Pássaros se comunicam com seus irmãos ainda dentro dos ovos

Por Rafaela Damasceno

Uma recente pesquisa descobriu que os pássaros são capazes de se comunicar com seus irmãos mesmo antes dos ovos eclodirem. Além de ouvir os alertas de aves adultas, eles também transmitem para seus irmãos.

Um ninho de passarinho com alguns ovos dentro

Foto: Pixabay

O intuito da “conversa” é avisar os companheiros dos perigos iminentes, para que não tentem sair dos ovos.

Para a experiência, os biólogos separaram alguns ovos do ninho e expuseram alguns aos sons de alerta de aves adultas. Depois, juntaram os ovos novamente. Aqueles que foram expostos aos sons tendiam a vibrar mais na incubadora do que os outros.

Aqueles que foram expostos aos sons também demoraram mais a eclodir que seus companheiros que ouviram apenas o silêncio. Eles também não produziam ruídos e permaneciam agachados ao nascerem, um mecanismo de defesa da espécie.

Eles também apresentaram níveis mais altos de hormônios do estresse e menos cópias de DNA mitocondrial nas células. Isso indica que as aves têm capacidade de responder ao perigo, mas ao custo de deficiências em seu armazenamento de energia e uma capacidade produtiva celular reduzida.


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País de Gales abre seu primeiro supermercado vegano

Por Rafaela Damasceno

O País de Gales recentemente inaugurou o seu primeiro supermercado vegano, no Reino Unido, chamado Kind Earth (Terra Gentil). O estabelecimento abriu depois de receber uma concessão do Conselho do Condado de Carmarthenshire.

Várias pessoas comendo comidas saudáveis em baixo de um toldo

Foto: Livekindly

O supermercado vende alimentos veganos orgânicos cultivados localmente. Entre os produtos, também são oferecidos cupcakes, biscoitos, tortas, pastéis, salgadinhos, petiscos de cachorros – tudo vegano.

Também é oferecido aos clientes as “beebombs” (bombas de abelha), que é uma mistura de 18 sementes de flores britânicas misturadas no solo fino e um pouco de argila local. Elas não são para comer: devem ser espalhadas no chão para criar uma espécie de unguento que atrai e sustenta as abelhas.

Em seu Instagram, o Kind Earth declarou que ama as abelhas e que mal poderia esperar para comercializar as beebombs, para que pudessem ajudar a biodiversidade da região. Elas também serão oferecidas como um bônus, dependendo do gasto do cliente.

Além de vender produtos veganos, o estabelecimento também se esforça para se ver livre do plástico – apenas sacolas de papel são oferecidas aos compradores. O local administra um esquema de reciclagem e promove eventos e oficinas sobre sustentabilidade.

“A loja não é só um supermercado vegano, ela também oferece aos clientes iniciativas que podem nos tornar uma comunidade mais sustentável e saudável”, afirmou o dono Kind Earth, Matt Rogerson.

A inauguração de estabelecimentos veganos demonstra o crescimento da demanda. As pessoas estão procurando cada vez mais por alimentações saudáveis e se comprometendo com estilos de vida livres de crueldade.


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Dezenas de baleias encalham e retornam ao mar com ajuda de banhistas

Por Rafaela Damasceno

Uma multidão de voluntários – entre eles famílias inteiras, crianças e turistas – se juntou para uma operação improvisada na Ilha de St. Simon, nos Estados Unidos, para salvar cerca de 30 baleias. Os mamíferos encalharam na região da Geórgia e três delas morreram, mas o restante retornou ao mar com segurança, segundo o Departamento de Recursos Naturais da Geórgia (DNR).

Uma baleia cinzenta espreita sobre a água

Imagem ilustrativa | Foto: Portal dos Animais

O biólogo especialista em baleias da DNR, Clay George, disse que os animais foram mortos depois que foi constatado que não conseguiriam voltar ao mar. “O encalhe é uma ocorrência natural, e a única coisa que podemos fazer é continuar empurrando para o mar”, afirmou.

Os mamíferos foram avistados no dia seguinte em uma corrente marítima perto do porto. Rick Lavender, porta-voz da DNR, disse que os ambientalistas da Fundação Nacional dos Mamíferos Marinhos seguiram as baleias em um barco para garantir que estavam seguras e permaneceram no mar. Um helicóptero também foi designado para sobrevoar a costa à procura de mais baleias encalhadas, mas nenhuma foi encontrada.

A operação de resgate foi filmada por um morador local e postada no Facebook. O vídeo mostra pessoas de todas as idades se movendo para ajudar a empurrar. “É tão triste”, disse o autor do vídeo, Dixie McCoy, em um ponto da gravação. “Elas vão morrer se não eles não conseguirem ajudar”.

Mas os banhistas não desistiram. Um a um, os banhistas jogaram água sobre os animais – alguns dos quais gritavam de desespero – e empurraram, arrastaram e rolaram as baleias para as águas mais profundas.

Além dos banhistas, pessoas do Centro de Tartarugas Marinhas da Geórgia, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica e da DNR também ajudaram no resgate.

George, o biólogo, disse que as baleias provavelmente ficaram confusas por algum motivo, já que normalmente nadam em uma região há 100 milhas da costa (quase 170 quilômetros).

Mudanças climáticas

O número de baleias encalhadas é o maior em 20 anos e intrigou especialistas, que buscam uma resposta. Até agora, a explicação mais provável é que as mudanças climáticas que causaram o aquecimento dos oceanos podem estar contribuindo para isso.

Os especialistas acreditam que a quantidade de baleias aumentou, mas a comida diminuiu. Uma corrente de água morna começou a se formar no nordeste do Oceano Pacífico em 2013, destruindo consideravelmente a cadeia alimentar oceânica. Além disso, o gelo do mar recua com o clima quente, forçando as baleias a nadarem mais para o norte em busca de comida.

Depois, quando iniciam a migração para o sul, o caminho é ainda mais longo e a gordura não é suficiente para sustentá-las durante a jornada (as baleias não comem quando estão migrando para o sul).

Elas acabam morrendo, muitas vezes, e encalhando nas praias. Em outros casos, as mudanças ocorrendo no mar podem confundi-las, o que as faz nadar em direção a lugares que não costumam ir.

Frances Gulland, membro da Comissão de Mamíferos Marinhos, demonstra preocupação com as mudanças e os motivos dos encalhes. “As pessoas precisam acordar para o fato de que todos os lugares são impactados pelas mudanças climáticas”.


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‘Direitos animais andam de mãos dadas com direitos humanos’, defende o coletivo Feminivegan

Com o objetivo de unir as lutas pelos direitos dos animais e das mulheres, e também abordar temas relativos aos trabalhadores, surgiu o coletivo Feminivegan. Através das redes sociais, o grupo dissemina informações para conscientizar a população. Para explicar melhor a proposta do Feminivegan, o coletivo deu uma entrevista exclusiva à ANDA. Confira abaixo.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: Há quanto tempo o coletivo existe e como surgiu a ideia de criá-lo?

Feminivegan: O coletivo existe desde 11 de março de 2018. A ideia surgiu depois que Ana Motha sentiu a necessidade de trazer mulheres feministas para o veganismo, de mostrar para as pessoas que é possível, que é acessível e que pessoas periféricas podem ser veganas. O veganismo sempre foi um movimento político, sempre teve um viés anticapitalista. Mas com o passar dos anos, com o avanço do liberalismo, de ONGs neoliberais bem-estaristas, foi perdendo a essência e se tornando uma dieta da moda.

ANDA: Há uma relação entre os direitos dos animais e das mulheres que levou a junção das duas causas no coletivo? Se sim, qual?

Feminivegan: Sim, o fato de que toda a indústria que explora os corpos dos animais é sustentada pelo corpo de uma fêmea não humana, com inseminações artificiais, por exemplo. Como nossa capacidade reprodutiva é controlada, como no caso das mulheres que trabalham no setor frigorífico, que muitas vezes têm gestações controladas, para não atrapalhar a produção. Para nós, os direitos animais andam de mãos dadas com os direitos humanos, ou derrubamos o capitalismo e libertamos todos, ou nada mudará.

ANDA: Quantas pessoas integram o feminivegan? Vocês costumam se reunir para debater temas relativos ao coletivo?

Feminivegan: Atualmente, não temos um número certo. Passamos por uma “reforma”, e agora, estamos em fase de formação de novas integrantes, que ainda não são consideradas membros do Femini. No total, são 69 mulheres no grupo de formação. Sim, nos reunimos e realizamos oficinas de militância.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: O que é o “ecofeminismo”?

Feminivegan: O Ecofeminismo é a quinta corrente apontada por Karen Warren, no final da década de 80 do século XX, ou o que ela chama de feminista transformativa, enfatizando as diferentes conexões entre a opressão exercida pelos homens sobre a natureza (naturismo) e a opressão exercida pelos homens sobre as mulheres (machismo).

Referência: A perspectiva ecoanimalista feminista antiespecista, Sônia Teresinha Felipe.

ANDA: O trabalho desenvolvido pelo coletivo nas redes sociais tem sido bem aceito?

Feminivegan: Sim, recebemos muitas mensagens de apoio e de interesse em participar do coletivo.

ANDA: Quais temas são debatidos pelo coletivo no Instagram?

Feminivegan: Direitos animais, direitos das mulheres e da classe trabalhadora.

ANDA: Além das redes sociais, vocês atuam de alguma outra forma?

Feminivegan: Passamos por uma “reforma” para que isso aconteça. Desde a criação do coletivo, nossa intenção era levar o veganismo para as ruas, para as periferias. Agora, com tudo resolvido, pretendemos realizar trabalhos voluntários em escolas e com pessoas em situação de rua.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: Como vocês se sentem estando à frente deste projeto?

Feminivegan: Nos sentimos felizes, fazendo o que muitas mulheres fortes fizeram no passado, mas que não tiveram tanto espaço. Esperamos fazer a diferença, sair do discurso e mudar a vida de muitas pessoas.

ANDA: De que forma um coletivo que une os direitos das mulheres aos dos animais em uma luta única traz benefícios para a sociedade?

Feminivegan: O Femini além de defender os direitos dos animais e das mulheres, é anticapitalista. Acreditamos que libertar animais não humanos, sem uma mudança no sistema não resolve os problemas do mundo. Atualmente, temos um governo amparado pela bancada ruralista, que além de explorar animais humanos e não humanos, nos envenena dia a dia com milhares de agrotóxicos, por exemplo. Ou seja, libertar animais considerados de produção, sem libertar os trabalhadores, sem libertar humanos, não muda nada. Por isso, lutamos por soberania alimentar para a classe trabalhadora, lutamos pelo direito das pessoas escolherem o que querem comer, mas sabendo de tudo que envolve aquele alimento. A classe trabalhadora conscientizada tem nas mãos o poder de libertar os animais, parando a produção dos frigoríficos, parando o transporte dos animais, etc. Esse é o nosso trabalho na sociedade, fazer as pessoas despertarem!