Espécies que consideradas à beira da extinção continuam sendo traficadas pelo mundo

Foto: NY Times/Reprodução

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O tráfico internacional representa uma ameaça para todas as espécies, mas poucas delas estão sujeitas a regulamentações importantes que ajudariam a protegê-las.

Algumas espécies seriamente ameaçadas como a mynas-de-asa-preta, o banteng e a carpa do Mekong não estão listados com protegidos sob a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES), um tratado que visa assegurar que o comércio desses animais não ponha em perigo a sobrevivência de espécies ameaçadas de extinção.

Menos de 500 mynas-de-asa-preta (Acridotheres melanopterus) permanecem em estado selvagem na Indonésia, mas a cada ano mais pássaros dessa espécie são vendidos para serem aprisionados e mantidos em cativeiro.

Foto: Doug Jansonjj

Foto: Doug Jansonjj

O banteng (Bos javanicus) – “o mais belo e gracioso de todos os bois selvagens”, segundo o Fundo Mundial para a Natureza – foi listado como ameaçado desde 1996, mas seus chifres ainda são vendidos em mercados do sudeste asiático.

Foto: Huai Kha Khaeng Wildlife Sanctuary

Foto: Huai Kha Khaeng Wildlife Sanctuary

Da mesma forma a carpa gigante, uma espécie rara nativa do rio Mekong, que pode chegar a pesar até 600 quilos, presente no norte do Camboja, Laos e Tailândia, criticamente ameaçada de extinção, recentemente começou a aparecer nos cardápios dos restaurantes no Vietnã. Especialistas alertam que o peixe poderá ser levado à extinção em breve.

Foto: BBC News / Reprodução

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Conheça os dez animais mais ameaçados de extinção pelo apetite humano

Foto: Alamy

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Vítimas de caçadores movidos pela demanda do tráfico internacional, seja por status, decoração ou alimentação, e da extensão de algumas atividades humanas, como enredamentos, tráfego intenso fluvial e perda de habitat, aqui estão alguns dos animais que mais correm risco de extinção.

Se há um único prato que simboliza a disposição dos humanos em comer outros animais, fora da existência, é a espécie de ave conhecida como Sombria (Emberiza hortulana).

Tradicionalmente, esse pássaro canoro pequenino, valorizado desde os tempos romanos, é devorado inteiro, em uma só mordida, com a cabeça escondida debaixo de um guardanapo para ocultar a vergonha em cometer o ato brutal. Embora, afogada em tempero e frita, essa “delicadeza” não passa de um crime contra a natureza.

Na França, onde a caça de sombrias foi banida desde 1999, 30 mil aves ainda são capturadas a cada ano, segundo o RSPB; eles chegam a custar 150 euros cada. Apesar dos esforços de conservação, o número de sombrias caiu 84% entre 1980 e 2012.

No entanto, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) lista a ave como “uma espécie de menor preocupação”. Existem muitos animais que estão em perigo muito maior, de acordo com o Prof. David Macdonald da Universidade de Oxford, que relatou em 2016 que os nossos hábitos culinários ameaçam 301 espécies de mamíferos terrestres com extinção.

Aqui estão 10 das criaturas que estão em maior risco de extinção, com base no estudo do professor Macdonald, com base em informações da Marine Conservation Society (MCS), lista vermelha da IUCN de espécies ameaçadas e do programa de conservação Edge of Existence da Zoological Society of London (ZSL).

Salamandra gigante chinesa

Antigamente encontrada no centro, no sudoeste e no sul da China, o maior anfíbio do mundo teve uma queda em sua população de 80% desde 1960, de acordo com Olivia Couchman, da ZSL.

Apesar de estar protegida sob o apêndice Cites I (o mais alto nível de proteção dado pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres), os espécimes supostamente chegam a valer mais de 1.500 dólares no mercado paralelo, onde são valorizados tanto quanto iguaria gastronômica quanto pelas suas propriedades medicinais (crenças da medicina chinesa).

Em 2015, o Washington Post noticiou que repórteres disfarçados de um jornal chinês, haviam flagrado 14 policiais comendo a salamandra durante um jantar em um restaurante de frutos do mar em Shenzen (China).

Esturjão beluga

Foto: lapandr/Getty Images/iStockphoto

Foto: lapandr/Getty Images/iStockphoto

Esses peixes antigos e gigantescos (que podem chegar a pesar até uma tonelada e meia) podiam ser encontrados desde a Rússia central até a Itália e o norte do Irã, mas a intensa pesca realizada tendo a espécie como alvo – impulsionada pela demanda por sua carne e ovas (caviar) – mais o efeito devastador do tráfego intenso de navios nos rios durante os seus padrões migratórios de desova, reduziram sua presença a apenas dois rios, o Ural e o Danúbio, e as bacias que alimentam, o Cáspio e o Mar Negro, respectivamente.

Como diz Jean-Luc Solandt, do MCS, esta espécie é uma das que “definitivamente pode se tornar extinta em uma geração”. Com o caviar Beluga chegando a valores altíssimos por quilo, é fácil entender por que a superexploração continua sendo um problema. E o beluga não é o único esturjão em apuros: das 27 espécies, a IUCN coloca outras 15 na mesma faixa de criticamente ameaçada.

Pangolim

Foto: Alamy

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Desde 2000, acredita-se que mais de um milhão de pangolins, o mamífero selvagem mais traficado do mundo, tenha sido morto por sua carne e osso, e principalmente por suas escamas (usadas na medicina tradicional chinesa).

Quando todas as oito espécies de pangolim entraram para o apêndice I da CITES em 2016, todos na convenção da entidade aplaudiram. No entanto, como ressalta Dan Challender, da Universidade de Oxford, as apreensões alarmantes continuam ocorrendo: 8,3 toneladas de escamas, totalizando 13.800 pangolins, em Hong Kong em janeiro, na interceptação de um embarque da Nigéria destinado ao Vietnã; 30 toneladas de animais vivos e congelados e partes do corpo na Malásia em fevereiro.

Como as espécies asiáticas, particularmente as sunda e as chinesas, não são mais comercialmente viáveis para os traficantes porque restaram tão poucas, a demanda local está sendo suprida pelo comércio intercontinental.

Paul De Ornellas, o principal assessor de vida selvagem do WWF do Reino Unido, descreve isso como “um continente que suga a vida selvagem de outro”.

Tubarão-anjo

Foto: BIOSPHOTO/Alamy Stock Photo

Foto: BIOSPHOTO/Alamy Stock Photo

O MCS diz que esta espécie está “a um passo da extinção” na natureza. Seu alcance – que até meados do século XX se estendia da Noruega e Irlanda até o Marrocos e o Mar Negro – sofreu uma queda de 80% e foi declarado extinto no Mar do Norte. Este peixe sedentário que fica no fundo do mar é mais ameaçado pela pesca de arrasto que tem como alvo outras espécies, onde ele acaba sendo capturado acidentalmente.

Tartaruga-gigante gigante do Yangtze (Tartaruga do rio Vermelho)

Uma vez encontrada em extensas populações no Vietnã e na China, esta espécie está agora reduzida a apenas quatro indivíduos conhecidos, graças ao apetite local por sua carne e ovos.

Com dois machos em diferentes lagos vietnamitas e o outro par em um programa de reprodução em cativeiro chinês ainda mal sucedido (o macho tem um pênis danificado, de acordo com o New Yorker), Couchman diz que seria surpreendente se a espécie conseguisse sobreviver.

A situação desta tartaruga de água doce remete a da população de tartarugas no geral: depois dos primatas, eles são o segundo animal mais ameaçado dos principais grupos de vertebrados do mundo.

Gorila da planície oriental ou Gorila de Grauer

Encontrado nas montanhas do leste da República Democrática do Congo, no noroeste de Ruanda e no sudoeste de Uganda, este gorila é particularmente vulnerável à caça por sua carne, associada a campos de mineração ilegais.

Enquanto as outras subespécies de gorilas orientais – como o gorila da montanha – são os únicos grandes primatas que tem aumento em seus números, as populações das planícies do leste estão em constante declínio.

Embora a violência na região tenha impossibilitado a contabilidade exata, estima-se que sua população tenha caído 77% em uma única geração, para 3.800 indivíduos, de acordo com a lista da Edge of Existence.

Enguia europeia

Foto: PicturePartners/Getty Images/iStockphoto

Foto: PicturePartners/Getty Images/iStockphoto

Estes misteriosos peixes migram do Atlântico (acredita-se que sejam gerados no Mar dos Sargaços) para águas frescas e costeiras para crescer, depois voltam para o oceano para se reproduzir.

Embora pouco se entenda sobre qualquer processo, as enguias juvenis (chamadas de vidro por sua transparência) e maduras (da cor prata ou amarelas) têm sido excessivamente exploradas, a ponto de os números da espécie terem caído pela metade desde a década de 1960. A exploração excessiva é apenas uma das muitas ameaças que as enguias enfrentam, o MCS pede aos humanos que “evitem comer enguias europeias em qualquer fase do seu ciclo de vida”.

Colobus vermelho

Foto: Nature Picture Library/Alamy Stock Photo/Alamy Stock Photo

Foto: Nature Picture Library/Alamy Stock Photo/Alamy Stock Photo

Christoph Schwitzer, da Bristol Zoological Society, diz que este grupo de espécies de macacos – que são atualmente 18 – é um excelente exemplo de grandes primatas sendo caçados até a extinção “porque eles dão uma boa refeição em família”.

Eles são encontrados em toda a África subsaariana, onde a degradação do habitat, a construção de rodovias e a comercialização de carne proveniente da caça, causar com efeitos devastadores aos animais. Uma das espécies, o colobus vermelho de Miss Waldron, já esta extinta, não tendo sido vista em estado selvagem desde 1978, enquanto o mais recentemente descoberto, o colobus vermelho do delta do Níger, está prestes a desaparecer nos próximos cinco anos.

Indri ou babakoto

Os lêmures de Madagascar – entre os quais o indri em preto e branco é o maior – são o grupo de primatas mais ameaçado do mundo: 105 das 111 espécies e subespécies conhecidas da ilha estão ameaçadas de extinção.

Embora a degradação do habitat devido à agricultura de corte e queimadas tenha sido um problema (com hábitos alimentares humanos representando uma ameaça indireta), nos últimos 15 anos foi revelado um aumento alarmante na caça a esse animais por subsistência e comércio (demanda causada por restaurantes locais, segundo Schwitzer.

Essa nova ameaça está ligada à crise política e econômica da ilha. Como Couchman mesmo descreve, “as pessoas estão morrendo de fome”.

Saola

Eles podem parecer antílopes, mas esses grandes mamíferos que habitam a floresta, encontrados nas Montanhas Annamite, ao longo da fronteira entre o Laos e o Vietnã, estão mais relacionados com as populações de bois selvagens e os búfalos.

A ciência ocidental só ficou sabendo de sua existência no início dos anos 90, quando chifres foram encontrados nas casas de caçadores vietnamitas.

Pouco ainda é conhecido sobre eles hoje, incluindo quantos ainda restam. A lista da Edge of Existence diz que pode ser de apenas 30.

Para De Ornellas, o saola está ligado à “síndrome da floresta vazia”, uma preocupação real nesta região do sudeste da Ásia, onde quase todos os grandes animais foram caçados para alimentação local.

França é acusada de falhar na proteção de pássaros ameaçados de extinção

Foto: Alamy

Foto: Alamy

Ativistas em defesa dos direitos animais vão apresentar uma queixa oficial à União Europeia, acusando a França de falhar em proteger espécies de pássaros ameaçadas de extinção.

A Liga para a Proteção das Aves (LPO) francesa está usando o 40ª aniversário da “medida diretiva de aves” estabelecida pela UE, que proíbe a morte “massiva” de aves, para denunciar o que considera métodos cruéis e ilegais de extermínio das espécies.

Estes métodos incluem os adesivos cobertos de cal e colocados em árvores ou arbustos para capturar pássaros quando eles pousam, e armadilhas que esmagam os pássaros com pedras pesadas e forcas.

O LPO diz que foi forçada a agir depois que o governo francês recusou-se a responder a suas queixas e o conselho estadual aprovou o uso de armadilhas com cola, afirmando que o método era o mais tradicional e que não havia outro método satisfatório para aprisionar as aves.

As armadilhas de pedra (que esmagam os pássaros), que estiveram banidas por mais de um século, foram legalizadas na França em 2005 e também são consideradas extremamente cruéis, já que muitas vezes as aves agonizam por horas.

Diversas espécies de pássaros ameaçadas são vítimas frequentes de caçadores franceses, apesar de um declínio em certas espécies. A LPO denuncia que as proteções as aves são frequentemente ignoradas.

Kim Dallet, porta-voz da LPO, disse que a Liga apresentou várias queixas ao governo francês sobre a caça de aves e extermínio de espécies ameaçadas, mas muitas vezes sem resposta.

“Para marcar o aniversário da medida diretiva da UE, estamos levando as queixas para o nível europeu, com isso, esperamos forçar o governo francês a responder e respeitar a diretiva”, disse ela.

Ela acrescentou: “Temos espécies de aves em situações frágeis em termos de conservação que ainda estão sendo caçadas na França, o que é absolutamente contra a diretiva”.

“Eu não sei porque as pessoas caçam na França, talvez porque o pais tenha uma tradição de caça. Mas a situação tem que evoluir”.

Dois relatórios divulgados por pesquisadores franceses no ano passado descobriram que o número de aves nas áreas rurais havia caído um terço em 15 anos, em parte por causa da agricultura industrial e do “uso maciço de pesticidas”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, participou de uma caçada durante as comemorações do seu 40º aniversário no Château de Chambord em dezembro de 2017. “A caça é uma vantagem maravilhosa para a biodiversidade, desenvolvimento do nosso território rural e uma atividade popular para salvaguardar”, disse ele

O site Chasseurs de France twittou uma foto de Macron com caçadores, dizendo que ele havia “elogiado a contribuição da caça à natureza”.

Com posicionamentos especistas e irresponsáveis como estes sendo emitidos pelas autoridades responsáveis ,que deveriam ser as mais preocupadas em proteger as espécies, não se admira que a vida de tantas aves no país estejam ameaçadas de extinção.

Nota da Redação: toda e cada vida é preciosa, pássaros são livres e jamais devem ser capturados ou mortos para serem comidos como alimentos. Qualquer atividade ou procedimento que ameace a vida ou cause qualquer sofrimento aos animais é contrário ao que que acredita a ANDA.

Especialistas alertam que rinocerontes podem estar extintos em cinco anos

Foto: Neil Aldridge

Foto: Neil Aldridge

A divulgação recente de fotos pungentes, mostrando rinocerontes mutilados sendo resgatados na África, após caçadores terem cortado seus chifres – que a ignorância popular acredita serem “curadores de câncer” – tem levantado questões sobre a ameaça contínua que paira sobre essa espécie.

Nas imagens um rinoceronte pode ser visto com os olhos vendados, dentro de um contêiner, enquanto é levado para um centro de resgate depois de ter sido mutilado por caçadores ávidos por dinheiro, responsáveis por alimentar um comércio cruel que movimenta em torno de um bilhão de libras.

Em outra foto é possível ver uma ativista pelos direitos animais alimentando um bebê rinoceronte com uma mamadeira gigante improvisada. Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é vista protegendo seu filhote em outra imagem onde que os animais parecem estar em movimento.

Na década de 70, haviam milhares desses magníficos animais por toda a África, mas atualmente, os rinocerontes negros e brancos foram levados à beira da extinção pela caça implacável e cruel da espécie.

O fotógrafo conservacionista, Neil Aldridge, que atualmente mora em Bristol, na Inglaterra, mas cresceu na África do Sul, tem acompanhado a situação dos rinocerontes há anos e foi o responsável pelas fotos, reveladoras e tristes, tiradas na África do Sul e em Botsuana.

Alimentada pela demanda das classes médias cada vez mais ricas da China e do Vietnã, a caça aos rinocerontes por seus chifres tem crescido. Após cortado do corpo dos animais, o chifre é comercializado ilegalmente no mercado paralelo. Alguns compradores ignorantemente acreditam que o item possa curar o câncer, enquanto outros querem o objeto apenas para ostentar como símbolo de status social. Acredita-se que esse comércio gere em torno de 13 bilhões de libras por ano.

O Projeto Botsuana de Conservação aos Rinos advertiu que se a caça ao animal continuar no ritmo atual, eles estarão extintos até 2024.

Hora de um novo lar: Um rinoceronte branco é mostrado em um contêiner sendo resgatado em Botsuana. O animal compreensivelmente esta aterrorizado por seus salvadores humanos, sem perceber que esta sendo levado para um lugar seguro

Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é protege seu filhote | Foto: Neil Aldridge.

Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é protege seu filhote | Foto: Neil Aldridge

 

Jovem rinoceronte que teve o chifre cortado preparado para ser libertado : Foto: Neil Aldridge

Jovem rinoceronte que teve o chifre cortado preparado para ser libertado : Foto: Neil Aldridge

 

O que restou do chifre de um rinoceronte pode ser visto nesta foto que mostra a equipe de resgate, incluindo o diretor do RCB Map Ives (à direita), tentando ajudar o animal | Foto: Neil Aldridge

O que restou do chifre de um rinoceronte pode ser visto nesta foto que mostra a equipe de resgate, incluindo o diretor do RCB Map Ives (à direita), tentando ajudar o animal | Foto: Neil Aldridge

 

Voluntária alimenta um bebê rinoceronte em Botsuana. África do Sul e Quênia têm os níveis mais altos de caça à espécie, com 95% das mutilações e mortes ocorrendo nesses dois países em 2013 | Foto: Neil Aldridge

Voluntária alimenta um bebê rinoceronte em Botsuana. África do Sul e Quênia têm os níveis mais altos de caça à espécie, com 95% das mutilações e mortes ocorrendo nesses dois países em 2013 | Foto: Neil Aldridge

 

Chifres de rinoceronte podem crescer até mais de um metro de comprimento como mostrado na imagem. Cerca de três rinocerontes por dia são mortos por seus chifres | Foto: Neil Aldridge

Chifres de rinoceronte podem crescer até mais de um metro de comprimento como mostrado na imagem. Cerca de três rinocerontes por dia são mortos por seus chifres | Foto: Neil Aldrige

 

O quilo de chifre de rinoceronte pode chegar a valer 50 mil libras no mercado paralelo, tornando-se um dos produtos naturais mais valiosos do mundo - valendo mais do que ouro | Foto: Neil Aldridge

O quilo de chifre de rinoceronte pode chegar a valer 50 mil libras no mercado paralelo, tornando-se um dos produtos naturais mais valiosos do mundo – valendo mais do que ouro | Foto: Neil Aldridge

 

Um jovem rinoceronte branco mutilado é retratado em uma carroceria, vendado e parcialmente drogado após uma longa viagem da África do Sul, antes de ser libertado na natureza em Botsuana | Foto: David Aldridge

Um jovem rinoceronte branco mutilado é retratado em uma carroceria, vendado e parcialmente drogado após uma longa viagem da África do Sul, antes de ser libertado na natureza em Botsuana | Foto: David Aldridge

 

"Eu não vejo apenas uma história sobre rinocerontes, vejo uma história sobre pessoas, as melhores pessoas”, elogia o fotógrafo | Foto: Neil Aldridge

“Eu não vejo apenas uma história sobre rinocerontes, vejo uma história sobre pessoas, as melhores pessoas”, elogia o fotógrafo | Foto: Neil Aldridge

 

"Os sindicatos de caçadores são incrivelmente bem financiados, então para vencê-los precisamos apoiar esses grandes projetos", diz Aldridge | Foto: David Aldridge

“Os sindicatos de caçadores são incrivelmente bem financiados, então para vencê-los precisamos apoiar esses grandes projetos”, diz Aldridge | Foto: David Aldridge

 

Os olhos vendados e as drogas aliviam qualquer desconforto que os rinocerontes poderiam sentir quando são levados para tratamento e depois soltos na natureza | Foto: David Aldridge

Os olhos vendados e as drogas aliviam qualquer desconforto que os rinocerontes poderiam sentir quando são levados para tratamento e depois soltos na natureza | Foto: David Aldridge

 

Rinocerontes protegidos se alinham no cocho para tomar água no santuário | Foto: David Aldridge

Rinocerontes protegidos se alinham no cocho para tomar água no santuário | Foto: David Aldridge

 

Um rinoceronte protegido, com seus chifres totalmente intactos nas planícies onde fica projeto Botsuana da Rhino Conservation (RCB) | Foto: David Aldridge

Um rinoceronte protegido, com seus chifres totalmente intactos nas planícies onde fica projeto Botsuana da Rhino Conservation (RCB) | Foto: David Aldridge

 

Um impressionante close de um imenso rinoceronte. Aldridge conclui: "Quero que as pessoas saibam que existem pessoas dedicadas lutando por esses animais" | Foto: David Aldridge

Um impressionante close de um imenso rinoceronte. Aldridge conclui: “Quero que as pessoas saibam que existem pessoas dedicadas lutando por esses animais” | Foto: David Aldridge

Em menor número e menos protegidas que os elefantes, girafas são dizimadas pelos caçadores

Foto: Aryanna Gourdin/Facebook

Foto: Aryanna Gourdin/Facebook

Belas, esbeltas e únicas, as girafas carregam o status de animais mais altos do planeta, podendo chegar a medir 6 metros de altura (aproximadamente o correspondente a uma casa de dois andares).

A estampa original com manchas em tons ocre de sua pele causa cobiça em olhos vaidosos, assim como seu porte e beleza despertam o desejo doentio de matar (e de documentar) de alguns caçadores de troféus.

Correndo o risco de desaparecer em breve, esse magnífico animal tem sido vítima de interesses maliciosos, graças a uma brecha irresponsável, mas real e muito utilizada, nas leis de caça aos troféus.

Partes do corpo de girafas tem sido comercializadas para serem transformadas em bolsas, tapetes e até pulseiras – facilmente encontradas à venda no Reino Unido, na Europa e no mundo todo.

Apesar de estar na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, com cerca de apenas 97 mil sobreviventes da espécie, essas criaturas soberanas, ainda estão sendo mortas por um esporte hediondo em que caçadores sanguinários posam ao lado de seus corpos sem vida para tirar selfies e divulgar nas redes sociais.

Como resultado, os números de populações do mamífero mais alto do mundo, despencaram cerca de 40% nas últimas três décadas, mas há pouca consciência de sua situação real.

Atualmente há menos girafas do que elefantes na África – uma espécie quase destruída graças ao tráfico de animais e a caça.

Embora existam várias razões para o seu declínio, incluindo a perda de habitat, doenças e caça para comércio de sua carne, o aumento alarmante de caçadores de troféus, especialmente vindos dos EUA, pode acabar com a espécie definitivamente.

A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) permite que as girafas sejam mortas indiscriminadamente, e seus corpo (ou partes dele, como cabeça e patas) exportadas como troféus.

Ironicamente, os Estados Unidos é o único país em que os dados de importação estão disponíveis, revelando que quase 40 mil “itens” de girafas foram enviados para lá – incluindo animais vivos.

Os caçadores auto-intitulados “turistas” entram armados pela selva, matando os animais por prazer, o que causa repugnância, e a situação é ainda mais grave se for levada em consideração o status da espécie de ameaçada, segundo informações do jornal The Mirror.

Mas tudo isso pode mudar dependendo do resultado de uma reunião da CITES em Colombo, no Sri Lanka, marcada para ocorrer em maio.

Os principais estados africanos de querem proibir o comércio internacional de produtos derivados de girafas se uniram para pedir ao CITES que inclua o animal em suas leis de proteção.

Este deve ser o ponto de virada para o início reversão no declínio dos números da espécie, mas a proposta tem poucas chances de sucesso sem o apoio do bloco de votação da UE – que até agora tem hesitado em apoiá-lo.

A Grã-Bretanha possui a posição ideal para assumir a liderança do pleito, com uma longa história de apoio ao bem-estar e conservação dos animais.

Será interessante ver se Michael Gove (secretário de estado do meio ambiente, alimentação e assuntos rurais do bloco) tomará posição e se unirá às nações africanas para garantir que as girafas estejam melhor protegidas, comenta o jornal do Reino Unido.

Banir esses produtos feitos de partes de girafas é um ato de responsabilidade para com essa espécie indefesa parante os interesses que movem o mercado paralelo de tráfico de animais. Se medidas urgentes não forem tomadas, logo não fará mais diferença proibir o comércio desses itens pois as girafas não mais existirão no planeta.

Tubarão mais rápido do mundo está ameaçado de extinção

“Nossos resultados são alarmantes, embora não surpreendentes” (Foto: Revista Science)

Considerado o tubarão mais rápido do mundo, o tubarão-mako, que chega a mais de 40 km/h, está ameaçado de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.

“Nossos resultados são alarmantes, embora não surpreendentes, porque descobrimos que os tubarões que se desenvolvem lentamente estão desprotegidos da pesca excessiva e tendem a ser os mais ameaçados”, informa a organização.

Atualmente o comércio de barbatanas e de carne de tubarões é o que tem aproximado os tubarões-mako da extinção. Até alguns anos atrás, a espécie havia sido classificada pela IUCN como “vulnerável”, mas a pesca comercial a colocou em situação mais crítica.

De acordo com a organização internacional WildAid, o ser humano é uma ameaça muito maior aos tubarões do que o oposto. Prova disso é a estimativa de que 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano no mundo todo.

Suas barbatanas, que são usadas no preparo de sopas em países asiáticos, sob a alegação de que supostamente trazem benefícios à saúde, são cortadas e muitas vezes eles são devolvidos ao mar onde têm uma morte lenta e dolorosa.

O consumo de sopa de barbatanas tem custado a morte de aproximadamente 73 milhões de tubarões por ano; e não há qualquer comprovação dos benefícios apontados pelos defensores desse hábito.

Outro ponto desfavorável é que as toxinas que hoje contaminam os oceanos passam por biomagnificação no organismo dos tubarões, o que significa que o consumo de qualquer parte desse animal pode aumentar o risco de demência e envenenamento por metais pesados como o mercúrio.

Ainda assim, sopas de barbatanas de tubarão continuam a ser servidas em casamentos, restaurantes e reuniões de negócios na Ásia. A WildAid enfatiza que a caça de tubarões é uma grande ameaça ao meio ambiente, já que esses animais são vitais para o equilíbrio dos ecossistemas do oceano.

Os tubarões são apontados por defensores da vida marinha como importantes indicadores da saúde do oceano, assim como os tigres são indicadores de uma floresta saudável e, com o impacto da caça desses animais, os ecossistemas marinhos podem entrar em colapso.

Demônios da Tasmânia resistem ao câncer e afastam o risco de extinção

Há três décadas, um câncer fatal transmissível ceifou a população de demônios da Tasmânia – apenas 15% das criaturas sobreviveram. A doença se espalha pela picada de um indivíduo infectado, geralmente durante o acasalamento ou em outras situações.

A boa notícia é que esses carnívoros estão se adaptando à doença com uma alta velocidade, dando nova esperança à sua sobrevivência.

Segundo os cientistas, os famosos demônios – agora com uma população entre  15 e 18 mil indivíduos, possuem uma resposta imunológica. As informações são do Daily Mail.

A doença ainda é quase sempre fatal, e uma segunda cepa está sendo investigada, mas anticorpos foram detectados em animais infectados pela primeira vez e mais de duas dúzias contraíram o câncer e sobreviveram.

“Nós vimos animais que não estão contraindo a doença. Temos visto animais que, mesmo que contraiam a doença, sobrevivem por muito mais tempo”, disse Rodrigo Hamede, da Universidade da Tasmânia.

“Também estamos vendo um pequeno número de animais que conseguiram regredir tumores – em outras palavras, curar-se do câncer.”

Chris Coupland é o guardião sênior do “Devils @ Cradle”, um refúgio que permite que os turistas vejam os animais ​​de perto e que também serve para manter uma população segura – a espécie de Ark.

Ele conta que, agora, os demônios estão se acasalando em uma idade mais jovem e que as fêmeas estão no cio mais de uma vez por ano, o que é muito promissor para o crescimento do número de indivíduos. Além disso, os sobreviventes se tornaram sexualmente ativos em uma idade mais precoce.

“Atualmente, eles parecem estar se reproduzindo com um ano de idade, enquanto historicamente eram dois.”

Juntas, essas tendências estão ajudando o número da população a se estabilizar.

Os diabos ainda estão listados como ameaçados na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), na extremidade superior da classificação de conservação animal, mas a surpreendente taxa de adaptação dos diabos à doença é motivo de otimismo e pode fornecer pistas sobre o tratamento do câncer humano. As informações são do Daily Mail.

 

Coalizão pede medidas urgentes para proteção de espécies ameaçadas

As belugas são atualmente listadas como uma espécie vulnerável em Ontário | Grupo CNW, Ontario Nature

As belugas são atualmente listadas como uma espécie vulnerável em Ontário | Foto: Grupo CNW, Ontario Nature

Representantes dos habitantes da província de Ontário no Canadá declararam solidariedade às espécies em risco de extinção e pedem por mudanças urgentes na relação entre seres humanos e meio ambiente.

Vinte e oito autores, músicos, povos indígenas, empresas e organizações ambientais divulgaram uma declaração em conjunto no início desta semana, enfatizando a responsabilidade coletiva dos seres humanos em proteger a saúde natural de Ontário, do Canadá e do planeta.

Uma mensagem para o mundo

A declaração foi publicada logo após a consulta pública feita pelo governo de Ontário sobre a Lei de Espécies Ameaçadas (ESA, na sigla em inglês) de 2007. Enquanto a população aguarda as emendas do governo à lei, seu compromisso de aumentar a “eficiência dos negócios” gerou receio sobre o destino da natureza e animais já em perigo em toda a província.

“A Lei das Espécies em Perigo de Ontário destina-se a proteger os animais e plantas mais vulneráveis da província. Se permitirmos que mais do seu habitat, que já está em situação crítica, seja aberto e liberado para negócios, é apenas uma questão de tempo até que o suporte vital dessas espécies seja cortado completamente ”, afirmou David Suzuki, co-fundador da Fundação David Suzuki.

“O governo de Ontário tem a responsabilidade de identificar e proteger espécies em risco. Essas espécies já esperaram muito tempo pelo nosso apoio. Passou do tempo de fortalecer a legislação e melhorar sua execução, em vez de andar para trás, abrindo a porta para mais negócios. ”

Mais de 230 espécies de plantas e animais da província correm o risco de desaparecer, em grande parte devido à perda de habitat e ação humana.

A atividade industrial e o desenvolvimento são os principais causadores dessa perda. A ESA já fornece isenções significativas para a indústria; enfraquecer ainda mais a legislação de proteção ao meio ambiente, terá como consequência o aumento da ameaça às espécies mais vulneráveis da província.

A declaração conjunta enfatiza que meio ambiente, animais e humanos estão todos conectados. É de extrema importância a persistência e recuperação de espécies em risco para a saúde humana.

O texto também destaca a proximidade que chegamos dos limites para a capacidade do planeta em sustentar a atividade humana e a necessidade urgente de mudar a forma como o homem interage com a natureza.

Cientistas alertam para o aumento do número de elefantes nascendo sem as presas

Foto: Bored Panda/Reprodução

Foto: Bored Panda/Reprodução

Há diversos itens de colecionador, raros e exclusivos, cobiçados por milionários do mundo todo, muitos deles pagariam qualquer preço para possuí-los: carros, quadros, joias, entre outros bens materiais. Infelizmente, o custo de alguns desses itens cobiçados têm um preço maior do que aparentam, alguns chegam a custar a vida de um animal indefeso.

O marfim sempre foi considerado símbolo de status e poder aquisitivo. Esculturas de arte feitas com o material alcançam valores altíssimos. Existe até uma crença popular ignorante de que ele possa curar numerosas doenças (como o câncer) e tenha o poder de aumentar a virilidade e a força.

A morte de elefantes por suas presas tem ocorrido há muitos anos. Esta prática já ameaça a sobrevivência de elefantes africanos e asiáticos. Segundo o The Elephant Census (entidade filantrópica que estuda e protege os elefantes) esses animais podem estar extintos nos próximos cinco anos se a taxa de extermínio da espécie se mantiver nos mesmo níveis que agora.

Foto: Bored Panda/Reprodução

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Presas de elefante têm sido alvo de caçadores ávidos por dinheiro ao longo da história, feitas de marfim e de difícil acesso são consideradas um dos artigos mais valiosos no mercado paralelo, e mesmo que matar esses animais inocentes pelo material de suas presas seja estritamente ilegal, ainda há uma enorme demanda por ele em muitos países ao redor do mundo, o que alimenta esse comércio cruel.

Ainda que o tráfico nacional e internacional de marfim seja estritamente ilegal, ele continua acontecendo.

Porém um novo movimento da natureza pode estar mudando o rumo dos acontecimentos.

Recentemente cientistas do Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique (África), notaram um fenômeno que vem acontecendo com os elefantes. Segundo a National Geographic, a maioria dos elefantes idosos que sobreviveram à guerra civil e à caça eram elefantes nascidos sem presas.

Agora, os pesquisadores descobriram que um terço dos elefantes em Moçambique não têm presas, ou seja, estão nascendo sem elas.

Foto: Bored Panda/Reprodução

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Costumava haver apenas cerca de 4% de elefantes nascidos sem presas no território, mas esse tipo de animal raramente é morto, desta forma, eles estão se reproduzindo rapidamente e suas populações estão crescendo.

Depois que a notícia sobre os elefantes sem presa se espalhou, muitos classificaram o fenômeno como a forma da mãe natureza de lutar contra o extermínio dos animais.

Com o aumento do número de elefantes nascendo sem presas, esse tipo de mudança pode acabar, de uma forma natural, com o tráfico cruel e desumano de marfim. No entanto, tudo na natureza funciona em conjunto e o efeito borboleta dessa mudança pode causar alterações em todo o ecossistema.

Mesmo que agora os cientistas não tenham notado nenhuma mudança significativa na maneira como os elefantes se comportam sem as presas, esses “dentes superdesenvolvidos” são muito importantes, além de serem usados pelos elefantes para conseguir comida em seu cotidiano.

De acordo com a National Geographic, há uma espécie de lagartos, que normalmente vive em árvores, que costuma ser espantada pelos elefantes (com as presas em função da altura, para se alimentar das folhas), então se o número de elefantes nascidos sem presas crescer, isso também pode afetar outras populações de animais.

Alguns especialistas argumentaram que a espécie poderia estar “evoluindo” para sobreviver.

Mas outros, com uma visão diversa, rapidamente entraram em cena para explicar que esse tipo de mudança não pode ser considerada evolução, pois é o resultado de uma atividade humana cruel e irresponsável que pode levar diversos outros problemas em nosso ecossistema.

Assim sendo caracteriza-se mais uma ocasião em que a interferência humana afeta o planeta de forma inesperada e imprevisível. Consequências e possíveis efeitos só poderão ser consistentemente avaliados com o tempo, mas uma coisa é certa, o novo “tipo” de elefantes que esta nascendo, não será alvo dos caçadores mercenários.

Pesquisa revela que 17 espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção

O apetite humano é um dos principais fatores que tem levado os tubarões à beira da extinção, alertam os cientistas após uma nova avaliação do status de conservação da espécie.

Dezessete das cinquenta e oito espécies avaliadas foram classificadas como ameaçadas de extinção, de acordo com o Grupo Especialista em Tubarões da União Internacional para a Conservação das espécies (IUCN) na quinta-feira passada, em uma atualização da Lista Vermelha de Animais e Plantas Ameaçados, referência para o mundo todo.

“Nossos resultados são alarmantes”, disse Nicholas Dulvy, que preside o grupo de 174 especialistas de 55 países.

“Os tubarões são animais de crescimento particularmente lento, bastante procurados e desprotegidos por leis, tendem a ser os mais ameaçados”.

Essa categoria inclui o tubarão-mako shortfin, cuja velocidade de cruzeiro de 40km/h (25km/h) – pontuada por explosões de mais de 70km/h – torna-o o mais rápido de todos os tubarões.

Junto com seu primo, o longfin, os dois tubarões-makos são altamente valorizados por sua carne e barbatanas, consideradas uma iguaria pelas tradições chinesas e outras culinárias do paladar asiático.

“Hoje em dia, um dos animais mais pescados em alto mar é o tubarão-mako”, disse Dulvy à AFP. “É também um dos menos protegidos.”

Em maio, as nações participantes do tratado, votarão uma proposta feito pelo México para colocar o tubarão-mako shortfin no Apêndice II da CITES, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas.

O fato entrar para o Apêndice II da CITES, infelizmente não proibiria a pesca ou o comércio desses animais, mas o regularia, o que já seria algum ganho no sentido de proteger a espécie.

Seis das espécies analisadas foram listadas como “criticamente em perigo”, três delas pela primeira vez: o tubarão whitefin swellshark (Cephaloscyllium albipinnum), o cação-anjo argentino (Squatina argentina), tubarão-anjo (Squatina oculata)

O grupo de especialistas em tubarões da IUCN está conduzindo uma revisão de dois anos com mais de 400 espécies de tubarões.

Para os animais terrestres, os biólogos da conservação concentram-se no tamanho da população e alcance geográfico para fazer a avaliação da ameaça de extinção.

Para os tubarões e outros animais marinhos, eles usam outra abordagem, procurando, em vez disso, a rapidez com que as populações diminuem.

Pior do que pensávamos

Mas isso requer uma referência, especialmente para espécies pelágicas ou das que vivem em oceano aberto, explicou Dulvy.

Apenas nos últimos 10 anos os cientistas conseguiram estabelecer uma referência, em parte com a ajuda das pescarias de atum que começaram a manter contagens de tubarões que eram pegos por acaso.

“Uma década depois, sabemos agora que a situação é muito pior do que imaginávamos”, disse Dulvy.

Ironicamente, as organizações de controle da pesca, que tem feito um bom trabalho policiando as capturas de atum, aumentaram o incentivo para que os pescadores mirassem nos tubarões para obter uma renda extra.

“No Oceano Índico” – ao longo das costas do Mar da Arábia e da Baía de Bengala – “a pesca do atum é na verdade uma pesca de tubarão, com capturas eventuais de atum”, disse Dulvy.

À luz de suas novas descobertas, o Shark Specialist Group (Grupo de Especialistas em Tubarões) está pedindo por “severas normas de vigilância e proteção para esses animais no que diz respeito a pesca nacional e internacional, incluindo proibições completas de captura das espécies avaliadas como ‘ameaçadas’ ou ‘criticamente ameaçadas'”, disse Sonja Fordham, vice-presidente do grupo e membro da The Ocean Foundation.

Os tubarões dominaram os oceanos do mundo por cerca de 400 milhões de anos, desempenhando um papel fundamental nas cadeias alimentares globais.

Mas esses “reis dos mares” se mostraram especialmente vulneráveis à predação humana: crescem lentamente, tornam-se sexualmente maduros relativamente tarde e produzem poucos filhotes.

O tubarão esporão de olho verde (Squalus chloroculus) – recém classificado como ameaçado de extinção – tem um período de gestação de quase três anos, que é o mais longo no reino animal.

Um estudo de revisão por pares de 2013 estimou que mais de 100 milhões de tubarões são capturados todos os anos para alimentar a demanda de um mercado de barbatanas, carne e óleo de fígado.

Mais da metade das espécies de tubarões e seus parentes são categorizados como ameaçados ou quase ameaçados de extinção.