Mais de 10 milhões de animais são mortos em dissecações anualmente

Foto: PETA

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Apesar dos avanços na tecnologia realizados em todo o mundo com o objetivo de melhorar a formação e o treinamento de médicos, os alunos do ensino fundamental e médio nos EUA ainda são solicitados (e às vezes forçados) a abrir e dissecar animais mortos em laboratórios de dissecação arbitrários e desnecessários.

Na verdade, milhões de animais tais como sapos e peixes – que são retirados de seus lares na natureza – são mortos por esse motivo e com essa finalidade. E esse fato se dá apesar de empresas de simulação de organismo, impressionantes e modernas, como eMind, Froggipedia, MERGE, SynDaver e outras oferecerem opções de alta tecnologia e éticas para substituir o uso de animais.

A ONG PETA, em conjunto com Ash Kalra, membro da Assembléia da Califórnia, mais o Comitê de Médicos para a Medicina Responsável e a Instituição para Compaixão Social na Legislação – recentemente apresentaram uma lei histórica para acabar com a dissecação nas salas de aula do ensino médio e substituí-la por métodos mais modernos e eficazes de ensino com custos menores, mais seguros e que não usam animais.

Educadores, cientistas, médicos, enfermeiros, estudantes, pais e até mesmo um biólogo molecular mostraram seu apoio – junto com mais de 3 mil outros membros da população. O projeto conta com o apoio de grupos progressistas de professores – como o Comitê de Educação Humanitária da Federação dos Professores das Nações Unidas, o Instituto de Educação Humanitária e a Associação Nacional de Médicos Hispânicos que representam mais de 50 mil médicos hispânicos licenciados em todo o país.

Embora o projeto de lei ainda não tenha passado (faltando apenas um voto), esse exemplo serve parar inspirar o mundo todo, sendo um enorme passo à frente para informar o público que a dissecação de animais é cruel, desnecessária e cara – e a luta pelos direitos desses animais à vida é legítima e necessária.

Apesar do discurso de alguns professores aos estudantes, a maioria dos animais usados para dissecação não morre “humanamente”. Uma investigação da PETA em uma empresa fornecedora de amostras biológicas, Bio Corporation, mostrou pombos sendo afogados em caixas e lagostins sendo injetados com látex enquanto ainda estavam vivos.

A dissecação animal não é apenas tão antiquada quanto usar um ábaco para aprender matemática como pode até dissuadir os alunos de praticar ciência. Muitos adultos, médicos entre outros profissionais, e estudantes de hoje em dia, se lembram da época em que foram solicitados a cortar um gato, porco, sapo ou outro animal – o quão incômodo e tóxico o formaldeído (um conhecido agente cancerígeno) cheirava nos corredores e como eles eram muitas vezes intimidados ou provocados por se colocar contra ou argumentar contra a dissecação.

A dissecação não tem lugar na sala de aula moderna – esse método retrógrado deve terminar. Diversos esforços legislativos, doações às escolas para substituí-los e apoio de estudantes que dizem não ao corte de animais mortos estão acontecendo simultaneamente nesse sentido.

Usar animais e tirar suas vidas para uma aula única que a maioria dos alunos sequer leva a sério e considera uma piada deve ser preocupante para pais e educadores que desejam ver padrões elevados de educação e ensino – além do fato desse método ser altamente especista.

Tratar animais sensíveis e inteligentes como sapos, porcos, ratos, tubarões, pombos e outros como se fossem simples ferramentas de sala de aula para serem mortos, cortados e descartados é antiético e ensina aos alunos a lição errada: que aqueles que são diferentes de nós são menos digno de consideração e respeito.

Dissecação virtual de animais poderá estar disponível em breve nas escolas

A dissecação animal é uma técnica arcaica vinda de uma época em que os seres humanos pouco sabiam sobre a anatomia dos animais.

Foto: John J. Watkins | The Times

Avanços tecnológicos e o aumento progressivo do entendimento sobre a sensibilidade animal vêm expondo que a dissecação animal é obsoleta, perigosa e antiética.

Segundo a PETA, diversos documentos comprovam os vários benefícios dos métodos que não envolvem animais, como a dissecação digital.

Parece que finalmente empresas e pessoas entenderam a crueldade por trás das desculpas educacionais. A Apple já lançou aplicativo para dissecação de sapos virtual e que pode poupar milhares de vidas.

Em Indiana, nos Estados Unidos, a deputada estadual Ragen Hatcher, D-Gary, tenta conseguir levar as escolas do estado por esse caminho.

Hatcher é autora do House Bill 1537 que, se aprovado, exigirá que todas as escolas públicas, charter e privadas de Indiana desenvolvam políticas e programas que forneçam uma alternativa à dissecação de animais para qualquer aluno que a solicite.

“É desumano matar animais apenas para o estudo”, disse Hatcher. “Especialmente hoje, há tanta tecnologia que podemos dissecar em uma tela e ter o mesmo impacto que se você fizesse isso pessoalmente. Essa é a coisa certa a fazer.”

De acordo com o seu plano, um aluno poderá optar por não participar de qualquer parte de um curso que inclua dissecação de animais, vivissecção, incubação, inflição de danos, captura, cirurgia, experimentos ou destruição. As informações são do NW Times.

As escolas, então, seriam obrigadas a fornecer um projeto educacional alternativo que oferecesse o mesmo conhecimento ao aluno, como a visualização de uma dissecação virtual ou o estudo de um modelo portátil de um animal dissecado.

A medida também proíbe escolas de penalizarem o estudante de qualquer forma por escolher não participar do uso em sala de aula de animais vivos ou mortos.

Hatcher disse que sabe que algumas escolas já permitem que os alunos optem por não fazer dissecações e outros estudos relacionados a animais.

Ela também disse que sua mãe há duas décadas enviou uma nota sobre isso a sua professora no ensino médio, então Hatcher não precisou dissecar um sapo.

A legislação especifica que ela se aplica particularmente a rãs, gatos, porcos fetais e minhocas, que, segundo Hatcher, são os animais mais comumente dissecados nas escolas de Indiana.

“Espero que eles não voltem e comecem a usar gopher ou algo assim”, brincou ela.

Hatcher disse que não procurou professores da Região antes de apresentar sua proposta. Embora ela tenha dito que os grupos de direitos animais a estejam apoiando.

Em 2015, a Thea Bowman Leadership Academy, uma escola charter de Gary, substituiu a dissecação de animais em seus cursos com o software Digital Frog doado pela PETA.

O software permite aos alunos dissecar rãs virtuais e contém animações do corpo vivo, comparações lado-a-lado de diferentes espécies e módulos sobre como os sapos soam e onde vivem.

“A decisão da escola de substituir a dissecação crua de animais poupará a vida de inúmeros sapos, economizará a escola e proporcionará aos alunos uma experiência de aprendizado mais efetiva e humana”, disse Justin Goodman, diretor de investigações laboratoriais da PETA.

A proposta de Hatcher está aguardando revisão pelo Comitê de Educação da Câmara, controlado pelos republicanos.

Polêmica no Brasil

Em 2012, um professor gerou polêmica na Escola Estadual Edmundo Pinheiro de Abreu, no Bairro São Francisco, em Goiânia, ao matar e dissecar dois coelhos em sala.

Muitos alunos, se recusaram a participar da aula mas não foram penalizados.

Na época, a Secretaria Estadual de Educação informou que uma lei federal permitia esse procedimento apenas em escolas de níveis superior e técnico, mas, como cada instituição de ensino em Goiás tinha seu próprio regimento, isso dificultava a fiscalização.