Animais não conseguem se adaptar rápido para acompanhar as mudanças climáticas

Por Rafaela Damasceno

Animais como cervos e pegas (uma espécie de pássaro) não são capazes de se adaptar com rapidez suficiente para acompanhar as mudanças climáticas, segundo cientistas.

Um passarinho na natureza

Foto: Press Association

Algumas espécies respondem ao aumento de temperatura, adaptando seus corpos para que possam sobreviver. Mas uma pesquisa descobriu que talvez essas mudanças não ocorram rápido o bastante para garantir a persistência de alguns animais a longo prazo.

A pesquisa foi publicada na Nature Communications e explica que os momentos do ciclo de vida das espécies (fenologia), como migração e criação, são incompatíveis com o clima atual. Os animais podem reagir alterando suas fenologias, mas apenas se houver variação genética suficiente em seu comportamento ou desenvolvimento.

Uma equipe de cientistas revisou 10.090 resumos científicos e extraiu dados de 71 estudos publicados de 17 espécies em 13 países, para avaliar as respostas dos animais em relação às mudanças climáticas. Eles focaram nas aves, porque dados completos sobre outros grupos de animais eram escassos.

Eles comprovaram que as espécies podem permanecer em seus habitats de origem, desde que acompanhem o aquecimento da região. Infelizmente, isso é improvável. “Mesmo as populações que estão passando por mudanças adaptativas estão fazendo isso em um ritmo que não garante sua persistência”, explicou um dos autores da pesquisa, Alexandre Courtiol.

Eles temem que o processo de adaptação das espécies atualmente ameaçadas de extinção seja ainda mais lento, o que não garantiria suas sobrevivências no futuro.


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Comissão do Senado aprova projeto que considera animais sujeitos de direitos

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou, na quarta-feira (10), um projeto de lei que considera os animais sujeitos de direitos, com acesso à tutela jurisdicional. O objetivo do projeto é impedir que os animais continuem a ser tratados como objetos inanimados.

Foto: Pixabay

O PL 27/2018, de autoria do deputado Ricardo Izar (PP-SP), prevê que os animais passem a ter natureza jurídica sui generis, como sujeitos de direito despersonificados, e sejam reconhecidos como seres sencientes – isso é, dotados de natureza biológica e emocional e passíveis de sofrimento. A proposta segue agora para o Plenário.

A matéria adiciona ainda um dispositivo à Lei de Crimes Ambientais (9.605/1998) para estabelecer que os animais não sejam mais considerados bens móveis para fins do Código Civil (10.402/2002). As informações são da Agência Senado.

O projeto, no entanto, lamentavelmente não protege animais como bois, vacas, porcos e outros que são diariamente explorados, torturados e mortos pela indústria alimentícia. Conforme explicou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que foi relator da proposta, a medida não interfere em hábitos alimentares ou práticas culturais. Mas, segundo ele, o projeto contribuirá para elevar a compreensão da legislação brasileira a respeito do tratamento dado aos animais.

A referência feita pelo senador a práticas culturais preocupa. Isso porque, recentemente, um projeto que classifica a vaquejada, o rodeio, a prova de laço, a cavalgada e similares como manifestações culturais, foi aprovado na Câmara dos Deputados e outra proposta, que considera a vaquejada um patrimônio cultural do Brasil, tornou-se lei em 2016. Isso pode significar que, caso a medida apresentada por Izar se torne uma legislação, ela pode deixar de proteger não só os animais explorados para consumo, mas também aqueles que são vítimas de atividades que se travestem de cultura para perpetuar o sofrimento animal.

“É uma elevação de status civilizatória. Não há possibilidade de pensarmos na construção humana se a humanidade não tiver a capacidade de ter uma convivência pacífica com as outras espécies. Eles devem ser tratados com dignidade”, afirmou Randolfe.

O projeto seguiria para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), mas a CMA conseguiu aprovar um requerimento de Randolfe que faz com que a matéria siga direto para o Plenário, em caráter de urgência.


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Pesquisa estima aumento de 17% no consumo de produtos veganos até 2020 na China

Foto: Vegan Information

Foto: Vegan Information

O crescimento contínuo da população da China, que atualmente é de cerca de 1,5 bilhão de habitantes no país, os hábitos de consumo e as tendências alimentares dos chineses estão evoluindo para novas direções. A indústria de alimentos está agora tendo que atender a uma demanda crescente por alimentos à base de vegetais mais do que nunca.

Usando o GlobalData, a consultoria Verdict Foodservice descobriu que a indústria de alimentos chinesa está mudando rapidamente e que os consumidores estão sendo influenciados pela tendência global de alimentação saudável.

Alimentos orgânicos estão se tornando cada vez mais populares, e à medida que os níveis públicos de conscientização sobre questões de segurança alimentar estão aumentando, a indústria de serviços alimentícios está oferecendo cardápios orgânicos com mais frequência.

Os dados revelaram que o veganismo também se tornou mais popular entre a indústria chinesa de alimentos, de acordo com as estatísticas do South China Morning Post (dados de 2017), o mercado vegano deverá crescer mais de 17% de 2015 a 2020. ”Isto implica uma população vegana de mais de 200 milhões de pessoas em 2020”, diz a pesquisa.

Nesta semana, a KFC lançou um hambúrguer sem carne na China, embora o produto seja vegetariano, e não é totalmente vegano. Um sorvete feito de aveia também foi lançado no país em maio, assim como o ovo feito à base de vegetais, “just egg”.

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Elefantes jovens formam grupos para se proteger de caçadores e fazendeiros

Foto: FEP/Nishant Srinivasaiah

Foto: FEP/Nishant Srinivasaiah

Elefantes asiáticos ameaçados de extinção estão formando “gangues” para se proteger de caçadores e fazendeiros quando procuram por comida, dizem especialistas.

Os animais, que em sua maioria são adolescentes, estão formando grupos exclusivamente de elefantes do sexo masculino para entrar em áreas onde o risco de contato com humanos é alto – como em áreas de cultivo de colheitas ou de desmatamento.

Além de se protegerem, o extraordinário desenvolvimento evolucionário também ajuda a garantir sua capacidade reprodutiva, afirmam os pesquisadores.

Os cientistas dizem que os corpos dos elefantes mais jovens são mais atraentes para as elefantas do que para os seus pares mais velhos, e que o agrupamento em grupos os torna mais visíveis.

Foto: FEP/Vinod Kumar

Foto: FEP/Vinod Kumar

O estudo inovador, conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos Avançados em Bengaluru, na Índia, foi baseado em uma análise de 1.445 fotografias de 248 indivíduos do sexo masculino.

As imagens – coletadas no sul da Índia durante dois anos – mostram os jovens animais formando grandes grupos de machos ao entrar em áreas não-florestais e fazendas.

Os jovens sexualmente imaturos viviam principalmente em grupos mistos, enquanto os machos adultos eram em sua maioria solitários – de acordo com a reputação dos elefantes machos como solitários e anti-sociais.

O biólogo especialista em elefantes Nishant Srinivasaiah, doutorando no instituto, é o responsável pela da pesquisa.

Ele disse: “Os elefantes asiáticos machos são conhecidos por adotar uma estratégia de busca por alimento (forrageamento) de alto risco (e alto retorno), aventurando-se em áreas agrícolas e alimentando-se de colheitas com itens nutritivos, a fim de melhorar sua aptidão reprodutiva.

Foto: FEP/Nishant Srinivasaiah

Foto: FEP/Nishant Srinivasaiah

“formulamos uma hipótese com os altos riscos para a sobrevivência causados pelo aumento da urbanização e, muitas vezes, as paisagens imprevisivelmente transformadas em campos de produção de alimentos podem exigir o surgimento de estratégias comportamentais que permitam que os elefantes machos persistam em tais lugares”.

Srinivasaiah disse que os maiores grupos de elefantes adolescentes foram encontrados onde havia abundância de culturas e água.

“Esses indivíduos tendem a ter melhor condição corporal em comparação com homens adultos solitários”, disse o biólogo.

“Isso indica que a formação de grupos em jovens do sexo masculino pode ser um comportamento adaptativo para melhorar a aptidão reprodutiva em áreas com ótimos recursos, mas com alto risco de contato humano”.

“Também descobrimos que esses machos, quando não estão em risco, permanecem em grande parte solitários em habitats florestais, o que está de acordo com estudos anteriores sobre elefantes asiáticos”, disse Srinivasaiah.

Na sociedade dos elefantes, ao atingir a adolescência, os machos normalmente deixam a família em busca de fêmeas sem vínculo consanguíneo para se relacionarem sexualmente em áreas ricas em comida e bebida, onde possam se estabelecer.

Foto: FEP/Nishant Srinivasaiah

Foto: FEP/Nishant Srinivasaiah

Mas isso está mudando, devido à atividade humana. O estudo foi realizado em uma região próxima das principais cidades e vilas, como Bangalore – apelidada de “Vale do Silício da Índia”.

O local sofreu grandes alterações no uso da terra com o aumento da população, agricultura, construção de estradas e expansão urbana – tudo em detrimento da cobertura florestal e dos habitats naturais de elefantes.

A engrenagem social dos elefantes também foi encontrada em gangues que buscavam por alimento em terras cultivadas. Esta “estratégia” de gerenciamento de risco melhora a chance de sobrevivência.

Compreender a evolução do comportamentos dos animais pode ajudar nos conflitos entre humanos e elefantes – e consequentemente evitar a perda dos animais ameaçados, disseram eles.

Srinivasaiah disse: “Nós mostramos que os elefantes asiáticos exibem um comportamento sensível à socialização, particularmente a formação de grupos masculinos estáveis e de longo prazo, tipicamente em áreas que não possuem presença de florestas ou que sofreram modificação pela ação humana ou são altamente fragmentadas.

“Eles continuam solitários ou associados em grupos mistos, no entanto, dentro de habitats florestais”.

Esses novos e grandes grupos exclusivamente masculinos podem constituir uma estratégia única de história da vida para os elefantes machos nas paisagens de alto risco, mas também de excelentes recursos do sul da Índia.

Isso pode ser especialmente verdadeiro para os adolescentes, que pareciam efetivamente melhorar sua condição corporal ao explorar cada vez mais os recursos disponibilizados pelo homem, quando reunidos em grupos masculinos.

“Essa observação reforça nossa hipótese de que tais comportamentos emergentes provavelmente constituem uma estratégia adaptativa para os elefantes asiáticos machos que podem ser forçados a enfrentar cada vez mais ambientes intrusivos provocados pelo homem”.

O elefante asiático é encontrado em todo o subcontinente indiano e sudeste da Ásia – incluindo Nepal, Sumatra e Bornéu.

Ele foi declarado em perigo pela Lista Vermelha da IUCN desde 1986. A população da espécie diminuiu em pelo menos 50% nas últimas três gerações devido à perda de habitat e à caça.

O elefante asiático é menor do que o seu homólogo africano, que é classificado como vulnerável.

As conclusões completas do estudo foram publicadas na revista científica Scientific Reports.

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