Tucanos são encontrados mortos e suspeita é de eletrocussão em rede elétrica

Dois tucanos foram encontrados mortos na quarta-feira (31) em Lajeado, no Rio Grande do Sul. Os animais silvestres foram localizados por um homem que limpava o muro de uma casa no bairro Americano, onde o caso aconteceu.

Foto: Reprodução/Grupo Independente.

“Ouvi um estrondo e depois as aves caindo no chão”, disse o homem  ao Grupo Independente.

Após o proprietário do imóvel avisar a prefeitura sobre o caso, os corpos das aves foram retirados do local e levados para a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), que depois os encaminhou ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

Diretor do CCZ, Renan Augusto Mallmann acredita que as aves estivessem em fase de acasalamento. A presença de tucanos na região, que fica nas proximidades do Parque Engenho, é frequente.

O local é abastecido pela concessionária de energia elétrica RGE, que informou que está apurando o caso.

Devido às circunstâncias da morte dos animais, o homem que viu as aves caindo ao chão e o secretário de Meio Ambiente, Luis André Benoitt, suspeitam que a causa da morte tenha sido um choque elétrico.


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Matança de cães por eletrocussão gera indignação em Cabo Verde

Na capital de Cabo Verde, os cães abandonados são capturados e mortos por eletrocussão pela lixeira municipal, um método criticado por associações de bem-estar animal locais e internacionais que defendem outras políticas de controle da população canina.

A presença de cães nas ruas de Cabo Verde, particularmente na cidade da Praia (ilha de Santiago), é visível. Muitos apresentam feridas e a maioria tem sinais de agressão ou atropelamento.

Paulo Cunha/LUSA

Vivem nos campos, dormem nas praias, ocupam as entradas dos prédios ou das lojas, fogem do calor debaixo dos carros. Há cães idosos, embora raros, cadelas grávidas ou com sinais de parto recente, cachorros mal-escondidos em buracos de terra e cães menos jovens e adultos.

O aumento da população canina tem se revelado um problema para as autoridades, que se deparam com uma forte oposição dos que estão contra a forma como estes animais são capturados, mantidos após captura e mortos, por eletrocussão.

Há pouco tempo, o método usado para matar os cães era o envenenamento por estricnina, disse à agência Lusa o vereador da Cultura, Ambiente e Saneamento da Câmara Municipal da Praia, António Lopes da Silva.

O parlamentar assume que os animais são capturados e, quando não são adotados, mortos por eletrocussão. É um tema difícil e desconfortável para a autarquia.

“Temos a consciência plena de que não é matando os cães que se resolve o problema”, afirmou António Lopes da Silva, assegurando que a captura só acontece nos bairros sem campanhas de esterilização, que são a maioria.

Aí, os cães reproduzem-se e, ciclicamente, são capturados e levados para a lixeira, onde serão eletrocutados se ninguém os for resgatar, a troco de 3.000$00 (cerca de 28 euros) por cão.

“Há bairros onde as campanhas de castração não chegam e o número de cães é tão elevado que, perante as queixas de moradores, a câmara tem de determinar a sua captura”, afirmou o vereador.

António Lopes da Silva garante que o que a autarquia faz é legal e está previsto no Código de Posturas Municipais, aprovado em 2014. E até reconhece alguma evolução em relação ao envenenamento.

As associações que defendem o bem-estar animal têm uma leitura diferente, como o movimento Comunidade Responsável que está fazendo uma petição pelo fim da prática de matar cães abandonados na Praia, que contava, na sexta-feira (14), com cerca de 700 assinaturas.

Maria Zsuzsanna Fortes, voluntária do movimento, disse à Lusa que as pessoas estão cada vez mais indignadas com a situação, que é de “uma crueldade fora do comum”.

“Os animais pagam o preço da negligência humana”, disse, contando que os cães estão sendo capturados como se fossem lixo. Um vídeo recente, publicado nas redes sociais, mostra a captura de um cão que é depois atirado para dentro de um caminhão de lixo, tal como outros produtos inertes. O seu destino: a lixeira.

Na lixeira municipal, contou Maria Zsuzsanna Fortes, os cães ficam instalados num espaço com quatro divisões, sem água, sem comida, em cima de fezes, às vezes ao pé de cadáveres, já que vão assistindo à morte dos animais.

O vereador António Lopes da Silva garante que quem recolhe os cães trabalha para a autarquia e teve formação para tal. No entanto, têm sido visíveis na cidade da Praia caixas abertas, onde são colocados animais por cidadãos que os recolhem e que não estão fardados como os funcionários municipais.

As denúncias nas redes sociais contam com relatos de jovens desempregados que recebem cerca de 300 escudos (2,7 euros) por cada animal capturado, situação não confirmada pelo autarca, que garante ser essa uma tarefa a cargo de funcionários.

Nos últimos dias, alguns moradores indignados têm saído em defesa dos animais e conseguido libertar alguns que já se encontravam no interior dos veículos.

No texto que acompanha a petição contra a morte dos animais na Praia, o Movimento Comunidade Responsável recorda que “a eletrocussão é internacionalmente proibida por convenções internacionais, dos quais Cabo Verde faz parte”.

“A eletrocussão é proibida por causar um extremo sofrimento aos animais. No ânus dos animais, muitas vezes totalmente molhados e colocados dentro de uma caixa metálica, é introduzido um cabo com 380 volts. As veias do cão rebentam, os músculos convulsionam-se e até os ossos se partem por causa de tantas convulsões”, lê-se no documento.

O movimento acusa a autarquia de não respeitar um protocolo assinado entre as duas partes em março de 2018 e que “estabelece um método eficaz para a gestão ética da população canina, sem matar os animais ou causar-lhes qualquer sofrimento, providenciando cuidados e educando a população para a posse responsável do cão”.

António Lopes da Silva garante que a autarquia está trabalhando na castração dos animais com as associações “interessadas em trabalhar” nesta área, embora reconheça que “não chega” a todos.

Em novembro passado, a Sociedade Humana Internacional — que reúne organizações de defesa do bem-estar animal em todo o mundo — escreveu uma carta ao presidente da Câmara Municipal da Praia fazendo um alerta para a publicidade negativa que Cabo Verde estava recebendo.

“A morte é completamente ineficiente no controle da população de cães a longo prazo, assim como na redução das zoonoses” (doenças transmitidas aos humanos através dos animais), lê-se na carta a que a Lusa teve acesso.

Portugal pode ajudar em alternativas à eletrocussão de cães

O autarca responsável pelo controle dos cães na capital cabo-verdiana está disposto a equacionar outros métodos, além da atual eletrocussão, e tem o apoio das Ordens dos Veterinários de Cabo Verde e de Portugal.

O vereador António Lopes da Silva considera que o problema do excesso de cães na cidade da Praia não se resolve com o extermínio desses animais, mas afirma que a medida tem de ser determinada sempre que “a quantidade de cães ultrapassa o equilíbrio”.

Apesar de sublinhar que a eletrocussão é legal, admite equacionar outros métodos e afirma mesmo que todo o apoio é bem-vindo no sentido de encontrar forma de a situação melhorar.

A bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários de Cabo Verde, Sandy Freire, disse à Lusa que esta organização é contra a eletrocussão e defende a constituição de uma equipe com pelo menos dois veterinários para realizar esta e outras operações de controle da população canina, como esterilização e castração.

Contudo, admite que faltam profissionais em Cabo Verde e que os sete existentes na cidade da Praia estão em outras funções.

A veterinária acredita, contudo, que muito mais há a fazer e que “a captura e a eletrocussão dos cães em Cabo Verde são apenas a ponta do iceberg de um problema muito mais complexo”.

Para Sandy Freire, esta situação só acontece porque não existe uma política pública que determine as medidas de controle dos animais.

Sem um quadro legal, disse, é quase impossível melhorar as coisas.

Questionado pela agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários de Portugal, Jorge Cid, mostrou disponibilidade para ajudar Cabo Verde no que for possível a esta organização.

“Faremos o que for possível, com todo o gosto”, disse o bastonário, exemplificando esse apoio como protocolos de entreajuda, ações de formação, entre outros.

E acrescentou que basta a bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários, a Câmara Municipal ou o Governo contactarem a Ordem dos Médicos Veterinários portuguesas para esta ajudar, dentro das suas possibilidades.

Movimento apela ao PR de Cabo Verde para terminar com chacina de cães

O Movimento Civil Comunidade Responsável de Cabo Verde apelou, neste sábado (15), à intervenção do Presidente da República para terminar com “a intolerável situação de maus-tratos dos animais” no país, onde os cães errantes são capturados e eletrocutados.

“A Câmara Municipal da Praia [ilha de Santiago] tem levado a cabo uma autêntica chacina dos cães errantes na cidade, ignorando todos os esforços das organizações da sociedade civil e cidadãos para a criação de uma aliança que vise o controle sustentável e humanizado da população canina”, lê-se na missiva endereçada ao chefe de Estado.

A organização denuncia que “o departamento do Ambiente da Câmara Municipal da Praia faz circular uma viatura que recolhe lixo pela cidade com o intuito de capturar cães, levá-los para a lixeira e executá-los por eletrocussão 24 a 48 horas depois da captura, se não forem reclamados”.

“Os cães são capturados com extrema violência, privados de água e alimentação durante o período de cativeiro e executados através da colocação de um ferro com 380 volts no ânus”, prossegue a exposição da associação, dirigida a Jorge Carlos Fonseca.

A organização avança nesta carta que, em março de 2018, “a Câmara Municipal da Praia, na pessoa do seu presidente, assinou um protocolo” com o movimento, no qual “a autarquia assumia o compromisso de parar com as execuções e investir em métodos humanizados de controlo da população canina”.

Esse acordo, assinado entre ambas as partes, “nunca foi cumprido”, denuncia a organização.

“A Câmara Municipal da Praia está, portanto, utilizando um método ineficaz e inútil e perpetuando a violência gratuita contra seres vivos sencientes, que sentem dor, e medo da tortura”, lê-se na carta.

O movimento apela, por isso, ao chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, pela “humanidade” que lhe reconhece, que, “em nome de toda uma comunidade indignada e consternada”, intervenha imediatamente “pelo fim desta situação”.

Fonte: Observador

Nota da Redação: matar animais, através de injeções letais ou de qualquer outro método, como a cruel eletrocussão, é uma prática inaceitável que deve ser combatida em todo o mundo. O controle de animais domésticos deve ser feito através da castração. Esse é o único meio ético de impedir a superpopulação de uma espécie. A morte, seja feita da forma que for, não pode ser sequer cogitada, em hipótese alguma.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

Número de elefantes mortos na Índia chega a 928

Foto: Diptendu Dutta / Agência France-Presse – Getty Images

Acidentes de trem, caça ou envenenamento são algumas das causas, mas a eletrocussão, sozinha, causou mais de 60% das mortes, segundo dados obtidos sob a Lei de Direito à Informação (RTI).

A ANDA já noticiou sobre os perigos das cercas elétricas e cabos de força para os elefantes. Usadas como bloqueio, as cercas impedem a entrada de animais e humanos indesejados em propriedades e protege o gado e a vida selvagem que ali habitam, as também tem um efeito colateral letal: ela mata elefantes e dezenas de outras espécies.

Desde 2009 até 31 de dezembro de 2018, 565 elefantes morreram devido à eletrocussão, de acordo com os dados da Divisão de Projetos do Ministério do Meio Ambiente e Florestas.

Outros 151 elefantes morreram em acidentes com trens, enquanto 150 foram caçados e mortos, afirmou o ministério. O envenenamento foi a causa da morte de 62 elefantes.

“O gasto orçamentário total para o ano fiscal de 2018 / 201919, sob o esquema ‘Projeto Elefante’, para proteger os elefantes, seu habitat e corredores, para abordar questões de conflitos e bem-estar dos elefantes cativos é de 30 crore”, disse Ranjan Tomar, advogado de Noida (New Okhla, uma cidade satélite de Delhi). As informações são do New Indian Express.

No entanto, o número de mortes de elefantes devido à caça (150) difere do divulgado pelo Departamento de Controle de Crimes contra a Vida Selvagem (WCCB).

O WCCB, respondendo a uma pergunta de RTI de Tomar, declarou em janeiro que 429 elefantes foram caçados e mortos desde 2008 no país.

Tomar, também ativista da vida selvagem e dos direitos humanos, disse que a diferença provavelmente se deve ao fato de que os números do Projeto Elefante são limitados a reservas, enquanto os dados do WCCB são para todo o país.

Dois elefantes morrem eletrocutados por fio de alta tensão

Não é a primeira vez que elefantes e outros animais morrem por eletrocussão na Índia.

Dois elefantes foram eletrocutados em Gurguripal em Bengala Ocidental, leste da Índia.

Mais de 100 elefantes asiáticos em risco de extinção já foram mortos por linhas de energia e cercas elétricas no estado de Odisha, nos últimos 12 anos. Girafas, leopardos, búfalos do Cabo e rinocerontes brancos também foram eletrocutados em vários países.

Primatas também são vítimas frequentes. Pelo menos 30 espécies e subespécies, metade das quais estão ameaçadas de extinção, são afetadas por este perigo na Ásia, África e América Latina.

Infelizmente, no último fim de semana mais dois animais foram vítimas dessa ameaça à vida silvestre. Elefantes selvagens morreram depois de serem eletrocutados por cabos de energia perigosamente baixos.

Os mamíferos foram encontrados em um campo de arroz na aldeia de Nepura em Gurguripal em Bengala Ocidental, leste da Índia.

Os animais tinham entrado em fios de eletricidade “perigosamente baixos” na vila de Nepura.

Pelo menos 80 elefantes passaram pela vila duas semanas antes de os elefantes entrarem em contato com os fios, que estavam a apenas 60 cm do solo, na manhã do último sábado (19). As informações são do Daily Mail.

Especialistas criticaram o conselho de eletricidade estatal WBSEC e afirmaram que haviam alertado sobre o fio anteriormente.

Pradeep Vyas, principal conservador-chefe do chefe da Divisional Forest, disse: “Os animais ficaram lá por quase três semanas. Dissemos ao WBSEC que eles deveriam consertar o fio porque era uma frequente zona de elefantes”.

“Mas por causa de sua negligência, aconteceu de novo e de novo – no ano passado, outro incidente deste tipo aconteceu”.

Especialistas criticaram o conselho estadual de energia elétrica WBSEC, com um afirmando que eles haviam sido avisados ​​sobre o fio anteriormente, e que isso tinha acontecido antes.

Os animais foram encontrados mortos por moradores locais que informaram o departamento florestal.
Rabindranath Saha, Oficial da Divisão de Florestas, disse: “Os corpos de dois elefantes foram encontrados no campo de arroz da aldeia de Nepura, na área da delegacia de Gurguripal, na manhã de sábado”.

“Parece que eles morreram de eletrocussão. Alguns dos cabos de alta voltagem estão caindo perigosamente na área”.

Estes fios são muito perigosos e podem causar morte e danos a pessoas que trabalham no campo também.

Uma ameaça crescente à vida selvagem: eletrocussão

A África do Sul é um país de fazendas, reservas e parques nacionais, muitos deles cercados por quilômetros de cercas elétricas. O bloqueio impede a entrada de animais e humanos indesejados e protege o gado e a vida selvagem que ali habita mas também tem um efeito colateral letal: ela mata pequenos animais, particularmente pássaros e répteis, primatas, girafas , elefantes africanos , leopardos , búfalos e rinocerontes brancos.

Uma mulher rezou sobre os corpos de dois elefantes asiáticos que foram eletrocutados em Siliguri, na Índia. Foto: Diptendu Dutta / Agência France-Presse – Getty Images

Os Tripwires são grandes vilões nos incidentes. Posicionados a cerca de meio pé do chão, os fios enviam um zumbido para leões famintos e suínos selvagens.

Mas nem todas as criaturas simplesmente dão as costas. As tartarugas que atingem um tripwire retiram seus cascos em vez de recuar, os pangolins enrolam-se sobre o arame como uma bola. Os animais ficam parados, chocados até que seus corações parem. As informações são do The New York Times.

“Os agricultores que caminham ao longo de cercas e encontram de seis a oito tartarugas mortas em 100 metros”, disse Luke Arnot, cirurgião veterinário e professor da Universidade de Pretória. “Com as tartarugas, tendemos a pensar em caça furtiva e incêndios florestais, mas as cercas elétricas são tão grandes, se não um problema maior.”

Um estudo de 2008 , cerca de 21.000 répteis na África do Sul são mortos a cada ano após entrarem em contato com cercas elétricas. O Dr. Arnot tenta alertar, publicando artigos em revistas agrícolas e de pecuária que detalham soluções práticas e baratas e elaborando diretrizes amigáveis ​​para a vida selvagem na  instalação de cercas elétricas.

As soluções são simples: por exemplo, elevar os tripwire para fora do chão, ou transmitir a corrente sonora somente à noite, quando há predadores por perto.

“Essas cercas têm a capacidade de dizimar populações inteiras e estão fazendo isso”, disse ele. Mas a ameaça à vida selvagem “ainda não é algo que muita gente pensa”.

De acordo com o The New York Times, a África do Sul não é o único país que enfrenta o problema e não são apenas as cercas que matam. As linhas de energia estão sendo amarradas aleatoriamente nos países pobres; estes também eletrocutam animais e as colisões, por si só, costumam ser fatais para as aves.

“Há estudos de todo o mundo que documentaram isso como um problema”, disse Scott Loss, ecologista da Universidade Estadual de Oklahoma.

A eletrocussão afeta uma variedade diversa de espécies e pode comprometê-las. Nos países do sul da África, a eletrocussão é considerada uma das principais ameaças aos abutres-do-cabo ameaçados de extinção e aos abutres de dorso branco, extremamente ameaçados.

Na Ásia Central, a eletrocussão mata cerca de 4.000 falcões Saker ameaçados a cada ano. Nos Estados Unidos, Dr. Loss e seus colegas estimaram que dezenas de milhões de aves são mortas por linhas de energia a cada ano.

Os cientistas ainda não estão certos do quanto uma eletrocussão representa de ameaça para muitas das espécies afetadas. “Aves de conservação, como os falcões de cauda vermelha e águias-douradas, estão morrendo de eletrocussão, mas não temos uma ideia concreta de como essa fonte de mortalidade está contribuindo para as mudanças nas populações dessas espécies, se for o caso”, disse Dr. Perda disse.

Fazer estimativas confiáveis ​​é especialmente difícil em áreas mais selvagens, porque os predadores rapidamente farejam as carcaças, disse Simon Thomsett, um ornitólogo e administrador do Bird of Prey Trust do Quênia.

“Em áreas de vida selvagem no Quênia, hienas e outros animais fazem caminhos para as linhas de energia para chegar às aves mortas”, disse ele.

Animais eletrocutados também não são necessariamente mortos no local. As aves podem ser atingidas, disse Thomsett, e depois voar a centenas de quilômetros de distância para morrer uma ou duas semanas depois, quando seus membros danificados se atrofiam e se tornam necróticos.

“Isso torna impossível enumerar o número de mortes”, disse Thomsett. “Mas eu acho que esta é uma ameaça crescente e que é enormemente subestimada pela maioria dos conservacionistas da vida selvagem, guardas e gerentes de conservação.”

Até mesmo grandes animais estão ameaçados. Mais de 100 elefantes asiáticos em risco de extinção já foram mortos por eletrocussão no estado de Odisha, na Índia, durante 12 anos, principalmente por contato com linhas de energia. Girafas , elefantes africanos , leopardos , búfalos do Cabo e rinocerontes brancos também foram eletrocutados em vários países.

Primatas são vítimas frequentes. Pelo menos 30 espécies e subespécies, metade das quais estão ameaçadas de extinção, são afetadas por eletrocussão na Ásia, África e América Latina. “Este é um problema generalizado, mas também é pouco notificado e estudado, para que se possa saber sobre mais espécies afetadas”, disse Lydia Katsis, recém-formada pela Bristol Veterinary School, na Grã-Bretanha.

Em julho, Katsis publicou uma pesquisa no International Journal of Primatology identificando os principais pontos de eletrocussão para cinco espécies de primatas em Diani Beach, no Quênia. A eletrocussão é responsável por até 20% dos casos de mortalidade e lesão de primatas registrados na Colobus Conservation, um grupo sem fins lucrativos com sede na cidade.

Em geral, os primatas que são eletrocutados morrem na hora ou pelo impacto de uma queda, mas se eles sobreviverem ao choque inicial, eles podem sucumbir mais tarde a infecções secundárias de ferimentos horríveis causados ​​pelo choque, disse Katsis.

Além dos custos de conservação, os animais que entram em contato com linhas de energia ou outras infraestruturas elétricas extraem um custo econômico significativo. Em 2016, por exemplo, um macaco vervet causou um blecaute nacional no Quênia depois de tropeçar em um transformador, cortando energia para cerca de 4,7 milhões de residências e empresas.

“Os animais causaram interrupções e danos à infra-estrutura no valor de bilhões de dólares”, disse Constant Hoogstad, gerente sênior de parcerias do setor no Endangered Wildlife Trust, uma organização de conservação sem fins lucrativos na África do Sul. “Estimamos que 60% das falhas e interrupções na linha na África do Sul estão relacionadas à vida selvagem.”

Hoogstad e seus colegas trabalham diretamente com a Eskom, fornecedora estatal de eletricidade da África do Sul, para realizar várias estratégias de mitigação. Isso inclui tornar as linhas de energia mais visíveis para os pássaros, isolar os condutores nos topos dos postes e projetar postes para que as aves não possam entrar em contato com os componentes ativos.

“É realmente importante ressaltar esse problema”, disse Hoogstad.

Os resultados são imprevisíveis. Para algumas espécies, como a abetarda de Ludwig, as intervenções para reduzir as colisões com linhas de força tiveram pouco sucesso. Para outros, incluindo guindastes azuis e flamingos, a mortalidade pode ser reduzida em 90% ou mais.

Por que essas medidas funcionam para algumas espécies e não para outras é “a pergunta de um milhão de dólares”, disse Hoogstad, que seus colegas de pesquisa estão trabalhando para responder.

Os esforços da Endangered Wildlife Trust estão sendo replicados na Jordânia, Namíbia, Tanzânia e Austrália. Nos Estados Unidos, o Comitê de Interação da Linha de Energia Aviária, uma organização sem fins lucrativos cujos membros incluem mais de 50 empresas de serviços públicos, também trabalha para reduzir as mortes de aves.

A maioria dos outros países não possui tais iniciativas e em muitos lugares o problema só piora, alertou Thomsett.

No Quênia, por exemplo, as linhas de energia estão sendo instaladas rapidamente, geralmente em áreas protegidas e ao longo das principais rotas de migração usadas ​​por aves. Em outubro de 2018, os colegas de Thomsett encontraram os restos eletrocutados de uma águia marcial ameaçada de extinção – a maior águia da África – sob as linhas de energia recém construídas perto da Reserva Nacional Masai Mara.

A jovem ave era uma das que os conservacionistas conheciam: eles haviam marcado apenas sete meses antes, como parte de um estudo de longo prazo sobre a ecologia e a sobrevivência da espécie no Quênia.

“O terrível das linhas de energia é que cada uma delas vai matar”, disse Thomsett. “Mas as pessoas daqui dizem que não se importam porque precisamos desenvolver nosso país”.