Quinze cães explorados em corridas morrem e outros 517 são salvos na China

Dos 532 cachorros da raça galgo, explorados em corridas, que foram abandonados pela Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen), na China, 15 morreram e 517 foram resgatados nesta terça-feira (26) pela Sociedade de Animais de Macau (Anima) oito meses após o fechamento do estabelecimento que realizava as corridas.

Foto: Pixabay

“Ao final do dia, terão sido realojados 517 galgos, 15 morreram. (…) Foi uma operação super rápida para este tamanho”, afirmou Albano Martins, enquanto o resgate dos animais era realizado. As informações são do portal Expresso.

Os cães foram abandonados em julho de 2018. Em setembro, por não ter apresentado um plano de realojamento desses animais dentro de um prazo estabelecido, a Yat Yuen foi multada em 2,7 milhões de euros e a Anima recebeu autorização para “gerir todo o processo”.

“Não foi fácil, mas tínhamos uma rede montada internacional e essa rede internacional ajudou-nos muito, nós apenas tivemos que liderar o processo localmente, com os nossos parceiros do Instituto para os Assuntos Municipais [IAM] e da Yat Yuen”, disse Martins.

Cem organizações internacionais participaram do processo de realojamento e adoção dos cães. Todas elas condenam a exploração e a crueldade imposta aos cachorros durante as corridas e apontam a taxa de mortalidade a qual eles estavam sujeitos.

Para Martins, o processo “foi rápido” porque a Yat Yuen colaborou. “Vamos esquecer a guerra do passado”, disse ele ao afirmar que “a Yat Yuen garantiu as viagens” e todos os custos operacionais, fazendo com que o restante se tornasse apenas “uma questão de planificação”. Ao todo, a Yat Yuen desembolsou 7,6 milhões de euros durante todo o processo.

Um Centro Internacional de Realojamento de Galgos havia sido prometido por Angela Leong, então administradora da Yat Yuen, que pertencia à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (SJM), fundada pelo magnata do jogo Stanley Ho. A ideia pioneira, no entanto, não seguiu adiante.

“Foi uma vitória da Anima, que passou a ser [uma organização] considerada a nível mundial”, afirmou Martins. Segundo ele, a entidade levou oito anos para conseguir acabar com as corridas feitas pela Yat Yuen “e apenas seis meses para realojar [os galgos] todos”.

O governo de Macau havia dado, em 2016, dois anos de prazo para a Yat Yuen mudar a localização do estabelecimento onde as corridas eram realizadas e para melhorar as condições dos galgos explorados nos eventos ou o local seria fechado.

Em 2016, o Governo de Macau deu dois anos ao canídromo da cidade para mudar de localização e melhorar as condições dos cães usados nas corridas ou, em última instância, encerrar a pista, considerada por organizações internacionais uma das piores do mundo.

Para o presidente da IAM, José Tavares, “a Anima esforçou-se, em pouco meses resolveu [o problema] e isso é obra. São 500 e tal cães adotados em meio ano, isso eu acho que nunca aconteceu em lado nenhum”.

Os espaços e instalações usados para as corridas serão, agora, devolvidos pelo IAM aos Serviços de Finanças de Macau. O terreno, porém, já está reservado para fins educativos e deve ser ocupado por quatro escolas.

Dos 517 galgos resgatados, 307 serão enviados aos Estados Unidos, 60 para a Itália, 70 para o Reino Unido, 15 para a França, 5 para a Alemanha e 26 para Hong Kong, segundo o IAM. Outros 23 ficaram sob a responsabilidade da Anima, sendo que 19 deles ficarão em lares temporários para, depois, serem enviados à Austrália.

Elefantes são obrigados a participar de corridas em festival

Foto: AFP/Divulgação

Foto: AFP/Divulgação

Mahout Y Hoi Bya senta em cima de um elefante, bate no animal vigorosamente com um pedaço de galho de árvore, incitando-o a correr rumo a linha de chegada, estas são cenas da corrida de elefantes Buon Don no planalto central do Vietnã.

Os moradores locais dizem que a corrida é uma celebração de “reverência” aos animais, tradicionalmente considerados como membros da família nesta parte do Vietnã, mas os grupos de bem-estar animal pedem o fim do festival, que afirmam ser cruel e ultrapassado.

Normalmente realizado a cada dois anos, o festival de elefantes Buon Don, considerado convenientemente um grande evento turístico pelas agências de viagem e passeios, apresenta partidas de futebol, sessões de natação, um desfile e um buffet para os animais, culminando com uma corrida muito esperada, com cerca de 10 animais competindo, que acontece nos dois últimos dois dias do evento.

Y Hoi diz que os sucessos consecutivos do elefante que ele monta, chamado de Kham Sinh, na corrida renderam a ele e ao animal um lugar de destaque em sua aldeia na província central de Dak Lak, lar de muitos dos elefantes sobreviventes no Vietnã.

“Ele muitas vezes chega em primeiro lugar na competição de corrida de elefantes”, disse o rapaz, que começou a cuidar de elefantes quando era menino.

A alimentação do elefante é a base de bananas e cana de açúcar, principalmente antes das competições, para aumentar sua disposição e força, conta Y Hoi, que é membro do grupo minoritário da etnia Ede, à AFP.

Foto: AFP/Divulgação

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Uma alimentação forçadamente calórica motivada pela exploração nas corridas cujo prêmio principal é de 130 dólares.

O festival atrai centenas de espectadores, assim como ativistas pelos direitos animais, que alertam que os elefantes não devem ser forçados a trabalhar longas horas sob o sol quente, e depois espancados com paus durante a corrida.

“Esse é um dos mais altos níveis de crueldade contra os animais, especialmente porque é uma forma de entretenimento humano”, disse Dionne Slagter, da ONG Animals Asia.

Dione ficou feliz em ver menos elefantes participando das festividades deste ano, apenas 14 contra dezenas de animais nos anos anteriores, mas espera que as autoridades adotem uma abordagem mais ética em relação ao turismo animal no futuro.

A Animals Asia lançou no ano passado os primeiros passeios turísticos éticos envolvendo elefantes do Vietnã, oferecendo aos visitantes a oportunidade de ver os animais que a ONG resgatou e que vivem no parque nacional.

Mais de 80 elefantes no Vietnã ainda são mantidos em cativeiro, geralmente usados para passeios de elefante (turistas montados nas costas dos animais), uma forma de exploração cruel e árdua que tornou a maioria deles inférteis atualmente.

Os restantes 100 a 150 elefantes selvagens também mostraram poucas chances de aumentar a população da espécie.

O festival deixou alguns espectadores, como Vu Tran Minh Anh, com sentimentos contraditórios.

“Eu não achava que os elefantes pudessem fazer tantas coisas como jogar futebol, correr e nadar”, disse o estudante à AFP.

“Mas eu sinto pena dos elefantes”, desabafou ele.

Foto: AFP/Divulgação

Foto: AFP/Divulgação

Extremamente inteligentes e com uma capacidade de cognição que está entre as maiores do planeta, os elefantes são capazes de criar laços duradouros, viver em família, além de serem sencientes, ou seja, capazes de sentir amor, tristeza, dor, solidão e compreender o mundo seu redor.

Reduzi-los a objetos de entretenimento humano, montando em suas costas, obrigando-os a correr, jogar futebol e outras atividades antinaturais para eles, além de ser uma crueldade atroz é também um ato de extrema violência contra a dignidade desses animais, que segundo o _The Great Elephant Census_ correm o risco de extinção total até 2025, caso os números da espécie continuarem a cair no ritmo em que estão diminuindo atualmente.