Ecossistema das Ilhas Galápagos ameaçado pela presença de aviões americanos

Foto: Mirror UK

Foto: Mirror UK

Ambientalistas condenaram de forma veemente a decisão do governo equatoriano de dar permissão aos militares dos EUA para pouso e decolagem de aviões no aeroporto das Ilhas Galápagos.

As aeronaves do exército americano poderão usar o Aeroporto San Cristobal, localizado no arquipélago, de acordo com o anuncio do governo equatoriano, como parte de um plano para “combater o narcotráfico”.

Segundo ele, dois aviões da força aérea norte-americana patrulham o Oceano Pacífico procurando e identificando atividades ilícitas de acordo com informações do The Independent.

Mas especialistas em biodiversidade e conservacionistas alertam que o aumento na atividade de aviação pode afetar seriamente o ecossistema das ilhas.

O professor Laleh Khalili, da Universidade de Londres, postou no Twitter: “Eles pavimentaram o paraíso e ergueram uma pista de pouso nele”.

Ativistas pediram ao governo mais informações sobre o escopo da cooperação. com os EUA, e sobre propostas adicionais para estender a pista em San Cristobal, em meio a temores de que tal construção poderia causar mais danos aos meio ambiente.

O arquipélago está situado a 800 km a oeste do Equador e foi considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, famoso por sua variedade única de vida vegetal e animal.

As Ilhas Galápagos inspiraram o famoso livro de Charles Darwin sobre a evolução, A Origem das Espécies, depois de sua visita ao arquipélago na década de 1830. Eles limitam o número de turistas autorizados a visitar o local para tentar proteger seus habitats naturais e a biodiversidade .

Os animais nativos das ilhas incluem tartarugas gigantes, iguanas-de-crista-preta, pinguins e grandes arraias-manta oceânicas.

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, estava entre os que ficaram incomodados com a decisão, alertando no Twitter que as ilhas “não são um porta-aviões” para os EUA.

O deputado Carlos Viteri, da oposição, classificou o novo acordo como “inaceitável” e advertiu que ele deveria ser bloqueado “se quiser ceder uma polegada de território equatoriano”.

A constituição do Equador descreve o país como “território da paz” e proíbe a construção de bases militares estrangeiras para fins militares em qualquer lugar em seu território.

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Iguanas das ilhas Galápagos sofrem com escassez de alimento


Cientistas revelam que a mudança climática e os eventos nocivos causados pelo El Nino estão destruindo o rico e celebrado ecossistema das ilhas Galápagos. Segundo um fotógrafo local, que afirma ter descoberto o impacto que o aquecimento global tem tido sobre as iguanas marinhas, a espécie pode não resistir se o período de aquecimento das águas perdurar mais que 4 meses.

As imagens feitas por ele, mostrando cadáver apodrecidas de iguanas ilustram o panorama real do sacrifício doloroso, de que não só esses animais, mas diversos outros, tem sido vítimas na luta pela sobrevivência nas ilhas.

As ilhas ficaram famosas quando Charles Darwin visitou o arquipélago em sua viagem icônica a bordo do HMS Beagle, mas as mudanças climáticas estão afetando seriamente o ecossistema único das ilhas, afirmam os cientistas.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

A água mais quente que o original está matando a fonte de alimento de muitos animais, as algas e vegetação marinha que crescem nas águas da costa da ilha, o que causa em consequência disso, a morte por falta de alimento de inúmeros répteis.

O fotógrafo Tui De Roy, que cresceu nas ilhas, capturou as imagens impressionantes para comprovar a situação do arquipélago.

Uma imagem poderosa e fortíssima mostra o cadáver de uma iguana marinha deitada em uma pedra depois de morrer de fome, um efeito do aquecimento das águas, que destrói os recursos dos quais elas dependem para sobreviver.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

Há alegações de que a mudança climática esteja intensificando o efeito El Niño – um período de curto prazo de aquecimento da temperatura da superfície das aguas do oceano pacífico, que se estende da América do Sul até a Austrália, conforme informações do Daily Mail.

A mudança na temperatura da água pode afetar a vida marinha diretamente por causa da ressurgência, quando a água fria sobe à superfície, que fica reduzida durante o evento.

Estudos anteriores mostraram que espécies marinhas, incluindo pinguins, focas e iguanas, lutam para sobreviver por causa da falta de comida nas águas próximas à superfície.

Muitos animais marinhos de Galápagos morrem ou não conseguem se reproduzir com sucesso devido à falta de alimentos, escreveram os pesquisadores.

Outras imagens capturadas no arquipélago mostram uma iguana colorida descansando nas rochas e o espetáculo raro de um lagarto-nadador.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

O importante naturalista Charles Darwin viajou para a região no HMS Beagle em 1835, e observou membros da espécie correndo ao redor das encostas rochosas.

Apesar de fazer extensas observações sobre as criaturas, ele notoriamente detestava sua aparência, referindo-se a elas como “duendes da escuridão”.

Esse momento é propício para que a teoria da seleção natural de Darwin seja posta à prova, à medida que a comida se torna cada vez mais escassa.

As fotografias foram capturadas pelo renomado fotógrafo e autor Tui De Roy, que cresceu nas ilhas ao largo da costa continental do Equador.

Depois de observar os animais por muitos anos, o naturalista testemunhou milhares deles morrendo devido à falta de comida toda vez que há um período prolongado de clima quente.

As iguanas, que possuem o status de vulneráveis (segundo a IUCN), usam um truque que lhes permite sobreviver, disse ele, sua habilidade de ajustar seu tamanho corporal encolhendo ou crescendo à vontade.

Isso permite que elas regulem melhor sua perda de calor. Durante um período de meses, elas “quebram” seu tecido ósseo antes de reconstruí-lo depois que a época de fome termina.

“As iguanas marinhas vivem vidas difíceis: tudo o que elas precisam é de sol tropical para se aquecer, lava negra para se sujar e mares frios cheios de algas marinhas para se alimentar; é isso, sem frescuras ”, explicou ele.

Essas características as tornam o exemplo perfeito para ilustrar as qualidades sobrenaturais das vulcânicas Ilhas Galápagos.

Mas a espécie é bastante vulnerável: quando as correntes oceânicas frias são substituídas por águas quentes, se as algas morrerem as iguanas também morrem.

“Elas têm a capacidade de encolher seus corpos – até mesmo seu esqueleto – em até 20% do comprimento total, a fim de resistir à fome até que as águas frias voltem”, diz o naturalista.

“Mas se o período quente (El Niño) durar mais que 3 a 4 meses, milhares de iguanas estão fadadas a morrer”, lamenta ele.

Esses processos naturais são geralmente mais visíveis nas Ilha Galápagos devido à sua biosfera única.

Foi no impressionante arquipélago vulcânico que Charles Darwin se inspirou para escrever sua teoria da evolução.

Estudos sobre o lagarto descobriram que as iguanas terrestres da América do Sul devem ter chegado ao mar milhões de anos atrás, em troncos ou outros destroços, eventualmente pousando nas Ilhas Galápagos.

Diante do aquecimento dos mares, animais de Darwin correm riscos

Não há época do acasalamento definida para os leões-marinhos, obrigando os machos a manter uma constante vigilância contra concorrentes Foto: Josh Haner para The New York Times

Quando as nuvens cedem, o sol do equador brilha na cratera deste vulcão fumegante, revelando uma paisagem de águas onde a teoria da evolução começou a ser concebida. Do outro lado de uma estreita faixa de oceano fica a Ilha de Santiago, onde Charles Darwin viu iguanas marinhas, o único lagarto que vai ao mar em busca de alimento.

Fringilídeos, produto de lentos fluxos geracionais, cortam os céus. Agora, na era da mudança climática, os caprichos da seleção natural podem ser demais para eles. Na luta contra a extinção nessas ilhas, Darwin viu um molde da origem de todas as espécies, incluindo os humanos. Mas nem mesmo ele poderia imaginar o destino que esperava as Galápagos, onde todos os fatores apontam para o início do maior teste evolucionário já visto.

Com o aquecimento dos oceanos provocado pela mudança climática, essas ilhas enfrentam uma ameaça existencial. E os cientistas estão preocupados. Além de as Galápagos estarem situadas na intersecção de três correntes oceânicas, elas estão na mira de um dos padrões climáticos mais destrutivos do mundo, El Niño, que provoca um aquecimento rápido e extremo dos trópicos no Pacífico Leste.

Pesquisas publicadas em 2014 por mais de uma dúzia de cientistas climáticos alertaram que a alta na temperatura dos oceanos estava tornando o El Niño mais frequente e intenso. A Unesco, agência das Nações Unidas dedicada à cultura e à educação, alerta agora que as Ilhas Galápagos são um dos lugares mais vulneráveis aos impactos da mudança climática.

Para conhecer o futuro das Galápagos, basta olhar para o seu passado recente, quando um evento do tipo se aproximou das ilhas. As águas quentes do El Niño impediram a ascensão de nutrientes à superfície do oceano, levando a uma desnutrição generalizada.

As grandes iguanas marinhas morreram, enquanto outras encolheram seus esqueletos para sobreviver. Aves marinhas deixaram de botar ovos. Florestas de escalésias (uma margarida gigante) foram arrasadas por tempestades e espinheiros invasivos passaram a dominar seu território. Oito de cada dez pinguins morreram e quase todos os filhos de leão-marinho, também. Um peixe do comprimento de um lápis, a donzela-das-Galápagos, nunca mais foi vista.

Isso foi em 1982. Desde então, os oceanos esquentaram pelo menos 0,5°C. O biólogo David J. Anderson, da Universidade Wake Forest, Carolina do Norte, que estuda o patola-de-pés-azuis, uma ave marinha, disse que os estragos causados pelo El Niño foram uma surpresa quando ele começou a trabalhar nas ilhas, nos anos 1980.

“Agora estamos nos perguntando, qual pode ser a frequência desses fenômenos? O El Niño tem o efeito de uma escavadeira”, disse ele. “E está acontecendo com frequência cada vez maior.” Embora as Galápagos fiquem no coração dos trópicos, geograficamente, é difícil imaginar isso a partir das próprias ilhas, por causa de uma grande corrente que segue para o norte vinda do sul do Chile.

Essa corrente, chamada de Corrente de Humboldt, mantém o clima nas ilhas frio e seco, algo incomum se considerarmos que o Equador atravessa o arquipélago. Isso significa que as ilhas têm clima subtropical, um lugar raro onde pinguins e corais coexistem lado a lado. Mas, às vezes, a fria Corrente de Humbolt desacelera subitamente.

As águas do oceano começam a esquentar rapidamente, ganhando até 2°C em questão de meses. As ilhas começam a ser atingidas por tempestades. E, de um dia para o outro, as Ilhas Galápagos se tornam mais quentes: é o começo do El Niño. “O sistema marinho das Galápagos é análogo a uma montanha russa”, disse Jon D. Witman, professor da Universidade Brown, em Rhode Island, que estuda os ecossistemas de coral nas Galápagos, destacando que os picos de temperatura alta eram seguidos por quedas de temperatura, um fenômeno conhecido como La Niña.

De acordo com o Dr. Witman, o problema do aquecimento global é que o patamar a partir do qual essas alterações ocorrem está se elevando com a temperatura dos oceanos. Isso acontece num momento em que a intensidade e a frequência do El Niño estão aumentando.

Antes de publicar “Moby Dick”, Herman Melville navegou pelas Galápagos e viu as iguanas marinhas pretas sobre as rochas. Foi a elas que descreveu como “estranha anomalia, criatura fantástica” nos anos 1850. Uma anomalia particular das iguanas marinhas pode indicar o que esperar de águas mais quentes nos mares das Galápagos.

O biólogo Martin Wikelski, do Instituto de Ornitologia Max Planck, na Alemanha, passava suas temporadas de pesquisa perto do litoral da Ilha Genovesa quando notou algo estranho nos seus cálculos. Quando os mares esquentaram, as iguanas diminuíram de tamanho.

“Obviamente, um animal não pode encolher, é impossível”, ele disse ter pensado inicialmente. “Mas elas tinham uma aparência estranha, como sapos cujas pernas são demasiadamente compridas para o corpo.” As iguanas estavam de fato se tornando muito menores.

A alta na temperatura dos oceanos significa menos algas, principal fonte de alimento das iguanas marinhas. Os cientistas dizem acreditar que os répteis seriam capazes de reabsorver partes do seu esqueleto para reduzir seu tamanho e aumentar suas chances de sobrevivência diante de uma alimentação mais restrita.

Hormônios do estresse podem desencadear o processo, mas pouco se sabe a respeito do seu funcionamento. Independentemente disso, as mudanças podem ser centrais para a sobrevivência desses animais conforme os ciclos do El Niño se tornam mais frequentes. A evolução conduziu outros animais por rumos diferentes, algo que pode se mostrar fatal com a alta da temperatura dos oceanos.

Certo dia, em Isabela, a maior ilha das Galápagos, um leão-marinho macho rosnava para um bando de filhotes numa piscina natural. Leões-marinhos e focas não têm época de acasalamento definida nesta região, o que obriga os machos a se manterem constantemente vigilantes contra concorrentes – uma tarefa que lhes deixa pouco tempo para caçar peixes.

Quando a temperatura das águas aumenta, a população local de sardinhas diminui. No El Niño de 1982, quase todas as focas adultas maiores morreram de fome. A maioria dos filhotes de leão-marinho também morreu naquele ano, pois os pais não conseguiram alimentar suas crias, de acordo com estudo do ecologista Fritz Trillmich. “É como se nossa geração não tivesse filhos”, disse Robert Lamb, estudante de doutorado da Universidade Brown.

As criaturas têm também desenvolvido novas maneiras de caçar. Em novembro, as rochas cobertas de conchas numa enseada perto da praia da Ilha Isabela estavam repletas de ossos de um grande peixe – um atum, algo que os cientistas dizem não ter visto os leões-marinhos comendo antes. Mas, pouco após o amanhecer numa manhã recente, leões-marinhos daqui perseguiram um grande atum até a enseada, abatendo o animal na água rasa.

Ainda não foi estudado se este é simplesmente um novo comportamento que emergiu com a escassez das populações de peixes menores, mas a nova dieta pode ser uma vantagem para os leões-marinhos conforme o El Niño se torna mais frequente. Outros animais têm menos alternativas de alimentação.

O patola-de-pés-azuis, ave conhecida pela cor chamativa das patas e pelo andar engraçado, é visto nas praias daqui. Mas, no mar, esse passarinho especializado em comer peixes paira sobre as ondas antes de mergulhar no oceano como outros mergulhões concorrentes, espalhando os cardumes para que os peixes possam ser pescados individualmente.

Os patolas-de-pés-azuis já viveram das sardinhas, mas a população deste peixe diminuiu muito em 1997, e a sardinha segue escassa, obrigando os pássaros a comer outros peixes. Quando a temperatura do mar aumenta durante o El Niño, esses outros peixes também começam a desaparecer. “Eles basicamente param de tentar se reproduzir”, disse o Dr. Anderson a respeito das patolas. Ele disse que o padrão se tornou mais frequente, acompanhando o El Niño.

“Daqui a cem anos, não ficarei surpreso em saber que a patola-de-pés-azuis deixou de existir” se as tendências atuais prosseguirem, disse o Dr. Anderson. Comportamentos semelhantes são observados em outras aves aquáticas daqui. Os pinguins das Galápagos, que só são encontrados nessas ilhas, param de se reproduzir quando a água chega à temperatura de 25°C.

O biguá, uma ave que não voa, morre de fome no ninho porque não consegue viajar para encontrar comida em outros lugares quando a população de peixes cai perto das ilhas. Embora temperaturas mais altas frequentemente sinalizem o fim de espécies nativas que evoluíram no frio clima subtropical das Galápagos, as espécies invasivas prosperam.

Florestas de escalésia, uma margarida gigante que é encontrada apenas nas Galápagos, já estavam encolhendo por causa do desmatamento para possibilitar a agricultura nas terras mais altas. As árvores estão acostumadas a um clima ameno e, por isso, as tempestades que acompanham os El Niños extremos podem derrubar essas florestas.

Embora destrutivas, faz tempo que as tempestades fazem parte do ciclo natural das escalésias, permitindo que uma nova geração se enraíze após a anterior. Mas, com a mudança climática, o processo entrou em curto-circuito. Sob as florestas de escalésias, as sementes de uma amoreira invasiva aguardam a queda das margaridas gigantes. As amoreiras se espalham rapidamente, bloqueando a nova geração de margaridas.

Outra espécie invasiva que preocupa os cientistas é a formiga-lava-pés, que prospera no clima mais úmido e se alimenta dos ovos das tartarugas gigantes. Funcionários do Parque Nacional das Ilhas Galápagos estão agora pensando em esforços para aliviar este impacto e proteger espécies ameaçadas dos ciclos mais frequentes do El Niño que acompanham a mudança climática.

O parque já tem um programa para auxiliar a reprodução de tartarugas gigantes em cativeiro. Mas nem todas as tartarugas gigantes podem se reproduzir dessa forma. E o mesmo vale para muitas das outras criaturas encontradas nessas ilhas.

Fonte: Estadão