Aids felina: doença pouco conhecida pode levar gatos à morte

A Aids felina (FIV, na sigla em inglês para feline immunodeficiency virus) é uma doença grave que pode destruir a imunidade dos gatos e levá-los à morte, assim como a leucemia felina. A enfermidade impede que o organismo do animal combata qualquer doença, o que pode ser fatal.

Foto: Divulgação/ Dr. Adelmo Miguel

Pouco conhecida dos tutores, a doença é causada pelo vírus da imunodeficiência felina, do mesmo gênero do HIV. Essa relação faz com que existam várias semelhanças entre a doença que atinge os gatos e a que acomete os humanos.

A Aids felina é um problema de saúde que atinge exclusivamente os gatos, sem afetar humanos e outros animais, como cães. “O diagnóstico é feito através de amostras de sangue de animais, que detectam anticorpos contra o vírus na corrente sanguínea. Apesar das semelhanças, a Aids felina não é contagiosa a outros animais e aos seres humanos”, explicou ao G1 médico veterinário Adelmo Guilhoto Miguel.

Dentre os sintomas da doença, estão: inúmeras infecções, febre, pneumonia, perda de peso, insuficiência renal, diabetes e hipertireoidismo. De acordo com Adelmo, alguns gatos podem hospedar o vírus no organismo durante toda a vida, sem manifestar sintomas.

“Apesar desta condição, de não manifestar nenhum sintoma, os animais hospedeiros transmitem a doença para outros animais, o que pode complicar na hora da identificação de quem está propagando o vírus, principalmente em locais com grande quantidade de gatos, como os abrigos”, disse.

A saliva é o principal meio de transmissão da doença, seja por meio de mordidas durante brigas, lambeduras ou compartilhamento de bebedouros e comedouros. “Alguns estudos indicam a transmissão através da amamentação dos filhotes, por via da placenta durante a gestação e por transfusões de sangue”, complementou Adelmo.

Vital, um gato tutelado pela técnica em segurança do trabalho Erika Russo, moradora de Sorocaba (SP), foi diagnosticado com FIV.  “Ele começou a ficar muito magro, muito fraco e com secreção nos olhos. Algumas feridas surgiram na ‘almofadinha’ da patinha dele, e não curava. Levei até o veterinário e foi feito, entre outros exames, o teste para a FIV, onde deu positivo. Achei que fosse perder ele. Durante uma semana eu o levava todos os dias na clínica veterinária pra que ele pudesse tomar soro. Como ele é adotado, acreditamos que já tenha chegado com a doença. Hoje ele está em casa e está super bem, seguimos com um protocolo de tratamento, alimentação correta e cuidados pro resto da vida dele, mas estamos aliviados com a melhora”, contou.

A Aids felina, assim como a humana, não tem cura, apenas tratamento paliativo para aliviar a dor do animal. Não há, no entanto, grandes possibilidades de sucesso no tratamento. Segundo Adelmo, a expectativa de vida de um gato com FIV varia bastante porque podem existir portadores que não apresentem sintomas.

Foto: Bruna Russo/Arquivo pessoal

“Uma vez que o gato apresente sintomas, o tempo de vida é muito curto, pois o animal tende a apresentar grave perda de peso, anemia, tumores e infecções diversas”, explicou.

Não há, também, vacina para a doença. Experimentos têm sido feitos, segundo Adelmo, por cientistas, mas ainda há a necessidade de evolução nos estudos para a fabricação de um produto eficiente e seguro.

“Para a prevenção, os gatos devem ser castrados, mantidos dentro de casa e não serem expostos a gatos recém-adotados, animais de rua, abandonados ou perdidos, a menos que estes animais tenham sido testados previamente através de exames laboratoriais”, orientou.. É recomendado, também, separar gatos com FIV daqueles que estão saudáveis e evitar que bebedouros e comedouros sejam compartilhados com animais desconhecidos.

Sem acesso à rua

A orientação do veterinário Adelmo Guilhoto Miguel sobre a criação de gatos dentro de casa é a melhor maneira de não só evitar determinadas doenças – inclusive a FIV -, mas também de proteger o animal de riscos como atropelamento, envenenamento, agressão, brigas com outros animais e, no caso de gatos não castrados, de impedir que gravidezes ocorram e filhotes nasçam na rua, contribuindo para o aumento do abandono.

Casos de animais que foram vítimas da crueldade humana são comuns. Notícias de envenenamento são divulgadas frequentemente. Moradores de um bairro de Linhares (ES) denunciaram recentemente a morte de ao menos sete cachorros e três gatos, todos envenenados. De 10 de janeiro a 15 de fevereiro deste ano, 36 casos de morte por envenenamento foram registrados em Alta Floresta (MT). De acordo com os tutores, os animais não apresentavam sintomas de doença e, antes de morrerem, tinham convulsões e saía uma baba espessa branca da boca deles.

Na última semana, uma jovem foi flagrada por uma câmera de segurança ao jogar uma gata na direção de um cachorro em Sorocaba (SP). A gata tem tutora, mas estava na rua, sozinha, no momento em que foi vítima dos maus-tratos. Ao comentar o caso, que classificou como um ato de “muita maldade”, a advogada Regina Santos Ferreira de Almeida reconheceu os perigos que a rua oferecem à Bela, como é chamada a gata. “Ela é danada, vive na rua e a gente vive recolhendo. Não posso deixar ela ir para a rua. Ela é amorosa”, afirmou ao G1.


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Copo e sacola de plástico são encontrados no intestino de uma tartaruga

Por Rafaela Damasceno

Em 2012, Robson Guimarães dos Santos fez uma necropsia de uma tartaruga-verde que morreu em uma costa brasileira. Ele gravou a necropsia para usar em sua pesquisa de doutorado, e hoje as imagens são usadas pelo biólogo para conscientizar as pessoas sobre o impacto do plástico na natureza.

Uma tartaruga morta na praia ao lado de muito lixo

Foto: Foto: Robson Santos / Arquivo Pessoal

A divulgação do vídeo é uma das formas que ele encontrou para chamar a atenção das pessoas para as ameaças ambientais do descarte indevido do plástico. Se não receber o destino correto, este material afetará a natureza de alguma forma, podendo até mesmo causar a morte de animais.

“A ingestão de plástico é hoje um dos principais problemas para a conservação das espécies de tartarugas marinhas tanto pela mortalidade direta como por todos os problemas crônicos decorrentes de sua ingestão, como contaminação por poluentes, por exemplo”, disse o biólogo em entrevista ao G1.

As tartarugas não precisam ingerir muito plástico para serem afetadas pelas consequências: meio grama de plástico já é o suficiente para causar a morte de uma tartaruga-verde jovem. Como o material não é digerido, permanece em seu corpo e normalmente obstrui o trato gastrointestinal. Dessa forma, funções fisiológicas básicas não são mais possíveis de serem realizadas, o que leva o animal a uma morte lenta e dolorosa.

Uma pesquisa realizada pelo biólogo, feita na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), descobriu que em média 70% das tartarugas que morrem no Brasil ingeriram plástico. Segundo Robson, há cerca de 5 trilhões de fragmentos de plástico nos oceanos do mundo atualmente, o que torna a ingestão do material pelos animais marinhos ainda mais difícil de combater.


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Governo Bolsonaro libera agrotóxico que mata abelhas e registros de pesticidas chegam a 262 em 2019

Um lote com 51 novos agrotóxicos foi liberado pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) nesta segunda-feira (22), totalizando 262 produtos registrados apenas neste ano. Dentre os pesticidas autorizados está o sulfoxaflor, responsável por exterminar abelhas. A liberação desse veneno, após ele ter sido responsável pela morte de mais de meio bilhão de abelhas em quatro estados brasileiros entre janeiro e março de 2019, quando ainda estava em fase de testes, expõe o descaso do governo com os animais.

Foto: Pixabay

Além dos insetos, outros animais, como pássaros, também sofrem com os efeitos dos pesticidas. A natureza também é prejudicada, tendo o solo e a água contaminados, e a saúde humana é diretamente afetada pelo consumo de vegetais cultivados com agrotóxicos, capazes de gerar doenças graves como o câncer. No entanto, a rapidez com que novos agrotóxicos têm sido liberados demonstra que o Ministério da Agricultura, responsável pelo registro desses produtos, e o presidente Bolsonaro estão mais interessados no lucro gerado pelos pesticidas do que nos efeitos devastadores causados por eles.

Em abril, o sulfoxaflor foi um dos principais assuntos discutidos pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara. A ministra da Agricultura, Teresa Cristina, que é ex-líder da bancada ruralista, participou do debate. Na ocasião, ela explicou que o veneno responsável pela matança de abelhas não estava registrado no Brasil. As informações são da revista Fórum.

“O problema das abelhas é que foi usado um produto chamado Sulfoxaflor. Esse produto não está registrado no Brasil. Esse é o grande problema dessa fila enorme. Esse produto muito provavelmente entrou de maneira ilegal, está sendo usado de maneira errônea e causou a morte das abelhas”, afirmou.

Agora, no entanto, o produto passará a ser usado livremente, o que poderá causar mortes de insetos com respaldo do governo.

Apesar de ser considerado “medianamente tóxico” pela Anvisa, o sulfoxaflor tem, sob certas condições, um impacto negativo sobre as colônias de abelhas e suas capacidades reprodutivas, conforme descobriu um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Londres. A pesquisa concluiu que o pesticida, produzido pela Corteva AgriscienceTM, reduziu em 54% o tamanho das colmeias.

Em 2015, uma decisão da Corte de Apelações de São Francisco, que indicou que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) falhou em considerar os impactos do sulfoxaflor sobre insetos polinizadores, levou ao cancelamento do registro do produto nos Estados Unidos. No entanto, um ano depois a EPA concedeu novamente o registro, porém com abrangência limitada.

Classificação

Dos 51 agrotóxicos liberados nesta segunda-feira, 7 são produtos formulados – isso é, aqueles que chegam às lojas e podem ser comprados pelos agricultores. O princípio ativo sulfoxaflor está em 6 desses produtos.

Os outros 44 herbicidas são produtos equivalentes, ou seja, genéricos de princípios ativos já autorizados no Brasil. De acordo com informações do G1, 18 deles são para produtos técnicos de uso industrial e outros 26 são produtos formulados, sendo quatro de origem microbiológica.

Entre os pesticidas liberados há também um que tem como base o florpirauxifen-benzil, princípio ativo que já havia sido aprovado em junho pelo governo.

“Podemos produzir sem agrotóxicos”

 A ONG Greenpeace, que defende o meio ambiente, criticou a liberação dos novos agrotóxicos devido ao impacto negativo que esses produtos causam na natureza e na saúde humana.

“Podemos produzir sem agrotóxicos, em equilíbrio com o meio ambiente e respeitando a saúde das pessoas. Porém, as decisões do governo no tema ignoram isso e colocam o povo brasileiro em risco. Isso é inaceitável”, afirma Iran Magno, da campanha de Alimentação e Agricultura do Greenpeace.


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Protesto contra liberação de 239 agrotóxicos será realizado domingo em SP

O governo Bolsonaro liberou, em apenas 200 dias de governo, 239 agrotóxicos, alguns proibidos na União Europeia por serem extremamente tóxicos. Prejudiciais para a saúde humana e causadores de doenças graves e fatais, como o câncer, os pesticidas também fazem mal para a natureza. Para lutar contra eles, uma manifestação foi marcada para o próximo domingo (21).

Foto: Reprodução / Facebook

A manifestação, que recebeu o nome de “Marcha Agrotóxico MATA” será realizada a partir das 14 horas e a concentração será no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

“Em resumo, nos últimos seis meses, foram registrados no Brasil 33 novos produtos agrotóxicos altamente tóxicos para a saúde humana (aqueles cuja dose letal esta entre 5 e 50 mg/kg), 63 novos produtos extremamente tóxicos para a saúde humana (cuja dose letal esta em menos de 5 mg/kg), 115 novos produtos muito perigosos para o meio ambiente e cinco novos produtos altamente perigosos para o meio ambiente (considerando os parâmetros de bioacumulação, persistência, transporte, toxicidade a diversos organismos, potencial mutagênico, teratogênico e carcinogênico da Portaria 84/1996 do IBAMA)”, diz a descrição do evento no Facebook sobre o protesto. 

De acordo com a organização da manifestação, outros estados também estão se organizando para realizar atos contra a liberação dos agrotóxicos e, em breve, as datas e locais serão divulgados.

“Estamos sendo envenenados com tantos agrotóxicos e precisamos agir!”, dizem os organizadores.


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Caso raro: gato diagnosticado com raiva morre no interior de MG

Um gato morreu após ser contaminado pela raiva em Itaú de Minas (MG). O diagnóstico veio dias após a morte do animal. Antes disso, a tutora havia encaminhado o gato para uma clínica veterinária ao notar que ele estava agressivo, salivava em excesso e tinha dificuldades de locomoção – mas o animal foi liberado pelo veterinário e voltou para casa, sem diagnóstico fechado.

A mulher, que foi arranhada pelo gato, e o marido dela, que teve contato com a saliva do animal, receberam medicação. O caso é acompanhado pela prefeitura. Casos de raiva em gatos não eram registrados na cidade há mais de 16 anos. Na capital do estado não há registro da doença em gatos desde 1984 e último caso notificado em cães foi em 1989.

Foto: Pixabay/Ilustrativa

“O gatinho faleceu em 19 de junho e as amostras de sangue foram enviadas ao Instituto Mineiro de Agropecuária. É raríssimo aparecer casos de raiva em felinos, há mais de dezesseis anos não temos um aqui. Para tentar resolver, fechamos o cerco na zona rural. O protocolo pede que todos os animais da região onde o animal morreu sejam presos por dez dias, para observamos o comportamento”, explica Maria Pimenta de Jesus, coordenadora do Programa de Saúde da Família e do Pronto Socorro Municipal de Itaú de Minas, em entrevista ao portal O Tempo.

Todos os animais da região onde o gato vivia receberam novas doses da vacina contra raiva. Um cachorro que vivia na zona rural também apresentou quadro sintomático semelhante ao da raiva. “Os moradores prenderam o animal para vigiá-lo, mas ele acabou fugindo nesse fim de semana. Nós achamos que o cachorro já deve ter morrido”, comenta Pimenta.

De acordo com a coordenadora do programa, o gato não foi vacinado na última campanha. “A tutora nos contou que ele ainda não tinha 90 dias quando aconteceu a campanha e animais com menos de três meses não podem receber a dose. Depois que passou a campanha, ela não procurou a rede privada para vaciná-lo. Às vezes passa despercebida a necessidade da prevenção, as pessoas às vezes acham que, por não haver muitos casos da doença, ela foi erradicada”, explica.

O fato de poucos gatos apresentarem a doença não significa que eles são mais resistentes a ela, segundo a professora de doenças virais da escola de Medicina Veterinária da UFMG, Maria Isabel Guedes. “Nós temos um bom controle da raiva urbana graças a uma taxa de cobertura vacinal acima de 80% nos últimos anos. É o sucesso da campanha de vacinação que garante a diminuição da transmissão da raiva nos municípios”, afirma.

Segundo ela, é preciso que a vacinação continue sendo realizada anualmente. “Estamos vendo um aumento no aparecimento de casos de morcegos no ambiente urbano, morcegos que se alimentam de insetos e de néctar que podem transmitir o vírus da raiva. Pode acontecer de o morcego se infectar e cair morto ao chão. Assim, cães e gatos por instinto podem querer brincar com ele e mordê-lo. Se o animal não estiver vacinado, ele pode vir a óbito”, comenta.

Morcegos hematófagos – que se alimentam de sangue – transmitem a raiva nas zonas rurais ao morder bovinos e equinos. “A raiva é invariavelmente fatal. Se o vírus chega ao sistema nervoso central, o ser humano ou o animal vem ao óbito. Existe apenas dois casos na literatura médica brasileira de pessoas que sobreviveram ao vírus”, alerta a professora.

“No início da doença, o animal apresenta alterações em seu comportamento. Se era mansinho, pode se tornar mais agressivo, atacar pessoas. Ele também apresenta salivação extrema e começa a espumar mesmo, dificuldade respiratória e falta de apetite. Mais para o final, o animal apresenta muita confusão mental e dificuldade para se locomover, muitos não conseguem mesmo andar”, explica Guedes.

É importante, portanto, vacinar os animais e levá-los para o veterinário caso sintomas apareçam. No caso dos morcegos encontrados mortos, a recomendação é acionar o Centro de Controle de Zoonoses para recolhê-los.

“O animal deve ser vacinado anualmente e, no caso dos filhotes, é preciso que estejam protegidos já aos quatro meses de vida. É importante que as pessoas se lembrem que não estamos livres da doença”, defende Guedes.


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Ameaçados pela ação humana, oceanos geram a maior parte do oxigênio respirado

Os oceanos são de extrema importância para a natureza e, também, para a humanidade. Isso porque eles são responsáveis pela maior parte do oxigênio respirado, além de absorverem grandes quantidades de emissões de dióxido de carbono e serem economicamente necessários para países que dependem, por exemplo, do turismo.

No último dia 8 de junho comemorou-se o “Dia Mundial dos Oceanos”, criado pela ONU durante a ECO-92 ou “Cúpula da Terra”, no Rio de Janeiro, em 1992. Apesar da data, segundo a editora da revista Ecotour News, Vininha F. Carvalho, ter como objetivo “promover uma reflexão sobre a importância do oceano para a Terra, celebrar a vida marítima e criar uma consciência sobre a proteção da vida nos oceanos”, os mares continuam sob a ameaçada promovida pela ação humana, que explora e destrói recursos naturais e contamina as águas com resíduos sólidos.

Foto: Pixabay

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, 19% do PIB vem de atividades que dependem dos oceanos, como petróleo, lazer e turismo. “Esses números também trazem um alerta voltado à proteção desse ambiente”, salienta Vininha ao portal Terra.

A ameaça que os oceanos sofrem é de extrema gravidade. Segundo um estudo apresentado durante a 46ª edição do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, até 2050 haverá mais plástico do que peixes nos mares. Até esse mesmo ano, 99% das aves marinhas também terão detritos plásticos no organismo, segundo outra pesquisa publicada em 2018 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Segundo pesquisadores, atualmente 90% desses animais já sofrem com a poluição do meio ambiente.

Diante da gravidade da situação, a ONU classificou o período entre 2021 e 2030 como a Década Internacional da Oceanografia para o Desenvolvimento Sustentável – a Década dos Oceanos. A classificação tem o objetivo de ampliar a cooperação internacional em pesquisa para promover a proteção dos oceanos e a gestão dos recursos naturais de zonas costeiras.

Pesquisadores alertam que oito milhões de toneladas de plástico estão sendo despejados no mar anualmente em todo mundo, o que representa um dano praticamente irreversível, já que o plástico demora cerca de 400 anos para se decompor.

O problema é tamanho que minúsculas partículas, de plástico e de outros tipos de lixo, podem estar escondidas nos oceanos. Elas são tão pequenas que não podem ser captadas por análises convencionais, mas são ingeridas por animais marinhos, o que pode coloca-los em risco.

Segundo uma lista dos maiores responsáveis pelo despejo de resíduos, feita por pesquisadores da Associação Educacional do Mar de Woods Hole, do Estado norte-americano de Massachussetts, as 20 nações que mais descartam lixo seriam responsáveis por 83% do plástico mal gerenciado que pode chegar aos mares.

O topo da lista é ocupado pela China, que produz mais de um milhão de toneladas de dejetos. Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que isso tem relação com o tamanho da população do país e a dimensão de sua região costeira.

De acordo com os pesquisadores, a quantidade de dejetos lançados anualmente nos mares pode alcançar, até 2025, 17,5 milhões de toneladas, com 155 milhões de toneladas chegando aos oceanos até a data. Para o Banco Mundial, o patamar máximo de lixo produzido no mundo será atingido em 2100.

A falta de tratamento de lixo é responsável por aumentar à chegada do plástico aos oceanos, material que não pode ser retirado do fundo dos mares devido à profundidade média de 4,2 mil metros dos oceanos.

“A melhor forma é evitar que o plástico chegue aos oceanos, por isto a conscientização torna-se a melhor solução”, conclui Vininha.


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Hoje é Dia Internacional da Tartaruga Marinha, animal ameaçado pela poluição plástica

Hoje (16), no Dia Internacional da Tartaruga Marinha é válido refletir sobre a realidade da espécie e de que forma estamos afetando esses animais. De acordo com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), há uma estimativa de que entre 4 e 12 milhões de toneladas de plástico são despejados nos oceanos a cada ano.

Segundo o ICMBio, o lixo ingerido pode bloquear o sistema digestório e interferir no processo de flutuação da tartaruga (Fotos: Getty/Reuters/WAP/Sea Shepherd)

E o problema é que no mar o plástico vira uma armadilha para as tartarugas marinhas, sendo confundido com alimento ou aprisionando espécies, a exemplo de pedaços de redes de pesca que se enroscam em seus corpos podendo levá-las à morte.

Segundo o ICMBio, o lixo ingerido pode bloquear o sistema digestório e interferir no processo de flutuação das tartarugas, fazendo com que morram por inanição, já que provoca lesões no trato gastrointestional e libera toxinas em seus organismos.

Só em 2018, 280 tartarugas morreram por ingestão de lixo nos Lençóis Maranhenses, situados a 265 quilômetros da capital São Luís. É um número surpreendente, porque representa mais do que o triplo de 2015, quando morreram 80 tartarugas em decorrência do mesmo problema.

Na região, há um acúmulo de lixo proveniente de 19 países. E o agravante é que em contato com a água e a radiação do sol, materiais descartados como garrafas, tampas e outros objetos plásticos dão origem ao microplástico.

E o que dificulta ainda mais a situação é que esse material não é visto a olho nu, mas ainda assim pode incorporar agentes contaminantes como metais pesados, que se incorporam às células do animal.

As tartarugas ingerem o microplástico ao confundirem o material com alimentos e, como consequência, além da morte de muitos animais, isso interfere no comportamento reprodutivo das espécies.

A pesca fantasma é outro problema grave, já que redes, linhas e armações de pesca são equipamentos que se transformam em armadilhas para as tartarugas. Inclusive são responsáveis por ferir, mutilar e matar centenas de milhares de animais de diversas espécies a cada ano.

Por bem, no Brasil, o Projeto de Lei do Senado (PLS 263/2018), que prevê proibição do uso de canudos e sacolas plásticas, além de microplásticos em cosméticos, está caminhando para aprovação.

Embora não resolva completamente o problema, já significa grandes ganhos em um país que é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, com produção anual de 11,3 milhões de toneladas. Desse total, apenas 1,28% é reciclado. O plástico derivado do petróleo pode levar mais de 300 anos para se decompor contra o plástico biodegradável que requer 30 a 180 dias.

O descarte incorreto provoca a poluição do solo e da água, além da morte de animais por engasgamento ou enroscamento. Os microplásticos contidos nos cosméticos também demoram para se degradar e se acumulam nos rios e oceanos – gerando impacto no ciclo de vida e na cadeia alimentar dos animais.

Fonte: Vegazeta

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Mais de 28 mil kg de carne com suspeita de contaminação por bactéria é recolhida das prateleiras

Foto: Fox News

Foto: Fox News

Preocupações com a saúde, assim como o futuro do planeta e o bem-estar dos animais tem motivado consumidores do mundo todo a rever seus hábitos alimentares, agora, diante das recentes informações sobre a insustentabilidade do mercado de carne, é mais importante do que nunca preencher o prato com opções saudáveis e satisfatórias.

Enquanto os estoques da Beyond Meat continuam a subir, refletindo o crescente apetite por refeições à base de vegetais e os muitos benefícios inerentes a comê-los, chega também outro lembrete sobre os sérios riscos associados ao consumo humano de alimentos feitos de animais ou subprodutos de animais ou de origem animal.

De acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura dos EUA (FSIS), estima-se que 62.112 libras (cerca de 28 mil kg) de carne bovina crua, que já foram enviadas para distribuição e processamento, podem estar contaminadas com a bactéria E. coli.

Os produtos de carne crua que estão sendo retirados foram embalados em 19 de abril de 2019 na Aurora Packing Company, Inc., em North Aurora, Illinois (EUA).

Uma planilha com a lista dos produtos que estão sujeitos ao recolhimento doi divulgada. Todos incluem o número do estabelecimento “EST. 788 ”dentro da marca de inspeção do depto de vgilância sanitária USDA.

O departamento avisa que a E. coli é uma bactéria potencialmente mortal que pode causar desidratação, diarréia sanguinolenta e cólicas abdominais por 2 a 8 dias (3 a 4 dias, em média) após a exposição.

Enquanto a maioria das pessoas se recupera dentro de uma semana, algumas desenvolvem um tipo de insuficiência renal chamada síndrome urêmica hemolítica (SHU).

Esta condição pode ocorrer entre pessoas de qualquer idade, mas é mais comum em crianças menores de 5 anos e adultos mais velhos.

A doença é identificada por fácil contusão, palidez e diminuição da produção de urina. Pessoas que experimentam esses sintomas devem procurar atendimento médico de emergência imediatamente.

O ato de se alimentar não deve vir com tais riscos e sempre que houver carne crua ou cozida de animais usados para consumo humano, a ameaça existe.

Esta é mais uma razão para eliminar permanentemente carne e quaisquer subprodutos animais da alimentação. É melhor para a sua saúde, para o planeta, para o meio ambiente e, igualmente importante, para os animais inocentes mortos para que sua carne seja consumida por humanos.

Brasil se nega a assinar acordo global da ONU para conter uso de plástico

O governo brasileiro se negou a assinar um acordo global, proposto pela ONU, para tentar conter o problema dos plásticos na natureza. Ambientalistas consideraram a decisão uma contradição, já que, antes, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deu prioridade ao combate ao lixo marinho com a criação do Plano de Ação Nacional de Combate ao Lixo no Mar, para o qual seriam investidos R$ 40 milhões.

Plástico afeta animais e prejudica o meio ambiente (Foto: John Cancalosi/ National Geographic)

Em entrevista ao Blog da Amelia Gonzalez, do G1, a gerente do Programa Marinho e Mata Atlântica do WWF Brasil, Anna Carolina Lobo, confirmou que o Brasil, junto dos Estados Unidos e de outros cinco países, optou por não estar no grupo dos 187 que apoiaram o acordo da ONU para diminuir a produção de plástico de uso único, para fomentar pesquisas que visem descobrir alternativas e para realizar estudos científicos sobre reciclagem.

O Brasil e os Estados Unidos estão entre os cinco países que mais produzem lixo plástico. Além deles, a China, a Índia e a Indonésia também integram essa lista. Segundo a ONU, “a poluição proveniente do lixo plástico atingiu proporções epidêmicas com uma estimativa de 100 milhões de toneladas de plástico encontradas atualmente nos oceanos”.

Apesar de ser um dos maiores produtores de lixo plástico, em março, durante uma reunião sobre meio ambiente, realizada pela ONU em Nairóbi, no Quênia, o Brasil apresentou um forte posicionamento ao lado dos Estados Unidos, que tem sido contra acordos globais em prol da natureza. A atitude do governo brasileiro foi desaprovada por ambientalistas e ocorreu apenas uma semana após o lançamento do Plano Nacional, que foi apresentado na cidade de Santos (SP).

Há dez dias, um novo retrocesso: o Brasil se posicionou contra um acordo conseguido em Genebra, na Suíça, denominado “Planeta Limpo, Pessoas Saudáveis: Boa Gestão de Produtos Químicos e Resíduos”.

“É inacreditável, uma grande contradição. Foi uma surpresa para nós, porque no início do governo havia uma determinação em cuidar do tema lixo marinho. O Brasil fez um movimento de aproximação dos Estados Unidos por conta da OCDE, que agora anuncia que vai priorizar a entrada da Argentina e da Rússia”, diz Anna Carolina Lobo.

Tartaruga fica presa à rede de plástico (Foto: Jordi Chias/ National Geographic)

O Brasil terá uma nova chance de corrigir sua postura retrógrada em relação ao meio ambiente em setembro, em uma nova reunião da ONU. Devido a esse novo encontro global, uma petição dirigida aos líderes mundiais, para que definam metas rigorosas para acabar com o despejo de plástico nos oceanos até 2030, já está sendo divulgada na internet.

“Desde 2015, quando foi descoberta uma tartaruga cujo corpo ficou com forma de ampulheta porque ficou presa a um plástico do tipo usado em latas de cerveja as pessoas começaram a ter sua atenção voltada para o problema. Na verdade, todo mundo que consome animais marinhos, por exemplo, está consumindo plástico”, diz Anna Carolina Lobo.

“O plástico é o lixo número um encontrado no Oceano Atlântico aqui no Brasil. Baleias, golfinhos e tartarugas morrem aos montes, todos os anos. Eles nadam até a praia para morrer e, quando se abre o estômago deles, está coberto de plástico. Sem contar que isso não ajuda o turismo. Em São Paulo, já existe legislação contra as sacolas plásticas em supermercados, por isso fica mais difícil entender a posição do Brasil no acordo conseguido em Genebra”, acrescenta.

Segundo a ambientalista, o plástico é, atualmente, um problema global. “Oitenta por cento dos plásticos que estão nos oceanos são produzidos em terra, mas depois, pelas correntes marinhas, eles acabam chegando em todos os cantos do mundo. Na semana que passou, anunciaram que foi encontrado plástico na parte mais funda do oceano, e há um tempo encontraram plástico na Antártida. O plástico chegou em todos os cantos do planeta. Por isso, para se conseguir solucionar o problema, é preciso ter um acordo global, não adianta um país fazer e todos os outros não fazerem nada”, diz Lobo.

O acordo conseguido em Genebra, em uma reunião que durou duas semanas, foi uma emenda à Convenção de Basileia, de 1989 e trata do Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e seu Depósito. Os países que assinaram o acordo concordaram em restringir os embarques, para os países mais pobres, de resíduos plásticos que apresentam dificuldade para serem reciclados. O acordo foi feito sob uma estrutura juridicamente vinculante, isso é, passível de multa.

Baleia com plástico no estômago foi encontrada morta na Sicília, região da Itália (Foto: Reprodução/Facebook/Greenpeace)

O tema começou a gerar preocupação depois que a China, segundo reportagem do “The Guardian”, parou de aceitar a reciclagem dos Estados Unidos, gerando um acúmulo de resíduos plásticos que são encaminhados para países em desenvolvimento. Aldeias na Indonésia, Tailândia e Malásia “se transformaram em lixões ao longo de um ano”, segundo a Aliança Global para Alternativas à Incineração (Gaia, na sigla em inglês).

“Países exportadores – incluindo os Estados Unidos – terão agora de obter o consentimento de nações que recebam resíduos plásticos contaminados, mistos ou não recicláveis. Atualmente, os Estados Unidos e outros países podem enviar resíduos plásticos de baixa qualidade para entidades privadas em países em desenvolvimento sem obter a aprovação de seus governos”, diz a reportagem. Por não fazerem parte da Convenção de Basileia, os EUA não emitiram voto sobre essa decisão.

A reunião em Genebra foi coordenada por Rolph Payet, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnud). O resultado do evento, segundo ele, foi histórico. “As negociações foram muito além do esperado. Agora os países terão que monitorar para onde os resíduos de plástico vão quando saem de suas fronteiras”, disse.

Para que o acordo funcione, porém, é necessário que as empresas invistam em pesquisas sobre a produção de alternativas ao plástico de uso único, como sacolas e embalagens.

Poluição gerada por plástico leva cada vez mais animais marinhos à morte

O plástico tem tirado a vida de animais marinhos com cada vez mais frequência. Nos Estados Unidos, recentemente um golfinho fêmea foi encontrado morto com dois sacos de plástico e um fragmento de balão no estômago, segundo o Instituto de Pesquisa de Peixes e Animais Selvagens da Comissão de Conservação da Vida Selvagem.

Baleia cachalote morta por lixo plástico na Sicília (Crédito: Greenpeace Itália)

Na segunda-feira (15), um exame de necrópsia concluiu que outro golfinho, encontrado também em Fort Myers Beach, tinha dois metros de uma mangueira de plástico de 24 polegadas, com bocal e braçadeira de metal, no estômago. O objetivo aparenta ser um equipamento de camping.

Na Itália, uma baleia cachalote foi encontrada morta na praia de Cefalu, segundo o Greenpeace, na última semana. Ela tinha sacos e outros objetos de plástico no estômago. As informações são da revista Planeta.

“Estas são as lulas que a baleia comeu – e isso é tudo plástico”, narra em um vídeo Carmelo Isgro, funcionário do museu de história natural da Universidade de Messina. “O plástico provavelmente criou um bloco que não deixou a comida entrar. É muito provável que seja a causa da morte. Não encontramos sinais que possam indicar outra possível razão.” Segundo ele, a baleia era uma fêmea tão jovem que “seus dentes ainda não saíram”. A estimativa é de que ela tinha sete anos, o que não representa nem 10% do que as cachalotes geralmente vivem – 70 a 80 anos.

Golfinho encontrado morto na Flórida (Crédito: Especial para o News-Press)

Essa, no entanto, não foi a última cachalote a morrer recentemente devido ao plástico. Em abril, uma baleia da espécie, que estava grávida, morreu em Sardenha. Ela tinha 22 kg de plástico no estômago. Nos três meses anteriores, outros três casos foram registrados.

Diante do cenário alarmante, o Greenpeace e o Blue Dream Project iniciarão um projeto de monitoramento dos níveis de poluição de plástico no mar, que irá durar três semanas. O foco será o Mar Tirreno, na costa oeste da Itália.

Mangueira encontrada no estômago do animal (Crédito: Especial para o News-Press)