Desmatamento na Amazônia em julho cresceu 278% em relação a 2018

O desmatamento da Amazônia em julho apresenta crescimento de 278% quando comparado ao mesmo mês de 2018. Foram 2.254,8 km² desmatados neste ano e 596,6 km² no ano passado. O desmate registrado em julho equivale a mais de um terço de todo o volume desmatado nos últimos 12 meses, de agosto de 2018 a julho de 2019, período em que 6.833 km² foram desmatados – o número é 33% maior do que o registrado nos 12 meses anteriores.

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) responsável por fiscalizar o desmatamento.

(Foto: Vinícius Mendonça)

Os dados levam em consideração apenas três categorias de corte de vegetação, como medida para evitar distorções. As categorias, identificadas pelo próprio governo como desmatamento efetivo, são: desmatamento com solo exposto, desmatamento com vegetação e mineração.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), conhecido por promover um desmonte na agenda ambiental, em parceria com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem atacado desde maio os dados divulgados pelo Inpe. Recentemente, Bolsonaro declarou que “maus brasileiros” divulgam números mentirosos sobre a Amazônia.

Os dados, no entanto, são verídicos, e o Inpe é um instituto renomado com credibilidade reconhecida. Além disso, não há “maus brasileiros” entre os que expõe o desmatamento da Amazônia. Pelo contrário, esses são os brasileiros realmente comprometidos com o Brasil e com as riquezas naturais do país. As verdades sobre os fatos, porém, não impediram que Ricardo Galvão fosse exonerado da chefia do órgão.

Para o lugar de Galvão, foi indicado o coronel da reserva da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião, que assume o cargo interinamente. Em entrevista à VEJA, o militar afirmou que o Inpe divulgará dados com antecedência ao governo – conforme Bolsonaro havia solicitado, numa tentativa de exigir que qualquer estatística passe pelo crivo presidencial.


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Governo Bolsonaro abre ainda mais o mercado para a exportação de gado vivo

Por David Arioch

“Vamos continuar fazendo com que cresça essa cooperação comercial entre os países do mundo árabe e o Brasil” (Foto: Divulgação)

O Governo Bolsonaro está abrindo ainda mais o mercado para a exportação de gado vivo. Além de assinar em março um Certificado Zoossanitário com o Cazaquistão, para que o Brasil exporte bovinos ao país transcontinental, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já se posicionou favorável à ampliação das exportações de “carga viva” para países como Egito, Turquia, Jordânia, Iraque, Líbano e Irã.

São nações que têm grande interesse principalmente na compra de animais vivos que normalmente são executados de acordo com os preceitos do abate halal.

“No que depender de mim como ministra e do setor produtivo, vamos continuar fazendo com que cresça essa cooperação comercial entre os países do mundo árabe e o Brasil”, declarou a ministra da agricultura, Tereza Cristina, no mês passado no site do Mapa.

Vale lembrar que em janeiro o governo brasileiro celebrou um acordo para exportar gado vivo para a Malásia. Sobre o novo destino dos bovinos brasileiros, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, publicou no Twitter:

“Após muito trabalho da diplomacia comercial, em coordenação MAPA-MRE, o Brasil abriu o mercado para exportação de gado para a Malásia. O acordo atende às normas fitossanitárias e de produção exigidas por aquele país de maioria islâmica.”

Segundo a Secretária de Comércio Exterior (Secex), a exportação de carne brasileira já registrou aumento de 53,3% em abril, superando em 43,3% as exportações de carne em abril de 2018. “Nos primeiros quatro meses de 2019, os embarques de carne bovina alcançaram 538.523 toneladas, representando crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 482.114 toneladas”, informou ontem a revista Globo Rural.

No último dia 29, durante o Agrishow em Ribeirão Preto, interior paulista, a ministra Tereza Cristina, acompanhando o presidente Jair Bolsonaro, anunciou que já agendou uma viagem para o Vietnã, que também tem interesse na compra de gado vivo. Nessa modalidade de exportação, os animais são transportados em pé.