Vans lança coleção voltada à conscientização sobre animais em extinção

Por David Arioch

Sem matéria-prima de origem animal, os calçados que compõem a coleção são baseados em algodão orgânico e materiais recicláveis (Fotos: Vans)

A Vans lançou recentemente, em parceria com a organização de defesa da vida selvagem WildAid, uma coleção voltada à conscientização sobre animais em extinção.

Sem matéria-prima de origem animal, os calçados que compõem a coleção são baseados em algodão orgânico e materiais recicláveis.

O design de cada tênis foi desenvolvido pelo artista Ralph Steadman, que encontrou uma form engenhosa de gerar conscientização sobre espécies ameaçadas.

Além de abrir um espaço para arrecadação de recursos para a WildAid, a Vans doou 10 mil dólares à organização para ajudar no trabalho de combate ao tráfico de animais.

“Esperamos que essas representações vívidas das espécies mais ameaçadas do mundo possam ajudar a inspirar a mudança que precisamos para salvá-las”, disse o diretor executivo da WildAid, Peter Knights.

Para conhecer a coleção, clique aqui.

Morre o último rinoceronte-de-sumatra na Malásia

Tam, ó último rinoceronte-de-sumatra morre na Malásia | Foto: AFP

Tam, ó último rinoceronte-de-sumatra morre na Malásia | Foto: AFP

O último sobrevivente do sexo masculino dos rinocerontes-de-sumatra da Malásia, chamado de Tam, morreu na segunda-feira (27), afirmaram autoridades da vida selvagem, deixando apenas uma fêmea no país e colocando a espécie criticamente ameaçada para mais próximo da extinção.

Descoberto rondando de uma plantação de dendezeiros em 2008, Tam foi capturado e transferido para a Reserva de Vida Selvagem de Tabin, no estado de Sabah (Malásia). Esforços para que ele se reproduzisse com dois rinocerontes do sexo feminino – Puntung, capturado em 2011, e Iman, capturado em 2014 – não tiveram sucesso.

Com a eutanásia de Puntung em 2017 devido ao câncer, o Iman (uma fêmea) é agora o único membro remanescente de sua espécie na Malásia. Devido a décadas de perda de habitat e caça, acredita-se que existam menos de 80 rinocerontes de Sumatra na natureza, a maioria na ilha vizinha de Sumatra. O resto está espalhado por Kalimantan, no Bornéu indonésio.

Uma vez com uma espécie tão populosa que atingia todo o leste da Índia e toda a Malásia, o rinoceronte da Sumatra foi quase dizimado, restando menos de 80 indivíduos no mundo, de acordo com o World Wildlife Fund.

Apenas um punhado dessas belas criaturas permanece nas selvas da Indonésia.

Os rinocerontes-de-sumatra são tão poucos que, de fato, os especialistas acreditam que o isolamento é a maior ameaça à existência da espécie. Isso ocorre porque as fêmeas dessa espécie podem desenvolver cistos e miomas em seus tratos reprodutivos se ficarem muito tempo sem acasalamento.

Segundo os especiaistas envolvidos, essa foi a causa da infertilidade de Iman. A incapacidade de Puntung em transportar fetos pareceu se originar de ferimentos causados por armadilhas de caçadores e uma gravidez fracassada quando estava na natureza.

O diretor do Departamento de Vida Selvagem de Sabah, Augustine Tuuga, disse que o macho malaio Tam vivia em uma reserva natural na ilha de Bornéu para protegê-lo de ser caçado.

A causa da morte do animal não foi imediatamente esclarecida, mas relatos anteriores sugeriram que ele sofria de problemas renais e hepáticos.

A condição de Tam estava em constante declínio desde o final de abril, quando seu apetite e estado de alerta diminuíram, disse Tuga ao jornal malaio The Star. Testes de urina revelaram que os rins do rinoceronte e talvez outros órgãos haviam começado a falhar.

As autoridades ainda não sabem dizer por que Tam se deteriorou tão rapidamente, mas pode ter sido apenas a velhice. Estima-se que Tam tivesse trinta e poucos anos, e esses animais só têm uma expectativa de vida de 35 a 40 anos, disse Tuuga ao jornal de Singapura The Straits Times.

A morte de Tam vem de encontro a um esforço contínuo de conservacionistas na esperança de usar técnicas de fertilização in vitro (FIV) para criar descendentes do último rinoceronte-de-sumatra da Malásia, Iman, e um macho indonésio.

Tuuga disse que houve problemas com o útero de Iman e que ela era incapaz de engravidar, mas ainda era capaz de produzir óvulos.

“Nós apenas temos que cuidar do último rinoceronte remanescente. É tudo o que podemos fazer e tentar, se possível, trabalhar em conjunto com a Indonésia”, disse ele.

*Uma nova esperança*

Por mais trágica que a morte de Tam seja, ela representa um alerta para buscar mais animais em estado selvagem, diz Kinnaird, que tem coordenado os esforços de rinocerontes de Sumatra na WWF International nos últimos dois anos.

A boa notícia é que no final do ano passado a coalizão já havia conseguido capturar uma nova fêmea chamada Pahu. Sua transferência para uma nova instalação de criação em Kelian foi tão importante que o rinoceronte recebeu uma escolta da polícia e dos tratores de limpeza de deslizamentos de terra.

Até onde os especialistas podem dizer, Pahu parece ser reprodutivamente saudável, diz Kinnaird; ela está se adaptando bem em sua nova casa e, com alguma sorte, poderá em breve ter companhia.

“Nossas pesquisas mais recentes indicam que há outros rinocerontes ainda andando pelas florestas de Kalimantan”, diz Kinnaird, “o que me dá esperança renovada”.

“Precisamos continuar focados no laser para salvar os restantes 80 rinocerontes-de-sumatra, usando uma combinação de proteção intensiva e criação em cativeiro, e trabalhando com a população local para incutir orgulho de que o rinoceronte faça parte de sua herança biológica”, diz Ellis. “Esta é uma batalha que não podemos perder”.

Protestos do movimento Rebelião Contra a Extinção vão durar o mês todo

Protestos organizados pelo movimento Rebelião Contra a Extinção | Foto: Extinction Rebellion

Protestos organizados pelo movimento Rebelião Contra a Extinção | Foto: Extinction Rebellion

Tomando a frente das ações para conscientização da população em relação a emergência climática em que vivemos e a ameaça de extinção em massa já prevista e alertada pelos cientistas, a organização ambiental fechou áreas de Londres, na Inglaterra, na semana passada na tentativa de chamar a atenção para a urgência da questão e intimar os líderes políticos a agir e tomar posição.

Movidas pela seriedade e embasamento cientifico das manifestações uma série de empresas (Ecotricity, The Body Shop, entre outras) tem apoiado a organização ambiental Extinction Rebelion (Rebelião contra a Extinção, na tradução livre).

A Extinction Rebellion (XR, na sigla em inglês) fechou partes de Londres na última semana durante os protestos de conscientização realizados na cidade. A polícia executou 1.065 prisões. As manifestações começaram em 15 de abril e estão programados para continuar até dia 29. Os ativistas têm áreas-alvo como a Parliament Square, Marble Arch e Picadilly Circus.

Exigindo ações em relação ao clima

A organização, que se descreve como “uma rede apolítica internacional”, usa uma ação direta não-violenta para “persuadir os governos a agir sobre a situação do clima e a emergência ecológica” a que esgamos submetidos.

Eles tem três demandas, pedindo ao governo que “diga a verdade” declarando uma emergência climática e ecológica, trabalhando com outras instituições para comunicar a urgência da mudança.

O governo precisa agir agora para deter a perda de biodiversidade e reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa à estaca zero até 2025, e ir além da política, criando e sendo guiados pelas decisões de uma Assembléia de Cidadãos sobre justiça climática e ecológica.

Empresas líderes

Representantes de várias empresas de grande porte e líderes de setor escreveram para o jornal The Times, apoiando os protestos e dizendo que “indústrias e empresas inteiras” precisam ser redesenhadas

“Ao contrário do que se acredita, há apoio do setor empresarial para a agenda da Extinction Rebellion (XR)”, escreveram os líderes empresariais. “Os custos de vários milhões de libras que os protestos da Extinction Rebellion impuseram aos negócios são lamentáveis, assim como os inconvenientes para os londrinos. Mas os custos futuros impostos às nossas economias pela emergência climática serão muito maiores”.

“As pressões intensas pedem por mudanças, mas mesmo as empresas mais comprometidas precisarão de tempo para responder às demandas. Saudamos a notícia de que a Extinction Rebellion está desenvolvendo uma nova plataforma, a XR Business, para envolver líderes empresariais, investidores e consultores, no intuito de impulsionar as coisas, a ideia é convocar uma reunião de ativistas e especialistas da XR com líderes de negócios e influenciadores”.

Mudando a maneira como os negócios funcionam

A organização acrescentaram que a maioria das empresas “não foi projetada para o contexto em que estamos vivendo de emergência climática em desenvolvimento” e disse que há, portanto, uma necessidade urgente de “redesenhar indústrias e empresas inteiras, usando metas baseadas em ciência”.

Os líderes empresariais propuseram que as empresas fizessem uma declaração assumindo o compromisso de enfrentarmos a emergência climática e organizarmos uma sessão extraordinária em uma reunião de diretoria para considerar o caso de ação urgente, acrescentando: “Incentivaremos as equipes de gerência sênior das quais

Caçadores e madeireiras ameaçam lêmures e florestas em Madagascar

Em Vohibola, uma das últimas florestas primárias no leste de Madagascar, caçadores estão matando os lêmures, primatas que lutam contra a ameaça de extinção e estão derrubando árvores, algumas delas de madeiras raras, para queimarem com intuito de fazer carvão.

A patrulha de Michael Tovolahy rastreia esses caçadores diariamente, em alerta para o menor movimento e som, criminosos que estão causando danos graves a essa jóia da biodiversidade.

“Nesta floresta, existem pelo menos 20 espécies de animais indígenas, incluindo seis tipos de lêmures e 150 espécies de árvores”, diz Tovolahy, cujo apelido é Nabe.

“Por causa desses caçadores-madeireiros, temo que essa floresta não exista mais no futuro, será apenas um espaço vazio, onde os desenvolvedores e progressistas cultivarão muros de concreto”.

Uma ironia terrível é que um documentário de 2014, “Island of Lemurs”(A ilha dos Lemures, na tradução livre), que fez tanto para chamar a atenção para a situação dos animais “fofinhos”, sem querer encorajou pessoas, e criou um mercado, daqueles que querem tê-los como animais de estimação em gaiolas.

Alguns matam as criaturas inofensivas por comida, outros as vendem como animais de estimação – e para pegar suas presas indefesas, eles derrubam preciosas árvores tropicais.

“Os lêmures dão criaturas noturnas por isso são muito fáceis de capturar pois dormem durante o dia”, explica Tovolahy.

Os caçadores cortam as árvores que cercam o ninho deles, as quais permitem que os lêmures possam dar longos saltos de uma pra outra.

Tudo o que os caçadores precisam fazer é sacudir a árvore até que o animal caia.

Madeira recém cortada de árvore de ébano, rara e protegida | Foto APF

Madeira recém cortada de árvore de ébano, rara e protegida | Foto APF

Os lêmures estão entre os muitos tesouros da vida selvagem que são exclusivos de Madagascar.

Das 111 espécies de lêmures registradas, 105 enfrentam a ameaça de extinção, diz a Rede de Conservação dos Lêmures (LCN).

Outros danos a floresta de Vohibola e sua população natural estão sendo infligidos pela simples necessidade de madeira para cozinhar.

A patrulha da floresta freqüentemente se depara com uma visão desanimadora: enormes espaços vazios e montes de cascas de árvores – vestígios da extração ilegal de madeira que são levadas, queimadas e vender o carvão a madagascanos.

“Eles derrubam árvores de madeiras raras como o ébano e as usam para fazer carvão – é tão triste ”, diz Tovolahy.

Eric Rabenasolo, diretor-geral de florestas do Ministério do Meio Ambiente, diz que os nove milhões de hectares de florestas de Madagascar estão diminuindo a cada ano, entre 50 mil e 100 mil ha – um campo de futebol tem aproximadamente um hectare.

Vohibola em si é um paraíso para uma espécie extraordinária – o lêmure-rato.

Cecilien Ranaivo, prefeito de Ambinaninony,, acusado de receber propina de empresas madeireiras e caçadores | Fotos: AFP

Cecilien Ranaivo, prefeito de Ambinaninony,, acusado de receber propina de empresas madeireiras e caçadores | Fotos: AFP

De sua cabeça até a ponta de sua cauda, esse animal noturno (gênero Microcebus) mede menos de 27 centímetros, tornando-se o menor primata do mundo – e, de acordo com a Conservação Internacional da Natureza (IUCN),esta entre os mais ameaçados de todos os vertebrados.

O estado está tentando aumentar a conscientização sobre os perigos de tal tráfico, pedindo às pessoas, por exemplo, que verifiquem a fonte do carvão que usam para cozinhar e incentivando as aldeias a denunciar a extração ilegal de madeira às autoridades.

A mensagem muitas vezes não chega a ser ouvida em um país onde três quartos da população vivem na pobreza.

Os caçadores têm uma reputação conhecida pela população de violência e vingança e suas conexões com os habitantes locais significam que a polícia raramente pode fazer prisões.

“Nunca cheguei muito perto desta floresta no meu barco”, confidenciou Parfait Emmanuel, um pescador da aldeia de Andranokoditra. “Eu não tenho vontade de ser cortado em pedaços por um caçador”.

“São os próprios moradores que alertam os caçadores de que a polícia está chegando”, diz Cecilien Ranaivo, prefeito do distrito de Ambinaninony, que inclui Andranokoditra.

“Então, obviamente, eles não conseguem fazer muitas prisões.”

Durante a patrulha de Tovaly, a equipe se depara com um esconderijo de caçadores – um acampamento do tamanho de uma pequena aldeia, com cerca de 20 cabanas improvisadas que foram claramente abandonadas às pressas.

Esconderijo de caçadores | Foto: AFP

Esconderijo de caçadores | Foto: AFP

Tovolahy expressa sua frustração. Seus recursos são limitados: a patrulha é formada por voluntários armados com paus ou arcos e flechas e só pode tentar assustar os caçadores, em vez de atacá-los de frente.

“Nós nunca seremos capazes de lutar contra os madeireiros-caçadores por nós mesmos”, diz ele. “O que é necessário são homens armados, habilitados por lei a usar a força, em caso de necessidade”.

Exasperado pela impotência das autoridades, o ambientalista Stephane Decampe decidiu lançar-se em sua própria missão para proteger os lêmures.

Decampe, um cidadão d dupla nacionalidade franco-malgaxe, é co-proprietário do Jungle Nofy Hotel, uma pousada que acomoda turistas que descem o Canal de Pangalanes, uma série interconectada de rios, lagos artificiais e cursos d’água que percorre a costa leste de Madagascar.

Ele patrulha o canal três noites por semana em seu barco para rastrear os caçadores.

Patrulha de voluntários de Michael Tovolahy armados com paus e arco e flecha | Foto: AFP

Patrulha de voluntários de Michael Tovolahy armados com paus e arco e flecha | Foto: AFP

“Eles vêm da cidade de Tamatave (70 quilômetros ao norte de Ambinaninony), junto com sua esposa e filhos”, disse Decampe.

“Eles são deixados aqui de barco e têm comida, mas não carne … então eles comem lêmures”, disse ele.

Ele e sua esposa Angelique também resgatam e recuperam os lêmures que as famílias usam como animais de estimação.

“Nós os libertamos”, disse ela. “Mas quando nós fomos pela última vez, de férias, os caçadores os envenenaram em um ato de vingança.”

A batalha para salvar os lêmures tem provocado tensas relações com as autoridades – autoridades locais, dizem ativistas, recebem propina de alguns dos traficantes.

Essa insinuação faz com que o prefeito Ranaivo responda as acusações furiosamente, acusando os ativistas de terem “motivações políticas”.

Uma dúzia de ambientalistas foi presa no início de abril.

“Eles nos acusaram de cortar ilegalmente árvores e destruir negócios de madeireiros”, suspirou Tovolahy.

“E enquanto tudo isso acontecia, os verdadeiros caçadores saqueavam a natureza”.

Extinção de animais e vegetais aumenta em escala sem precedentes

A extinção de animais e vegetais está aumentando em uma escala sem precedentes. Houve uma redução de, pelo menos, 20% na abundância média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres, principalmente a partir de 1900. Em relação aos anfíbios, a queda foi de mais de 40% e de quase 33% dos corais. Os mamíferos também estão sofrendo redução de suas espécies, tendo sido registrada uma queda de mais de um terço. As descobertas foram feitas por um grupo de cientistas de 50 países, incluindo o Brasil, autores da primeira avaliação global do estado da natureza da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

O sumário para os formuladores de políticas do relatório foi lançado em Paris, na França, depois de ter sido submetido à aprovação de 132 países durante a 7ª plenária do órgão, chamada de “IPCC Para a Biosdiversidade”. As informações são da Agência FAPESP.

Foto: Pixabay

“A saúde dos ecossistemas de que toda a humanidade e as espécies dependem está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos erodindo os próprios alicerces de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”, disse Robert Watson, presidente da IPBES.

O relatório, que foi elaborado durante três anos por 145 especialistas, com apoio de outros 310 autores, avaliou mudanças na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos – como o fornecimento de alimentos e de água – durante os últimos 50 anos. Durante os trabalhos, os pesquisadores fizeram uma revisão de aproximadamente 15 mil fontes científicas, governamentais, de conhecimento indígena e de comunidades tradicionais.

“Esse é primeiro relatório intergovernamental que foca não só a biodiversidade, mas também suas interações com trajetórias de desenvolvimento econômico e com fatores que afetam a natureza, como as mudanças climáticas”, disse Eduardo Sonnewend Brondizio, professor da Indiana University, dos Estados Unidos, à Agência FAPESP.

“Nunca tantos dados, de diferentes áreas, como das ciências naturais e sociais, foram reunidos para fazer uma avaliação detalhada da condição do ambiente em escala global e em uma perspectiva integrada de interação com a sociedade”, disse Brondizio.

O cientista brasileiro, radicado há mais de 20 anos nos EUA, foi um dos três copresidentes do relatório e é um dos pesquisadores responsáveis por um projeto apoiado pela FAPESP, em parceria com o Belmont Forum, um consório das principais agências que financiam projetos de pesquisa sobre mudanças ambientais no mundo. Além dele, outros pesquisadores brasileiros são autores do relatório: Ana Paula Aguiar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); Bernardo Baeta Neves Strassburg, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (ISS); Cristina Adams, da Universidade de São Paulo (USP); Gabriel Henrique Lui, do Ministério do Meio Ambiente; Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha, da USP; Pedro Henrique Santin Brancalion, também da USP; e Rafael Dias Loyola, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Foto: Pixabay

“A contribuição dos autores brasileiros foi excepcional porque todos eles conseguiram trazer uma perspectiva social e ecológica integrada para o relatório. Eles colocaram suas respectivas especialidades, como ecologia, políticas públicas e cenários ambientais, em um contexto interdisciplinar”, disse Brondizio.

De acordo com o relatório, ecossistemas, espécies, populações selvagens, variedades locais de plantas e de animais domesticados estão diminuindo, deteriorando ou desaparecendo por completo. Com isso, a rede interconectada da vida na Terra está sendo reduzida e ficando desgastada.

Desde o século 16, pelo menos 680 espécies de vertebrados foram extintas e mais de 9% de todas as raças domesticadas de mamíferos explorados para a alimentação e a agricultura também foram levadas à extinção até 2016. Estima-se ainda que 1 milhão de espécies de animais e de vegetais ainda podem ser extintas.

Algumas das causas do declínio das espécies são, em ordem decrescente: mudanças no uso da terra e do mar, exploração direta de organismos, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.

As emissões de gases do efeito estufa dobraram desde 1980, o que elevou a temperatura média global em pelo menos 0,7ºC. O impacto do aquecimento global, que já afeta a natureza, inclusive interferindo na genética animal, deve aumentar nas próximas décadas e pode, em algumas circunstâncias, superar o impacto da mudança do uso da terra e do mar e outros fatores, segundo os autores do relatório.

Tartaruga fica presa à rede de plástico (Foto: Jordi Chias/ National Geographic)

“O sumário mostra que a situação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, essenciais para a qualidade de vida, é ainda mais crítica do que a do aquecimento global”, disse Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do programa BIOTA-FAPESP e responsável por coordenar o Painel Multidisciplinar de Especialistas da IPBES nos seus primeiros anos de existência, em parceria com o australiano Mark Londsdeale, da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO). Joly é também membro da coordenação da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, na sigla em inglês), que teve a criação inspirada na IPBES.

Ainda segundo o relatório, três quartos do meio ambiente terrestre foram alterados de forma significativa pelas ações humanas, assim como 66% do ambiente marinho. Áreas mantidas ou geridas por povos indígenas e comunidades locais foram menos afetadas.

A pecuária e a agricultura – em sua maioria, voltada para a produção de grãos, como a soja, para a alimentação de animais explorados e mortos para consumo – abrange mais de um terço da superfície terrestre do mundo e quase 75% dos recursos de água doce. Aproximadamente 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis e não renováveis são extraídos da natureza anualmente. Esse número quase dobrou desde 1980.

A destruição da terra fez com que a produtividade da superfície terrestre global caísse 23%. Já a perda de habitat costeiros e proteção colocam em risco entre 100 e 300 milhões de pessoas, devido à possibilidade de inundações e furacões. Além disso, a perda de polinizadores está colocando em risco até US$ 577 bilhões em safras globais anuais.

O relatório apontou também que a poluição plástica aumentou 10 vezes desde 1980. Além disso, entre 300 e 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lama tóxica e outros resíduos industriais são despejados todos os anos nas águas do mundo.

Mais de 400 “zonas mortas” oceânicas, com mais de 245 mil km², foram criadas por fertilizantes usados na agricultura que tiveram acesso aos ecossistemas costeiros. A área é maior que a do Reino Unido, segundo os pesquisadores.

Foto: Pixabay

“O relatório mostra que as populações mais ricas ou privilegiadas se acostumaram a ignorar os problemas ambientais porque não convivem com os impactos no dia a dia. São as populações mais pobres ou menos privilegiadas que estão sofrendo o impacto desse padrão de vida, na forma de poluição, desmatamento e atividades de mineração em lugares longe dos olhos do resto do mundo”, disse Brondizio.

As tendências negativas contra o meio ambiente devem continuar até 2050, segundo os pesquisadores, e devem persistir além desse período em todos os cenários políticos explorados no relatório, com exceção daqueles que realizam mudanças transformadoras.

Para os autores, as metas globais para conservar e usar a natureza de forma sustentável não podem ser atingidas nas trajetórias atuais, apesar dos esforços em políticas de preservação realizadas por alguns países. Ainda de acordo com eles, até 2013 e além dessa data, as metas só podem ser alcançadas através de mudanças transformadoras e de fatores políticos e tecnológicos.

A adoção de abordagens integradas e intersetoriais de gestão que considerem as compensações da fabricação de alimentos e energia, infraestrutura, manejo de água doce e costeira e a conservação da biodiversidade são ações indicadas pelos pesquisadores.

“Ainda não chegamos a um ponto de irreversibilidade na perda de biodiversidade e a consequente degradação dos serviços ecossistêmicos essenciais para a qualidade de vida. Se tomarmos decisões agora, para, em conjunto e de forma coordenada e cooperativa, promovermos mudanças transformativas integradas, inclusivas e baseadas no melhor conhecimento científico disponível, é possível reverter a velocidade da degradação”, disse Joly.

“Isso passa, obrigatoriamente, por conseguir cumprir as metas do Acordo de Paris, pois o aquecimento global já é um dos principais impulsionadores da perda de biodiversidade e degradação dos serviços ecossistêmicos”, ressaltou.

Os pesquisadores indicam também a construção de uma economia global sustentável, que se afaste do atual paradigma limitado de crescimento econômico.

“O relatório mostra que é preciso mudar a narrativa de que o desenvolvimento econômico é um fim em si mesmo e que todos os custos para alcançá-lo, como a degradação ambiental e a desigualdade social, são inevitáveis e justificáveis”, disse Brondizio.

Governo considera proibição da total da caça para permitir recuperação das espécies

Foto: Armenian Mirror Spectator

Foto: Armenian Mirror Spectator

O governo da Armênia se reuniu na sexta feira última (10) e para discutir alguns debates importantes sobre a preservação da vida selvagem, já que anteriormente ja hia sido aprovada a apresentação de uma proposta sobre o cumprimento de uma multa de 100 milhões de dólares pela caça do leopardo caucasiano, espécie ameaçada de extinção.

Reforçando o movimento, o diretor do Serviço de Segurança Nacional, Arthur Vanetsyan, que estava presente, sugeriu impor uma proibição total de caça de 3 a 5 anos em todo o país.

“Vamos banir a caça por 3 a 5 anos na Armênia para que a população da vida selvagem seja restaurada. Vamos tomar essa iniciativa, proibir a caça em geral, e a proibição não é apenas por meio dessas leis que estamos adotando, mas também, por exemplo, pela proibição temporária de cartuchos de caça. Porque eles estão sendo usados por fora da lei”, disse Vanetsyan.

O primeiro-ministro Nikol Pashinyan pediu a um comitê para estudar a questão de forma abrangente.

“Devemos optar por fazer algo assim porque essa ideia é muito boa e apropriada. Mas devemos olhar para este problema de forma abrangente. Vamos realizar um estudo especializado ”, disse ele.

“Embora – por outro lado – é legítima a preocupação com o assunto, porque as pessoas podem usar essas brechas na lei, e se elas forem armadas para as florestas, vão atirar em tudo que virem. É necessário realizar um estudo e ouvir a opinião de especialistas sobre esta questão ”, disse Pashinyan.

O ministro da Proteção da Natureza, Erik Grigoryan, disse que a situação atual na Armênia levou à destruição generalizada de animais e pássaros. “As pessoas atiram em tudo que se move. Há muitas omissões legislativas e também estamos considerando a possibilidade de impor uma restrição total à caça”, disse Grigoryan.

Durante consultas sobre esta questão com os colegas dos Emirados Árabes Unidos, o ministro disse que lá (EAU) eles consideram os veículos como uma ferramenta de caça também, e eles são confiscados junto com as armas em caso de violação da lei. Segundo o Grigoryan, se vários carros de caçadores forem confiscados, isso seria um sério incentivo para impedir a caça.

Segundo Erik Grigoryan atualmente cerca de 8 a 12 leopardos caucasianos apenas são registrados atualmente vivendo na Armênia. Os dados são do último monitoramento do Ministério do Meio Ambiente, alguns deles foram encontrados em áreas especialmente protegidas no sul do país e na província de Ararat. Ambientalistas dizem que o leopardo é um indicador de que a biodiversidade necessária é fornecida em áreas protegidas, daí a sua importância fundamental na preservação das espécies.

Desde 2002, o Ministério do Meio Ambiente da Armênia e sede armênia da WWF vêm implementando um programa para a preservação de leopardos caucasianos no país.

O principal objetivo do programa é aumentar a população de leopardos caucasianos, cabras bezoar (Capra aegagrus), muflões armênios (Ovis orientalis gmelini) e outras espécies ameaçadas de extinção.

Tigres-de-bengala podem não sobreviver às mudanças climáticas, diz relatório

Foto: Thorsten Spoerlein/Getty iStock

Foto: Thorsten Spoerlein/Getty iStock

A mudança climática e o aumento do nível do mar podem acabar com uma das maiores e últimas espécies de tigres do mundo, alertaram cientistas em um novo estudo.

Os felinos estão entre as cerca de 500 mil espécies terrestres cuja sobrevivência está em questão por causa de ameaças aos seus habitats naturais, de acordo com um relatório do ONU publicado recentemente.

Os Sundarbans, que compõem mais de 4 mil milhas quadradas (cerca de 6 mil km) de terras pantanosas em Bangladesh e na Índia, abrigam a maior floresta de mangue do mundo e um rico ecossistema que suporta várias centenas de espécies de animais, incluindo o tigre-de-bengala ameaçado de extinção.

Mas 70% da terra está apenas a poucos metros acima do nível do mar, e mudanças graves estão reservadas para a região, disseram pesquisadores australianos e bengaleses na revista Science of The Total Environment.

As mudanças provocadas por um planeta em aquecimento serão “suficientes para dizimar” as poucas centenas de tigres-de-bengala que permanecem ali.

“Até 2070, não haverá habitats de tigre adequados remanescentes nas Sundarbans de Bangladesh”, concluiu o estudo realizado por 10 pesquisadores.

O documento, que se baseia em cenários climáticos desenvolvidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática para montar seus modelos de simulação, além de complementar os estudos existentes que oferecem previsões igualmente sombrias para a vida selvagem nos Sundarbans.

Em 2010, um estudo conduzido pelo Fundo Mundial para a Natureza projetou que uma elevação do nível do mar de 11 polegadas poderia reduzir o número de tigres nas Sundarbans em 96% em poucas décadas.

A mudança climática prejudicou quase metade dos mamíferos ameaçados do mundo, muito mais do que se pensava anteriormente, segundo um estudo recente.

Sharif A Mukul, principal autor do novo relatório sobre os Sundarbans, e seus colegas procuraram outros riscos que poderiam ameaçar o tigre, além do aumento do nível do mar, que representaram 5,4% a 11,3% da perda de habitat projetada em 2050 e 2070.

Outros fatores relacionados à mudança climática foram mais prejudiciais aos tigres de Sundarbans, uma das maiores populações remanescentes de tigres selvagens do mundo, descobriram os pesquisadores.

Desde o início de 1900, a perda de habitat, a caça e o comércio ilegal de partes de animais dizimou a população global de tigres de cerca de 100 mil para menos de 4 mil.

Nos Sundarbans de Bangladesh, um aumento nos eventos climáticos extremos e mudanças na vegetação tendem a reduzir ainda mais a população, segundo o estudo. E enquanto as Sundarbans inundam, os confrontos entre humanos e tigres podem crescer enquanto os animais se afastam de seu habitat em busca de novas terras.

“Muitas coisas podem acontecer”, disse Mukul, professor assistente de gestão ambiental na Independent University, Bangladesh, em Daca. “A situação poderia ser ainda pior se houvesse um ciclone ou algum surto da doença naquela área, ou escassez de alimentos”.

Em outubro passado, um relatório histórico realizado pelo painel científico sobre mudanças climáticas da ONU descobriu que, se as emissões de gases de efeito estufa continuassem no ritmo atual, a atmosfera aqueceria até 1.5C acima dos níveis pré-industriais em 2040.

Esse aumento teria consequências significativas para cadeias alimentares, recifes de corais e áreas propensas a inundações. Também pode afetar desproporcionalmente os países mais pobres e densamente povoados, como Bangladesh, que abriga 160 milhões de pessoas.

Em uma análise de décadas de registros das marés, os cientistas descobriram que as marés altas estavam subindo muito mais rápido do que a média global em Bangladesh, que fica no Delta do Ganges, uma complexa rede de rios e córregos.

Sugata Hazra, um oceanógrafo da Universidade Jadavpur, na Índia, disse que pode haver alguma perda de terra nos Sundarbans, mas sua pesquisa sugeriu um impacto menos dramático sobre os tigres.

Alguns passos foram dados para proteger as áreas de baixa altitude e os tigres que vivem lá, disse Zahir Uddin Ahmed, funcionário do departamento florestal de Bangladesh.

Culturas que podem sobreviver a níveis mais elevados de salinidade da água estão sendo introduzidas. O governo construiu muros de contenção de tempestade. A redistribuição de sedimentos também aumentou naturalmente a altura de algumas ilhas, disse ele.

Ainda assim, Prerna Singh Bindra, autora de The Vanishing: Indian’s Wildlife Crisis (O Desaparecimento: A Crise Indiana da Vida Selvagem), disse que os habitats de tigres continuariam a diminuir – seja por causa da mudança climática ou do desenvolvimento da indústria – e que boas opções de conservação eram difíceis de encontrar.

Simplesmente mover tigres de bengala para outra reserva, por exemplo, não era uma “solução viável”, disse ela.

“Onde você coloca esses tigres? Onde há um habitat adequado que não seja perturbado pela ação humana neste planeta lotado?”, Prerna deixa no ar o questionamento.

Vancouver apoia lei que bane a importação de barbatanas de tubarão

Foto: Jeff Rotman/jeffrotman.com

Foto: Jeff Rotman/jeffrotman.com

Uma prática cruel chinesa de arrancar as barbatanas de tubarão para utilizar em pratos culinários tem custado a vida de inúmeros desses animais, mas a importação de barbatanas pode em breve ser proibida Vancouver, no Canadá.

Na terça-feira, vereadores votaram a favor da proibição federal das importações de barbatana de tubarão na esperança de reduzir a demanda por finning, uma prática onde as barbatanas de um tubarão são cortadas e o animal é jogado ao mar para morrer.

É um processo que a moção apresentada ao conselho descreveu como “desnecessária” e “desumana”.

“Os tubarões são tão essenciais ao nosso ecossistema e vida marinha, e estão ameaçados de extinção devido à quantidade de atividade de finning de tubarões que acontece”, Coun. Sarah Kirby-Young disse à CTV News Vancouver.

Em outubro de 2018, uma lei federal para proibir a importação e exportação de barbatanas de tubarão passou pela terceira leitura no Senado. Em breve irá para a Câmara dos Comuns para debate.

A importação está sob a jurisdição do governo federal, mas Kirby-Young disse que a medida mostrará que Vancouver apoia Ottawa.

“Eu acho que os tempos mudaram. Eu acho que ao falar com membros da comunidade (chinesa) que os clientes estão evoluindo e as atitudes estão mudando estamos agindo de forma correta, então este parece ser o momento certo para isso”, disse ela.

Foto: nhm.ac.uk

Foto: nhm.ac.uk

Mas alguns proprietários de restaurantes ainda se opõem à mudança.

David Chung, presidente da Associação de Donos de Restaurantes Asiáticos e proprietário de um restaurante de frutos do mar chinês em Richmond, disse que a multa é proibida na maioria dos países e ele não acredita que a medida seja amplamente praticado.

De acordo com a World Wildlife Organization, 17 de 39 espécies de tubarões pelágicos e 25% de todos os 494 tubarões e raias que vivem nas plataformas continentais costeiras estão ameaçadas de extinção.

Vítimas do comércio de barbatanas

Na Ásia, consumir sopa de barbatana de tubarão é sinônimo de riqueza e status. Porém, esse hábito demonstra um completo desprezo pela vida, já que 73 milhões de tubarões são brutalmente mortos a cada ano para suprir esse “luxo”.

Devido a isso, algumas espécies de tubarão tiveram um declínio gritante de 98% em suas populações nos últimos quinze anos. Mais de 200 espécies de tubarão estão listadas agora como em perigo pela International Shark Foundation.

As pessoas muitas vezes acreditam que os tubarões são cruéis, mas o que os humanos fazem com esses moradores do mar apenas por uma refeição é terrível.

Primeiramente, os seres humanos sequestram os tubarões da natureza por causa de suas barbatanas, que são serradas de maneira bárbara enquanto eles se contorcem de dor. Os tubarões não morrem nesta provação, eles passam por algo muito pior.

Foto: linkedin.com

Foto: linkedin.com

Uma vez que suas barbatanas são arrancadas, os restos de seus corpos são simplesmente jogado de volta ao mar, descartados como pedaços de lixo onde, incapacitados, eles são deixados para “se afogar, sangrar até a morte ou serem comidos vivos por outros peixes”, explica a Oceana.

Segundo o One Green Planet, isso é ilegal nas águas dos EUA. Entretanto, o país contribui com este comércio brutal ao permitir que as barbatanas de tubarão sejam compradas internamente. De fato, Savannah, na Geórgia é um porto enorme para barbatanas de tubarão.

Agora surgiu a oportunidade de acabar com isso porque um grupo bipartidário no Congresso anunciou recentemente a introdução da Lei de Eliminação do Comércio de Barbatanas de Tubarão (S.3095 / HR 5584), que tornaria “ilegal possuir, comprar, transportar ou comercializar barbatanas de tubarão ou qualquer produto contendo barbatanas de tubarão” nos EUA.

De acordo com um novo relatório da Oceana, “uma proibição nacional do comércio de barbatanas de tubarão diminuiria o comércio internacional de barbatanas, melhoraria a aplicação da atual proibição e reforçaria o status dos EUA como líder na proteção de tubarões”.

As pessoas não podem deixar seu medo de tubarões impedi-las de agir e apoiar esta lei. Embora a imprensa goste de aumentar nossos terrores e de exagerar nas histórias de sofrimento humano devido a ataques de tubarões, a realidade é que nós somos predadores muito mais mortais do que eles.

Em média, há talvez entre 70 e 100 ataques de tubarões no mundo a cada ano e apenas cinco, em média, terminam em tragédia humana. Porém, milhões de tubarões são massacrados por humanos todos os anos.

Além disso, os tubarões são espécies fundamentais, pois mantêm o equilíbrio sustentável dos ecossistemas que habitam e precisamos desesperadamente de oceanos saudáveis para um mundo saudável.

Raro, cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas é visto na Amazônia

Por David Arioch

Cientistas suspeitam que o número de indivíduos está caindo como resultado do desmatamento e da diminuição de presas (Foto: Reprodução)

Um animal raro, o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas foi visto há alguns meses na Amazônia. Sua aparição foi registrada por uma câmera instalada por pesquisadores que estudam o comportamento animal e a realidade de espécies em extinção.

Quase do tamanho de uma raposa, o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas é um animal sobre o qual se tem poucas informações, segundo vídeo publicado pela National Geographic.

“Por ser tão raro, pouco se sabe sobre ele. O comportamento, a população e a distribuição da espécie até hoje são um mistério. Cientistas suspeitam que o número de indivíduos está caindo como resultado do desmatamento e da diminuição de presas”, informa.

Documentário inovador é lançado com o objetivo de salvar os pangolins da extinção

Pangolins são os animais mais traficados do mundo | Foto: greenme

Pangolins são os animais mais traficados do mundo | Foto: greenme

Eye of the Pangolim foi idealizado e produzido pelos premiados cineastas sul-africanos Bruce Young (Blood Lions) e Johan Vermeulen (Kalahari Tails) que concluíram sua missão de mostrar ao mundo as quatro espécies de pangolim africano todas em um filme desenvolvido para aumentar a consciência sobre essas criaturas tímidas e sedutoras e acabar com a caça e o comércio de suas escamas que esta próximo de levá-los à extinção.

Young conta que Johan o abordou em 2017 com seu sonho de fazer um filme sobre pangolins. Como a maioria das pessoas, ele confessa que sabia muito pouco sobre essas pequenas criaturas estranhas e Young nem sonhava que eles eram o mamífero mais traficado do planeta – ainda mais do que rinocerontes. Johan conhecia o professor Ray Jansen, diretor do Grupo de Trabalho Africano do Pangolim, que os colocaria no mundo dos pangolins.

O apoio inicial da Biggestleaf, uma empresa de viagens e marketing on-line da Cidade do Cabo, ajudou os cineastas a chegar a Gana para a primeira filmagem. Com essa filmagem eles montaram a primeira promo (piloto) que mostrava às pessoas o que era possível com por meio do filme.

O próximo momento chave foi formar uma parceria com a Pangolin Africa, uma nova organização sem fins lucrativos dedicada à conservação de pangolins. Eles ajudaram os produtores a alcançar os financiadores sem os quais o filme não seria possível.

A dupla começou a trabalhar em meados de 2017 e as primeiras filmagens aconteceram em Gana em setembro daquele mesmo ano. A última sessão de filmagem aconteceu no Gabão em fevereiro de 2019.

Para encontrar as quatro espécies africanas de pangolins, foi necessário viajar para longe. Eles cobriram algumas localidades na África do Sul para acompanhar a história do pangolim-terrestre-de-temmincks e também viajaram para Gana em busca do pangolim-de-barriga-branca, e até a República Centro-Africana para encontrar o pangolim-de-barriga-preta, e a última viagem foi Gabão para tentar capturar em filme o pangolim gigante – o mais raro e difícil de encontrar de todos eles.

A ideia toda do filme, segundo seus criadores, é aumentar a conscientização sobre as quatro espécies africanas de pangolim. Se as pessoas souberem mais sobre esses animais e como eles são especiais, podem começar a se importar o suficiente para ajudar a conservá-los e pôr fim ao comércio de suas escamas e carne.

“Para fazer isso, precisávamos contar sua história – as pessoas se lembram de histórias muito mais do que fatos e números. Os pangolins são notoriamente tímidos e evasivos e por isso foi um enorme desafio colocá-los no cinema”, diz Johan.

Foto: Discoverwildlife

Foto: Discoverwildlife

Segundo os produtores, a logística para chegar a algumas das áreas mais remotas para filmar as quatro espécies de pangolim não foi fácil. E isso foi apenas o começo. Nunca houve qualquer garantia, ao chegarem, de que poderíamos encontrá-los.

Três das espécies são principalmente noturnas e duas delas vivem em sua maioria no topo das árvores de algumas das florestas mais densas do continente africano. A busca pelo pangolim gigante no Gabão foi a mais difícil, contam eles: “nós caminhamos por horas à noite e uma ou duas vezes esbarramos em elefantes da floresta no escuro, o que certamente levou a adrenalina a fluir”

O filme que foi realizado com um orçamento muito apertado, dessa forma o tempo no local de filmagem significava uma enorme pressão para obter as imagens necessárias.

A melhor parte das filmagens foi poder aproximar-se e conhecer estes notáveis animais contam os cinetastas. Os pangolins sao descritos por eles como inquestionavelmente algumas das criaturas carismáticas na natureza.

O privilégio passar um tempo com as pessoas que trabalham incansavelmente para ajudar a salvá-las – os pesquisadores, veterinários e enfermeiros veterinários, monitores de pangolim e pessoas ativamente envolvidas em campanhas para resgatá-los do comércio de vida selvagem e devolvê-los à natureza foi um dos benefícios enumerados pela dupla.

Porém ambos confessam que muitas vezes foi difícil testemunhar o tratamento de animais tão doces e inofensivos por pessoas que só os viam como uma mercadoria – algo para ser consumido ou feito dinheiro. Mas o momento mais difícil para Johan, segundo ele, foi ouvir que um pangolim com quem eles passaramo um ou dois dias durante a reabilitação e depois filmaram sua libertação congelou até a morte dois dias depois de voltar à vida selvagem. “Havia muita esperança na liberação dele, assim, quando foi ele morreu, fiquei muito consciente de quão precária é a situação em torno de seu futuro”.

A coisa mais difícil de filmar, segundo Young, foi o comércio de carne de caça em Gana. “No nosso primeiro dia, já havíamos encontrado pangolins cozinhando em fogueiras ao longo da estrada. Era muito difícil ver uma bela criatura como o pangolim de barriga branca, que estamos tão perto de perder para sempre, em circunstâncias como essa. Também foi muito doloroso ver imagens fornecidas a nós sobre o quanto os caçadores tratam os pangolins capturados vivos”.

Joahn conta que um dia, eles viram um pequeno pangolim-de-árvore-de-barriga-preta subindo livremente acima de suas cabeças enquanto ele se movia de árvore em árvore. “Foi emocionante ver um pequeno animal saudável e forte em seu ambiente natural. De repente o galho em que ele estava subindo estalou e ele caiu diretamente por alguns metros antes de ser resgatado por alguns galhos. Eu sei que era projeção minha total, mas o pangolim definitivamente parecia para mim como se estivesse um pouco envergonhado por ter sido pego em um pequeno erro assim”.

Johan e Young refletem que se pessoas que assistirem ao filme se tornarem encantadas por essas pequenas criaturas como eles ficaram, talvez comecem a olhar ao seu redor para outras criaturas na natureza e reavaliem seu relacionamento com aquela parte do nosso mundo que esta tão incrivelmente ameaçada.

“Se as pessoas se perguntarem o que perderiam se perdêssemos o pangolim, então teríamos começado a atingir nosso objetivo com este filme. Se eles começarem a questionar o que significará viver em um mundo com cada vez menos lugares selvagens para criaturas selvagens, então eles começarão a ver com seus corações”, diz Young.

Eye of the Pangolin será disponibilizado gratuitamente como um filme de código aberto, acessível para visualização em todo o mundo através de inúmeras plataformas online.

O filme também será levado a festivais de filmes de conservação e vida selvagem e dirigido por meio de redes de educação, conservação e turismo, para que as exibições cheguem às pessoas em áreas-chave onde a conscientização sobre a situação desse animal é crítica.