Etiópia planta 350 milhões de árvores para combater a mudança climática

Foto: Reuters

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A Etiópia acaba de bater um recorde mundial na luta contra a mudança climática.
Em um único dia, o país plantou mais de 350 milhões de árvores.

Anteriormente, a Índia detinha o recorde de mais árvores plantadas em um dia, o país atingiu 50 milhões de árvores em 24 horas em 2016.

O sucesso do plantio de árvores na Etiópia foi o resultado de um esforço nacional conjunto contra as mudanças climáticas. A iniciativa nacional Legado Verde – uma campanha do governo por uma Etiópia mais verde, mais limpa e mais amiga do meio ambiente – tem como objetivo que quatro bilhões de árvores sejam plantadas em todo o país até o final do verão.

Foto: Egypttoday

Foto: Egypttoday

O governo está incentivando todos os cidadãos a plantar pelo menos 40 mudas de árvores. Até mesmo os escritórios públicos foram fechados em 29 de julho para que os funcionários públicos pudessem participar da campanha.

Uma solução simples?

No mês passado, um estudo revelou o potencial incomparável das árvores no combate às mudanças climáticas. Os cientistas revelaram que o plantio de bilhões de árvores ao redor do mundo é a maneira mais rápida e barata de ganhar mais tempo aos seres humanos para salvar o planeta.

Segundo o professor Tom Crowther, da universidade suíça ETH Zürich, onde o estudo foi realizado, o plantio de árvores é uma solução mais simples do que a maioria,porém mais eficaz, relata o Guardian.

Não envolve convencer o presidente Trump do perigo da mudança climática ou a invenção da tecnologia difundida para sugar o dióxido de carbono do ar. É uma maneira dos indivíduos se envolverem de maneira mais fácil e instantânea. Todos podem plantar uma árvore.

Foto: Livekindly Reprodução

Foto: Livekindly Reprodução

“As árvores não apenas ajudam a mitigar a mudança climática absorvendo o dióxido de carbono no ar, mas também têm enormes benefícios no combate à desertificação e à degradação da terra, particularmente em países áridos”, disse o Dr. Dan Ridley-Ellis, chefe do centro de ciência e tecnologia da madeira na Edinburgh Napier University, para o Guardian.

Ele continuou: “elas também fornecem comida, abrigo, combustível, forragem (alimento para animais), remédios, materiais e proteção do suprimento de água. Esse feito verdadeiramente impressionante [da Etiópia] não é apenas o simples plantio de árvores, mas parte de um enorme e complicado desafio para levar em conta as necessidades de curto e longo prazo das árvores e das pessoas ”.

“O mantra do engenheiro florestal” a árvore certa no lugar certo “precisa cada vez mais considerar os efeitos da mudança climática”, acrescentou ele, “bem como a dimensão ecológica, social, cultural e econômica envolvidas no processo”.

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Governo faz churrasco na Esplanada dos Ministérios com mais de 4 mil peixes mortos

O governo promove nesta quarta-feira (7) um churrasco na Esplanada dos Ministérios. Mais de 4 mil peixes foram mortos para o evento.

Tambaquis mortos para consumo humano (Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM/Imagem Ilustrativa)

Da espécie tambaqui, os animais marinhos foram doados ao governo por uma associação de criadores de Rondônia que os explora para consumo humano.

O evento tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que é conhecido por apoiar práticas que exploram, maltratam e matam animais – como a caça, o rodeio e a vaquejada. De acordo com informações oficiais do governo, a presença do presidente no churrasco foi confirmada.

Os peixes serão cortados, assados e distribuídos à população, o que incentivará o consumo de peixe, condenando-os ainda mais a uma vida de muito sofrimento.


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Reino Unido pretende cortar o consumo de carne e laticínios de 50% até 2030

Foto: Adobe

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O Reino Unido deve reduzir seu consumo de carne e laticínios em 50% até 2030, conforme informações divulgadas por membros do parlamento do bloco de países no início desta semana.

A Aliança Eating Better (Comendo melhor, na tradução livre), formada por mais de 60 organizações, incluindo a Compassion in World Farming e a WWF, apresentou um relatório aos políticos, empresas e ONGs em Westminster, Inglaterra.

Segundo o lema da Aliança, “Melhor pela metade: um roteiro para menos e melhor carne e laticínios”, a iniciativa fornece “ações para ajudar a criar o ambiente certo para as pessoas se alimentarem melhor, de forma que elas façam bem para elas mesmas e para o planeta”.

Mudando hábitos alimentares

A Aliança Eating Better diz que o momento para agirmos e passarmos a comer “menos carne e laticínios e melhorar a qualidade da alimentação com vegetais” é bem evidenciado, citando o impacto nocivo que a criação de animais tem no planeta.

“O valor de diversificar a alimentação incluindo mais vegetais, grãos integrais, nozes, sementes e leguminosas é claro. Mas nem sempre é fácil para as pessoas fazerem boas escolhas alimentares. A aliança Eating Better entende que este é um desafio complexo que ninguém consegue por conta própria”, acrescenta.

A iniciativa identificou 24 ações voltadas para o governo, serviços alimentares, varejo, produtores de alimentos e investidores, dizendo que “fornecer o ambiente certo” será mais eficaz para fazer as pessoas mudarem a maneira de comer, do que “dizer às pessoas o que podem e não pode comer “.

Opções alimentares

“Sabemos que, onde vivemos, o trabalho desempenha um grande papel em nossa saúde e bem-estar. As crianças das áreas mais pobres, com os ambientes alimentares menos saudáveis, têm duas vezes mais chances de serem obesas do que suas contrapartes mais ricas”, disse Shirley Cramer da Royal Society for Public Health (Sociedade Real para Saúde Pública) disse em um comunicado.

“É vital que tenhamos políticas nacionais e locais robustas para melhorar o meio ambiente, para que a opção alimentar padrão seja saudável. Somente então começaremos a enfrentar nossas crescentes desigualdades em saúde.”

Comer de forma mais sustentável

“A Aliança Eating Better tem sido encorajada e apoiada por recentes anúncios do governo do Reino Unido. Eles estabeleceram uma legislação para o bloco de países com o objetivo de contribuir com zero emissões de gases de efeito estufa até 2050 e anunciaram uma revisão independente para informar uma Estratégia Nacional de Alimentos”, disse Simon Billing, executivo Diretor do Eating Better.

“Nós da Aliança estamos ansiosos para ver esses compromissos se tornarem ações, pois há um sentimento de que o governo ficou para trás dos consumidores, produtores e empresas de alimentos por muito tempo. Eles precisam estar à mesa para criar o ambiente certo para as pessoas comerem de forma mais sustentável”.

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Construção de barragem hidrelétrica em reserva ameaça rinocerontes e elefantes

Vista aérea mostra o rio Rufiji durante o lançamento da construção do projeto Rufiji Hydro Power | Foto: REUTERS

Vista aérea mostra o rio Rufiji durante o lançamento da construção do projeto Rufiji Hydro Power | Foto: REUTERS

O presidente da Tanzânia inaugurou o enorme e polêmico projeto da construção de uma barragem hidrelétrica em uma reserva de vida selvagem no centro das advertências e esforços para proteger as populações de rinocerontes e elefantes.

Grupos conservacionistas se opuseram ao projeto da Stiegler’s Gorge, na Reserva de Selous Game Reserve, a maior área de vida selvagem do país, que, segundo a Unesco, tem uma das concentrações mais significativas de elefantes e rinocerontes negros do mundo.

O presidente John Magufuli chamou o projeto de “o início da liberação econômica”, dizendo que a reserva – que também é um paraíso para guepardos e girafas – tem sido considerada uma fonte de energia potencial por décadas.

Apenas uma em cada 10 famílias na nação do leste da África tem acesso à rede nacional e os preços da eletricidade são altos.

“A partir de hoje, isso indicará que a Tanzânia é um país independente e não um país pobre”, disse Magufuli.

O projeto, que deverá levar três anos para ser finalizado, e levará a derrubada de 2,6 milhões de árvores para inundar uma área de cerca de 1.200 km2, incluindo os habitats dos últimos rinocerontes negros do local.

A barragem teria 130 metros de altura e se estenderia 700 metros através do Canyon Stiegler no Rio Rufiji, em um Patrimônio Mundial da Unesco, uma das maiores áreas protegidas da África e relativamente não perturbada por humanos.

O presidente disse que espera que o projeto impulsione o desenvolvimento industrial na região.

“É hora de nos beneficiarmos de nossos recursos nacionais”, disse ele.

Os opositores do projeto dizem que a barragem também pode ameaçar a subsistência de dezenas de milhares de pessoas que moram nas proximidades do projeto e dependem do rio para agricultura e pesca.

No mês passado, a IUCN, juntamente com o Centro do Patrimônio Mundial da Unesco, pediu a suspensão imediata da atividade madeireira e outros preparativos do projeto, alertando sobre “danos irreversíveis” se ele fosse adiante.

Uma revisão independente encomendada pela IUCN destacou a “inadequação” da avaliação de impacto ambiental.

“A construção dessa barragem cortaria o coração da reserva de Selous, com impactos catastróficos na vida selvagem e habitats do local”, disse Peter Shadie, do Programa de Patrimônio Mundial da IUCN.

Após a inauguração, o Worldwide Fund for Nature (Fundo Mundial para a Natureza) disse que a reserva era de “importância extraordinária” e pediu ao governo da Tanzânia para considerar “alternativas energéticas menos nocivas”.

Mas no início deste mês, Magufuli minimizou os temores pelo meio ambiente, dizendo que, ao fornecer energia, a barragem impediria os moradores locais de derrubar árvores para combustível.

“Eu quero tranquilizar a todos sobre este projeto, que na verdade, visa promover o meio ambiente”, disse Magufuli, disse o Business Day.

“Além disso, é apenas uma pequena parte da reserva – apenas 3% da área total”.

O presidente disse que a represa não atenderia apenas às necessidades nacionais de eletricidade, mas também forneceria energia para exportação.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia da Tanzânia crescerá 4% este ano, em comparação aos 6,6% no ano passado.

A Elephant Protection Initiative (Iniciativa de Proteção ao Elefante) disse que o fato de um país líder em vida selvagem (lar de muitos animais selvagens) estar “preparado para contemplar o afogamento de ‘jóias da coroa natural’ em busca de megawatts deve servir como um alerta para todos na conservação”.

“Destruir o habitat pode apresentar a ilusão de ganhos econômicos de curto prazo, mas a longo prazo é contraproducente, não apenas para a vida selvagem, mas também para pessoas e economias.”

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Senadores americanos propõem declaração de emergência ambiental

Foto: Saul Loeb/AFP/Getty Images

Foto: Saul Loeb/AFP/Getty Images

Um grupo de parlamentares dos EUA, incluindo o candidato presidencial democrata para as eleições de 2020, Bernie Sanders, está propondo declarar a crise climática como uma emergência oficial – um reconhecimento significativo da ameaça ambiental após considerável pressão de grupos ambientalistas.

Alexandria Ocasio-Cortez, a congressista democrata de Nova York, e Earl Blumenauer, um congressista democrata do Oregon, planejam apresentar a mesma resolução na Câmara na terça-feira, confirmaram seus gabinetes.

Um porta-voz de Sanders disse: “O presidente Trump rotineiramente declara as emergências nacionais como falsas para promover sua agenda profundamente impopular, como a venda de bombas da Arábia Saudita que o Congresso havia bloqueado.

“Sobre a ameaça existencial da mudança climática, Trump insiste em chamar isso de fraude. O senador Sanders tem orgulho de se associar com seus colegas da Câmara para desafiar esse absurdo e fazer com que o Congresso declare o que todos sabemos: estamos diante de uma emergência climática que requer uma mobilização federal maciça e imediata”.

Ativistas do clima pediram a declaração, uma vez que os dados mostram que as nações não estão fazendo o necessário para limitar o nível de aquecimento perigoso do planeta de forma significativa. A ONU alertou que o mundo está passando por um desastre climático a cada semana. Uma nova análise da empresa econômica Rhodium Group considera que os EUA podem alcançar menos da metade da porcentagem de redução da poluição que prometeu a outros países em um acordo internacional.

Dezesseis países e centenas de governos locais, incluindo a cidade de Nova York no mês passado, já declararam emergência climática, de acordo com o grupo de defesa da mobilização climática. O grupo ativista Extinction Rebellion disse que a declaração é o primeiro passo crucial para enfrentar a crise.

O gabinete de Blumenauer disse que decidiu redigir a resolução depois que Donald Trump declarou uma emergência na fronteira dos EUA com o México para que ele pudesse construir um muro entre os dois países.

No Congresso, os democratas que controlam a Câmara podem ter apoio suficiente para a resolução, mas os republicanos na maioria do Senado provavelmente não aprovarão.

A resolução diz: “O aquecimento global causado pelas atividades humanas, que aumentam as emissões de gases de efeito estufa, resultou em uma emergência climática” que “afeta severa e urgentemente o bem-estar econômico e social, a saúde e a segurança, e a segurança nacional do país”.

Em seguida, o texto da resolução diz que o Congresso “exige uma mobilização nacional, social, industrial e econômica dos recursos e do trabalho dos Estados Unidos em grande escala”

Trump e sua administração questionaram a ciência na afirmação de que os humanos estão causando a crise climática. Eles minimizaram os riscos do aumento das temperaturas e destruíram os esforços do governo para limitar a poluição causada por parques industriais, carros e outras fontes.

Apesar desse registro, Trump elogiou os EUA como líder ambiental em um discurso na segunda-feira na Casa Branca.

Mesmo que a resolução fosse aprovada e assinada pelo presidente, isso não forçaria nenhuma ação sobre a mudança climática. Mas os defensores dizem que esforços semelhantes no Canadá e no Reino Unido serviram como um ponto de alavancagem, destacando a hipocrisia entre a posição do governo de que a situação é uma emergência e decisões individuais que exacerbariam o problema.

Vários democratas que concorrem à presidência lançaram planos parciais ou completos para reduzir as emissões. Quase todos disseram que é uma questão importante. Sanders tem um histórico de priorizar a crise climática e já sugeriu opções políticas específicas, mas ainda não divulgou sua própria proposta.

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Intenção de Bolsonaro de rever taxa para visitar Fernando de Noronha (PE) ameaça o meio ambiente

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que vai rever uma taxa ambiental cobrada para visitar o Parque Nacional Marinho, do qual fazem parte algumas das praias mais famosas de Fernando de Noronha (PE), como a do Sancho e a Baía dos Porcos. A declaração do presidente expõe mais uma ação de desmonte das políticas de proteção ambiental promovida pelo governo. Atualmente, os turistas brasileiros pagam R$ 106 para visitar o local e os estrangeiros desembolsam R$ 212 – valores válidos por dez dias.

Morro dos Dois Irmãos, em Fernando de Noronha (Foto: Fábio Seixo / Agência O Globo)

O parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente, e a taxa cobrada para visitação, além do controle rígido do número de visitantes, para que não exceda o permitido, são ações importantes para garantir a manutenção do local e proteger a fauna e a flora. Além dessa cobrança, para entrar em Fernando de Noronha o turista também paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), cobrada e arrecadada pelo Governo Estadual de Pernambuco. O valor, usado para administrar a ilha, varia de acordo com a quantidade de dias que o visitante permanece em Noronha e começa em R$ 73,52, segundo informações do jornal O Globo.

Ao criticar a taxa, Bolsonaro afirmou que o valor dela “explica porque quase inexiste turismo no Brasil”. Os dados divulgados pelo portal oficial do Ministério do Turismo, no entanto, desmentem o presidente. Isso porque, em 2018, os turistas gastaram US$ 5,9 milhões em viagens pelo Brasil.

“Isso é um roubo praticado pelo GOVERNO FEDERAL (o meu Governo). Vamos rever isso”, escreveu o presidente ao criticar a taxa instituída em 2012 por uma portaria do Ministério do Meio Ambiente.

Projeto Tamar presta atendimento à tartaruga (Foto: Eduardo Vessoni)

Não satisfeito em atacar a medida que visa a proteção do parque, Bolsonaro ainda pediu que a população “denuncie práticas porventura semelhantes em outros locais”, deixando claro que pretende estender o desmonte das políticas ambientais para outras regiões.

O ICMBio e o Ibama foram procurados para comentar a declaração de Bolsonaro, mas não se posicionaram e deram a orientação de que o Ministério do Meio Ambiente fosse consultado. A pasta, por sua vez, não respondeu ao questionamento até a publicação da reportagem. O governo de Pernambuco disse que não se pronunciaria.

Santuário para espécies ameaçadas

Reconhecido e tombado, em 2001, pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial da Humanidade, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (PARNAMAR-FN) foi criado em 14 de setembro de 1988 para proteger os animais, os ecossistemas e os demais recursos naturais da região.

Piscina natural na Trilha dos Abreus (Foto: Eduardo Vessoni)

A área, segundo o parque, é considerada uma das mais importantes para a reprodução de aves marinhas do Atlântico e funciona como “um refúgio perfeito para diversos grupos ameaçados de extinção, como cetáceos (baleias), tartarugas, ouriço-satélite, coral-de-fogo e tubarão-limão”.

O parque abriga aproximadamente 230 espécies de peixes e 15 de corais. Também vivem no local golfinhos-rotadores e várias espécies de tubarões e raias.

Suspensão de taxa compromete parque

Ambientalistas denunciam que a suspensão da taxa cobrada para que visitantes acessem o parque comprometeria ainda mais a já insuficiente infraestrutura do local.

De acordo com o professor do Instituto Oceanográfico da USP e responsável pela Cátedra Unesco para Sustentabilidade dos Oceanos, Alexander Turra, o fim da taxa tem caráter populista e pode afetar o meio ambiente de maneira negativa.

“Se há uma taxa de turismo e limitação de acesso de pessoas, é porque esse instrumento de gestão está adequado e dimensionado de acordo com a capacidade de esgoto, de água do local. Sem isso, há risco para o meio ambiente”, disse Turra, em entrevista ao jornal O Globo. “O que compromete o turismo no Brasil não são as taxas, cujas cobranças são feitas em poucos parques. O problema do turismo é a falta de estrutura, saneamento, coleta do lixo, que é o que faz com que as praias percam qualidade e se tornem impróprias”, completou.

Trilha do Piquinho, localizada na ilha de Fernando de Noronha (Foto: Eduardo Vessoni)

Além de prejudicar o parque, a declaração do presidente contraria uma política do próprio Ministério do Meio Ambiente, conforme explicou a diretora Executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação, Angela Kuczach. Isso porque a pasta defende concessões para administração de parques e o ministro Ricardo Salles anunciou, inclusive, que pretende fazer 20 novas concessões até o final de 2019.

“Quando Bolsonaro fala do acesso à Praia do Sancho, está falando do valor pago para chegar naquelas áreas através do serviço prestado por uma concessionária, que é exatamente a agenda que o Ministério do Meio Ambiente vem defendendo”, disse. “Ainda sobre as concessionárias, o valor é este porque foi feito um estudo de viabilidade econômica para determinar que aquela área poderia ser concessionada, foi aberto um edital. Não é algo que saiu da cabeça de alguém. Teve todo um processo que ele parece desconhecer”, acrescentou.

Pousadeiros são contra extinção da taxa

A Associação dos Pousadeiros de Fernando de Noronha criticou a decisão de Jair Bolsonaro de rever a taxa cobrada para acessar o Parque Nacional Marinho e se posicionou contra a declaração do presidente de que “quase inexiste turismo no Brasil”.

Pousada com vista para a Baía do Sueste (Foto: Eduardo Vessoni)

“Não dá pra encher a ilha de visitantes como quer o presidente. Precisamos alertar que é necessário controlar o número de pessoas”, disse Ivan Costa, presidente da Associação dos Pousadeiros, em entrevista à revista Época. “Somos contra cobrar mais caro dos estrangeiros. Deveria ser o mesmo valor para todos. Mas o ingresso garante que a manutenção do parque seja realizada por uma concessionária que cuida, por exemplo, dos acessos às praias”, completou.

O empresário José Maria Coelho, de 63 anos, explicou ainda que o aumento do número de turistas na ilha esbarra também na infraestrutura local.

“Sabe qual é o principal problema de Noronha? É a água. Obtemos por meio de poços artesianos ou pelo processo de dessalinização. É uma capacidade limitada que não daria conta de um aumento repentino do número de pessoas na ilha”, afirmou Coelho.

Morro Dois Irmãos (Foto: Eduardo Vessoni)

De acordo com o empresário, o fornecimento de energia elétrica é outra vulnerabilidade da ilha que impede o aumento do número de visitantes no local. “Quase 95% da energia vem de uma termelétrica existente em Noronha. Um aumento do consumo de energia também precisa ser levado em consideração se a ideia for aumentar a presença de turistas”, disse.

“O governo tem todo o direito de revisar os valores. Não acho que o cancelamento seria a solução ideal. Mas, com taxa ou sem taxa, é preciso ter um controle e dimensionar a entrada de pessoas, porque existe uma limitação na ilha para receber os turistas”, finalizou.


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Retrocessos ambientais de Bolsonaro podem levar à destruição irreversível da Amazônia

Os desmontes da agenda ambiental promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) podem fazer com que a destruição da Amazônia atinja um limite irreversível “em dois governos Bolsonaro”, segundo o cientista Paulo Artaxo, doutor em física atmosférica pela Universidade de São Paulo (USP) e estudioso da Amazônia desde 1984, época em que viajou para a floresta pela primeira vez para realizar uma pesquisa para seu doutorado.

(Foto: Think Stock)

Segundo estimativas, se uma área de 40% da floresta for desmatada, o restante não consegue sustentar o funcionamento de um ecossistema de uma floresta tropical chuvosa e, assim, parte da floresta poderia se transformar em cerrado. Até o momento, 20% da Amazônia já foi destruída.

“É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos”, explica Artaxo.

Atualmente, o cientista supervisiona o Projeto LBA – uma torre de 325 metros que investiga a atmosfera amazônica e que permitiu que Artaxo ajudasse a desvendar a formação das nuvens de chuva na região – e vai à Amazônia pelo menos uma vez ao mês.

Membro, desde 2003, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Artaxo é um dos 12 brasileiros que integram a lista dos 4 mil cientistas mais influentes do mundo, feita pela Highly Cited Researchers 2018 a partir de números de citações em artigos acadêmicos.

Em entrevista à BBC News Brasil, Artaxo afirmou que a pressão de outros países é o único caminho que pode frear o atual desmonte da fiscalização e da legislação ambientais iniciadas no governo Bolsonaro. Ao ter sua polícia ambiental criticada pela chanceler alemã Angela Markel, Bolsonaro respondeu, na última semana, após chegar ao Japão para cúpula do G20, que não foi ao encontro para “ser advertido” e que a Alemanha tem muito a aprender com o Brasil.

Para Artaxo, usar temas econômicos, como moeda de troca, como foi o caso do acordo entre Mercosul e União Europeia, seria uma estratégia eficiente para frear os retrocessos ambientais do governo brasileiro.

Paulo Artaxo (FOTO: MARCOS SANTOS/USP IMAGENS VIA BBC NEWS BRASIL)

Nas condições atuais, o planeta vai sofrer um aquecimento de, em média, 3,5ºC e, no caso do Brasil, segundo Artaxo, “vamos ver o Nordeste se desertificar totalmente nos próximos 30 anos, vamos ver alterações profundas no bioma amazônico e mudanças climáticas sem precedentes nos últimos 10 milhões de anos”.

“Isto vai ocorrer. O que nós podemos fazer é minimizar esse cenário”, concluiu o cientista.

Confira, abaixo, trechos da entrevista de Artaxo à BBC News Brasil.

BBC News Brasil – Como o senhor avalia a agenda ambiental nesses seis meses de governo Bolsonaro?
Paulo Artaxo – 
A mesma coisa que o Trump fez nos EUA. Basicamente desmontar toda a legislação ambiental – que, no Brasil, foi construída a duras penas ao longo dos últimos 30 anos, incluindo Código Florestal e assim por diante -, e desmontar toda a estrutura de fiscalização do Ministério do Meio Ambiente.

Porque este governo tem como uma das principais bandeiras o não cumprimento da lei. Nós temos um governo que a todo momento diz: ‘Olha, não vamos cumprir a lei, essa lei não vale, essa lei não é boa’. Seja de cadeirinhas para criança no carro, seja o cadastro ambiental rural na Amazônia (o presidente editou em junho Medida Provisória extinguindo o prazo para os proprietários de terra fazerem o cadastro).

Então, a lei que eles não gostam não é pra ser cumprida. É a primeira vez no Brasil que a gente tem um governo que vai contra sua própria razão de existência, que é dar um ordenamento jurídico para um país como o Brasil.

BBC News Brasil – Em termos de medidas concretas, em que consiste esse desmonte ao qual o sr. se refere?
Artaxo – 
O principal é você estimular ações violentas no campo. O atual governo está fazendo isso, primeiro, por meio da não repressão quando esses atos violentos ocorrem.

O Brasil hoje é campeão de ações que matam ambientalistas, aqueles que lutam pelo direito da terra, ações contra populações indígenas e assim por diante. O que a gente vê é uma fração muito pequena do que está ocorrendo no campo, que é o que acaba saindo na grande imprensa.

A segunda questão é a destruição de todo o sistema de fiscalização ambiental no Brasil. O Ibama tinha, por exemplo, um sistema chamado Prevfogo, de prevenção de queimadas, que tinha centenas de funcionários há um ano e hoje está reduzido a algumas dezenas de pessoas para cuidar do combate a queimadas na Amazônia.

É um sistema que, mesmo que o Brasil no ano que vem retome a necessidade de combater queimadas, basicamente todas as pessoas que estavam lidando com isso foram dispensadas.

BBC News Brasil – O governo fala, nesses casos, que isso é reflexo da falta de recursos, que acaba afetando todos os ministérios…
Artaxo –
 O Brasil é a nona economia do planeta e não existe essa questão de falta de recursos. Falta de recursos é uma justificativa para você implementar a sua própria agenda. Por que não faltam recursos para pagar os juros da dívida? Por que não faltam recursos para financiar a produção agropecuária brasileira? Por que não faltam recursos para se dar subsídios às indústrias?

E faltam recursos para manter um sistema como o Prevfogo, que custa absolutamente nada para o país, mas que foi desmantelado. O discurso de falta de recursos não existe. O problema é onde você aloca os recursos. É a mesma coisa nos EUA. O Trump desmontou toda a estrutura da EPA (Environmental Protection Agency). É falta de dinheiro? Não. É ideologia.

BBC News Brasil – O sr. elencou então como segundo ponto esse desmonte da estrutura de fiscalização…
Artaxo – 
Fiscalização e legislação. Aí entra, por exemplo, o desmonte do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente, criado em 1981 e do qual o físico faz parte), da estrutura de monitoramento e acompanhamento das mudanças climáticas globais, que antes era dividido entre Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Meio Ambiente e Itamaraty.

Se você vai hoje nesses três órgãos e pergunta quem cuida da questão climática no país, você não encontra ninguém. Toda a divisão de clima do MCTI não existe mais.

É um desmonte que, para se refazer toda essa estrutura num próximo governo, vai demorar de 10 a 20 anos, realisticamente.

BBC News Brasil – Do ponto de vista ambiental, que tipo de consequência de médio e longo prazo essa política pode acarretar? Pode haver algum tipo de dano irreversível?
Artaxo – 
Pode não, já está tendo. O desmatamento na Amazônia já está aumentando, porque todos os mecanismos de combate foram desmantelados.

Não são problemas futuros – é no presente. A questão de agrotóxicos. Vamos ter algum problema no futuro? Não, estamos tendo no presente. São quase 250 novos agrotóxicos, inclusive que são proibidos em outros países, aprovados nesses seis meses. Não é no futuro, é prejuízo hoje, que já está ocorrendo.

BBC News Brasil – Existe uma conta de que o “ponto de não retorno” para a Amazônia, a partir do qual a floresta entraria em autodestruição, seria um desmatamento de 40% de sua área. O quão distante estamos desse limite?
Artaxo –
 Ontem (26/6) o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) soltou um novo número de quanto da floresta original foi desmatada.

Nós desmatamos 20% – 20% de 5,5 milhões de km² é uma área absurdamente grande. Estimativas de cálculos do Carlos Nobre, do Thomas Lovejoy mostram que, se você desmatar 40% da floresta, basicamente o restante não tem condições de sustentar o funcionamento de um ecossistema de uma floresta tropical chuvosa.

E aí todo o carbono que está armazenado naquela floresta vai para atmosfera, agravando em muito e acelerando em muito as mudanças climáticas.

Nós não estamos falando de um aspecto trivial ou de um aspecto que não tenha impacto sério sobre o clima do planeta. É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos, em particular dos EUA.

BBC News Brasil – Então estamos no meio do caminho?
Artaxo – 
Isso, estamos no meio do caminho. E o restante do caminho pode acontecer nos próximos oito anos, durante dois mandatos de governo Bolsonaro.

BBC News Brasil – No ritmo atual, essa é uma possibilidade real?
Artaxo – 
Não há menor dúvida. A única coisa que pode impedir isso é pressão internacional. É o que a Merkel está fazendo essa semana (a chanceler alemã declarou, em sessão do Parlamento, estar “muito preocupada” com a atuação do presidente brasileiro na área ambiental, disse considerar a situação “dramática” e afirmou que conversaria sobre o tema com Bolsonaro durante a cúpula do G20).

Mesmo pressão interna não é suficiente, não tem força.

BBC News Brasil – O caminho é esse então, usar como moeda de troca temas econômicos importantes, como o acordo Mercosul-União Europeia?
Artaxo – 
Claro.

BBC News Brasil – Nesse sentido, o governo tem questionado o Fundo Amazônia. O ministro do Meio Ambiente chegou a entrar em atrito com a Noruega, um dos principais mantenedores do fundo, afirmando que não há indicativo de que ele tenha ajudado a reduzir o desmatamento e apontando problemas em contratos com ONGs. Faz sentido a análise do ministro?
Artaxo – 
Veja, o ministro não fez uma análise. Ele primeiro acusou o Fundo Amazônia, sem qualquer comissão que fizesse análise de cada projeto que estava sendo executado, de estar desviando recursos. Por que isso?

Porque o Fundo Amazônia é o único instrumento em funcionamento hoje trabalhando pela sustentabilidade e preservação da Amazônia. Não existe qualquer outro recurso financeiro para isso.

Segundo aspecto: o Fundo Amazônia tem mais de R$ 300 milhões depositados no BNDES esperando para ser gastos. O que o ministro quer é passar a mão nesses R$ 300 milhões.

Este dinheiro está aqui, já foi doado, é muito difícil para Noruega e para Alemanha pedirem esse dinheiro de volta. Mesmo que eles cortem futuros investimentos no fundo, este já foi feito.

BBC News Brasil – Tomando a própria Noruega, entretanto, a gente tem o caso recente da mineradora Hydro Alunorte, que despejava rejeitos em nascentes amazônicas por meio de um duto clandestino. A posição do país para cobrar uma política ambiental responsável do Brasil não fica comprometida?
Artaxo –
 Você tem que separar uma questão de macropolítica ligada com mudanças climáticas globais com questões específicas de uma, duas ou três empresas.

É evidente que as empresas, inclusive as alemãs no Brasil, se aproveitam da fraca legislação ambiental brasileira. A mesma coisa com Noruega, EUA, França.

BBC News Brasil – Nesse caso específico o governo norueguês também é acionista.
Artaxo – 
Não importa isso, é uma empresa. Isso ocorre sim.

E a culpa disso não é deles, é nossa. Nós é que temos que ter uma legislação que proteja a população brasileira de questões como Brumadinho etc. O erro não é deles, é nosso, da fraqueza da nossa legislação em proteger a economia e a população brasileira.

BBC News Brasil – Qual é a maneira mais eficiente de se controlar desmatamento?
Artaxo – 
Controlar desmatamento é muito, muito, muito simples. Temos todas as ferramentas para isso. Um sistema de monitoramento de queimadas que não existe em nenhum outro lugar do mundo – o sistema do INPE funciona, é extremamente eficiente e foi aprimorado e validado com experimentos de campo ao longo dos últimos 20 anos.

Com o cruzamento agora com o MapBiomas, com o cruzamento com o cadastro ambiental rural e dados de propriedade de terra, a gente não sabe só onde mas quem está desmatando.

O Brasil, se quiser zerar o desmatamento, pode fazer isso no ano que vem. Não falta nenhuma tecnologia para isso, basta vontade política.

(Entre 2004 e 2012) nós conseguimos reduzir o desmatamento de 24 mil km² por ano para 4 mil km². Esses 4 mil km² em 2013/2013 estão hoje em 8 mil km² e, em 2019, vai ser um número próximo de 10 mil km² de floresta desmatada.

BBC News Brasil – O ministro Ricardo Salles defende a geração de emprego para as comunidades locais, uma alternativa à exploração ilegal da floresta, como caminho para reduzir o desmatamento. Faz sentido?
Artaxo – 
Faz. Inclusive um dos principais projetos do Fundo Amazônia, executado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), trabalhou quatro anos exatamente nesta direção: como dar uma vida decente com recursos para populações ribeirinhas de tal maneira que eles não precisem se deslocar e continuar desmatando.

Com isso, você ataca um dos aspectos do desmatamento, que é uma questão muito mais complexa e envolve grandes empresas agropecuárias, mineração, empresas de extração de madeira e também pequenos sitiantes e pequenos proprietários de terra.

Esse projeto do Ipam foi de extremo sucesso, evitou um desmatamento enorme porque deu perspectiva, renda e assessoria técnica para pequenos produtores do sul do Pará. Um minúsculo investimento de R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões traz um retorno enorme para a comunidade e para o Brasil.

É possível achar um caminho de sustentabilidade para a Amazônia com uma renda decente para os 20 milhões de brasileiros que vivem na região amazônica? A resposta clara é sim. Mas, para isso, você precisa de políticas públicas consistentes, de longo prazo.

BBC News Brasil – O governo tentou tirar a Funai do Ministério da Justiça, o Congresso decidiu mantê-la na pasta. O presidente editou então nova Medida Provisória, transferindo a competência da demarcação de terras para a Agricultura, mas a medida foi suspensa pelo STF. Como o senhor avalia essa queda de braço?
Artaxo –
 Não importa onde a Funai vai ficar, na minha opinião. Pode ficar na Agricultura, pode ficar na Justiça, no Meio Ambiente, em qualquer lugar.

Mas, se for uma Funai fraca, inoperante, com dez funcionários para cuidar de centenas de reservas indígenas… Não faz a menor diferença.

O que é mais importante é a política do governo de realmente destruir a população indígena brasileira. Isto é explícito.

Esse embate, se fica na Agricultura, se fica na Justiça, na minha opinião, não é importante. O que a gente quer é uma Funai forte, que efetivamente proteja a população indígena, que dê assistência a essa população indígena, que a proteja de mineradores, de ataques de latifundiários, das milícias que atuam na Amazônia, do crescente tráfico de drogas que está entrando forte na Amazônia, através das fronteiras com a Colômbia, Bolívia e Peru. E isto não está ocorrendo.

BBC News Brasil – No meio dessa polêmica da Funai a gente vê circulando gráficos mostrando que as áreas de reservas indígenas são aquelas em que…
Artaxo – 
A floresta é mais preservada. Isso é real, você mede por satélite, fácil. É exatamente por isso que os indígenas estão sendo atacados, porque eles conseguem preservar adequadamente as suas fronteiras.

BBC News Brasil – O governo ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris, mas voltou atrás. O senhor viu isso como sinalização positiva?
Artaxo – 
Sair ou não sair, na minha opinião, é uma questão meramente semântica. Se você não cumprir as metas, tanto faz – que é do que o Trump acabou sendo convencido.

Para quê sair do Acordo de Paris? É só não cumprir as metas – não tem punição pra ninguém. É irrelevante a questão de sair ou não sair, se você não tem uma política para cumprir os compromissos internacionais do país na área ambiental e energética.

BBC News Brasil – O ministro falou que todas as metas serão cumpridas…
Artaxo – 
Dependendo de como você calcula o cumprimento dessas metas… O Brasil se comprometeu a reflorestar 12 milhões de hectares. As florestas abandonadas estão nesse critério? Se for, nós já cumprimos. Mas será que a promessa foi feita nessa direção? Não, ela foi feita na direção de fomentar novas áreas com plantio para retirar CO2 na atmosfera. E isso não está sendo feito.

Outros tópicos vão ser também igualmente difíceis. Por exemplo, ter um aumento significativo da fração de energias alternativas, solar e eólica, na matriz energética brasileira. Isso está sendo cumprido, mas de forma muito mais lenta que o necessário.

A principal promessa, que é reduzir o desmatamento ilegal a zero até 2025… Neste ano, nós desmataremos 10 mil km² de florestas virgens. Isto não tem como ser cumprido. Nós não vamos cumprir as nossas metas.

BBC News Brasil – Ainda no caso do Acordo de Paris, chegou-se a dizer que o governo reviu sua posição por pressão do próprio agronegócio, que tem feito contraponto a alguns aspectos da política ambiental bolsonarista…
Artaxo –
 Assim como na sociedade brasileira, é importante a gente perceber que existem duas correntes antagônicas, no governo e no agronegócio, que estão radicalmente divididas.
Assim como a sociedade brasileira acabou sendo dividida por esse discurso do ódio e da violência.

Tem uma corrente do agronegócio que diz: ‘Vamos ocupar a Amazônia o mais rápido possível, enquanto a gente pode, vamos derrubar tudo o que for possível, sem qualquer fiscalização, sem qualquer punição, sem qualquer mecanismo estatal de controle’. Essa é uma corrente.

A outra corrente é a que diz: ‘Olha, essa estratégia vai nos prejudicar, prejudicar a imagem do agronegócio brasileiro no estrangeiro, e daqui a pouco vai ficar difícil a gente exportar até para a China, porque nós podemos ser acusados de predadores do meio ambiente’ – e isso não é um bom negócio pro Brasil.

BBC News Brasil – Essas duas correntes estão representadas hoje no Congresso?
Artaxo – 
Sim. Obviamente, a primeira é atualmente predominante, claramente.

Então nós temos que trabalhar para construir políticas públicas para diminuir a velocidade da destruição da floresta amazônica, já que o próprio presidente tem uma política de destruir o mais rápido possível a maior parcela possível da floresta.

BBC News Brasil – O senhor acha que há risco de o Acordo de Paris virar um Protocolo de Kyoto, não ver as metas cumpridas e se tornar uma frustração no futuro?
Artaxo – 
Não é questão de ser frustração. Existe um problema grave na questão das mudanças climáticas globais – a falta de governança.

Essa história do fracasso de Kyoto… Não é fracasso. Seria impossível, sem um sistema de governança global que funcione, você atingir as metas de Kyoto – assim como vai ser impossível atingir as metas do Acordo de Paris.

Quem vai punir os EUA pelo não cumprimento das metas? Quem vai punir o Brasil? Que tribunal vai julgar isto? Quem vai aplicar essas sanções? Isso tudo não existe. Isso tudo vai ter que ser construído do zero.

Nós temos que fazer o pós-Acordo de Paris ser um acordo com vinculação, ou seja, onde haja penalidades claras para os países que não cumprirem as suas metas. Por enquanto, nós estamos brincando de reduzir emissões.

Mesmo se todas as metas do Acordo de Paris forem cumpridas, o planeta se aquece ainda 2,7ºC, em média, o que em áreas continentais significa um aumento de 3,5ºC.

BBC News Brasil – Ou seja, nossa geração ainda vai ver uma situação de catástrofes…
Artaxo –
 Não é catástrofe. É importante dizer o seguinte: isso não está colocando em risco a nossa existência (como humanidade).

Eu não gosto de chamar de catástrofe. Nós vamos ver o planeta se aquecendo, em média, 3,5ºC, vamos ver o Nordeste se desertificar totalmente nos próximos 30 anos, vamos ver alterações profundas no bioma amazônico e mudanças climáticas sem precedentes nos últimos 10 milhões de anos.

Isto vai ocorrer. O que nós podemos fazer é minimizar esse cenário. O próximo acordo pós-Paris vai ter que lidar com esse cenário.

Por isso que, nas últimas semanas, vários países estão dizendo que a gente está entrando em uma “emergência climática”. Caiu a ficha. A Islândia vai proibir a venda de carros a gasolina, diesel ou qualquer combustível fóssil a partir de 2025. Noruega também.

Outros países estão tentando ganhar o máximo de dinheiro possível agora, antes que esse cenário aconteça – como os EUA.

BBC News Brasil – O senhor fala de cair a ficha, mas a questão ambiental mobiliza menos a sociedade civil do que outros temas. Os cientistas estão falando de impactos negativos sérios na vida das pessoas no médio prazo e, ainda assim, não há uma pressão social importante pra que os governos tomem uma atitude pra tentar evitar esse cenário.
Artaxo –
 Veja, você acha que as pessoas têm consciência do que significa você dar uma arma na mão de cada um dos brasileiros? Acha que as pessoas têm consciência disso? Não.

São coisas que estão no dia a dia delas, violência urbana, e as pessoas votaram por isso. Tá respondido.

BBC News Brasil – Não adianta então ficar mostrando mapa com as capitais litorâneas do Brasil submersas…
Artaxo – 
Não. Mas, para a Ciência, é muito claro. O nível do mar vai subir 1,5 metro até 2050, 2070. A praia de Copacabana que você vê hoje vai ser coisa do passado.

Não há menor dúvida – e esse processo é irreversível faça o que você quiser fazer com o Acordo de Paris. Vamos falar português bem claro.

BBC News Brasil – Sua visão como cientista então, diante desse cenário, é otimista ou pessimista?
Artaxo – 
Esse negócio de a imprensa ficar procurando heróis e vilões, ser otimista ou pessimista… Não existe isso.

A sociedade tem uma dinâmica complexa, que é dirigida não por desejo das pessoas, mas pelo interesse econômico. Quem vai mandar nisso é o dinheiro.

Um grupo de 477 investidores que administram um patrimônio total de US$ 34 trilhões assinou uma carta aberta aos governos falando que nós precisamos urgentemente apertar as metas do Acordo de Paris, fazer medidas concretas e mensuráveis pra diminuir as emissões já.

Por que eles estão fazendo isso? Não é porque eles são bonzinhos. Eles têm uma única preocupação: como é que eu vou continuar ganhando dinheiro? Uma fração dos bilionários percebeu que eles estão correndo um risco enorme.

Agora voltando para a sua pergunta, não é questão de ser otimista ou pessimista, você tem que ser realista: nem um lado, nem outro.

O que a realidade está nos mostrando é que a gente está realmente acelerando as mudanças climáticas, os eventos climáticos extremos, isso já está tendo um impacto econômico e social enorme na nossa sociedade, e isso vai se intensificar muito e em um futuro muito próximo, nos próximos cinco ou dez anos.

Isto vai trazer recessão econômica, tensões enormes entre os países. Hoje você tem uma região do Oriente Médio que é semiárida. Quando essa região ficar desértica, com cinco graus acima do que é hoje, o que vai acontecer com as migrações para a Europa? O que a gente está vendo hoje é uma amostra grátis do que vai vir nos próximos dez anos. Esta ficha está caindo.

BBC News Brasil – Ainda assim, líderes como o presidente americano não acreditam…
Artaxo – 
Essa questão do “acredito” também me deixa doente em qualquer debate. Não é religião, nós estamos falando de Ciência. Você pode acreditar em Deus, acreditar ou não na sua mulher, isso é irrelevante.

O que nós estamos observando cientificamente é que estamos mudando fortemente e rapidamente o clima do nosso planeta. Ponto.


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Grupo formado por 40 ONGs vai criticar retrocessos ambientais do governo em evento da ONU

Um grupo formado por 40 ONGs brasileiras vai fazer críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) durante um fórum internacional que será promovido pela ONU, em julho, em Nova York, nos Estados Unidos.

(Foto: AP/Andre Penner)

O grupo monitora a Agenda 2030 – uma plataforma que estabelece medidas transformadoras a serem seguidas pelos países signatários para promoção do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

De acordo com as entidades, as políticas públicas promovidas pelo governo de Bolsonaro contrariam as metas definidas pela Agenda 2030. As informações são da coluna do jornalista Lauro Jardim, do O Globo.

O grupo irá denunciar os retrocessos ambientais articulados pelo governo, dentre eles o desmonte do Ministério do Meio Ambiente e a liberação recorde de novos agrotóxicos. Além da questão ambiental, as ONGs vão criticar também os cortes na educação.

Como o governo brasileiro adiantou que não vai entregar o Relatório Nacional Voluntário sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) durante o fórum, as entidades afirmaram que pretendem apresentar também um estudo sobre o assunto.


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Elefante mais famoso da Namíbia é morto por caçador de troféu

Foto: Christin Winter

Foto: Christin Winter

O mais famoso elefantes da Namíbia, conhecido como Voortrekker (“Pioneiro”), foi morto na semana passada por um caçador de troféus, dez anos depois de ter escapado da morte pela primeira vez.

O elefante foi morto pela liberação de uma permissão especial pelo governo, que o classifica como “elefante problemático”, no entanto, relatos alegam a classificação era falsa, como denuncia uma carta escrita por três centros de conservação em conjunto, em oposição à caçada, enviada ao Ministério do Meio Ambiente e Turismo (MET) no início da semana.

“Não é correto que elefantes sejam mortos dessa forma, é um absurdo”, observaram as ONGs, alertando que os elefantes assustados representam uma ameaça exatamente por estarem acuados por terem seus habitats invadidos.

“Esses elefantes são nossos tesouros, e nós nos opomos a que eles sejam caçados por problemas causados por atos dos próprios seres humanos”, protestaram as comunidades de Otjimboyo, Sorris Sorris e Tsiseb.

Então, por que caçar o mais famoso e último elefante do sexo masculino, ignorando a enorme publicidade negativa que resultaria?

O porta-voz do ministério de meio ambiente e turismo, Romeo Muyanda, disse que a caçada foi permitida “para gerar fundos para as comunidades afetadas”. Muyanda ainda diz que eles “tiveram o elefante caçado como um troféu”. Colocado dessa forma, parece que a vida de um magnífico elefante, a qual não pode ser atribuido valor algum, mas que atraía uma quantia incalculável como atração turística, foi vendida por meros 120 mil dólares.

Muito desse valor irá para o MET, com pouco chegando até até o comunidades, conforme informações do Independent On Line.

Com poucas ou nenhuma chuva desde 2014 e eleições nacionais que se aproximam no final deste ano, os elefantes parecem estar pagando o preço da seca e, no caso Voortrekker, duas vezes.

A EHRA, uma ONG que ajuda a administrar conflitos entre elefantes e humanos na área, em 2008 tinha levantado 12 mil dólares para comprar o título para Voortrekker como um ‘troféu vivo’ do Ministério do Meio Ambiente e Turismo (MET) impedindo sua morte.

A natureza dócil de Voortrekkers provavelmente fez dele o elefante mais fotografado na Namíbia – e sua morte como elefante problemático é especialmente pungente.

Oficialmente, o grupo de elefantes adaptado ao deserto que vagueia entre os raros sistemas fluviais da região é considerado uma população anômala que, na opinião do MET, não pertence a eles.

Indefesos e com seus habitats naturais invadidos pelos humanos, os animais são considerados uma grande dor de cabeça para se gerenciar pelas autoridades locais – e declará-los como animais problemáticos e tê-los assassinados tem sido historicamente o método oficial preferido para lidar com eles.

Historicamente, no início da década de 1980, todos eles haviam desaparecido da área, expulsos por caçadores e por antigos ministros do gabinete da era do apartheid – e, claro, os pecuaristas, criadores de animais, decidiram expulsá-los de “suas” terras e enviá-los ao Parque Nacional Etosha.

Voortrekker, no entanto, foi o pioneiro que começou a frequentar a área novamente no final dos anos 80, e mais tarde liderou um grupo maior que vinha do Parque Reserva de Etosha nas áreas dos rios Brandberg e Ugab, onde eles eventualmente se estabeleceram.

Embora houvesse conflitos iniciais entre os fazendeiros rurais locais e a manada de Voortrekker, eles se tornaram uma característica permanente do local e atração turística única.

Um geólogo que freqüentemente trabalha na área e sabia da existência dos dois grupos, suspeitava que a manada menor, agressiva e amedrontada por agricultores atirando neles, pode ser a causa real das queixas da população de Omatjete que levaram à emissão da sentença de morte de Voortrekker.

O alvo parece estar apontado para este pequeno grupo de sobreviventes resistentes: restam agora apenas 26 animais e, dos três machos deixados no rio Ugab, o Voortrekker era um dos dois únicos elefantes do sexo masculino reprodutores. Todos os nove filhotes nascidos desde 2014 morreram em uma semana, sinal de uma população em dificuldade.

Então, como o Voortrekker de repente se tornou um animal problemático – e depois um troféu de caça – depois de 30 anos? Essa parte permanece um mistério.

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Proposta cruel de pesca para entretenimento é adiada para 2020 em MS

A proposta da “cota zero” para a pesca no Mato Grosso do Sul, que obriga pescadores amadores a devolver ao rio os peixes após pescá-los foi adiada para 2020 devido à pressão de empresários do ramo do turismo.

Foto: Pixabay

“O que é a prática do ‘pesque e solte’? É você fisgar o peixe, você fotografar, e soltar o peixe novamente”, explicou ao G1 Ricardo Senna, secretário-adjunto da Secretaria de Meio Ambiente Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso do Sul (Semade).

O objetivo da “cota zero” é diminuir o número de peixes mortos, para reduzir o impacto sobre as espécies. A medida, no entanto, é extremamente cruel, já que coloca o peixe como um objeto a ser usado para entreter seres humanos, que irão retirá-lo da água apenas para fazer uma fotografia. Neste processo, o peixe, que é fisgado por uma isca, fica ferido e sofre com asfixia, devido aos minutos que permanece fora d’água.

Os protestos dos empresários, no entanto, fizeram o governo estadual recuar e publicar um decreto que, ao invés de zerar a cota, apenas a reduziu de dez quilos para cinco quilos de peixe pescado. A nova medida também autoriza que os turistas continuem levando para casa um peixe e cinco piranhas.

De acordo com os governos estaduais, quase 100 mil pescadores frequentam os rios do Pantanal, que abrange os estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Em 2018, 81.689 licenças de pesca amadora foram concedidas nos dois estados. Em 2019, foram 14.413.

Pescadores com licença profissional podem retirar até 125 quilos de peixe por semana do rio, respeitando tamanhos mínimos e máximos de cada animal, mas não podem cortar os peixes, que são registrados em guias de pesca e comercializados em peixarias, restaurantes e hotéis. Os turistas, que fazem a pesca amadora, também precisam registrar os peixes que capturam.

As guias de pesca são avaliadas pelas polícias ambientais para controlar a quantidade de peixes de cada espécie que é retirada dos rios. Se um pescador não apresentar documentação de origem do peixe capturado, ele pode ser multado.

Além dos pescadores profissionais e amadores, há também na região pescadores compostos pela população ribeirinha.

A pesca para consumo humano, comércio ou entretenimento, faz com que os peixes vivam inúmeras situações de maus-tratos. Machucados pelo anzol, eles são retirados da água e sofrem asfixia. Os que não são devolvidos ao rio sufocam até a morte.


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