Jumentos podem estar extintos em 4 anos no Quênia

Matadouro de burros em Mogotio, Condado de Baringo no Quênia | Foto: NMG

Matadouro de burros em Mogotio, Condado de Baringo no Quênia | Foto: NMG

Se a taxa atual em que os matadouros de burros tem crescido e a demanda por carne de burro no Quênia continuar, o país pode não ter um único burro até 2023.

Burros (também chamado de jumentos) são animais extremamente inteligentes, capazes de memorizar situações, lugares e roteiros, criar vínculos e compreender o mundo ao seu redor. Assim como os cavalos muitos são mantidos como animais domésticos, devido à sua docilidade e carisma. Em alguns países de língua inglesa os burros machos são chamado de “jack”, uma fêmea de “jenny” ou “jennet”; já o burro mais jovem é universalmente conhecido como potro.

Curiosamente, os burros também podem se reproduzir com zebras, se assim o desejarem (machos e fêmeas da espécie demonstram receptividade aos pares) , e seus filhos são chamados de “zonkeys”. Mas parece que esses maravilhosos animais logo vão se extinguir no Quênia se a taxa de morte na espécie não for controlada.

Foto: africanexponent

Foto: africanexponent

De acordo com um relatório recente da Africa Network for Animal Welfare – Rede de África para o Bem-Estar Animal (ANAW, na sigla em inglês), o crescente aumento nos números de matadouros no Quênia ameaça acabar com o animal.

Em muitas partes da África, os burros se tornaram um substituto mais barato para a carne bovina, e isso aumentou drasticamente sua demanda. O animal também é vendido para muitos clientes desavisados no lugar da carne de boi, já que a carne de ambos os animais se parecem em sabor e textura.

O estudo realizado pela ANAW mapeia em números o problema com a classificação de burros e cavalos como animais de alimentação há sete anos.

Os relatórios afirmam que a legalização de burros e cavalos como carne de consumo levou ao estabelecimento de mais matadouros de burros para satisfazer a demanda crescente dos mercados locais e internacionais.

Como hoje, existem quatro grandes matadouros de burros no Quênia: Goldox Kenya Limited em Mogotio, Baringo County, Star Brilliant Matatto em Maraigushu em Naivasha, Silzha Ltd em Nakwaalele em Turkana e Fuhai Machakos Trading Company Ltd.

Os grupos de defesa dos direitos animais continuaram a pressionar pela retirada das licenças dos matadouros até que sejam tomadas medidas rigorosas para garantir a proteção dos animais que correm risco de extinção.

Eles acreditam que o comércio de carne e pele de burro deve ser interrompido até que sejam estabelecidos regulamentos adequados para garantir a proteção da espécie.

Foto: The Donkey Sanctuary

Foto: The Donkey Sanctuary

O relatório foi compilado por Josiah Ojwang, Dennis Bahati e Sebastian Mwanza da Rede Africana de Bem-Estar Animal; e Bernard Atsiaya da Sociedade do Quênia para a Proteção e Cuidado dos Animais.

“A maioria dos burros em Moyale vem da Etiópia através de pontos de entrada não oficiais”, diz o relatório.

Eles também querem uma repressão ao contrabando transfronteiriço de burros. O CEO da Brooke East Africa, Fred Ochieng, disse que as comunidades devem trabalhar juntas para lutar pela sobrevivência dos burros.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Burrinhos gêmeos nascem em santuário na Inglaterra

Ronnie e Reg | Foto: Daily Mail/Reprodução

Ronnie e Reg | Foto: Daily Mail/Reprodução

Em um evento raro e pouco registrado na literatura veterinária, um burro do sexo feminino deu à luz os únicos burrinhos gêmeos vivos conhecidos da Grã-Bretanha, os irmãos foram nomeados em homenagem aos famosos gangsteres gêmeos: os Kray.

John Stephenson, 77 anos, ficou chocado quando a burrinha Violet inesperadamente entrou em trabalho de parto e trouxe ao mundo dois potros saudáveis em sua fazenda, em Stanley, County Durham (Inglaterra), no último fim de semana.

Ele não tinha ideia de que ela estava esperando gêmeos, uma ocorrência incrivelmente rara e pouco documentada em burros e os nomeou de Ronnie e Reg, em homenagem aos Kray, dupla de irmãos famosos em Londres durante as décadas de 1950 e 1960.



O sr. Stephenson conta: ‘Eu estava sentado tomando meu chá e recebi um telefonema avisando que Violet estava entrando em trabalho de parto. Larguei o chá imediatamente e fui direto para baixo, no alojamento dos animais.

“Eu mal pude acreditar quando percebi que ela estava tendo gêmeos e ambos estavam vivos – é algo único e muito difícil de acontecer”.

“Normalmente, quando os burros ou jumentos têm gêmeos, um deles morre ou é muito fraco. Eu sabia que ela estava grávida, mas não fazia ideia de que eram gêmeos. Eles são inacreditáveis”.

“Isso é realmente muito, muito incomum. Tenho 77 anos e nunca vi isso na minha vida. Eu tenho um santuário de burros desde que eu tinha sete anos – por 70 anos – mas nunca vi nada assim antes”.

“Até onde sei, eles são os únicos burros gêmeos do país. Estou surpreso e ao mesmo tempo muito orgulhoso de poder fazer essa afirmação”.

“Devo admitir que estou simplesmente encantado por esses dois bebês, eles são animais especiais. Me sinto abençoado”.

Ele acrescentou: “Eu tive um par de cavalos por um longo tempo chamados de Ronnie e Reg também, foi apenas uma ideia que veio à minha cabeça”.

“Se eu deixasse que as crianças escolhessem os nomes deles, elas escolheriam nomes ´fofos´. Eu não queria nomes assim, queria algo marcante.”

“Achei que eram dois meninos no começo, mas depois que já havíamos escolhido os nomes Ronnie e Reg é que descobrimos que um deles era uma garota: Ronnie.”

“Violet é uma mãe muito protetora e carinhosa, eles realmente estão cercados de amor e atenção por todo lado”.

A família agora tem sete burros na fazenda, incluindo Ronnie e Reg.

Ele disse: “Vamos mantê-los dentro de casa por algumas semanas, só para deixá-los fortes, então poderemos deixá-los sair para correr por aí”

“Pessoas de todo os lugares querem vir visitá-los, mas por enquanto eles não estão recebendo visitas, pois são muito jovens”.

Um porta-voz do The Donkey Sanctuary disse: ‘É muito raro um jumento dar à luz gêmeos.

Em 2003, dois burros gêmeos, Bill e Ben, foram entregues aos cuidados do The Donkey Sanctuary.

“Ben, agora na casa dos 20 anos, ainda está vivendo uma vida muito feliz em nossa sede internacional em Sidmouth, infelizmente seu irmão faleceu, Bill , faleceu há alguns anos”.

Burros são explorados para servir bebida em casamentos

Foto: Jornal Metro

Foto: Jornal Metro

Burros são animais selvagens, extremamente inteligentes e dóceis, esses equinos parentes dos cavalos são explorados pelos humanos para transporte e movimentação de cargas, turistas, e mais recentemente como garçons de festas.

Uma empresa americana chamada Little Burro Events (Eventos Pequeno Burro, na tradução livre), com sede na Califórnia (EUA), aluga seus dois mini-burros – Zoey e Burrito – para qualquer ocasião especial, celebrações, aniversários e casamentos, amarrando cestas em suas costas com as quais os animais circulam pela festa servindo e entretendo os presentes.

Obrigados a carregar diversas (e pesadas) garrafas de bebidas distribuídas em cestas pelas laterais de seu corpo, colocadas em cestas coloridas, que terão que carregar durante o evento para o qual foram contratados os animais são explorados em silêncio e inúmeras vezes. Com o objetivo fútil e cruel de servir os convidados e a ficar andando pelo ambiente com o peso a tiracolo, fantasiados com enfeites desconfortáveis e incômodos os animais são usados como enfeite pela empresa gananciosa.

A empresa vende o serviço cruel anunciando 90 minutos em que os animais “farão rondas na festa, carregando as bebidas e copos e posarão para fotografias com os seus convidados”.

O site diz: “Nós somos a principal companhia de mini-burros para bebidas do norte da Califórnia e ficaríamos honrados em fazer parte de sua ocasião especial. Há uma variedade de opções de eventos e podemos personalizar qualquer evento para torná-lo ainda mais especial e inesquecível”.

Foto: Jornal Metro

Foto: Jornal Metro

Dedicados a ganhar dinheiro às custas dos animais, os empresários vendem abertamente as qualidades dos burros como se eles fossem produtos a serem utilizados e dispostos como for do gosto do cliente.

“Com a natureza dócil dos burros em miniatura e suas adoráveis personalidades, você verá quão rapidamente eles fazem de um bom evento um evento memorável e especial sobre o qual todos falarão nos próximos anos. Vestidos para impressionar, esses pequenos burros certamente tocarão os corações de muitos “.

“Mas, como você pode imaginar, usar o trabalho e as qualidades dos animais para tornar o seu grande dia especial, não é barato”.

“Se você quer ter Zoey ou Burrito no seu baile, vai custar mil dólares por uma hora (mínimo) ou 1.500 dólares por 90 minutos”.

“E se você quiser ter o par de burrinhos, eles custarão 2 mil dólares por uma hora e 3 mil por 90 minutos. O site continua: “Você pode ter certeza de que os burros chegarão pelo menos 30 minutos antes do evento e estarão limpos, com acessórios colocados e prontos para trabalhar”.

Os pobres animais são oferecidos e descritos como mercadorias dispostas em prateleiras prontas para serem compradas e descartadas desde que se pague o preço por elas.

“Haverá de um a dois manipuladores por animal para ajudar a servir a bebida do evento, com direito a fotos, e para responder a quaisquer perguntas relacionados aos nossos amados pequenos burros”.

Os explorados alegam ainda que os pequenos burros “normalmente” podem carregar metade do seu peso, mas que eles limitam a carga a 45 libras (cerca de 20 kg) por razões de segurança. “Eles carregaram tudo: garrafas de água, cerveja, barris de vinho, champanhe, tequila e materiais de marketing. Se não for muito pesado, pode ser tão criativo quanto você gostaria”, diz a empresa.

Foto: Jornal Metro

Foto: Jornal Metro

E os exploradores vão mais longe mencionando até as necessidades orgânicas dos animais, avisando que os burros vão até a festa “equipados” com sacos coletores que são específicos para coletar a “bagunça”.

“Little Burro Events irá tornar sua festa única”, concluem os empresários inescrupulosos.

Justiça nega pedidos de autorização para matar jumentos para consumo na Bahia

A Justiça negou os pedidos do governo da Bahia e de frigoríficos para que a morte de jumentos para consumo humano volte a ser autorizada no estado. A proteção aos jumentos está, portanto, mantida, em caráter liminar, até que o processo seja julgado e uma decisão definitiva seja proferida.

(Foto: Reprodução / Folha de S. Paulo)

Após casos de maus-tratos serem registrados na Bahia, com centenas de animais mortos de fome e de sede em Itapetinga e Itororó, no Sudoeste baiano, a Justiça Federal proibiu, em dezembro de 2018, que jumentos continuassem a ser mortos para consumo no estado.

A proibição das mortes recebeu parecer favorável do Ministério Público Federal. Na decisão, o Procurador Regional da República José Maurício Gonçalves afirmou que “foi comprovado, mediante aos documentos acostados nos autos, que os animais estão sendo submetidos a maus-tratos e estão correndo risco de extinção”.

Os jumentos eram mantidos expostos ao sol, com pouco alimento, junto de animais doentes e deixados para morrer, além de serem forçados a suportar um transporte até o matadouro de mais de 12 horas de duração, o que é ilegal, já que contraria a Instrução Normativa MAPA nº 56/2008, e a Resolução CONTRAN nº 675/2017.

Para o advogado Francisco Giardina, a relevância da decisão da Justiça de manter a proteção aos jumentos no estado da Bahia é inegável. “Estamos, infelizmente, passando por uma fase em que, ao menos no âmbito judicial, os direitos dos animais tendem a ser diminuídos. Essa decisão do TRF, não apenas situa os animais como sujeitos de direitos, mas também requalifica o meio-ambiente equilibrado como um direito inalienável e inafastável da sociedade”, disse.

Justiça obriga União e Estado a dar assistência a jumentos na Bahia

A Justiça Federal obrigou a União e o Estado da Bahia a dar assistência veterinária e garantir abrigo, alimentação e água a centenas de jumentos encontrados em janeiro em situação de maus-tratos na zona rural do município de Canudos.

Foto: Reprodução / Correio 24 Horas

A decisão da juíza federal Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal Cível da Bahia, que também foi a responsável por proibir, por meio de liminar, que os jumentos sejam mortos na Bahia, atende a um pedido de ONGs de proteção animal que estão com a tutela dos jumentos, que têm enfrentado dificuldades para garantir o bem-estar desses animais devido à baixa quantidade de doações recebidas para arcar com os gastos.

De acordo com as ONGs, há 427 jumentos precisando de ajuda – pouco mais da metade mantida no confinamento em situação de maus-tratos, que era de cerca de 800 animais. Os demais morreram, segundo as entidades, devido a uma doença metabólica sem cura desenvolvida por terem sido maltratados. As informações são do Correio 24 Horas.

A Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que “já foi intimada da referida decisão e está avaliando as medidas judicias que serão adotadas”. O governo da Bahia não se posicionou.

Segundo a decisão da juíza, o Estado da Bahia deve “informar sobre a possível emissão de GTAs [guia de trânsito que atesta também a sanidade do animal] para deslocamento de jumentos no Estado da Bahia após deferimento da liminar ou qualquer outro tipo de autorização relativa ao jumento neste Estado” e a União e o Estado devem tomar as “providências necessárias ao cadastro e chipagem dos jumentos, de modo que possa haver um controle da quantidade e origem desses animais” e adotar “providências no sentido de dar assistência e proteger os jumentos que estão na propriedade”.

A bióloga Patrícia Tatemoto, representante no Brasil da The Donkey Sanctuary, ONG britânica que trabalha de forma global na defesa dos jumentos e que tem ficado entre os municípios Salvador e Canudos para ajudar os animais, afirmou que os jumentos estão bem cuidados, mas que os recursos estão escassos.

“Estamos com dois veterinários cuidando dos animais, fazendo exames. Há comida e água, mas os recursos estão acabando e dependemos muito de doações, que estão ocorrendo, mas por conta da grande quantidade de jumentos ainda precisamos de mais, e o que chega está sendo gasto”, disse.

Cerca de 600 amostras de sangue foram coletadas dos jumentos para realização de exames, segundo a doutora em equinos, a zootecnista Chiara Albano, professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e integrante do Fórum Nacional de Defesa Animal. Os resultados ainda não foram divulgados.

“As amostras de sangue ficaram no laboratório da Adab [Agência de Defesa Agropecuária da Bahia] aguardando os reagentes para que os exames fossem realizados”, escreveu Chiara Albano num relatório sobre os jumentos.

Chiara acredita que “existe interesse do governo da Bahia em segurar os exames, por custo também, mas principalmente por questões comerciais com os chineses. Se houver caso de AIE [anemia infecciosa equina], o governo pode ter sérios problemas nas barreiras alfandegárias. Apesar de a AIE não ser uma zoonose, este exame é exigido para a exportação de carne ou pele de equídeos pela China”.

A advogada Gislane Brandão, que coordena a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, disse que a ausência do resultado dos exames está atrapalhando a adoção dos jumentos. “Sem ter informações sobre a saúde dos animais, não tem como fazer as adoções”, declarou.

Na internet, uma campanha de arrecadação de fundos está sendo realizada. O dinheiro será usado para custear o arrendamento rural, empregados, alimentação, água, veterinários, castrações, remédios, vacinas, exames e transporte para adoções, as quais serão realizadas quando os jumentos estiverem saudáveis.

Para doar, basta acessar o site do Catarse. A campanha já arrecadou cerca de R$ 20 mil, mas pelo menos R$ 10 mil já foram usados com cuidados com os jumentos, especialmente com o arrendamento da área onde eles foram abrigados.

“As doações que temos recebido são muito válidas, mas os custos são grandes. Por isso, precisamos que o Estado e a União arque com os custos”, disse Gislane.

Ativistas pedem que Maia paute PL que proíbe o abate de jumentos

Nos últimos anos, alguns criadores e representantes do governo brasileiro e baiano passaram a viabilizar o abate desses animais (Foto: Divulgação)

Criado pelo deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), o PL 1218/2019 quer elevar o jumento a patrimônio nacional e proibir o abate do animal em todo o país. Atualmente a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos tem feito um apelo a todos que são contra o envio dos jumentos aos matadouros para enviarem mensagens via Instagram ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A recomendação é pedir que Maia paute o projeto e o envie para votação na Semana Nacional dos Projetos da Causa Animal em agosto. Segundo Izar, não há como aceitar os maus-tratos a que estão sendo submetidos esses animais, apenas visando a exploração comercial.

Inserido na cultura brasileira, os jumentos foram explorados como animais de carga por séculos. Porém, recentemente passaram a ser considerados desnecessários para essa finalidade.

Por isso, nos últimos anos alguns criadores de animais e representantes do governo brasileiro e baiano passaram a viabilizar o abate dos jumentos, inclusive daqueles que são abandonados pelos proprietários – o que é uma solução fácil e inadequada para um problema complexo.

Além disso, o consumo da carne de jumento não faz parte dos hábitos dos brasileiros, até porque há uma relação de familiaridade e consideração que se perpetuou culturalmente em relação aos jumentos a partir do século 16.

No entanto, a China que mata cerca de 1,5 milhão de jumentos por ano, tanto para o consumo de carne quanto para a utilização na medicina chinesa, tem dialogado com o governo brasileiro desde 2015, onde a criação de jumentos é uma tradição, na tentativa de intensificar a exportação desses animais com finalidade de abate.

Em 1977, Chico Buarque já cantava sobre a cruel realidade servil desse animal na música “O Jumento”: “Jumento não é o grande malandro da praça. Trabalha, trabalha de graça. Não agrada ninguém. Nem nome não tem…”

Uma prova de que o valor atribuído ao jumento normalmente se resume à sua força é que os animais mais fortes podem não ter preço, mas aqueles que já apresentam algum tipo de desgaste, não raramente são abandonados, abatidos ou comercializados por não mais do que alguns reais.

Rodrigo Maia no Instagram: @rodrigomaiarj

MP se posiciona a favor da proibição da morte de jumentos para consumo na Bahia

Após o estado da Bahia acionar a Justiça pedindo a suspensão de uma liminar que proíbe a morte de jumentos para consumo na Bahia, o Ministério Público Federal deu parecer favorável à proibição.

(Foto: Reprodução / Folha de S. Paulo)

Na decisão, o Procurador Regional da República José Maurício Gonçalves afirmou que “foi comprovado, mediante aos documentos acostados nos autos, que os animais estão sendo submetidos a maus-tratos e estão correndo risco de extinção”.

Os registros de animais expostos ao sol, com pouco alimento, mantidos junto de animais doentes e deixados para morrer também foram citados por Gonçalves, que também lembrou “que o transporte e deslocamento de animais para os frigoríficos do Estado da Bahia tem totalizado mais de 12 horas de viagem, contrariando a Instrução Normativa MAPA nº 56/2008, e a Resolução CONTRAN nº 675/2017 quanto ao transporte e bem-estar animal,
corroborando com a afirmativa da existência de transporte inadequado e irregular de animais”.

De acordo com o procurador, consta em uma foto anexada ao processo “o carro da fiscalização da ADAB no local denunciado. Desse modo não há como o ESTADO DA BAHIA negar a ciência da situação, assim como negar a existência de indícios de irregularidade e omissão estatal na expedição de autorização para a atividade”.

Gonçalves lembrou também que “não proteger o meio ambiente afronta a Constituição, principalmente no que se diz respeito ao seu princípio que proíbe o retrocesso ambiental”.

A ação que garantiu a liminar que proibiu que jumentos sejam mortos para consumo na Bahia é de responsabilidade das ONGs União Defensora dos Animais, Bicho Feliz, Rede de Mobilização Pela Causa Animal (REMCA), Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e SOS Animais de Rua. As entidades solicitaram ainda que os matadouros utilizados para matar os jumentos sejam interditados e esses animais sejam encaminhados para santuários. Após conseguirem a liminar, as ONGs ingressaram com um recurso na Justiça pedindo que as mortes sejam proibidas em todo o país.

No texto da ação, as entidades alegam que matar jumentos sem o devido cuidado com a saúde deles, submetendo-os a mau-tratos, “provoca inúmeros danos não só na esfera ambiental, como, por exemplo, propagando doenças até para os seres humanos, além de outros perigos da seara ambiental que podem acarretar na extinção da espécie”. As ONGs lembram também que a “Carta Magna determina que todos tem direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Para a advogada Gislane Brandão, que está à frente da ação judicial movida pelas ONGs, o parecer do Ministério Público favorável à liminar pode aumentar as chances do judiciário decidir manter a proibição. “O parecer de um órgão que fiscaliza a lei e que se colocou contrário à prática que está sendo realizada com os jumentos fortalece e confirma a nossa ação judicial”, disse.

Campanha arrecada fundos para tratamento de jumentos resgatados na BA

Uma campanha está arrecadando fundos para arcar com os gastos do tratamento de 800 jumentos resgatados em severo estado de desnutrição em uma fazenda arrendada por chineses na Bahia.

(Foto: Reprodução / Vegazeta)

Os jumentos, explorados para consumo, foram vítimas de maus-tratos. Após a Justiça Federal proibir que eles fossem mortos, em novembro de 2018, esses animais foram abandonados. Mais de 200 deles morreram no local. Parte deles foi encontrada em uma vala. Outros, debilitados, cambaleavam quando foram resgatados.

Para ajudar os jumentos, a campanha pede que depósitos sejam feitos em uma conta bancária (confira abaixo). Os valores arrecadados serão destinados aos cuidados necessários aos jumentos, que, após se recuperarem, serão doados.

Interessados em adotar os jumentos devem entrar em contato com a  Frente Nacional de Defesa dos Jumentos por meio de sua página no Facebook.

Confira a conta bancária:

Caixa Econômica Federal
Agência: 0991
Operação: 003
Conta Corrente: 2184-2
União Defensora dos Animais
CNPJ: 03.893.511/0001-78

Caminhão atropela jumentos e tomba em rodovia em Alagoas

Um caminhão atropelou três jumentos, saiu da pista e tombou. Caminhoneiro e passageiro ficaram feridos. O acidente aconteceu na madrugada deste sábado (2) na rodovia AL-220, em Arapiraca, Agreste de Alagoas.

(Foto: Pixabay / Ilustrativa)

As informações são do Corpo de Bombeiros, que foi acionado por volta de 4 horas da manhã para resgatar os dois homens, de 34 e 46 anos, que ficaram presas às ferragens do veículo. Eles não tiveram os nomes divulgados.

Não há informação se os animais sobreviveram ao atropelamento.

Fonte: G1

Cerca de 800 jumentos estão passando fome e sede em fazenda na BA

Pelo menos 800 jumentos estão passando fome e sede em uma fazenda em Euclides da Cunha, na Bahia. Até o momento, cerca de 200 animais morreram. Os que ainda estão vivos apresentam desnutrição severa.

(Foto: SOS Animais Itapetininga)

O responsável pelos animais, que é chinês, foi encaminhado para a delegacia, mas após prestar depoimento, foi liberado. O prefeito da cidade afirmou, através das redes sociais, que providências estão sendo tomadas.

O caso é semelhante ao registrado em novembro de 2018, quando centenas de jumentos foram encontrados em situação de maus-tratos em uma área de propriedade de um frigorífico em Itapetininga (BA). Sem água e comida, os animais definharam. Muitos morreram.