Mais de 105 mil espécies entram em extinção pela primeira vez

Por Rafaela Damasceno

Mais de 100 mil espécies estão atualmente classificadas como “ameaçadas” pela primeira vez na história. Cerca de 9 mil espécies foram adicionadas à Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) recentemente, elevando o número total para 105.732.

Uma espécie de macaco olhando para a câmera

Foto: LaetitiaC

Os principais motivos são as atividades humanas, como a caça e a pesca. “Esta atualização claramente mostra o quanto os seres humanos ao redor do mundo estão super-explorando a vida selvagem”, afirmou Grethel Aguilar, diretora geral da IUCN.

A diretora ainda chamou atenção para o fato de que conservar a diversidade da natureza é de interesse humano, além de fundamental para a sustentabilidade. “Estados, empresas e sociedades devem agir com urgência para deter a super-exploração da natureza, além de respeitar e dar suporte às comunidades e povos indígenas no fortalecimento da subsistência sustentável”, continuou.

Segundo Jane Smart, diretora do Grupo de Conservação da Biodiversidade da IUCN, esta atualização da Lista Vermelha confirma que a natureza está declinando mais rápido do que em qualquer outro momento.

“Tanto o comércio nacional quanto o internacional estão impulsionando a diminuição das espécies nos oceanos, na água doce e na terra. É necessária uma ação em escala decisiva para deter esse declínio”, concluiu Jane.


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Ursos pardos de Yellowstone entram novamente na lista de espécies ameaçadas

Por Rafaela Damasceno

A espécie Ursus arctos horribilis foi classificada novamente como ameaçada de extinção, pela instituição Fish and Wildlife Service, dos Estados Unidos. Os ursos costumam viver no Parque Nacional de Yellowstone, em Wyoming.

Um urso pardo na natureza

Foto: WIKIPEDIA COMMONS

Em 2017, houve uma proposta de remoção da espécie da lista de animais ameaçados, sob o pretexto de que a população havia aumentado. O deslistamento permitiria a caça dos ursos, após quatro décadas de proibição.

Ambientalistas e tribos indígenas nativas protestaram pelo cancelamento da decisão. A juíza Dana Christensen concordou, apontando a falta de dados científicos sobre o aumento da população.

A política republicana Liz Cheney discordou da decisão da juíza, dizendo que a reinclusão dos animais na lista foi causada por uma perseguição de ambientalistas radicais que esperam destruir o modo de vida americano.

Atualmente, cerca de 2 mil ursos pardos habitam 48 estados americanos. O parque de Yellowstone abriga 700, que são mortos por caçadores constantemente, segundo a Revista Galileu.


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Relatório revela que mais de 28 mil espécies estão ameaçadas de extinção

Foto: Sonja Wolters/WAPCA/IUCN

Foto: Sonja Wolters/WAPCA/IUCN

Do topo das árvores às profundezas dos oceanos, a destruição da vida selvagem pela humanidade continua a levar muitas espécies à extinção, é o que revela a última “lista vermelha” da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) ressaltando que um terço de todas as espécies avaliadas está sob ameaça.

A destruição de habitats e a caça de animais selvagens agora levaram sete espécies de primatas a entrar em declínio, enquanto a pesca levou duas famílias de extraordinários arraias à beira do abismo.

Poluição, barragens e excesso de captação de água doce são responsáveis por graves quedas na vida selvagem fluvial do México ao Japão, enquanto a extração de madeira está devastando o pau-rosa-de-madagascar e a doença está dizimando o olmo americano.

A lista vermelha, realizada pela IUCN, é a avaliação mais respeitada do status das espécies. A lista publicada na quinta-feira acrescenta quase 9 mil novas espécies, elevando o total para 105.732, embora esta seja uma fração dos milhões de espécies que se imagina viver na Terra. Nem uma única espécie foi registrada como tendo melhorado seu status.

Foto: Matt Potenski/IUCN

Foto: Matt Potenski/IUCN

Um exame de referência da saúde do planeta publicado em maio já havia concluído que a civilização humana estava em perigo pelo declínio acelerado dos sistemas naturais de suporte à vida da Terra. As populações de animais silvestres despencaram 60% desde 1970 e as extinções de plantas estão ocorrendo a uma taxa “assustadora”, segundo os cientistas.

“A natureza declinando a taxas sem precedentes na história da humanidade”, disse Jane Smart, diretora do grupo de conservação da biodiversidade da IUCN. Ela acrescentou que medidas decisivas são necessárias para deter o declínio, com a cúpula da convenção de biodiversidade da ONU no próximo ano na China como evento crucial para tomada de ações.

A lista vermelha destaca a situação dos peixes-espada e dos gigantes peixes-viola ou peixes-guitarra, eles são agora as famílias de peixes marinhos mais ameaçadas do mundo, com todas menos uma das 16 espécies criticamente ameaçadas – o que significa que elas estão a um passo da extinção.

A pesca intensificada e não regulamentada é a culpada, com as arraias geralmente capturadas “não intencionalmente”, sendo o alvo da pesca outra espécie.

Entre as sete espécies de primatas que estão mais perto da extinção, seis estão na África Ocidental, onde o desmatamento e a caça por carne são abundantes.

Atualmente, restam apenas 2 mil macacos-roloway (Cercopithecus roloway) na Costa do Marfim e em Gana, o que significa que sua população é precariamente pequena. Seu tamanho corporal relativamente grande e o valor de sua carne e pele fizeram deles um dos alvos preferidos dos caçadores.

Foto: Chong Chen/IUCN

Foto: Chong Chen/IUCN

A busca incansável da humanidade por água doce, particularmente para a agricultura, está tendo um impacto especialmente grande sobre a vida selvagem dos rios e dos lagos.

A atualização da lista vermelha revela que mais da metade dos peixes de água doce no Japão e mais de um terço no México estão agora ameaçados de extinção. Pesquisas recentes descobriram que dois terços dos grandes rios do mundo não fluem mais livremente.

“A perda dessas espécies de peixes de água doce poderia ter efeitos secundários em ecossistemas inteiros”, disse William Darwall, chefe da unidade de biodiversidade de água doce da IUCN.

A atualização da lista vermelha também incluiu 500 espécies de peixes ósseos de profundidade, como peixes-lanterna bioluminescentes, que enfrentam ameaças potenciais pela pesca profunda, perfuração de petróleo e gás e mineração no fundo do mar. O caracol é o primeiro molusco que vive nas fontes hidrotermais profundas a ser adicionado à lista e é avaliado como ameaçado de extinção.

A IUCN tem novas avaliações para a maioria das árvores da floresta seca em Madagascar, incluindo 23 espécies de jacarandá e palissandro, e descobre que 90% estão ameaçadas. Sua madeira é valorizada na construção de móveis e é o produto selvagem ilegal mais traficado do mundo. O olmo americano entrou na lista vermelha pela primeira vez como ameaçado. A árvore, que já foi comum, diminuiu ao longo de décadas devido a um patógeno fúngico invasivo, doença dos olmos holandeses.

“As doenças invasivas, juntamente com a poluição do ar e a mudança climática, dizimaram populações numerosas de espécies de árvores norte-americanas que antes ofereciam alimentos abundantes para a fauna nativa, assim como a beleza paisagem”, disse Healy Hamilton, da NatureServe, uma rede de cientistas da biodiversidade.

Os fungos são uma presença crescente na lista, com a atualização revelando que pelo menos 15 espécies que crescem tradicionalmente no campo de muitos países europeus estão agora ameaçadas de extinção. O fungo red waxcap (Hygrocybe coccínea), encontrado no Reino Unido e na Alemanha, é aquele que mais sofreu com as pastagens semi-naturais sendo convertidas em agricultura intensiva.

Outras espécies adicionadas incluem o rato-de-vidoeiro-húngaro (Sicista trizona), agora extinto em 98% comparado a sua antiga variedade devido à agricultura intensiva, e o sapo-de-poça do Lago Oku (Xenopus longipes), antes o sapo mais abundante no Lago Oku nos Camarões mas possivelmente extinto devido a um fungo devastador que tem amatado anfíbios em todo o mundo.

“A perda de espécies e a mudança climática são os dois grandes desafios que a humanidade enfrenta neste século”, disse Lee Hannah, da Conservation International. A lista vermelha aborda ambos, disse ele, ao incluir a ameaça do aquecimento global na avaliação do risco de extinção. “Os resultados são claros, devemos agir agora em ambos.”

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Projeto de Conservação é criado para salvar o boto do rio Yangtze da extinção

Foto: WWF

Foto: WWF

Semana passada, o Projeto de Conservação do boto-sem-barbatanas do rio Yangtze (Neophocaena phocaenoides) também conhecido como golfinho do Indo-Pacífico, foi lançado na província chinesa de Hubei. As ONGs Hikvision e World Wildlife Fund (WWF) unirão forças junto ao One Planet Fund (OPF) para fornecer produtos e tecnologias avançadas para a proteção da espécie que esta em declínio e é o único mamífero aquático restante no rio mais longo da China.

Ao mencionar espécies em extinção na China, geralmente as pessoas logo pensam no Panda Gigante. No entanto, o boto-sem-barbatana do rio Yangtze (conhecido também como o “anjo sorridente” por seu icônico sorriso permanente) está ainda mais perto da extinção que o urso símbolo chinês. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou o boto como “criticamente ameaçado”, com apenas cerca de mil deles permanecendo em estado selvagem em 2017.

A boa notícia é que mais e mais pessoas têm trabalhado juntas para conservar o ecossistema do rio Yangtze. O Yangtze Finless Porpoise Conservation Project (Projeto de Conservação do boto-sem-barbatana do rio Yangtze) é apenas um exemplo de um grupo de pessoas que lutam para salvar a espécie da extinção.

Ao usar o equipamento da Hikvision, como câmeras subaquáticas e veículos aéreos não tripulados, o projeto apoiará a reserva natural no monitoramento dos hábitos dos golfinhos do Indo-Pacífico, e também o ambiente hidrobiológico de maneira eficiente, que trabalhará para melhorar sua proteção na natureza.

De acordo com o Sr. Lei Gang, diretor da região do WWF Wuhan, o número de botos do rio Yangtze nesta área cresceu de apenas cerca de 20 para quase 100. No entanto, ainda requer esforços conjuntos de governos, empresas, ONGs e outras organizações sociais para enfrentar os graves desafios e impedir que os botos se extingam.

Como um parceiro técnico importante deste projeto, a Hikvision está trabalhando em estreita colaboração com outros parceiros para realizar um gerenciamento efetivo da patrulha do habitat e fornecer proteção para os botos do rio Yangtze.

“Nos últimos anos, a Hikvision tem se engajado profundamente em iniciativas de desenvolvimento sustentável, incluindo nossos esforços para proteger o Yangtze Finless Toninha e a biodiversidade local por meio de tecnologias inovadoras”, disse Fu Hao, diretor do Centro de Negócios Hikvision Hubei na China.

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Governo dos EUA vai avaliar inclusão de girafas em lista de espécies ameaçadas

A US Fish and Wildlife Service, um departamento do governo dos Estados Unidos, atendeu a um pedido feito durante dois anos por ONGs ambientais e anunciou que irá revisar uma petição de 2017 para avaliar se as girafas devem ser incluídas na lista da Lei de Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos (Endangered Species Act).

Foto: Pixabay

“Consideramos que a petição para listar as girafas apresentou informação substancial quanto às ameaças potenciais associadas ao desenvolvimento, agricultura e mineração”, anunciou um porta-voz do departamento.

O processo de revisão deve durar cerca de 12 meses. O departamento realizará também consultas públicas. As informações são da revista Galileu.

Estimativas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) indicam que a população de girafas diminuiu cerca de 40% de 1985 a 2016.

Adam Peyman, do Humane Society International, explica que os Estados Unidos não possui quase nenhuma restrição à importação de produtos originários da caça e da exploração de girafas. Caso a Lei de Espécies Ameaçadas começasse a proteger essa espécie, a importação seria dificultada.

De 2006 até 2015, foram importadas para os Estados Unidos, mortas ou vivas, 39.516 girafas. Fazem parte desse número 21.402 esculturas ósseas, aproximadamente 3 mil peles e 3,7 mil troféus de caça.

Ativista vegana entra na lista da TIMES das pessoas mais influentes em 2019

FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images

FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images

A ativista climática vegana, Greta Thunberg, entrou para a prestigiada lista “Influential People of 2019” da TIME Magazine, por seus esforços exigindo ação política para salvar o meio ambiente.

Maiores comunidades de liderança do mundo

Thunberg, que também foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz, se une a outras pesonalidades que também entraram na lista como a política norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez e a primatologista Jane Goodall, que constam entre os 100 nomes selecionados.

“Agora em seu 16º ano, a TIME 100 é muito mais do que uma lista anual das pessoas mais influentes do mundo. É na verdade, entre seus mais de mil ex-participantes, uma das maiores comunidades de liderança do mundo – uma mistura única que abrange governo, negócios, entretenimento, saúde, esportes e ciência “, afirma o site da TIME.

Nós vemos o nosso poder nela

Citada na categoria “líderes”, o perfil de Thunberg, escrito por Emma González, co-fundadora da March for Our Lives, diz: “A mudança climática é a nossa realidade, e jovens ativistas como Greta estão fazendo tudo o que podem contra ela, e exigindo uma mudança”.

“Greta Thunberg viu seu poder em nós, e nós, por sua vez, vemos nosso poder nela. Lutando em seu país natal, a Suécia, por um futuro livre de poluição, degradação ambiental e mudança climática, Greta está inspirando os estudantes e envergonhando adultos apáticos “.

Ministério da Agricultura pede fim da lista de animais aquáticos ameaçados

O ministério da Agricultura (Mapa) pediu ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a suspensão da lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção. A pasta afirma que esse cadastro de animais em risco gerou “grande repercussão negativa no setor pesqueiro” e prejuízos econômicos.

A “Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos”, publicada em 2014, busca identificar espécies que estejam de alguma forma em risco e proíbe captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização dos animais listados.

Reprodução/fihbase.org

Já na versão de 2018 há 410 espécies divididas em diferentes graus de risco: vulneráveis, em perigo e criticamente em perigo.

A lista foi feita a partir da avaliação de risco de extinção de 5.148 espécies, incluindo 100% dos peixes marinhos e continentais conhecidos em território brasileiro, coordenada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Dessas espécies, 475 (9%) foram classificadas como ameaçadas de extinção, dos quais 98 são peixes marinhos, 311, peixes continentais e 66, invertebrados aquáticos.

No documento de pedido de suspensão ao qual a Folha teve acesso, um dos alvos de crítica da Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP), parte do Mapa, é a utilização de metodologias da UICN (União Internacional para Conservação da Natureza) para a elaboração da lista de espécies ameaçadas.

A UICN é uma entidade internacional composta por governos, agências governamentais e ONGs, e responsável pela lista vermelha de espécies ameaçadas, relação respeitada e adotada internacionalmente.

“O Brasil deve se orientar pelos seus próprios critérios para definição e adoção das políticas públicas que afetarão a fauna e a todos os brasileiros e não por critérios de ONGs internacionais”, afirma o documento do Mapa que pede a suspensão da lista nacional.

O pedido, assinado por Jorge Seif Júnior, secretário de aquicultura e pesca, é considerado dentro do MMA (Ministério do Meio Ambiente) uma tentativa de reviver uma série de críticas antigas à lista de espécies ameaçadas, que há anos vem sofrendo pressão de organizações pesqueiras e já passou por duas suspensões devido a decisões judiciais. A portaria, contudo, voltou a vigorar no início de 2017.

A indústria pesqueira e o documento da SAP argumentam que a elaboração da lista não é responsabilidade exclusiva do MMA e que o Mapa e entidades do setor deveriam ser ouvidos.

Segundo membros e ex-servidores do MMA, o então Ministério da Pesca participou do processo, com presença em grupos de trabalho. Eles também afirmam que a lista tem um caráter científico de definição de grau de risco de extinção.

A nota técnica da SAP também critica o descarte de peixes ameaçados capturados incidentalmente e afirma que a lista contribui para o desperdício de alimentos. “Por fim, ressalta-se que somos favoráveis à conservação ambiental, porém, de forma sustentável econômica, social e biologicamente. Pois, entendemos que simplesmente preservar espécies marinhas sem pensar na abordagem ecossistêmica não traz efetividade nem ao recurso pesqueiro nem ao bem-estar humano dos que sobrevivem da atividade de pesca no país.”

Especialistas e membros atuais e ex-servidores do MMA ouvidos pela reportagem afirmam que as críticas não têm fundamentação técnica.

Segundo Fabio Motta, pesquisador do laboratório de ecologia e conservação marinha da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), as avaliações para criação da lista reúnem especialistas de todo o país para construir um panorama da situação das espécies a partir dos melhores dados disponíveis naquele momento.

A análise de risco de extinção de animais marinhos leva em consideração dados como declínio populacional da espécie ao longo do tempo e diminuição da distribuição geográfica pelo país, diz Motta.

“A lista é muito importante”, diz Anna Carolina Lobo, coordenadora do programa mata atlântica e marinho da WWF-Brasil. “Trata-se do principal documento oficial e único com os dados mais atuais do estado de saúde das populações de peixes e demais invertebrados.”

Um dos pontos limitantes nessa análise é a qualidade dos dados disponíveis. Segundo pesquisadores, há dados mais fiéis à realidade para apenas algumas espécies e algumas regiões do país, como estado de São Paulo, e, ao mesmo tempo, existe um vácuo de informações estatísticas oficiais.

“Um pano de fundo importante para essa história é que o Brasil parou de fazer o monitoramento dos estoques em 2008 e publicou seu último relatório sobre o tema em 2011”, diz Lobo.

Na opinião de Motta, a gestão pesqueira não vem sendo levada a sério. “A gestão abrange a produção, deve levar em conta a qualidade do pescado e a qualidade de vida dos pesquisadores artesanais. O problema de gestão não é resolvido atacando uma avaliação de espécies ameaçadas e aumentando o esforço de pesca para aumentar a produtividade.”

Ele afirma que a comunidade científica é sensível ao modo de vida de pescadores artesanais ao mesmo tempo em que busca garantir a proteção e uso sustentável de espécies aquáticas. Além disso, as regras para a possibilidade de exploração de espécies aquáticas têm sido ampliadas. A proibição de captura com base na lista de 2014 para peixes como o budião-azul e o pargo só entrou em vigor no passado, após adiamentos de vigência da norma.

O MMA, em portaria publicada em 2018, também citou a possibilidade de manejo sustentável para as espécies constantes na lista oficial, desde que o uso seja regulamentado e reconhecido como possível pela pasta, pelo Ibama e pelo ICMBio e por especialistas.

“A indústria pesqueira já está impactada, o desenvolvimento econômico também já está impactado, e não é por conta de medidas de salvaguarda ambientais, mas pela superexploração desenfreada. A situação de estoques de maior valor comercial ameaçados não é só aqui no Brasil, é no mundo inteiro”, diz Lobo.

Segundo a especialista, a lista não ameaça o desenvolvimento econômico. “Precisa dar um tempo para as populações de peixes. Passamos nos últimos anos por grandes crises dos principais estoques pesqueiros do país. A recuperação desses estoques é uma medida extremamente importante que pode ajudar a indústria pesqueira.”

A Folha pediu ao Mapa um posicionamento sobre a nota técnica enviada ao MMA, mas até a publicação dessa reportagem não teve resposta. O MMA também foi procurado, mas não respondeu.

Fonte: Folha de S. Paulo

Nota da Redação: suspender uma importante lista que expõe as espécies aquáticas ameaçadas de extinção é uma decisão preocupante que poderá condenar animais a serem completamente extintos. É irresponsável e anti-ético colocar a existência desses animais em risco, como se não bastasse serem vítimas da pesca, sofrerem pela morte por asfixia, sem terem o direito à vida resguardado.

Relatório revela classificação de empresas em relação ao bem-estar animal

WAN/Reprodução

WAN/Reprodução

Um relatório anual recém lançado, considerado marco de referência em negócios, revela que o bem-estar animal infelizmente não é uma prioridade para algumas das maiores empresas de alimentos e restaurantes do mundo.

As informações revelam que o bem-estar dos animais, nem sequer está na agenda de algumas dessas empresas conhecidas e consideradas confiáveis pelo público. A informação contrasta com o esforço de outras marcas menores, líderes em seus segmentos, que têm trabalhando duro para melhorar o bem-estar animal em sua lógística de operação.

O sétimo Marco de Referência em Negócios sobre Bem-estar Animal em Fazendas (BBFAW, na sigla em inglês), apoiado pela World Animal Protection e Compassion in World Farming, é a principal fonte de referência mundial sobre o bem-estar dos animais de fazenda.

Ele classifica 150 empresas de alimentos em relação aos padrões de bem-estar animal dos níveis 1 a 6, sendo o nível 1, o melhor e o nível 6, o pior.

A gigante norte-americana Mars e uma das maiores cadeias de supermercados da Europa, a E.Leclerc, estão na parte inferior da tabela no nível 6 e mostram pouca consideração pelo bem-estar animal em seus negócios.

O relatório conclui que não há evidências de que o bem-estar dos animais sequer esteja na agenda comercial dessas empresas.

A Amazon, a maior empresa do mundo e proprietária do Whole Foods Market, teve um desempenho ligeiramente melhor e alcançou um status de nível 5, assim como a Starbucks, a Papa Johns, a Subway, a Campbell’s Soup e a Hershey.

Para essas empresas, o bem-estar dos animais está na agenda comercial, mas há evidências de implementação limitadas.

A classificação da lista de referência mostra que há mais trabalho a ser feito por outros nomes famosos, que ficaram na parte inferior do ranking. A multinacional de varejo Walmart e a gigante do fast-food Burger King obtiveram apenas o status de nível 4.

A cadeia de supermercados alemã Aldi e o McDonald’s, ambos do setor fast food, estão classificados no nível intermediário 3, ou seja, têm políticas estabelecidas, mas têm mais trabalho a ser feito.

A gigante britânica-holandesa Unilever, que vende inúmeros alimentos de marcas famosas, como Ben e Jerry’s e Hellmann’s, alcançam uma classificação alta, no nível 2, assim como a gigante francesa Danone – ambas mostraram que o bem-estar dos animais é essencial para sua estratégia de negócios.

Também estão no nível 2, os supermercados britânicos Morrisons e Sainsburys. A Whitbread, maior operadora de hotéis e restaurantes do Reino Unido, também se classificou no segundo nível, juntamente com a Greggs, a maior rede de padaria do Reino Unido.

As empresas britânicas dominam o topo da tabela, no nível 1. A Waitrose, a Marks & Spencer, a Cranswick (uma das maiores produtoras de alimentos da Grã-Bretanha), a Noble Foods (fabricantes de GU Puds) assumiram a liderança no bem-estar animal.

Ranking do Bem-Estar Animal em Fazendas de Criação (limitado a companhia selecionadas):

Nível 1 – Liderança
Waitrose, Marks & Spencer, Noble Foods, Cranswick

Nível 2 – Integrada a estratégia de negócio
Unilever, Danone, Morrisons, Sainsburys, Whitbread, Greggs

Nível 3 – Estabelecida, mas ainda há trabalho a ser feito
McDonald’s, Aldi

Nível 4 0 – Fazendo progressos na implementação
Walmart, Burger King (Restaurant Brands International)

Nível 5 – Está na agenda de negócios, mas possui evidências limitadas de implementação
Amazon (owner of Whole Foods), Starbucks, Pappa John’s, Subway, Campbell Soup, Hershey

Nível 6 – Sem evidências de que esteja na agenda de negócios da empresa
Mars Inc, E.Leclerc

No geral, a prática das empresas continua mostrando uma melhora consistente de ano para ano, desde o lançamento do Marco de Referência em 2012:

– 53% das empresas têm agora um conselho explícito ou a supervisão de gerenciamento nível sênior de bem-estar dos animais

– 71% publicaram objetivos formais de melhoria para o bem-estar dos animais

Das 55 empresas de alimentos que tem sido continuamente incluídas no indice de referência desde 2012, 17 (31%) subiram um nível, 20 (36%) subiram dois níveis e 8 (15%) subiram três níveis.

Essas melhorias são impressionantes, dada a severidade dos critérios do Marco de Referência e a ênfase crescente no relatório de desempenho e impacto ao longo deste tempo.

No entanto, enquanto pouco mais da metade das empresas relata a proporção de animais livres de confinamento, apenas uma em cada quatro empresas cobertas pelo relatório fornece qualquer informação sobre a proporção de animais anestesiados antes da morte, e apenas um em cada cinco relatórios de empresas menciona o tempo de transporte de animais vivos.

Steve McIvor, CEO da World Animal Protection, disse em um comunicado: “Se você se preocupa com os animais, então deveria pensar duas vezes antes de dar seu dinheiro a alguns desses varejistas e restaurantes. Gigantes como Burger King e Walmart devem levar o bem-estar animal muito mais a sério”.

“Produtores de alimentos, supermercados e cadeias de restaurantes não podem mais ignorar o bem-estar animal, pois os consumidores agora têm mais informações ao alcance dos dedos e mostram que se preocupam cada vez mais com o bem-estar dos animais quando decidem onde comprar e comer”, finaliza ele.

Boto-cor-de-rosa da Amazônia volta à lista de animais em risco de extinção

A União Internacional pela Conservação da Natureza informou que o boto-cor-de-rosa da Amazônia voltou a integrar a lista vermelha de espécies em risco de extinção após 10 anos fora dessa listagem, que é considerada uma das mais detalhadas do mundo sobre o estado de conservação da espécies. O boto está, agora, a dois passos de ser classificado como extinto.

(Foto: CC BY-SA 4.0 /
Nortondefeis / Reprodução / Hypeness)

Antes de voltar à lista, a situação da espécie era considerada “sem dados suficientes”. O risco atual de extinção do boto foi catalogado após estudos serem realizados pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

Covardemente mortos para terem seus corpos usados como isca para pesca do peixe Piracatinga, 2,5 mil botos perdem a vida anualmente no Brasil, segundo a Associação Amigos do Peixe-Boi (AMPA) – o número é similar ao a mortandade de golfinhos no Japão.

Para tentar reverter esse cenário, a associação faz alertas sobre a caça do boto-cor-de-rosa na Amazônia.