudanças lentas”, disse ela, acrescentando: “É o darwinismo.”

Mas uma mudança rápida e abrupta pode ser prejudicial para um ecossistema, e Dawson alertou que nem sempre sabemos quais são os pontos de inflexão.

Morly concordou, dizendo que parte da pesquisa foi baseada em como as espécies reagiram a mudanças anteriores no clima, inclusive durante a última era glacial, mas um derretimento mais rápido – como o que estamos vendo agora – poderia causar grandes mudanças.

“A maior parte dos animais que estão atualmente em torno do planeta não experimentou esta taxa de mudança no clima”, disse ele.

Dawson disse que os efeitos de uma espécie podem se refletir em outras, inclusive para os humanos – e é por isso que é importante frear os efeitos da mudança climática.

“Todos sabemos que tudo está conectado. E esses efeitos podem ser bastante traumáticos para as espécies em si, mas também para os seres humanos “, disse ela.

A Antártida está perdendo o gelo marinho mais rapidamente do que nunca, de acordo com o Bureau of Meteorology.

A primavera de 2017 e o derretimento de verão foram a segunda pior primavera já registrada na região.