Príncipe William critica o tráfico e caça de animais selvagens

Por Rafaela Damasceno

O príncipe William, da Inglaterra, descreveu o tráfico e a caça de animais selvagens como um “crime maligno”. Sua crítica não se deve à prática em si, mas ao descumprimento da lei – já que a caça “legal” é uma de suas paixões.

Príncipe William usando terno e óculos escuros

Foto: Twitter

A declaração do príncipe foi feita na primeira reunião da força-tarefa da United For Wildlife. Liderada por William, a organização tem como objetivo lutar para salvar espécies ameaçadas como elefantes, rinocerontes, tigres e pangolins.

“Vamos fazer tudo o que pudermos para evitar a extinção das espécies mais fantásticas do mundo, ameaçadas pela caça ilegal e redes criminosas”, declarou.

Ele afirma que esteve presente em várias reuniões ao longo dos anos, onde todos discutem a importância de acabar com o comércio da vida selvagem. “Devemos começar a ver as pessoas envolvidas nesse crime maligno atrás das grades”, completou.

Apesar do forte repúdio do príncipe ao tráfico de animais e à caça ilegal perante a lei, a Família Real é constantemente criticada pela sua conhecida paixão pela caça (principalmente de raposa). A incoerência de seu discurso perante suas atitudes não pode deixar de ser notada pelo público, que rejeita o apoio que ele demonstra ter em relação a apenas alguns animais.

Em 2014, o antigo vocalista da banda The Smiths, Morrissey, criticou o príncipe por lançar uma campanha em favor dos animais logo após ter viajado para caçar javalis e veados, na Espanha.

O cantor ainda afirmou que William era ignorante demais para perceber que os animais como tigres e rinocerontes estão quase extintos porque pessoas como ele os atacaram continuamente em nome do esporte e da violência.


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Miley Cyrus faz discurso apaixonado em prol do meio ambiente

Foto: NME/Carolina Faruolo

Foto: NME/Carolina Faruolo

No final do Festival Tinderbox em Odense, na Dinamarca, no mês passado, a artista responsável pelo album “She Is Coming” falou sobre a poluição dos oceanos em um apelo explícito à ação imediata e ao ativismo.

“Todos vocês sabem o quanto é importante que todos vocês se envolvam na política”, disse Cyrus. “A juventude, esta geração, nós somos a última esperança neste planeta moribundo. Ele está implorando para que nós limpemos os oceanos”.

Sua mensagem pró-ambiente foi recebida com aplausos da multidão, relata a iHeart Radio.

A estrela pop de 26 anos de idade continuou: “Eu não aceito que haja mais lixo na água do que animais vivos que merecem por direito estar lá, que não têm mais para onde ir. E pelo jeito, nós não temos nenhum outro lugar para ir também! Não há planeta B, então não fique sem fazer nada!”.

O estado dos oceanos

Cyrus está certa – não há “Planeta B.” A poluição dos oceanos chegou à linha de frente das mensagens dos ambientalistas. Estima-se que haja bilhões de quilos de lixo na água, colocando em risco a vida das aves marinhas e da vida marinha em geral, que ingerem ou se emaranham no lixo. O Centro para a Diversidade Biológica estima que o lixo plástico superará os peixes até 2050.

Enquanto as proibições de plástico de uso único se tornaram um símbolo da preservação dos oceanos, estima-se que as redes de pesca, e não os canudos, constituam 50% do lixo.

Miley ativista

Cyrus segue uma alimentação vegana, então o peixe está fora de seu prato. A fashionista frequentemente fala sobre os animais quando fala sobre suas escolhas de guarda-roupa.

“Eu quero trazer uma mensagem, que é o veganismo, e que não tem que existir nenhuma forma de tortura para fazer uma moda fabulosa”, disse ela no ano passado no Met Gala, onde a cantora usou um vestido da designer de moda sustentável Stella McCartney e sapatos personalizados MINK.

Garantir que suas escolhas de roupas tenham impacto mínimo no planeta é muito importante para ela.

“Escolher viver como uma ativista vegana sustentável significa usar mais vintage (menos desperdício; usando as roupas por mais tempo)”, disse ela em entrevista à Vanity Fair.

“Brincando com os mais novos materiais ecológicos e tecnologia, e fazendo peças veganas personalizadas com alguns dos meus designers favoritos.”

Durante seu show de Glastonbury 2019 no mês passado, Cyrus usou botas veganas feitas sob medida pela Bradley Kenneth, misturadas com calças de vinil, uma regata branca e acessórios vintage.

Cyrus também fala regularmente sobre outras questões sociais, como lacunas salariais e discriminação contra a comunidade queer. A cantora refere-se a si mesma como “gender fluid”(identidade de gênero em que o gênero varia) e é pansexual. Falando sobre seu casamento com o ator vegano Liam Hemsworth, ela disse à Vanity Fair: “Estamos nos redefinindo, para sermos francos, parece estranho para as pessoas que uma pessoa queer (livre de definições de gênero) como eu eu esteja em um relacionamento hetero. Uma grande parte do meu orgulho e minha identidade é ser uma pessoa queer”.

O videoclipe recente da estrela vegana, “Mother Daughter”, mostra pessoas de diferentes tamanhos, habilidades, cores, formas e expressões de gênero.

O discurso do Tinderbox Festival de Cyrus incluía uma mensagem adicional:

“Disseram-me nos bastidores que eu poderia ofender algumas pessoas chamando meu país de lixo”, acrescentando: “Meus amigos que são gays, se sentem inseguros para andar na rua”.

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Natalie Portman faz discurso pró-vegano para milhares de estudantes em Los Angeles

Por David Arioch

“A coisa mais linda que você pode fazer é se importar, deixar seu coração aberto até que a dor do outro pareça a sua própria” (Foto: We Day California/Divulgação)

A atriz Natalie Portman discursou na última quinta-feira para 16 mil estudantes no We Day California, realizado em Los Angeles. Ela aproveitou a oportunidade para fazer um discurso pró-vegano.

“Laticínios e ovos não vêm apenas de vacas e galinhas, vêm de fêmeas. Estamos explorando corpos femininos e abusando da magia das fêmeas para obter ovos e leite”, declarou a atriz, deixando claro que ela acredita que é importante que mulheres que são feministas considerem que na exploração animal também há subjugação de fêmeas.

“As mães são separadas de seus filhos por causa do leite. Os animais adoecem e são mantidos em condições de superlotação para produzirem laticínios e ovos. Não é preciso muito para traçar uma linha entre a maneira como tratamos os animais e os humanos”, enfatizou.

Natalie Portman disse que se tornou vegetariana muito cedo por causa da sua relação com os animais, mas que há alguns anos optou pelo veganismo porque percebeu que seria realmente a melhor forma de causar menos impacto no planeta.

Ela recomendou que os estudantes não deixem os pessimistas desmotivá-los. “Então, muitas pessoas zombam dos veganos, certo? Muitas pessoas zombam de alguém que se preocupa com alguma coisa profundamente, certo?”, frisou.

E continuou: “A coisa mais linda que você pode fazer é se importar, deixar seu coração aberto até que a dor do outro pareça a sua própria, se importar tanto que você gaste seu tempo certificando-se de que a mudança está acontecendo, e é por isso que todos vocês estão aqui hoje. Quer se trate de questões ambientais, direitos animais, direitos das mulheres, igualdade, nunca tenha medo de mostrar o quanto se importa.”

No ano passado, Natalie Portman narrou o documentário “Comer Animais”, inspirado no livro homônimo de Jonathan Safran Foer, voltado à discussão sobre a agropecuária industrial, que representa 99% de todos os animais criados para consumo nos Estados Unidos, incluindo carnes, ovos e laticínios.

Em 2018, ela também gravou um curto vídeo em defesa dos direitos animais. Natalie aparece falando sobre o escritor polonês Isaac Bashevis Singer, vencedor do Nobel de Literatura que foi um dos maiores divulgadores do vegetarianismo e dos direitos animais no universo literário e judaico do século passado.

Além de afirmar que não se tornou vegetariano pela sua saúde, mas sim pela saúde dos animais, Singer fez uma declaração, como bem citado por Natalie Portman no vídeo, que chamou bastante atenção quando a sua autobiografia “Shosha” foi lançada em 1978:

“Nós fazemos com as criaturas de Deus o que os nazistas fizeram conosco.” Isaac Bashevis Singer e sua família, que conheceram as consequências do Holocausto, viveram na mesma região da Polônia que a família de Natalie. Singer até hoje é considerado um dos maiores escritores judeus de todos os tempos.