Uma mulher que participava de uma festa em uma casa em Londrina, no Paraná, decidiu ir embora e levar consigo o gato que vivia na casa. Ela alega que o animal estava sofrendo maus-tratos dos participantes da festa e que o levou para protegê-lo.

(FOTO: REPRODUÇÃO)
O caso aconteceu na noite de segunda-feira (4) e no dia seguinte, após receber uma negativa ao pedir o gato de volta, o tutor do animal acionou a polícia. As informações são do portal RIC Mais.
A jovem, que preferiu não ser identificada, conta que esta foi a segunda vez em que ela esteve na casa, mas que nesta ocasião se surpreendeu ao perceber que o gato estava sendo maltratado.
“Assim que cheguei lá, já havia várias pessoas no local e o gato estava deitado no sofá. Uma das meninas (eu não sei o nome, não conheço) começou a cutucar o gato, muito bruscamente, enquanto as pessoas do lado riram. Eu já fiquei meio de olho, mas não me pronunciei, quando vi o gato achei que ele estava dormindo. Porque inclusive quando ela cutucou o animal, ele não teve reação, ela então pegou ele no colo e chacoalhou muito forte, e disse ‘eu quero saber se ele ainda está vivo’. Daí em diante eu fiquei de olho nele, as pessoas ‘tacavam’ ele de um lado pro outro, assopravam a brasa de narguilé nele, aí, um dos meninos pegou ele, eu falei ‘me dá aqui o gato’”, contou.
Protetora de animais, ela afirma que só retirou o gato do local porque considerou que ele estava sofrendo abusos. Relatos chegaram até ela de que, inclusive, tinham dado bebida alcoólica para o animal.
O tutor do gato, porém, discorda da atitude da jovem. “Ele é um gato muito manhoso, muito carinhoso. Onde a gente ‘tá’, ele ‘tá’. E como eu não podia deixar o gato fechado, eu deixei ele solto. Eu não sei em que momento viram ela maltratando o gato. Eu não vi isso. Ela deveria ter me informado, mas o que aconteceu foi o seguinte: ela entrou na minha casa, eu não conheço, convidada por outra pessoa, pegou o gato e levou embora”, afirmou Clayton Muriel Striker.
A protetora, no entanto, dá outra versão sobre o caso e diz que avisou que estava levando o gato embora. “Chegou uma altura em que eu falei ‘estou indo embora e vou levar o gato’, alguns deram risada, abriram a porta pra mim, e eu saí, chamei um Uber e vim pra a minha casa. Cheguei e falei para minha mãe sobre os maus-tratos e falei pra a gente cuidar e no outro dia ver se iríamos ficar com ele ou colocar para doação”, disse a jovem, que, inclusive, fez fotos do gato no momento em que o resgatou para mostrar que ele não estava bem. Nas imagens, o animal aparece parcialmente molhado e aparentemente desacordado.
Boletim de ocorrência
Após tentar, sem sucesso, ter o gato de volta, Clayton decidiu acionar a polícia. “A gente entrou em contato com ela, ela confessou que estava com o gato. A gente tentou fazer um pedido formalmente para ela devolver, ela falou que não ia devolver. Eu liguei na Polícia Militar, eles me indicaram para eu ir fazer um boletim de ocorrência, eu fui fazer e eles me falaram que eu poderia ir até a residência dela e pedir o apoio de uma viatura, para eu recuperar o animal que era meu. Chegando lá, ela não quis entregar, falando que realmente o animal estava lá e ela não ia entregar”, contou.

(FOTO: REPRODUÇÃO/RICTV)
A protetora de animais confirmou a situação e reforçou que agiu pensando no bem-estar do gato. “Quando polícia chegou na minha casa, a primeira coisa que eu disse foi ‘sim ele está aqui e se quiserem podem entrar pra ver’. Eu avisei que estava trazendo ele, eu não escondi em momento nenhum, eu só disse que eu não iria devolver para maus-tratos. E não o fiz”, relatou.
Levados para a delegacia, os dois assinaram um termo circunstanciado – o tutor pelo crime de maus-tratos a animais e a jovem pelo ato infracional de uso arbitrário da força, por ter levado o gato sem permissão do tutor.
“Eu não me arrependo do meu ato, faria novamente, não negaria socorro a um animal indefeso, como eu disse em momento nenhum furtei, retirei o animal avisando que eu estava retirando. Não havia motivo para falar de furto, quando eu mesma mandei a foto do gato para que ele visse que o animal estava bem e propus que conversássemos no outro dia”, concluiu.
O gato foi levado para uma clínica veterinária, onde permanecerá até que uma audiência, que será realizada em abril, decida se o animal voltará para o tutor ou ficará sob a tutela da protetora que o resgatou.