Pássaros se comunicam com seus irmãos ainda dentro dos ovos

Por Rafaela Damasceno

Uma recente pesquisa descobriu que os pássaros são capazes de se comunicar com seus irmãos mesmo antes dos ovos eclodirem. Além de ouvir os alertas de aves adultas, eles também transmitem para seus irmãos.

Um ninho de passarinho com alguns ovos dentro

Foto: Pixabay

O intuito da “conversa” é avisar os companheiros dos perigos iminentes, para que não tentem sair dos ovos.

Para a experiência, os biólogos separaram alguns ovos do ninho e expuseram alguns aos sons de alerta de aves adultas. Depois, juntaram os ovos novamente. Aqueles que foram expostos aos sons tendiam a vibrar mais na incubadora do que os outros.

Aqueles que foram expostos aos sons também demoraram mais a eclodir que seus companheiros que ouviram apenas o silêncio. Eles também não produziam ruídos e permaneciam agachados ao nascerem, um mecanismo de defesa da espécie.

Eles também apresentaram níveis mais altos de hormônios do estresse e menos cópias de DNA mitocondrial nas células. Isso indica que as aves têm capacidade de responder ao perigo, mas ao custo de deficiências em seu armazenamento de energia e uma capacidade produtiva celular reduzida.


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Macacos usam linguagem especialmente desenvolvida para avisar uns aos outros da presença de drones

Macacos-verdes da África Ocidental | Foto: Daily Mail/Reprodução

Macacos-verdes da África Ocidental | Foto: Daily Mail/Reprodução

Cientistas descobriram que os macacos tenham desenvolvido uma linguagem em seus cérebros para criar um alerta para drones artificiais.

Na natureza, os macacos-verdes da África Ocidental têm duas chamadas de aviso próprias, para cobras e leopardos.

Quando eles ouvem a chamada de advertência da cobra, eles ficam imóveis, parados sobre suas pernas para evitar serem mordidos, enquanto que a chamada de alerta do leopardo os faz escalar uma árvore para que eles não sejam pegos.

No entanto, os macacos têm espontaneamente uma terceira chamada, para os drones, apesar de nunca os terem visto antes.



Os macacos-verdes não têm um chamado específico para alertar sobre os predadores aéreos porque não se pensa que as aves de rapina os ataquem.

Mas o chamado que eles criaram para os drones é surpreendentemente parecido com o som de alerta usado pelos macacos-vervet, quando eles estão sob ameaça de ataque de águias.

Os cientistas dizem que isso mostra que a linguagem primitiva é “hard-wired” (especialmente desenvolvida) em cérebros de macacos, disponível para ser usada assim que eles precisarem.

A professora Julia Fischer, autora sênior do estudo do Centro Alemão de Primatas, disse: “Os animais rapidamente aprenderam o que significam os sons antes desconhecidos e lembravam essas informações, fazendo conexões”.

“Isso mostra sua capacidade de aprendizagem auditiva”. Pesquisadores soltaram drones voadores para observar macacos-verdes da África Ocidental que vivem no Senegal, a uma altura de 60 metros, ou quase 200 pés.

Enquanto os drones circulavam acima deles, os animais produziam sons de alerta, escaneando o céu e correndo para se proteger, assim como macacos-vervet quando as águias estão no alto.

Incrivelmente, depois de ouvir um drone no céu apenas uma a três vezes, os macacos lembraram-se da ameaça quase três semanas depois.

Quando os pesquisadores colocaram o som gravado do zumbido de um drone, próximo a cinco macacos-verdes, 19 dias depois em média, quatro olharam para o céu para tentar encontrar o drone. Três dos cinco fugiram com medo.

Macacos-verdes da África Ocidental | Foto: Daily Mail/Reprodução

Macacos-verdes da África Ocidental | Foto: Daily Mail/Reprodução

O mesmo resultado não foi visto para sons semelhantes tocados próximos dos macacos, incluindo abelhas zumbindo, cigarras de alta frequência e geradores.

Isso pode explicar por que os macacos que nascem em zoos, e não crescem com outros de sua espécie, ainda podem produzir os sons típicos de suas espécies.

Os macacos, vistos com drones, têm uma capacidade inerente de produzir sons que nunca ouviram antes em situações em que eles são necessárias.

O estudo, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, comparou as advertências dos macacos-verdes da África Ocidental com os macacos-vervet da África Oriental, geralmente encontrados no Quênia, Botswana e África do Sul.

Os pesquisadores descobriram que os alarmes dos drones feitos pelos macacos podiam ser facilmente reconhecidos, soando totalmente diferentes dos sons que os macacos-verdes faziam quando confrontados com predadores no chão, como leopardos e leões, ou pitons e outras cobras venenosas.

A chamada do “predador aéreo” foi corretamente identificada pelos cientistas até 95% do tempo.

O estudo conclui: “Em resposta ao drone, os animais produziram sons e avisos claramente discerníveis e um número de macacos correu para se esconder e se proteger.

“Além disso, percebemos que os animais detectaram rapidamente o som do drone e começaram a dar uma olhada antes mesmo de o drone se tornar visível”.

Botos se comunicam com os demais para avisar sobre a presença de invasores

Foto: CC BY-SA 4.0Nortondefeis

Os golfinhos fluviais da Amazônia, conhecidos também como botos, conversam entre si e os cientistas descobriram que a comunicação ocorre entre os membros da família, em forma de longos assobios que avisam sobre a presença de invasores.

Os botos amazônicos são um mistério, pois os cientistas sabem muito pouco sobre esses animais reclusos e como eles se comunicam, segundo informações do Daily Mail.

Recentemente os pesquisadores descobriram que eles conversam em sua própria língua usando uma variedade de sons – de uma maneira similar a que fazem seus primos oceânicos melhor estudados, os golfinhos.

Um total de 237 tipos diferentes de sons foram identificados – sendo que os mais comuns são chamadas curtas, em duas partes, que os golfinhos bebês faziam quando se aproximavam de suas mães.

Eles também emitiam chamadas (comunicações em guichos agudos) e assobios mais longos, parecidos com os que fazem os golfinhos-nariz-de-garrafa – embora muito mais raramente.

As chamadas foram listadas em algum lugar entre os sons de baixa frequência usados pelas baleias para comunicação de longa distância e cliques de alta frequência feitos por golfinhos marinhos para curtas distâncias.

A coautora do estudo, Laura May Collado, bióloga da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, disse: “Descobrimos que eles interagem socialmente e estão produzindo mais sons do que se pensava anteriormente. Seu repertório vocal é muito diverso”.

Ao contrário dos golfinhos marinhos que usam longos assovios para promover laços sociais, os botos pareciam usá-los para alertar outros indivíduos a manter distância.

A Dra. May Collado disse: ‘É emocionante; golfinhos marinhos como o nariz-de-garrafa usam apitos e assobios para contato, e aqui temos um som diferente usado pelos golfinhos fluviais para o mesmo fim.

E os pesquisadores acreditavam que não capturaram todas as comunicações dos golfinhos, já que só fizeram 20 horas de gravação.

A Dra. May Collado acredita que o ambiente do rio pode ter moldado essas características.

“Há muitos obstáculos como florestas inundadas e vegetação rasteira em seu habitat, então esse sinal poderia ter evoluído para evitar os ecos causados pelas árvores e melhorar o alcance da comunicação das mães com seus filhotes”, conclui ela.

Os resultados foram publicados na revista PeerJ.

Risco de extinção

A União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN) informou que o boto-cor-de-rosa da Amazônia voltou a integrar a lista vermelha de espécies em risco de extinção após 10 anos fora dessa listagem, que é considerada uma das mais detalhadas do mundo sobre o estado de conservação da espécies. O boto está, agora, a dois passos de ser classificado como extinto.

Antes de voltar à lista, a situação da espécie era considerada “sem dados suficientes”. O risco atual de extinção do boto foi catalogado após estudos serem realizados pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

Covardemente mortos para terem seus corpos usados como isca para pesca do peixe Piracatinga, 2,5 mil botos perdem a vida anualmente no Brasil, segundo a Associação Amigos do Peixe-Boi (AMPA) – o número é similar ao a mortandade de golfinhos no Japão.

Para tentar reverter esse cenário, a associação faz alertas sobre a caça do boto-cor-de-rosa na Amazônia.

Cientistas descobrem que ursos imitam expressões faciais para se comunicar

Foto: Daniela Harmann

Foto: Daniela Harmann

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo e observação da espécie ursos-do-sol ou ursos-malaios (Helarctos malayanus) na Malásia notaram que eles copiavam uns aos outros enquanto franziam o rosto para mostrar os dentes incisivos. A característica podem indicar que a comunicação sofisticada seja uma característica inerente a todos os animais.

Até agora, acreditava-se que apenas humanos e gorilas – que são parentes genéticos próximos – usavam um complexo mimetismo facial para se comunicar.

As novas observações são significativas porque os ursos não têm nenhum elo evolutivo especial com os humanos; além disso, eles são animais não-sociais, gastando a maior parte do tempo apenas em busca de alimento, necessitando, portanto, de uma variedade menor de ferramentas de comunicação, conforme informações do jornal Telegraph.

Os pesquisadores da Universidade de Portsmouth disseram que esses fatores sugerem que o mimetismo facial, como uma forma de comunicação avançada, pode ser bastante comum entre os mamíferos, ao invés de estar relacionado apenas a espécies sociais altamente desenvolvidas.

Eles estudaram os 22 animais, também conhecidos como “ursos de mel” devido ao seu apetite voraz por favos de mel, na Malásia por dois anos.

Apesar de ser uma espécie solitária na natureza, os ursos se tornaram brincalhões em cativeiro, participando de centenas de ataques de brincadeiras brutas e gentis durante o período.

Os cientistas notaram que durante a inofensiva brincadeira os ursos provavelmente se envolviam em um mimetismo facial preciso.

O Dr. Davila-Ross disse: “Imitar as expressões faciais de outras pessoas de maneira exata é um dos pilares da comunicação humana”.

“Como os ursos-do-sol parecem realizar uma comunicação facial de tamanha complexidade e por não possuírem um elo evolucionário especial com os humanos – como os macacos que são primatas – nem são domesticados como cães, estamos confiantes de que essa forma mais avançada de mimetismo está presente em várias outras espécies”.

“O mais surpreendente é que o urso do sol não é um animal social”, afirmou o cientista.

“Na natureza, ele é um animal relativamente solitário, então isso sugere que a capacidade de se comunicar através de expressões faciais complexas pode ser um traço próprio dos mamíferos, permitindo que eles naveguem dentro de suas sociedades”, afirma o Dr. Ross

Pesquisas anteriores da equipe de Portsmouth comprovaram que os cães são capazes de se imitar mutuamente, mas de uma maneira muito menos sofisticada do que a mostrada pelos ursos.

Foto: Alamy

Foto: Alamy

No ano passado, outro estudo da mesma universidade mostrou que os cavalos podem se lembrar das expressões faciais dos seres humanos, assim como de vozes humanas.

No novo estudo, foi notado que os ursos frequentemente abrem a boca para os parceiros de brincadeiras de duas maneiras, com os dentes expostos ou escondidos sob os lábios.

Os pesquisadores descobriram que os ursos estavam fazendo, predominantemente, uma dessas expressões com a boca aberta quando viram o parceiro de brincadeiras olhando para eles.

Derry Taylor, co-autor da pesquisa, disse: “Os ursos-do-sol são uma espécie indescritível na natureza e muito pouco é conhecido sobre eles”.

“Sabemos que vivem em florestas tropicais, comem quase de tudo e que, fora do período de acasalamento, os adultos interagem pouco uns com os outro”.

“Isso é o que torna esses resultados tão fascinantes – eles são uma espécie não social que, quando face a face, pode se comunicar com sutileza e precisão.” Os ursos de sol chegam a atingir cerca de 120 a 150cm de altura e pesam até 80kg.

Os números da espécie estão diminuindo devido ao desmatamento, à caça e à mortes causadas por fazendeiros em virtude de ataques às plantações em busca de alimentos.

Especialistas estimam que as espécies tiveram uma queda de aproximadamente 30% nas últimas três gerações de ursos.

Novas mães tem sido mortas numa crescente de extermínio apenas para que seus filhotes possam ser levados e criados como animais de estimação ou mantidos em cativeiro como “ursos biliares”, situações em que esses animais ficam presos para que sua bílis seja colhida e usada em alguns remédios da medicina chinesa.