Mais de 200 canários são encontrados presos em mala no Aeroporto de Brasília

Por Rafaela Damasceno

Um homem foi preso nesta segunda-feira (5) tentando transportar mais de 200 canários da espécie Sicalis flaveola (conhecidos popularmente como canários-da-terra) no Aeroporto Internacional de Brasília.

Os canários presos em gaiolas dentro das malas

Foto: Polícia Federa

O criminoso viajava de Manaus (AM) e, no desembarque, foi descoberto ao tentar passar duas malas pelo raio-x. Os pássaros estavam amontoados dentro de gaiolas, dentro das malas.

O canário-da-terra é conhecido por suas penas de cor vibrante e seu canto bonito. As aves têm, em média, 13,5 centímetros e pesam em torno de 20 gramas. A espécie costuma viver em bando e é vítima do tráfico, já sendo até mesmo considerada em extinção por alguns estados brasileiros, como Minas Gerais.

Os canários encontrados foram levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do IBAMA – órgão que visa preservar áreas naturais, como florestas e rios -, onde serão examinados. O homem responderá pelo crime, podendo ser condenado a até 8 anos de reclusão.


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Pangolins são encontrados presos dentro de sacos dentro em um ônibus no Vietnã

Por Rafaela Damasceno

Dezenas de pangolins contrabandeados do Laos, país asiático, foram encontrados vivendo em um ônibus no centro do Vietnã, segundo as autoridades do país. Eles estavam desidratados e fracos, vivendo em condições insalubres.

Um pangolim em uma caixa

Foto: AFP

O pangolim é um mamífero pequeno, que se alimenta de formigas e cupins utilizando uma língua que é maior do que seu próprio corpo. Ele é coberto por escamas e, infelizmente, é o animal mais traficado do mundo. Sua carne é considerada uma iguaria e há uma crença de que suas escamas possuem propriedades medicinais.

Eles são encontrados em toda a Ásia e África, e um pangolim é capturado na natureza a cada cinco minutos, segundo o World Wildlife Fund.

Cerca de 30 pangolins foram encontrados em um ônibus no Vietnã, na província de Ha Tinh. O motorista e sua esposa foram presos por tráfico. Quatro dos animais estavam mortos, e os outros estavam doentes.

“A maior parte estava desidratada e fraca porque estava sendo mantida em um espaço pequeno por um longo tempo”, disse Truong Van Truong, da ONG Salve a Vida Selvagem do Vietnã, à AFP.

Os pangolins foram amarrados em sacos individuais e aglomerados em uma caixa, onde provavelmente foram mantidos por semanas com pouca água e comida. Agora, eles serão alimentados e tratados até que estejam fortes para serem reintroduzidos na natureza.

A espécie costuma se enrolar em uma bola quando se sente ameaçada, portanto é uma presa fácil para os caçadores. Os números de pangolins na natureza diminuíram drasticamente graças à caça e a perda de habitat. Hoje em dia, são categorizados como “criticamente ameaçados de extinção”, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.


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Mulher é condenada a 15 anos de prisão por contrabando de 2 toneladas de marfim

Foto: WAN

De acordo com Reuter s, Yang Fenglan, que viveu na Tanzânia e fora por décadas “foi considerada culpada por trabalhar com dois homens no contrabando de mais de 800 peças de marfim entre 2000 e 2004”.

“Parabéns à Tanzânia por se posicionar contra o tráfico de animais selvagens e por prosseguir com a acusação de uma caçadora de marfim de alto nível da Ásia”, disse Damien Mander, fundador da International Anti-Poaching Foundation. As informações são da World Animal News.

“Muitas vezes, essas pessoas podem entrar em um avião e voar para casa intocadas. Esta sentença de 15 anos é uma das mensagens mais fortes até agora de que a vida selvagem da África está fora dos limites”.

Yang Fenglan e os homens com quem ela conspirou, Salivius Matembo e Manase Philemon, teriam sido condenados por “liderar uma gangue de crime organizado”.

Em uma coletiva de imprensa na última terça-feira (19), quando questionada sobre as notícias da Reuters, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, confirmou que a China apoia a decisão do tribunal da Tanzânia.

“O governo chinês tem ‘tolerância zero’ para com o comércio ilegal de animais em extinção e seus produtos”, Shaung respondeu ainda explicando que “desde 2015, a China lançou medidas para proibir a importação e exportação de esculturas de marfim, troféus de caça e processamento interno e venda de marfim para fins comerciais”.

“Apoiamos os departamentos relevantes da Tanzânia na investigação deste caso de acordo com a lei”, continuou Shuang. “A China está pronta para trabalhar com a Tanzânia e outros membros da comunidade internacional para proteger espécies ameaçadas e reprimir o comércio ilegal”.

O governo chinês solicita a seus cidadãos estrangeiros que respeitem as leis e regulamentos locais e nunca protejam aqueles que violaram as leis.

“Eu gostaria de lembrar os cidadãos chineses viajando na África para ter em mente as leis relevantes e não para comprar ou transportar com eles quaisquer produtos feitos de animais selvagens ameaçados, como marfins e chifres de rinoceronte”, disse Shuang.

Proibição na China

A ANDA noticiou no fim do ano passado que a exploração de rinocerontes e tigres continuaria sendo ilegal na China, após o governo chinês acabar com a revogação da lei que proíbe a exploração, comércio, transporte e exibição desses animais. Esta lei existe há vinte e cinco anos.

A lei foi revogada em outubro de 2018, abrindo uma exceção que permitia o uso de partes de rinocerontes e tigres para fins medicinais. A decisão causou revolta a grupos de ativistas, como a fundação WWF e a Humane Society International.

De acordo com Huang Caiyi, porta-voz do Departamento Nacional de Gestão Ambiental, a repressão ao comércio ilegal de rinocerontes e tigres, assim como suas partes, ocorre em todo o país desde 13 de novembro e permaneceria até dia 31 de dezembro.

 

Cerca de 80 lóris são resgatados das mãos de traficantes de animais silvestres

Os lóris são um tipo de primata encontrados apenas na Ásia.  Com olhos grandes e andar lento, ele são bem adaptados à vida noturna mas , infelizmente, algumas sub-espécies estão ameaçados de extinção.

Através de uma denúncia, dois homens foram capturados com 79 lóris da floresta, em Java Ocidental, na Indonésia. Eles planejavam enviá-los para a China, onde seriam vendidos como animais domésticos.

Os lóris passaram meses amontoados em minúsculas caixas com comida e água suficientes apenas para mantê-los vivos.

A polícia entrou em contato com funcionários do Departamento Regional de Silvicultura do Oeste de Java (BKSDA) e do Resgate de Animais Internacionais (IAR) para que a ação fosse realizada.

“Havia dois ou três em cada caixa”, disse Lis Key, PR e gerente de comunicações da IAR, ao The Dodo.

“Ser mantido lá por dois meses deve ter sido assustador para eles. Para um animal selvagem tímido e noturno, o confinamento em uma daquelas caixas por qualquer período de tempo deve ter sido traumatizante”.

Alguns animais tinham marcas de mordida e outras feridas em seus corpos, que provavelmente infligiram um ao outro devido ao estresse do cativeiro.

“Animais selvagens em cativeiro geralmente desenvolvem comportamentos anormais estereotipados para lidar com o estresse”, disse Key.

“Eles correm o risco de morder um ao outro e realizar movimentos repetitivos, como balançar a cabeça ou se mover para frente e para trás, chorar, não comer ou beber, tentar se esconder em um canto da caixa.”

Um dos lóris foi encontrado com uma bolinha de ar comprimido no rosto.

“Aquele pobre animal deve ter tido uma dor terrível e ficou aos cuidados da nossa equipe médica”, disse Key.

Infelizmente, o resgate aconteceu tarde demais para alguns dos animais – e é possível que outros tenham morrido e sido descartados antes que a ajuda chegasse, explicou Key. Mas a equipe de resgate está fazendo tudo que pode para ajudar os sobreviventes.

Segundo o The Dodo, é comum os traficantes cortarem completamente os dentes lóris – sem qualquer tipo de anestesia – para que os animais sejam mais fáceis de manusear e não possam contra-atacar e, assim, serem vendidos como animais domésticos.

Felizmente, todos os pequenos primatas resgatados ainda tinham seus dentes intactos, o que permitirá que sejam à natureza.

“Eles estão certamente nas melhores mãos agora, e nossa equipe lhes dará a melhor chance de se recuperar e voltar um dia para sua casa na floresta tropical”, disse Key.

“É extremamente encorajador que a Polícia de Majalengka e o Departamento Florestal tenham agido de forma tão rápida e decisiva no combate a este crime contra a vida selvagem”, disse Key.

“E também muito animador que a comunidade local tenha se apresentado e relatado a atividade ilegal dos dois caçadores. Isso realmente nos dá esperança de ver pessoas e órgãos do governo agindo para proteger espécies selvagens e punir aqueles que as exploram ”.

Tigre é caçado e esquartejado para seu esqueleto ser usado como “remédio afrodisíaco”

A caça é um flagelo no planeta e põe em risco toda a vida selvagem. Ao longo dos anos e rapidamente, milhares de animais entraram em extinção pela ação do homem. Elefantes, rinocerontes, pangolins, tigres e onças são mortos por suas presas, peles, chifres, escamas e outras partes de seus corpos.

Um caçador socou um tigre depois que o animal foi assassinado por partes de seu corpo.

Recentemente, uma cena chocante foi registada e mostra o momento em que um caçador disfere socos em um tigre morto, no meio da mata.

A imagem do “troféu” de uma gangue de caça revela homem com o punho acima da cabeça do animal enquanto ele está montado no gigante felino ensanguentado, no norte da Tailândia.

De acordo com ativistas, uma gangue de caça opera em todo o sudeste da Ásia e tem assassinado animais nas florestas do país para fazer dos seus restos mortais, amuletos “de sorte”, remédios afrodisíacos e decorações. As informações são do Daily Mail.

Os resultados de uma investigação de três meses foram revelados na última terça-feira (22), com autoridades alegando terem capturados os homens que operavam nas fronteiras da Tailândia.

Os trabalhadores da fauna silvestre disseram que os caçadores entrariam na selva pelas fronteiras das florestas para rastrear os animais, antes de matá-los e contrabandear as carcaças para o Vietnã.

Petcharat Sangchai, diretor da ONG Freeland que realizou a investigação, disse: “Não achamos que esta foi a primeira vez desses caçadores na Tailândia e acreditamos que eles estavam planejando atacar novamente”.

As autoridades também disseram que prenderam dois membros vietnamitas do grupo em outubro passado, na província de Nakhon Sawan, no norte da Tailândia, através de uma denúncia de um motorista contratado que suspeitou da carga.

Eles pararam o veículo, inspecionaram a bolsa e descobriram o esqueleto ainda fresco de um tigre e milhares de garras de urso.

A polícia e os oficiais dos animais selvagens tailandeses inspecionam um esqueleto de tigre na província de Nakhon Sawan, Tailândia. A foto surgiu depois que dois cidadãos vietnamitas foram presos com os restos mortais.

A terrível imagem do caçador atacando um tigre foi encontrada ao telefone de um membro da gangue. Isso desencadeou a investigação de três meses para descobrir a rede de caça ilegal.

A polícia então contatou a organização Freeland para assistência analítica usando tecnologia forense digital.

Ela revelou que os caçadores estrangeiros faziam parte de uma organização de tráfico de animais selvagens no Vietnã, que apoia a caça e o contrabando nas florestas da Tailândia, Malásia e Mianmar.

A polícia acredita que eles estavam operando nas regiões fronteiriças há bastante tempo antes de serem pegos.

Segundo Petcharat Sangchai, esqueletos de tigres e garras de urso estão em alta demanda em muitos países do sudeste da Ásia, especialmente no Vietnã.

“O esqueleto do tigre é o ingrediente crucial para a produção de um licor, que acreditam ser um remédio de saúde e para o sexo de idosos. Garras de urso são usadas para ser um amuleto de sorte de virtude e fama”.

A prisão desta não significa o fim da terrível ameaça à vida selvagem na Tailândia. A polícia, guardas florestais e as pessoa devem permanecer vigilantes.

 

O desafio para se conter o comércio tráfico de aves no Brasil

O Brasil tornou-se o primeiro país da América do Sul a proibir, por lei, o comércio de animais silvestres. Isto aconteceu em 1967, e foi o jeito que o governo da época encontrou para romper o abuso depois de décadas de exploração intensiva que causou a extinção de muitas espécies, sobretudo de aves.

Foto: Pixabay

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, um único comerciante londrino importou 400 mil beija-flores e 360 mil outras aves do Brasil. Em 1932, cerca de 25 mil beija-flores foram caçados no Estado do Pará e enviados para a Itália para enfeitar caixas de chocolate.

Centenas de milhares de aves vivas foram depois exportadas como animais domésticos em toda a América do Sul após meados da década de 1950, depois que as conexões das companhias aéreas comerciais, principalmente através de Miami, estavam regularmente disponíveis.

O Brasil tornou-se o primeiro país da América do Sul a proibir, por lei, o comércio de animais silvestres. — Foto: Unsplash

Bem, mas isto é história, e está bem contada no novo estudo sobre comércio de aves da América Latina produzido pela ONG Traffic, que trabalha no contexto da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável com apoio do WWF. O relatório é extenso, chama-se “Bird’s-eye view: Lessons from 50 years of bird trade regulation & conservation in Amazon countries” (“Vista Aérea: Lições dos 50 anos de regulamentação e conservação do comércio de aves nos países da Amazônia”, em tradução livre) e traz um panorama sobre o comércio de aves no Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname e as ameaças à conservação representada pelo excessivo comércio internacional de espécies.

De 30 a 35 mil aves são confiscadas anualmente, diz o estudo. — Foto: Unsplash

A boa notícia para o Brasil é que temos uma lei — e que, por causa dela, aquele abuso cometido no passado deu uma estancada. Um turismo com base em observação de pássaros no Brasil, Equador e Colômbia dá incentivo econômico e força para coibir os predadores. Mas, assim como há lei, há quem transgrida a lei. E o comércio clandestino de aves é, hoje, um enorme desafio para se manter nossas espécies — ou, pelo menos, o que restou delas.

O estudo mostra que, em média, 30 a 35 mil aves são confiscadas anualmente, muitas delas destinadas a “competições de canto de pássaros”, onde os espectadores apostam dinheiro nos resultados de quantas músicas ou frases um pássaro cantará em um determinado período de tempo. Para nossa sorte — de pessoas que se sentem felizes em ouvir cantos de pássaros sem precisar engaiolá-los — este número não variou significativamente nos últimos 15 anos. Assim mesmo, diz o estudo, a indústria que produz gaiolas, alimentos e outros requisitos para a manutenção de aves no Brasil é um negócio multimilionário que gera cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos. Há sempre alguém que se beneficia.

A indústria que produz gaiolas, alimentos e outros requisitos para a manutenção de aves no Brasil é um negócio multimilionário. — Foto: Pixabay

Autor do estudo, o especialista Ortiz-von Halle afirma que o comércio ilegal internacional de aves sul-americanas foi reduzido ao seu nível mais baixo em décadas. No entanto, isso aconteceu “principalmente porque as espécies de aves mais procuradas pelos colecionadores já existem na maioria dos países consumidores”. Ou seja, a exploração foi tanta que tem espécies nativas que deixaram de ser.

“As complexidades do comércio de aves têm sido subestimadas. Para garantir um futuro para as espécies cada vez mais ameaçadas da região, precisamos de estratégias integradas que busquem urgentemente impedir ou reverter a destruição de habitats e melhorar a fiscalização, complementados com incentivos econômicos para a geração local de renda através do turismo e uso sustentável dos recursos naturais. Isso oferece o melhor caminho para a notável avifauna da América do Sul”, disse ele.

A Lei de Proteção à Fauna, assinada no regime militar no dia 3 de janeiro de 1967, o que mudou o status da vida selvagem, pelo menos perante a lei. — Foto: Unsplash

Para entender melhor o que ele quer dizer com “complexidades”, vamos à história que Ortiz Von-Halle conta — cenas de antes da lei que coibiu o abuso e que podem ilustrar a trajetória dos desafios que temos ainda hoje:

Até o Canal de Panamá ser aberto, em 1914, todos os navios que retornavam para a costa leste dos EUA ou Europa, do lado do Pacífico da América do Norte e do Sul, paravam nos portos brasileiros. Isto facilitou o envio de muitas mercadorias, incluindo aves vivas, penas e suas peles secas, e levou milhares de papagaios, tucanos e primatas de muitas espécies para Nova York e para o mercado europeu.

Só em 1964, numa única fazenda do Amapá, 60 mil patos foram mortos. — Foto: Unsplash

Com a ajuda do ornitólogo Helmut Sick, que tem mais de 200 trabalhos publicados sobre o tema, o autor do estudo descobriu que, só em 1964 — e numa única fazenda no Amapá —, 60 mil patos foram mortos. Entre 1930 e 1940, fotos guardadas pelo especialista mostram caçadores fazendo pose ao lado de centenas de carcaças de uma espécie de pato que era característica de Londrina e que hoje não existe mais. Por volta de 1914, na região do Rio Negro, um comerciante empregou 80 homens com o objetivo de caçar e matar garças. Tudo isso abastecia o mercado de penas e peles nos séculos XIX e XX: para um quilo de plumas, 300 mil teriam que ser mortos.

Durante a Primeira Guerra Mundial, foram importados 400 mil beija-flores e 360 mil outras espécies de aves.

E veio a Lei de Proteção à Fauna, assinada no regime militar no dia 3 de janeiro de 1967, o que mudou o status da vida selvagem, pelo menos perante a lei.

“… Não pode ser considerado um direito do cidadão, ou negligenciado indulgentemente, a destruição de elementos vitais do equilíbrio biológico. A caça pode ser permitida como esporte, mas nunca como fonte barata para uma indústria extrativa. A vida selvagem é mais do que o patrimônio do Estado: é um elemento para o bem-estar dos homens e da biosfera ”, diz o texto da lei.

Durante a Primeira Guerra Mundial, foram importados 400 mil beija-flores e 360 mil outras espécies de aves. — Foto: Pixabay

Foi com a Constituição de 1988 que a destruição da vida selvagem através da caça por lucro ou esporte foi banida. A solução foi a reprodução em cativeiro, “considerada uma alternativa sensível à conservação para exploração comercial da fauna nativa”. Assim, o último programa legal de caça ao pato no Estado do Rio Grande do Sul foi declarado inconstitucional e fechado em 2008.

Na ilegalidade, o contrabando tem causado baixas em nossa biodiversidade, o que, como se sabe, colabora sensivelmente para acelerar o processo das mudanças climáticas. Entre Brasil e Portugal, por exemplo, países que têm uma ligação com mais de 60 voos diretos por semana, é uma farra. Em vez de levarem as aves vivas, os marginais descobriram ser possível contrabandear ovos, atividade que começou por volta de 2002, segundo o estudo, já que papagaios e tucanos vivos, enviados sedados, costumavam chegar mortos a seu destino.

“Os ovos são transportados amarrados aos corpos dos passageiros para manter a temperatura de incubação durante o voo de 10 a 14 horas. Eles são embalados em papel de seda dentro da meia-calça feminina ou vão enrolados na cintura da pessoa”.
Organizações não governamentais têm sido importantes, junto com o Ibama e o ICMBio, para conter o desatino. Na conclusão de seu estudo de caso sobre as aves do Brasil, o autor diz que é um desafio muito grande tentar conter o contrabando ou mesmo o uso indevido de aves porque existe, entre outras coisas, uma falta de informação sobre a preciosidade desses animais para o planeta.

Foi com a Constituição de 1988 que a destruição da vida selvagem através da caça por lucro ou esporte foi banida. — Foto: Unsplash

“A estratégia para estancar os criadores comerciais parece estar tendo algum efeito, já que seus números continuam diminuindo, mas as centenas de milhares de amadores representam um desafio maior. A posse habitual de espécies de aves nativas como animais de companhia é muito difundida. A consciência ambiental geral aumentou em certos setores do Brasil, que constitui 70% da população. Mas a população rural e suburbana mais ampla ainda carece dos níveis de educação, motivação e conscientização. A pobreza sempre empurrará as pessoas para capturar a vida selvagem em busca de lucro ou de maneira oportunista para acessar alimentos ou outros bens”, conclui ele.

Vale para refletir.

Fonte: G1

Alfândega chinesa prende quadrilha de contrabando de peixe em extinção

A alfândega chinesa anunciou recentemente os resultados de sua repressão à quadrilha de contrabando do peixe totoaba, em 2018.

Foto: Richard Herrmann

As investigações resultaram na prisão de 16 membros de gangues e na apreensão de aproximadamente 980 libras de bexigas de totoaba, o equivalente a um valor estimado em US $ 26,4 milhões .

O caso ainda está sendo apurado, mas descobertas preliminares revelam que a gangue criminosa, que operava em várias províncias chinesas, comprou ilegalmente as bexigas totoabas no Golfo da Califórnia , no México , e as transportou para vários países antes de chegar à China. Esta repressão é um dos casos mais bem sucedidos no combate ao contrabando de espécies ameaçadas de extinção .

Zak Smith , procurador sênior no Programa de Natureza do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC) disse em um comunicado, “O governo chinês está trabalhando duro para cumprir o seu compromisso de erradicar o comércio ilegal de totoaba na China. Esperamos que o governo mexicano implemente esforços vigorosos para combater o tráfico de totoaba. Precisamos desesperadamente de cooperação internacional para eliminar o comércio de tototaba, que está colocando em risco a vaquita, que hoje somam menos de 15 animais em todo o mundo.

Vaquita. Foto: Alamy

O pretexto medicinal 

Enfrentando a extinção, o totoaba é listada na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES) , o que significa que o comércio internacional do peixe  é proibido. Nativa no Golfo da Califórnia, no México, a totoaba é usada na culinária chinesa sob a falsa suposição de que poderia tratar problemas de saúde ou fornecer outros benefícios, como a fertilidade e vitalidade da pele.

As bexigas de natação de Totoaba são oferecidas para venda em Shantou, China. Foto: EIA

A pesca ilegal deste peixe no México também ameaça a vaquita , uma espécie rara de golfinho criticamente em perigo listada sob o Ato de Espécies Ameaçadas de Extinção, porque a vaquita se emaranha e morre nas redes usadas, originalmente, para capturar totoabas.

Jogador de basquete Lamar Patterson é pego tentando contrabandear esquilos para a Austrália

Funcionários aduaneiros da alfândega encontram os dois animais após seguirem o famoso jogador de basquete americano Lamar Patterson, que trazia seu buldogue francês, Kobe, como parte de sua bagagem de mão.

Foto: Daily Mail

Patterson foi detido junto com seu com o cão e mandado de volta para os EUA.

De acordo com o Courier Mail, os agentes de biossegurança e cães farejadores interceptaram quase 350.000 itens banidos dos postos de controle em todo o país durante o ano fiscal de 2017-18.

David Littleproud, o ministro federal da agricultura, disse que as pessoas precisam “acordar para si mesmas” quando se trata do que estão levando de viagens domésticas ou internacionais.

Foto: Pixabay

No Instagram, o caso envolvendo os dois esquilos, repercutiu de forma positiva. Mais da metade dos seguidores acharam uma “ótima ideia”.

Foto: Reprodução | Instagram

“Esses animais trazem pragas e doenças que podem realmente prejudicar muitos australianos, por isso é importante que não ignoremos a biossegurança”. Littleproud também pediu que as pessoas sejam vigilantes nos aeroportos durante o Natal.

“Peço a todos os australianos quando saem ou entram no país para pensarem em nossa biossegurança”, acrescentou ele. “Ajude nossos oficiais a trabalhar, não tenha medo de declarar, diga a esses oficiais e pergunte se está tudo bem.”

Littleproud disse também que as pessoas serão processadas se tentarem contrabandear itens proibidos para a Austrália.