Aquecimento reduz geleiras às dimensões de 115 mil anos atrás

Por David Arioch

Pendleton aponta que tanto as geleiras pequenas quanto às grandes estão derretendo mais rapidamente do que em qualquer outro período da história moderna humana (Foto: Universidade do Colorado)

De acordo com um estudo publicado recentemente na revista científica Nature Communications, o aquecimento atmosférico, associado às emissões de gases do efeito estufa, já reduziu geleiras da Ilha de Baffin, a maior do Canadá, às dimensões de 115 mil anos atrás. A conclusão é do cientista do clima da Universidade do Colorado, em Boulder, Simon Pendleton.

O derretimento foi tão severo que expôs fragmentos de plantas que não recebiam luz do sol há pelo menos 40 mil anos. Segundo o estudo, o planeta inteiro está passando por aquecimento desde a Segunda Revolução Industrial.

O que significa que o ser humano começou a liberar grandes quantidades de gases do efeito estufa na atmosfera ainda no século XIX – o que se intensificou ainda mais nas últimas décadas.

E como consequência, o impacto maior do aquecimento acaba sendo em regiões como o Ártico, já que as temperaturas atmosféricas do norte do planeta aumentam muito mais do que em qualquer outra parte do mundo.

Pendleton aponta que tanto as geleiras pequenas quanto às grandes estão derretendo mais rapidamente do que em qualquer outro período da história moderna humana.

Porém, o cientista destaca que não é possível dizer se isso já aconteceu em algum momento da história da humanidade – ou se houve até mesmo um aquecimento maior. No entanto, se aconteceu, provavelmente não está associado às ações humanas como agora.

Dia Mundial do Pinguim: mudanças climáticas expõe a espécie a risco

O Dia Mundial do Pinguim, celebrado em 25 de abril, foi criado para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de preservar a espécie, que é ameaçada pelas mudanças climáticas.

A Antártida, habitat de pinguins, é um dos locais do planeta que mais tem sofrido aumento na temperatura. Foram quase três graus nos últimos 50 anos. Pesquisadores consideram a situação dramática e lembram que esforços drásticos precisam ocorrer para reverter o quadro atual.

Foto: Pixabay

Com a mudança climática, a perda anual de massa de gelo acelerou. Segundo um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o aumento dessa perda foi de seis vezes em comparação a 40 atrás.

De acordo com dados da Nasa, os últimos cinco anos têm sido os mais quente da história, a níveis globais, desde 1880. Uma das consequências dessa mudança na temperatura é o afastamento das geleiras e o deslocamento dos animais, inclusive os pinguins. Com o habitat sendo devastado, a espécie sofre e corre risco de ser extinta.

O pinguim é uma ave oceânica nativa do hemisfério sul. Ele tem nadadeiras, ossos pneumáticos e penas impermeabilizadas por óleos. O corpo deles possui uma camada de gordura espessa, que conserva o calor. Esses animais podem permanecer embaixo da água por longos minutos e possuem visão adaptada ao mergulho.

As colônias reprodutivas, denominadas pinguineiras, podem reunir mais de 150 animais. Após alguns meses de procura, os pinguins encontram seus parceiros, com quem ficam juntos durante toda a vida. No inverno, eles se separam, mas na nova estação reprodutiva usam a vocalização para se reencontrar. Quando se aproximam novamente, fazem a dança nupcial, que fortalece a união entre eles. Nesta cerimônia, pedras para a construção do ninho são ofertadas e saudações são feitas. A fêmea se curva em sinal de aceitação e a reprodução acontece. Após o ninho ser construído, a fêmea coloca os ovos, que são chocados de forma alternada pelos pais. Além disso, o macho é o responsável para buscar alimento para os filhotes.