Bebê elefante morre durante campanha pela sua liberdade

Por David Arioch

A iniciativa pela libertação de Jumbo partiu do projeto britânico de defesa dos direitos animais Moving Animals (Foto: DLD)

Um bebê elefante que era usado em apresentações para turistas no Zoológico de Phuket, na Tailândia, faleceu há menos de um mês durante campanha pela sua liberdade.

A iniciativa pela libertação de Jumbo partiu do projeto britânico de defesa dos direitos animais Moving Animals, que constatou que, além da exploração diária do jovem elefante como entretenimento, ele apresentava sinais de desnutrição e exaustão.

No mês passado, já visivelmente fraco, Jumbo foi encaminhado a um hospital veterinário na capital Krabi, onde faleceu três dias depois. “Esse é um fim terrível e trágico para uma vida dolorosamente curta como a de Jumbo”, declarou Amy Jones, do Moving Animals.

E acrescentou: “O zoológico não fez nada até receber críticas internacionais. Sob seus cuidados, esse filhote de elefante quebrou as duas patas traseiras e o zoológico só fez algo a respeito três dias depois. Não consigo imaginar o sofrimento dele nesse período.”

O diretor do zoológico, Pichai Sakunsorn, disse ao The Phuket News que ninguém quer perder algo que ame. “Fizemos o melhor que pudemos para protegê-lo”, alegou. Apesar da morte de Jumbo, as autoridades tailandesas declararam que o zoológico não violou nenhuma lei e que a direção pode adquirir outro animal para substituí-lo.

Segundo Amy, a história de Jumbo deveria servir como lição para que ninguém explore animais como meio de entretenimento ou exposição visando lucro.

Moving Animals disponibiliza e vídeos para ativistas e grupos

Amy Jones e Paul Healey criaram em 2018 o projeto Moving Animals, que fornece gratuitamente fotos e vídeos de conscientização sobre a exploração animal que podem ser utilizadas por ativistas de qualquer parte do mundo.

“Desde então temos testemunhado, documentado e arquivado práticas com animais nas indústrias ao redor do mundo”, informam.

Antes de iniciarem o projeto, eles trabalharam para a organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) no Reino Unido, realizando registros da realidade dos animais utilizados como bens de consumo e entretenimento.

“Nosso trabalho pretende destacar que a exploração animal mundial é um círculo obscuro de abusos, atrelado à oferta e demanda, ao dinheiro e a práticas não expostas”, justificam.

O Moving Animals também produz imagens para campanhas de organizações e grupos que necessitam de algum tipo de material específico.

“Fornecemos imagens gratuitas para ativistas e organizações, e também criamos o nosso próprio conteúdo. Ampliando a conscientização sobre o sofrimento dos animais, queremos incentivar as pessoas a se afastarem dessas práticas”, enfatizam.

No site do projeto é possível encontrar imagens já disponibilizadas em pelo menos 12 categorias, o que inclui entretenimento, indústrias de laticínios, ovos e carne, indústria da pesca, exploração de animais como meio de transporte e animais abandonados, entre outras.

O poder da informação e o desafio às crenças especistas estabelecidas

Foto: Animal Ethics

Foto: Animal Ethics

Com celebrações por todo o mundo o Dia Mundial da Imprensa ou Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é uma homenagem aos profissionais e veículos que são responsáveis por prover e divulgar informações necessárias à construção de uma sociedade mais crítica, democrática e livre.

A data comemorativa foi proclamada pela Assembléia Geral da ONU em dezembro de 1993, seguindo a recomendação da Conferência Geral da UNESCO. Desde então, 3 de maio, o aniversário da Declaração de Windhoek é comemorado mundialmente como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Este ano a data completa sua 26ª celebração sob o tema: Mídia para a Democracia, Jornalismo e Eleições em Tempos de Desinformação, que discute e trás à pauta questões como o potencial da mídia em apoiar os processos de paz e reconciliação.

O sofrimento animal apenas recentemente tem ganhado atenção da imprensa e mesmo assim de forma comedida e tímida como algo considerado “menos importante” e restrito aos veículos específicos, voltados ao meio ambiente e a fauna silvestre.

Foto: PETA

Foto: PETA

Vistos como seres inferiores e dessa forma passíveis de serem usados e dispostos como produtos a serem explorados e mortos conforme a vontade a humana, esses seres que são nossos companheiros de planeta padecem em silêncio, ocultos pelos interesses de uma classe ambiciosa e dona de benefícios a que o dinheiro garante acesso.

A grande massa da sociedade segue a doutrina do especismo, muitas vezes sem saber que o faz, apenas repetindo crenças que lhes foram enfiadas goela abaixo de geração em geração. Sem desafiar o conteúdo que lhes foi imposto ou arriscar qualquer questionamento.

Ao rotular e aceitar que os animais podem ser mortos e explorados conforme nosso interesse, estamos condenando essas vidas a uma existência de dor e exclusão, com a morte como a única forma de se libertar do cativeiro.

Foto: Pinterest

Foto: Pinterest

Mas quem poderia mudar o pensamento vigente senão a imprensa, cujo papel e força motriz é despertar esse interesse e fomentar a ousadia de uma consciência crítica nos consumidores, leitores e espectadores, atualmente coformados com um status quo confortável e já totalmente estabelecido.

É da imprensa o papel de propor novos pontos de vista, ângulos inexplorados, e principalmente denunciar o que ocorre por tras do véu que têm cegado – por opção própria – a humanidade até aqui, para fora dos meios ambientalistas e rumo à sociedade como um todo.

Milhões de animais morrem todos os anos para alimentar nosso paladar, vacas são exploradas a vida inteira para que o leite de seus filhos chegue a nossas bocas, animais são mortos em “jogos” de caça para nos divertir, golfinhos e orcas enlouquecem em cativeiro para que assistamos eles fazerem truques em troca de comida.

Foto: PETA

Foto: PETA

Nosso conformismo nos deixou a ponto de entrar em uma era afetada pela mudança climática com consequências irreversíveis e fatais, não só para as demais espécies do planeta como para os seres humanos também. Muito pouco foi feito, medidas isoladas aqui e ali, acordos climáticos e de redução de emissões de carbono pouco efetivos e governos que fingem que “alguém virá nos salvar” se a coisa ficar muito feia.

Mas ninguém virá nos salvar a única coisa que pode nos salvar é nossa consciência crítica da realidade, uma mudança de postura radical e urgente, com a ajuda da imprensa no papel de divulgadora e fomentadora de questionamentos inéditos, vanguardistas e acima de tudo compassivos.

Após ação da ANDA, Justiça determina transferência de chimpanzé que vive sozinho em zoo para santuário do GAP

Foto: Divulgação/Prefeitura de Sorocaba

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, por unanimidade, a transferência do chimpanzé Black, de 48 anos, até o dia 5 de maio, do zoológico municipal Quinzinho de Barros, na cidade de Sorocaba, para santuário localizado no mesmo município. A decisão foi proferida na ação civil pública contra o Município de Sorocaba de autoria da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e pela Associação Sempre Pelos Animais de São Roque.

Uma longa batalha se travou no judiciário e, apesar da recomendação favorável do Ministério Público em primeira instância, o juiz negou a liminar pleiteada na ação, e as entidades tiveram que recorrer até conseguir o acordão dado pela corte paulista. As ONG’s argumentaram na ação que o primata, por ser uma espécie gregária, está sendo privado de seus instintos mais básicos ao ser afastado da companhia de outros chimpanzés. Também é submetido a uma rotina distinta à da sua espécie e ao assédio do público frequentador do zoológico, problema comum sofrido pelos animais que vivem nesse ambiente.

Tendo em vista a rara coincidência de o município de Sorocaba abrigar o maior santuário de chimpanzés da América Latina, o pedido principal das entidades foi de que Black fosse transferido imediatamente para o local. Afiliado ao Projeto Grandes Primatas, o santuário reúne mais de 80 chimpanzés num espaço dedicado de 5.000 metros, onde desfrutam de uma vida mais próxima àquela que teriam na natureza.

Logo após ser publicada a segunda instância, favorável à transferência, as entidades procuraram se reunir com o secretário de Meio Ambiente de Sorocaba, Jessé Lourese, e com o promotor de justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum, a reunião teve o propósito de encontrar uma saída ágil e eficaz para o cumprimento da decisão. Contudo, até o momento, não houve manifestação do secretário em relação à Prefeitura de Sorocaba realizar uma transferência amigável e rápida, embora o prazo de 30 dias estipulado pelo Tribunal de Justiça já esteja transcorrendo.

“Não acredito ser da índole do prefeito querer estender essa ‘disputa’, que só faz aumentar o sofrimento de Black e o priva de ter uma vida melhor no santuário, na companhia de outros membros da sua espécie. Black já passou por muita coisa, foi até explorado num circo, e é chegada a hora de amenizarmos um pouco do que a espécie humana lhe causou”, pondera Leandro Ferro, procurador das entidades e um dos ativistas à frente da ação para a transferência de Black.

Situação protelada

Em 2014, Black esteve temporariamente no santuário, a pedido do próprio zoológico, para manutenção de sua jaula. Naquele ano, ele se socializou com outros membros de sua espécie e conquistou até uma companheira, a chimpanzé Margarete. Contudo, o zoológico exigiu sua volta, e o mantenedor do santuário, Pedro A. Ynterian, iniciou uma campanha pública pela permanência de Black, sem ter obtido sucesso naquela época.

“Apesar dos esforços empreendidos pelo movimento GAP, juntamente com a sociedade civil e até outra ONG vinculada diretamente à Organização das Nações Unidas, o GRASP – GREAT APES SURVIVAL –, por uma disputa política e de vaidade, o chimpanzé Black acabou não sendo transferido para o santuário”, relata Leandro Ferro.

Parentes mais próximos

Entre as espécies com mais semelhanças à humana, o chimpanzé chega a ter 98% do DNA em comum. Vários testes confirmam inteligência significativamente elevada desse animal, comparada por vezes com a das crianças de até três anos. Na natureza, comem durante o dia todo e, à noite, descansam em ninhos nas copas das árvores.

Em um zoológico, seu ciclo biológico de alimentação e sono são alterados. Na maioria desses locais, ficam oito horas em exposição e 16 horas dentro de cubículos fechados. Em vez de comer várias vezes durante o dia, como é recomendado para primatas humanos, só são alimentados antes de anoitecer, após serem forçados a entrar nesses cubículos, no fim do expediente, onde comem e ficam trancafiados.

GAP

O Great Ape Project (GAP), ou Projeto dos Grandes Primatas, é um movimento internacional que trabalha para garantir direitos básicos à vida, liberdade dos grandes primatas chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos. Criado em 1994, está presente em 13 países, entre eles o Brasil.

Há dois anos, “Os Seis de Saint Louis” escaparam do matadouro e deixaram uma grande lição

A história gerou tanta repercussão nos Estados Unidos que o santuário Gentle Barn conseguiu arrecadar mais de 400 mil dólares para comprá-los e garantir um lar e todos os cuidados necessários (Foto: The Gentle Barn Missouri)

Na semana passada completou dois anos que seis bois escaparam de um matadouro da Star Packing Co., em Saint Louis, no estado do Missouri (EUA), e deram uma lição de luta pela vida. Em 30 de março de 2017, Chico, Eddie, Houdini, Roo, Johnny Cash e Spirit arrebentaram três cercas, inclusive uma de ferro, e correram pelas ruas da cidade em busca de um refúgio seguro.

Durante a fuga, que foi transmitida por helicópteros de emissoras de TV, os animais conseguiram escapar da polícia e dos agentes de controle animal por cinco horas. Até a SWAT foi convocada para dar assistência na captura dos “Seis de Saint Louis”. Corajoso e demonstrando muita vontade de viver, Chico guiou seus irmãos o máximo que pôde, sempre cuidando para que nenhum deles fosse deixado para trás.

O seu interesse em evitar que fossem reduzidos a pedaços de carne chamou a atenção até mesmo de um público de consumidores de carne que durante as horas de fuga torceu para que os bovinos não fossem capturados. A operação mobilizou tantos profissionais que, mesmo depois de escaparem de várias situações em que a fuga parecia impossível, os animais acabaram definitivamente encurralados.

Com destino incerto, e ainda apontando para a probabilidade de serem abatidos, eles foram mantidos em confinamento em uma fazenda por algumas semanas, até que a intervenção popular e compassiva falou mais alto. A história gerou tanta repercussão nos Estados Unidos que o santuário Gentle Barn conseguiu arrecadar mais de 400 mil dólares para comprá-los e garantir um lar e todos os cuidados necessários.

Infelizmente, Spirit ficou bastante ferido ao final da fuga e faleceu pouco tempo depois. Em sua homenagem, os voluntários do santuário Gentle Barn Missouri plantaram um pessegueiro, perto de um lago que recebeu o nome de Lake Spirit, onde os outros animais do bando se reúnem.

Hoje, os sobreviventes, que têm três anos de idade e podem chegar facilmente aos 15 anos, vivem com galinhas, perus, porcos e cabras. “Chico foi corajoso, sábio, forte e mostrou ao mundo que quando lhes é dada uma chance, os bois sempre escolhem a vida”, destaca a gerente do santuário, Michelle Robertson, acrescentando que a cada ano realizam uma festa para comemorar o aniversário da grande fuga.

Vaca luta pela liberdade, mas acaba no matadouro

Durante a perseguição, uma das maiores preocupações era assegurar que a carne não fosse “danificada” (Foto: AFP/Getty)

Este mês, uma vaca fugiu quando estava sendo transportada para um matadouro em Valley Center, no Kansas, nos Estados Unidos. Durante a fuga, a polícia foi acionada e o animal correu para o norte da cidade, em direção aos trilhos de trem.

Enquanto tentavam capturá-la, um dos policiais atirou contra a vaca, alegando mais tarde que o animal tentou atacá-lo. Ainda que houvesse confirmação, tal tentativa é uma reação baseada em um instinto de autopreservação.

Após o disparo, a vaca ainda percorreu mais de um quilômetro na luta pela sobrevivência e pela liberdade. Mas acabou capturada na região oeste de Valley Center, e de lá foi enviada para o matadouro da Richards Cold Storage, mesmo depois de se esforçar tanto para não morrer.

Segundo o jornal The Wichita Eagle, a vaca não tinha nome e uma das maiores preocupações durante a perseguição era assegurar que “a carne não fosse danificada”.