Caçadora que postou foto com girafa morta se gaba de ter caçado o “delicioso” animal

Foto: Facebook

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Além de matar, tirar uma foto sorrindo ao lado do cadáver do animal e postar imagem de forma desrespeitosa no Facebook, se gabando do feito – e causando revolta nas redes sociais – a caçadora americana responsável pela morte da girafa idosa em um “safari dos sonhos”, disse que estava orgulhosa de ter caçado o animal, que ela afirmou ser “delicioso” de se comer.

A texana Tess Talley, de 38 anos, provocou uma onda de revolta on line no verão passado, quando postou os registros fotográficos de seus atos covardes durante uma viagem de caça no ano anterior na África do Sul.

“As orações pela minha caçada dos sonhos fizeram com que ela se tornasse realidade hoje” ela escreveu ao lado da imagem. – “Vi essa imensa girafa negra e a persegui por um bom tempo. Eu sabia que era a único. Ela tinha mais de 18 anos, 4.000 libras (quase 2 mil kg) e fui abençoado por poder extrair 2.000 (cerca de 900 kg libras) de carne dela”.

Tallley recentemente defendeu ainda mais suas ações, aparecendo na rede de televisão americana CBS para dizer que caçadores como ela contribuem para a preservação a longo prazo dos animais, gerenciando populações e financiando a conservação da vida selvagem. Ela também disse que a girafa macho idosa, cuja pele ela tinha usado para fazer capas de almofada e um estojo de rifle, era deliciosa de se comer.

“É um hobby, é algo que adoro fazer. Tenho orgulho de caçar. E eu tenho orgulho de ter matado dessa girafa”, disse ela, dizendo que a caça da girafa era um desejo antigo.
Quando foi questionada por estar claramente sorrindo nas imagens que ela postou com o animal, ela disse: “Você faz o que gosta de fazer. É alegria. Se você não ama o que faz, não vai continuar a fazer isso”.

Ela confessou ainda que embora gostasse de caçar, sentia uma pontada de remorso.

Mostrando completa alienação ou apreço pelo valor da vida da girafa a caçadora diz: “Todo mundo acha que a parte mais fácil é puxar o gatilho. E não é”, ela disse. “Essa é a parte mais difícil. Mas você ganha muito respeito e muito apreço pelo animal porque sabe o que esse animal está passando. Eles são colocados aqui para nós. Nós os pegamos, nós os comemos”.

Em um comunicado, Kitty Block, presidente e CEO da Humane Society dos Estados Unidos e da Humane Society International, disse: “A caça ao troféu da girafa mostra um desrespeito absoluto e arrogante pelo status ameaçado de uma espécie icônica.

“Uma estimativa de 2015 descobriu que menos de 100 mil girafas permanecem em estado selvagem na África, e nossa investigação de 2018 revelou que quase 4 mil troféus derivados de girafas foram importados para os EUA na última década.”

Ela disse que as girafas estão enfrentando “uma série de ameaças, incluindo a caça e a fragmentação de habitats”.

Ela acrescentou: “O péssimo estado de conservação jamais poderia ser agravado pelo horror dos caçadores de troféus empenhados em matar esses animais ameaçados por troféus insensatos e macabros”.

A presidente da PETA, Ingrid Newkirk, afirmou que caçadores de troféus como Talley tinham “buracos onde seus corações deveriam estar e uma conexão de empatia faltando em sua conexão cerebral”.

“Com oportunidades ilimitadas para diversão, fala-se muito que este pequeno subgrupo da população humana se diverte em tirar a vida de outros seres que não pedem nada da vida, além da chance de viver em paz”, disse ela ao The Independent.

“Essas tentativas desses seres humanos insensíveis de ceder sua sede de sangue em alegações ridículas de conservação (ênfase no engodo) dizem ainda mais sobre suas personalidades vazias”.

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‘As pessoas não pensam que animais de fazenda têm sentimentos’, diz fundadora de santuário

Animais que vivem em fazendas, como bois, cabras, porcos e galinhas, são seres sencientes. Isso é, têm emoções e sentimentos. O que eles sentem vai além da dor física. São capazes, também, de sentir amor, afeto, medo, tristeza, de sofrer e de amar. E para protegê-los e conscientizar a sociedade sobre a senciência deles, Patrícia Fittipaldi fundou, há 11 anos, o Santuário das Fadas. Em entrevista exclusiva à ANDA, ela falou sobre os desafios para manter o local, que precisa de doações constantes, e revelou a bela missão que exerce diariamente cuidando de seres negligenciados e maltratados pela sociedade.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: O santuário foi fundado quando e quantos animais atualmente vivem nele?

Patricia Fittipaldi: Foi fundado em 2008, temos aproximadamente 200 animais.

ANDA: Animais de que espécies vivem no santuário?

Patricia Fittipaldi: cães, gatos, aves, equinos, caprinos, suínos, bovinos, roedores e jabutis.

ANDA: O que te motivou a criar o santuário?

Patricia Fittipaldi: Desde criança sempre fui protetora de animais. Enquanto morava na cidade do Rio de Janeiro, eu resgatava muitos cães e gatos, mas com o tempo fui resgatando também animais como bodes e galinhas, e com isso foi ficando bem complicado morar na cidade e continuar resgatando esse tipo de animal. Então, me mudei para a Região Serrana, inicialmente fui para Itaipava. E eu quis montar um santuário principalmente de animais de fazenda porque são animais que não têm muitos abrigos e nem santuários para eles. O que têm mais são abrigos de cães e gatos. São poucas pessoas que fazem esse trabalho aqui no Rio de Janeiro, a gente praticamente faz um trabalho pioneiro.

E foi o amor a todas as espécies que me motivou. E com essa demanda de animais precisando de ajuda, principalmente animais de fazenda, que são animais que não costumam ser vistos com bons olhos, porque as pessoas gostam muito de cão e gato, não pensam que animais de fazenda sofrem, têm sentimentos, então foi isso que me motivou. Aí mudei para a Região Serrana, fiquei 10 anos em Itaipava e há quase dois anos a gente se mudou para Teresópolis, que é interior do Rio de Janeiro também.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: Você diz que as pessoas não pensam que os animais de fazenda sofrem e têm sentimentos. Você poderia contar uma história ou momento presenciado por você que demonstre o sofrimento e/ou o amor e a gratidão que estes animais sentem?

Patricia Fittipaldi: A maioria dos animais chegam aqui com desconfiança do ser humano, porque viveu muitas situações de maus-tratos. Os nossos equinos foram todos retirados de carroceiros, apanhavam muito, viviam trabalhando até a exaustão. Então, é muito legal observar a mudança deles e nem demora tanto, uma ou duas semanas aqui já no santuário, pela energia, pelo cuidado e pelo amor que a gente tem com esses animais, eles já demonstram muita gratidão.

Têm animais que chegam aqui muito agressivos, algumas vacas, alguns bois que participaram até de vaquejada, e com uma, duas semanas, nos casos mais graves um mês, esses animais mudam o comportamento completamente. Eles sentem, não só pela energia da gente com eles, mas também pelo cuidado e pelo amor que a gente passa para eles. Então, todos os animais que chegaram aqui chegaram dessa forma. Suínos que iriam ser mortos, eram criados em lugares imundos, em situação precária, não recebiam carinho. A gente não podia chegar perto deles que eles já gritavam com medo de apanhar. E com uma semana você percebe que eles já chegam perto da gente para pedir carinho, vão se aproximando devagarinho, até acontecer aquela entrega total de confiança.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: O que você acredita que falta para que as pessoas percebam, que no que se refere a sentimentos, medo, dor, sofrimento, que os animais de fazenda são iguais aos cães e gatos?

Patricia Fittipaldi: Eu acredito que para as pessoas, principalmente para as que vivem na cidade, como não têm contato com esses animais e os enxergam como alimento, falta conviver com esses seres. Por isso em breve a gente quer fazer um programa de visitação monitorada no santuário, que dá a oportunidade das pessoas conhecerem e terem um momento de perto com esses animais. A gente em breve vai realizar isso para que as pessoas possam, cada vez mais, ter mais consciência sobre o fato de que esses animais também sentem, têm sentimentos, ficam felizes e tristes. Então, para mim, o que falta mesmo para as pessoas perceberem, no que se refere a sentimento, medo, dor sofrimento, é a vivencia com esses animais. Para as pessoas da cidade é muito difícil.

Nós que temos santuários, acho importante fazermos esse planejamento das visitações monitoradas, que não podem também ser diárias ou com muita frequência para não estressar os animais. Porque eles têm contato com a gente que está na lida com eles todo dia, mas muitos deles ainda têm receio quando se deparam com seres humanos diferentes, outros até gostam, então é uma coisa que a gente vai em breve fazer, mas também para não estressar os animais vai ser um projeto quinzenal ou mensal. Mas quando as pessoas têm contato com esses animais, elas começam a perceber que eles pedem carinho, que eles têm emoções.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: Você disse que fundou o santuário em 2008. De lá pra cá, nestes onze anos com o santuário, e também considerando o período no qual você já estava envolvida na causa animal, mesmo antes da criação do santuário, você notou alguma evolução na sociedade em relação aos animais? Os cães e gatos e, principalmente, os animais de fazenda, têm sido vistos de melhor forma pelos humanos, embora grande parte da população ainda seja omissa e até cruel com eles?

Patricia Fittipaldi: Eu notei muita mudança. Porque mesmo na época que eu não tinha o santuário, que eu só era envolvida com ativismo, era uma coisa muito difícil as pessoas se comoverem com animais de grande porte, animais de fazenda. E hoje em dia, mesmo as pessoas que se alimentam de carne têm aquela hipocrisia, comem a carne mas ficam com pena de ver as situações, e isso já é um despertar. E muitas delas, até por causa desse despertar, viram vegetarianas e veganas.

E entre os animais de fazenda, acho que as pessoas se sensibilizam mais com os equinos. Porque elas encontram muitos equinos na própria cidade, puxando carroça, animais desmaiando de cansaço, então são animais de fazenda, mas que também são encontrados na cidade. Portanto, eu vejo uma grande evolução em relação ao despertar das pessoas com os animais de fazenda, mas ainda tem muita coisa para evoluir.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: E como você faz para sustentar todos estes animais do santuário? 

Patricia Fittipaldi: Infelizmente, a gente vive literalmente de doação e são doações eventuais, o que é uma coisa incerta. Todo mês é uma loucura, a gente implorando ajuda na internet, nas mídias sociais. Não temos patrocínio fixo de empresa ou pessoa e o gasto é altíssimo, com ração, medicamentos, funcionários, com os recintos, que têm que ampliar, modificar, melhorar, criar mais recintos. É muito difícil. A gente gostaria muito de ter um patrocínio pelo menos para rações, um patrocínio mensal. Mas, infelizmente, a gente até hoje não conseguiu, então vivemos literalmente de doação.

* Por Mariana Dandara


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‘Direitos animais andam de mãos dadas com direitos humanos’, defende o coletivo Feminivegan

Com o objetivo de unir as lutas pelos direitos dos animais e das mulheres, e também abordar temas relativos aos trabalhadores, surgiu o coletivo Feminivegan. Através das redes sociais, o grupo dissemina informações para conscientizar a população. Para explicar melhor a proposta do Feminivegan, o coletivo deu uma entrevista exclusiva à ANDA. Confira abaixo.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: Há quanto tempo o coletivo existe e como surgiu a ideia de criá-lo?

Feminivegan: O coletivo existe desde 11 de março de 2018. A ideia surgiu depois que Ana Motha sentiu a necessidade de trazer mulheres feministas para o veganismo, de mostrar para as pessoas que é possível, que é acessível e que pessoas periféricas podem ser veganas. O veganismo sempre foi um movimento político, sempre teve um viés anticapitalista. Mas com o passar dos anos, com o avanço do liberalismo, de ONGs neoliberais bem-estaristas, foi perdendo a essência e se tornando uma dieta da moda.

ANDA: Há uma relação entre os direitos dos animais e das mulheres que levou a junção das duas causas no coletivo? Se sim, qual?

Feminivegan: Sim, o fato de que toda a indústria que explora os corpos dos animais é sustentada pelo corpo de uma fêmea não humana, com inseminações artificiais, por exemplo. Como nossa capacidade reprodutiva é controlada, como no caso das mulheres que trabalham no setor frigorífico, que muitas vezes têm gestações controladas, para não atrapalhar a produção. Para nós, os direitos animais andam de mãos dadas com os direitos humanos, ou derrubamos o capitalismo e libertamos todos, ou nada mudará.

ANDA: Quantas pessoas integram o feminivegan? Vocês costumam se reunir para debater temas relativos ao coletivo?

Feminivegan: Atualmente, não temos um número certo. Passamos por uma “reforma”, e agora, estamos em fase de formação de novas integrantes, que ainda não são consideradas membros do Femini. No total, são 69 mulheres no grupo de formação. Sim, nos reunimos e realizamos oficinas de militância.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: O que é o “ecofeminismo”?

Feminivegan: O Ecofeminismo é a quinta corrente apontada por Karen Warren, no final da década de 80 do século XX, ou o que ela chama de feminista transformativa, enfatizando as diferentes conexões entre a opressão exercida pelos homens sobre a natureza (naturismo) e a opressão exercida pelos homens sobre as mulheres (machismo).

Referência: A perspectiva ecoanimalista feminista antiespecista, Sônia Teresinha Felipe.

ANDA: O trabalho desenvolvido pelo coletivo nas redes sociais tem sido bem aceito?

Feminivegan: Sim, recebemos muitas mensagens de apoio e de interesse em participar do coletivo.

ANDA: Quais temas são debatidos pelo coletivo no Instagram?

Feminivegan: Direitos animais, direitos das mulheres e da classe trabalhadora.

ANDA: Além das redes sociais, vocês atuam de alguma outra forma?

Feminivegan: Passamos por uma “reforma” para que isso aconteça. Desde a criação do coletivo, nossa intenção era levar o veganismo para as ruas, para as periferias. Agora, com tudo resolvido, pretendemos realizar trabalhos voluntários em escolas e com pessoas em situação de rua.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: Como vocês se sentem estando à frente deste projeto?

Feminivegan: Nos sentimos felizes, fazendo o que muitas mulheres fortes fizeram no passado, mas que não tiveram tanto espaço. Esperamos fazer a diferença, sair do discurso e mudar a vida de muitas pessoas.

ANDA: De que forma um coletivo que une os direitos das mulheres aos dos animais em uma luta única traz benefícios para a sociedade?

Feminivegan: O Femini além de defender os direitos dos animais e das mulheres, é anticapitalista. Acreditamos que libertar animais não humanos, sem uma mudança no sistema não resolve os problemas do mundo. Atualmente, temos um governo amparado pela bancada ruralista, que além de explorar animais humanos e não humanos, nos envenena dia a dia com milhares de agrotóxicos, por exemplo. Ou seja, libertar animais considerados de produção, sem libertar os trabalhadores, sem libertar humanos, não muda nada. Por isso, lutamos por soberania alimentar para a classe trabalhadora, lutamos pelo direito das pessoas escolherem o que querem comer, mas sabendo de tudo que envolve aquele alimento. A classe trabalhadora conscientizada tem nas mãos o poder de libertar os animais, parando a produção dos frigoríficos, parando o transporte dos animais, etc. Esse é o nosso trabalho na sociedade, fazer as pessoas despertarem!

Ativista com cão resgatado interrompe entrevista e diz que a Vale é criminosa

O ativista pelos direitos animais Luiz Scalea interrompeu uma entrevista à imprensa convocada pelo diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani. “A Vale é criminosa”, gritou o manifestante, que carregava um cachorro nos braços. O caso aconteceu na quinta-feira (31).

(Foto: Reprodução / G1)

O cachorro, segundo Scalea, foi resgatado com vida em Brumadinho (MG) após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão. O ativista lembrou que a Vale “matou muitos animais inocentes” e disse que não viu “ninguém da Vale ajudando”.

Siani respondeu que a empresa tem “agora 50 pessoas e montamos um hospital de campanha para fazer resgate de fauna”. O ativista rebateu: “agora? Há quantos dias esses animais estão morrendo? Agora que o senhor vem fazer isso? Os animais estão sofrendo”.

A entrevista foi convocada para anunciar que a mineradora deve repassar R$ 80 milhões ao município ao longo de dois anos para compensar os impostos que deixam de ser arrecadados. As informações são do portal G1.

O ativista saiu de São Paulo trazendo doações. Ele foi, assim como outros voluntários, para Brumadinho para ajudar os animais. Cachorros, gatos, aves, cavalos, bois e vacas foram atingidos pelo rompimento da barragem. Muitos deles ficaram presos na lama ou ilhados.

Uma vaca foi sacrificada e outros animais foram mortos a tiros por policiais – ação que gerou inúmeras críticas. Até a quinta-feira, 57 animais foram resgatados. Eles foram encaminhados para uma fazenda, onde estão recebendo os cuidados necessários.