ONG resgata quase 2 mil cachorros de fazendas de carne na Coreia do Sul

Por Rafaela Damasceno

Uma ONG em defesa dos direitos animais salvou cerca de 1800 cachorros na Coreia do Sul, que seriam assassinados e vendidos como comida. 30 dos filhotes foram adotados por famílias no Reino Unido e estão se desenvolvendo.



O resgate ocorreu quando um fazendeiro de 71 anos pediu ajuda da organização para fechar sua fazenda. Se não tivessem sido salvos, os cachorros fariam parte do grupo de um milhão da espécie, que serão eletrecutados, mortos e comidos em um festival chamado Bok Nal. A Humane Society UK acolheu os animais.

Em uma crença popular da região, os dias 12 e 22 de julho, assim como o dia 11 de agosto – conhecidos como Bok Nal -, são considerados os dias mais quentes do ano. Muitos sul-coreanos então se alimentam de sopa de carne de cachorro, que é popularmente conhecida como uma espécie de fortalecedor – eles acreditam que a carne de cachorro ajuda a aumentar a energia.

Vários cachorrinhos presos em uma gaiola enferrujada

Foto: Jean Chung / For HSI

O consumo da carne da espécie está diminuindo entre os habitantes do país, mas mesmo aqueles que nunca comeriam o fazem durante o Bok Nal.

Os cachorros criados pela sua carne são confinados em gaiolas pequenas e imundas, segundo o Daily Mail. Elas não possuem proteção contra o frio intenso do inverno ou o calor escaldante do verão. Muitas ainda têm o piso feito de arame, o que machuca as patas e os corpos dos cachorros.

Uma voluntária carrega um cachorrinho resgatado, que parece feliz

Foto: Jean Chung / For HSI

Até cerca de um ano de idade, os animais são criados sem cuidados veterinários, sem água suficiente e com restos de comida. Depois, são mortos eletrocutados.

Nara é uma das cachorrinhas resgatadas que teve a chance de ter um lar e uma família. “Nós a adoramos! Ela é uma cachorrinha feliz e curiosa, uma excelente companheira que lentamente supera seus medos”, contou Judy Hartshorn, a nova tutora de Nara.


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Atriz Kim Basinger protesta contra consumo de carne de cachorro na Coreia do Sul

Um ativista pelos direitos animais segura um filhote morto em frente ao Parlamento da Coreia do Sul, na capital Seul, na sexta-feira (12), pedindo o fim da indústria de carne de cachorro.

Foto: Reprodução / CNN

A poucos metros de distância, um grupo de criadores de cães come carne de cães explorados para consumo, alegando que é sua tradição e sustento.

Dezenas de policiais separam essas duas faces nitidamente contrastantes da Coreia do Sul – imagens evocativas de uma prática de décadas de exploração de cães para consumo humano.

No protesto, a atriz norte-americana Kim Basinger se juntou a ativistas do grupo de direitos animais Last Laise for Animals (LCA) para lutar contra o comércio de carne de cachorro no chamado “dia da carne de cachorro” ou “Boknal”, data em que a carne era tradicionalmente consumida no país.

Durante décadas, a Coréia do Sul enfrentou críticas sobre o tratamento dado aos animais e sobre o costume do país de consumir carne de cachorro. Ativistas dos direitos animais sul-coreanos têm estado na vanguarda da tentativa de encerrar o comércio.

Agora, está sendo proposto um projeto de lei que quer proibir a matança de cães para consumo.

Foto: Reprodução / CNN

Segurando um corpo de cachorro morto para as câmeras, Basinger disse: “às vezes as imagens falam mais de 1.000 palavras do que as nossas vozes”. Basinger há muito faz campanha pelos direitos animais, mas esta é sua primeira vez na Coreia do Sul. Ela foi ao país para somar forças para pressionar os legisladores a angariar apoio ao projeto.

“Eu acho que o governo vai ter que não fechar os olhos e realmente chegar a soluções como esta”, disse ela. “A Coréia do Sul vai ser a líder disso, será conhecida por isso”, completou.

O deputado sul-coreano Pyo Chang-won está fazendo pressão para aprovar o projeto de lei que tornaria ilegal o assassinato de cães e gatos, mas ele reconhece que só tem apoio da minoria na Assembléia Nacional.

Foto: Reprodução / CNN

Pyo disse que tem o apoio do Presidente Moon Jae-in – que é conhecido por ser um amante de cães e adotou um cão de abrigo quando chegou ao poder -, mas afirmou que essa não é uma política oficial do partido de Moon e, por isso, os legisladores podem tomar decisões individuais.

“Muitos dos congressistas estão em áreas rurais onde existem fazendas de cães e eles estão sob pressão para não falar sobre o projeto, para não apoiar a lei e não permitir que a lei chegue à mesa”, disse ele à CNN.

Basinger se reuniu com legisladores e governadores locais na esperança de levar o projeto adiante. Chris DeRose, fundador da LCA, dirigiu-se a ele na sexta-feira (12) declarando que “a Coreia do Sul não está mais sozinha, isso é um movimento global”. As declarações foram abafadas pelo campo adversário e o parlamento recebeu críticas de agricultores favoráveis à matança de cães.

Foto: Reprodução / CNN

A Humane Society International (HIS) disse que em 2016 cerca de 2 milhões de cães estavam sendo mantidos em cerca de 17 mil instalações na Coréia do Sul, mas houve mudanças desde então. No ano passado, o maior matadouro de cães do país foi fechado por autoridades locais em Taepyeong, em uma cidade satélite de Seul. De acordo com a HIS, milhares de cães foram mortos por eletrocussão a cada ano nesta instalação e seus restos mortais foram vendidos para consumo.

No início deste mês, o mercado de carne de cachorro Gupo, na cidade de Busan, uma das maiores do sul do país, foi fechado com a ajuda de seu prefeito, Oh Seo-don. Ele disse publicamente aos moradores de Busan: “Acho que vocês são pessoas que têm uma filosofia de respeitar a vida. Sem essa filosofia, isso nunca poderia ser feito”.

Para aqueles que apoiam a indústria de carne de cachorro, esses fechamentos geram grande preocupação.

Fonte: CNN


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Investigação expõe crueldade e maus-tratos na indústria de exploração de cavalos

Foto: PETA

Foto: PETA

Restaurantes que servem carne de cavalo não são novidade na Coréia do Sul, que tem esse tipo de estabelecimento tanto em variedade como em quantidade, mas agora o país ambiciona explorar esses animais indefesos de novas maneiras investindo pesado para se tornar um dos grandes participantes das corridas de cavalos internacionais. Os coreanos apostam mais de 8 bilhões de dólares por ano em corridas.

Assim como nos Estados Unidos, as corridas ocorrem principalmente em pistas de terra, assim sendo, a Korea Racing Authority (KRA,a sigla em inglês) importa centenas de cavalos americanos a cada ano para corridas e reprodução e criação de animais. Enquanto reproduz agressivamente os animais e traz sangue novo para “melhorar” os resultados das corridas sul-coreanas, o KRA descarta aqueles cavalos que se machucam ou que não conseguem vencer.

Restaurante de carne de cavalo | Foto: PETA

Restaurante de carne de cavalo | Foto: PETA

Um oficial da KRA afirmou em 2018 que dos 1.600 cavalos “aposentados” da indústria de corrida a cada ano, apenas 50 (ou cerca de 3%) são considerados adequados para outros usos “equestres”.

Para onde vai todo o resto? Carne de cavalo é vendida em restaurantes e mercearias, e gordura de cavalo ou “óleo” é usado em produtos de beleza. Os investigadores da PETA viajaram para Jeju, na Coréia do Sul, para expor o destino desses cavalos e seus descendentes.

Sentenças de morte

Os investigadores da PETA testemunharam filmagens de cavalos no maior matadouro de cavalos da Coreia do Sul em nove datas diferentes, entre abril de 2018 e fevereiro de 2019 e foram capazes de identificar 22 cavalos de corrida de raça pura.

Instalaçao destina à morte de cavalos | Foto: PETA

Instalação destina à morte de cavalos | Foto: PETA

Um deles nasceu nos EUA, 19 tiveram pais americanos e 11 tiveram mães americanas. Suas idades variavam de quase 2 anos a 13 anos de idade quando foram mortos, com uma idade media de 4 anos entre os cavalos assassinados.

Seungja Yechan – Celebre o vencedor e coma o perdedor

Seungja Yechan significa “louvado seja o vencedor” em coreano – é o nome dado e que serve de pouco consolo para este filho da lenda americana Medaglia d’Oro, filmado no matadouro de Nonghyup em 8 de maio de 2018.

Marcas em seus ombros alertaram os investigadores sobre sua identidade. Os registros mostram que ele correu quatro vezes e foi eliminado de sua quinta corrida.

Ao contrário das meias-irmãs Rachel Alexandra e Songbird, que ganharam 3,5 milhões e 4,69 milhões de dólares, respectivamente, Seungja Yechan não ganhou um centavo (a menos que você conte os 17 dólares por quilo cobrado por sua carne no supermercado).

Foto: PETA

Foto: PETA

Disfarçada de esporte apenas mais uma indústria de morte por carne

Como parte integrante do Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais (MAFRA), o KRA tenta ganhar o respeito mundial para Coréia do Sul como um sério país de corrida, ao mesmo tempo em que apoia o consumo de carne de cavalo.

O presidente da KRA afirmou em 2012: “Ao contrário de outros animais criados principalmente para comida, os cavalos podem atender a múltiplos propósitos. […]a carne é boa e vamos trabalhar em maneiras de encorajar as pessoas a comê-la no futuro”.

Um plano anual para fortalecer a indústria de equinos incluía a promoção de “carne de cavalo, cosméticos e outros produtos comerciais”.

Uma autoridade disse: “A criação de cavalos criará empregos, como treinadores de cavalos e veterinários. A carne de cavalo e outros produtos feitos a partir de cavalos estarão mais prontamente disponíveis ”.

Alguns dos cavalos que chegavam ao matadouro pareciam ter saído direto da pista; um deles, Cape Magic, chegou numa manhã de segunda-feira com uma grande atadura na perna. Registros mostraram que ele havia corrido na sexta-feira em Busan – e ele foi morto menos de 72 horas depois de terminar o dinheiro.

Outros cavalos nomeados de “puro-sangue” que a ONG viu no matadouro estavam sujos, magros, cobertos de lama, com os pelos emaranhados, ou doentes e abatidos. Depois de ver o filhote de 4 anos de idade Winning Design chegar em mau estado, os investigadores visitaram a fazenda da qual ela tinha acabado de vir.

De propriedade de uma família que também opera um restaurante de carne de cavalo, a fazenda confinou dúzias de cavalos todos sujos e desgrenhados em pequenas baias e barracas cheias de esterco.

O fedor de fezes predominava no ambiente. Um cavalo magro parecia gravemente doente – ela tinha um olho ulcerado, perda de pelo generalizada e feridas pelo corpo todo.

No matadouro, os investigadores da ONG ficaram chocados ao ver trabalhadores batendo nos cavalos com paus para fazê-los virar e sair dos caminhões e passar pela porta. Os cavalos se amontoavam, claramente em pânico, enquanto os homens os golpeavam, inclusive no rosto.

Embora toda morte de animais realizada por humanos seja total e inquestionavelmente condenável, como a sociedade pratica esse método cruel de alimentação e consumo, foram criados meios catalogados legalmente para que isso seja feito de forma a não causar mais sofrimento aos animais do que a prática em si.

O especialista em mortes comerciais de animais, Dr. Temple Grandin, assistiu ao filme e concluiu: “O manuseio dos cavalos durante a descarga do caminhão não é aceitável. Acertar um cavalo no rosto é abusivo. É óbvio que as pessoas que descarregavam os cavalos nunca tinham tido treinamento algum para realizar essa atividade”.

No interior do matadouro, os trabalhadores empurravam os cavalos até as rampas e pra dentro de uma caixa de morte destinada à bois e vacas. Um funcionário da Agência de Quarentena de Animais e Plantas disse ao jornal The Korea Observer: “Nós matamos os cavalos com o mesmo martelo que usamos para as vacas. As coisas podem ficar um pouco confusas se não desmaiarem no primeiro golpe”.

No entanto, além das óbvias diferenças anatômicas, os cavalos também são geralmente mais nervosos e ansiosos e podem se afastar quando uma arma vem na direção de sua cabeça. Cavalos inadequadamente contidos tornam muito difícil para o matador administrar um tiro certeiro.

Foto: PETA

Foto: PETA

Pior ainda, muitos dos cavalos chegaram aos pares, e o investigador viu a égua Royal Oak levar um tiro na frente de sua companheira, Air Blade, que teve que vê-la sendo jogada no ar pelo impacto.

Essa prática viola a Lei de Proteção Animal Coreana, e a PETA e um grupo de proteção animal coreano apresentaram uma queixa sobre isso e sobre os espancamentos ao Ministério Público do Distrito na cidade de Jeju.

A ambição irrefreável da KRA de elevar a qualidade das corridas sul-coreanas levou a entidade a importar mais de 3.600 cavalos americanos para corridas e reprodução nos últimos 10 anos. Na enorme instalação de criação do órgão e nas demais fazendas particulares em todo o país, cavalos machos são tratados como máquinas de sêmen, feitas para montar éguas várias vezes por dia na época de reprodução.

As éguas são amarradas, lavadas, tem a cauda presa no alto, lubrificadas e levadas a uma mesa especial de reprodução que as prende pelo peito. Os trabalhadores prendem as éguas pela boca com cordas torcidas pertadas firmemente para mantê-los no lugar.

Foto: PETA

Foto: PETA

Outros prendem botas de contenção nos pés traseiros das éguas, para que não possam ferir os cavalos chutando. Lesões parecem ser comuns.

Alguns maus-tratos denunciados pelos investigadores do PETA:

• A égua Catch Me Later, cujo pé traseiro esquerdo estava tão ferido que ela não podia colocar seu peso sobre ele para que os trabalhadores pudessem colocar uma bota de contenção em seu outro pé, ainda foi forçada a suportar o peso de um cavalo imenso chamado Coronel John durante a reprodução. Ela mancou terrivelmente quando os funcionários do local a levaram para fora do galpão de criação.

• O olho direito do cavalo Sadamu Patek estava inchado de uma maneira absurda, ulcerado e lacrimejando.

• A laminite (doença do pé) da égua Annika Queen era tão grave que ela mal conseguia andar, mas seus exploradores a fizeram amamentar um segundo potro além do dela. (Por causa de sua claudicação, ela não foi capaz de empurrar o outro potro)

Um gerente da fazenda disse que ela seria enviada para a morte quando não fosse mais necessária para amamentação.

Reflexão

Os horrores divulgados nessa matéria são responsabilidade de toda a humanidade e não apenas de um país. Nossas crenças especistas fazem com que acreditemos que a humanidade é superior aos animais e que por isso pode dispor deles como bem entender.

Animais são vidas, companheiros de planeta, tão dignos de respeito, amor e respeito como qualquer ser humano.

O sofrimento desses animais fica mais difícil ainda de aceitar e imaginar uma vez que sua senciencia foi comprovada pela Declaração de Cambridge em 2012, onde especialistas do mundo todo, em diversas áreas da ciência e medicina atestaram a capacidade desses seres de sentir, sofrer, alegrar, criar laços e compreender e responder ao mundo ao seu redor.

Crimes como esses permanecem condenados ao mesmo silêncio com que suas vítimas inocentes e indefesas padecem sem escapatória.

Empresa explora cães em procedimento de clonagem na Coreia do Sul

Cachorros da raça ovcharka asiático estão sendo explorados por cientistas em Seul, na Coreia do Sul. Clonados, os animais recebem uma numeração, ao invés de um nome, após o nascimento, o que deixa claro que são tratados como meros objetos.

A cadela que dá à luz aos filhotes clonados é “uma mistura de raças”, segundo o pesquisador Jae Woong Wang, que trabalha com o cirurgião Hwang Woo-suk para criar os clones. Os dois atuam na Sooam Biotech Research, primeira empresa do mundo especializada em clonar cães. “Nós selecionamos as mães para que sejam dóceis e gentis”, explica Wang.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

Assim como foi feito com a ovelha Dolly, há mais de 20 anos, a clonagem de cachorros acontece. Outra empresa responsável por esse serviço, que explora seres vivos e é alvo de críticas de ativistas, é a ViaGen Pets. Foi ela quem clonou uma cadela da cantora e atriz americana Barbra Streisand, que em 2018 revelou que as cadelas da raça coton de tulear, Miss Violet e Miss Scarlett, são clones de Samantha, cadela que morreu em 2017. A revelação gerou repúdio entre ONGs defensoras dos animais. A atriz foi apresentada à clonagem pelo bilionário norte-americano Barry Diller, fundador da rede de TV Fox, que contratou uma empresa para fazer três cópias de Shannon, um cachorro da raça jack russel terrier.

A empresa que clonou a cadela da atriz começou armazenando e preservando o DNA de vacas, porcos e cavalos. Com o tempo, adquiriu amostras genéticas da Genetic Savings, companhia que clonava gatos, e comprou os direitos de uso de tecnologias desenvolvidas pelos responsáveis pela clonagem da ovelha Dolly. No início, a empresa licenciava os serviços para os coreanos, mas em 2016 passou a oferecer os próprios serviços.

O procedimento de clonagem envolve dor e sofrimento. Para produzir um único clone, mais de dez embriões precisam ser implantados. A cadela explorada como “barriga de aluguel” é tratada com hormônios que podem ser perigosos. Além disso, muitos fetos são abortados, nascem mortos ou deformados.

Em 2005, quando um cachorro foi clonado pela primeira vez, mais de mil embriões foram implantados em mais de cem cadelas. “A história delas lembra a série O Conto da Aia”*, diz Jessica Pierce, expert em ética animal da Universidade do Colorado. “É uma versão canina.” Na série citada por Jessica, a humanidade se torna infértil e as poucas mulheres que conseguem engravidar são exploradas como máquinas reprodutoras pelo Estado.

A Sooam Biotech Research já clonou mais de mil cães, a US$ 100 mil cada. Wang admite que a “clonagem se tornou um negócio”, ignorando o fato de que seres vivos estão envolvidos nesta prática.

Profissional da empresa, o cirurgião Hwang Woo-suk foi tratado como herói nacional na Coreia do Sul quando, em 2004, ao atuar na Universidade Nacional de Seul, publicou um artigo no jornal Science afirmando que clonou, junto de sua equipe, um embrião humano. Em 2006, foi descoberto que a afirmação do médico era falsa e ele foi expulso da instituição por ter forjado provas, desviado dinheiro público e comprado óvulos de mulheres que trabalhavam em seu laboratório. Após pedir desculpas públicas, ele foi condenado a dois anos de prisão, mas a pena foi suspensa por um juiz. Após esse período, Hwang fundou a Sooam Research.

Inicialmente, ele clonava porcos e vacas. Em 2007, clonou Missy, cadela da namorada do bilionário americano John Sperling, fundador da Universidade de Phoenix. Depois disso, ele passou a oferecer serviços de clonagem de cães.

Ao ser questionado sobre a questão ética em relação à clonagem de cães, Hwang expõe sua defesa ao especismo e trata humanos como seres superiores aos animais e reduz, de forma antiética e desumana, os animais a coisas. “A ética da clonagem de animais e a ética da clonagem de humanos são duas coisas completamente diferentes”, diz. “Aqui na Sooam nós somos totalmente contra a clonagem humana. Mas acreditamos que a clonagem [animal] traz benefícios para a sociedade”, completa Hwang, que foi proibido pelo governo da Coreia do Sul de mexer com óvulos humanos.

Os benefícios aos quais o cirurgião se refere estão relacionados a um melhor entendimento do desenvolvimento celular em animais como forma de explorá-los para ajudar a tratar doenças humanas, tratando-os como objetos usados para beneficiar as pessoas e não como sujeitos de direito.

Yeonwoo Jeong, diretor de pesquisas da empresa, diz que a tecnologia evoluiu muito e que hoje basta implantar uma dezena de embriões, em três cadelas, para nascer um clone. Isso, no entanto, é contestado por muitos pesquisadores. “Eu não acredito que eles estejam conseguindo um [clone] a cada três [gestações]”, diz o especialista em clonagem Rudolf Jaenisch, do Whitehead Institute, em Boston. “A clonagem é ineficiente. Você perde muitos clones. Alguns morrem na gestação. E também há a epigenética anormal”, afirma, ao se referir ao conjunto de mudanças que o DNA de um animal sofre ao longo da vida.

“Quando você pega células de animais adultos e as insere num óvulo, você herda os erros genéticos daquele DNA velho. Isso não aconteceria com um embrião gerado naturalmente”, explica Jaenisch.

E se são necessárias três gestações para obter um clone, o que acontece com os fetos que não sobrevivem, questiona o especialista em bioética Hank Greely, da Universidade Stanford. “Eles nascem mortos ou deformados? Sentem dor?”, pergunta. Para ele, a clonagem é antiética porque causa mais sofrimento que a reprodução natural. Um dos motivos disso é o fato das cadelas receberem hormônios. “São os mesmos hormônios usados em humanos, nos tratamentos de fertilização in vitro”, diz CheMyong Jay Ko, diretor do laboratório de ciência reprodutiva da Universidade de Illinois. “Injetar esses hormônios não faz bem, especialmente se isso for feito repetidas vezes”, afirma.

Para combater a clonagem, ativistas lançaram uma campanha denominada #adoptdontclone (Adote, não clone, em tradução livre). “As pessoas que pagam US$ 100 mil para gerar um novo cachorro se esquecem de que há muitos cães com os quais ninguém se importa”, diz Vicki Katrinak, diretora da ONG Humane Society.

Campanha pede o fim do comércio de carne de cães e gatos na China e Coreia do Sul

Foto: WAN/Reprodução

Foto: WAN/Reprodução

A ONG que atua em defesa direitos animais, Lady Freethinker (LFT, na sigla em inglês), com sede em Los Angeles, lançou uma campanha de conscientização na Coreia do Sul e China pedindo à população destes países que não consuma cães ou gatos e em lugar disso, os tratem como se fossem membros da família.

A campanha dá continuidade aos esforços incessantes da ONG para impedir o comércio de carne de cachorro e gato em países asiáticos.

A primeira leva de anúncios foi introduzida nos ônibus em Gimpo, na Coreia do Sul, no final do ano passado. Este mês, os anúncios começaram a ser veiculados dia 10 de fevereiro na cidade de Xita, nos pontos de ônibus do distrito de Shenyang, na China, uma área conhecida por possuir diversos restaurantes de carne de cães.

Criados em cooperação com a Save Korean Dogs, os anúncios coreanos da LFT já foram vistos por milhares de pessoas com mensagens traduzidas para o coreano como “Cães não são comida, são família” e “Por favor, não me coma”.

Enquanto isso, os anúncios colocados nas paradas de ônibus chinesas, que começaram a ser veiculados esta semana, mostram uma família em um momento de carinho com um cachorro, com a mensagem em chinês: “Cães são família, não comida”.

Foto: WAN/Reprodução

Foto: WAN/Reprodução

Há cerca de 17 mil fazendas de carne de cães em toda a Coreia do Sul, com cerca de dois milhões desses animais mortos para consumo humano a cada ano. A Coreia do Sul o único país do mundo com fazendas de cães em escala industrial, onde os animais são alojados em condições insalubres, sem comida, água ou cuidados veterinários adequados.

A China possui um mercado paralelo de carne de cães e gatos, em expansão, matando aproximadamente 10 milhões de cães e quatro milhões de gatos anualmente. Gangues criminosas raptam os cães de suas famílias ou os acertam nas ruas com dardos envenenados, depois enfiam os animais indefesos em gaiolas apertadas e os transportam, às vezes por vários dias, sem comida ou água, para restaurantes e matadouros.

Tanto na China quanto na Coreia, muitos dos cães são enforcados, incendiados vivos ou eletrocutados em função da crença absurda e ignorante de que a tortura torna a carne mais saborosa ou aumenta a virilidade de quem a consome.

A campanha de 2019 segue a cruzada iniciada ano passado que incluía o patrocínio de um anúncio de ônibus em Jeonju, Coreia do Sul, que pedia às pessoas que não matassem ou comessem cachorros.

Com a pressão mundial dos ativistas pedindo o fim da matança e do consumo da carne de cães, a mudança pode não esta longe. Em novembro do ano passado, o maior matadouro da Coreia do Sul foi fechado, aumentando a lista crescente de fazendas de carne e instalações de abate que deixaram de funcionar.

Além de espalhar anúncios por estes países, a ONG trabalha diretamente com equipes de resgate na China e na Coreia do Sul, ajudando no fornecimento de comida, abrigo e cuidados veterinários para cães e gatos resgatados do comércio de carnes. Somente em 2018, foram resgatados 24 cães do Yulin Dog Meat Festival, da China, sem mencionar que a contribuição para o atendimento de outras centenas de animais é fundamental.

A LFT e diversas outras ONGS e ativistas continuarão fazendo campanhas, coletando petições e unindo esforços em todo o mundo até que o comércio cruel e desumano de carne de cães e gatos termine.

Mulher mata filhote de cachorro ao atirá-lo na parede de uma pet shop

Animais não são produtos para serem vendidos como brinquedos em lojas. Pessoas que pagam por animais têm a visão deturpada de que podem desfazer-se deles como bem entendem. Ou até matá-los quando julgam que seu “investimento” não foi justificado.

O incidente infeliz ocorreu na cidade Gangneung localizada na província de Gangwon (Coréia do Sul). O filhote tinha três meses e morreu no dia seguinte ao ocorrido de hemorragia intracraniana.

Segundo informações da mídia local, o cãozinho era um filhote de maltês e a mulher queria devolvê-lo pois presenciou o animalzinho comendo seus próprios excrementos, um comportamento comum em filhotes. Erroneamente a assassina imaginou que o animal estava doente e concluiu que a pet shop a tivesse enganado ao vender-lhe um animal doente.

Depois disso ela voltou a loja acompanhada do marido e tentou devolver o cachorro, mas o dono da pet shop se recusou a aceitar o animal de volta e ela etão jogou o cachorro nele, de acordo com o relatos.

Imagens do circuito interno de câmeras foram colocadas no YouTube, onde foram avidamente compartilhadas alcançando mais de 1.2 milhões de visualizações.

Momento em que Lee arremessa o filhote de cachorro na parede da pet shop | Foto: Asia Wire

Momento em que Lee arremessa o filhote de cachorro na parede da pet shop | Foto: Asia Wire

A mulher, que foi identificada apenas por seu sobrenome “Lee”, falou a mídia local que ela “jogou o cachorro de raiva do dono da pet shop, mas que não achava que ele realmente fosse morrer”.

Ela ainda acrescentou: “No dia seguinte eu me acalmei e mandei uma longa mensagem de desculpas para o dono da loja e para o cãozinho”.

Infelizmente já era tarde demais para o animal indefeso.

“Eu fiquei extremamente chocada ao saber que o filhote havia morrido. Estou muito envergonhada e arrependida de minhas ações. Não acho que poderei me perdoar”.

Lee também prometeu refletir sobre suas ações para o resto da vida e ser voluntaria em abris para animais em situação de rua.

Nesse meio tempo, a polícia local confirmou que foi registrada ocorrência contra a criminosa.

Pela lei do país qualquer um que matar ou torturar um animal pode pegar até dois anos de cadeia bem como pagar uma multa de 13,870 libras (aproximadamente reais) de acordo com a mídia local.

Nenhum tipo de arrependimento por parte da criminosa pode restaurar a vida de um inocente violentamente assassinado de forma covarde. Um bebê cujo único erro foi comer o seu próprio excremento, coisa que bebês cães fazem nos primeiros meses de vida. Infelizmente sua vida não passará desses primeiros meses.

Cerca de 200 cães serão resgatados do comércio de carnes na Coreia do Sul

Moon Jae-in, presidente do país, já adotou um cãozinho resgatado para incentivar o amor e a empatia por esses animais, como forma de acabar com tamanha crueldade.

Uma operação de resgate de duas semanas começou ontem (13) pelo grupo de proteção animal Humane Society International (HSI) e vai salvar cerca de 200 cães em uma fazenda de no condado de Hongseong, a 150 quilômetros ao sul de Seul.

Os cães serão então enviados para o Canadá e os Estados Unidos para o rehoming.

“Esses cães não são diferentes de qualquer outro cão depois de receberem um carinho que merecem e que precisam”, disse Kelly O’Meara, autoridade da HSI, à AFP.

A fazenda foi o 14º complexo fechado pelo grupo desde 2015.

A organização disse que resgatou cerca de 1.600 cães durante esse período, com os agricultores dando apoio para passar para outras linhas de trabalho. Um transformou seu negócio de carne de cachorro em uma fazenda de mirtilo.

Lee Sang-gu, dono da fazenda Hongseong, disse que decidiu mudar seu negócio porque “não era mais lucrativo”, notando que até mesmo seus familiares eram contra comer cachorro. As informações são do Daily Mail.

O maior complexo de matadouros caninos do país na cidade de Seongnam, ao sul de Seul, foi desmantelado em novembro. Ativistas encontraram equipamentos de eletrocussão e uma pilha de cães mortos abandonados no chão.

O comércio                  

Cerca de um milhão de cães são comidos por ano na Coreia do Sul mas a tradição ganhou críticas no exterior e diminuiu à medida que a nação cada vez mais abraça a ideia de cães como animais domésticos e não uma refeição.

Segundo uma pesquisa realizada em 2017, 70% dos sul-coreanos não comem cachorro e cerca de 40% – acreditam que a prática deveria ser proibida.

Também foi constatado 65% apoiam a criação e o abate de cães em condições mais humanas.

Legislação

Não há leis sobre como tratar ou abater os cães para consumo humano na Coreia do Sul. Embora os agricultores tenham pedido que Seul inclua os animais sob os regulamentos de bem-estar animal, grupos de defesa dos direitos animais se opõem a fazê-lo, buscando a proibição completa.

ONG de proteção animal é acusada de matar 230 cães resgatados de fazendas de carne

Foto: CARE

A principal instituição beneficente dos direitos animais é acusada de matar secretamente cães para abrir espaço para outros cães e garantir um fluxo constante de doações.

As acusações vêm de membros da própria equipe da Coexistência de Direitos Animais na Terra (CARE), que disse que a líder da instituição de caridade, Park So-yeon, foi quem ordenou a morte dos 230 cães por causa da escassez de espaço no abrigo.

O número equivalia a cerca de um quarto dos animais que o grupo resgatou no período, segundo o jornal Hankyoreh.

“Apenas 10% dos cães estavam sofrendo de doenças incuráveis ​​e a maioria foi morta por causa de seu grande tamanho”, disse um funcionário da CARE.

Os animais mortos foram listados como adotados. A organização afirma há muito tempo nos apelos que não mata cães, mesmo que eles não encontrem novos donos.

Durante anos, a Coexistência de Direitos dos Animais na Terra (CARE) liderou campanhas para resgatar caninos de fazendas de cães em todo o país, acumulando cerca de 23.000 membros e cerca de dois bilhões de won (£ 1.4 milhões) em doações anuais.

Em um comunicado, Park disse que um “pequeno número” de sacrifícios foi “inevitável” desde 2015 devido a um “aumento nos pedidos de missões de resgate“.

Ela disse que geralmente apenas cães particularmente agressivos, ou aqueles com doenças incuráveis, seriam sacrificados, e isso só aconteceria em último caso.

Os membros da equipe da CARE organizaram um protesto nos escritórios da organização no fim de semana passado, exigindo a renúncia de Park.

A indústria da carne

Embora ainda existam cerca de 3.000 fazendas de cães em toda a Coreia do Sul, a ingestão da carne está diminuindo rapidamente.

Durante décadas, a Coreia do Sul enfrentou críticas sobre o tratamento dado aos animais e sobre o costume atual do país de consumir carne de cachorro.

Grupos internacionais de defesa dos direitos dos animais trabalharam para resgatar cães de fazendas na Coréia do Sul e realocá-los no exterior, inclusive nos EUA, no Reino Unido e no Canadá. Segundo a Humane Society International (HSI), cerca de 1.600 cães foram resgatados de 13 fazendas na Coréia do Sul desde 2015, ano em que a organização começou a campanha.

Aconteceu no Brasil

Em uma decisão histórica, em 2017, a justiça brasileira condenou uma mulher a mais de 17 anos de reclusão por crimes de maus-tratos a animais.

Dalva Lina da Silva, de 48 anos, mora na Vila Mariana, em São Paulo, e era conhecida como uma protetora de animais.

A mulher resgatava os animais e, aparentemente, encontrava adotantes de uma forma tão rápida que a ONG Adote um Gatinho desconfiou de que alguma coisa estava errada e contratou um detetive particular.

A investigação descobriu o que Dalva matava os animais e os colocava em sacos de lixo do lado de fora de sua casa.

De acordo com perícia realizada nos corpos dos cães e gatos, que tinham várias perfurações na região do peito, a mulher injetava uma droga no coração dos animais.