Animais não conseguem se adaptar rápido para acompanhar as mudanças climáticas

Por Rafaela Damasceno

Animais como cervos e pegas (uma espécie de pássaro) não são capazes de se adaptar com rapidez suficiente para acompanhar as mudanças climáticas, segundo cientistas.

Um passarinho na natureza

Foto: Press Association

Algumas espécies respondem ao aumento de temperatura, adaptando seus corpos para que possam sobreviver. Mas uma pesquisa descobriu que talvez essas mudanças não ocorram rápido o bastante para garantir a persistência de alguns animais a longo prazo.

A pesquisa foi publicada na Nature Communications e explica que os momentos do ciclo de vida das espécies (fenologia), como migração e criação, são incompatíveis com o clima atual. Os animais podem reagir alterando suas fenologias, mas apenas se houver variação genética suficiente em seu comportamento ou desenvolvimento.

Uma equipe de cientistas revisou 10.090 resumos científicos e extraiu dados de 71 estudos publicados de 17 espécies em 13 países, para avaliar as respostas dos animais em relação às mudanças climáticas. Eles focaram nas aves, porque dados completos sobre outros grupos de animais eram escassos.

Eles comprovaram que as espécies podem permanecer em seus habitats de origem, desde que acompanhem o aquecimento da região. Infelizmente, isso é improvável. “Mesmo as populações que estão passando por mudanças adaptativas estão fazendo isso em um ritmo que não garante sua persistência”, explicou um dos autores da pesquisa, Alexandre Courtiol.

Eles temem que o processo de adaptação das espécies atualmente ameaçadas de extinção seja ainda mais lento, o que não garantiria suas sobrevivências no futuro.


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Focas apavoradas se ferem e morrem ao fugir de turistas que invadem seu habitat

Foto: The Seal Alliance

Foto: The Seal Alliance

Focas apavoradas foram filmadas saltando e se arriscando em penhascos em uma tentativa desesperada de evitar que turistas chegassem perto demais delas.

Vídeos mostram as focas caindo de costões rochosos no mar, muitas vezes se machucando no caminho para baixo.

Outras imagens capturaram uma debandada de focas provocada pelo aparecimento de um drone, e outra mostra um animal flagrado tentando escapar de um cachorro depois dele ter sido solto pelo tutor.

Um aumento acentuado no número de incidentes como este levou a realização de um relatório chamado “Não perturbe! A crescente ameaça às nossas focas”.

O relatório – publicado pelo Seal Protection Action Group e pelo Cornwall Seal Group Research Trust – afirma que as focas são frequentemente perturbadas por embarcações motorizadas, jet-skis, caiaques, paddle boarders, passeios de observação da vida selvagem em terra ou mar, bem como por pescadores e caminhantes.

As pessoas que tentam alimentar focas também são motivo de crescente preocupação.

Andy Ottaway, do Action Group, disse que as focas já enfrentam ameaças suficientes em problemas de habitat e excesso de pesca nas águas, e precisam ser deixadas em paz.

Foto: The Seal Alliance

Foto: The Seal Alliance

“Nossas focas estão sob ameaça crescente de mortes deliberadas, mudanças climáticas, pesca, poluição tóxica, emaranhamento de redes, ingestão de plástico e ferimentos graves causados por colisões com navios”, disse ele.

“Precisamos dar a todos os nossos preciosos animais marinhos, incluindo as focas, mais espaço”.

“O impacto cumulativo de todas essas ameaças, juntamente com esses crescentes problemas de perturbação, está colocando esses maravilhosos animais em sério risco.”

Foto: The Seal Alliance

Foto: The Seal Alliance

Com o início das férias de verão, milhões de visitantes viajam para a costa e a superlotação aumenta a pressão sobre a fauna marinha, incluindo focas.

O relatório destaca o crescente impacto prejudicial que a atividade humana pode ter sobre essa vida selvagem.

A análise também documenta estudos de caso em torno da costa britânica, onde populações de focas protegidas estão sofrendo distúrbios crônicos causados por atividades humanas.

Foto: The Seal Alliance

Foto: The Seal Alliance

As ONGs dizem que tais atividades podem causar ferimentos graves e ter conseqüências potencialmente fatais.

O relatório cataloga graves incidentes no sudoeste da Inglaterra; North-West Wales; Nordeste da Inglaterra e nordeste da Escócia em locais de importância crítica.

Foto: The Seal Alliance

Foto: The Seal Alliance

Os pesquisadores encontraram evidências de que a população de focas está sofrendo por causa da intrusão humana por meio de atividades recreativas.

O relatório adverte que a perturbação repetida pode causar sérios danos aos animais individualmente, por meio de estresse e até mesmo de ferimentos graves.

A perturbação também pode afetar a população local e nacional, reduzindo o sucesso reprodutivo, causando abandono de filhotes dependentes e até a morte prematura.

Sue Sayer, do Cornwall Seal Group Research Trust, disse: “Muitas comunidades se beneficiam financeiramente do turismo e do tipo de vida selvagem confiável (não-agressiva) que as focas proporcionam.

“No entanto, precisamos tomar cuidado e reduzir os já altos níveis de perturbação caso contrário, esses benefícios ambientais, sociais e econômicos poderão desaparecer em breve, junto com as focas”, concluiu Sayer.

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Campanha de reeleição do presidente Trump está vendendo canudos de plástico

Por Rafaela Damasceno

A campanha para a eleição de 2020 de Donald Trump está comercializando produtos. Sua loja vende bonés, camisetas, xícaras, toalhas, coleiras para cachorros e, agora, canudos de plástico. Uma das tentativas do atual presidente de provocar a oposição.

Canudo vermelho com "Trump" escrito

Foto: Trump Pence

Um pacote com 10 canudos plásticos, vermelhos e com a palavra “Trump” gravada, custa 15 dólares. A nova mercadoria parece vir contra o aumento da preocupação populacional em relação ao uso e desperdício do plástico.

Um vídeo que viralizou no ano passado – de um biólogo marinho retirando um canudo do nariz de uma tartaruga – chamou atenção para a questão e acabou conscientizando muitas pessoas. Comunidades e empresas tomaram a iniciativa de proibir o uso de canudos de plástico.

“Canudos de papel liberais não funcionam. Fique com o presidente Trump e compre seu pacote de canudos recicláveis agora”, diz a descrição do produto. Nos Estados Unidos, ser liberal equivale a ser de esquerda; ou seja, a oposição de Trump, que é de direita.

Brad Parscale, gerente da campanha do atual presidente, twittou sobre a nova mercadoria: “Make Straws Great Again” (faça os canudos ótimos de novo), um trocadilho com o slogan de campanha do presidente – Make America Great Again. Em resposta, Trump brincou que o produto pode ser ilegal em alguns estados.

Muitas regiões dos Estados Unidos reduziram ou proibiram o uso de canudos de plástico. Eles começaram a desaparecer de restaurantes, cafés, hotéis e outros estabelecimentos.

Apesar do material ser reciclável, a maioria das pessoas não o descarta corretamente quando o joga fora. Dessa forma, grande parte dos canudos plásticos acaba na natureza ou nos oceanos, onde se torna um verdadeiro problema. O plástico demora em torno de 400 anos para se decompor, então permanece na natureza por anos a fio, onde pode ser ingerido por animais ou causar ferimentos que podem até mesmo ser fatais.

No Brasil, as cidades Rio de Janeiro e São Paulo proibiram o uso de canudos plásticos.


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Quase 300 golfinhos apareceram mortos este ano na costa do Golfo do México

Quase 300 golfinhos nariz de garrafa apareceram mortos – três vezes mais do que o normal – trazidos pela maré até as praias da Costa do Golfo este ano. Os cientistas não conseguem explicar o súbito aumento de mortes na espécie, mas alguns pelo menos têm teorias.

Desde fevereiro, 282 corpos de golfinhos foram encontrados em quatro estados em diferentes graus de decomposição, segundo Erin Fougeres, cientista especialista em mamíferos marinhos da NOAA – Administração Nacional Oceânica e Atmosférica.

O estado do Mississippi (EUA) tem visto o maior número de golfinhos mortos, acompanhado de perto pelos estados de Louisiana, Flórida e Alabama.

A NOAA declarou o fenômeno como um “Evento de Mortalidade Incomum”, ou UME, o que significa que o número de golfinhos mortos é alarmante o suficiente para garantir uma resposta oficial.

Uma UME foi declarada pela última vez na área após o derramamento de óleo da plataforma da Deepwater Horizon em 2010; a declaração durou até julho de 2014.

Especialistas externos que trabalham com a NOAA apontaram fatores como a quantidade anormalmente grande de chuva e neve despejada no Sul neste inverno e os efeitos remanescentes do vazamento da Deepwater Horizon como causas potenciais.

“Nós sabemos que este é o inverno mais chuvoso no vale do Mississippi em 124 anos”, diz Fougeres à Time. A precipitação pesada pode diminuir os níveis de sal no Golfo, causando problemas para os golfinhos de água salgada (os golfinhos-nariz-de-garrafa são uma espécie de água salgada).

De acordo com Fougeres, apenas um quarto dos golfinhos mortos tinha “lesões na pele que são consistentes com a exposição de água doce”. Embora não seja incomum encontrar essas lesões em golfinhos nesta época do ano,o grande número descoberto tem deixado Fougeres e seus colegas preocupados, segundo ela.

Fougeres também está considerando outros fatores ambientais que podem contribuir para as altas taxas de mortalidade de golfinhos no Golfo do México, incluindo uma “zona hipóxica” do tamanho de Massachusetts que a NOAA previu no Golfo no início deste mês. Essas zonas são criadas quando o excesso de nutrientes das atividades agrícolas e humanas contamina os corpos de água e reduz os níveis de oxigênio – os cientistas os chamam de “zonas mortas” porque sufocam e matam a vida marinha.

A NOAA acredita que a zona morta do Golfo deste ano será de 7.829 milhas quadradas. Isso é mais de 2.000 milhas acima da média de cinco anos e está próximo do tamanho recorde de 2017, de 8.776 milhas quadradas.

Enquanto Fougeres não sabe se essas “zonas mortas” afetam diretamente os golfinhos, ela acha que isso poderia afetar a disponibilidade de seus alimentos.

O trecho do Golfo, onde os golfinhos foram encontrados, é também a área mais diretamente afetada pelo vazamento da Deepwater Horizon. Na época, quatro milhões de barris de petróleo contaminaram o Golfo por mais de 87 dias antes que o vazamento fosse contido, e Fougeres sugere que a população de golfinhos da região ainda experimenta “algumas condições de saúde adversas contínuas e prolongadas”, o que poderia torná-las mais vulneráveis ao estressores e doenças do meio ambiente, como doença pulmonar e adrenal. O estado de decomposição de muitos dos golfinhos tornou os diagnósticos desafiadores; a NOAA está esperando por relatórios completos de necropsia para confirmar do que os golfinhos estão morrendo.

Esses mamíferos extremamente inteligentes tiveram um ano difícil em outras partes do mundo também. Em março passado, mais de mil golfinhos mutilados foram levados para a costa da França. Acredita-se que eles foram mortos por atividades de pesca comercial.

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PETA pede publicamente à plataforma petrolífera que sirva refeições veganas aos seus funcionários

Foto: Adobe

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A gigante petrolífera Shell recebeu um pedido inesperado para se tornar vegana em celebração ao Dia da Terra, em 22 de abril.

A associação de defesa dos direitos animais PETA escreveu à Royal Dutch Shell pedindo-lhe que ‘compensasse alguns dos danos ambientais provocados pela perfuração de petróleo servindo refeições veganas em todas as suas plataformas petrolíferas no Mar do Norte, onde os trabalhadores vivem durante meses’.

A carta da PETA diz que as cinco maiores corporações de carnes e laticínios são responsáveis por mais emissões de gases do efeito estufa do que a Shell, a ExxonMobil ou a BP – e que comer alimentos veganos pode reduzir a pegada de carbono da dieta em mais da metade.

Alimentação e impacto ambiental

A PETA também faz referência a pesquisas feitas por cientistas da Universidade de Oxford que mostraram que todos os alimentos derivados de animais – incluindo leite de vaca, carne de frango e ovos – têm uma pegada de carbono maior do que seus equivalentes baseados em vegetais.

O estudo publicado no ano passado, intitulado “Reduzindo os impactos ambientais dos alimentos através de produtores e consumidores”, o relatório analisou o impacto ambiental de mais de 40 alimentos representando 90% de todos os alimentos ingeridos. O relatório considerou o impacto nas emissões, uso de água doce, poluição da água e do ar e uso da terra.

Se torne vegano e reduza o seu impacto

“Uma dieta vegana é provavelmente a melhor maneira de reduzir seu impacto no planeta Terra, não apenas com relação aos gases de efeito estufa, mas acidificação global, eutrofização, uso da terra e uso da água”, concluiu o líder da pesquisa Joseph Poore, da Universidade de Oxford.

Foto: Adobe

Foto: Adobe

“É muito maior do que apenas para de andar de avião ou comprar um carro elétrico [porque] a agricultura é um setor que cobre todos os problemas ambientais”, explicou ele.

“Realmente são produtos animais que são responsáveis por muito disso. Evitar o consumo de produtos de origem animal traz benefícios ambientais muito melhores do que tentar comprar carnes e laticínios sustentáveis”.

Mudança Climática

“A agropecuária fica logo atrás da queima de combustíveis fósseis quando se trata de contribuir para a mudança climática”, disse o diretor de Programas Internacionais da PETA, Mimi Bekhechi, em um comunicado enviado ao Plant Based News.

“Neste Dia da Terra, a PETA está pedindo à Shell para melhorar a saúde dos trabalhadores, salvar vidas de animais e retardar a destruição do planeta, mudando para refeições veganas em todas as suas plataformas marítimas”.

A PETA acrescenta: “Cada pessoa que se torna vegana poupa diariamente mais de 200 animais por ano e uma morte terrível, e os veganos têm menos risco de sofrer de doenças cardíacas, diabetes, obesidade e câncer do que os que comem carne”.

Descarte de embalagens gera grande impacto no meio ambiente

Hoje, um terço do lixo doméstico é composto por embalagens. Cerca de 80% das embalagens são descartadas após usadas apenas uma vez! Como nem todas seguem para reciclagem, este volume ajuda a superlotar os aterros e lixões, exigindo novas áreas para depositarmos o lixo que geramos. Isso quando os resíduos seguem mesmo para o depósito de lixo…

(Foto: Pixabay)

Recentemente, foi descoberta uma enorme quantidade de lixo boiando no meio do oceano Pacífico – uma área igual a dois Estados Unidos. Esse grande depósito de entulho se formou com o lixo jogado por barcos, plataformas petrolíferas e vindos dos continentes, sendo reunido devido às correntes marítimas. Acredita-se que lá exista algo em torno de 100 milhões de toneladas de detritos .Uma boa quantidade é composta de embalagens e sacolas plásticas. Estima-se que resíduos plásticos provoquem anualmente a morte de mais de um milhão de aves e de outros 100 mil mamíferos marinhos (Fonte: Revista Istoé, edição 1997 – “A sopa de lixo no Pacífico”).

No Brasil, aproximadamente um quinto do lixo é composto por embalagens. São 25 mil toneladas de embalagens que vão parar, todos os dias, nos depósitos de lixo. Esse volume encheria mais de dois mil caminhões de lixo, que, colocados um atrás do outro, ocupariam quase 20 quilômetros de estrada.

Ou seja, as embalagens, quando consumidas de maneira exagerada e descartadas de maneira regular ou irregular – em lugar de serem encaminhadas para reciclagem – contribuem e muito para o esgotamento de aterros e lixões, dificultam a degradação de outros resíduos, são ingeridos por animais causando sua morte, poluem a paisagem, causam problemas na rede elétrica (sacolas que se prendem em fios de alta tensão), e muitos outros tipos de impactos ambientais menos visíveis ao consumidor final (o aumento do consumo aumenta a demanda pela produção de embalagens, o que consome mais recursos naturais e gera mais resíduos).

Todo esse impacto poderia ser diminuído ou eliminado, basicamente, por meio da redução do consumo desnecessário e correta separação e destinação do lixo: compramos somente aquilo que é necessário, reutilizamos o que for possível e mandamos para reciclagem materiais recicláveis e para a compostagem os resíduos orgânicos.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente