Tutores colocam placa de aviso na porta para prevenir escapadas de gatinho fujão

Foto: Laci Reamer

Foto: Laci Reamer

Quando a família de Hubert o adotou de um abrigo local há três meses, eles perceberam imediatamente que o gatinho era cheio de personalidade e coragem.

“Nós sempre descrevemos sua personalidade como a de um velho rabugento que secretamente ama e precisa de atenção”, disse Laci Reamer, a mãe de Hubert, ao The Dodo.

Foto: Laci Reamer

Foto: Laci Reamer

O gato de 8 anos de idade se estabeleceu em sua nova casa imediatamente – e fez todos saberem, desde o início, que ele é absolutamente obcecado em tentar ir para a rua.

Apesar do abrigo ter dito que ele sempre foi um gato de interior (dentro de casa), Hubert tem um fascínio intenso em ficar ao ar livre, e mesmo que ele ame tanto sua nova vida confortável e sua família, isso não o impediu de fugir e ir brincar na rua cada oportunidade que aparece.

Foto: Laci Reamer

Foto: Laci Reamer

“Ele tenta escapar diariamente”, disse Reamer. “Ele até conseguiu uma vez fugie. Nós não notamos nada até que vimos ele andando pela calçada! Como você pode não perceber um gato de 14 quilos escapando pelas suas pernas na porta? Sim, você leu certo! Ele tem 14 quilos. Ele é corpulento, mas corajoso (ele está de dieta)”, diz sua tutora.

"Por favor não deixe o gato sair, não importa o que ele faça" | Foto: Laci Reamer

“Por favor não deixe o gato sair, não importa o que ele diga” | Foto: Laci Reamer

Chegou a um ponto em que, a cada vez que alguém novo chegava à porta, Hubert tentava convencê-los de que Hubert podia sair – e, por fim, sua família teve que colocar uma placa no quintal.

“Nós fizemos a placa porque para que qualquer pessoa que ele olhe com aqueles olhos grandes e pidões como se dissesse: ‘Por favor, me ajude. Eu tenho coisas para ver e fazer lá fora. Se você abrir a porta, eu vou passar por você’, a pessoa vai cader”, disse Reamer. “Ele é muito bom em implorar, então queríamos conscientizar as pessoas. Nós vivemos em uma rua movimentada e não queremos que ele se machuque”.

Foto: Laci Reamer

Foto: Laci Reamer

Até agora, a placa tem feito maravilhas em manter Hubert em segurança dentro de casa, e como um bônus, todos que a vêem ficam muito contentes e admirados com o aviso.

Graças à placa e a atitude amorosa de sua família, os elaborados planos de fuga de Hubert não são mais bem sucedidos – mas, para ajudar com seu intenso amor por sair às ruas, sua família está trabalhando em uma surpresa divertida que lhe permitirá explorar o mundo de uma maneira muito mais supervisionada e segura.

“Acabamos de mandar fazer para ele uma guia com coleira para começar suas grandes aventuras ao ar livre”, disse Reamer. “Dedos cruzados para que tudo dê certo!”

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Sumaré (SP) vai ganhar Departamento de Proteção e Bem-Estar dos Animais

O Departamento Municipal de Proteção e Bem-Estar dos Animais de Sumaré (Dembeas), antes vinculado ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), terá estrutura própria a partir de 30 de julho. O espaço, que está em fase final de construção, receberá animais vítimas de maus-tratos, abandono e doenças.

Sede do Departamento está em obras (Foto: Prefeitura de Sumaré)

O Dembeas atenderá gratuitamente não só animais em situação de rua, mas também aqueles que forem tutelados por famílias de baixa renda. Os que estiveram abandonados, serão abrigados no local e disponibilizados para adoção.

Além de atender e abrigar os animais, o departamento ficará responsável pela fiscalização de casos de maus-tratos. Denúncias poderão ser feitas através de um contato telefônico que será disponibilizado. Ao receberem uma ocorrência, os agentes irão notificar o tutor do animal e, em caso de não cumprimento da determinação, aplicarão uma multa e disponibilizarão o animal para adoção.

O Dembeas ficará localizado ao lado do CCZ, na região central da cidade. De acordo com a legislação, o local recolherá animais em casos de atropelamento, debilidade motora, estado precário de saúde, vítimas de maus-tratos, que apresentem agressividade ou os que estejam na rua. Todos eles só serão doados após serem castrados.

Os veterinários da prefeitura irão compor o quadro de funcionários do Departamento, que contará também com estudantes do último ano de medicina veterinária da Faculdade Anhanguera de Campinas (SP), por meio de uma parceria feita pela administração municipal.

“O bom é que sendo legalizado você consegue fazer os convênios com faculdades, trazer os profissionais pra cá, tanto o departamento, e assim atuar com mais segurança, dentro da lei, porque o departamento de zoonoses não pode ficar junto com o tratamento de bem-estar”, disse o superintendente do Bem Estar Animal, Bruno Crema ao jornal LIBERAL.

Enquanto a Zoonozes atua no combate a doenças que podem ser transmitidas dos animais para as pessoas, o Dembeas irá proteger os animais, entre eles cachorros, gatos e cavalos.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA!


Cachorrinha idosa resgatada do abandono se acalma ao ganhar um brinquedo

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Nicole Marie Wasieleski não tinha intenção de adotar outro cão do abrigo onde ela é voluntária, a Liga de Resgate de Animais de Iowa nos Estados Unidos. Mas quando ela viu uma cachorrinha idosa e sozinha no canil, Wasieleski não conseguia tirar a imagem do cachorro da cabeça dela.

“Quando a vi no abrigo, pensei que ela parecia uma velha loba e queria conhecê-la”, disse Wasieleski ao The Dodo. “Ela era tão quieta e gentil.”

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Aos 10 anos de idade, Kairi passou por bastante coisas nos últimos anos. Ela perdeu sua primeira família de repente e, apesar de encontrar uma nova casa com Wasieleski, Kairi estava tendo problemas para se ajustar a todas essas mudanças. Wasieleski se dedicar totalmente à cachorrinha – algo que poderia ajudá-la a se sentir segura e protegida.

Então, ela levou Kairi em um passeio especial para uma loja de animais, onde a cachorra idosa poderia escolher um brinquedo próprio, só dela. E Kairi sabia exatamente o que ela queria.

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Ela escolheu esse engraçado dinossauro cor-de-rosa e nós estávamos rindo e continuamos tentando fazer com que ela aceitasse brinquedos mais normais”, disse Wasieleski. “Ela os ignorou e levou o dinossauro por toda a loja e até o caixa”.

O “Dino” era baratinho, feito de tecido de rosa e azul e recheado de espuma, mas Kairi não deixa que ele nunca saia de sua vista.

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Foto: Nicole Marie Wasieleski

“Desde então, ela vem carregando, jogando com ele e aconchegando-o”, disse Wasieleski. “Ela vai deixar meus outros cachorros jogarem cabo-de-guerra com isso, mas eles sabem que não podem destruí-los como se destruíssem todos os outros brinquedos.”

Kairi sofre de ansiedade de separação, e sua forma de mostrar a sua nova mãe e seu pai que ela não está satisfeita com eles, é mastigando os tapetes da casa. Para ajudá-la a se sentir mais segura, a mãe começou a tentar ensiná-la a ficar sozinha e é aí que Dino realmente começou a se mostrar muito mais do que um brinquedo.

“Estávamos muito preocupados porque ela latia muito e coçava o corpo todo e não queríamos que ela se machucasse”, disse Wasieleski. “Mas quando Dino está com ela, ela fica em silêncio”.

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Foto: Nicole Marie Wasieleski

Kairi está se ajustando lentamente à sua nova casa e, com frequência, coloca uma de suas grandes patas cinzas no braço de sua mãe, mostrando-lhe o quão grata ela está pela segunda chance.

“Nós realmente não podemos acreditar em quanta energia ela tem para a idade dela”, disse Wasieleski. “Ela brica de lutar com meus outros cães de 2 anos de idade e depois quer descansar e se aconchegar comigo ou com seu dinossauro”.

Embora Kairi esteja se tornando mais independente, sua família ainda tem um plano alternativo, caso Dino desapareça.

“Já tratamos de voltar a loja para pegar outro dinossauro”, disse Wasieleski. “Caso algo aconteça com este”.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

 

Paul McCartney pede o fim dos testes com cães em universidade americana

Foto: Livekindly

Foto: Livekindly

Paul McCartney escreveu uma carta em nome da ONG PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), expressando surpresa ao ficar sabendo sobre os experimentos com cães da TAMU durante uma turnê.

A universidade cria cães da raça golden retriever para desenvolver distrofia muscular, dificultando sua locomoção, a deglutição e a respiração. De acordo com a PETA, esse tipo de experimento foi usado por quase 40 anos e não resultou em nenhum tratamento capaz de reverter a doença.

O co-fundador da Meat Free Monday descreveu o vídeo divulgado pela organização como “devastador”, e implorou ao TAMU para parar os experimentos e colocar os cães para adoção. McCartney acrescentou: “Eu convivo com cachorros desde que era menino e amei e tratei todos eles com carinho, incluindo Martha, que foi minha companheira por cerca de 15 anos e sobre quem escrevi a música‘Martha My Dear’”.

“Por favor, façam a coisa certa, acabando com o sofrimento dos cães no laboratório de pesquisas de distrofia muscular da TAMU e mudando para métodos modernos de pesquisa”, concluiu.

O ativismo de Paul McCartney

Vegetariano, desde 1975 o músico virou vegano, McCartney apareceu em várias campanhas de direitos animais, incluindo a participação como narrador do documentário produzido peka PETA “Glass Walls”, que fala sobre os horrores das fazendas de criação de animais. Ele também trabalhou com a Humane Society dos Estados Unidos e a Sociedade Mundial de Proteção aos Animais.

Em 2009, ele e suas filhas, a estilista vegana ética Stella e a fotógrafa Mary, lançaram a campanha Meat Free Monday no Reino Unido para incentivar as pessoas a comer mais alimentos à base de vegetais. O décimo aniversário da campanha foi comemrado por celebridades como Tom Hanks, Orlando Bloom e Alicia Silverstone.

Experiências com cães da TAMU

Esta não é a primeira vez que a TAMU está sendp acusada por seus experimentos. Falando à Fox News em novembro de 2017, a Dra. Alka Chandna, especialista sênior em supervisão laboratorial da PETA, disse que os testes são financiados com dinheiro público.

Um representante da TAMU defendeu os experimentos, observando que o FDA (Food and Drugs Administration/órgão regulador de vigilância sanitária dos EUA) exige que os medicamentos sejam testados em pelo menos duas espécies de animais antes de serem usados por seres humanos.

No entanto, Chandna explicou que o vídeo, obtido em 2013, mostra condições cruéis: “Eu vejo claramente que que não há amor ali. Também não há cuidado. Isto não é um tratamento humano”.

O New York Post notou que pelo menos uma outra universidade dos EUA conduz testes semelhantes em cães.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Sandra, a orangotango que se transformou em ‘pessoa’

Sandra nasceu em 14 de fevereiro de 1986 no zoológico de Rostock, na então República Democrática Alemã. Não se sabe muito sobre sua infância, exceto que sua mãe a rejeitou. Cresceu na solidão. Enviaram-na para o zoológico de Gelsenkirchen e em setembro de 1995, aos 9 anos, foi vendida para o zoológico de Buenos Aires. Lá encontrou um companheiro temporário com quem engendrou Sheinbira, uma fêmea. Sandra repetiu a história da família: não quis a cria. Como sua própria mãe, não tem instinto maternal. De Sheinbira se perdeu a pista. Foi comprada por um intermediário e acredita-se que esteja em algum lugar da Ásia. Sandra continua sozinha. É o único animal dessa espécie na Argentina.

FOTO: NATACHA PISARENKO (AP)

Até aqui é a história previsível de um animal em cativeiro. O que aconteceu a partir de 2014 é muito menos previsível. A Associação de Funcionários Públicos e Advogados pelos Direitos dos Animais (AFADA), representada pelo advogado constitucionalista Andrés Gil Domínguez, considerou que a situação de Sandra, “encerrada em uma caixa de concreto”, era intolerável e recorreu aos tribunais para exigir que deixasse de ser considerada “coisa” ou “objeto”, conforme estabelece o Código Civil e Comercial da Argentina. Em março de 2015, o assunto chegou ao Tribunal Contencioso, Administrativo e Tributário número 4 da Cidade de Buenos Aires, dirigido pela juíza Elena Liberatori. E aí começou a ser gestada uma sentença sensacional. Começou também a ganhar forma uma peculiar relação afetiva entre uma juíza progressista e acostumada à polêmica e uma orangotango solitária e, segundo seus cuidadores, cronicamente deprimida.

Interrompamos um momento a questão legal e saltemos no tempo até 3 de julho de 2018. Sandra deveria ser submetida a um exame médico completo, que a juíza Liberatori tinha adiado até saber com exatidão que testes seriam necessários e reunir uma equipe profissional de elevada competência. A orangotango bebeu um suco de fruta com um ansiolítico e, em seguida, recebeu um dardo na nádega carregado com Tilazol. Já dormindo, foi possível anestesiá-la completamente. Sandra não é muito grande, pesa 40 quilos, mas é muito forte: pode facilmente quebrar ossos humanos. A equipe médica era composta pelo veterinário-chefe do Ecoparque, Guillermo Wiemeyer; o cardiologista Guillermo Belerenian, do Instituto Pasteur; a ultrassonografista Laura Kocun e a veterinária primatologista Susana Avellaneda. Foram feitos eletrocardiogramas, radiografias, ecocardiogramas, exames de sangue, exame das fossas nasais, amídalas e laringe; foi extraída uma amostra fecal e examinada a arcada dentária.

A juíza quis estar presente. Uma das pessoas que realizaram o check-up (cujos resultados foram bons) diz que a juíza não soltou em nenhum momento a mão da orangotango adormecida. Para Elena Liberatori, Sandra tinha deixado de ser um caso a mais. “Estudei leis para defender inocentes e não há nada mais inocente do que um animal”, explica a juíza. Quando ela fala sobre Sandra, parece falar de uma amiga.

Voltemos ao debate jurídico e científico. Em 25 de agosto de 2014, depois da iniciativa da AFADA, Julio Conte-Grand, procurador-geral da Cidade Autônoma de Buenos Aires, publicou no jornal conservador La Nación um artigo intitulado Darwin morreu, no qual afirmava: “A ideia de outorgar personalidade jurídica aos animais, além de configurar uma ruptura com a visão clássica e uma aberta rejeição de pautas distintivas básicas de natureza metafísica e antropológica, representa a literal e fatal desqualificação da teoria darwiniana, já que parte importante dessa corrente de pensamento, ao mesmo tempo que reivindica o reconhecimento da personalidade dos animais não humanos, a rejeita para os embriões humanos”.

A conclusão de Conte-Grand era a seguinte: “Postula-se, em consequência, que o ser humano, em uma das etapas de sua vida, constitui uma instância evolutiva inferior à dos macacos. Então, o macaco descende do homem?”.

FOTO: MARIANA ELIANA

O artigo de Conte-Grand provocou críticas de numerosos cientistas argentinos e, na Espanha, da entidade Projeto Grande Símio. O jornal esquerdista Pagina 12 publicou a resposta ao procurador de 253 profissionais de biologia, intitulada Darwin Continua Vivo, e Também as más Interpretações da Teoria da Evolução.

O caso de Sandra já havia aberto uma grande polêmica. Enquanto isso, a juíza Liberatori preparava sua sentença. Ela leu, por exemplo, Gli Animali Non Umani. Per una Sociologia dei Diritti (Os animais não humanos. Por uma sociologia dos direitos) do jurista e sociólogo italiano Valerio Pocar, e Na Língua dos Bichos, da etologista norte-americana Temple Grandin. Falou longamente com Lucía Guaimas, antropóloga e funcionária de sua própria corte. Não chegou a descobrir, antes de emitir a sentença, a Declaração de Cambridge sobre a Consciência (2012), na qual um grupo de neurocientistas, na presença do astrônomo Stephen Hawking, proclamou que “os animais não-humanos possuem substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos dos estados de consciência, junto com a capacidade de exibir comportamentos intencionais”. Liberatori ficou sabendo dessa declaração alguns meses depois, mas sua decisão já estava tomada.

Em 21 de outubro de 2015 a sentença foi emitida: Sandra foi reconhecida como “sujeito de direito” (não “objeto”) e o Governo da cidade de Buenos Aires, dono do zoológico e, portanto, tutor da orangotango, recebeu a ordem de garantir ao animal “as condições naturais de seu habitat e as atividades necessárias para preservar suas habilidades cognitivas”.

O Ministério Público recorreu e o titular do Tribunal número 15 da área penal, Gustavo Letner, considerou “extinta” a reivindicação em favor de Sandra. Mas a Terceira Sala do Penal, integrada por três magistrados, decidiu em 12 de dezembro de 2016, que Letner não tinha respeitado os direitos dos demandantes (Associação dos Funcionários Públicos e Advogados pelos Direitos dos Animais) e considerou que “nada impede de considerar este tipos de animais como sujeitos de direito não humanos”.

Sandra foi reconhecida como uma pessoa não humana. E lhe foi concedido um habeas corpus, o expediente pelo qual qualquer detido pode exigir comparecer perante um juiz para que este determine sobre a legalidade da sua privação da liberdade.

Ao redor dela, no zoológico de Buenos Aires, as coisas também começaram a mudar. Como em outros lugares, manter os animais trancados e longe de seu ambiente natural não parecia mais educativo nem divertido, mas cruel. Em 23 de junho de 2016, o chefe de Governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, anunciou que o zoológico iria se tornar um ecoparque. As instalações foram fechadas ao público e os animais começaram a ser transferidos — às pressas e de modo estabanado, segundo a Fundação Azara, uma ONG de prestígio dedicada à proteção da natureza. Muitos animais morreram, incluindo um macaco e cinco cervos. “O grau de ignorância e desprezo pela vida animal ultrapassou todos os limites éticos”, disse Adrián Giacchino, presidente da Azara.

Sandra estava ficando sozinha. A juíza Liberatori, transformada na prática em sua tutora, decidiu que a orangotango deveria passar o resto de sua vida em um lugar onde tivesse espaço e toda a liberdade possível. Devolvê-la à natureza era uma possibilidade descartada de antemão. Primeiro, porque ela já nasceu em cativeiro e seria incapaz de sobreviver. Segundo, porque Sandra, além da prisão, padecia de outra condenação: a de ser mestiça. “É uma mistura de orangotango-de-sumatra e orangotango-de-bornéu, e seus congêneres não a aceitariam nem em um lugar nem no outro”, explica Maria Eugenia Dahlah, etóloga e membro da equipe de cuidadores de Sandra.

A decisão de sua transferência, à qual o Governo de Buenos Aires, tutor de Sandra, resistiu quanto pôde, exigiu recursos, audiências e debates. Finalmente, sua liberdade foi obtida.

Para onde enviar Sandra? Inicialmente pensou-se em um parque ecológico brasileiro, mas não atendia às condições. Vários especialistas consultados pelo tribunal propuseram outras instituições e concordaram em que um local apropriado seria o Centro para Grandes Macacos, na Flórida, localizado entre Tampa e Orlando. A juíza Liberatori visitou pessoalmente (pagando de seu bolso) vários dos possíveis centros e enviou o secretário da corte (também em caráter particular) ao Centro de Grandes Macacos para examinar as instalações e averiguar as condições de uma futura transferência.

A preparação da viagem de Sandra para a Flórida está se mostrando longa e cheia de complicações. O tribunal e o Ecoparque mantêm uma estreita cooperação (“somos como um casamento forçado e devemos nos dar bem”, diz a juíza), mas as autoridades norte-americanas impõem condições severas. Sandra tem que chegar em bom estado de saúde (daí os exaustivos exames médicos realizados em julho do ano passado) –porque senão seria automaticamente sacrificada– e passar por uma quarentena com novos exames clínicos. “Não imporiam condições tão rígidas a um animal de circo”, lamentam no tribunal. Animais de circo, por outro lado, não costumam ter reconhecida a condição de “pessoa não humana”.

Nas próximas semanas terá que ser resolvida a licitação para a transferência. Procuram uma empresa que ofereça garantias máximas e esteja disposta a esperar até um ano, caso surjam novos problemas. É uma operação logística complexa, que preocupa toda a família que se formou em torno de Sandra. Especialistas aconselham que ela seja introduzida pouco a pouco no futuro regime de semiliberdade e espaços abertos. Temem que, após uma vida em cativeiro e muito acostumados com os humanos, a mudança possa ser contraproducente.

FOTO: MARIANA ELIANA

A permissão de importação dos Estados Unidos também está em andamento. Em agosto, tudo deve estar pronto. Mas então pode surgir outra dificuldade. Federico Ricciardi, porta-voz do Ecoparque, observa que agosto é pleno inverno em Buenos Aires, enquanto na Flórida as temperaturas no verão são muito altas. Os veterinários recomendam esperar um pouco mais, para que o contraste de temperaturas seja menos extremo. “De qualquer modo, a transferência será feita este ano”, diz Ricciardi. Sandra está esperando há três anos.

O orçamento da viagem já foi aprovado. Para o Governo de Buenos Aires, que não nada em dinheiro, custará três milhões de pesos, cerca de 260.000 reais.

Sandra encara tudo isso com paciência. O fechamento ao público das instalações, em razão da conversão do zoológico em um parque ecológico, deu-lhe tranquilidade. De certa forma, com a transferência dos outros animais, a orangotango está na posição do hierarca nazista Rudolf Hess, o último prisioneiro do presídio de Spandau. Sandra, no entanto, recebe todos os cuidados possíveis. No início de 2016, por exemplo, o tribunal negociou com a companhia de navegação Buquebús a doação de algumas cordas para que a orangotango pudesse brincar com elas: foi complicado transportá-las, mas já estão no “jardim privativo”, onde Sandra passa muitas horas. O advogado Gil Domínguez também pediu que fosse estabelecido um regime de visitas. Não se pode ver Sandra sem autorização judicial prévia. Devemos lembrar que, nas condições legais da orangotango, tanto o cativeiro como a exibição são considerados atos degradantes que violam seus direitos.

Os cuidadores de Sandra procuram fazer com que brinque o maior tempo possível. O confinamento a deprime, o que se reflete no fato de que, se não for estimulada, permanece inativa mais da metade das horas do dia. Além das cordas, tem bolas, cestos, tecidos e até revistas. A comida é servida a cada dia de uma forma diferente, como estímulo, e é incentivada a fazer trocas: ela se diverte em conseguir o que lhe interessa por meio de escambo. E tem preferências: “Um dos cuidadores, muito corpulento, é a pessoa predileta e ela lhe permite uma grande proximidade; gosta dos caras grandes”, sorri o veterinário Luis Mazzola. Ela é geralmente tímida. Quando sai, tende a ficar no fundo, entre pedras, olhando os visitantes com atenção. Mariana, a fotógrafa que a retratou para esta reportagem, teve que fazer várias tentativas e esperar horas para conseguir que Sandra se oferecesse à câmera.

Vale a pena ter paciência para observar os olhos de Sandra. Seu olhar impressiona.

Fonte: El País


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA!


Mesmo moderno, um zoológico será sempre uma prisão

Por Conceição Freitas

Todos os fins de semana, aos domingos especialmente, forma-se longa fila de carros uma das margens da EPGU, a Estrada Parque Guará. É a espera para entrar no Zoológico de Brasília. Ao redor das guaritas, um colorido de balões, bolas, cata-ventos, bichos infláveis, pipocas, balinhas. Dentro dos carros, um alarido de crianças ansiosas.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Elas não sabem e talvez demorem muito a saber mas o que as espera é um cenário de solidão. Um zoo é um espetáculo trágico que, aos poucos, as sociedades mais civilizadas vão desmontando ou mudando a destinação. O zoo é uma exposição da soberba da espécie que domina o planeta há pelo menos 200 mil anos.

E quem primeiro se vê, quem é mais visitado no zoo, é o maior animal que ainda habita a Terra, um monumento de carne, ossos e marfim. Pesa entre 4 a 6 toneladas, mede em média 4 metros de altura, consegue levantar até 10 mil quilos e está aprisionado como passarinho na gaiola. Diante da espécie bípede e falante, passarinhos e elefantes têm o mesmo tamanho da indiferença.

Belinha é uma elefanta viúva. Faz pouco mais de um ano que Babu morreu de infarto fulminante. Os dois vieram do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Quando me aproximei, ela comia lascas de um capim comprido e espesso. Havia, aos meus olhos, um certo desinteresse pela refeição, como quem espalhava a comida pelo prato querendo outra coisa que ali não estava.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Então ela parou de remexer os matos com a tromba, levantou a cabeça e tive a impressão de que me olhou fixamente. Percebi tristeza naquele olhão do tamanho de um abacate – mas talvez eu visse nele o que estava em mim. Em seguida, ela me deu as costas e seguiu vagando como um sem destino – não havia muito aonde ir.

Os recintos do zoo de Brasília são bem cuidados – muitos deles seriam facilmente adaptados para atrações de parques ecológicos. Têm até redes feitas de cascas de árvore. Laguinhos, áreas sombreadas, bicas da água com volume de pequenas cachoeiras, passagens subterrâneas, pequenas elevações, árvores, cipós de Tarzan, tramas de cordas. Vi até uma espécie de barra de levantar peso, toda em madeira.

No tempo em que lá estive, não vi nenhum animal nos seus playgrounds.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Chocolate é o outro elefante do zoo. Ele tem uma história triste – como se as demais não o fossem também. Por maltratado, foi retirado de um circo, há onze anos. Vive sozinho num castelo com as dimensões de uma mansão do Lago Sul. E um quintal do tamanho da Praça dos Cristais.

Embora herbívoro, o elefante está no topo da cadeia alimentar. Poucos são os predadores que ousam saborear um naco da carne elefantídea. Têm o domínio da savana; as fêmeas vivem em bandos; os machos adultos, solitários. Quando perdem os molares, já sabem que é hora de parar e esperar a morte. Sem os dentes, não têm mais como se alimentar. Daí a lenda de que elefante, percebendo o fim, sai à procura de um cemitério. Não é bem assim. Os velhinhos, acima de 60 anos, se juntam para morrer de fome.

Alguma alegria se vê no zoo quando uma espécie de ave (não achei placa de identificação), em grupo de uns 70, nada no laguinho, coladinhos uns aos outros, numa coreografia de desenho animado. Olham todos na mesma direção, viram-se todos ao mesmo tempo. Estão sozinhos, fora de seu habitat, mas estão juntos.

Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Há um silêncio de cemitério nos recintos dos mamíferos. Nenhum grunido, nem bramido, nem rugido. As zebras, os cisnes, até os macacos estavam amortecidos na tarde friorenta da quinta-feira do dia 27 de junho. Até o rinoceronte, com sua cabeçorra disforme – de quem Dali tanto gostava – até ele parecia um fantasma de si mesmo.

As crianças faziam “miau” para a jaguatirica, os adolescentes sentiam asco dos urubus, livres visitantes do zoo. Os adultos tentavam fotografar o urso que comia um quarto de melão.

Tentei ver o lobo-guará e não consegui. A espécie que tanto diz de nós, brasilienses, quando em liberdade vagueia por mais de 100 km noite adentro. Precisa de distância, silêncio e vazios – como a estranha espécie humana que habita Brasília.

O primeiro zoo de que se tem notícia existiu há 4 mil anos, no Egito. O de Brasília nasceu antes da cidade, em 1957, com um presente do embaixador indiano, a elefanta Nely. Morreu em 1994.

O zoológico da capital do urbanismo moderno tentou criar prisões um pouco menos cruéis para os animais. E tem seguido a trilha dos novos tempos, com educação ambiental, pesquisa, tratamento e guarda de animais que já não sabem o que é a liberdade.

Um zoológico parece a Terra depois que Noé partiu levando consigo todos os animais que pôde salvar.

Fonte: Metrópoles


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA!


Especialistas e senadores cobram mais rigor e mudanças na legislação em defesa dos animais

Por David Arioch

Na última terça-feira (25), os participantes da audiência pública da Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado cobraram mais rigor e mudanças na legislação em defesa dos animais no Brasil.

A diretoria da ViaFauna Consultoria Ambiental, Fernanda Abra destacou que o Brasil tem um índice extremamente preocupante de atropelamentos e mortes de espécies por causa de barreiras de bloqueios instaladas em rodovias, impedindo a travessia dos animais.

Participantes discutiram diversos pontos falhos na legislação brasileira em relação aos animais (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Ela cobrou ações urgentes e destacou que medidas simples e baratas podem poupar muitas vidas. Também citou a importância de mais investimentos em pesquisas transdisciplinares e o fortalecimento da chamada “ecologia das estradas”.

“Precisamos de rodovias mais sustentáveis, inovações tecnológicas e de uma visão integrada de todos os grupos de trabalho que acompanham esse processo. Eu gostaria que todos saíssem daqui certos de que há muitas maneiras para resolvermos esses problemas”, declarou.

O promotor de Justiça Luis Gustavo Patuzzi Bortoncello, do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, disse que o sistema jurídico brasileiro necessita de um trabalho preventivo em favor dos animais, até porque o Brasil lidera o ranking dos países que mais têm espécies ameaçadas de extinção. Bortoncello classificou o Brasil como “um verdadeiro desastre” em relação à proteção da fauna e meio ambiente.

“O número de espécies que as próximas gerações não vão conhecer cresce gradativamente, em progressão geométrica. O Estado brasileiro não pode mais ter um papel puramente reativo”, criticou.

Já a promotora de Justiça Monique Mosca Gonçalves, também do MPMG, classificou a liberação da caça no Brasil como retrocesso e lembrou que hoje as discussões sobre os direitos animais estão ganhando cada vez mais espaço e que já não estão restritas aos filósofos – o que ela considera resultado de uma evolução da sociedade que já demanda uma diferente interpretação jurídica do assunto.

“Hoje os animais são reconhecidos como detentores de dignidade própria, diferente da dignidade da pessoa humana. Mas precisamos encontrar uma forma de compatibilizar essas noções, inclusive flexibilizando algumas regras e com disposições mais claras”, defendeu.

Segundo a Agência Senado, Monique elogiou o PLC 27/2018, em tramitação no Senado, que torna os animais sujeitos a direitos. Mas criticou a falta de clareza sobre esses direitos no texto, dizendo que a lei não pode ser mera “cosmética conceitual”. A especialista também citou o PLS 631/2015, comentando que a proposta reconhece a necessidade de proteção dos animais somente no aspecto antropocêntrico (centrado nos humanos):

“Esse projeto tem um problema conceitual muito forte, apesar de trazer disposições mais específicas. Então, nenhum desses dois atende substancialmente as demandas que a gente precisa ter no sistema jurídico. Nós precisamos de uma legislação que traga efetiva mudança na forma de tratamento”, ponderou.

A audiência pública na Comissão de Meio Ambiente do Senado fez parte da programação “Junho Verde — o meio ambiente une”, que propõe debates sobre temas ambientais para estimular reflexões e instigar o Senado a assumir compromissos. O presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (Rede-ES), garantiu que todas as propostas apresentadas na audiência integrarão um projeto de lei de sua autoria.

O senador Jayme Campos (DEM-MT) comentou que há várias propostas legislativas em análise no Congresso sobre o bem-estar animal que sempre esbarram no mérito sobre os matadouros. O parlamentar questionou até que ponto o uso do termo “abate humanitário” seria apenas “eufemismo para adequação das regras” e alívio de consciências.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA!


Por pressão de entidades de defesa animal, cidades vetam passeios de charrete

Pressionadas por entidades de defesa animal, cidades paulistas têm proibido a circulação de carroças e charretes em áreas urbanas, mesmo em roteiros turísticos tradicionais. Em Aparecida, por exemplo, os passeios de charrete estão com os dias contados. O Ministério Público Estadual (MPE) entrou com ação civil contra a prefeitura, alegando que os cavalos sofrem maus-tratos.

Foto: Andressa Canejo

Na sexta-feira (28), 38 charretes com tração animal têm licença para passeio turístico com passageiros. Os animais, diz a Promotoria, são obrigados a puxar veículos com até seis pessoas e excesso de peso, além de haver uso de chicotes. Como exemplo, é citado um cavalo que desmaiou no asfalto por esforço excessivo. O MPE pede que as licenças sejam revogadas e os cavalos doentes ou idosos sejam colocados sob cuidados da prefeitura ou de órgãos de defesa animal.

A prefeitura disse que vai pedir à Justiça mais prazo para atender ao pedido e vai estudar um modo de manter os passeios turísticos com veículos sem tração animal. Também promete discutir alternativas de renda aos charreteiros.

O passeio de charrete é um tradição centenária na cidade, na qual está o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Um dos principais destinos dos charreteiros é o Porto de Itaguaçu, no Rio Paraíba do Sul, erguido no ponto exato onde a imagem da padroeira foi achada em 1717. As charretes chegam à beira do rio e os turistas aproveitam para fazer um passeio de barco.

“Os cavalos ficam lá atrelados ao veículo o dia todo, quando deviam ser soltos para descanso e alimentação”, diz Rosangela Coelho, ativista do Santuário Filhos de Shanti.

Esse santuário é mantido por doações e atua em Taubaté, Pindamonhangaba, Tremembé e mais cidades do Vale do Paraíba. Já resgatou muitos cavalos doentes. Um deles, a égua Shanti, resgatada em 2015, deu nome ao santuário, que abriga 50 animais vítimas de maus-tratos.

Em Taubaté, cidade da região, foi sancionada lei proibindo veículos de tração animal em vias públicas urbanas. A medida começou a vigorar em janeiro de 2018, mas, nesse caso, o MPE se moveu contra o veto, que afetava cerca de 300 carroceiros. O Tribunal de Justiça acatou a alegação de inconstitucionalidade e suspendeu a lei. Conforme a prefeitura, nova lei foi aprovada, restringindo o tráfego de carroças só na região central.

Em Campos do Jordão, passeios de charrete com cavalos não são proibidos, mas parte desses veículos foi trocada por tuk-tuks asiáticos. Restam cerca de 15 charreteiros, levando até três turistas por vez às cachoeiras, como a Ducha de Prata e a Véu da Noiva.

O ativista e ex-vereador Luciano Honório (Solidariedade) chegou a apresentar projeto de lei, há dois anos, para abolir as charretes, mas não conseguiu os votos necessários na Câmara de Campos do Jordão. “Fizemos grande mobilização e conseguimos 20 mil assinaturas. O projeto não passou, mas a prefeitura foi sensibilizada e mudou as regras para os charreteiros. Agora, charrete só anda em via sem asfalto e há fiscalização sobre os cuidados sanitários e com a alimentação dos cavalos”, disse.

Em São Roque, a Entrada dos Carros de Lenha, realizada anualmente, em agosto, desde 1881, correu o risco de ser extinta diante da pressão dos defensores da causa da animal. A madeira, doada à igreja, era transportada da zona rural para a paróquia em carroças e carros de boi. Em 2013, ativistas criaram uma página em rede social acusando os organizadores de maltratar os animais. Os veículos de tração animal tiveram de ser substituídos por tratores e caminhões para que a festa fosse mantida. Em agosto, alguns carros de boi foram admitidos no desfile, mas sem a carga de lenha.

A cidade tem tradição em corridas de charretes, o que também incomodou ativistas. Em outubro, dois homens foram flagrados em um “racha” de charretes em plena rodovia Raposo Tavares, entre Mairinque e São Roque. Atiçados pelos competidores, os animais chegaram a atingir velocidade de 50 km por hora e um dos cavalos acabou caindo no asfalto, sofrendo ferimentos. Um vídeo mostrando a queda do animal repercutiu nacionalmente. Os competidores foram identificados e respondem a processo por maus-tratos.

Em Sorocaba, a Semana do Tropeiro, encerrada com um desfile de cavaleiros e charretistas, resiste à pressão e as charretes permanecem.

Outros Estados

Em outros Estados, iniciativas semelhantes proíbem ou restringem o uso de veículos puxados por animais. No Rio, a lei 7.194/2016, sancionada pelo então governador Luiz Fernando Pezão (MDB), proibiu o transporte de cargas e pessoas em carroças ou charretes nos grandes centros, mas abriu exceção para áreas rurais e atividades turísticas. Assim, os cavalos e charretes foram mantidos na Praça dos Cavalinhos, na Tijuca, bairro da zona norte da capital, e na Ilha do Paquetá.

Em Petrópolis, cidade da região serrana do Rio, veículos de tração animal foram vetados após plebiscito em 2018, com 68,5% dos votos. A prefeitura disse que os charreteiros terão veículos elétricos para trabalhar, mas a medida ainda está em estudo. As charretes eram adotadas desde 1940 e ganharam o apelido de “Vitórias”, em homenagem à rainha da Grã-Bretanha.

Em Natal, Belém e Fortaleza, também foram adotadas leis que restringem ou proíbem veículos com tração animal na área urbana.

Fonte: Estadão

Nota da Redação: a ANDA é veementemente contra a tração animal, independentemente do peso transportado pelo animal. Isso porque forçar um animal a puxar charretes e similares depõe contra o direitos animais, já que coloca o animal em condição de submissão, impedindo-o de realizar as ações que ele mesmo julga necessárias para obrigá-lo a agir em benefício humano. É urgente que a sociedade entenda que os animais existem por propósitos próprios e que, portanto, não estão no mundo para servir aos seres humanos.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA!


Mulher usa pneus e cobertores fazer caminhas para cães abandonados

Uma cuidadora de animais, que há 12 anos acorda cedo pra cuidar dos amigos caninos que passam frio no Terminal de Barreirinha, em Curitiba (PR), improvisa camas com pneus velhos e cobertores para os cães.

Foto: Arquivo Pessoal

Cansada de ver diariamente os cachorros abandonados, ao relento, a vigilante Neusa dos Santos decidiu agir.

“Eu tinha que fazer alguma coisa. Alguém tinha que tomar uma atitude. E eu acho que essa missão era realmente minha. Hoje eu sou outra pessoa”, diz Neusa.

Os cachorros (Pitoco, Max e Zóinho) no início formavam uma turma de 10 amigos, mas com o tempo, o grupo foi diminuindo.

“Quando eu comecei a acolher, os animais eram dez. Agora, estamos só com três. Alguns foram adotados, outros morreram atropelados, infelizmente” conta.

“O Pitoco, por exemplo, perdeu a visão do lado esquerdo porque levou um chute de um passageiro. Muito triste”.

Foto: Arquivo Pessoal

Elogios

Funcionários do terminal e passageiros elogiam o trabalho dela. “Eu admiro demais o gesto da Neusa com os cães. Hoje em dia a gente não vê esse amor e essa atenção com os animais em qualquer lugar. Em diversos terminais de Curitiba o que se vê são animais largados, maltratados. Então, quando a gente se depara com uma cena dessa, dela trazendo todos os dias pela manhã o alimento, é uma coisa que não tem preço. Ela é um exemplo”, disse o vigilante Robson Santos Guimarães.

Além de cuidar dos cães no terminal, Neusa também leva alguns pra casa, para dar banho e faz passeios diários com eles.

Foto: Arquivo Pessoal

“Eu cuido porque eu amo os animais. Eu acho que quem não gosta de animal, sinceramente, não tem coração. Ainda mais os cães, que são fiéis com a gente”.

Mas a relação dela com os animais vai além. “Esses três aqui, por exemplo, sentem quando eu não estou bem. E eu também sinto quando alguma coisa ruim acontece com eles. A gente se ajuda. Enquanto eu estiver viva, eu vou cuidar deles”, disse Neusa.

Fonte: Portal Paraná Praia


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA!


Cavalo desmaia na rua ao puxar carroça lotada de turistas no calor

As imagens do vídeo comovente mostram o momento em que um cavalo desmaia na rua depois de ser forçado a puxar uma carroça cheia de turistas em um calor escaldante.

A filmagem foi compartilhada pela ativista dos direitos animais Julie Marie Cappiello, no vídeo são vistos duas pessoas trabalhando para libertar o cavalo do equipamento a que ele esta preso, cordas e arreios usados para puxar o vagão, enquanto ele permanece no chão após seu desmaio em Charleston, Carolina do Sul (EUA).

O relatório oficial descreve que o animal “tropeçou e caiu” no asfalto.

O cavalo em questão, chamado Big John, foi mais tarde recolhido da rua, colocado em pé novamente e depois se recuperou.

Os funcionários da Charleston Carriage, que exploram Big John, insistem que cuidam muito bem de seus animais e que sua saúde é regularmente monitorada.

Mas a testemunha Elizabeth Fort não aceitou a versão do relatório e pediu um exame imparcial do que aconteceu com Big John.

Uma mulher que narra o vídeo pode ser ouvida dizendo “Crianças na carruagem”.

O cavalo caiu.

“Ele não deveria estar trabalhando. Inacreditável”.

As pessoas que trabalham para desamarrar o cavalo quase foram atropeladas por um carro passando, com alguém que ouviu dizer: “Danem-se todos” em resposta.

Trabalhadores do Corpo de Bombeiros de Charleston podem ser vistos chegando ao local, com a mulher que esta filmando pedindo aos presentes que parem de acariciar o cavalo e deixem-no em paz.

O clipe termina com o cavalo ainda deitado na rua. As temperaturas na cidade ficaram em torno de 30C neste verão.

O vídeo de Cappiello foi compartilhado 62 mil vezes, com milhares de comentários em que pessoas acusavam os donos da empresa de passeios e as pessoas que estavam na carruagem e que participaram e colaboram para este tipo de crueldade.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.