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Um relatório anual recém lançado, considerado marco de referência em negócios, revela que o bem-estar animal infelizmente não é uma prioridade para algumas das maiores empresas de alimentos e restaurantes do mundo.
As informações revelam que o bem-estar dos animais, nem sequer está na agenda de algumas dessas empresas conhecidas e consideradas confiáveis pelo público. A informação contrasta com o esforço de outras marcas menores, líderes em seus segmentos, que têm trabalhando duro para melhorar o bem-estar animal em sua lógística de operação.
O sétimo Marco de Referência em Negócios sobre Bem-estar Animal em Fazendas (BBFAW, na sigla em inglês), apoiado pela World Animal Protection e Compassion in World Farming, é a principal fonte de referência mundial sobre o bem-estar dos animais de fazenda.
Ele classifica 150 empresas de alimentos em relação aos padrões de bem-estar animal dos níveis 1 a 6, sendo o nível 1, o melhor e o nível 6, o pior.
A gigante norte-americana Mars e uma das maiores cadeias de supermercados da Europa, a E.Leclerc, estão na parte inferior da tabela no nível 6 e mostram pouca consideração pelo bem-estar animal em seus negócios.
O relatório conclui que não há evidências de que o bem-estar dos animais sequer esteja na agenda comercial dessas empresas.
A Amazon, a maior empresa do mundo e proprietária do Whole Foods Market, teve um desempenho ligeiramente melhor e alcançou um status de nível 5, assim como a Starbucks, a Papa Johns, a Subway, a Campbell’s Soup e a Hershey.
Para essas empresas, o bem-estar dos animais está na agenda comercial, mas há evidências de implementação limitadas.
A classificação da lista de referência mostra que há mais trabalho a ser feito por outros nomes famosos, que ficaram na parte inferior do ranking. A multinacional de varejo Walmart e a gigante do fast-food Burger King obtiveram apenas o status de nível 4.
A cadeia de supermercados alemã Aldi e o McDonald’s, ambos do setor fast food, estão classificados no nível intermediário 3, ou seja, têm políticas estabelecidas, mas têm mais trabalho a ser feito.
A gigante britânica-holandesa Unilever, que vende inúmeros alimentos de marcas famosas, como Ben e Jerry’s e Hellmann’s, alcançam uma classificação alta, no nível 2, assim como a gigante francesa Danone – ambas mostraram que o bem-estar dos animais é essencial para sua estratégia de negócios.
Também estão no nível 2, os supermercados britânicos Morrisons e Sainsburys. A Whitbread, maior operadora de hotéis e restaurantes do Reino Unido, também se classificou no segundo nível, juntamente com a Greggs, a maior rede de padaria do Reino Unido.
As empresas britânicas dominam o topo da tabela, no nível 1. A Waitrose, a Marks & Spencer, a Cranswick (uma das maiores produtoras de alimentos da Grã-Bretanha), a Noble Foods (fabricantes de GU Puds) assumiram a liderança no bem-estar animal.
Ranking do Bem-Estar Animal em Fazendas de Criação (limitado a companhia selecionadas):
Nível 1 – Liderança
Waitrose, Marks & Spencer, Noble Foods, Cranswick
Nível 2 – Integrada a estratégia de negócio
Unilever, Danone, Morrisons, Sainsburys, Whitbread, Greggs
Nível 3 – Estabelecida, mas ainda há trabalho a ser feito
McDonald’s, Aldi
Nível 4 0 – Fazendo progressos na implementação
Walmart, Burger King (Restaurant Brands International)
Nível 5 – Está na agenda de negócios, mas possui evidências limitadas de implementação
Amazon (owner of Whole Foods), Starbucks, Pappa John’s, Subway, Campbell Soup, Hershey
Nível 6 – Sem evidências de que esteja na agenda de negócios da empresa
Mars Inc, E.Leclerc
No geral, a prática das empresas continua mostrando uma melhora consistente de ano para ano, desde o lançamento do Marco de Referência em 2012:
– 53% das empresas têm agora um conselho explícito ou a supervisão de gerenciamento nível sênior de bem-estar dos animais
– 71% publicaram objetivos formais de melhoria para o bem-estar dos animais
Das 55 empresas de alimentos que tem sido continuamente incluídas no indice de referência desde 2012, 17 (31%) subiram um nível, 20 (36%) subiram dois níveis e 8 (15%) subiram três níveis.
Essas melhorias são impressionantes, dada a severidade dos critérios do Marco de Referência e a ênfase crescente no relatório de desempenho e impacto ao longo deste tempo.
No entanto, enquanto pouco mais da metade das empresas relata a proporção de animais livres de confinamento, apenas uma em cada quatro empresas cobertas pelo relatório fornece qualquer informação sobre a proporção de animais anestesiados antes da morte, e apenas um em cada cinco relatórios de empresas menciona o tempo de transporte de animais vivos.
Steve McIvor, CEO da World Animal Protection, disse em um comunicado: “Se você se preocupa com os animais, então deveria pensar duas vezes antes de dar seu dinheiro a alguns desses varejistas e restaurantes. Gigantes como Burger King e Walmart devem levar o bem-estar animal muito mais a sério”.
“Produtores de alimentos, supermercados e cadeias de restaurantes não podem mais ignorar o bem-estar animal, pois os consumidores agora têm mais informações ao alcance dos dedos e mostram que se preocupam cada vez mais com o bem-estar dos animais quando decidem onde comprar e comer”, finaliza ele.