Pesquisadores concluem que animais em cativeiro sofrem intenso estresse

Por Rafaela Damasceno

Zoológicos e aquários se tornaram atrações famosas muito procuradas para o entretenimento humano. Para muitos, a experiência parece incrível – ver animais selvagens e exóticos que nunca seriam vistos fora da natureza. Infelizmente, o custo disso é muito alto para os animais.

Um urso polar em um recinto de zoológico

Foto: Carsten Tolkmit/Wikimedia

Os animais em cativeiro frequentemente apresentam comportamentos estereotipados, relacionados ao estresse. Mas como identificar os comportamentos que são normais e os que não são? Um grupo de pesquisadores se comprometeu a responder essa pergunta, realizando um estudo com 11 ursos polares presos em sete zoológicos diferentes.

Todos os ursos da pesquisa nasceram em cativeiro. Análises complexas de vídeos feitos durante o estudo concluíram que, na maioria dos casos em que os ursos exibiam comportamentos repetitivos, eles provavelmente estavam se desconectando de seus ambientes. Isso sugere que os comportamentos demonstrados devem ser considerados anormais.

Estudos semelhantes foram realizados no passado, mas este reforça o que várias pessoas, principalmente ativistas, afirmam há anos: o cativeiro é estressante para os animais.

A vida no cativeiro não pode ser comparada à vida na natureza. Na região do Ártico, os ursos polares passam o dia viajando no gelo do mar – que está sumindo devido às alterações climáticas – e caçando para se alimentar. A espécie também é conhecida por nadar muito bem e suportar temperaturas abaixo de zero. Já no cativeiro, normalmente os ursos vivem em áreas com uma piscina de concreto. Eles não podem percorrer distâncias que deveriam, caso estivessem na natureza, nem atravessar o gelo do mar. Também são forçados a viver em climas que não imitam o de seu habitat e não caçam.

A mesma coisa acontece com todos os animais em cativeiro. As orcas são forçadas a viver em piscinas minúsculas, onde podem apenas nadar em círculos – ao contrário da natureza, onde percorrem cerca de 160 quilômetros por dia. Elefantes, que costumam andar 50 quilômetros, também não possuem grande espaço para se locomover.

Sejam em gaiolas pequenas ou em espaços expositivos com grama e árvores, os animais ainda sim não incapazes de exibir comportamentos naturais, o que impacta diretamente em seu bem-estar psicológico e emocional.

É comum animais em cativeiro exibirem comportamentos repetitivos como andar de um lado para o outro, se balançar, sacudir a cabeça. Outros podem até mesmo se tornar mais extremos, ferindo a si mesmos ou destruindo coisas ao seu redor. Esses comportamentos são definidos como “zoocose”.

A zoocose é a condição comportamental que ocorre em animais em cativeiro, como os comportamentos estereotipados.

O estresse não é causado apenas por estarem confinados em recintos pequenos. Os animais, frequentemente, são insultados ou perturbados por visitantes, que podem bater nos vidros ou atirar coisas no local, tentando chamar a atenção deles. Os barulhos altos, as multidões e condições climáticas diferentes são coisas que eles não teriam contato na natureza.

Infelizmente, enquanto houver pessoas para visitar lugares como zoológicos e aquários, os animais continuarão sendo explorados para o entretenimento humano.


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Sem água e comida, macaco é encontrado preso em gaiola em Sorriso (MT)

Um macaco-prego foi encontrado preso em uma gaiola, exposto ao sol, sem água e comida, em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, no Mato Grosso. O animal silvestre vítima de maus-tratos foi resgatado por fiscais da prefeitura nesta sexta-feira (26).

Foto: Bruno Bortolozo/TVCA

O animal foi flagrado pelo Núcleo Integrado da Fiscalização (NIF) fazendo movimentos repetitivos. Segundo o coordenador do NIF, Reinaldo Nunes, o comportamento do macaco caracteriza estresse. As informações são do G1.

Uma mulher, que não teve a identidade divulgada, mantinha o macaco-prego em cativeiro em uma propriedade na região industrial da cidade. Ela afirmou à polícia que o animal foi encontrado por um colega, em uma região de mata, ao lado da mãe, que estava morta.

A mulher alegou que o homem ficou com pena do animal e o levou para ser criado na propriedade onde ela vive. O macaco viveu no local por oito anos.

“Quando encontrou o animal, o indivíduo deveria ter procurado um órgão ambiental para que as providências fossem tomadas”, ressaltou Reinado, que lembrou ainda que as condições as quais o macaco foi submetido configuram maus-tratos.

Manter animais em cativeiro e maltratá-los são crimes ambientais que podem ser punidos com detenção de até um ano, além de multa.

Após o resgate, o macaco-prego foi levado para o Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na cidade de Sinop. No local, ele será submetido a um período de quarentena e, depois, será inserido em um grupo de macacos para que possa se readaptar. Quando estiver reabilitado e curado, o animal poderá ser devolvido à natureza.


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Acariciar animais reduz níveis de estresse, revela estudo

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, concluiu que acariciar animais diminui os níveis de estresse das pessoas. Apenas 10 minutos fazendo carinho em um cachorro ou gato são suficientes para reduzir o cortisol, principal hormônio ligado ao estresse.

Foto: Pixabay

Para o estudo foram observados 249 universitários, divididos em quatro grupos. Um deles interagiu com animais por 10 minutos, outro apenas observou. O terceiro grupo viu fotos de animais em um slideshow e o quarto ficou na lista de espera sem ter contato com os animais, mas tendo ciência de que se aproximariam deles em breve.

Os pesquisadores analisaram a saliva dos participantes antes e depois de instruções serem passadas a eles. Todos os grupos registraram redução do cortisol, mas o que apresentou maior diminuição dos níveis do hormônio foi o que teve contato direto com os animais. As informações são do portal Metrópoles.

“Nós já sabíamos que os alunos gostam de interagir com os animais e que isso os ajuda a experimentar emoções mais positivas”, disse a coautora do estudo Patricia Pendry, em entrevista ao site oficial da universidade.

Segundo ela, a novidade do estudo está em mostrar que o contato com animais tem efeitos que não são apenas subjetivos. “Isso é empolgante porque a redução dos hormônios do estresse pode, ao longo do tempo, ter benefícios significativos para a saúde física e mental”, afirmou.

Os pesquisadores consideraram os resultados do estudo bastante positivos. Eles pretendem publicar um artigo sobre o assunto até o final de 2019.


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Fogos e barulhos em geral podem causar desmaios e levar animais à morte

O estampido dos fogos de artifício e ruídos provocados de outras maneiras, como música em volume alto, podem levar animais à morte, especialmente os recém-nascidos e os idosos.

Cães, gatos, coelhos, hamsters, aves e animais de outras espécies correm sério risco. O estresse causado pelos barulhos os deixam nervosos, podendo levar a desmaios e à morte. Amarrá-los, durante a execução desses ruídos, é ainda pior, já que eles podem ficar ainda mais nervosos por estarem presos, além do risco de enforcamento.

Foto: Pixabay

Além desses riscos, alguns barulhos – até mesmo os mais sutis, como batidas de portas e janelas – podem agravar doenças pré-existentes. As informações são do portal IG.

De acordo com a médica veterinária e fundadora do grupo Vet Popular, Caroline Mouco Moretti, os sustos causados pelos barulhos podem ter efeitos graves sobre os animais

“Muito embora a evolução da espécie e a domesticação venham contribuindo com a adaptação, ainda é muito frequente casos de sincopes (desmaios), ou em casos mais raros a morte súbita de animais quando se assustam”, conta.

“Animais mais idosos, que podem ter doenças cardíacas, respiratórias ou neurológicas estão dentre os mais propensos às consequências graves de barulhos altos”, diz. “Em meio a uma situação de susto, agitação ou medo, o animal pode facilmente entrar uma crise, e se não for rapidamente socorrido, poderá ter seu óbito”, explica Caroline.

Apesar de correrem menos riscos que os animais idosos, os filhotes também podem sofrer as consequências dos ruídos altos. “Animais que não estão acostumados nem adaptados a esses episódios de barulho intenso podem sofrer com a situação. Essa mistura de animal não condicionado com tutores inexperientes pode agravar a situação”, diz a veterinária.

Para proteger o animal é importante mantê-lo fora de áreas de risco. “Lugares altos, onde o animal pode tentar fugir e facilmente se joga (sem calcular risco) ou então tutores que deixam o acesso à rua desprotegido, e na tentativa de fuga o animal pode ser atropelado. Outro caso comum é quando o tutor prende o animal de maneira inapropriada, acreditando ser a melhor opção, e na tentativa de escapar, eles pulam e contorcem a coleira tendo o risco grande de serem enforcados”, alerta Caroline.

A veterinária reforçou ainda que não são apenas cães e gatos que correm riscos, mas também animais como hamster, coelhos e chinchilas. Segundo Caroline, essas espécies podem morrer facilmente, inclusive se foram manuseadas de maneira errada pelo tutor. “Mexer no animal sem condicionamento adequado causa um tipo de estresse crônico, que pode ser fatal para esses animais extremamente sensíveis”, finaliza.


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Rússia mantém 101 baleias e orcas presas em condições estressantes

O governo russo está mantendo há meses 90 baleias belugas e 11 orcas confinadas em condições estressantes, conforme denunciam ambientalistas que temem pela saúde dos animais. As autoridades prometeram libertar as orcas e baleias, mas até o momento as mantém no confinamento.

Orca (Foto: Pixabay / Ilustrativa)

Os animais marinhos foram retirados da natureza, a maior parte para ser enviada a aquários chineses. O ato cruel chamou a atenção de ambientalistas, políticos e celebridades. O ator Leonardo DiCaprio está entre as pessoas que se posicionaram contra o cativeiro das baleias e orcas. Ele fez um apelo para que esses animais sejam libertos e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu às autoridades que o destino deles fosse determinado até o início de março. Um mês após o final do prazo, as baleias e orcas permanecem confinadas no Centro para Animais Marinhos, no leste da Rússia. O local é conhecido como “cadeia de baleias”.

Os animais foram capturados no Mar de Okhotsk e estão no Centro desde que o procurador-geral da Rússia disse que as empresas que fizeram a captura não tinham autorização para fazer a exportação para a China. As informações, da emissora internacional da Alemanha Deutsche Welle, foram divulgadas pelo jornal O Povo.

Ambientalistas se preocupam com os animais e alertam que a alimentação dada por humanos e os medicamentos oferecidos para que o sistema imunológico seja estimulado podem dificultar a sobrevivência das belugas e das orcas caso elas sejam devolvidas ao habitat.

Ao analisar imagens da “cadeia de baleias”, um grupo internacional de cientistas concluiu que a saúde dos animais está piorando. Até o momento, pelo menos três belugas e uma orca foram dadas como desaparecidas do local. O discurso oficial é de que elas fugiram. Ambientalistas, no entanto, acreditam que elas tenham morrido no cativeiro.

O Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente (MNR) da Rússia afirmou que os animais passam bem. “Queremos tranquilizar a todos que estão monitorando de perto a situação de que não há preocupações sobre as orcas na Baía de Srednaya”, afirmou.

O Instituto Russo de Pesquisas Pesqueiras e Oceanografia (VNIRO) disse que está coordenando um grupo de especialistas que irá avaliar o quadro de saúde das belugas e das orcas. Afirmou ainda que apenas as mais aptas à sobrevivência serão devolvidas à natureza. Porém, a ação do governo gera desconfianças. O especialista em mamíferos marinhos Grigory Tsidulko, consultor do Greenpeace Rússia, teme que a abordagem da Rússia seja apenas uma fachada para ocultar interesses econômicos.

“Todos os animais podem ser libertados se houver uma reabilitação adequada, mas há um grande conflito de interesses”, disse Tsidulko à DW. “O grupo que avalia a saúde dos animais foi ampliado após uma reunião com o Ministério de Recursos Naturais e incluiu representantes de alguns grandes oceanários russos”, acrescentou.

O VNIRO negou a existência de conflitos de interesses e disse que está sendo realizada uma avaliação objetiva e imparcial dos animais. O processo de reabilitação, segundo o Instituto, será iniciado quando o governo decidir quais animais poderão voltar ao habitat. Os que forem julgados aptos serão soltos no local onde foram caçados em junho, quando começa o período sem gelo na Rússia.

O MNR acredita que soltar as belugas e orcas no mesmo local de onde foram capturadas pode facilitar o reencontro com membros da família. Embarcações capazes de transportar esses animais, que podem pesar até 6 toneladas, e que tenham espaço para abriga-los durante a viagem, que deve durar de quatro a cinco dias, serão utilizadas durante o procedimento de soltura.

O governo não informou qual será o destino dos animais considerados inaptos à vida na natureza. Tsidulko acredita que há chances deles acabarem vivendo presos em aquários.

O MNR justifica que devolvê-los ao mesmo lugar facilitará o reencontro com membros da família. Como uma orca macho pode pesar até 6 toneladas, o ministério afirmou que serão utilizadas embarcações capazes de transportar grandes cargas e que os mamíferos terão espaço suficiente durante a viagem de quatro ou cinco dias. O que acontecerá aos animais considerados não aptos à liberação ainda é uma incógnita. Para Tsidulko, há chance de que eles acabem em aquários.

Auditoria em jóqueis encontra cavalos feridos e com sinais de estresse

Oito jóqueis clubes do país, que exploram cavalos para entretenimento humano, foram foco de auditoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A fiscalização encontrou 170 irregularidades. De acordo com a chefe da Divisão de Bem-Estar Animal e Equideocultura do Mapa, Liziè Buss, “a maior parte das inconformidades verificadas nos animais foi de cavalos com movimentos repetitivos ou estranhos à espécie, gerados por estresse, além de ferimentos no corpo e no canto da boca, por uso incorreto do freio”.

Foto: Pixabay

E apesar dos cavalos estarem bem nutridos e terem baias com tamanho e forragem para a cama adequados, foram encontradas também cicatrizes nos corpos deles “indicativas de problemas no manejo, que deixaram os animais agitados, além de falhas de manutenção das instalações e uso inadequado de equipamentos de equitação”.

O objetivo da fiscalização é elaborar normas de boas práticas agropecuárias para os jóqueis, com a inclusão de exigências específicas em relação ao bem-estar animal. As informações são do Paraná Portal.

Atualmente, 1.657 cavalos vivem em jóqueis. Na auditoria, 167 foram avaliados. No país, há 15 jóqueis com autorização para realizar apostas em corridas de cavalo. O do Rio de Janeiro, que foi vistoriado pelo Mapa, tem 963 cavalos, sendo considerado o estabelecimento com mais animais.

Em 2018, foram realizadas 1.294 corridas, que movimentaram R$ 150,2 milhões em apostas.

Nota da Redação: as corridas de cavalos são práticas exploratórias que, conforme constatou a auditoria do Mapa, condenam esses animais a sofrimento. Forçados a realizar atividades anti-naturais, que não seriam realizadas pelos cavalos por conta própria, esses animais são explorados para entretenimento humano. Eles suportam estresse, acabam feridos e são condenados a uma vida miserável, na qual são tratados como objetos para gerar lucro e divertir a população.