Reino Unido registra quase mil mortes de galgos explorados em corridas em 2018

Quase mil cachorros da raça galgo explorados em corridas morreram ou foram mortos em 2018 no Reino Unido, segundo a Greyhound Board of Great Britain (GBGB), entidade reguladora desses eventos.

O dado deu força aos pedidos de proibição das corridas. No entanto, segundo o jornal The Guardian, o objetivo da entidade ao divulgar os números é dar início a uma transformação nas corridas, o que ONGs de direitos animais afirmam não ser possível. As informações são do portal 4MEN Magazine.

AFP/Arquivos

Mudar a forma como esses eventos são feitos não é o bastante. De acordo com as associações, é preciso proibir a prática, já que, entre outras razões, as próprias pistas de corrida apresentam riscos para os galgos, que invariavelmente sofrem lesões que impedem que, depois, sejam facilmente adotados.

Muitos dos cães que foram mortos poderiam estar vivos se tivessem encontrado pessoas comprometidas em dar a eles uma chance. Isso porque boa parte dos quase mil cães mortos tiveram suas vidas tiradas devido “aos custos elevados dos tratamentos médicos” e por serem considerados inúteis para os treinadores e competidores, que não tinham mais como explorá-los.

Mais de 200 cães foram mortos nas pistas no ano passado e outros sofreram morte súbita. As mortes, segundo a GBGB, são “evitáveis e desnecessárias”.

“A verdade é que centenas de cães registados como reformados pela GBGB continuam num ambiente comercial, confinados aos canis dos treinadores que continuam a não cumprir com as especificações exigidas, usados para procriação e regularmente forçados a doar sangue ou simplesmente a aguardarem adoção. Outras centenas são vendidos ou dados para criação, para correrem em pistas estrangeiras ou usados para pesquisa e dissecção”, denuncia ao “The Guardian” Trudy Baker, uma organização não-governamental que combate a exploração dos galgos.

A PETA, entidade internacional de defesa animal, também luta contra as corridas. “A indústria das corridas de galgos trata os cães como máquinas. Fora os minutos que passam na pista durante a corrida, passam quase 23 horas do dia confinados a uma jaula ou a um canil”, alertou a organização.

Os galgos são forçados a começar a correr nas pistas aos 18 meses e muitos deles não chegam a idade em que param de ser obrigados a competir – aos 4 ou 5 anos de idade -, pois morrem antes.

Dados da GREY2K USA, citados pela PETA, indicam que os galgos sofreram mais de 15 mil lesões entre 2008 e 2018, desde pernas e colunas partidas até eletrocuções.

Atualmente, as corridas de galgos alimentam casas virtuais de apostas, por meio das quais apostadores podem fazer suas apostas em todo o mundo, especialmente no Reino Unido e na Irlanda, mas também na África do Sul, na Austrália e nos Estados Unidos.

Corridas em Portugal

A exploração e a crueldade animal promovida pelas corridas teve um crescimento, em Portugal, em 2016. As técnicas cruéis de treino, as coleiras que dão choque nos cães mais lentos, os casos de doping e as inevitáveis lesões – que frequentemente os condenam ao abandono e à morte – chegaram ao país português vindas do exterior.

Segundo uma reportagem do portal Visão, aos dois anos de idade os cachorros explorados em Portugal “já se encontram de tal forma desgastados que são aposentados”, revela a reportagem.

As consequências das corridas na vida dos animais são terríveis e alarmantes. De acordo com o jornal Público, muitos cães são abandonados, quase todos com sequelas físicas e psicológicas. Assustados, amedrontados e com cicatrizes pelos corpos, eles são deixados à própria sorte, conforme explicou ao portal Cristina Gonçalo, fundadora da Katefriends, entidade que luta contra o abandono de galgos em Portugal.

Projeto de lei

Em Portugal, um projeto de lei, de autoria do deputado André Silva (PAN), que visa proibir as corridas de galgos em todo o território nacional, foi entregue à Assembleia da República no início de 2019. A proposta estabelece multas e penas de prisão para quem desobedecê-la.

Existem seis pistas, todas amadoras, no país, além de um campeonato nacional e mais de 20 criadores de galgos que os exploram em corridas.

O partido do deputado criou ainda uma petição contra as corridas. O abaixo-assinado conta com 6.499 adesões. “Sendo criados com o único propósito de correr e vencer, muitos cães jovens e saudáveis são descartados e mortos. Os cães que vão para as pistas enfrentam um duro programa de treino e, durante os treinos e as corridas, sofrem riscos significativos de lesões, como fraturas de pernas ou traumatismos cranianos. Alguns chegam a morrer de ataque cardíaco devido ao intenso desgaste físico. Os danos físicos são muitas vezes considerados ‘inviáveis financeiramente’ para serem tratados e o treinador – que se diz ‘tutor’ – opta por matar o cão”, afirma a petição.


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Galgos explorados em corridas na Europa são vendidos para China após descartados

Foto: Macau Daily Times

Foto: Macau Daily Times

Nove meses depois do último estádio de corridas de galgos da China fechar suas portas, ativistas pelos direitos animais estão voltando seus esforços para a crueldade e exploração praticada em pelo menos 25 pistas de corridas com esses cães no continente, bem como pelos criadores afiliados a elas.

O Canidrome de Macau (Yat Yuen) fechou suas portas em 20 de julho do ano passado, admitindo a derrota após uma campanha que durou vários anos feita por ativistas locais e internacionais pelos direitos animais para expor o vergonhoso tratamento dado pela empresa aos galgos. O canil e pista de corridas funcionou em Macau durante mais de meio século.

Uma investigação do Sunday Mirror trouxe à luz o submundo escuro em que os galgos aposentados enfrentam quando as lesões ou a velhice os impedem de continuar correndo. Muitos desses cães foram criados e explorados em corridas na Grã-Bretanha e na Irlanda.

Entrevistando ativistas pelos direitos animais e criadores e agentes de corridas, britânicos e irlandeses, de galgos, o Sunday Mirror descobriu que os cães ex-campeões estavam sendo vendidos para centros de reprodução e criação de filhotes (fábricas de filhotes) na China, onde seu esperma é extraído diariamente até que não sejam mais férteis e então são vendidos para o comércio de carne de cachorro.

De acordo com o jornal britânico, “os preços do esperma dos campeões alcançam até 10 mil libras por litro, o que faz com que os machos tenham seus espermatozoides repetidamente extraídos e até congelados para que os criadores possam lucrar com os anos de sucesso dos cães até mesmo depois que eles morrem”.

Pelo menos 40 ex-cães de corrida do Reino Unido e da Irlanda estão atualmente engaiolados na China e costumavam e suspeita-se que sejam usados para abastecer (em esperma e números) cerca de 25 corridas de galgos ilegais atualmente em operação.

Um ativista pelos direitos dos animais, que não foi identificado pelo jornal, disse que os tutores de galgos que vendem seus cães para compradores chineses não estavam cientes da realidade.

“As pessoas pensam em galgos aposentados vivendo uma vida tranquila e confortável em um sofá, mas para esses cães indefesos, a realidade é muito mais brutal”, disse o ativista, citado pelo Sunday Mirror.

“Essas lindas criaturas estão sendo tratadas como uma mercadoria. Depois de correr por uma pista por anos a fio, eles são enviados para um país onde as leis de bem-estar animal são frouxas ou nem existem. Eles são completamente sugados até esvaírem-se”.

As condições dentro das instalações chinesas são sombrias, de acordo com Kerry Lawrence, da ONG de proteção aos galgos, Birmingham Greyhound Protection, que ajuda a coordenar resgates de ex-cães de corrida.

Galgos machos são usados para produzir espermatozóides que serão usados para inseminação artificial ou serão congelados para uso após a morte do animal. Em outros casos, os cães podem ser mantidos em posição de reprodução por horas enquanto seus manipuladores tentam coagi-los a acasalar.

Os métodos são cruéis e desumanos, a abordagem implacável, a falta de cuidado chocante e as circunstâncias sombrias que cercam o processo são assustadoras”, disse Kerry.

De acordo com o Sunday Mirror, alguns treinadores de galgos nos dois países europeus estão ficando mais cautelosos com os compradores chineses depois que vídeos de abuso de animais apareceram online.

O jornal informou que um treinador de cães irlandês tinha parado de vender galgos a um comprador de Hong Kong depois de ver um vídeo de um cachorro de corrida jogado em água fervente.

Embora não haja proibição de exportar os galgos para a China, o órgão regulador da Grã-Bretanha disse que está reprimindo a prática de exportação por razões de bem-estar animal.

Na Irlanda, o Irish Greyhound Board está trabalhando com o governo em uma legislação para proteger os animais e está lançando um banco de dados digital para rastrear os cães de corrida depois que eles deixam o país.

Quinze cães explorados em corridas morrem e outros 517 são salvos na China

Dos 532 cachorros da raça galgo, explorados em corridas, que foram abandonados pela Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen), na China, 15 morreram e 517 foram resgatados nesta terça-feira (26) pela Sociedade de Animais de Macau (Anima) oito meses após o fechamento do estabelecimento que realizava as corridas.

Foto: Pixabay

“Ao final do dia, terão sido realojados 517 galgos, 15 morreram. (…) Foi uma operação super rápida para este tamanho”, afirmou Albano Martins, enquanto o resgate dos animais era realizado. As informações são do portal Expresso.

Os cães foram abandonados em julho de 2018. Em setembro, por não ter apresentado um plano de realojamento desses animais dentro de um prazo estabelecido, a Yat Yuen foi multada em 2,7 milhões de euros e a Anima recebeu autorização para “gerir todo o processo”.

“Não foi fácil, mas tínhamos uma rede montada internacional e essa rede internacional ajudou-nos muito, nós apenas tivemos que liderar o processo localmente, com os nossos parceiros do Instituto para os Assuntos Municipais [IAM] e da Yat Yuen”, disse Martins.

Cem organizações internacionais participaram do processo de realojamento e adoção dos cães. Todas elas condenam a exploração e a crueldade imposta aos cachorros durante as corridas e apontam a taxa de mortalidade a qual eles estavam sujeitos.

Para Martins, o processo “foi rápido” porque a Yat Yuen colaborou. “Vamos esquecer a guerra do passado”, disse ele ao afirmar que “a Yat Yuen garantiu as viagens” e todos os custos operacionais, fazendo com que o restante se tornasse apenas “uma questão de planificação”. Ao todo, a Yat Yuen desembolsou 7,6 milhões de euros durante todo o processo.

Um Centro Internacional de Realojamento de Galgos havia sido prometido por Angela Leong, então administradora da Yat Yuen, que pertencia à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (SJM), fundada pelo magnata do jogo Stanley Ho. A ideia pioneira, no entanto, não seguiu adiante.

“Foi uma vitória da Anima, que passou a ser [uma organização] considerada a nível mundial”, afirmou Martins. Segundo ele, a entidade levou oito anos para conseguir acabar com as corridas feitas pela Yat Yuen “e apenas seis meses para realojar [os galgos] todos”.

O governo de Macau havia dado, em 2016, dois anos de prazo para a Yat Yuen mudar a localização do estabelecimento onde as corridas eram realizadas e para melhorar as condições dos galgos explorados nos eventos ou o local seria fechado.

Em 2016, o Governo de Macau deu dois anos ao canídromo da cidade para mudar de localização e melhorar as condições dos cães usados nas corridas ou, em última instância, encerrar a pista, considerada por organizações internacionais uma das piores do mundo.

Para o presidente da IAM, José Tavares, “a Anima esforçou-se, em pouco meses resolveu [o problema] e isso é obra. São 500 e tal cães adotados em meio ano, isso eu acho que nunca aconteceu em lado nenhum”.

Os espaços e instalações usados para as corridas serão, agora, devolvidos pelo IAM aos Serviços de Finanças de Macau. O terreno, porém, já está reservado para fins educativos e deve ser ocupado por quatro escolas.

Dos 517 galgos resgatados, 307 serão enviados aos Estados Unidos, 60 para a Itália, 70 para o Reino Unido, 15 para a França, 5 para a Alemanha e 26 para Hong Kong, segundo o IAM. Outros 23 ficaram sob a responsabilidade da Anima, sendo que 19 deles ficarão em lares temporários para, depois, serem enviados à Austrália.

Mais de 50 mil galgos são mortos de forma cruel na Espanha após o fim da temporada de caça

Galgo resgatado de um poço | Foto: Guardia Civil Espanhola

Galgo resgatado de um poço | Foto: Guardia Civil Espanhola

Milhares de galgos estão enfrentando mortes terríveis após serem jogados em poços, amarrados aos trilhos de trens ou abandonados em estradas movimentadas com o fim da temporada de caça espanhola se aproximando.

Seres humanos egoístas descartam os cães para não terem que arcar com os gastos que o animal daria se continuasse vivo após o termino da temporada.

Ativistas pelos direitos animais estimam que a Espanha tenha em torno de 200 mil tutores de galgos registrados, cada um com até dez cães, e que até 50 mil galgos são abandonados ao final de cada temporada de caça.

ONGS lutam para absorver o afluxo de cães abandonados, muitos dos quais são deixados para se virarem sozinhos ou para serem enviados a abrigos que matam cães.

Outros são deixados para morrer em poços profundos, com donos cruéis fechando a entrada para que não haja chance de escapar.

Anna Clements que lidera a campanha para salvar os galgos, disse: “Este é o segredinho sujo da Espanha e algo que os turistas raramente veem”.

“Estamos esperando a chegada de milhões de cães abandonados mas, nem nós, nem outras ONGS podemos dar conta de tudo. Não podemos salvar a todos”, desabafa ela.

“Eles são descartados brutalmente quando deixam de ser úteis, das piores formas possíveis, um deles foi salvo de dentro de um poço quando uma pessoa que passava pelo local ouviu seus ganidos, a abertura do poço estava fechada com madeira”, conta ela.

Além de usados para caça, os galgos são colocados para fazer a “corrida da lebre”, em que dois cães competem para pegar uma lebre em campo aberto.

Cães com desempenho insatisfatório ou que não aderem a um código específico de caça são vistos como uma vergonha para os donos, o que os leva a serem descartados com selvageria.

Galgos são classificados como “animais de trabalho” e não entram na legislação que protege animais domésticos.

Geralmente eles são mantidos em porões escuros pela maior parte do dia e são muito mal alimentados para que quando saírem à caça eles estejam desesperados pela presa. Apesar de inglesa, Anna vive em Barcelona com seu marido, que é veterinário, e juntos eles dirigem uma ONG, a SOS Galgos.

“Os que tem sorte são encontrados e tem uma chance, os outros são deixados para morrer, na maioria das vezes sozinhos, sofrendo de dores excruciantes”, declara ela.

Os galgos são animais naturalmente calmos, amáveis e gentis mas são privados de todo amor e não sabem lidar com isso. Aqueles que sobrevivem ficam profundamente traumatizados e com problemas de confiança, mas Anna conta que a ONG, mesmo assim, consegue encontrar lares para eles, para que possam viver a vida que merecem.

Foto: Roger Allen

Foto: Roger Allen

“Os responsáveis pela caça costumavam pendurar os cachorros de pontes, mas isso acontece menos agora porque eles perceberam o quanto esse ato reflete mal neles próprios, mas eles ainda são abandonados regularmente em postos de gasolina, ao lado das estradas movimentadas e houve um caso no ano passado em que alguém amarrou 20 cães a um linha férrea e todos foram mortos quando o trem passou”, desabafa ela.

Anna explica que como essa é uma tradição antiga que persiste em áreas rurais, muitas pessoas tem medo de denunciar. Esta crueldade é escondida dos turistas mas o governo está demorando muito em tomar uma atitude porque o lobby da caça é muito poderoso.

O cão resgatado do poço perto de Toledo, a cerca de 100 quilômetros a sudoeste da capital Madri, vive agora com uma família em Barcelona.

Outro cão abandonado por um caçador, Naldo, foi adotado por Julie Marshall, de Birmingham.

“Turistas britânicos que descobriram a verdade sobre situação dos galgos tem sido muito gentis e generosos com a causa”, acrescenta Anna.

“Mas nós precisamos de mais fundos para salvar esses belos animais, movê-los para canis apropriados e então coloca-los para adoção para que encontrem famílias que os amem de verdade”.

Ana conta que nunca se acostumou, mesmo vendo o mesmo filme de horror todos os anos, com o nível de crueldade infligido a esses cães e sabe que sem a ajuda das ONGS, eles vão morrer.

O trabalho que Ana e as demais ONG fazem é apenas tratar as consequências do ato. A resposta correta seria a proibição completa de caçadas com galgos.

“Esses caçadores são a minoria da população espanhola e eles estão destruindo a reputação a reputação do país”, desabafa ela.

“Mais e mais pessoas estão ficando indignadas com essa prática brutal e as escolas estão começando a educar as próximas gerações sobre o bem estar animal. Mas nós estamos agora no final da temporada de caça que é exatamente o início da temporada de extermínio dos galgos e isso é trágico”, conclui ela.

Galgos descartados são maltratados e explorados para doar sangue

A triste vida dos galgos é fadada ao sofrimento desde o nascimento. Eles são explorados ainda muito pequenos para serem cães de corridas durante sua curta “vida últil”.

Com o desgaste excessivos dos músculos e ossos em competições, os animais sofrem de doenças crônicas após certo tempo em atividade. O destino final é o abandono ou a morte.

Escândalos recentes falam sobre mortes contínuas, uso de drogas nos animais e exportação ilegal.

Foto: PETA

A GREY2K USA, a maior organização sem fins lucrativos de proteção de cães galgo ingleses do mundo, resgatou dezenas deles de um matadouro na China, em junho de 2018.

O sofrimento para alguns animais não acaba quando são “aposentados” e, de alguma forma, ainda são torturados e abusados por pessoas  e empresas.

O Hemopet é uma empresa da Califórnia que afirma operar como um banco de sangue canino que “fornece componentes sanguíneos e suprimentos de última geração para transfusões para clínicas veterinárias em todo o país”.

Eles utilizam galgos que foram descartados da indústria de corridas e os “abrigam” em suas instalações, a fim de retirar regularmente seu sangue, que então é vendido para clínicas veterinárias na América do Norte e na Ásia para ajudar animais de domésticos doentes. Segundo eles, eventualmente, os galgos são colocados para adoção e encontram novos tutores.

Foto: PETA

À primeira vista, a missão do Hemopet parece bastante honrosa – mas os defensores do bem-estar animal têm sérias preocupações com o tratamento de cães nessa instalação.

No ano passado, um investigador da PETA ficou disfarçado no Hemopet por três meses e relatou que os galgos foram severamente maltratados e negligenciados.

Foto: PETA

“Os cães latem muito alto e persistentemente, e não há descanso para os animais com barulho constante”, disse Dan Paden, diretor associado de análise de evidências da PETA , ao The Dodo.

“Alguns dos trabalhadores gritavam com os cachorros: ‘Cale a boca, fique quieto, pare’, o que só aumenta o estresse, a ansiedade e o medo daqueles animais.”

“O investigador viu esses cães grandes, sociais e cheios de energia reduzidos a ‘bolsas de sangue’ de quatro patas “, disse Paden.

“Eles são mantidos em gaiolas tão pequenas que mal conseguem ficar de pé, mal conseguem se virar. Quando tentam se deitar, suas costas estão contra um lado da caixa, e dificilmente podem esticar seus quatro membros sem tocar o outro lado da grade.

Foto: PETA

Os cães só foram resgatados por dois motivos, segundo Paden – para doar sangue ou para uma curta caminhada.

“Os cães que foram descartados pela indústria de corridas … e, como todo cão, precisam de uma oportunidade para correr e brincar. Eles são retirados das gaiolas por apenas por cinco minutos e colocados em um caminho concreto como o chamado exercício”, ele disse.

Os galgos também não têm conforto e estímulo dentro de suas gaiolas. No máximo, eles podem ter um cobertor fino e um único brinquedo, disse Paden. Este confinamento terrível deixou muitos dos cães com problemas de saúde.

“A testemunha viu uma quantidade enorme de cães com de perda de pelos, calos e até bolsões de líquido acumulados nos membros desses animais”, disse Paden. “O veterinário que consultamos disse que todos esses problemas são os efeitos do confinamento constante em superfícies duras.”

Foto: PETA

Apesar de serem negligenciados por seus cuidadores, a maioria dos cães no Hemopet é desesperada por atenção, de acordo com Paden. Eles abanavam o rabo com força quando alguém se aproximava de seu canil – tanto que machucavam e quebravam as pontas de suas caudas. As informações são do The Dodo.

Estar preso em gaiolas era apenas um elemento da miséria dos cães – outro era o próprio processo de coleta do material. Os cães doam sangue a cada 10 ou 14 dias, e muitos ficaram doentes como resultado, de acordo com Paden.

Foto: PETA

“Muitos dos cães estavam à beira da anemia e com falta de glóbulos vermelhos”, disse Paden.

“Os cães ficavam letárgicos e apáticos após as retiradas e eram colocados de volta suas gaiolas sem monitoramento, o que é uma atitude perigosa e irresponsável. Sangramentos e hematomas no pescoço nos cães após a coleta de sangue é muito comum. ”

O sangue doado de cães são muito importantes para salvar vidas em clínicas veterinárias – alguns donos até mesmo oferecem seus animai como doadores, mas a forma como o Hemopet opera é extremamente controversa.

Nenhum dos cães é isento da coleta de sangue, inclusive aqueles doentes com condições como o lúpus. Tirar sangue de um cão doente não é apenas perigoso para esse cachorro em particular – também é perigoso para o cão que recebe o sangue, apontou Paden.

Mesmo vendendo sangue de cachorro por um alto preço, o Hemopet está registrado como uma organização sem fins lucrativos nos EUA, o que intrigou os defensores do bem-estar animal.

Foto: PETA

“Na verdade, fizemos uma queixa ao procurador-geral da Califórnia, pedindo-lhes para investigar, perguntando por que essa empresa tem status de instituição de caridade”, disse Paden.

“Encontramos discrepâncias muito grandes entre o que o Hemopet afirma em seu site e a verdadeira realidade dos animais – há falhas no exercício, na criação e nos cuidados dos animais”.

Paden também está preocupado com a afirmação do Hemopet de que é um centro legítimo de resgate e adoção.

“O investigador viu inúmeros cães que tinhas um cartaz sobre sua caixa, que dizia  ‘indo para casa’, o que supostamente indicava que esses cães haviam sido adotados”, disse Paden.

“Mas aqueles cães ficavam naquelas gaiolas e continuvam sendo sangrados por mais três ou quatro semanas. Eles não iam para casa porque Hemopet precisava encontrar outro cachorro para substituí-lo na fila de sangue.”

“Foi uma experiência reveladora e também muito dolorosa para a testemunha”, acrescentou Paden.

O The Dodo revelou que entrou em contato com o Hemopet  e que um porta-voz enviou uma declaração dizendo que a PETA “transmitiu informações infundadas sobre os serviços do Hemopet e dos bancos de sangue animal”.

A empresa enfatizou seu status de instituição de caridade e alegou ser uma “instalação exemplar” que leva em conta o bem-estar de seus cães.

“Nossos cães são atendidos por mais de 40 pessoas e voluntários adicionais que, direta e regularmente, andam e brincam com eles”, disse o porta-voz do Hemopet.

“Há uma escassez nacional de sangue seguro e compatível com o sangue para animais de companhia e de trabalho. Se não fosse pelos serviços de banco de sangue animal do Hemopet, inúmeros pacientes com necessidade de transfusões sofrerão e alguns morrerão”.

Enquanto o sangue é muitas vezes necessário para ajudar os animais de estimação doentes, Paden acredita que existem formas mais éticas de obter esse sangue.

“Há um número crescente de escolas de veterinária, que operam bancos de sangue comunitários bem-sucedidos, onde os animais, sejam cães ou gatos, vivem em casa com a família e, a cada três ou quatro meses, o guardião os leva até a clínica, ou até mesmo uma clínica móvel, e um técnico veterinário ou veterinário vai tirar sangue de animal com a finalidade de doá-lo”, disse Paden.

“Em troca disso, os animais recebem frequentemente cuidados veterinários gratuitos e, é claro, o animal chega em casa no final do dia, como um doador de sangue humano faria, e não apenas é jogado de volta em um ambiente não natural e estressante.”

Outra alternativa é que os veterinários peçam aos clientes que doem sangue de seus animais domésticos para ajudar outros animais em necessidade.

 

dois cachorros correndo em uma pista de terra

Pista de corrida de galgos será transformada em área habitacional

Ativistas pelos direitos animais receberam com satisfação notícias de que uma solicitação de planejamento foi enviada para construir quase 250 novas casas no lugar de uma das principais pistas de corrida de galgos na cidade de Manchester, Inglaterra.

dois cachorros correndo em uma pista de terra

Foto: Adobe

A pista Belle Vue foi construída em 1926, tornando-se a primeira pista especializada em corrida de cães na Inglaterra. Os ativistas protestam do lado de fora da pista toda semana, segurando cartazes que dizem: “Galgos explorados, abusados, mortos” e “você aposta, eles morrem”.

Esses ativistas dizem que é essencial que os planos habitacionais passem, para salvar os galgos que são explorados na pista.

“De acordo com as regras do Greyhound Board of Great Britain (GBGB), galgos podem ser mortos por motivos econômicos, isso também se aplica a cães com ferimentos básicos sofridos durante uma colisão ou queda, onde pode não ser rentável tratá-los” disse Rita James, fundadora da Caged Nationwide, que trabalha para levar a situação dos cães à atenção do público britânico.

“A indústria depende da criação em massa de galgos, portanto, os milhares que não são adequados para corridas podem ser assassinados antes mesmo de chegarem a correr numa pista.”

De acordo com dados do GBGB, mais de 1 mil cães foram mortos devido a corridas durante o ano de 2017.

Ela acrescentou: “Nós expusemos casos de crueldade em inúmeros canis de treinamento de galgos, e apesar das evidências chocantes, essas mesmas pessoas ainda continuam a ser licenciadas pelo GBGB, permitindo que continuem a manter inúmeros cães e obrigá-los a correr em pistas, incluindo Belle Vue. Vemos que o lucro é priorizado acima dos cães.”

“Sob tais circunstâncias, vamos pedir ao GBGB que encoraje seus funcionários a mandarem os cães para abrigos. A maioria dos abrigos independentes não exige taxas para os custos veterinários, como esterilização e odontologia, e depende de financiamento público.”