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O governo australiano afirma que planeja matar cerca de 2 milhões gatos selvagens até 2020 sob o pretexto de que os animais representam um perigo para 124 espécies nativas ameaçadas de extinção.
O anúncio do plano de extermínio foi feito pela primeira vez em 2015, quando o governo afirmou que disponibilizaria um fundo de US$ 5 milhões (cerca de R$ 20 milhões) para incentivar grupos comunitários de caçadores a realizarem o controle populacional dos animais, mas, recentemente, segundo matéria da BBC, a nova estratégia será o uso de petiscos envenenados que serão espalhados com a ajuda de drones e aviões.
A morte em massa dos animais faz parte de uma das metas propostas pelo Estratégia para Espécies Ameaçadas, documento lançando em 2015 que prevê ainda a erradicação de gatos selvagens de cinco ilhas e concentrar os animais sobreviventes em uma área de 2 milhões de hectares.
Os gatos que estão sendo massacrados pertencem a mesma espécie dos animais domésticos. São animais sem lar introduzidos pelos colonizadores que se adaptaram e se reproduziram rapidamente em ambiente selvagem. Estima-se que a população de gatos ferais na Austrália seja de aproximadamente 6 milhões de animais.
Questionado sobre o perigo do veneno para outras espécies, o governo australiano informou que especialistas sintetizaram toxinas à base de plantas que não afetem a fauna nativa devido à resistência natural e sejam fatais para os gatos, que são naturalmente exóticos.
Um dos venenos interrompe a capacidade das células dos animais de produzirem energia, fazendo com que os gatos percam a consciência e morram, outro impede que o oxigênio chegue ao cérebro e outros órgãos vitais dos animais. As mortes não são necessariamente instantâneas e não há estudos que comprovem que as toxinas não causem sofrimento aos animais, apesar do governo afirmar que o método é “humana, efetiva e justificável”.
Assustadoramente, a condenação dos animais à morte é banalizada a tal ponto, que o governo criou um serviço online, o site Feral Cat Scan, onde moradores podem “denunciar” avistamentos de gatos selvagens para que equipes se desloquem até o local para colocar os petiscos feitos com carne de canguru envenenados. A
pesar do plano de supostamente matar 2 milhões de animais, que já estão sendo mortos há pelo menos três anos, não há dados sobre o número de vítimas e nem censos populacionais recentes. Após a conclusão do projeto de extermínio, também não foi divulgado ainda propostas de políticas públicas para impedir que os animais se reproduzam rapidamente novamente.
Enfrentamento
O anúncio feito pelo governo australiano não foi recebido com passividade por ativistas em defesa dos direitos animais. Uma petição foi criada e ganhou o apoio de 30 mil pessoas, além da atriz francesa Brigitte Bardot, que enviou uma carta para o ministro do Meio Ambiente australiano. “Esse genocídio animal é desumano e ridículo. Além de ser cruel, matar esses gatos é absolutamente inútil, já que o resto deles continuará se reproduzindo”, disse.
Ativistas sugerem que há alternativas mais éticas para realizar o controle populacional dos animais que não têm culpa de terem sido introduzidos no país e tampouco de se reproduzirem. Eles sugeriram que fossem disponibilizadas armadilhas, para que os gatos fossem capturadas, esterilizados e devolvidos à natureza. Em resposta, o governo australiano se limitou a responder que a proposta não é “realista”.