Raposa migra da Noruega para o Canadá em busca de comida

Por Rafaela Damasceno

Uma raposa-do-ártico, monitorada através de uma coleira pelo Norwegian Polar Institute (Instituto Polar da Noruega) desde 2017, intrigou cientistas com sua rapidez ao atravessar o gelo da região entre a Noruega e o Canadá. A fêmea iniciou sua jornada no dia 26 de março do ano passado e chegou em território canadense dois meses depois, percorrendo 3.500 quilômetros andando. Segundo o Daily Mail, não há informações sobre o paradeiro da raposa desde fevereiro deste ano, quando o transmissor parou de funcionar.

Transmissor sendo instalado por cientista do Instituto Polar da Noruega na raposa-do-ártico

Raposa-do-ártico sendo equipada com coleira de monitoramento | Foto: Norwegian Polar Institute

Diversos animais são conhecidos por terem natureza nômade e migrarem para outras regiões ao longo da vida. A raposa-do-ártico, encontrada principalmente na tundra ártica e alpina – região muito afetada pelo aquecimento global -, costuma se adaptar bem ao clima frio e à falta de alimento. De acordo com o site Defensores da Natureza, o animal consegue suportar longos períodos de jejum e digere qualquer tipo de presa, além de resistir a invernos rigorosos de até -50°C. Porém, quando surge a necessidade, se locomove em busca de comida.

Raposa-do-ártico com pelagem clara

A pelagem das raposas-do-ártico muda de cor para se adaptar ao ambiente | Foto: Defensores da Natureza

O trajeto percorrido pela raposa, monitorada via satélite desde um ano de idade, foi interrompido apenas duas vezes devido ao clima inóspito e tempestades de neve. Os cientistas afirmam que essa foi a maior distância já registrada a ser percorrida pela espécie. Em média, a fêmea andou por volta de 46 km por dia, mas chegou a 155 km em apenas um dos dias, enquanto atravessava uma região de mar congelado na Groelândia. Acelerou o ritmo ao perceber a falta de esconderijos na área.

O Ártico sofre mudanças significativas constantemente e está aquecendo duas vezes mais rápido que a média global, ocasionando o derretimento de gelo na região. Com as diversas alterações, é natural que os animais também sejam afetados, tanto pelos padrões climáticos e modificações na vegetação quanto pela redução de alimento.

Sem o gelo, a raposa-do-ártico não teria chegado ao seu destino. “Este é outro exemplo de como o gelo do mar é importante para a vida selvagem no Ártico”, disse o ministro do meio ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, em entrevista ao Daily Mail. Ele afirma que o aquecimento no Norte é alarmante e rápido, e é necessário fazer algo para evitar que o gelo do mar desapareça durante todo o verão. “Quando o degelo ocorre tão rapidamente, devemos proteger ainda mais as espécies e os ecossistemas contra outros impactos ambientais”, completa o ministro.


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Brasileiros estão dispostos a pagar mais por voos com menor impacto ambiental

Por David Arioch

Pesquisa foi conduzida com 800 passageiros de voos internacionais entre os dias 1º e 10 de abril (Foto: Divulgação/Infraero)

Pesquisa da rede de organizações brasileiras Aliança REDD+ Brasil, que conta com a participação do Instituto Centro de Vida (ICV), revela que 68% dos entrevistados pagariam entre cinco a oito reais a mais por bilhete se soubessem que o valor seria revertido para redução ou compensação das emissões de carbono do seu voo.

A informação é resultado de uma pesquisa sobre os hábitos de consumo, percepção e opiniões dos brasileiros sobre as emissões de gases de efeito estufa da aviação civil. A pesquisa, encomendada à empresa IDEIA Big Data, foi conduzida com 800 passageiros de voos internacionais entre os dias 1º e 10 de abril. Todos os entrevistados viajaram de avião para fora do país nos últimos 12 meses ou pretendem viajar nos próximos 12 meses, e são responsáveis pelo pagamento da própria passagem aérea.

O estudo revelou que 89% dos entrevistados não conseguem citar nenhuma companhia que tenha preocupação com a redução de carbono ou compensação, assim como também não se posicionaram sobre a afirmação das companhias estarem prejudicando o meio ambiente – 52% não concordaram, nem discordaram. Porém, a grande maioria (75%) consente que voar em uma companhia área que se preocupa com a redução de carbono é importante.

“Em geral, jovens demonstram maior preocupação com as emissões de carbono emitidas durante voos internacionais de longa duração e seus impactos no meio ambiente”, destaca Pedro Soares, do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).

Ao decidir comprar uma passagem aérea para viajar para fora do país, quase metade dos entrevistados revela não possuir preocupação com as emissões de carbono. Ainda assim, sete em cada 10 entrevistados acreditam que companhias aéreas que se comprometem a reduzir ou compensar essas emissões terão maior preferência dos clientes.

As mulheres tendem a concordar mais com a afirmação (75%) se comparado com os homens (65%). Com relação a preço, 68% dos respondentes mostraram disposição até de pagar entre cinco a oito reais a mais por bilhete se soubessem que o valor seria revertido para redução ou compensação das emissões de carbono do seu voo. Apenas 18% não estão dispostos a pagar a mais por isso.

“Os consumidores estão cada vez mais conscientes de sua responsabilidade nas emissões de carbono e precisam compartilhar os custos do combate às mudanças climáticas. As companhias aéreas que se anteciparem na adoção dessas ações terão mais chances de fidelizar esses clientes”, destaca Paula Bernasconi, coordenadora de Incentivos Econômicos para Conservação do ICV.

Leites vegetais estão em alta, mas qual é melhor para o ambiente?

Cresce interesse em leites vegetais — Foto: BBC

Janeiro, mês em que muitos cumprem resoluções de mudanças no estilo de vida, é também o mês em que consumidores se abrem mais para experimentar produtos veganos ou simplesmente mais saudáveis.

No Reino Unido, isto tem se refletido também nas latas de vendas dos leites vegetais, alternativas ao leite de vaca, à base de aveia, soja, amêndoa ou coco.

Agora, evidências coletadas por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostram que o critério de impacto ao meio ambiente pode fomentar ainda mais essa tendência.

É que eles mostraram, por exemplo, que a produção de um copo de leite de vaca gera quase três vezes mais emissões de gases do efeito estufa do que qualquer alternativa vegetal.

Considerando o uso de terra necessário para a produção, a diferença é ainda maior.

A produção de um copo de leite de vaca para todos os dias de um ano requer 650 metros quadrados de terra – o equivalente a dois campos de tênis e mais de dez vezes o necessário para a mesma quantidade de leite de aveia, de acordo com o estudo.

Infográfico mostra impacto dos leites vegetais — Foto: BBC

O leite de amêndoa requer mais água para sua produção do que soja ou aveia. Um único copo demanda 74 litros – mais do que a quantidade gasta em um banho de chuveiro padrão. O leite de arroz também é relativamente “sedento”, demandando 54 litros de água na produção para resultar em um copo.

No entanto, tanto a bebida à base de amêndoa quanto à de arroz ainda precisam de menos água na produção do que um copo de leite de vaca.

Impacto sobre o clima

O impacto da produção de leite de vaca sobre o clima varia de região para região. América Latina, Caribe e África, por exemplo, ficam acima da média global na emissão de gases poluentes para a produção de um copo de leite.

O gráfico abaixo leva em conta as emissões da agropecuária e, além disso, o transporte, a embalagem e o processamento. Onde a alimentação do gado teve um impacto no desmatamento, essa medida também foi incluída.

A nível local, a opção por produção local ajuda a reduzir a pegada de carbono.

Impacto climático da produção de leite de vaca — Foto: BBC

O custo ambiental ‘invisível’ do consumo

A produção de alimentos é responsável por um quarto de todas as emissões de gases do efeito estufa produzidas pelo homem, contribuindo para o aquecimento global, de acordo com os estudos liderados por Joseph Poore, da Universidade de Oxford.

A pesquisa descobriu também que carne e outros produtos animais são responsáveis ​​pela maior parte das emissões relacionadas à alimentação – apesar de fornecerem apenas um quinto das calorias consumidas.

As pessoas tendem a subestimar a poluição embutida em alimentos e – o leite não é exceção, de acordo com Adrian Camilleri, psicólogo da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália.

“As emissões de gases do efeito estufa do leite são cerca de 30 vezes maiores do que as pessoas estimam”, disse ele à BBC News.

Embora não se saiba exatamente o quanto os consumidores estão informados sobre as diferenças no impacto ambiental dos diversos tipos de leite, é fato que a venda de opções alternativas está crescendo muito no Reino Unido, segundo a consultoria de mercado Mintel.

As buscas na internet por leite de aveia, por exemplo, dispararam no Reino Unido desde que o produto foi lançado no mercado.

Gráfico mostra interesse em leites veganos — Foto: BBC

No ano passado, um recorde de 50 mil pessoas se inscreveram para a última campanha Veganuary (uma fusão das palavras “vegano” e “janeiro” em inglês), que propõe a abstinência de produtos de origem animal por um mês.

Mas como esta tendência se traduz em números reais?

Existem cerca de 540 mil veganos no Reino Unido, de acordo com uma pesquisa de 2016 da organização Vegan Society. Em 2006, estimava-se que este número era de 150 mil.

No entanto, alguns representantes do setor agropecuário são críticos à ideia do Veganuary.

Segundo a Associação Nacional de Criadores de Ovelha, esta campanha pelo veganismo ignora o fato de que a criação destes animais “trabalha muito em harmonia com o meio ambiente, nossas paisagens e a ecologia humana” no Reino Unido.

“Algumas pessoas parecem empenhadas em retratar (a criação de) ovelhas como um inimigo global – mas, na verdade, elas são o máximo de uma tecnologia renovável e uma forma eficiente de gestão da terra produtiva de forma amigável ao planeta”, diz Phil Stocker, executivo da associação.

Fonte: G1

Impacto ambiental da tragédia de Brumadinho “será sentido por anos”, diz ONG

Foto: Corpo de Bombeiros | Divulgação

A organização advertiu, na última terça-feira (29), sobre o terrível impacto ambiental causado pela enxurrada de lama causada pelo rompimento da barragem na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho.

“Aproximadamente 125 hectares de florestas foram perdidos, o equivalente a mais de um milhão de metros quadrados, ou 125 campos de futebol”, indicou o relatório divulgado quatro dias depois da tragédia que causou até agora a morte de mais de 100 pessoas e o desaparecimento de outras 238.

A lama afetou também a aldeia indígena Naô Xohã, com 27 famílias, a 22 km de Brumadinho.

“Estamos em uma situação muito séria. Dependíamos do rio e o rio morreu. Não sabemos o que fazer”, disse o cacique Háyó Pataxó Hã-hã-hãe, contando que os peixes mortos e um odor fétido tomaram conta da pequena comunidade.

De acordo com o G1, a Agência Nacional de Águas (ANA) estima que a onda de rejeitos e lama chegará entre 5 e 10 de fevereiro à hidrelétrica de Retiro Baixo, a 300 km da mina.

Foto: Andre Penner | AP

A expectativa é que as barragens de contenção nessa estrutura retenham os rejeitos, mas a ANA esclarece que “está sendo avaliado se a onda de rejeitos alcançará a reserva da hidrelétrica de Três Marias, no rio São Francisco, 30 km abaixo da barragem de Retiro Baixo”.

A WWF Brasil considera que ainda é cedo para algumas afirmações. Paula Hanna Valdujo, especialista em conservação da ONG, opina que “serão necessários estudos mais detalhados para entender a intensidade deste impacto e até onde se estende”.