Filhote de elefante é forçado a se apresentar e dançar para turistas em zoo

Foto: Moving Animals

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A decadente e cruel indústria do turismo e entretenimento humano faz mais uma vítima, dessa vez o alvo não passa de um bebê elefante, que antes de aprender a ser um animal selvagem na selva com seus iguais é forçado a aprender truques sem sentido sob a ameaça de ser espancado.

E a filhote não é a única vítima da exploração do parque, os demais elefantes cativos que vivem no zoológico na Tailândia são obrigados a fazer poses antinaturais com suas patas dianteiras, pedalar uma bicicleta feita com pneus de carro e pintar quadros, tudo isso em um palco para entretenimento de uma plateia de turistas.

Foto: Moving Animals

Foto: Moving Animals

Um vídeo pungente mostra como uma bebê elefante, apelidada de Dumbo, é forçada a fazer truques para os visitantes em um show no zoológico de Phuket na Tailândia.

Ativistas afirmam que o jovem animal realiza apresentações por até três vezes ao dia “sob ameaça de um imenso gancho”, nos shows que chegam a ter 20 minutos de duração.

Milhares de pessoas assinaram uma petição online pedindo ao zoológico de Phuket que liberte Dumbo, e permita que ela vá viver em um santuário.

O grupo responsável pela campanha, Moving Animals, afirmou que o animal apresenta um “corpo esquelético” e sugere que ele pode estar sofrendo de desnutrição e exaustão.

Eles também relataram que o animal fica preso por correntes quando não está se apresentando.

Um porta-voz do grupo disse: “Nós assistimos os turistas rindo e tirando fotos e selfies da cena, enquanto o pobre bebê elefante estava com os olhos fechados, silenciosamente sugando o ar por sua o tromba”.

Foto: Moving Animals

Foto: Moving Animals

“A vida cruel que aguarda por Dumbo, o bebê elefante, será de torturas e abusos a serem suportados sem prazo de duração, e então nós começamos uma petição pedindo a sua libertação imediata e envio para um santuário”, disse o representante da ONG.

“Esperamos que em breve ela possa viver em um lugar onde possa ser livre, conviver com seus iguais e sentir paz e tranquilidade, sem qualquer ameaça de dor ou sofrimento ou ser forçada a se apresentar”.

Filme Dumbo gera debate sobre exploração de animais em circos

O filme Dumbo, dirigido por Tim Burton, que acaba de estrear no Brasil, está gerando debates sobre a exploração de animais em circos. Ao contrário da animação de mesmo nome, lançada pela Disney em 1941, na qual o desenho é apresentado sob a perspectiva dos animais, o filme foca na relação entre humanos e animais.

Foto: Reprodução / Portal Bem Paraná

Na animação, Dumbo, um elefante de orelhas grandes, que sofre com a desconfiança e piadas dos outros, aprende a voar. O filme, porém, não se resume a capacidade do animal de alçar voos, mas também mostra a dura realidade de animais explorados em circos. Em uma das cenas, Dumbo sofre ao ser separado da mãe. O sofrimento dos animais devido a condição dos espetáculos também é revelado. As informações são do portal Bem Paraná.

“Um circo, muitas vezes, não tem capacidade técnica de oferecer recintos adequados para os animais, que ficam em jaulas, na pior condição possível. Além disso, em um circo, o ambiente em que os animais vivem são muito artificializados, sem relação com ambiente natural. Essa condição e a falta de oportunidade de interação com outros animais, resulta em uma fonte permanente de estresse”, explica o biólogo e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Sérgio Lucena Mendes.

O biólogo lembra ainda que animais explorados por circos podem desenvolver problemas de saúde causado pelo estresse e pela falta de estrutura dos estabelecimentos, já que muitos deles não conseguem, segundo o especialista, oferecer aos animais uma condição médica e nutricional adequada.

“É comum verificar animais nos circos com problemas de desnutrição ou obesidade. Além disso, o estresse também causa impactos secundários, como queda da imunidade – o que deixa o animal suscetível a doenças também transmitidas por humanos”, comenta.

Casos de maus-tratos contra animais em circos podem ser denunciados à polícia, já que qualquer tipo de abuso configura crime, segundo o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais. Além das delegacias da Polícia Militar, as denúncias podem ser feitas também ao Ministério Público e ao Disque-Denúncia do Ibama, através do número 0800-61 8080. Municípios e estados, como Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina possuem canais de denúncia e delegacias especializadas para registrar esse tipo de ocorrência.

Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 7.291, que proíbe a exploração de animais em circos em todo o Brasil, aguarda votação. No entanto, muitos estados brasileiros – como Paraná, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – já proíbem a presença de animais em espetáculos circenses.

Rede de Especialistas

A Rede de Especialistas de Conservação da Natureza, da qual o biólogo Sérgio Lucena Mendes faz parte, é um grupo de profissionais, de referência nacional e internacional, que atua em prol da proteção da biodiversidade e assuntos relacionados com a intenção de divulgar posicionamentos que prezem pela defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi fundada no ano de 2014 por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

‘Dumbo’ alimenta a indústria de exploração animais

Tim Burton está no caminho do tapete vermelho com mais um longa-metragem, um remake de “Dumbo”, um filme da Disney de 1941.

O lado oposto do reconhecimento do cineasta pela obra é o que a história do filme traz em sua real essência: a exploração animal para entretenimento humano.

Burton nunca gostou de circos. Segundo ele, animais enjaulados realizando truques o incomodava demais. Então o que o levou a recontar essa história?

Nas palavras do próprio cineasta diz: “Não há como negar o romance de fugir para se juntar ao circo. E ainda mais se a aventura envolver um elefante voador.”

“A coisa que eu gostava em ‘Dumbo’ era apenas a ideia – a imagem de um elefante voador e um desajeitado – e todo esse tipo de coisa é muito atraente para mim”, disse ele à AFP.

Talvez pelo fato de ter sido chamado de ‘esquisito’ por garotos da escola, o cineasta tenha se identificado com ‘o elefante de orelhas enormes que é ridicularizado por todos’. O tema da alienação ou deficiência como fonte de força faz parte de sua obra.

“Você pode ter um desajeitado notado por algo e usar isso como uma coisa positiva”, disse Burton, apontando para as orelhas grandes e flexíveis de Dumbo.

‘Dumbo’ não a imagem da superação. Aprender a voar não o libertou da opressão humana, mas sim o aprisionou ainda mais. Enquanto ‘estranho’, para nada servia. Quando ‘estranho mas voador’, fonte de dinheiro e sucesso para um circo falido.

O filme nada mais é do que a falsa retração do circo como um ambiente feliz, de descobertas, sonhos e recomeços – o que é uma grande ilusão. Por de baixo das lonas coloridas, o que existe é exploração, abuso, medo, tristeza e solidão.

O filme

A nova roupagem de “Dumbo”, que chega aos cinemas americanos em 29 de março, conta a história do filhote de elefante que nasceu com orelhas enormes. Após ser ridicularizado por todos, ele descobre que pode voar e se transforma na principal atração de seu circo, sendo explorado por isso.

Em 2015, a PETA havia pedido a Tim Burton que seu remake tivesse um final feliz longe da indústria do circo.

O grupo de defesa animal pediu ao diretor que, na nova versão, o elefante orelhudo e sua mãe fossem enviados a um santuário.

N época, a vice-presidente da PETA, Lisa Lange, disse “Esperamos que na sua adaptação de Dumbo o jovem elefante e sua mãe possam ter um final feliz de verdade, vivendo suas vidas num santuário ao invés de continuarem aprisionados e abusados na indústria de entretenimento.”

Infelizmente, Burton não atendeu ao pedido, e ‘Dumbo’ será mais um exemplo de como não se deve tratar a vida selvagem.