Mais de 3 mil animais mortos foram encontrados em rodovias em 2018

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do Distrito Federal recolheu 3.011 corpos de animais mortos em 2018. No ano anterior, foram 2,9 mil recolhidos. Dentre eles estão cavalos, cachorros, bois e lobos-guará, que foram as principais vítimas. A causa da morte costuma ser atropelamento.

(Foto: PMDF/Divulgação)

Quando a morte é constatada, o animal é retirado do local por servidores do SLU. Se sobrevive, ele é levado pela Polícia Militar Ambiental ao Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB), onde recebe os cuidados necessários. Antes, porém, eles passam pelo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas), na Floresta Nacional de Brasília. As informações são do Correio Braziliense.

“Ano passado, atendemos uma fêmea de sagui que tinha acabado de ser atropelada. Ela estava grávida e muito ferida. Apesar de tudo que fizemos, ela não resistiu e, como os filhotinhos ainda estavam em fase de formação, todos morreram”, lamenta Líria Queiroz Luz Hirano, médica do Hospital Veterinário da UnB e professora da universidade. A maioria dos animais que chegam à unidade, segundo ela, é vítima de atropelamento, choque elétrico ou agressão dos tutores.

No Vale do Amanhecer, em Planaltina, onde mora Iara Francisca Rodrigues da Silva, de 42 anos, é comum ver cavalos andando solto às margens das rodovias, segundo a moradora.

“Vira e mexe, aparece um animal morto na pista. Por isso, a gente tem que redobrar a atenção, principalmente em estradas mais escuras, sem iluminação”, conta a professora. “Há animais soltos e mortos em todas partes, como no Jardim Roriz, no Setor da Estância, em Arapoanga. É cachorro, vaca, galo”, completa.

Segundo a diretora da Associação Protetora dos Animais do DF (ProAnima), Mara Moscoso, a maior parte dos animais é tutelada por pessoas que não se preocupam em cuidar deles de forma adequada.

“No geral, esses atropelamentos são devidos à irresponsabilidade dos tutores, que não entendem que os animais não têm consciência dos perigos de uma pista”, observa Moscoso, que faz um alerta para o risco de acidentes. “Muitos condutores ignoram as placas de aviso de animal na área e não diminuem a velocidade, negligenciando os relatos de acidentes graves envolvendo atropelamentos de animais. Atenção ajuda os dois lados”, ressalta.

Ações de monitoramento de fauna na área da obra de implantação do Trevo de Triagem Norte são feitas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), que instalou controladores de velocidade na BR-020 recentemente, diminuindo o limite para 60 km/h em pontos com maior chance de ocorrerem atropelamentos de animais.

Maus-tratos

Dez ocorrências de maus-tratos a animais foram registradas em janeiro nas delegacias do Distrito Federal. A maior parte é composta por denúncias anônimas.

“É importante que a denúncia seja realizada, tanto pelos canais de denúncia ou, formalmente, nas delegacias de área, para atuação efetiva da polícia”, explica o delegado Marinho Neto, chefe da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à ordem Urbanística.

Também em janeiro foram resgatados 374 animais silvestres que, segundo o comandante do batalhão, Major Souza Júnior, “se perderam por causa da invasão de áreas urbanas em seu habitat” e 811 animais vítimas do tráfico.

A Polícia Federal resgatou, há duas semanas, 160 pássaros silvestres que estavam com um passageiro que tentava embarcar no Aeroporto Internacional de Brasília. Trazidas de Boa Vista, em Roraima, as aves seriam levadas para São Paulo. Da espécie canário-da-terra, elas estão ameaçadas de extinção.

O homem, de 55 anos, foi detido no saguão do terminal após outros passageiros acionarem a polícia. Levado à Superintendência da Polícia Federal, ele foi autuado por crime ambiental e assinou um termo se comprometendo a comparecer à Justiça quando solicitado. Em seguida, foi liberado. Não há informação sobre o estado de saúde dos animais, tampouco sobre a possibilidade de alguns deles terem se ferido ou morrido. As aves foram levadas para a sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

Adoção

O Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) disponibiliza para adoção animais domésticos resgatados em ações policiais. Para isso, foi lançado, em junho de 2018, o “WhatsApp Adoção”, serviço que pode ser acessado pelo telefone 99351-5736.

Para adotar um animal, é preciso preencher uma ficha cadastral e participar da lista de espera para adoção. “A partir do momento em que a pessoa encaminha o pedido, nós avaliamos se ela tem capacidade de manter o animal, oferecer comida, espaço e carinho”, explica o major Souza Júnior.

Já foram adotados, em seis meses de funcionamento do serviço, 272 animais, sendo 20 gatos e os demais cães.

Vídeo: tamanduá-bandeira é encontrado em casa no Distrito Federal

Um tamanduá-bandeira foi encontrado em uma casa no Distrito Federal na quarta-feira (27). Após ser acionado, o Batalhão Ambiental da Polícia Militar esteve no local e fez o resgate. O animal estava em uma residência na QI 29 do Lago Sul.

(Foto: Divulgação: PMDF)

De acordo com os agentes, o animal silvestre, típico do cerrado brasileiro, não apresentava ferimentos. Ele foi resgatado em segurança para que pudesse ser devolvido à natureza em uma área preservada do Jardim Botânico.

Em 2018, 2.346 animais foram resgatados em casas e ruas do Distrito Federal. A maior parte deles era répteis e mamíferos. Em 2017, o número de resgates foi de 2.183. As informações são do Correio Braziliense.

“Os casos de resgate se referem a quando espécies do cerrado se perdem por causa da invasão de áreas urbanas em seu habitat natural. Já os números de apreensões se referem a delitos, como tráfico e criação irregular”, explica o comandante do batalhão, Major Souza Júnior.

Ao encontrar um animal silvestre no Distrito Federal, o morador deve acionar o Batalhão Ambiental para fazer o resgate e a transferência para local adequado através da Central 190 ou do telefone (61) 99351-5736.

Cães explorados em canil são resgatados após maus-tratos no DF

Nove cachorros explorados para reprodução e venda em um canil irregular no Distrito Federal foram resgatados após serem submetidos a maus-tratos. Os animais eram mantidos em um ambiente sem higiene, com urina e fezes. Eles também “não dispunham de água fresca nem alimentação disponível”, segundo a Polícia Militar. Os cães estavam em uma casa na QR 208, em Santa Maria.

Foto: PMDF/Divulgação

O dono do canil assinou um termo circunstanciado de ocorrência na sexta-feira (15) e se comprometeu a comparecer em juízo quando solicitado. Ele deve responder pelo crime de maus-tratos a animais em liberdade. Isso porque, de acordo com o Código Penal, trata-se de uma infração de “menor potencial ofensivo”, com pena de até um ano de detenção, que costuma ser substituída por punições alternativas. Por isso, mesmo com flagrante, os infratores não são presos.

No local, viviam oito cachorros da raça shih tzu e um chow chow. Foram encontrados também os corpos de cinco filhotes mortos, dentro de uma sacola de lixo. O proprietário do canil irregular afirma que os cães “morreram de forma natural”. As informações são do portal G1.

Em relação à sujeira do local, o homem alegou que o canil estava em processo de mudança para uma nova sede em Novo Gama (GO). “Devido a isso não estaria zelando pelos animais”, revelaram os policiais.

Os cães foram encaminhados para a ONG Projeto São Francisco, que os disponibilizará para adoção responsável após serem tratados. Eles receberam os primeiros cuidados veterinários e foram alimentados.

Foto: PMDF/Divulgação

Denúncias

Para denunciar casos de maus-tratos a animais no Distrito Federal, deve-se recorrer à Ouvidoria do Governo de Brasília pelo telefone 162 ou através do site http://www.ouv.df.gov.br.

Outra opção é a Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema), que pode ser acionada pelo 197, pelo  WhatsApp (61) 98626-1197 ou pelo e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br. O Batalhão Ambiental da Polícia Militar, que atende 24 horas por telefone, também recebe denúncias. Os números para contato são: pelo telefone (61) 3190-5190 e pelo WhatsApp (61) 99351-5736.

Desde maio, a punição para o crime de maus-tratos a animais se tornou mais rígida, com multa de até 40 salários mínimos, o que corresponde a mais de R$ 38 mil.