Marcha Animal une centenas de pessoas na luta pelos animais em Portugal

Vinte anos depois da primeira manifestação, a Marcha Animal deste sábado (6), que juntou centenas de pessoas nas ruas de Lisboa, em Portugal, arrancou de um ponto de partida diferente nos direitos conquistados, mas ainda com um longo caminho a percorrer.

Rita Silva, presidente da Associação Animal, que há 20 anos organiza a Marcha Animal em defesa dos direitos dos animais, não tem dúvidas de que foram duas décadas “com resultados”.

“As coisas não estão como estavam, não chega ainda, mas não estão como estavam há 20 anos, de todo”, disse à Lusa a ativista, que esta tarde foi uma das centenas de pessoas que se juntou frente à praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, de onde saiu a marcha com destino à Assembleia da República.

Tiago Petinga/LUSA

Faixas e cartazes com imagens chocantes de animais ensanguentados, acorrentados ou explorados para experimentação científica, e com frases como “Libertação Animal”, “Amas uns e comes outros?”, “E se fosse consigo?”, “As verdadeiras vítimas da moda”, numa alusão ao uso da pele dos animais em roupas, ou “A tauromaquia é doentia” representavam uma espécie de barricada com “o outro lado” que, ali mesmo ao lado, na praça de touros do Campo Pequeno, sem manifestações ou ativistas, marcava a sua posição com um enorme cartaz pendurado na fachada do edifício anunciando os nomes para a temporada tauromáquica de 2019 em Lisboa.

Rita Silva afirmou que a marcha começava naquele local “precisamente por uma questão simbólica”, uma vez que a Associação Animal se prepara para entregar no parlamento as mais de 20 mil assinaturas já recolhidas no âmbito da Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) que pede o fim do financiamento público à tauromaquia.

Mesmo depois de o parlamento ter rejeitado na atual legislatura propostas com esse objetivo, ou para proibir a exibição de touradas no canal público de televisão, ou ainda para não permitir a entrada a crianças nas praças de touros, Rita Silva diz que tem “bastante esperança” que a ILC “corra bem”.

“Até porque a iniciativa é pelo fim dos subsídios à tauromaquia, pelo fim dos dinheiros públicos à tauromaquia, que nós cremos que é a torneira que ainda mantém a tauromaquia de pé”, disse.

Para a presidente da Animal, há um “trabalho de sensibilização” a fazer junto dos deputados, sobretudo aqueles que “estão no ‘nim’”, ou seja, não escolheram um lado.

“Temos esperança, claro, que na próxima legislatura as coisas corram melhor, mas vamos ver”, afirmou.

André Silva, deputado do PAN — Pessoas, Animais, Natureza, está na Assembleia da República do lado dos que não precisam de ser convencidos pela argumentação de associações como a Animal e este sábado, na manifestação, declarou-se convicto de que haverá condições para mudanças na próxima legislatura.

“Nós acreditamos, até pelo debate que ocorreu, que na próxima legislatura haverá claramente condições nos vários partidos para que exista maior abertura para conferir mais proteção aos animais, em termos de entretenimento, e naturalmente na luta contra a tauromaquia, que é um resquício de uma atividade anacrônica e de outros tempos que não tem mais lugar na sociedade e nos valores do século XXI”, disse à Lusa.

O deputado disse esperar pela entrada da ILC no parlamento para que o PAN possa acompanhá-la com “diversas iniciativas legislativas” e para que “os partidos se posicionem em relação a essa matéria”.

As votações dos deputados no último Orçamento do Estado, contrárias às pretensões dos defensores dos direitos dos animais, e que, evocando a cultura nacional e a tradição, aprovaram medidas como a redução da taxa de IVA para 6% para a tauromaquia, não desmoralizam André Silva, que afirma que esses deputados correspondem a um conjunto de pessoas que “continuam presas a posições conservadoras”, que está “de costas voltadas para os cidadãos” e que já não representa o “sentimento geral da maioria da população”.

Ana Vitorino, uma manifestante estreante na Marcha Animal, mas há muito consciente de que é preciso olhar os animais “de outra forma”, parece dar razão à ideia do “sentimento geral” de André Silva.

“Se pararmos para pensar, vamos perceber que por baixo da palavra tradição estão violências exercidas contra os animais. Tradição serve para encobrir violência”, disse à Lusa, acrescentando que há uma corrente filosófica que defende que o século XXI será dos animais e a forma como os tratamos vai “ditar o nosso futuro”.

Aproveitando uma trégua da chuva que pontualmente foi marcando presença durante a tarde em Lisboa, a marcha arrancou do Campo Pequeno pelas 16:15 em direção ao Marquês de Pombal e com destino à Assembleia da República, com centenas de pessoas, entre as quais uma comitiva do PAN, e outra do Bloco de Esquerda, entoando quase em uníssono “direitos dos animais são fundamentais”.

Fonte: Observador

copos de plástico descartados poluindo a água

Lisboa proibirá copos de plástico descartáveis a partir de 2020

Na quinta-feira, 10, a câmara municipal de Lisboa anunciou a medida que proibirá a distribuição de copos de plástico descartáveis em restaurantes, bares e outros estabelecimentos. A proibição veio com o intuito de incentivar as pessoas a ter um comportamento mais ambientalmente responsável.

copos de plástico descartados poluindo a água

Foto: Getty Images

A medida dará aos empresários “até 31 de Dezembro de 2019 para eliminarem os plásticos descartáveis, nomeadamente os copos, em espaço público”, disse o vice-presidente, Duarte Cordeiro, vereador responsável pelos Serviços Urbanos. “Acreditamos que a restauração da cidade está pronta para este desafio.”

Essa proibição não se aplica somente aos copos de plástico, mas também a todos os utensílios descartáveis comumente utilizados no consumo de alimentos na rua. A câmara pretende atualizar o Regulamento de Gestão de Resíduos, Limpeza e Higiene Urbana, cuja última versão data de 2004, e essa medida faz parte de um conjunto de alterações no regulamento que serão discutidas na próxima semana.

Cordeiro assegurou que a nova proibição não significa que as pessoas não poderão mais consumir bebidas alcoólicas em espaço público, embora haja essa exigência em alguns setores da cidade por outros motivos. Ele disse que a autarquia não pretende “mudar hábito nenhum da cidade”, admitindo que ele próprio e o presidente Fernando Medina são adeptos de uma boa bebida ao ar livre.

“Existem soluções, existe capacidade. Muitas vezes não há vontade, mas com esta medida assinalamos uma vontade política”, continuou ele, citando as Festas de Lisboa, do Ano Novo e do Jardim do Arco do Cego, em que os copos descartáveis foram substituídos por reutilizáveis.

Assim como já acontece em alguns festivais de verão e outros eventos, os consumidores alugam um copo, pagando uma taxa no início do evento e, se o devolverem intacto, o valor será restituído. Durante a festa de Ano Novo na Praça do Comércio foram entregues mais de 58 mil copos aos cidadãos e cerca de 10 mil não foram devolvidos.

A nova proibição entrará em vigor no primeiro dia de 2020, o que dá aos empresários o espaço de um ano para realizarem as mudanças necessárias. Não é obrigatório o uso de copos de plástico reutilizáveis, havendo a opção de oferecer copos de vidro ou limitar o consumo de bebidas fora do estabelecimento. As penas para o não cumprimento da nova lei são multas de valor entre 150 e 1500 euros para pessoas físicas e entre 1000 e 15 mil euros para empresas.

cachorro envolto num cobertor vermelho

Abrigos em Lisboa acolhem também animais abandonados devido ao frio

A Provedoria dos Animais de Lisboa informa, através de uma publicação na sua página oficial do Facebook que, face ao frio extremo que se faz sentir, a ativação do plano de contingência para as pessoas sem-abrigo também inclui os animais.

cachorro envolto num cobertor vermelho

Foto: Facebook | Reprodução

O plano de contingência foi ativado esta quarta-feira (09/11) e, por exemplo, no Pavilhão do Casal Vistoso e na freguesia da Estrela vai haver condições para que os animais sejam acolhidos.

A mesma entidade pede que todas as pessoas que tenham animais, em especial aos que vivem na rua, que tenham o máximo de cuidado e que os agasalhem bem, uma vez que são esperadas temperaturas muito baixas. “Se puder acolher animais errantes nos próximos dias, abrigando-os das condições climáticas extremas, não hesite em fazê-lo”, recomenda a Provedoria.

*Esta notícia foi escrita, originalmente, em português europeu e foi mantida em seus padrões linguísticos e ortográficos, em respeito a nossos leitores.

Fonte: Sol Sapo