Cinco mil bois explorados para consumo humano foram embarcados em um navio no Porto de Imbituba, em Santa Catarina, na última quarta-feira (1º) com destino ao Porto de Iskenderun, na costa mediterrânea da Turquia. Os animais enfrentarão uma longa e estressante viagem para, na chegada ao destino, serem mortos.

Foto: Amanda Cristhie/Divulgação
De acordo com o governo de Santa Catarina, a operação de embarque dos bois foi a maior já feita pelo terminal. O procedimento para encaminhar os animais ao navio durou aproximadamente 13 horas, segundo o G1.
A Turquia é, atualmente, o país que mais importa bois vivos do Brasil. Os animais exportados por empresas brasileiras são mortos de forma extremamente cruel no país islâmico, atendendo a rigorosos critérios religiosos que, entre outras questões, estabelecem que eles devem ser mortos ainda conscientes, o que os submete a dor extrema.
Antes da viagem, os bois são mantidos em quarentena por 21 dias para que seis tipos de doença sejam testados. Após esse período, eles são colocados em caminhões superlotados e enviados aos portos, em um percurso que dura horas. A soma do transporte precário com as condições do embarque, que é um procedimento demorado no qual frequentemente os bois recebem choques para que sejam encaminhados ao navio, faz com que esses animais sejam embarcados já exaustos e estressados, situação que é piorada durante a viagem.

Bois afundados nos próprios excrementos no navio NADA (Foto: Magda Regina)
Dentro do navio, os bois viajam amontoados, sem espaço para deitar e descansar. É comum, também, que no desespero para encontrar um pouco de conforto, eles pulem uns aos outros e se pisoteiem, causando ferimentos. Casos de mortes também são registrados, já que alguns dos animais não suportam as condições insalubres da viagem. Conforme comprovaram fotos feitas no navio Nada, que atracou no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, a impossibilidade de realizar um procedimento adequado de limpeza na embarcação faz com que os bois sejam transportados em meio a fezes e urina.
Apesar das autoridades alegarem que fiscalizações são realizadas para que os pré-requisitos de bem-estar animal e combate aos maus-tratos sejam respeitados, as condições nas quais os animais são mantidos desde a saída das fazendas de origem torna impossível a prática da exportação sem crueldade.
ANDA move ações contra exportação de animais
A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) entrou com duas ações contra a exportação de animais. A primeira, feita em conjunto com a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA), solicitou a interrupção das operações no porto de Santos com base nas implicações ambientais e nos crimes de maus-tratos registrados durante o embarque feito pelo porto em dezembro de 2017.

Bois mantidos em condição insalubre no navio NADA (Foto: Magda Regina)
O pedido das entidades foi aceito pelo desembargador Luis Fernando Nishi, que determinou a suspensão imediata das operações no porto no final de janeiro deste ano. Dias depois, entretanto, a liminar foi derrubada por um recurso impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU) e o navio seguiu viagem.
A segunda ação, movida exclusivamente pela ANDA, foi contra os embarques de animais vivos no porto de São Sebastião. Devido à existência de outras duas ações contra tais operações no porto que tinham como foco os maus-tratos contra os animais, a ANDA optou por usar o enfoque ambiental como fundamento para se opor à exportação de animais vivos em São Sebastião.
Após a ação ter extraviado, a ONG impetrou um mandado de segurança solicitando o julgamento da liminar. O mandado foi deferido pelo juiz Dr. Guilherme Kischner que, em abril, suspendeu temporariamente os embarques no porto.