Leões da montanha podem estar extintos em menos de 15 anos na Califórnia

Foto: Wan/Reprodução

Foto: Wan/Reprodução

Os leões da montanha de Santa Monica e Santa Ana, na Califórnia (EUA), estão se correndo um sério risco de extinção, segundo informações de um novo estudo realizado pela Ecological Applications.

Pesquisadores da UCLA, da UC Davis e do National Park Service descobriram que a fragmentação e perda de habitat levaram as populações da espécie a níveis perigosamente baixos de diversidade genética.

Com a endogamia (consanguinidade), a população de grandes felinos de Santa Monica pode se extinguir em apenas 15 anos. A população de Santa Ana pode ter menos tempo ainda, apenas 11 anos.

O estudo previu a “rápida perda de diversidade em ambas as populações”, o que provavelmente levariam espécie à extinção, a menos que os leões da montanha se misturem regularmente com outras populações para aumentar sua diversidade genética.

“Este estudo alarmante mostra que precisamos realizar esforços urgentes para melhorar a diversidade do habitat e evitar que os leões da montanha percam seus lares para a construção de estradas ou entrem em conflito com seres humanos”, disse J.P. Rose, advogado do Centro de Diversidade Biológica em um comunicado.

“A construção de estradas limita o movimento e prejudica os habitats cruciais para algumas das criaturas mais ameaçadas da região. As autoridades precisam criar mais possibilidades de contato entre a vida selvagem para que os animais tenham espaço para prosperar”, disse o advogado.

Os cientistas já identificaram locais adequados para circulação de vida selvagem que ajudariam as populações de leões da montanha, mas faltou financiamento.

Recentemente, o condado de Ventura adotou uma medida inédita que protege os corredores naturais frequentados vida selvagem existentes e os habitats intactos, de se tornarem excessivamente fragmentados pelo desenvolvimento. Mas precisa ser feito muito mais em relação as barreiras que já existem e que impedem os animais de encontrar comida, companheiros e abrigo.

Milhões de animais são mortos todos os anos nas estradas e rodovias da região, de acordo com especialistas da UC Davis. Alguns dos animais mais ameaçados do estado, de raposas de san joaquin a salamandras-tigres, estão tendo suas populações reduzidas em função de atropelamentos.

Um primeiro passo seria identificar os pontos chave onde os animais são atingidos pelos carros. Poderiam então ser construidas ou melhoradas as travessias da vida selvagem. Mas Caltrans nem sequer rastreia as mortes em rodovias.

“Enquanto o estado posterga a tomada de medidas, outros estados estão instalando cruzamentos em pontos críticos e observando reduções de até 95% nas colisões com animais selvagens”, disse Rose. “As autoridades do departamento de transporte precisam agir enquanto ainda há tempo para salvar esses leões da montanha.”

Em dezembro de 2017, o Centro e seus aliados entraram com uma ação contra o projeto Altair, em Temecula, que fragmentaria ainda mais o habitat dos grandes felinos de Santa Ana. O projeto de 200 acres incluiria um desenvolvimento de de rodovias que degradariam parte da última conexão remanescente entre as populações de leões das montanhas de Santa Ana e das cordilheiras peninsulares.

México anuncia planos para salvar as últimas vaquitas do mundo

Foto: Nicklin Minden | WWF

Também conhecida como boto-do-pacífico, a vaquita é uma espécie endêmica do Golfo da Califórnia, no Noroeste do México, e tem um metro e meio e pesa cerca de 50 quilos. É possível que existam apenas 10.
O cetáceo está à beira da extinção pela pesca – suas bexigas natatórias têm alto valor comercial na China.

Em uma tentativa de salvar as últimas vaquitas, o governo mexicano anunciou na última quinta-feira (21) que usará boias para marcar a reserva do mamífero marinho mais ameaçado do mundo.

Outra promessa foi feita pelo Departamento de Meio Ambiente: fornecer programas sociais e empregos para as comunidades pesqueiras.

Ambientalistas disseram que o programa do governo precisa de detalhes suficientes e enfatizaram que medidas mais urgentes são necessárias para salvar a vaquita.

Alejandro Olivera, representante do México para o Centro de Diversidade Biológica, disse que as medidas “não estão à altura do nível de urgência necessário”.

“Com possíveis 10 vaquitas restantes, o que é necessário é a proteção total e a eliminação imediata de redes ilegais do habitat da vaquita”, disse Olivera. As informações são do Daily Mail.

Nesta foto divulgada pela organização Sea Shepherd, o corpo de uma vaquita flutua no oceano após ser encontrado em uma rede ilegal de totoaba no Golfo da Califórnia, no dia 12 de março deste ano.

Ativistas dizem que algum tipo de barreira flutuante poderia ser facilmente construída ao redor da área para manter os barcos de pesca ilegais, já que as vaquitas remanescentes estão concentradas em uma área tão pequena – um retângulo de cerca de 15 milhas por 7 milhas. Mas o programa do governo está bem longe disso. Ele propõe a simples marcação da reserva de vaquita com boias.

Infelizmente, todas as medidas tomadas serão pequenas diante dos milhares de dólares que os pescadores conseguem por uma bexiga.

Especialistas dizem que 17 espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção

O Grupo Especialista em Tubarões da União Internacional para a Conservação (IUCN) divulgou, na última quinta-feira (21), que 17 das 58 espécies avaliadas foram classificadas como ameaçadas de extinção.

“Nossos resultados são alarmantes”, disse Nicholas Dulvy, que preside o grupo de 174 especialistas de 55 países.

“Os tubarões que são especialmente lentos no crescimento, procurados e desprotegidos da pesca excessiva tendem a ser os mais ameaçados.”

Na lista vermelha de extinção também está o mako shortfin, que nada de 40 km a 70 km / h –  o mais rápido de todos os tubarões.

Considerados uma iguaria na China e em outras regiões da Ásia, o mako shortfin e mako longfin, são perseguidos e caçados por sua carne e barbatanas

“Hoje, uma das maiores pescarias de tubarão em alto mar é a do mako”, disse Dulvy à AFP. “É também um dos menos protegidos.”

O tubarão-anjo-da-cara-branca, o tubarão-anjo-da-argentina e o tubarão-anjo-albino entraram pela primeira vez na lista como “criticamente ameaçados”.

A Lista Vermelha

De acordo com o Daily Mail, uma proposta será votada em maio para listar o mako shortfin no Apêndice II da CITES, o que regularia sua pesca.

O Shark Specialist Group pede “limites imediatos de pesca nacionais e internacionais, incluindo proibições completas de desembarque das espécies avaliadas como ‘ameaçadas’ ou ‘criticamente ameaçadas'”.

Pés de elefante e peles de urso polar estão entre troféus de caça importados para a Grã-Bretanha

Foto: The Telegraph/Divulgação

Foto: The Telegraph/Divulgação

Pés de elefante, peles de ursos polares e um tapete feito de um leão morto estão entre as partes de espécies ameaçadas de extinção enviadas à Grã-Bretanha como troféus em um único ano, segundo informações do Telegraph.

Um total de 86 partes de corpos de animais raros, muitas deles ameaçados de extinção, foram importadas pela Grã-Bretanha durante os anos de 2017 e 2018.

A análise do catálogo de controle mantido pelo órgão internacional que controla esses embarques revela que existe uma indústria próspera de caçadores de troféus com assassinos ansiosos por celebrar suas mortes com lembranças extravagantes.

De acordo com as regras internacionais, esses troféus só podem ser trazidos para o Reino Unido desde que não afetem a sobrevivência de qualquer espécie.

Embora a caça envolva atirar em espécies ameaçadas, muitos países permitem caçadas profissionais turísticas, muitas vezes deixando que animais mais velhos ou mais fracos sejam mortos. Os defensores da caça, afirmam que seu “esporte” ajuda na conservação das espécies e pode fornecer o turismo necessário para áreas pobres.

No entanto, defensores dos direitos animais condenam a prática. Mais de 150 deputados assinaram um Early Day Motion (EDM) pedindo ao secretário do Meio Ambiente, Michael Gove, que proibisse a importação de troféus. Mais de 280 mil pessoas assinaram uma petição on-line pedindo à Defra que proíba a entrada de troféus de leão enviados para o Reino Unido.

As importações de troféus de caça já foram proibidas pela França, Austrália e Holanda. De acordo com arquivos mantidos pela Cites, a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas, que supervisiona o acordo assinado pelos governos em relação ao comércio e ao movimento de animais selvagens, 82 das espécies ou criaturas mais ameaçadas cujo futuro é incerto se o comércio não for cuidadosamente controlado para o Reino Unido de 2017 a 2018.

Chris Packham, ambientalista e apresentador de televisão, disse que os números relacionados aos troféus de caça o deixou “envergonhado de ser um conservacionista britânico”.

“O fato de que isso está acontecendo é como se fosse uma cuspida na cara da nação de amantes de animais que está despertando para o fato de que não há vida selvagem suficiente para ser desperdiçada e que matar animais selvagens por diversão é um negócio sujo”.

“Eu, como a maioria dos outros, gostaria de uma proibição imediata da importação de troféus para o Reino Unido. Esta sanção teve um impacto comprovado e rápido em outros locais”.

Joanna Lumley, a atriz e defensora dos direitos dos animais, disse:
“Eu sou contra qualquer tipo de caça, e acho que as pessoas que são colecionadores de troféus são péssimas”.

Zac Goldsmith, MP (membro do parlamento) de Richmond e defensor dos direitos animais que apresentou o EDM (projeto de lei), disse ao Telegraph: “A caça aos troféus envolve matar algumas das mais belas espécies de animais selvagens do planeta simplesmente por diversão”.

“Não é apenas prejudicial às próprias espécies em extinção, a evidência mostra que a importação dessas partes de animais também oferece cobertura para um comércio cruel”.

“De várias formas, isso prejudica as comunidades que dependem da vida selvagem para obter receita de turismo. Já é tempo de proibirmos a importação dos chamados “troféus” para o Reino Unido ”.

Um porta-voz do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais disse sob as regras da Cites que tais troféus só podem ser trazidos para o Reino Unido sob regras estritas.

No início deste ano, a ministra do Meio Ambiente, Therese Coffey, disse que estava planejando uma mesa redonda com organizações de todos os lados do debate em torno da caça aos troféus em um futuro próximo.

Aumenta o número de baleias-jubarte mortas ao longo da costa do Atlântico

Foto: Seanscott/Getty Images

Foto: Seanscott/Getty Images

Pesquisadores especialistas em baleias afirmam que o número de encalhes desses mamíferos, ao longo da costa do Atlântico, apresentando sinais de choque com navios e emaranhamento em equipamentos de pesca, é o maior já visto.

De janeiro de 2016 até o início de fevereiro de 2019, o departamento de Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) registrou 88 baleias-jubarte encalhadas. Os estados de Nova York, Virgínia e Massachusetts estão no topo da lista.

Esses números são mais que o dobro do número de baleias encalhadas entre 2013 e 2016.

Este aumento expressivo levou a NOAA a declarar um “evento incomum de mortalidade” em abril de 2017 para as jubartes da costa americana do Maine à Flórida. Quase dois anos depois, a declaração ainda permanece.

O evento de mortalidade incomum é uma designação de situação (criado em 2003), que se declarado permite que a NOAA redirecione recursos destinados a evitar futuros encalhes.

Mas, logo após o anúncio de abril de 2017, as perguntas eram numerosas: Havia mais baleias da água dos canais de navegação ou mais navios? A temperatura da água atraindo as presas (alimento) para mais perto da costa e por consequência as baleias? O barulho do oceano estaria desorientando as baleias?

Naquela época os oficiais da NOAA afirmaram que não possível “saber com certeza” a razão pois os dados eram muito recentes. A causa dos três últimos eventos de mortalidade permanecem “indeterminados” até hoje.

Mas, três anos após a primeira jubarte aparecer morta na costa de da praia de Virginia, em janeiro de 2016, cientistas acreditam que o que poderia estar matando as baleias suas dois fatores: “redes de pesca (emaranhamento) e choques com embarcações”, disse Alexander Costidis, coordenador de estudos do Virginia Beach ao National Geografic. Ambos consequência da ação humana.

A equipe de Costidis investiga todas as baleias mortas no estado e, quando possível, realiza necropsias ou autópsias nos animais.

Os pesquisadores procuram por marcas de ferimentos feitos por hélices, abrasões e sinais de traumatismos e contusões, como ossos quebrados ou fraturas, para tentar determinar o que pode ter causado a morte daquela baleia.

Ainda assim, muitas poderiam ter sido atingidas depois que morreram. E algumas baleias, diz o cientista, apresentam cicatrizes de feridas curadas, sugerindo que sobreviveram a uma colisão de navio ou a um emaranhamento em algum equipamento de pesca.

Se possível, a equipe também realiza testes para avaliar o estado de saúde geral do mamífero, verifica a exposição a agentes patógenos e também examina o conteúdo do estômago da baleia. Os pesquisadores também procuram por sinais de doença.

Evitar choques com embarcações requer tanto uma compreensão mais profunda da biologia das baleias quanto uma maior conscientização das baleias de pessoas que pilotam navios.

A NOAA decretou um protocolo de restrição de velocidade pelas embarcações para proteger espécies específicas de baleias, como a ameaçada de extinção baleia-franca do Atlântico Norte, que também serviria para proteger outras baleias.

A NOAA exige que 65 pés ou mais percorram 10 nós ou menos em determinados locais, chamados de áreas de gerenciamento sazonais. Uma dessas áreas é a boca da Baía de Chesapeake.

“A prevenção é realmente difícil. Primeiro de tudo, a baleia precisa detectar o navio. Então tem que entendê-lo como uma ameaça para a partir daí tomar medidas apropriadas ”, diz Barco.

As baleias certamente podem ouvir os navios, diz Doug Nowacek, professor de tecnologia da conservação marinha na Duke University, mas outros fatores podem estar envolvidos. Nowacek, que estuda o comportamento e a ecologia acústica de baleias e golfinhos, diz que os animais podem se distrair com a alimentação ou com o zumbido constante do tráfego marítimo.

Foi iniciada uma discussão em relação aos avisos acústicos que os navios poderiam emitir, algo parecido com apitos para assustar veados nas estradas usados por motoristas, mas Nowacek diz que “há pouca garantia de que eles funcionariam”.

“Beleias são os maiores animais no oceano. Uma jubarte adulta não tem medo real de nada, então por que deveria ter algum motivo para dar ouvidos a um som novo e alto e entendê-lo como um aviso?”

Rob DiGiovanni, fundador da Atlantic Marine Conservation Society, uma organização de voluntários de Long Island que estuda os encalhes, diz que fonte de alimento preferida das baleias, fica perto dos canais de navegação costeira dos navios. Esses canais se tornaram “paradas de descanso”, segundo DiGiovanni, onde as baleias param e reabastecem.

Costidis acredita que o único remédio imediato para a situação seria diminuir o tráfego de embarcações, mas essa não é um alternativa realista, “mas reduzi-los poderia ajudar” declara ele.

“Até certo ponto”, diz ele, “o intenso tráfego marítimo provavelmente nunca será compatível com a vida das baleias que nadam próximo à costa”.

Ativistas encontram corpo de boto vaquita no Golfo da Califórnia

Foto: Associated Press Photo

Foto: Associated Press Photo

O grupo ambientalista Sea Shepherd afirmou na quinta-feira ter encontrado o corpo do que parecia ser um um boto vaquita, uma espécie rara que talvez esteja entre as 10 que restam no mundo.

O grupo disse que os restos do animal estavam em decomposição avançada o que impossibilitou a identificação imediata da espécie. O corpo do animal foi entregues às autoridades para mais estudos.

Dois barcos de patrulha da Sea Shepherd encontraram o animal preso em uma rede de pesca na terça-feira no Golfo da Califórnia (México), o único lugar onde os pequenos botos, criticamente ameaçados de extinção vivem.

O grupo patrulha o golfo, também conhecido como Mar de Cortez, removendo redes de pesca ilegais. As vaquitas são apanhadas em redes colocadas para pegar totoabas, um peixe cuja bexiga é considerada uma iguaria na China.

Em um relatório divulgado no início desta semana, uma comissão internacional de especialistas estimou que apenas de seis a 22 vaquitas permanecem vivas.

O indíce mais baixo corresponde ao número de vaquitas realmente vistas na superfície da água durante uma viagem feita por pesquisadores no outono passado. A estimativa mais alta foi o número de animais que podem ter sido ouvidos em um sistema de monitoramento acústico flutuante, fazendo “cliques” característicos, como os golfinhos.

A comissão disse que o número mais provável de vaquitas remanescentes estaria em torno de 10.

Infelizmente as vaquitas estão concentradas em uma área cada vez menor, de cerca de 15 por 11 milhas, segundo o relatório.

“As poucas vaquitas remanescentes habitam uma área muito pequena, aproximadamente 24 por 12 quilômetros, a maioria dos quais fica dentro do Refúgio Vaquita. No entanto, os altos níveis de pesca de totoaba que ocorrem nesta área ameçam a espécie”, disse o relatório.

Defender as vaquitas nesta pequena área não deveria ser “uma tarefa impossível, já que a entensão a ser protegida não é grande”, acrescentou o relatório.

Mas os navios da Sea Shepherd estão sob crescente assédio e ataques no golfo nos últimos meses, e a temporada do totoaba – na qual o enorme peixe se reúne para se reproduzir – atingirá seu auge entre agora e maio.

A ousadia dos pescadores, o pequeno número de vaquitas remanescentes e a incapacidade da marinha e das autoridades mexicanas de impedir a caça, dispararam os alarmes entre os ambientalistas, que temem que o mamífero marinho possa ser extinto em breve.

“Relatórios da região sugerem que a pesca vem crescendo, e aconteceram vários episódios recentes de violência por parte de pescadores aos navios de proteção e remoção de redes e suas tripulações e até mesmo a marinha mexicana”, disse o relatório da comissão. “Esses eventos ilustram o fracasso repetido dos esforços de fiscalização e a falta de respeito pela lei mexicana por parte dos pescadores”.

Em uma proposta de última hora para salvar a vaquita, a comissão pediu ao governo mexicano para fornecer vigilância 24 horas e patrulhas mais frequentes da pequena área de habitat remanescente, além de “tomar todas as medidas necessárias para proteger as equipes envolvidas nas operações de remoção de redes”.

“Há pouca esperança para a vaquita”, disse Kate O’Connell, consultora de fauna marinha do Animal Welfare Institute. “O México deve agir de forma decisiva para garantir que toda a pesca que utiliza redes de pesca seja encerrada definitivamente em todo o golfo superior”.

Governo Trump pede corte de fundos para proteção ambiental e de espécies ameaçadas

Foto: Pixabay

O orçamento proposto é sem precedentes e prevê o corte de 2 bilhões de dólares (quase 8 bilhões de reais) para o Departamento do Interior e de 2,8 bilhões (cerca de 11 bilhõesde reais) para a Agência de Proteção Ambiental. Em contrapartida, pede a adição de 8,6 bilhões de dólares (aproximadamente 33 bilhões de reais) para a construção do muro na fronteira com o México.

“O orçamento de Trump é uma piada repulsiva e sem coração”, disse Brett Hartl, diretor de assuntos governamentais do Centro para a Diversidade Biológica.

“Essa proposta ambientalmente devastadora mostra que o governo de Trump é composto apenas por interesses especiais, geridos por interesses especiais, em benefício de interesses especiais. Isso permitiria que animais em perigo fossem extintos.”

O financiamento para incluir animais silvestres e plantas à lista de espécies ameaçadas seria reduzido em quase 50% para 11 milhões de dólares (cerca de 42 milhões de reais) por ano por ano, enquanto o Fish and Wildlife Service teria um corte geral de 267 milhões de dólares (cerca de 1 bilhão de reais).

No mês passado, mais de 215 grupos convocou o Congresso a aumentar o orçamento para conservação de espécies ameaçadas de extinção de cerca de 252 milhões de dólares (cerca de 950 milhões de reais) para 486 milhões de dólares (quase 2 bilhões de reais). O aumento garantiria que todas as espécies ameaçadas receberiam um nível básico de financiamento para sua recuperação e englobaria o acúmulo de 500 espécies que ainda precisam analisar se devem ou não ser protegidas pela Lei de Espécies Ameaçadas.

“A Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção continua a ser a lei mais eficaz do mundo para acabar com a extinção, mas o orçamento do governo impediria os cientistas de conservação de salvar a vida selvagem à beira do abismo”, disse Hartl.

“O comportamento escandaloso da EPA está ignorando a ameaça do PFAS, e outros produtos químicos tóxicos em nosso ambiente simplesmente farão parte do curso se este orçamento fosse promulgado”, disse Hartl. “Em vez de cortes maciços, devemos aumentar drasticamente o financiamento da EPA para proteger a saúde humana e a vida selvagem de todas as formas de poluição tóxica.” As informações são do World Animal News.

Outras medidas

O governo Trump parece estar decidido em acabar com a vida selvagem do país.

No início deste mês, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA anunciou os planos para retirar os lobos-cinzentos da Lei de Espécies Ameaçadas.

“Esta proposta repugnante seria uma sentença de morte para os lobos cinzentos em todo o país”, disse Collette Adkins, advogado sênior do Centro de Diversidade Biológica.

O fim da proteção dos lobos-cinzentos na região dos Grandes Lagos já havia sido feita em 2011, o que permitiu a caça de troféus e as temporadas de captura em Minnesota, Wisconsin e Michigan, mas as cortes restauraram as proteções em 2014.

“Os tribunais têm repetidamente criticado o Serviço de Pesca e Vida Selvagem por remover prematuramente as proteções dos lobos, mas a agência agora voltou com seu esquema mais notório”, continuou Adkins.

“A indústria pecuária e os caçadores de troféus querem os lobos mortos, mas vamos garantir que os órgãos federais cumpram sua obrigação de restaurar a população de lobos em todo o país”.

Refúgios da vida selvagem salvam 13 espécies de mamíferos australianos da extinção

Bilbies mamíferos australianos ameaçados de extinção | Foto: Bruce Thomson

Bilbies mamíferos australianos ameaçados de extinção | Foto: Bruce Thomson

Os proprietários de gatos estão sendo encorajados a manter seus animais domésticos dentro de casa, o motivo é recente descoberta dos pesquisadores australianos de que 13 dos mamíferos nativos do país, existem atualmente apenas em áreas protegidas devido à introdução de predadores no ecossistema.

O Centro de Recuperação de Espécies Ameaçadas, um grupo que conta com a colaboração de cientistas de 10 das principais universidades australianas, vem realizando uma auditoria dos refúgios de conservação de animais no país.

Eles descobriram 13 espécies que agora só existem dentro desses locais protegidos, incluindo as espécies de roedores “eastern barred bandicoot”, bandicoot-listado-oriental e o “greater stick nest rat”, rato de ninho de pau (ambos endêmicos da Austrália).

A professora Sarah Legge, da Universidade de Queensland, disse que a principal causa da morte das espécies têm sido a caça protagonizada por gatos e raposas.

“Todas essas 13 espécies estão presentes nas ilhas, e oito delas também habitam em áreas cercadas e protegidas dentro no continente”, disse a professora Legge.

“Precisamos resolver esse problema, porque isso têm devastado a ecologia deste país”, alerta ela.

“Refúgios e centros de proteção são a forma mais extrema de intervenção, mas há uma variedade de espécies que se beneficiam disso quando você reduz a ação de gatos e raposas com propostas simples de proteção e isolamento”.

Atualmente existem cerca de 101 refúgios protegidos que estão em quarentena, livres de predadores introduzidos, com uma área total de mais de dois mil quilômetros quadrados.

Há também dezessete refúgios cercados no continente australiano, cobrindo 346 quilômetros quadrados.

Nas áreas de proteção localizadas nos continentes, a principal ameaça são os gatos.

“Não temos como impedir os gatos de atacar, eles agem por instinto e a única opção é isolar os roedores ameaçados”, disse a professora Legge.

Ela alega que nas áreas selvagens onde também há refúgios, os gatos são selvagens mas as quantidades são menores o que mantem o ecossistema em equilíbrio.

Mas os gatos domésticos podem causar grandes danos a essas espécies quando saem da casa de seus tutores para “dar voltas” pela rua.

Sarah Legge explica que em sua visão gatos mantidos seguros em casa ajudam a todos, inclusive a eles mesmos, pois correm menos riscos de atropelamento e de ficarem expostos a outros acidentes com os demais animais, incluindo cães, enquanto estão fora de casa.

“Muitas pesquisas apontam que manter seu gato em casa é muito mais seguro do que permitir que ele saia para a rua”, reflete a professora.

“Gatos que saem podem se envolver em brigas, correm o risco de se perder, por isso, contanto que você ofereça um ambiente comportamentalmente rico (com diversões estimulantes do ponto de vista cognitivo) em ambientes fechados, é muito melhor para o seu gato”.

O Dr. Michael Bode, da Universidade de Tecnologia de Queensland, lembra que é preciso haver colaboração e coordenação em nível nacional nos refúgios de proteção para prevenir futuras extinções de mamíferos.

“Agora sabemos onde precisam existir novos refúgios e, com apenas 12 novos desses centros, podemos proteger todas as espécies ameaçadas de mamíferos vulneráveis à predação por gatos e raposas”, diz ele.

“Mas a longo prazo, precisamos encontrar formas de reduzir os impactos de raposas e gatos em toda a Austrália, para que possamos restaurar nossos mamíferos nativos às paisagens de origens deles em larga escala”, declara o dr. Michael.

“Até lá, os refúgios livres de gatos e as raposas são fundamentais na prevenção de extinções dessas espécies”, conclui ele.

Em Queensland, os pesquisadores da UQ (Universidade de Queensland) estão tentando recuperar populações de bilby (marsupial endêmico da Austrália) no Parque Nacional Currawinya, um refúgio especialmente vedado e à prova de predadores no longínquo sudoeste de Queensland.

Pesquisadores dizem que os bilbys são altamente adaptáveis e quando a ameaça predatória de raposas e gatos é isolada, suas populações crescem rapidamente em função de seus ciclos curtos de reprodução.

Leopardo considerado extinto é visto pela primeira vez em 36 anos

Uma espécie de leopardo, chamada Neofelis nebulosa brachyura, que era considerada extinta, foi encontrada em Taiwan. O animal, conhecido popularmente como leopardo nebuloso de formosa, não era visto desde 1983 e foi considerado extinto em 2013, apesar de pesquisadores terem ficado relutantes em relação à extinção, devido a relatos ocasionais de testemunhas que afirmavam ter visto o leopardo.

(Wikimedia Commons/JOSEPH WOLF/Reprodução)

A extinção foi declarada após 16 mil imagens de animais carnívoros de Taiwan terem sido analisadas entre 1990 e 1993, sem que o leopardo estivesse presente nelas, e um estudo de 12 anos, finalizado em 2013, ser concluído sem registros da espécie. As informações são do portal Exame.

O leopardo foi visto numa área chamada Li’uljaw, que tem sido vigiada por patrulheiros desde o último verão, na tentativa de encontrar o animal. De acordo com o jornal Taiwan News, um grupo de pessoas afirma ter visto o leopardo caçando cabras, enquanto outro diz ter encontrado o animal momentos antes de ele subir em uma árvore.

Para o professor Liu Chiung-hsi, do departamento de vida e ciência da Universidade Nacional de Taitung, o leopardo ainda existe. Ele acredita que o leopardo ficou tanto tempo ser ser avistado porque é um animal vigilante e não pode ser facilmente capturado por humanos.

Cientistas afirmam que 1700 espécies de pássaros e animais estarão ameaçadas de extinção nos próximos 50 anos

Araçaçu de bico curvo uma das espécies listadas pelo estudo | Foto: Reprodução/Pinterest

Araçaçu de bico curvo uma das espécies listadas pelo estudo | Foto: Reprodução/Pinterest

Os seres humanos vão colocar centenas de espécies de pássaros e animais em risco de extinção destruindo seus habitats naturais nos próximos cinquenta anos, um estudo avisa.

Conforme a humanidade expande a utilização da terra ao redor do planeta, a vida selvagem vai perdendo muito de seu habitat o que pode levar numerosas espécies a extinção de fato.

Até o ano 2070, pesquisadores preveem que até 1.700 espécies de anfíbios, aves e mamíferos estão ameaçados exatamente por terem sido expulsos de seus lares.

Ecologistas da Universidade de Yale examinaram como as mudanças causadas pelo uso da terra vão impactar no futuro da biodiversidade, a variedade de plantas e da vida animal encontradas em um habitat particular.

Eles examinaram cenários diferentes baseados em crescimento da população e mudanças econômicas na sociedade global que poderiam levar a um aumento no uso da terra

Eles então compararam as áreas mais prováveis para expansão humana a regiões que 19.400 espécies chamam de lar.

Pesquisadores descobriram que 886 anfíbios, 436 pássaros e 376 mamíferos perderiam tanto de seu habitat natural correriam um risco muito maior de extinção.

Espécies vivendo no Centro e no Leste da África, Mesoamerica, África do Sul e Sudeste da Ásia vão sofrer as maiores perdas, de acordo com o estudo.

A equipe de pesquisadores disse que os caminhos potenciais para expansão representam “expectativas razoáveis” sobre os futuros desenvolvimentos sociais, demografia e economia.

O co-autor do estudo, Walter Jetz, disse: “Nossas descobertas ligam esses futuros plausíveis a suas implicações para a biodiversidade”.

“Nossas análises nos permitem rastrear como as decisões políticas e econômicas – através de suas mudanças associadas à cobertura da terra global – devem causar declínio na extensão do habitat de espécies em todo o mundo.”

O estudo mostra que, em um cenário de “meio termo” de mudanças moderadas no uso da terra, cerca de 1.700 espécies provavelmente experimentarão um aumento acentuado em seu risco de extinção nos próximos 50 anos.

As descobertas sugerem que elas perderão de 30% a 50% de seus atual habitat até 2070.

Entre elas estão espécies cujos destinos serão particularmente terríveis, como o sapo de Lombok na Indonésia, o iechwe do Nilo no Sudão do Sul, trepador sobrancelha no Brasil e o arapaçu de bico curvo encontrado na Argentina, Brasil e Uruguai.

Iechwe do Nilo | Foto: E.J. Peiker

Iechwe do Nilo | Foto: E.J. Peiker

Prevê-se que todos eles percam metade da faixa geográfica que ocupam atualmente nas próximas cinco décadas.

As projeções e todas as outras espécies analisadas podem ser analisadas no site Map of Life (Mapa da Vida, na tradução livre).

O mapa mostra o impacto nas espécies numa resolução de escala por quilômetros.

“A integração de nossas análises com o Mapa da Vida pode servir como apoio a qualquer um que deseje avaliar como as espécies podem sofrer sob cenários futuros específicos de uso da terra e ajudar a prevenir ou mitigar esses efeitos”, disse Ryan P. Powers, co-autor, pós-doutorando e professor aposentado de Yale.

As Espécies que vivem na África Central e Oriental, América Central, América do Sul e Sudeste da Ásia sofrerão a maior perda de habitat e maior risco de extinção, de acordo com o estudo.

Mas o professor Jetz alertou o público para não assumir que as perdas são apenas problema dos países em cujas fronteiras elas ocorrem.

“Perdas em populações de espécies podem impactar de forma irreversível no funcionamento de ecossistemas e na qualidade de vida humana”, ele disse

“Embora a destruição da biodiversidade em partes longínquas do planeta possa não nos afetar diretamente, suas consequências para a subsistência humana podem reverberar globalmente”, alerta o professor.

O professor explica ainda que é frequentemente das demandas situadas mais distantes que surge a necessidade que leva a essas perdas de biodiversidade e habitats – por exemplo as madeiras de lei tropicais, o óleo de palma ou soja – tornando assim, a nos todos, co-responsáveis pela situação.

Os resultados do estudo foram publicados pela revista Nature Climate Change.