Quatro animais desapareceram da América Latina nos últimos 15 anos

Apesar dos esforços de ONGs de defesa animal, quatro espécies desapareceram por completo da América Latina nos últimos 15 anos, devido à ação humana.

Ararinha-azul (Foto: Getty Images)

Uma dessas espécies é a ararinha-azul. Famosa por ter sido um personagem da animação Rio, ela foi extinta no habitat em 2000 devido ao desmatamento e a caça. No entanto, segundo um estudo de setembro de 2018 da organização Bird Life, ainda restam entre 60 e 80 ararinhas em cativeiro. Em 2016, uma ave da espécie foi vista em liberdade, na natureza, em Curaçá, na Bahia. A origem dela é um mistério. As informações são do UOL.

A tartaruga gigante de Galápagos é outro animal que sumiu da América Latina. A última tartaruga, que vivia nas ilhas Galápagos, no Equador, e era conhecida como George Solitário, morreu de velhice, com mais de 100 anos, em 2012. A caça para consumo da carne do animal o levou à extinção.

Tartaruga gigante de Galápagos (Foto: Getty Images)

O início da ação humana contra essa espécie teve início no século 18, quando piratas descobriram que as tartarugas conseguiam sobreviver em navios sem água e comida por meses. A partir de então, os navegadores que frequentaram Galápagos no século 19 começaram a capturar grandes quantidades de tartarugas vivas para levá-las nos barcos e consumir a carne delas, segundo Linda J. Cayot, da organização Galapagos Conservancy.

Sapo dourado (Foto: Getty Images)

Além da caça, outros fatores interferem na sobrevivência das espécies. Como é o caso do sapo dourado, que desapareceu devido às mudanças climáticas. Esse animal precisa de um certo nível de umidade para se reproduzir, por isso alterações no clima extinguiram a espécie, que vivia nos pântanos da floresta nublada em Monteverde, na Costa Rica. O habitat desse animal secou por causa de uma mudança drástica na temperatura da região, que impediu a formação da neblina que protegia a espécie, segundo informações do Centro Científico Tropical da Costa Rica. Em 1989 foi última vez em que a presença do anfíbio foi registrada. Em 2008, uma expedição buscou por sobreviventes da espécie, mas não encontrou nenhum.

Entre os animais que desapareceram na América Latina também está a foca-monge-do-caribe, um mamífero marinho que nadava pelas correntes do Golfo do México e foi declarado extinto em 2008. Causas humanas causaram a extinção, de acordo com a Administração Nacional Atmosférica Oceânica (NOAA, na sigla em inglês). Essas focas eram caçadas pela indústria pesqueira e tinham sua pele e gordura comercializadas.

Foca-monge-do-caribe (Foto: NOAA)

Projeto de lei que autoriza morte de leões marinhos é aprovado no senado americano

Leões marinhos serão mortos por se alimentar de salmões | Foto: GoPro

Leões marinhos serão mortos por se alimentar de salmões | Foto: GoPro

Um projeto de lei que facilita a matança de leões marinhos que se alimentam de salmão no rio Columbia foi aprovado no senado dos Estados Unidos.

A medida permitirá um processo mais ágil para que os estados de Washington, Idaho, Oregon e várias tribos do noroeste do Pacífico capturem e matem os leões-marinhos.

Os defensores do projeto dizem que a medida protegerá o salmão e a truta e dará aos gerentes de vida selvagem maior flexibilidade para controlar os leões marinhos.

Os críticos chamam a solução covarde de mal concebido e dizem que matar os animais de forma covarde não vai resolver o problema do declínio das populações de salmão.

Novas diretrizes, envolvendo os animais entraram em vigor no dia 17 de abril, e permitem que qualquer leão marinho que seja visto na área em cinco ocasiões, ou que tenha sido visto comendo peixe (atum) deve ser colocado em uma lista para remoção letal.

Os critérios anteriores exigiam que ambas as marcas fossem atendidas. Autoridades dizem que 10 leões marinhos foram mortos até agora este ano, a maioria como resultado da mudança de política. Um estudo descobriu que a mudança pode aumentar o número de leões marinhos mortos em 66%.

O governo federal atualmente autoriza os estados a matarem leões marinhos perto da represa de Bonneville, a leste de Portland, Oregon, mas somente se os responsáveis documentarem individualmente os animais que estão causando problemas.

O projeto foi patrocinado pelo senador de Idaho, Jim Risch, e a senadora por Washington, Maria Cantwell, e já foi aprovado pelo senado. O texto do projeto é semelhante à legislação que a câmara aprovou em junho do ano passado.

Matar os leões marinhos, retirar vidas, nunca será a solução a ser adotada. O declínio das populações de salmão se dão em função do desequilíbrio na cadeia alimentar causado pela pesca (intenções comerciais, ganho, lucro, venda) que impede a reprodução dos animais há tempo de suprir o déficit causado pelos pescadores com suas redes de grande escala.

A natureza tem seu equilíbrio próprio e perfeito as cadeias alimentares obedecem a esses critério endêmicos. Tentar culpar os leões marinhos por consequências que os seres humanos causam, é no mínimo, incoerente e equivocado.

Essa irresponsabilidade custará as vidas de animais inocentes que nada mais fazem do que seguir seus instintos e se alimentar.

Orangotangos podem estar extintos em 10 anos se o desmatamento das florestas indonésias continuar

Foto: International Animal Rescue

Foto: International Animal Rescue

Ambientalistas e especialistas preveem que, sem uma intervenção rápida e adequada, logo nenhum desses belos e indefesos animais restará no planeta.

Segundo o premiado Chefe do Executivo da ONG International Animal Rescue, Alan Knight, os orangotangos se encontram atualmente no “precipício da extinção”.

“Se o ritmo atual de destruição da floresta tropical continuar como esta, então não tenho absolutamente nenhuma esperança de que algum orangotango permaneça em estado selvagem.”

O ambientalista previu que os orangotangos só continuariam a existir por apenas mais 10 anos.

“Eu provavelmente diria dez anos se não pudermos parar a destruição. Eu acho que os orangotangos de Sumatra desaparecerão antes disso se eles não resolverem a situação em que estão”.

O orangotango Tapanuli (Pongo tapanuliensis), descoberto por cientistas em 2017, tem os números de suas populações estimados em apenas 800 indivíduos, o que o torna a espécie mais rara de macacos do planeta.

As espécies de orangotango se juntam a uma lista de animais altamente ameaçados que incluem o tigre malaio, o rinoceronte-de-sumatra, o pangolim malaio e muitos outros.

Foto: International Animal Rescue

Foto: International Animal Rescue

Infelizmente a culpa dessa situação extrema é do ser humano e de suas ações irresponsáveis movidas pela ganância e ambição descontroladas.

Conforme relatado pelo Independent, o declínio nos números da população de orangotangos nas florestas de Bornéu é devido ao desmatamento em massa que ocorre há anos no local.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) relatou: “As florestas em que esses animais vivem são transformadas em plantações de dendê, borracha ou papel, e outras são destruídas por humanos”.

“Como os orangotangos são caçados e expulsos de seus habitats, as perdas dessa espécies de reprodução lenta são enormes e serão extremamente difíceis de reverter.”

Se a tendência atual de desmatamento continuar, o orangotango não será mais do que apenas uma parte da história dos animais que uma vez vagaram pela terra.

Os dados expostos pedem uma atitude urgente e efetiva para garantir que os habitats dos orangotangos seja preservados e a espécie seja salva da extinção e posteriormente protegida das decorrentes ameaçadas causadas pela ação humana.

Populações caem pela metade em uma década

De acordo com informações da Orangutan Foundation International, as populações de orangotangos caíram pela metade na última década. Este é um dado preocupante considerando que os orangotangos já somaram centenas de milhares de indivíduos.

Além das mudanças climáticas, outras atividades humanas têm favorecido à perda e degradação do habitat desses animais. “A IUCN [União Internacional para a Conservação da Natureza] classificou o orangotango de Bornéu como ameaçado de extinção e o orangotango de Sumatra como criticamente ameaçado”, aponta a OFI.

As últimas estimativas mostraram que apenas 7,3 mil orangotangos de Sumatra (Pongo abelii) ainda permaneciam em estado selvagem, embora tais estimativas não sejam tão recentes. Isso significa que a redução pode ser pior do que imaginamos. Outro dado importante é que aproximadamente 150 mil orangotangos da Ilha de Bornéu desapareceram nos últimos 16 anos, segundo o Instituto Max Planck.

“A destruição e a degradação da floresta tropical, particularmente a floresta das terras baixas, em Bornéu e Sumatra, é a principal razão pela qual os orangotangos estão ameaçados de extinção”, lamenta a Orangutan Foundation.

Entre as atividades humanas que têm contribuído para isso estão a exploração madeireira, incluindo a extração ilegal, conversão de florestas em plantações de óleo de palma, mineração e derrubada de mata para a construção de estradas, além de incêndios e comércio ilegal de animais.

“Durante a última década, as populações de orangotangos provavelmente diminuíram em 50% na natureza. O orangotango de Bornéu e o orangotango de Sumatra estão em grave declínio. Isso significa que, sem uma drástica intervenção, os orangotangos podem em breve ser extintos como populações biologicamente viáveis na natureza”, revela a OFI.

Pesquisadores do Instituto Max Planck lamentam o fato de que quase 50 anos de esforços de conservação não conseguiram evitar que os números de orangotangos caíssem. E o que torna a situação ainda mais delicada é que os orangotangos são animais que se reproduzem lentamente.

Gorilas protegidos contra caçadores posam para “selfie”

Dois gorilas foram flagrados pela câmera do guarda florestal Patrick Sadiki, que compartilhou a imagem com a legenda “Another Day at the Office” (outro dia no escritório). Na “selfie”, chama atenção a postura dos animais, muito semelhante a humanos ao lado do seu protetor.

Foto: The Elite AntiPoaching Units And Combat Trackers/ Facebook

Os gorilas vivem no Parque Nacional de Virunga, que faz fronteira com o Parque Nacional dos Vulcões, área protegida mais antiga da África. Fundado em 1925 para defender sua rica biodiversidade, a região possui a presença dos últimos 880 gorilas-das-montanhas. Em 1979, foi classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO.

“Você pode fazer a diferença ao se juntar à nossa comunidade de pessoas dedicadas que visam proteger o mais antigo Parque Nacional da África e trazer paz e propriedade para quatro milhões de pessoas que dependem dele”, diz mensagem do site do parque.

Outro texto diz que parque foi “profundamente” impactado por guerras e conflitos armados nas últimas duas décadas e, portanto, o trabalho destemido dos guardas é crucial. No total, 179 guardas florestais morreram para proteger os animais na região.

Fonte: Terra

Pesca comercial está conduzindo o golfinho de Maui à extinção

A menos que algumas medidas sejam adotadas o mais breve possível, a extinção é apenas uma questão de pouco tempo (Foto: Steve Dawson/NABU International Foundation for Nature)

A pesca comercial está conduzindo o golfinho de Maui, endêmico da Nova Zelândia, à extinção. De acordo com o Comitê Científico da Comissão Baleeira Internacional (IWC), restam apenas 57 golfinhos machos, uma diferença bastante significativa, considerando que até 1971 havia pelo menos dois mil. A menos que algumas medidas sejam adotadas o mais breve possível, a extinção é apenas uma questão de pouco tempo.

Para a Sea Shepherd, se ações mais enérgica não forem colocadas em prática o golfinho de Maui pode ter o mesmo destino da Vaquita no México. Por isso a organização de conservação da vida marinha está exigindo que países como os Estados Unidos parem de importar produtos associados à pesca que está aproximando o golfinho da extinção.

A morte desses animais ocorre quando eles são capturados “acidentalmente” em redes de emalhar e de arrasto. “Estamos exigindo que o governo Trump pare com essas importações”, diz a Sea Shepherd, acrescentando que os EUA são um dos maiores financiadores da atividade na Nova Zelândia por meio do alto volume de importação mensal.

De acordo com a organização, até mesmo o governo da Nova Zelândia já reconheceu que o declínio de espécies marinhas no país está associado diretamente à pesca comercial. “Só os EUA importam entre 25 e 50 mil quilos de pargo da Nova Zelândia por mês. A pesca de pargo é conhecida por usar equipamentos que enlaçam os golfinhos de Mauri”, informa a Sea Shepherd.

Para pressionar os Estados Unidos a interromperem as importações de pesca da Nova Zelândia, a organização está se valendo da Lei de Proteção aos Mamíferos Marinhos, uma lei dos EUA que visa reduzir globalmente a captura acidental de animais como golfinhos.

Bolsonaro assina decreto que extingue conselhos de políticas públicas socioambientais

O presidente Jair Bolsonaro assinou recentemente o decreto Nº 9.759, que extingue diversos conselhos, dentre eles os de políticas públicas socioambientais. Trata-se de mais um retrocesso do governo que prejudica a agenda ambiental do país e, por consequência, os animais que dependem do meio ambiente para sobreviver.

(Foto: Vanessa Lima/G1 RR)

Conforme consta no texto do decreto, o documento “extingue e estabelece diretrizes, regras e limitações para colegiados da administração pública federal direta, autárquica e fundacional”. Sendo estes colegiados, ainda segundo o texto: “instituídos por: I – decreto, incluídos aqueles mencionados em leis nas quais não conste a indicação de suas competências ou dos membros que o compõem; II – ato normativo inferior a decreto; e III – ato de outro colegiado”.

O biólogo Frank Alarcón considera que a medida reduzirá ou enfraquecerá a participação popular. “Todo conselho, colegiado, comitê e comissão da administração pública federal direta, autárquica e fundacional criado por decreto, portaria ou outro ato normativo hierarquicamente inferior, será extinto (salvo pedido de ministérios pela sua preservação)”, explicou.

Segundo o biólogo, serão extintos, a partir do dia 28 de junho de 2019: “CONABIO– Conselho Nacional de Biodiversidade (Decreto Federal 4703/2003); CONAFLOR – Conselho Nacional de Florestas (Decreto Federal 3420/2000); CNPCT – Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (Decreto Presidencial 8750 de 2016); CNPI – Comissão Nacional de Política Indigenista (Decreto Federal 8593 de 2015); CNAPO Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Decreto Federal 7794 de 2012)”.

Alarcón disse ainda que é possível que a CEPPCDam – Comissão Executiva do Plano de Ação e Prevenção e Controle dos Desmatamentos na Amazônia (Decreto de 03 de julho de 2003) – também seja extinta. “É uma instância operacional de coordenação das ações de prevenção e controle do desmatamento do Governo Federal. Está diretamente ligada ao Ministério do Meio Ambiente. Esta comissão tem como seus membros: Ministério do Meio Ambiente – MMA; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA; Ministério da Defesa – MD; Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário – MDSA; Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República – GSI/PR; Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – MCTIC; Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC (agora MICS); Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão – MP; Ministério da Fazenda – MF; Ministério de Minas e Energia – MME; Ministério da Justiça e Cidadania – MJ; Ministério da Integração Nacional – MI”, disse.

Além dos membros, a Comissão tem como convidados permanentes, segundo o biólogo: “Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; Serviço Florestal Brasileiro; Agência Nacional das Águas; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais; Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária; Fundação Nacional do Índio; Departamento de Polícia Federal; Companhia Nacional de Abastecimento; Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias; Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário da Casa Civil da Presidência da República; Subsecretaria Extraordinária de Regularização Fundiária da Amazônia Legal da Casa Civil da Presidência da República; Subchefia de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil da Presidência da República. Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia”. O especialista lembrou que “a participação da sociedade civil nesta comissão é tecnicamente nula ou inexpressiva”.

De acordo com Alarcón, é possível também que a CONAREDD – Comissão Nacional para Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal, Conservação dos Estoques de Carbono Florestal, Manejo Sustentável de Florestas e Aumento de Estoques de Carbono Florestal – REDD+ (Decreto Federal 8576 de 2015 – seja extinta também. “É uma instância diretamente ligada ao Ministério do Meio Ambiente. Esta comissão já era bem limitada, tendo função restrita à discussão da REDD+ relacionada à Convenção Quadro nas Nações Unidas para Mudanças do Clima (UNFCCC) – e não à REDD+ no Brasil. O decreto que instituiu esta comissão (8.576/2015) foi elaborado sem qualquer consulta à sociedade civil, aos povos tradicionais e ao setor privado. A CONAREDD foi criada com 11 assentos (mais 11 suplentes) das três esferas de governo, e apenas dois assentos (mais dois suplentes) da sociedade civil e nenhum de empresas”, explicou.

O biólogo lembra que os conselhos constituídos por representantes do governo e da sociedade civil organizada servem para criar, executar e monitorar as ações e políticas públicas de estatais e órgãos governamentais, e são de fundamental importância. “A participação da sociedade civil organizada (iniciativa privada, entidades do terceiro setor, sindicatos, organizações de base e todos os grupos ou indivíduos não vinculados diretamente ao Estado nem por ele determinado) na discussão de temas atinentes e impactantes sobre o meio ambiente e os ecossistemas nele incluído, é fundamental às agendas de natureza socioambiental e da sobrevivência coletiva com dignidade, inclusão e respeito. Conselhos que tenham a plena participação da sociedade civil honram o princípio básico e óbvio de que a transparência deve ser regra na gestão pública, sendo qualquer sigilo exceção. Eliminá-los é claro sinal de autoritarismo e obscurantismo”, afirmou.

Alarcón explicou também que o meio ambiente e os animais são gravemente prejudicados pela extinção dos conselhos. “Na medida em que as decisões futuras relativas ao meio ambiente e seus integrantes (humanos e não humanos) sugerem excluir a sociedade civil dos processos de tomada de decisão – ou pior, do seu mero conhecimento -, são afetadas todas as comunidades, humanas ou não humanas, direta ou indiretamente, em graus que sequer podemos mensurar (haja vista a total opacidade daquilo que é discutido e decidido nessas instâncias)”, disse.

Os afetados pela medida, no entanto, não são apenas os animais e a natureza, mas também os seres humanos. O biólogo lembra que as pessoas estão inseridas em um contexto maior e muito intrincado de relações com diversos ecossistemas e interações ecológicas. “O homem não é uma ilha e portanto, seu comportamento e sua presença afetam de forma retributiva tudo que ocorre ao seu redor – ainda que fora dos seus limites geopolíticos. Exemplo óbvio são as taxas de poluição norteamericanas ou asiáticas e seu impacto sobre o delicado tecido de efeitos climáticos que se espalham por todo o globo. O Efeito Borboleta tende a ser o fenômeno mais óbvio e simples que o atual presidente demonstra ignorar”, reforçou.

Para o biólogo, as promessas de campanha do Bolsonaro, ainda enquanto candidato à presidência, e as decisões tomadas por ele nos primeiros 100 dias de governo “indicam um cenário devastador e que busca cumprir o prometido”.

Alarcón fez críticas, também, a configuração dos ministérios do governo. “A atual configuração ministerial do Executivo mostra claramente a presença de dois Ministros da Agricultura e nenhum Ministro do Meio Ambiente – o qual nem interessado pelo tema é (mostra-se um negacionista sobre a relevância das mudanças climáticas no globo), nem tampouco tecnicamente capacitado na compreensão da inerente complexidade de assuntos ligados ao meio ambiente e suas comunidades. Não devemos excluir da memória, a intenção prévia do atual presidente da república de extinguir o Ministério do Meio Ambiente e combater, segundo ele, uma suposta indústria de multas ambientais – para citar apenas alguns retrocessos e ignorâncias que se tornaram mundialmente conhecidas”, afirmou.

O biólogo disse que mantém um posicionamento de veemente repúdio à medida que prevê a extinção dos conselhos socioambientais. “O aconselhamento é uma prática prudente e necessária para o processo de tomada de decisão. Conselheiros reúnem em si, a sabedoria e os dados de trajetórias de vida únicas e irrepetíveis. Conselhos, enquanto recomendações, tendem a ser mais precisos e cirúrgicos se resultantes da expertise de diversos segmentos da sociedade, com seus diferentes olhares, históricos e referenciais. Conselhos, enquanto colegiados de especialistas, são as instâncias que reúnem esse caldeirão de ideias e antevisões”, disse.

Eliminar os conselhos, ainda segundo Alarcón, é perder a chance de acertar e de concretizar a prática da democracia. “Hoje, grupos expressivos de jovens pelo mundo afora manifestam seu pânico relativo ao futuro que enfrentarão em alguns anos. Essa janela de oportunidade para reverter quadros ambientais drásticos está se fechando. Indicada ao prêmio Nobel da paz, a adolescente sueca, vegana, de 16 anos, Greta Thunberg dá a clara medida do problema que iremos enfrentar em seus discursos tornados mundialmente conhecidos. Políticos, empresários, entidades ou indivíduos que não se aconselhem ou que não participem de conselhos, tendem a repetir erros do passado ou criar equívocos inéditos que talvez não possam ser corrigidos de nenhum modo. Mas então, já será tarde demais”, concluiu.

Clique aqui para conferir o decreto na íntegra.

Caçador mata hipopótamo que estava entalado em bueiro

Foto: Abdulaye Barro

Foto: Abdulaye Barro

Enquanto alguns países da África do Sul se desdobram em esforços para perservar e proteger os ameaçados hipopotamos da caça, em outras regiões do mesmo país, ele são assassinados apenas por ficarem entalados em bueiros.

Um hipopótamo foi morto a tiros por um caçador francês após o animal ter entrado em uma vila no Senegal, provocando indignação de ativistas pelos direitos animais.

O animal foi morto em 31 de março depois de entrar na aldeia de Kédougou, no sul do país, e ficar preso em um bueiro ou fossa, dentro da vila.

A polícia e os bombeiros foram incapazes de libertar o animal preso então chamaram François Huard, um caçador profissional que gerencia um resort de safáris local chamado Le Relais, para matá-lo.

Huard atirou cinco vezes na cabeça do rinoceronte em frente a uma platéia de aldeões locais que foram filmados comemorando a morte do animal. O corpo do hipopótamo foi então arrastado por uma escavadeira antes de ser coberto de terra.

Bamba Cissé, um advogado de Dakar especializado em crimes contra a vida selvagem, disse: “O hipopótamo é uma espécie em extinção e, por lei, você só pode matá-lo em um caso legítimo de autodefesa”.

“Mas as imagens mostram que o animal estava preso em um bueiro e, no momento em que foi morto, não representava uma ameaça para a vida de ninguém”, disse o advogado.

“O caçador disse que o governador pediu a ele que fizesse isso. Também precisamos abrir uma investigação para determinar as circunstâncias em que um governador tem o poder de pedir a um cidadão particular que mate um animal”, esclarece Cissé.

Embora as autoridades locais não tenham oficialmente feito comentários sobre o vídeo, um homem que se identificou como Comandante Moussa Ndour, chefe do departamento responsável pela vida selvagem em Kédougou, falou por meio de um vídeo postado no Facebook.

Foto: Abdulaye Barro

Foto: Abdulaye Barro

Na filmagem, ele diz que a decisão de matar o animal foi feita pelo governador local depois de ouvir que não havia dardos tranquilizantes disponíveis para sedar o .

Foi nesse momento que o Sr. Huard foi contatado e recebeu o aval para matar o animal.

Não ficou claro se alguma ação será tomada sobre o assassinato.

*Populações de hipopótamos ameaçadas pela caça*

Centenas de hipopótamos são mortos a cada ano com a desculpa de minimizar o conflito entre humanos e animais selvagens, a verdade é que valas ou cercas baixas os detêm facilmente. É mais provável que a popularidade e demanda por sua carne seja o motivo real por trás dessa estratégia.

Sua gordura e presas de marfim também são valiosas para os seres humanos. No início do século XXI, a população do hipopótamo comum declinou mais de 95% na República Democrática do Congo. Em 2002, cerca de 5,5 toneladas de dentes de hipopótamo foram exportadas de Uganda, o que equivale a cerca de 2 mil animais individuais.

Os hipopótamos foram excluídos de muitas das proibições de marfim que agora se espalham pelo mundo, fazendo com que essa espécie vulnerável aumente o risco de caçadores de marfim.

Embora o hipopótamo pigmeu não seja geralmente um alvo primário para a caça de subsistência, é relatado que eles são caçados oportunisticamente por caçadores de carne.

*Os humanos estão expulsando os hipopótamos de seus habitats*

À medida que as populações humanas crescem, elas invadem os habitats da vida selvagem para construir novos assentamentos, aumentam a produção agrícola e constroem novas estradas. Esta espécie já existiu do Delta do Nilo ao Cabo, mas agora está principalmente confinada a áreas protegidas. As principais ameaças a ambas as espécies de hopopotamos são a perda de habitat e o desmatamento.

Espécies de café são ameaçadas pela mudança climática

O aquecimento global e o desmatamento estão ameaçando os oceanos, as florestas, os animais e, recentemente, foi descoberto que também afetam a maioria das espécies de café silvestre do mundo, incluindo a arábica.

Foto: : Joaquin Sarmiento | AFP

Uma nova pesquisa revelou que pelo menos 60% das espécies de café silvestres estão em risco de extinção e a mudança climática fará com que elas sejam ainda mais ameaçadas.

Com o aumento da temperatura global já apresentando riscos para os cafeicultores dos trópicos, os resultados de dois estudos publicados esta semana devem servir como advertência para produtores e apreciadores dos grãos em todos os lugares, disse Aaron P. Davis, líder sênior de pesquisa no Royal Botanic Gardens da Inglaterra, o autor dos estudos.

“Devemos nos preocupar com a perda de qualquer espécie por muitas razões, mas para o café especificamente e acho que devemos lembrar que a xícara à nossa frente veio originalmente de uma fonte selvagem”, disse ele.

Os estudos de Davis, publicados esta semana nos periódicos Science Advances e Global Change Biology, avaliaram os riscos para o café silvestre. Foram avaliadas 124 espécies selvagens e pelo menos 60% delas já estão em risco de extinção, mesmo antes de considerar os efeitos de um mundo em aquecimento.

Foto: Per-Anders Pettersson

O outro estudo aplicou projeções climáticas à espécie arábica silvestre da qual a maior parte do café cultivado é derivado, e o quadro ficou perigoso: a planta deixou de ser considerada uma espécie de “preocupação mínima” para “ameaçada de extinção”. Restrições de dados impediram os pesquisadores de aplicar modelos climáticos a todas as outras espécies, mas Davis disse que isso quase certamente pioraria a perspectiva.

“Achamos que nosso ‘pelo menos 60%’ é conservador, infelizmente”, disse ele, observando que as outras principais ameaças também podem ser agravadas pela mudança climática. “Todas essas coisas estão muito interligadas”.

 

Iguanas das ilhas Galápagos sofrem com escassez de alimento


Cientistas revelam que a mudança climática e os eventos nocivos causados pelo El Nino estão destruindo o rico e celebrado ecossistema das ilhas Galápagos. Segundo um fotógrafo local, que afirma ter descoberto o impacto que o aquecimento global tem tido sobre as iguanas marinhas, a espécie pode não resistir se o período de aquecimento das águas perdurar mais que 4 meses.

As imagens feitas por ele, mostrando cadáver apodrecidas de iguanas ilustram o panorama real do sacrifício doloroso, de que não só esses animais, mas diversos outros, tem sido vítimas na luta pela sobrevivência nas ilhas.

As ilhas ficaram famosas quando Charles Darwin visitou o arquipélago em sua viagem icônica a bordo do HMS Beagle, mas as mudanças climáticas estão afetando seriamente o ecossistema único das ilhas, afirmam os cientistas.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

A água mais quente que o original está matando a fonte de alimento de muitos animais, as algas e vegetação marinha que crescem nas águas da costa da ilha, o que causa em consequência disso, a morte por falta de alimento de inúmeros répteis.

O fotógrafo Tui De Roy, que cresceu nas ilhas, capturou as imagens impressionantes para comprovar a situação do arquipélago.

Uma imagem poderosa e fortíssima mostra o cadáver de uma iguana marinha deitada em uma pedra depois de morrer de fome, um efeito do aquecimento das águas, que destrói os recursos dos quais elas dependem para sobreviver.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

Há alegações de que a mudança climática esteja intensificando o efeito El Niño – um período de curto prazo de aquecimento da temperatura da superfície das aguas do oceano pacífico, que se estende da América do Sul até a Austrália, conforme informações do Daily Mail.

A mudança na temperatura da água pode afetar a vida marinha diretamente por causa da ressurgência, quando a água fria sobe à superfície, que fica reduzida durante o evento.

Estudos anteriores mostraram que espécies marinhas, incluindo pinguins, focas e iguanas, lutam para sobreviver por causa da falta de comida nas águas próximas à superfície.

Muitos animais marinhos de Galápagos morrem ou não conseguem se reproduzir com sucesso devido à falta de alimentos, escreveram os pesquisadores.

Outras imagens capturadas no arquipélago mostram uma iguana colorida descansando nas rochas e o espetáculo raro de um lagarto-nadador.

Foto: Tui De Roy

Foto: Tui De Roy

O importante naturalista Charles Darwin viajou para a região no HMS Beagle em 1835, e observou membros da espécie correndo ao redor das encostas rochosas.

Apesar de fazer extensas observações sobre as criaturas, ele notoriamente detestava sua aparência, referindo-se a elas como “duendes da escuridão”.

Esse momento é propício para que a teoria da seleção natural de Darwin seja posta à prova, à medida que a comida se torna cada vez mais escassa.

As fotografias foram capturadas pelo renomado fotógrafo e autor Tui De Roy, que cresceu nas ilhas ao largo da costa continental do Equador.

Depois de observar os animais por muitos anos, o naturalista testemunhou milhares deles morrendo devido à falta de comida toda vez que há um período prolongado de clima quente.

As iguanas, que possuem o status de vulneráveis (segundo a IUCN), usam um truque que lhes permite sobreviver, disse ele, sua habilidade de ajustar seu tamanho corporal encolhendo ou crescendo à vontade.

Isso permite que elas regulem melhor sua perda de calor. Durante um período de meses, elas “quebram” seu tecido ósseo antes de reconstruí-lo depois que a época de fome termina.

“As iguanas marinhas vivem vidas difíceis: tudo o que elas precisam é de sol tropical para se aquecer, lava negra para se sujar e mares frios cheios de algas marinhas para se alimentar; é isso, sem frescuras ”, explicou ele.

Essas características as tornam o exemplo perfeito para ilustrar as qualidades sobrenaturais das vulcânicas Ilhas Galápagos.

Mas a espécie é bastante vulnerável: quando as correntes oceânicas frias são substituídas por águas quentes, se as algas morrerem as iguanas também morrem.

“Elas têm a capacidade de encolher seus corpos – até mesmo seu esqueleto – em até 20% do comprimento total, a fim de resistir à fome até que as águas frias voltem”, diz o naturalista.

“Mas se o período quente (El Niño) durar mais que 3 a 4 meses, milhares de iguanas estão fadadas a morrer”, lamenta ele.

Esses processos naturais são geralmente mais visíveis nas Ilha Galápagos devido à sua biosfera única.

Foi no impressionante arquipélago vulcânico que Charles Darwin se inspirou para escrever sua teoria da evolução.

Estudos sobre o lagarto descobriram que as iguanas terrestres da América do Sul devem ter chegado ao mar milhões de anos atrás, em troncos ou outros destroços, eventualmente pousando nas Ilhas Galápagos.

Extinção de aves no Brasil é preocupante

Ararinha-azul desapareceu da natureza e hoje só pode ser encontrada em cativeiro (Foto: Patrick Pleul/AFP)

Quatro espécies brasileiras estão entre as oito aves declaradas extintas no mundo ao longo desta década, de acordo com um levantamento da BirdLife International. A instituição aponta ainda que uma quinta espécie, a emblemática ararinha-azul, desapareceu da natureza, sendo encontrada apenas em cativeiro.

A eliminação desses animais também é considerada preocupante porque as aves desempenham importante papel no equilíbrio dos ecossistemas. Em pesquisa realizada ao longo de oito anos, a ararinha-azul, a arara-azul-pequena, o caburé-de-pernambuco, o limpa-folha-do-nordeste e o gritador-do-nordeste tiveram seu status de conservação revisado pela BirdLife International.

A ONG recomendou no ano passado que as espécies fossem acrescentadas à lista de extinções presumidas ou confirmadas, elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). “A gente está empobrecendo o planeta, mas não foi da noite pro dia”, lamenta Pedro Develey, ornitólogo e diretor-executivo da SAVE Brasil, instituição que representa a BirdLife no país.

Para o especialista, o fim das espécies brasileiras é o resultado de anos de degradação do meio ambiente e consequente destruição do habitat natural dessas aves, sobretudo na Mata Atlântica da região Nordeste.

Em todo o Brasil, o bioma — que cobria 15% do território nacional — sofreu perdas de 1,9 milhão de hectares no período 1985-2017, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. A extensão de floresta destruída equivale à área total do estado de Sergipe. A mesma organização estima que restaram apenas 12,4% das florestas originais do bioma no país.

O caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) era uma pequena espécie de coruja, com tamanho em torno de 10 cm, endêmica desse tipo de vegetação tropical úmida, bem como do estado que lhe dava nome.

Situação semelhante era a do limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), encontrado apenas em dois lugares em todo o planeta — o município de Murici (AL) e a Reserva Frei Caneca, em Jaqueira (PE). Nas duas localidades, também em trechos de Mata Atlântica, o animal foi avistado pela última vez em 2007 e 2011, respectivamente. O gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) também era endêmico das duas regiões.