Estudo revela que 20% dos mexicanos são veganos ou vegetarianos

Foto: The Vegan Mexican/Facebook

Foto: The Vegan Mexican/Facebook

De acordo com um artigo publicado pelo jornal Excelsior, 20% dos consumidores mexicanos “reduziram ou eliminaram completamente o consumo de carne ou alimentos derivados de animais como parte das novas tendências vegetarianas ou veganas”, que são predominantes entre os jovens.

A pesquisa de dados foi encomendada por um dos principais festivais gastronômicos do México, o The Gourmet Show, e demonstra que as gerações mais jovens, especialmente as mulheres, não consomem mais carne ou produtos de origem animal.

Alfredo Cordero, diretor de criação da Tradex, principal empresa de exposições e eventos mexicana que traz para o México a 12ª edição do Gourmet Show, explicou aos leitores mexicanos que agora existem diferentes tipos de consumidores gastronômicos, enquanto anteriormente existiam apenas duas categorias – vegetarianas e onívoras.

No entanto, nos dias atuais, “a classificação se diversificou em regimes muito rigorosos e especializados, e há números que indicam que 20% dos mexicanos já estão em uma classificação vegetariana ou similar”. Ele lista flexitariano, vegano, frugívoros e vegano cru, entre outros.

María Fernanda Villalobos, gerente do restaurante mexicano Vegano Inc, diz que a tendência vegana está se tornando moda no país, e de 60% a 70% das pessoas que praticam a alimentação à base de vegetais são mulheres que buscam uma dieta mais rica em nutrientes por razões de saúde.

No México, os problemas com alimentação são predominantes; por exemplo, uma em cada três pessoas é declaradamente intolerante à lactose.

No Brasil

Uma pesquisa realizada pelo IBOPE e encomendada pela SBV (Sociedade Vegetariana Brasileira) em 2018 revela que o Brasil tem 14% de vegetarianos e 81% de adeptos à dieta com carne. Sendo que 49% dos entrevistados disseram que acham que não se cuidam como deveriam.

Os adeptos da alimentação vegetariana, aqueles que excluem a carne do cardápio, somam 30 milhões (14% da população brasileira), diz a pesquisa. O levantamento foi feito em 102 municípios brasileiros.

Nas regiões metropolitanas, houve um crescimento no índice de vegetarianos. Pesquisa feita pelo Ibope em 2012 só nessas áreas apontava para 8% de adeptos da dieta. Hoje, esse índice é de 16% (um pouco maior que a média nacional).

De olho na demanda crescente

De olho na mudança de hábitos dos consumidores brasileiros as empresas tem investido na produção de alimentos à base vegetais, recentemente a maior empresa de carne do mundo, a companhia brasileira JBS S.A. lançou seu primeiro hambúrguer à base de vegetais.

O novo produto será vendido sob a marca Seara e é feito de uma mistura de soja, trigo, cebola, alho e beterraba.

À medida que a popularidade dos hambúrgueres à base de vegetais feitos por empresas como a Beyond Meat e a Impossible Foods continua a crescer, várias marcas tradicionalmente centradas na carne de origem animal estão se focando no desenvolvimento de produtos veganos concorrentes.

No início deste ano, a Nestlé estreou seu Incredible Burger na Europa e planeja lançar uma opção similar (chamada “Awesome Burger”) nos Estados Unidos por meio de sua marca Sweet Earth.

A gigante da carne Tyson Foods – que anteriormente detinha uma participação de 6,5% na Beyond Meat – pretende lançar seu primeiro produto de carne à base de vegetais até o final deste verão.

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Elefantes continuam ameaçados mesmo com os números de mortes por caça em queda

A pesquisa, que incluiu cientistas das universidades de Freiburg, York e da Convenção para o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), revela um declínio na taxa anual de mortalidade de elefantes proveniente da caça (ilegal) saindo de um pico estimado de mais de 10% em 2011 para menos de 4% em 2017.

Estima-se que haja cerca de 350 mil elefantes restantes na África, mas aproximadamente de 10 a 15 mil são mortos a cada ano por caçadores.

Nas atuais taxas de caça, os elefantes correm o risco de serem praticamente eliminados do continente, sobrevivendo apenas em bolsões pequenos e fortemente protegidos.

Um dos autores do estudo, o Dr. Colin Beale, do Departamento de Biologia da Universidade de York, disse: “Estamos vendo uma queda na caça, que é obviamente uma notícia positiva, mas o número de mortes ainda está acima do que pensamos ser sustentável, então as populações de elefante populações estão em declínio”.

“As taxas de caça parecem responder principalmente aos preços do marfim no sudeste da Ásia e não podemos esperar ter sucesso sem atacar a demanda naquela região.”

A equipe de pesquisa diz que é impossível dizer se a proibição do comércio de marfim introduzida na China 2017 está tendo um impacto nos números, já que os preços do marfim começaram a cair antes da proibição e podem refletir uma desaceleração mais ampla na economia chinesa.

“Precisamos reduzir a demanda na Ásia e melhorar o sustento das pessoas que convivem com elefantes na África; esses são os dois maiores alvos para garantir a sobrevivência dos elefantes a longo prazo”, acrescentou Beale.

“Embora não possamos esquecer o combate à caça e a aplicação da lei, melhorar apenas esses pontos isoladamente não resolverá o problema da caça em si”, acrescentou Beale.

Os cientistas analisaram dados do programa MIKE (Monitoramento do Abate Ilegal de Elefantes), que registra dados de cadáveres fornecidos por guardas florestais em 53 locais protegidos em toda a África.

O Dr. Beale acrescentou: “Os elefantes são a própria definição da megafauna carismática, mas também são importantes engenheiros do cerrado africano e dos ecossistemas florestais e desempenham um papel vital na atração do ecoturismo para que a sua conservação seja uma preocupação real”.

Lisa Rolls Hagelberg, diretora de Relações com a Vida Silvestre e Relações com Embaixadores da ONU, disse: “Garantir um futuro que conte elefantes selvagens e uma série de outras espécies exigirá leis e esforços mais rigorosos e envolvimento genuíno da comunidade; no entanto, desde que haja demanda as pessoas vão encontrar uma maneira de supri-la.

“Apenas cerca de 6% do financiamento atual para combater o comércio de animais selvagens é direcionado para a comunicação.

Para o sucesso a longo prazo, os governos precisam priorizar intervenções abrangentes de mudança social e comportamental para prevenir e reduzir a demanda. Nós temos o know how (como fazer), agora precisamos investir para realmente influenciar a consciência ambiental”.

Severin Hauenstein, da Universidade de Freiburg, acrescentou: “Esta é uma tendência positiva, mas não devemos ver isso como um fim para a crise da caça”.

“Depois de algumas mudanças no ambiente político, o número total de elefantes mortos na África parece estar caindo, mas para avaliar possíveis medidas de proteção, precisamos entender os processos locais e globais que impulsionam a caça de elefantes”.

O estudo foi publicado na Nature Communications.

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Instituto Americano de Pesquisas sobre o Câncer passa a servir refeições veganas aos pacientes

Foto: VegNews

Foto: VegNews

O Instituto Americano de Pesquisa sobre o Câncer (AICR) recentemente fez uma parceria com a marca de kits de refeições veganas MamaSezz para criar pacotes de refeições veganas que ajudam a prevenir e tratar o câncer.

Segundo a co-fundadora da empresa responsável pelas refeições, Meg Donahue, os pacientes receberão pratos com ingredientes selecionados e balanceados, montados especialmente para reforçar e proteger o sistema imunológico.

“Este é o padrão ouro das refeições à base de vegetais: saborosas, frescas, prontas para consumo, entregue à sua porta.” Cada pacote inclui um plano alimentar de sete dias, receitas e ingredientes para pratos como grãos de lentilha com quinoa, grão-de-bico com ervas e açafrão-da-índia e ensopado marroquino.

AICR trabalhou em conjunto com a empresa MamaSezz para criar as refeições depois de lançar seu relatório “Dieta, Nutrição, Atividade Física e Câncer: Uma Perspectiva Global”, uma revisão da pesquisa de prevenção do câncer que aponta para uma alimentação baseada em vegetais para uma saúde ideal.

“Seguir o pacote de recomendações de dieta, exercícios e estilo de vida [do relatório publicado] é a melhor maneira de reduzir suas chances de contrair câncer”, disse a Diretora de Programas Nutricionais da AICR, Alice Bender, MS, RDN.

“Fazer mudanças no estilo de vida exige algum esforço, mas as recompensas podem mudar a vida de uma pessoa”.

Os pacotes de refeições estarão disponíveis para pedidos on-line por meio da MamaSezz e a empresa doará 10% dos recursos das refeições do AICR para ajudar a financiar os esforços de pesquisa sobre o câncer do instituto.

Cientista, pesquisadora e vítima da doença conta como venceu o câncer mudando a alimentação

Sobrevivente a seis cânceres a cientista e professora, Jane Plant, não come nenhum tipo de derivados do leite, ela conta que foi sua dieta que a ajudou se curar e colocar o câncer de mama em remissão.

A professora Plant, que é geoquímica especializada em carcinógenos ambientais, conta que sua primeira batalha contra o câncer de mama foi em 1987, segundo o Telegraph. Em 1993, a doença retornou pela quinta vez na forma de um tumor que tinha metade do tamanho de um ovo e os médicos afirmaram que ela tinha apenas alguns meses de vida.

Professora e cientista Jane Plant | Foto: Reprodução/Livekindly

Professora e cientista Jane Plant | Foto: Reprodução/Livekindly

Como a professora e seu marido Peter, geólogo, trabalharam na China ao longo de suas carreiras, eles tinham conhecimento das taxas historicamente baixas de câncer de mama entre as mulheres chinesas, de uma a cada 100 mil mulheres, muito menor se comparada a taxa de câncer em mulheres ocidentais, de uma em cada 12, de acordo com um estudo dos anos 70.

Persistindo na pesquisa, a professora percebeu que quando as mulheres chinesas se mudavam para países ocidentais e adotavam uma dieta tradicional contendo carne e laticínios, elas experimentavam as mesmas taxas de câncer.

Ela e seu marido descobriram que os riscos mais elevados de ter câncer possuíam grande probabilidade de estar ligados a alimentação, especificamente de laticínios. “Ele frisou que naquela época eles não tinham uma indústria de laticínios. Foi uma revelação”, disse ela.

O livro “The China Study”, escrito pelo Dr. T. Colin Campbell e seu filho Dr. Thomas M. Campbell lançado em 2005, avaliou não apenas as baixas taxas de câncer entre os habitantes da China rural, mas também algumas doenças crônicas como cardiopatias e diabetes tipo 2. Os autores concluíram que uma dieta rica em alimentos a base de plantas reduz consideravelmente o risco desses problemas de saúde.

A professora então, que já comia poucos produtos de origem animal, cortou todos os produtos lácteos de sua alimentação enquanto fazia quimioterapia. Dentro de seis semanas, o nódulo desapareceu e ela permaneceu livre do câncer por 18 anos. Foi assim que ela desenvolveu o programa “Plant”, uma dieta rica em vegetais e legumes e livre de produtos lácteos, e ainda escreveu um livro sobre sua experiência, “Sua vida em suas mãos: entendendo, prevenindo e superando o câncer de mama”.

Quando o câncer retornou em 2011, ela teve a sensação de que, mais uma vez, era uma questão de ingerir laticínios ou não. Ela adotou então uma dieta vegana e seu câncer voltou à remissão. Embora Jane não desconsidere tratamentos médicos tradicionais contra o câncer, como quimioterapia e mastectomia, ela acredita que a alimentação tem o poder de ajudar ou atrapalhar as pessoas.

Laticínios são Cancerígenos?

“Todos nós fomos educados com a ideia de que o leite é bom para a saúde. Mas agora há evidências de que os fatores de crescimento e hormônios que ele contém não são apenas um risco em relação ao câncer de mama, mas também a outros cânceres relacionados a hormônios, próstata, testículos e ovário”, disse ela.

“O leite de vaca é bom para os bezerros – mas não para nós”, acrescentou a professora.

“O leite de vaca, orgânico ou não, contem 35 hormônios diferentes e 11 tipos de fatores de crescimento”, ela continuou. “Isso significa que uma dieta vegana é menor em moléculas promotoras de câncer e maior nas proteínas de ligação que reduzem a ação dessas moléculas.”

De acordo com o Cancer Research UK, não houve evidência definitiva ligando os produtos lácteos a um aumento do risco de câncer. Um estudo do Fundo Mundial para Pesquisa do Câncer relacionou a carne – especialmente a carne vermelha e processada – ao aumento do risco de câncer; mas as descobertas não diziam o mesmo sobre laticínios.

Mas o PCRM (Comitê de Médicos pela Medicina Responsável) – uma organização sem fins lucrativos composta por mais de 12.000 médicos – destaca os riscos à saúde associados aos laticínios. Leite e queijo são ricos em gordura saturada, que tem sido associada a doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e mal de Alzheimer.

A dra. Kristi Funk, autora do livro “Breasts, an Owner’s Manual”, cujos pacientes incluem os atores Angelina Jolie e Ellen Pompeo, também acredita que os laticínios aumentam o risco de câncer. “É claro que a resposta celular do corpo às proteínas e gorduras animais é muito perigosa”, disse ela.

Como o professora Plant, a dra. Funk acredita que uma dieta rica em vegetais é a melhor escolha para diminuir o risco de desenvolver a doença.

Um corpo crescente de estudos médicos mostra que uma dieta vegana integral – que evita todos os produtos de origem animal e alimentos processados – é uma das formas mais eficazes de combater doenças crônicas.

O segundo livro da professora Plant, “Vença o Câncer: Como recuperar o controle de sua saúde e da sua vida” fornece opções simples no lugar de produtos lácteos, como leite vegan, iogurte e iogurte de leite e queijo à base de vegetais.

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Cientistas revelam que os níveis de antibióticos dos rios se tornam perigosos

Foto: Adobe/Reprodução

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A notícia tem sido considerada altamente “preocupante” por cientistas que revelaram que a poluição por drogas (remédios) é uma das principais formas pelas quais as bactérias podem se tornar resistentes aos antibióticos.

Centenas de rios em todo o mundo estão contaminados por altos níveis “perigosos” de antibióticos, de acordo com o novo estudo, publicado recentemente.

O estudo, realizado pela Universidade de York, analisou 144 antibióticos comumente usados em amostras dos principais rios em 72 países no mundo todo, incluindo o Danúbio, Mekong, Sena, Tamisa, Tibre e Tigre.

Eles encontraram antibióticos em 65% dos rios – com concentrações superiores a ‘níveis seguros’ (conforme definido pela AMR Industry Alliance, que visa combater a resistência antimicrobiana) em até 300 vezes acima do ideal em algumas amostras.

As descobertas preocuparam os cientistas pois a poluição por drogas medicamentosas é uma das principais formas pelas quais as bactérias podem se tornar resistentes aos remédios desenvolvidos exatamente para combatê-las. Além disso, existe também a possibilidade da água contaminada entrar tanto no suprimento de consumo quanto na cadeia alimentar.

Antibióticos

Entre os antibióticos encontrados na água estavam o trimetoprim – que é usado principalmente para tratar infecções do trato urinário, metronidazol – que é usado para tratar infecções de pele e boca, e ciprofloxacina – usado no tratamento de infecções respiratórias, urinárias e de pele.

As áreas que mais excederam os limites de segurança foram Ásia e África, mas os níveis encontrados na Europa, América do Norte e América do Sul provaram que a contaminação por antibióticos é um “problema global”.

Foto: Adobe/Reprodução

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Locais de alto risco estavam normalmente próximos de sistemas de tratamento de esgoto, depósitos de lixo ou depósitos de esgoto, de acordo com o estudo.

Problema em escala

O Dr. John Wilkinson, que coordenou o trabalho de monitoramento, disse que nenhum outro estudo foi feito nessa escala tão abrangente.

“Até agora, a maioria dos trabalhos de monitoramento ambiental em relação à contaminação por antibióticos foi feita na Europa, América do Norte e China. Muitas vezes, com apenas alguns antibióticos. Sabemos muito pouco sobre a escala real do problema global”, acrescentou.

“Nosso estudo ajuda a preencher essa lacuna de conhecimento chave com dados sendo gerados peça primeira vez para países que nunca haviam sido monitorados antes”, disse Wilkinson

Conscientização e preocupação

O professor Alistair Boxall, do Instituto de Sustentabilidade Ambiental de York, na Inglaterra, disse: “Os resultados são realmente surpreendentes e preocupantes, demonstrando a contaminação generalizada de sistemas fluviais em todo o mundo por compostos antibióticos”.

“Muitos cientistas e políticos reconhecem agora o papel do ambiente natural no problema da resistência antimicrobiana. Nossos dados mostram que a contaminação por antibióticos dos rios pode ser um importante e perigoso contribuinte”.

“Resolver o problema será um desafio gigantesco e necessitará de investimentos pesados em infraestruturas para tratamento de resíduos e águas contaminadas, regulamentação mais rigorosa e limpeza de locais já contaminados”.

Brasil e Estados Unidos lideram retrocessos ambientais, revela estudo

Um estudo realizado pela ONG Conservação Internacional concluiu que o Brasil e os Estados Unidos lidera uma tendência mundial de retrocessos ambientais. A pesquisa, que é a mais abrangente já feita neste segmento, foi feita por um grupo de cientistas de várias universidades estrangeiras. Para chegar no resultado apresentado, os pesquisadores analisaram todos os atos governamentais que resultaram em redução de metragem, diminuição de restrições ou extinções de áreas de proteção ambiental no mundo inteiro de 1892 a 2018. O resultado do estudo sai na edição desta sexta-feira (31) na revista científica “Science”.

(Foto: iStock.com / eppicphotography)

“Antes campeões em conservação global, Estados Unidos e Brasil estão agora liderando uma tendência mundial preocupante de grandes retrocessos na política ambiental, colocando em risco centenas de áreas protegidas”, afirmou uma nota publicada pela Associação Americana Para o Avanço da Ciência (AAAS – na sigla em inglês). “As mudanças regressivas buscam alterar ou remover legalmente o status de proteção e diminuir o tamanho das áreas de conservação natural”, completou.

O estudo analisou os 126 países do mundo e concluiu que 73 deles promulgaram 3.749 legislações que resultaram na extinção de 519.857 quilômetros quadrados de áreas protegidas – o que corresponde a um espaço maior que a Espanha – e no afrouxamento da proteção de 1.659.972 quilômetros quadrados – o equivalente a três vezes o tamanho da França.

Coautor do estudo, o biólogo e geocientista Bruno Coutinho, diretor de gestão do conhecimento da Conservação Internacional Brasil, considera que é importante reforçar que a existência de áreas protegidas “não representa a garantia, para sempre, de proteção legal da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos nelas gerados”.

A bióloga e cientista social Rachel Golden Kroner, da área de governança ambiental e impactos da ONG nos Estados Unidos e principal autora da pesquisa, lembrou ainda, em entrevista à BBC News Brasil, “que áreas protegidas não são para sempre”. “Elas podem ser e estão sendo revertidas por meio de afrouxamentos de restrições, limites de área reduzidas e extinções completas”, disse Kroner.

(Foto: luoman/Getty Images)

“A pesquisa mostrou que alterações na legislação ambiental dos países estudados podem comprometer a durabilidade e a eficácia das áreas protegidas, por recategorização, por redução de área ou por extinção completa”, reforçou Coutinho à BBC News Brasil.

Em 62% dos casos, o afrouxamento feito através de leis está ligado a práticas de extração de recursos e desenvolvimento industrial em grande escala, o que inclui obras de infraestrutura, mineração e agricultura de commodities.

Os pesquisadores indicam que seja realizado um debate estratégico entre os setores impactados e os que impactam as áreas protegidas e seus entornos, além da compreensão dos efeitos, o tratamento dos atos promulgados e a manutenção da efetividade das áreas protegidas.

Ainda de acordo com o estudo, 78% dos atos legislativos voltados para esta questão foram promulgados, em todo o mundo, do ano 2000 em diante. “As reversões legais para áreas protegidas parecem estar se acelerando”, explicou Kroner. “Respostas políticas são necessárias para salvaguardar os esforços de conservação”, acrescentou. Segundo a cientista, os processos devem ser “transparentes, baseados em evidências, participativos e responsáveis” e credores e doadores internacionais devem considerar essa questão na tomada de decisão sobre financiamentos.

O Brasil

No Brasil, 85 atos legislativos foram promulgados, entre 1900 e 2017, atingindo uma área de 114.856 quilômetros quadrados – o equivalente a praticamente metade do estado de São Paulo. “Destes, 60 ocorreram na Amazônia”, afirmou Coutinho. Mudanças na legislação fizeram a região amazônica perder pouco mais de 90 mil quilômetros quadrados de proteção.

“A maioria desses eventos, 42 deles, ocorreram após 2010 – grande parte em função de obras de infraestrutura”, disse Coutinho. “A causa mais prevalente foram decorrentes de autorizações de barragens de energia elétrica na Amazônia”, completou Kroner, que compilou dados que revelaram que o Brasil é responsável por 87% dos retrocessos em áreas protegidas da Amazônia, em um levantamento que abrange outros oito países amazônicos.

“Estamos assistindo a uma aceleração desses retrocessos no Brasil”, disse. “Oitenta e quatro por cento das reduções aprovadas ocorreram desde o ano 2000”, acrescentou.

(Foto: Pixabay)

Ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016, a bióloga e ambientalista Izabella Teixeira afirmou que sua gestão precisou alterar status de áreas protegidas para equilibrar interesses de diversas políticas públicas. Ela argumentou, no entanto, que essas alterações foram feitas sob compensações, considerando a biodiversidade.

“Muitas vezes isso aconteceu”, afirmou à BBC News Brasil. “Por interesses sociais, programas que precisavam ser implantados. Por outro lado, ampliamos ou compensamos a área, como aconteceu no Parque Nacional dos Campos Amazônicos”, completou. Uma medida provisória do governo Dilma Rousseff alterou o limite de seis unidades de proteção, em 2012, para construir hidrelétricas na Amazônia.

Para Teixeira, retrocessos ambientais podem ter diversas origens. “Precisaríamos identificar caso a caso para saber. Mas há natureza técnica, política e econômica. Do ponto de vista político, isso remete a uma situação de fragilidade e de não priorização da política ambiental. É muito comum que interesses econômicos sejam preponderantes a interesses da biodiversidade, mas isso é só um contexto: vejo como algo muito grave”, disse.

O geógrafo Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010 e atualmente é deputado estadual, classificou o cenário como “assustador”. “Reflete a força da bancada ruralista e a cumplicidade de vários governos estaduais”, afirmou Minc, em entrevista à BBC News Brasil.

“Entendo que as reduções têm sua principal origem no interesse econômico. Sobretudo da mineração e da pecuária. Também para obras e empreendimentos do agronegócio”, disse. “Ganhou força o grupo político mais conservador e reacionário que despreza e desqualifica os ganhos ambientais e prega abertamente a extinção de leis e parques que protegem a biodiversidade”, completou.

(Foto: Pixabay)

“Em nossa gestão no Ministério do Meio Ambiente, criamos ou ampliamos 54 mil quilômetros quadrados de parques e reservas extrativistas. Cada uma era uma guerra”, lembrou Minc, que disse ainda que um cabo de guerra existe entre os ministérios quando se trata de criar áreas protegidas. “Eu solicitei um estudo sobre os ganhos econômicos dos parques e reservas para o turismo, o extrativismo, a água e o clima. Mas os demais ministérios geralmente não consideram o ganho ambiental, social, de biodiversidade e até de água para a agricultura”, disse.

Para o jurista, historiador e diplomata Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, “não chega a surpreender que tenha havido redução significativa das áreas protegidas”. “Atribuo a tendência à pressão constante de interesses econômicos – madeireiros, de mineração, agropecuários, grileiros de terras públicas – e, em menor grau, à pressão social de trabalhadores sem-terra”, afirmou à BBC News Brasil.

“Manter as áreas protegidas nunca foi fácil em razão da enorme desigualdade existente entre os recursos de fiscalização e o poder de grupos econômicos regionais”, completou Ricupero.

O atual ministro do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Salles, foi questionado pela BBC News Brasil sobre quais medidas devem ser adotadas devido aos dados apresentados pelo estudo. O ministro, no entanto, não respondeu ao questionamento até a publicação desta reportagem.

Decisões atuais e o futuro

Para Ricupero, “o atual governo vem contribuindo para agravar o quadro pela posição pessoal e o exemplo altamente negativo do próprio presidente da República”.

“O sistemático desmantelamento do sistema já precário do Ibama e do ICMBio estimula maiores violações dos espaços ainda protegidos e desencoraja a ação dos fiscais. Isso sem mencionar os numerosos projetos em tramitação no Congresso, que terão certamente impacto igualmente destruidor”, disse.

De acordo com o estudo, é necessário estar alerta às propostas em tramitação. “O estudo encontrou 60 eventos propostos, sendo metade deles na Amazônia”, disse Coutinho. Se aprovadas, as medidas prejudicariam 200 mil quilômetros quadrados de bioma – o que corresponde a uma área do tamanho do estado do Paraná.

“A tendência é só piorar, dada a posição do presidente e do atual ministro, e à maior força da bancada ruralista”, disse Minc. “A maior ameaça à biodiversidade é o projeto de lei que acabaria com a reserva legal, que pode ocasionar o maior desmatamento do planeta, da ordem de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, completou. A área citada por Minc equivale a dez vezes o tamanho da Inglaterra.

“Outros projetos de lei negam ao governo a iniciativa de criar parques ou demarcar terras indígenas. Há ainda os que liberam a caça, a lei do abate, até para espécies ameaçadas – que, segundo os autores, estariam ‘ameaçando os rebanhos nas fazendas'”, disse o ex-ministro. “Os projetos que esvaziam o licenciamento ambiental representam outra grave ameaça aos rios e florestas e à saúde da população”, acrescentou.

Para Coutinho, “reversões na regulamentação devem ser amplamente discutidas”. “Estamos sempre dispostos a estabelecer diálogos para o desenvolvimento sustentável com base em dados e boa informação científica”, disse.

“O que os dados mostram é que a proteção do capital natural – entendido aqui como a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos – pode ser grande aliada do desenvolvimento econômico e social, respeitando-se direitos e interesses de diversos setores da sociedade uma vez que todos são beneficiários dos serviços ecossistêmicos”, defendeu Coutinho. “A velocidade em que a biodiversidade vem sendo perdida pode comprometer a funcionalidade do sistema e consequentemente a humanidade no planeta”, concluiu.

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Desmatamento da Mata Atlântica cresce em 5 estados e bioma perde 113 km² de floresta

Um levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) concluiu que a Mata Atlântica continua sendo desmatada em cinco estados do Brasil e que, entre 2017 e 2018, o bioma perdeu 113 km² de floresta. Os dados são da 13ª edição do “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”.

Foto: Pixabay

Há degradação da Mata Atlântica em Minas Gerais, no Piauí, no Paraná, na Bahia e em Santa Catarina, de acordo com o estudo. Os cinco estados caminham na contramão do restante do país. Isso porque o Brasil registrou queda de 9,3% no desmatamento deste tipo de floresta, o que representa o menor índice em 30 anos.

O desmatamento do bioma coloca em risco espécies de plantas e animais, além de ameaçar a água, já que a preservação da floresta garante a manutenção de rios e nascentes. As informações são do portal G1.

O diretor de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, afirma que os índices são inaceitáveis porque demonstram inércia na aplicação de legislações que foram feitas para proteger o bioma – já que a Mata Atlântica é a única floresta do Brasil que tem lei específica para protegê-la – e porque estão ligados à exclusão social, inclusive envolvendo trabalho escravo em muitos casos.

Foto: Tiago Lima/Olhos da Mata Atlântica

As principais atividades que geram desmatamento nos cinco estados são:

Carvão

No caso de Minas Gerais e da Bahia, segundo Mantovani, ocorre a derrubada de árvores para queimar e produzir carvão.

“O problema não é só parar a atividade carvoeira, mas tem famílias que vivem disso, famílias inteiras dentro do forno [de carvão]. Teríamos que pegar a cadeia produtiva e identificar quem está por trás. É um trabalho de inteligência para realmente diminuir o desmatamento”, afirma.

Soja

No estado do Piauí, o desmatamento da Mata Atlântica está ligado a plantações de soja. As árvores são retiradas para dar lugar ao plantio do grão que, em sua maioria, é usado para alimentar animais explorados e mortos para consumo.

“Em um estado que enfrenta seca, isso fica ainda pior se pensarmos no dano às águas”, diz Mantovani.

Celulose

Araucárias estão sendo derrubadas em Santa Catarina e no Paraná para a indústria da celulose, matéria-prima do papel, conforme explica Mantovani.

Fauna e flora

Cerca de 20 mil espécies vegetais, 261 espécies de mamíferos, 200 de répteis, 370 de anfíbios, 350 de peixes e 849 espécies de aves dependem da Mata Atlântica para existir, segundo informações do Ministério do Meio Ambiente. Em 17 estados do país são encontradas formações florestais, restingas, manguezais e campos de altitude.

Foto: Tiago Lima/Olhos da Mata Atlântica

O bioma cobria originalmente 15% do território brasileiro, segundo a SOS Mata Atlântica, mas por estar presente na região onde estão os maiores municípios, atualmente há apenas 1% da mata original no país. Mais de 92% da cobertura natural já foi destruída.

O desmatamento é extremamente preocupante também devido aos animais ameaçados. A Mata Atlântica abriga o maior número de espécies que estão sob ameaça de extinção, tanto em números absolutos quanto em proporcionais à riqueza dos ecossistemas. Vivem na floresta 1.026 animais, sendo 428 endêmicos, isso é, que só existem em regiões de Mata Atlântica.

Pesquisador prevê que o Reino Unido poderá se tornar vegano até 2030

Foto: Adobe

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O pesquisador e engenheiro vegano, Tom Milner, previu que o Reino Unido poderá se tornar vegano até 2030.

Apelidado de “O Engenheiro Vegano”, Milner conduziu uma pesquisa com mais de 2.800 veganos para apurar a taxa real na qual o veganismo tem crescido tão rapidamente.

A pesquisa, que fez aos participantes apenas quatro perguntas – há quanto tempo é vegano, idade, sexo e localização (onde mora) – demonstra como 82,6% dos entrevistados se tornaram veganos nos últimos cinco anos.

Curva de crescimento exponencial

Milner também atribuiu o aumento nas novas transições de veganismo (pessoas se tornando veganas) entre dezembro e fevereiro ao sucesso do movimento Veganuary.

No geral, a pesquisa mostra uma “curva de crescimento exponencial” com a população vegana dobrando a cada dois anos desde 2011.

Se este crescimento continuar em sua taxa atual, Milner afirma que a população vegana do Reino Unido alcançará cerca de 15% até 2030 – o suficiente para fazer a indústria agrícola animal entrar em colapso financeiro, de acordo com a Dra. Melanie Joy.

Toda a população se tornando vegana

“Isso parece razoável para mim porque 15% da população sendo vegana significaria um número ainda mais significativo de vegetarianos, pescatarianos e redutores de carne”, disse Milner.

“Com uma queda tão grande na demanda por carne, laticínios e ovos, seria muito difícil para qualquer negócio baseado em produtos de origem animal sobreviver”, afirma o pesquisador.

“O ano de 2030 é, portanto, a minha previsão para uma debilitação financeira total da indústria de agropecuária no bloco de países e também a data chave para que toda a população do Reino Unido se torne vegana de fato. E esta ainda é uma taxa de crescimento mais lenta do que os resultados apresentados pela pesquisa Finder que indicou 5,5% de crescimento até o final de 2019”, conclui o engenheiro vegano.

Estudo revela que veganos podem ter sistema imunológico mais resistente

Foto: HealthLine

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Um relatório publicado no Journal of Nutrition mostra resultados de um estudo realizado pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda, que apontam que os veganos têm mais biomarcadores de combate a doenças do que os não-veganos. Biomarcadores no sangue, urina, tecido adiposo e outros bio-espécimes podem servir como preditores de saúde e doença.

Os biomarcadores podem ter efeitos ruins e bons para a saúde, promovendo ou prevenindo câncer, doenças cardiovasculares e relacionadas à idade e outras condições crônicas. Os veganos obtiveram os mais altos teores de fitoquímicos (compostos em vegetais), incluindo carotenoides, isoflavonas e enterolactona.

O grupo de pessoas que se alimentava estritamente de vegetais também apresentou os níveis mais altos de ômega-3 total, atribuível a maiores quantidades de ácido alfa-linolênico e menores níveis de ácidos graxos saturados.

O estudo examinou dados de 840 participantes, entre cinco categorias: veganos, ovo-lacto-vegetarianos, pesco-vegetarianos, semivegetarianos e não-vegetarianos. Depois da pole position dos veganos, o ovo-lacto e os pesco-vegetarianos, os semivegetarianos se saíram apenas um pouco melhor do que os não-vegetarianos, que sem surpresa ficaram em último lugar.

Fayth Miles, PhD, professora assistente na escola e principal autora do estudo, disse sobre as descobertas: “A conscientização de que um perfil de biomarcador mais saudável é obtido com uma dieta baseada em vegetais deve motivar as pessoas a serem pró-ativas sobre hábitos alimentares que promovem boa saúde e previnem doenças”.

Extinção de animais e vegetais aumenta em escala sem precedentes

A extinção de animais e vegetais está aumentando em uma escala sem precedentes. Houve uma redução de, pelo menos, 20% na abundância média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres, principalmente a partir de 1900. Em relação aos anfíbios, a queda foi de mais de 40% e de quase 33% dos corais. Os mamíferos também estão sofrendo redução de suas espécies, tendo sido registrada uma queda de mais de um terço. As descobertas foram feitas por um grupo de cientistas de 50 países, incluindo o Brasil, autores da primeira avaliação global do estado da natureza da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

O sumário para os formuladores de políticas do relatório foi lançado em Paris, na França, depois de ter sido submetido à aprovação de 132 países durante a 7ª plenária do órgão, chamada de “IPCC Para a Biosdiversidade”. As informações são da Agência FAPESP.

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“A saúde dos ecossistemas de que toda a humanidade e as espécies dependem está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos erodindo os próprios alicerces de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”, disse Robert Watson, presidente da IPBES.

O relatório, que foi elaborado durante três anos por 145 especialistas, com apoio de outros 310 autores, avaliou mudanças na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos – como o fornecimento de alimentos e de água – durante os últimos 50 anos. Durante os trabalhos, os pesquisadores fizeram uma revisão de aproximadamente 15 mil fontes científicas, governamentais, de conhecimento indígena e de comunidades tradicionais.

“Esse é primeiro relatório intergovernamental que foca não só a biodiversidade, mas também suas interações com trajetórias de desenvolvimento econômico e com fatores que afetam a natureza, como as mudanças climáticas”, disse Eduardo Sonnewend Brondizio, professor da Indiana University, dos Estados Unidos, à Agência FAPESP.

“Nunca tantos dados, de diferentes áreas, como das ciências naturais e sociais, foram reunidos para fazer uma avaliação detalhada da condição do ambiente em escala global e em uma perspectiva integrada de interação com a sociedade”, disse Brondizio.

O cientista brasileiro, radicado há mais de 20 anos nos EUA, foi um dos três copresidentes do relatório e é um dos pesquisadores responsáveis por um projeto apoiado pela FAPESP, em parceria com o Belmont Forum, um consório das principais agências que financiam projetos de pesquisa sobre mudanças ambientais no mundo. Além dele, outros pesquisadores brasileiros são autores do relatório: Ana Paula Aguiar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); Bernardo Baeta Neves Strassburg, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (ISS); Cristina Adams, da Universidade de São Paulo (USP); Gabriel Henrique Lui, do Ministério do Meio Ambiente; Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha, da USP; Pedro Henrique Santin Brancalion, também da USP; e Rafael Dias Loyola, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

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“A contribuição dos autores brasileiros foi excepcional porque todos eles conseguiram trazer uma perspectiva social e ecológica integrada para o relatório. Eles colocaram suas respectivas especialidades, como ecologia, políticas públicas e cenários ambientais, em um contexto interdisciplinar”, disse Brondizio.

De acordo com o relatório, ecossistemas, espécies, populações selvagens, variedades locais de plantas e de animais domesticados estão diminuindo, deteriorando ou desaparecendo por completo. Com isso, a rede interconectada da vida na Terra está sendo reduzida e ficando desgastada.

Desde o século 16, pelo menos 680 espécies de vertebrados foram extintas e mais de 9% de todas as raças domesticadas de mamíferos explorados para a alimentação e a agricultura também foram levadas à extinção até 2016. Estima-se ainda que 1 milhão de espécies de animais e de vegetais ainda podem ser extintas.

Algumas das causas do declínio das espécies são, em ordem decrescente: mudanças no uso da terra e do mar, exploração direta de organismos, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.

As emissões de gases do efeito estufa dobraram desde 1980, o que elevou a temperatura média global em pelo menos 0,7ºC. O impacto do aquecimento global, que já afeta a natureza, inclusive interferindo na genética animal, deve aumentar nas próximas décadas e pode, em algumas circunstâncias, superar o impacto da mudança do uso da terra e do mar e outros fatores, segundo os autores do relatório.

Tartaruga fica presa à rede de plástico (Foto: Jordi Chias/ National Geographic)

“O sumário mostra que a situação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, essenciais para a qualidade de vida, é ainda mais crítica do que a do aquecimento global”, disse Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do programa BIOTA-FAPESP e responsável por coordenar o Painel Multidisciplinar de Especialistas da IPBES nos seus primeiros anos de existência, em parceria com o australiano Mark Londsdeale, da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO). Joly é também membro da coordenação da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, na sigla em inglês), que teve a criação inspirada na IPBES.

Ainda segundo o relatório, três quartos do meio ambiente terrestre foram alterados de forma significativa pelas ações humanas, assim como 66% do ambiente marinho. Áreas mantidas ou geridas por povos indígenas e comunidades locais foram menos afetadas.

A pecuária e a agricultura – em sua maioria, voltada para a produção de grãos, como a soja, para a alimentação de animais explorados e mortos para consumo – abrange mais de um terço da superfície terrestre do mundo e quase 75% dos recursos de água doce. Aproximadamente 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis e não renováveis são extraídos da natureza anualmente. Esse número quase dobrou desde 1980.

A destruição da terra fez com que a produtividade da superfície terrestre global caísse 23%. Já a perda de habitat costeiros e proteção colocam em risco entre 100 e 300 milhões de pessoas, devido à possibilidade de inundações e furacões. Além disso, a perda de polinizadores está colocando em risco até US$ 577 bilhões em safras globais anuais.

O relatório apontou também que a poluição plástica aumentou 10 vezes desde 1980. Além disso, entre 300 e 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lama tóxica e outros resíduos industriais são despejados todos os anos nas águas do mundo.

Mais de 400 “zonas mortas” oceânicas, com mais de 245 mil km², foram criadas por fertilizantes usados na agricultura que tiveram acesso aos ecossistemas costeiros. A área é maior que a do Reino Unido, segundo os pesquisadores.

Foto: Pixabay

“O relatório mostra que as populações mais ricas ou privilegiadas se acostumaram a ignorar os problemas ambientais porque não convivem com os impactos no dia a dia. São as populações mais pobres ou menos privilegiadas que estão sofrendo o impacto desse padrão de vida, na forma de poluição, desmatamento e atividades de mineração em lugares longe dos olhos do resto do mundo”, disse Brondizio.

As tendências negativas contra o meio ambiente devem continuar até 2050, segundo os pesquisadores, e devem persistir além desse período em todos os cenários políticos explorados no relatório, com exceção daqueles que realizam mudanças transformadoras.

Para os autores, as metas globais para conservar e usar a natureza de forma sustentável não podem ser atingidas nas trajetórias atuais, apesar dos esforços em políticas de preservação realizadas por alguns países. Ainda de acordo com eles, até 2013 e além dessa data, as metas só podem ser alcançadas através de mudanças transformadoras e de fatores políticos e tecnológicos.

A adoção de abordagens integradas e intersetoriais de gestão que considerem as compensações da fabricação de alimentos e energia, infraestrutura, manejo de água doce e costeira e a conservação da biodiversidade são ações indicadas pelos pesquisadores.

“Ainda não chegamos a um ponto de irreversibilidade na perda de biodiversidade e a consequente degradação dos serviços ecossistêmicos essenciais para a qualidade de vida. Se tomarmos decisões agora, para, em conjunto e de forma coordenada e cooperativa, promovermos mudanças transformativas integradas, inclusivas e baseadas no melhor conhecimento científico disponível, é possível reverter a velocidade da degradação”, disse Joly.

“Isso passa, obrigatoriamente, por conseguir cumprir as metas do Acordo de Paris, pois o aquecimento global já é um dos principais impulsionadores da perda de biodiversidade e degradação dos serviços ecossistêmicos”, ressaltou.

Os pesquisadores indicam também a construção de uma economia global sustentável, que se afaste do atual paradigma limitado de crescimento econômico.

“O relatório mostra que é preciso mudar a narrativa de que o desenvolvimento econômico é um fim em si mesmo e que todos os custos para alcançá-lo, como a degradação ambiental e a desigualdade social, são inevitáveis e justificáveis”, disse Brondizio.

Gatos reconhecem próprio nome e decidem quando atender aos chamados

Os gatos reconhecem o próprio nome, mas podem escolher não atender aos chamados do tutor. Cientistas japoneses chegaram à conclusão após realizar uma série de experimentos com felinos domésticos de raça, sexo e idade distintos. No estudo, publicado recentemente na revista Scientific Reports, os investigadores detalham a descoberta e dão dicas de como os tutores podem tentar melhorar a interação com os animais.

A pesquisa foi a primeira a estudar a capacidade dos gatos de entender vozes humanas. Estudos anteriores mostraram que mamíferos como golfinhos e macacos, considerados animais sociais, são mais propensos a interagir com as pessoas. “Em comparação a outras espécies, os gatos não são tão assim. Eles interagem conosco quando querem”, diz Atsuko Saito, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade de Tóquio.

(Foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press)

Nos experimentos, os cientistas analisaram o comportamento de 77 gatos, divididos entre dois tipos de experimentos realizados ao longo de três anos. Os felinos de ambos os sexos tinham entre seis meses e 17 anos e eram, em sua maioria, de raças mistas. Grande parte era esterilizada e todos viviam com seres humanos.

Para verificar se um gato havia reconhecido seu nome, os pesquisadores usaram testes com o nome do animal e outros substantivos de sonoridade similar. Foram gravadas com a voz de um cientista e com a do tutor do animal cinco palavras: as primeiras quatro eram substantivos similares e a última, o nome do gato. Ao ouvir os sons, os felinos ignoravam o som dos substantivos, mas moviam as orelhas ou a cabeça quando era pronunciado o seu nome, independentemente de quem o chamasse.

Todos os gatos raramente responderam com mais entusiasmo, por exemplo, movendo a cauda ou o corpo. Os cientistas também notaram que os animais sabiam distinguir os nomes de outros felinos que coabitavam o ambiente. Segundo os pesquisadores, mesmo o gato que não reagiu ao chamado pode ser capaz de reconhecer seu nome. “A falta de resposta pode ser causada por baixo nível de motivação para interagir com os humanos, a depender do sentimento, da condição e da situação do gato”, explica Saito.

CAFÉ-GATOS

Também foram realizados experimentos em café-gatos, comércios japoneses nos quais clientes levam os animais para interagir com gatos que vivem no local. A equipe observou que os animais visitantes eram mais propensos do que os moradores a distinguir entre o próprio nome e o dos felinos anfitriões. “Revelamos que os gatos discriminam entre substantivos gerais e o próprio nome. Gatos em casas comuns também discriminam nomes de gatos que coabitam e o nome próprio. No entanto, não podemos dizer que os gatos se reconhecem porque não há evidência de autoconsciência nesses animais”, pondera Saito.

O pesquisador oferece uma série de conselhos simples a quem deseja aumentar a comunicação com o animal. “Por favor, interaja com seu gato quando ele mostrar que quer interagir com você”, diz. O autor explica que, para pessoas que não têm experiência em conviver com esses felinos, pode parecer que eles não têm boa capacidade de entender pistas humanas, como os cães. Isso, porém, não é verdade. “Eles nos entendem, no entanto, não expressam essa habilidade. Gatos não foram desenvolvidos para responder a estímulos humanos positivamente. Eles vão se comunicar com os humanos quando quiserem.”

Para fazer com que um gato aprenda o próprio nome mais rápido, uma opção fácil é dar recompensas logo após chamá-lo. “Outra dúvida frequente é se os animais reconhecem novos nomes após serem adotados, e isso é, sim, possível. É importante também não chamar o nome do gato em situações negativas”, ensina o pesquisador.

EVOLUÇÃO

Humberto Martins, veterinário especialista em comportamento de felinos, acredita que a pesquisa traz dados extremamente interessantes, que podem ajudar a impulsionar outros estudos do tipo. “Conseguimos ver, nesses resultados, que os gatos realmente têm noção do nome que ganham. Isso, provavelmente, ocorre pela rotina. Com isso, podemos abrir um leque de outras questões relacionadas ao comportamento desses animais. Podemos testar se eles respondem a outros comandos”, cogita.

Para o especialista, os gatos acabaram sendo pouco estudados por cientistas de comportamento animal. “Isso ocorre porque o cachorro geralmente responde mais fácil aos comandos e tem a necessidade de se comportar melhor, pois muitos são inquietos. Mas estudar os gatos pode ajudar a entender a relação deles com o homem, que será maior no futuro. Temos estudos mostrando que, em cerca de cinco anos, a população de gatos iguale ou até ultrapasse a de cães no Brasil.”

A equipe japonesa dará continuidade ao estudo. “Acho que a inteligência desses felinos não foi tão observada cientificamente em comparação com os cães”, frisa Saito. “Pode haver uma característica comum no processo evolucionário da socialidade entre humanos e gatos. Como os gatos ainda estão evoluindo para se tornar mais domesticados, existe a possibilidade de vermos o processo de evolução da socialidade investigando ainda mais a cognição social desse animais”.

Fonte: Estado de Minas