Projeto indiano incentiva as pessoas a contarem histórias sobre as mudanças climáticas e a poluição do ar

“Queríamos simplificar o processo de divulgação dessas histórias e compartilhamos (isso) com as pessoas” (Foto: PLUC/Getty)

“Queríamos simplificar o processo de divulgação dessas histórias e compartilhamos (isso) com as pessoas” (Foto: PLUC/Getty)

Por David Arioch

Tamseel Hussain acompanhou com atenção a escalada da poluição do ar na Índia, que atingiu níveis alarmantes quatro anos atrás. Ele estava tão interessado em documentar o problema que, com um grupo de especialistas em redes sociais e storytelling, construiu a plataforma Let Me Breathe (Me deixe respirar, em tradução livre para o português).

O que começou como uma hashtag, usada pelos moradores de Nova Déli que queriam criar blogs para registrar a elevada poluição do ar, transformou-se hoje numa plataforma central, unindo histórias fragmentadas sobre poluição, mudanças climáticas e sustentabilidade em toda a Índia.

“Queremos ser parte da solução. A maioria das pessoas na Índia tem celulares. Pela resposta que estávamos vendo nas redes sociais, era evidente que as pessoas queriam contar as suas próprias histórias sobre poluição. Eram essas vozes que queríamos amplificar por meio da nossa plataforma e da nossa rede”, informa Hussein.

Hussein criou a iniciativa People Like Us Create (Pessoas como nós criam, em tradução livre), que utiliza vários formatos, incluindo TV e as plataformas Let Me Breathe, para contar histórias sobre poluição compartilhadas por todos — de agricultores a estudantes e catadores de lixo.

O projeto já teve a participação, por exemplo, de estudantes que falaram sobre como descobriram a existência de florestas ao redor das suas casas e sobre como a poluição afetava as árvores. Com isso, os jovens conectavam as suas histórias à narrativa global sobre sustentabilidade e a emergência climática.

Também contribuíram agricultores em Punjab, que queimavam raízes e caules dos arrozais após a colheita. “Percebemos que a queima estava causando muita poluição. E é importante destacar as histórias imparciais de agricultores envolvidos na prática”, conta Hussain.

De acordo com o indiano, em vez de culpar uns aos outros, esses agricultores aprenderam, com cursos sobre storytelling em celulares, a se manifestar e expressar suas preocupações.

“Queremos inspirar as pessoas a usarem os seus celulares para contarem histórias de poluição que talvez não recebam uma cobertura suficiente da mídia tradicional, mas que são cruciais para que as pessoas tomem decisões informadas”, reforça o idealizador.

E acrescenta: “Além disso, queríamos simplificar o processo de divulgação dessas histórias e compartilhamos (isso) com as pessoas, em apenas alguns passos simples. Foi aí que entrou a plataforma”.

Animal Planet terá programa com histórias de animais que escaparam do matadouro

Por David Arioch

“Todos nós no Barn Sanctuary estamos entusiasmados em abrir as portas do celeiro para milhões de espectadores do Animal Planet” (Foto: Divulgação)

O canal de televisão Animal Planet vai ganhar um programa com histórias de animais que escaparam do matadouro e de outras situações de maus-tratos na cadeia de criação de animais para consumo.

O novo programa que deve ser exibido no final deste ano vai ser produzido pela High Noon Entertainment e conta com a parceria do Barn Sanctuary, um santuário situado em Chelsea (MI), nos Estados Unidos, fundado por Dan McKernan, que cuida principalmente de animais que acabariam mortos e reduzidos a alimentos e produtos.

“Todos nós do Barn Sanctuary estamos entusiasmados em abrir as portas do celeiro para milhões de espectadores do Animal Planet”, diz McKernan, acrescentando que o santuário se dedica a resgatar e reabilitar animais maltratados e negligenciados, criando um refúgio seguro onde eles possam se recuperar, prosperar e servir como exemplo do porquê é importante levar a sociedade em direção a um estilo de vida vegano.

Dan McKernan defende que o programa dará aos animais uma oportunidade de serem vistos sob um olhar diferente, ou seja, não como objetos, alimentos ou produtos. “Há uma enorme e rara oportunidade de mostrar ao mundo quem são esses animais incríveis, e ficamos comovidos com o entusiasmo por esse show”, enfatiza Kelly Holt, diretora executiva do Barn Sanctuary.

O programa terá como ponto de partida o fato de McKernan ter deixado a vida na cidade para viver na área rural de Michigan, onde converteu uma tradicional fazenda em um santuário para animais; e fez isso sem nenhuma experiência. Os espectadores podem esperar por histórias de resgates de animais, de reabilitações e de novas perspectivas sobre o valor da vida animal, segundo o Barn Sanctuary.

ONG promove programa de leitura para ressocializar cães abandonados

A Humane Society Of Missouri (HSMO), ONG com sede no Missouri, nos Estados Unidos, criou um programa de leitura para ressocializar cachorros abandonados. As histórias são lidas por voluntários com idades entre seis e 15 anos, cadastrados pelos responsáveis.

Cachorro resgatado pela ONG norte-americana (Foto: Humane Society Of Missouri)

Segundo os profissionais da entidade, a iniciativa é benéfica não só para os animais, mas também para as crianças e jovens que dela participam, já que ajuda a desenvolver a empatia e a compaixão, além de habilidades de leitura.

“O programa também faz com que essas crianças causem um impacto positivo no mundo, por estarem ajudando animais com necessidades”, afirmou Joellyn Klepacki, diretora de educação da HSMO. As informações são do portal Globo Rural.

Os cães, por sua vez, são encorajados a vencer a timidez e a ansiedade e se aproximar dos voluntários, o que os torna mais sociáveis. Essa melhora no comportamento do animal o ajuda a ser adotado, já que, segundo a ONG, os animais mais desinibidos são adotados mais rapidamente. Com isso, esses cães reduzem a média de permanência no local, o que é bom, já que, segundo a entidade, animais que ficam por muito tempo em abrigos têm mais chance de desenvolver problemas de saúde.

Porco que vive na fazenda da ONG (Foto: Humane Society Of Missouri)

Cerca de 2,4 mil voluntários inscritos no programa comparecem diariamente para contar histórias para os cães. Com isso, todos os cachorros que ficam nos andares de adoção já ouviram pelo menos uma leitura. Segundo a diretora, cerca de 10 mil animais são adotados por ano no abrigo. “Ao todo, os jovens voluntários já gastaram mais de três mil horas lendo para os animais”, disse.

Além do programa de leitura, a ONG, fundada em 1870, tem um centro de reabilitação para animais de fazenda, com 165 acres, chamado Longmeadow Rescue Ranch. A entidade está prestes a comemorar o 150º aniversário.

“Nós resgatamos, reabilitamos e buscamos um novo lar para animais de fazenda de todos os tipos, como cavalos, galinhas, patos, ovelhas, cabras, porcos, mini-cavalos, burros, lhamas, alpacas, entre outros”, conta Klepacki.

Bode foi resgatado pela entidade nos EUA (Foto: Humane Society Of Missouri)

Outro programa criado pela entidade é o Pet Pal, por meio do qual voluntários passeiam com os cachorros do abrigo. Há ainda, a iniciativa “pais adotivos”. Através dela, pessoas oferecem lares temporários para animais que estão doentes ou para filhotes. Para saber como educar e brincar adequada com os animais, a ONG oferece educação humanitária aos voluntários.

O abrigo é mantido com contribuições privadas de pessoas físicas, corporações e doações e nenhum imposto é destinado a ONG, que tem cerca de 250 funcionários e aproximadamente 900 voluntários.

Para adotar um animal, o interessado preenche um questionário e passa por uma entrevista, além de pagar uma taxa que é usada para cobrir parte do custo dos cuidados do animal adotado.

Livro reúne histórias de abandono de cães contadas pelos próprios animais

Um livro feito por uma professora aposentada de Sorocaba, cidade do interior de São Paulo, reuniu histórias sobre abandono de cachorros narradas sob o ponto de vista dos próprios animais e baseadas em situações vividas por Ana Laura Galone, de 53 anos, que é fundadora da “Corrente Peluda”.

O livro traz dez histórias de abandono (Foto: Fernanda Szabadi/G1)

“São 10 contos e cada um é ilustrado com uma foto de um animal que passou por situação semelhante à história. É ficção, porém baseado numa realidade muito triste, que é a do abandono de cães e gatos”, explica Ana Laura.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que há cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Em Sorocaba, não há estimativas. As informações são do portal G1.

O cachorro Lobão é um dos personagens do livro. Abandonado pela família quando se tornou idoso, ele foi adotado por uma vizinha que se comoveu com o sofrimento dele. A história é real e, segundo Ana Laura, aconteceu com Tupi, cão que mora na rua da casa dela.

“Ele tem problemas nas articulações, mas até hoje se deita em frente a sua antiga casa, esperando a família voltar. Eu inventei situações e diálogos no livro, mas o abandono desse cão idoso infelizmente aconteceu mesmo”, diz.

Tupi inspirou uma história do livro (Foto: Jedson Comitre)

Ana Laura sempre gostou de animais, mas se tornou mais engajada na causa quando viu uma publicação de uma ONG pedindo doação de ração. Ela contribuiu e mobilizou amigos, que abraçaram a ideia e formaram com ela a “Corrente Peluda”, há mais de quatro anos. O grupo conta atualmente com 20 membros e oferece suporte financeiro a entidades e protetores de Sorocaba.

“Tentamos manter uma caixinha e dar suporte para os protetores. Ajudamos com ração, castração, remédios, carona solidária e até com dívidas em clínicas. Os protetores são seres de luz: abrem mão de conforto, passeios e o que for preciso para prestar ajuda a seus resgatados”, afirma.

Por meio de um aplicativo de mensagens, o grupo combina as ações e mensalmente contribui com doação de ração para abrigos, promove arrecadações em lojas parceiras e socorre protetores independentes em resgates emergenciais de animais abandonados.

Apesar dos esforços do grupo, manter a frequência das doações tem se tornado cada vez mais difícil. Por isso, a professora teve a ideia de escrever o livro para arrecadar fundos para as ONGs.

Ana Laura Galone (Foto: Fernanda Szabadi/G1)

“Pensei: por que não lançar um livro baseado em casos que presenciei? De abandono, resgate e adoção, porém com o diferencial de a história ser contada pela visão do animal. Achei que seria diferente e chamaria a atenção”, conta.

Com a ajuda de uma vaquinha virtual, o projeto se concretizou. Intitulado “10 contos caninos: uma reflexão para humanos”, o livro foi lançado no último dia 16 em um shopping de Sorocaba. O livro pode ser comprado em pontos de venda itinerantes anunciados nas redes sociais da autora, pela internet e diretamente com Ana Laura. O valor da venda é totalmente revertido às entidades de proteção animal.

Crime cruel

A advogada e presidente da Comissão de Proteção Animal da OAB Sorocaba, Jussara Fernandes, lembra que o abandono de animais é crime de maus-tratos e tem pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

O papel da população é denunciar casos que vierem a seu conhecimento à polícia e também à comissão da OAB, que trabalha em prol da correta aplicação das leis no que se refere aos direitos animais em Sorocaba.

Integrantes da “Corrente Peluda” (Foto: Ana Laura Galone/Arquivo pessoal)

“A denúncia tem que estar embasada em fatos verídicos, pois a falsa comunicação de um crime também tem pena prevista no Artigo 340 do Código Penal Brasileiro. É necessário informar ou descrever corretamente a situação ou ação que está ocorrendo com o (os) animal(is), informar corretamente o local da denúncia, endereço ou ponto de referência. Anexar fotos e vídeos em casos de agressão”, orienta a prefeitura.

Denúncias também podem ser protocoladas no Ministério Público. Em Sorocaba, há ainda uma delegacia especializada em crimes contra animais, incorporada ao segundo distrito policial, na avenida Nogueira Padilha. Em todo o estado de São Paulo, os casos podem ser denunciados também através do site da Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA) através do site.

Confira baixo meios de denunciar maus-tratos a animais na cidade de Sorocaba:

  • Pela Central de Atendimento da prefeitura através do site http://www.sorocaba.sp.gov.br/atendimento;
  • Pelo telefone 156, de segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 8h às 17h;
  • Pelo WhatsApp da Ouvidoria da prefeitura por meio do número (15) 99129-2426;
  • Nas Casas do Cidadão, de segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 9h às 17h;
  • Para a Polícia Militar (190) e Guarda Civil Municipal (153), em situações emergenciais e de flagrante.