Encalhe em massa de baleias na América do Norte atinge recorde em 2019

O encalhe em massa de baleias-cinzentas na América do Norte atingiu um recorde em 2019. A última vez em que uma situação semelhante ocorreu, segundo o ecologista da NOAA, Elliott Hazen, foi há duas décadas, durante um El Niño particularmente forte.

“Nós simplesmente não temos tantos exemplos de mortes de baleias-cinzentas como essas no passado. Agora estamos em uma situação parecida, já que em 2015 também houve um forte El Niño”, afirmou Hazen.

Baleia-cinzenta encalhada em praia da Califórnia, nos EUA (FOTO: ACADEMY OF SCIENCES/ NOAA)

Desde janeiro deste ano, cerca de 70 baleias-cinzentas apareceram mortas em praias da América do Norte, segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Diante da situação, o governo dos Estados Unidos anunciou que iniciará uma investigação para entender o episódio, classificado como um Evento de Mortalidade Unusual (UME). As informações são da revista Galileu.

Uma das situações que podem explicar os encalhes é o El Niño. O fenômeno natural é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico e ocorre em intervalos médios de quatro anos, geralmente no mês de dezembro. Como o fenômeno registrado em 1999 teve efeitos que duraram 20 anos, os desdobramentos do El Niño de 2015 podem estar sendo sentidos nos ecossistemas apenas agora.

O fenômeno natural, porém, não é o único problema. Segundo Hazen, o aquecimento global também tem afetado as baleias. “Estamos vendo um recorde de nível baixo no mar gelado do Ártico, onde as baleias-cinzentas se alimentam, e há ainda derretimento extremo e precoce do gelo do mar”, explicou.

As mudanças nos padrões de derretimento estão mudando a forma de destruição dos alimentos nos ecossistemas da região, de acordo com o ecologista. “No caso das baleias-cinzentas, a maioria dos encalhes foram de baleias desnutridas, o que sugere falta de alimento, especialmente no Ártico”, disse.

Shawn Johnson, diretor veterinário do Centro de Mamíferos Marinhos da Califórnia, relatou ao site IFLScience casos de desnutrição de baleias que tem buscado comida na baía de São Francisco, onde passam cada vez mais tempo – o que é considerado anormal e as coloca em risco, devido aos navios que circulam pelo local e podem atingi-las.


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Iguanas das ilhas Galápagos sofrem com escassez de alimento


Cientistas revelam que a mudança climática e os eventos nocivos causados pelo El Nino estão destruindo o rico e celebrado ecossistema das ilhas Galápagos. Segundo um fotógrafo local, que afirma ter descoberto o impacto que o aquecimento global tem tido sobre as iguanas marinhas, a espécie pode não resistir se o período de aquecimento das águas perdurar mais que 4 meses.

As imagens feitas por ele, mostrando cadáver apodrecidas de iguanas ilustram o panorama real do sacrifício doloroso, de que não só esses animais, mas diversos outros, tem sido vítimas na luta pela sobrevivência nas ilhas.

As ilhas ficaram famosas quando Charles Darwin visitou o arquipélago em sua viagem icônica a bordo do HMS Beagle, mas as mudanças climáticas estão afetando seriamente o ecossistema único das ilhas, afirmam os cientistas.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

A água mais quente que o original está matando a fonte de alimento de muitos animais, as algas e vegetação marinha que crescem nas águas da costa da ilha, o que causa em consequência disso, a morte por falta de alimento de inúmeros répteis.

O fotógrafo Tui De Roy, que cresceu nas ilhas, capturou as imagens impressionantes para comprovar a situação do arquipélago.

Uma imagem poderosa e fortíssima mostra o cadáver de uma iguana marinha deitada em uma pedra depois de morrer de fome, um efeito do aquecimento das águas, que destrói os recursos dos quais elas dependem para sobreviver.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

Há alegações de que a mudança climática esteja intensificando o efeito El Niño – um período de curto prazo de aquecimento da temperatura da superfície das aguas do oceano pacífico, que se estende da América do Sul até a Austrália, conforme informações do Daily Mail.

A mudança na temperatura da água pode afetar a vida marinha diretamente por causa da ressurgência, quando a água fria sobe à superfície, que fica reduzida durante o evento.

Estudos anteriores mostraram que espécies marinhas, incluindo pinguins, focas e iguanas, lutam para sobreviver por causa da falta de comida nas águas próximas à superfície.

Muitos animais marinhos de Galápagos morrem ou não conseguem se reproduzir com sucesso devido à falta de alimentos, escreveram os pesquisadores.

Outras imagens capturadas no arquipélago mostram uma iguana colorida descansando nas rochas e o espetáculo raro de um lagarto-nadador.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

O importante naturalista Charles Darwin viajou para a região no HMS Beagle em 1835, e observou membros da espécie correndo ao redor das encostas rochosas.

Apesar de fazer extensas observações sobre as criaturas, ele notoriamente detestava sua aparência, referindo-se a elas como “duendes da escuridão”.

Esse momento é propício para que a teoria da seleção natural de Darwin seja posta à prova, à medida que a comida se torna cada vez mais escassa.

As fotografias foram capturadas pelo renomado fotógrafo e autor Tui De Roy, que cresceu nas ilhas ao largo da costa continental do Equador.

Depois de observar os animais por muitos anos, o naturalista testemunhou milhares deles morrendo devido à falta de comida toda vez que há um período prolongado de clima quente.

As iguanas, que possuem o status de vulneráveis (segundo a IUCN), usam um truque que lhes permite sobreviver, disse ele, sua habilidade de ajustar seu tamanho corporal encolhendo ou crescendo à vontade.

Isso permite que elas regulem melhor sua perda de calor. Durante um período de meses, elas “quebram” seu tecido ósseo antes de reconstruí-lo depois que a época de fome termina.

“As iguanas marinhas vivem vidas difíceis: tudo o que elas precisam é de sol tropical para se aquecer, lava negra para se sujar e mares frios cheios de algas marinhas para se alimentar; é isso, sem frescuras ”, explicou ele.

Essas características as tornam o exemplo perfeito para ilustrar as qualidades sobrenaturais das vulcânicas Ilhas Galápagos.

Mas a espécie é bastante vulnerável: quando as correntes oceânicas frias são substituídas por águas quentes, se as algas morrerem as iguanas também morrem.

“Elas têm a capacidade de encolher seus corpos – até mesmo seu esqueleto – em até 20% do comprimento total, a fim de resistir à fome até que as águas frias voltem”, diz o naturalista.

“Mas se o período quente (El Niño) durar mais que 3 a 4 meses, milhares de iguanas estão fadadas a morrer”, lamenta ele.

Esses processos naturais são geralmente mais visíveis nas Ilha Galápagos devido à sua biosfera única.

Foi no impressionante arquipélago vulcânico que Charles Darwin se inspirou para escrever sua teoria da evolução.

Estudos sobre o lagarto descobriram que as iguanas terrestres da América do Sul devem ter chegado ao mar milhões de anos atrás, em troncos ou outros destroços, eventualmente pousando nas Ilhas Galápagos.