
Foto: RSPCA
Um vídeo angustiante que tem circulado nas redes sociais mostra um cão da raça staffordshire bull terrier acorrentado e forçado a correr em uma esteira.
O animal não tem como escapar, então tem que continuar correndo, apesar de apresentar sinais claros de exaustão, colocando até a língua para fora.
Criadores usam métodos como estes em treinamentos aplicados para tornar seus cães assassinos, forçado-os a lutar contra outros até a morte, nas chamadas “lutas ou rinhas de cães” um espetáculo cruel que atrai espectadores e apostas em dinheiro.
A RSPCA (ONG de proteção ao bem-estar animal) divulgou imagens mostrando algumas das táticas usadas, afirmando que o esporte é praticado de forma “frequente”, apesar de ser ilegal há quase 200 anos.
Em apenas quatro anos, a entidade recebeu quase 8 mil relatos de brigas de cães no Reino Unido. No mês passado, um grupo que treinou e criou cães para lutar em Lincolnshire e no País de Gales foi condenado após julgamento.
Um dos criminosos, John Knibbs, 55, foi encontrado com oito cães de luta em sua casa em setembro de 2017.
Investigadores encontraram vídeos e fotos no celular do criador mostrando cães sendo treinados e forçados a lutar, assim como mensagens trocadas falando sobre “esmagamento de ossos”.
Muitos dos cães forçados a lutar são “raças proibidas”, como pit bull terriers. Isso significa que mesmo que sejam resgatados, eles não podem ser realocados e têm que ser sacrificados – uma prática realizada no Reino Unido e à qual a RSPCA se opõe.
Um cão dos cães resgatados desse universo e que teve um final feliz é Kali, ela foi encontrada por uma equipe de resgate, ferida e quase morta, escondida no jardim de uma residência em Hertfordshire, em março de 2017.
Ela estava coberta de cicatrizes pelo corpo, várias feridas abertas e marcas de mordidas que ainda escorriam sangue.
Oficiais da RSPCA localizaram seu tutor – que mais tarde foi condenado legalmente por crimes contra o bem-estar animal – e cachorrinha foi levada para tratamento e reabilitação.
Georgina Arnold e seu namorado Owen Gray, de Yaxley em Cambridgeshire, leram sobre a história de Kali no jornal local e resolveram adotá-la.
“Nós a amamos muito, não poderíamos viver sem ela agora”, disse Georgina.

Foto: RSCPA
“Ela tem cicatrizes e alguns dentes faltando, por isso deduzo que ela passou por muita coisa. Mas Kali é tão doce e carinhosa, ela é como um ursinho de pelúcia, não há um único osso duro em seu corpo”, diz a adotante da cadelinha. “Estou feliz que ela esteja a salvo agora e nunca mais terá que passar por momentos de terror ou crueldade”, conclui ela.
O inspetor da RSPCA, Mike Butcher, disse: “É incrível que Kali tenha se recuperado da terrível experiência pela qual passou e esteja hoje em um novo lar, repleto de amor. Ela agora estará segura e cuidada”.
“Infelizmente, a realidade é que, para muitos cães, isso nunca acontecerá. Cães que vencem lutas são valorizados e frequentemente tratados como reis por seus criadores. Mas aqueles que se recusam a lutar ou perdem são abandonados ou barbaramente mortos”, lamenta ele.
“O mundo da luta de cães é sombrio e assustador. Mas isso pode estar acontecendo tanto em um armazém no centro da cidade, como ao lado do seu trabalho ou em uma fazenda rural em uma vila pacata”, concluiu ele.
Nota da Redação: pessoas que exploram para entretenimento humano, em situações de abuso, espancamento, ferimentos e violência contra outros cães estão incorrendo em crimes de maus-tratos e devem ser denunciados à polícia. Forçar um animal a lutar e muitas vezes morrer em decorrência disso é um ato hediondo repudiado pela ANDA e por todas as pessoas que amam e respeitam os animais.