Unesp de Botucatu cria IML animal

Por Rafaela Damasceno

A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), em Botucatu, introduziu um Ambulatório de Corpo de Delito de Medicina Legal Veterinária. O serviço foi criado para atender a crescente demanda sobre investigação de crimes ambientais, sindicâncias e responsabilidades de contratos comutativos para prestação de serviço, que envolvam animais vivos e seus produtos.

Grupo responsável pelo ambulatório tira foto de divulgação

Foto: FMVZ Unesp

O Ambulatório é o primeiro no Brasil a funcionar exclusivamente com esse foco na medicina veterinária.

“As demandas para o Ambulatório partem de autoridades judiciais, como delegados, promotores e juízes, via boletins de ocorrência, requisições ou intimações”, explica a professora Noeme Sousa Rocha, responsável pelo ambulatório.

Alberto Soiti Yoshida, perito veterinário e consultor da ANDA, acredita que o IML animal é essencial. De acordo com ele, a criminalização ocorreu, mas não houve nenhum sistema que tornasse possível a coleta de provas para a confirmação o crime. “A legislação brasileira tornou os maus-tratos aos animais um crime, mas a estrutura do Estado não acompanhou essa alteração legislativa”, afirma.

O perito declara que as universidades assumiram esse papel já há algum tempo, realizando a perícia nos animais, atividade que precisa especificamente dos médicos veterinários capacitados. Para ele, as iniciativas nas universidades se mostram mais adiantadas que o Estado, que pode e deve utilizá-las como meio de provas para fazer valer a lei.

“Nós temos um projeto de lei tramitando no Congresso para aumentar a pena de maus-tratos aos animais. A legislação está adiantada, mas não há estruturas acompanhando”, menciona ele. Alberto parabeniza a FMVZ pela criação do Ambulatório, afirmando que isso será benéfico tanto para aqueles que trabalham para levantar provas dos maus-tratos nos animais quanto para a sociedade como um todo.

Burrinho cego volta a enxergar graças a um par de óculos de sol especial

Foto: The Donkey Sanctuary

Foto: The Donkey Sanctuary

Um burrinho que ficou cego em um acidente infeliz voltou à enxergar graças a um par de óculos de sol especial.

Jonty foi levado às pressas para um hospital especialista em burros depois de entrar em um espinheiro e um espinho afiado ficar preso em seus olhos.

O espinho foi removido, mas o estresse da operação desencadeou um problema ocular crônico.

Agora, em um esforço para restaurar sua visão, Jonty tem que usar óculos de sol especialmente feitos para proteger seus delicados olhos dos prejudiciais raios UV.

Foto: The Donkey Sanctuary

Foto: The Donkey Sanctuary

Jonty foi tratado por uma equipe especializada no hospital de animais do The Donkey Sanctuary em Sidmouth, Devon, Inglaterra.

A veterinária Vicky Grove disse: “O estresse do ferimento e a chegada ao hospital possivelmente desencadearam a recorrência de um problema ocular crônico”.

Jonty sofreu uma inflamação de fundo imunodeficiente de todo o seu olho. Ele tinha úlceras na córnea, os olhos escorriam pus e era realmente doloroso – ele perdeu a visão.

Jonty ainda tinha alguma visão mínima, e os funcionários do hospital deram-lhe estes óculos para proteger os olhos, dando-lhes a chance de se recuperar.

Vicky continuou: “A máscara é como usar óculos escuros, e Jonty fez um bom progresso, embora a parte de trás do olho ainda esteja danificada.

Foto: The Donkey Sanctuary

Foto: The Donkey Sanctuary

“Estamos monitorando seus olhos com um oftalmoscópio, e testamos sua visão com uma pista de obstáculos, que ele completou, então achamos que a cegueira é apenas parcial”.

Os burros geralmente formam fortes laços com um amigo da mesma espécie, mas Jonty prefere sua própria companhia e atualmente está se recuperando sozinho no hospital da instituição de caridade.

Depois de desfrutar de um pouco de descanso será transportado para Slade House Farm, o principal local de visita do The Donkey Sanctuary.

Mas ele terá os óculos especiais durante grande parte do verão, enquanto se recupera, além disso os veterinários especializados do santuário estarão atentos ao seu progresso.

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Portos do Paraná monitoram golfinhos em Paranaguá e Antonina

A cada três meses, um especialista contratado pela Administração dos Portos do Paraná passa seis dias monitorando os botos-cinza e golfinhos que vivem na região. Na área interna, de Pontal a Antonina, são quase cem quilômetros percorridos para acompanhar os animais, que se deslocam e pescam em grupos no entorno dos portos de Paranaguá e Antonina.

(Foto: Claudio Neves/ Portos do Paraná)

Na campanha trimestral realizada nesta semana, foram avistados e fotografados 200 animais adultos e 25 filhotes, comprovando a qualidade do ecossistema, mesmo com a atividade portuária. “A intenção é monitorar os impactos e alterações no ambiente. A presença dos golfinhos está relacionada à abundância dos recursos naturais aqui do entorno”, explica Fernando Augusto Hardt, biólogo, doutor em Engenharia Ambiental.

O profissional conta que, na região, é possível avistar filhotes ao longo do ano todo e não apenas em períodos pontuais. “Costumamos dizer que os golfinhos, por serem animais topo de cadeia, são espécies guarda-chuva ou sentinelas, eles precisam de ambientes com um mínimo de recursos para que eles possam existir”, ressalta.

Entre os impactos aos quais os animais estão expostos, estão a poluição, o tráfego de embarcações de todos os portes e atividade pesqueira. “Esta exige bastante atenção. Os golfinhos são mamíferos marinhos e sem respirar eles podem morrer afogados. É o que acontece quando eles se emaranham nas redes de pesca”, alerta o especialista.

MONITORAMENTO – O monitoramento é feito através da foto identificação. “Os animais possuem marcas naturais na nadadeira dorsal e através dessa marca, que é como a nossa impressão digital, conseguimos identificar individualmente cada um deles”, afirma Fernando Augusto Hardt.

Segundo ele, cada vez que encontra um grupo de golfinhos, faz as fotos e marca as coordenadas no GPS. São, em média, duas mil fotos por saída. No laboratório, as imagens são analisadas e, com esses dados, além de informações sobre os grupos e indivíduos, é possível fazer uma estimativa de densidade da população. “Conseguimos calcular quantos indivíduos ocupam essa porção da amostra e acompanhar se aumentou ou diminuiu”, afirma. Atualmente, a população de golfinhos na área varia de 320 a 460 animais.

QUELÔNIOS – Como é muito difícil avistar os quelônios em campo, para complementar os dados para o Programa são realizadas entrevistas com a comunidade local. Os dados levantados também são base para os programas de comunicação e educação ambiental. “Só se cuida e preserva o que se conhece. Esse monitoramento contínuo nos permite gerar conhecimento e ter base de informações para que possamos agir em tempo”, afirma o biólogo.

(Foto: Claudio Neves/ Portos do Paraná)

NÚMEROS – Os Portos do Paraná realizam estes monitoramentos desde 2014. Em quatro anos, são 1.061 horas de atividade e mais de 421 horas de observação direta dos animais. Em quilômetros percorridos para o monitoramento, foram mais de 17,4 mil km. Nesse trajeto foram captados 271.600 registros fotográficos de 16.326 golfinhos adultos e 2.188 filhotes. Em cada dia de monitoramento é realizado cerca de cinco horas de esforço total, duas horas de observação direta.

Este ano, além do monitoramento na área interna, a equipe deu início ao monitoramento em área externa (para fora da baía). Nesta região mais afastada, além do boto-cinza, foram avistados o Golfinho Nariz de Garrafa e o Pintado do Atlântico.

O acompanhamento dos cetáceos e quelônios é um dos cinco sub-programas inseridos no Programa de Monitoramento da Biota Aquática e Biondicadores. Além desses animais, também são monitorados os plânctons, bentos, peixes (ictiofauna), camarões, siris e caranguejos (carcinofauna) e as aves (avifauna).

No total, a Diretoria de Meio Ambiente dos Portos do Paraná tem 17 Programas Ambientais, incluindo Comunicação e Educação Ambiental.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná