Bióloga e ativista Paula Brügger é exemplo de força, inspiração e amor pelos animais

Por Bruna Araújo

Foto: Arquivo pessoal

Bióloga, autora e ativista em defesa dos direitos animais, a colunista e consultora ambiental da ANDA, Paula Brügger, é, sem dúvida, um dos principais nomes do ativismo brasileiro quando se fala em proteção do meio ambiente e dos animais. Exemplo de uma mulher forte e a frente do seu tempo, Paula atuou como professora na Universidade Federal de Santa Catarina por quase 40 anos, escreveu dois livros, coordenou projetos premiados, colaborou em publicações estrangeiras e cursos de pós-graduação. Seu currículo é imenso, seu coração mais ainda.

Tutora de duas cadelinhas sem raça definida e mãe de um rapaz, aos 64 anos, ou como ela gosta de chamar, na idade “Beatles song” (em alusão à música “When I’m Sixty Four”, do quarteto inglês), a bióloga não pretende parar tão cedo. Em uma entrevista exclusiva à ANDA, Paula fala sobre sua infância, carreira, ideias e desejos para o futuro. Tente não perder o fôlego.

O início

O princípio era o verbo. O verbo amar. Desde jovem Paula acolhia em seu coração uma série de anseios e fabulações. Não existia hierarquia de ideias, mas em seu espírito, desde sempre, transparecia toda ânsia de libertação que guiaria sua vida. “Não me lembro de ter um único sonho. Acho que era um caleidoscópio deles. Mas, em termos de sensações imemoriais meu maior sonho talvez estivesse, desde muito cedo, ligado à liberdade. Lembro-me de alguns desenhos que fazia de animais, sempre correndo livres por verdes campos. Eles eram eu, de certa forma. Expressavam o que eu queria para mim e para um mundo que, na minha visão, seria perfeito”, disse.

O respeito à vida sempre esteve presente da vida de Paula Brügger. Quando criança, ela já engatinhava em seu entendimento sobre a senciência e o especismo. “Os animais mais próximos de mim foram os cães. Tive pouquíssimo contato com gatos até a vida adulta porque meus pais eram muito ‘cachorreiros’. Tive também contato com vários animais de fazenda, como galinhas, patos, bois e vacas, e um cavalo, em especial. Meus avós paternos tinham uma fazenda e meus avós maternos um sítio. Dessa forma, apesar de morar na cidade, estava sempre em um desses dois lugares”, revela.

Ela conta que uma experiência a marcou profundamente. “Uma vez ouvi uma conversa sobre um bezerro que seria sacrificado porque estava sem uma das patas. Minha lembrança era de alguém ter dito que um lobo-guará havia atacado o tal bezerro e arrancado uma de suas patas. Fiquei muito abalada, doente mesmo. Acho que tinha uns seis anos. Ao me verem chorar ‘um rio’, meus avós disseram que iam encomendar um sapatinho de madeira para colocar no lugar da pata perdida, e que o bezerro não seria mais morto. Acreditei na história e fiquei aliviada”, recorda.

A história do bezerrinho a acompanha desde então e lhe traz muitas reflexões. “Mais de uma década depois, conversando em família, me lembrei do fato e achei pouco plausível que o tal sapatinho, ou tamanco, como alguns chamaram na época, tivesse mesmo sido feito. E, claro, não foi. Meus avós já haviam falecido e meus pais não se lembravam direito daquele episódio que tanto tinha me amargurado. Mas, ao que parece, o bezerrinho tinha nascido com uma malformação. Não fora obra de lobo-guará algum. O fato é que foi sacrificado. Chorei de novo, uns doze anos depois. É interessante como os adultos mentem sistematicamente para as crianças. Tenho um pequeno texto na ANDA onde abordo essa e outras questões“, lembra.

Paula Brügger explica ainda que o desejo de ser livre é intrínseco a sua própria existência. “Desde tenra idade o chamado ‘estado selvagem’ sempre me causou fascínio. Acho que essa identidade acabou influenciando a minha escolha profissional e o meu ‘estar’ no planeta. Também, por exemplo, apesar de sempre ter praticado vários esportes entre quatro paredes, até hoje, os que mais amo são aqueles de contato direto com a natureza. É somente nesse contato direto que ouvimos soar os ‘tambores da tribo’ (risos). No que tange aos animais, sempre tive muita sensibilidade. Mas a noção de direitos só veio muito depois, ao trilhar a trajetória acadêmica e ler os textos de alguns ícones como Tom Regan, Peter Singer e Gary Francione”, afirma.

Ela assevera que isso foi fundamental para a construção de sua consciência de mundo. “O bom da visão vanguardista de direitos animais é que ela não entra em conflito com a da mera sensibilidade, embora seja possível reconhecer direitos sem que se tenha sensibilidade. O oposto, entretanto, não é verdadeiro. Conheço diversas pessoas que têm, de fato, alguma sensibilidade para com os animais, mas não entendem (lógica ou emocionalmente) que isso não basta e que precisamos lhes garantir direitos. Penso que o especismo seletivo esteja no cerne dessa questão, ou seja, a inteligência emocional dessas pessoas é limitada, só consegue operar dentro de um determinado escopo de espécies e de atitudes (ou tratamento) dos animais. Para escapar dessa armadilha é preciso dar inteira razão ao filósofo Gary Francione que afirma que o importante não é o tratamento dos animais, mas o uso de animais. Em outras palavras, os animais não podem ser propriedades dos humanos. É muito pertinente traçar aqui uma analogia com a escravatura humana. É claro que para um escravo é muito melhor ser bem tratado, do que mal tratado. No entanto, o que havia (e ainda há!) de abominável e moralmente repugnante é a banalização da (monstruosa) instituição da propriedade em si”, acredita.

Missão

A bióloga define a evolução da sua carreira como “razão e emoção perfeitamente amalgamadas”. Ela afirma que sua trajetória acadêmica foi espelhada nas causas que defende. “Comecei como ambientalista e me tornei uma ambientalista-animalista (risos). Sigo firme, apesar dos pesares, por acreditar que ambas as causas sejam justas e extremamente urgentes. Lamento, porém, que o cenário tanto nacional quanto mundial seja tão sombrio, apesar de alguns avanços importantes. É preocupante constatar a cegueira que envolve a inexorável ligação entre diversas lutas ambientais e o nosso preconceito especista, como o eclipse da biodiversidade e as mudanças climáticas. Poderíamos discutir essas questões de forma integrada via legislação, políticas públicas, e projetos educacionais. Como disse, avanços há. Mas também temos muitos retrocessos de grande monta e abrangência. A questão é que não acredito que tenhamos mais do que uma década e meia para reverter os processos destrutivos que estão em curso. É de arrepiar a previsão de Isaac Newton de que o ‘fim do mundo’ será em 2060. A previsão científica para o ‘fim dos oceanos’ é para 2048. Assustador, não é?”, provoca.

O esforço e a resiliência são características de Paula Brügger e a sua trajetória profissional e acadêmica são provas disso. Ela possui especialização em Hidroecologia, mestrado em Educação e doutorado em Ciências Humanas. Ela também é autora dos livros ‘Educação ou adestramento ambiental?’, com três edições, e ‘Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente: animais, ética, dieta, saúde, paradigmas’. Criar e compartilhar conhecimento é sua paixão. “Passei 37 anos da minha vida na carreira docente, na UFSC. Comecei lá no início, na categoria ‘auxiliar’, até me aposentar há quatro meses, como ‘titular’. Durante esse período, fora o ensino, tive vários projetos de pesquisa e extensão, todos voltados para a questão ambiental, para a educação, ou para os direitos animais. Acho que o mais emblemático de todos – ou pelo menos o que foi mais longevo (15 anos) – foi o projeto de educação “Amigo Animal”, desenvolvido em parceria com as secretarias municipal e estadual de educação (Florianópolis e Estado de Santa Catarina) e com a DIBEA (Diretoria de Bem-Estar Animal)|Florianópolis. Participei ainda, como todo docente, de vários órgãos colegiados, comissões, etc”, resume.

Ela conta ainda que, mesmo em uma nova fase de vida, pretende se manter atuante. “Hoje minha ligação com a UFSC permanece viva junto a dois grupos de pesquisa: o Laboratório de Estudos Transdisciplinares (LET) e o Observatório de Justiça Ecológica (OJE), onde atuo como coordenadora junto com a professora Letícia Albuquerque, primeira docente no Brasil a oferecer uma disciplina de direitos animais. No âmbito do Observatório sempre estamos desenvolvendo atividades como cine-debates, discussões de textos em grupos, cursos de curta duração e encontros, como o III Encontro Catarinense de Direitos Animais, agora em agosto, todos gratuitos. Tenho participado também, como colaboradora, em disciplinas de graduação e pós-graduação o que para mim é um imenso prazer porque adoro uma sala de aula (risos)”, confessa.

Reconhecimento

Paula revela que o amor pelo aprendizado esteve presente desde os seus primeiros passos. “Acho que sempre fui meio C.D.F.(risos). Aos onze anos de idade tirei o primeiro lugar num concurso de redação no Rio de Janeiro. Depois, ao terminar o segundo grau, no Colégio Rio de Janeiro, e na Aliança Francesa recebi umas homenagens por bom desempenho, com premiações em livros, mas nem me lembro direito de detalhes. Acho que não tenho registro disso porque não dávamos muita importância (nem eu, nem meus pais) a essas coisas. Da parte deles, achavam que não fazíamos mais do que a obrigação (risos). O que tenho guardado é uma medalha de ‘Honra ao Mérito’ de quando me formei em Ciências Biológicas, na UFSC (1981), e depois um prêmio de ‘Exemplo Voluntário’, em 2006, por conta do projeto ‘Amigo Animal'”, destaca.

Ela conta também que recentemente recebeu duas premiações internacionais. “Em 2017 o livro ‘Impact of Meat Consumption on Health and Environmental Sustainability’, no qual sou co-autora ao lado dos renomados Robert Goodland e Jonathan Balcombe, recebeu o prêmio de melhor livro do ano, na categoria Best Sustainable Food Book. Agora em 2019, para minha surpresa, as editoras do livro ‘Social Marketing and its Influence on Animal Origin Food Product Consumption’, entraram em contato com os autores para anunciar a indicação de segundo lugar no International Book Awards, categoria Marketing and Advertising”, disse.

E completa: “Esse foi um genuíno honroso segundo lugar porque, como destacou uma das editoras, a premiação é conferida a publicações muito tradicionais e a nossa é bastante anti-mainstream. Ficamos muito felizes porque tanto a primeira premiação quanto essa última indicação evidenciam a impossibilidade de ignorar os temas em questão. No meu capítulo, intitulado It’s the speciesism, stupid! Animal Abolitionism, Environmentalism and the Mass Media, ressalto a importância do papel educador (ou deseducador) dos meios de comunicação na formação de valores no sentido lato. Precisamos de um novo paradigma para a construção de uma cultura não especista, compassiva com os animais, e responsável com o meio ambiente”.

Futuro

Paula Brügger afirma que não planeja parar de produzir e incentivar o conhecimento. Apesar de adorar ter tempo extra para praticar Kung fu Shao Lin do Norte e Windsurf. “Pretendo continuar atuando junto aos meus grupos de pesquisa na UFSC, mas também me agrada muito a ideia de ter mais tempo para ler (e escrever) e mais tempo para as pequenas coisas da vida que são vorazmente sugadas e destruídas pela sucessão alucinante de acontecimentos e demandas que caracterizam a vida estressante da maioria de nós hoje. Momentos simples, como apreciar a beleza singela de minúsculas flores selvagens que normalmente chamamos de ‘mato’, são cada vez mais caros para mim. Experimentar a sensação de ‘eternidade’ – de um ‘não-tempo’ – quando ficamos sentadas em silêncio, eu e minhas duas SRDs, é outro desses momentos felizes em nossos passeios diários”, reflete.

Sobre o futuro do país, a bióloga afirma que deseja muitas coisas. “Que pudéssemos voltar no relógio do tempo. Ou que as pessoas acordassem para a triste realidade que vivemos e tomassem as rédeas da história. Desejo que não se concretize o acordo EU-Mercosul, que promete aprofundar ainda mais o absurdo modo de produção de itens de baixo valor agregado e infinitas externalidades sociais e ambientais, além da total objetificação da vida dos animais não-humanos. Que pare o desmatamento. Que os ruralistas e outras bancadas retrógradas não sejam mais a principal força propulsora de uma legislação que afeta adversamente a todos, animais humanos ou não. Desejo que as pessoas pautem suas atitudes pela razão e não pelo ‘fígado’. Que, se não podem enxergar com o coração, que se rendam à ciência que mostra que os animais devem ser sujeitos de direitos e não coisas. Poderíamos começar por aqueles explorados e mortos para nos servir de alimento sem necessidade, aqueles que são comprovadamente sujeitos de suas vidas. Desejo muitas outras coisas”, anseia.

Homenagem

As contribuições de Paula à UFSC e à causa animal são memoráveis e isso será reforçado no III Encontro Catarinense de Direitos Animais. Evento realizado no dia 16 de agosto na UFSC. Promovido pelo observatório de Justiça Ecológica (OJE/UFSC) e pelo Programa de Pós-graduação em Direito (PPGD/UFSC), o encontro homenageará a professora Paula Brügger e abordará o tema “Abordagens emancipadoras antiespecistas”.

Para a bióloga, o evento é uma bela oportunidade de problematizar a questão dos direitos animais de uma perspectiva interdisciplinar. “Esse próximo encontro, terceiro de uma série, será mais um momento de congraçamento e de reflexões. É muito importante poder, de tempos em tempos, reunir pessoas de diferentes formações acadêmicas, mas cujo foco converge para os direitos animais. Esse evento, em particular, será ainda mais especial para mim, uma vez que serei homenageada por pares que tanto admiro não apenas como profissionais, mas também como seres humanos”, concluiu Paula.

Amigas criam sebo online para vender livros e ajudar animais abandonados

O amor pelos animais e o desejo de transformar a vida deles foram os responsáveis pela decisão de três amigas de organizar uma feira de livros usados e doar o dinheiro arrecadado para instituições que trabalham no resgate de animais abandonados em Teresina (PI).

As advogadas e amigas Bruna Campos, Stefanne Alencar e Helayne Sabrine decidiram em uma noite que não ficariam de braços cruzados com a situação dos animais abandonados na capital. Então, resolveram unir duas paixões que elas têm: livros e animais, criando o sebo literário Amor de Patas.

Amigas criam sebos online para ajudar no resgate de animais abandonados em Teresina — Foto: Gilcilene Araújo/G1

A feira de livros usados acontece no Instagram. Diariamente, elas postam fotos de livros adquiridos através de doação e colocam a venda ao preço de R$ 5 e R$ 10. Os compradores escolhem o exemplar que desejam adquirir e a instituição que pretendem apoiar. Para receber os livros, o comprador envia o comprovante de depósito ou de transferência para a conta da instituição.

“Nós amamos animais, durante uma noite de sábado, conversando com a Bruna, eu disse que tínhamos que fazer algo para ajudar as organizações nos resgates de animais. Então pensei e criei na mesma noite o Instagram ‘sebo literário amor de patas’. Comecei colocando disponível uma coleção de livros que tinha e enquanto eu disponibilizava outros exemplares, a Bruna falava com as organizações para fechar a parceria”, lembra Stefanne Alencar.

O Instagram começou com poucos seguidores, elas compartilharam a página com os amigos e logo houve uma corrente e em poucos horas elas já tinham milhares de seguidores.

“Foi uma corrente do bem. Nós não só tínhamos seguidores, mas pessoas que também acreditavam em nossa causa e queriam mudar a vida de muitos cães e gatos”, afirmou Bruna Campos.

Transparência

Para dar lisura à transação, as advogadas decidiram que não iriam ficar com o dinheiro e, por isso, quem compra os livros deve fazer o pagamento direto na conta das instituições que trabalham no resgate dos animais. Elas apoiam nove organizações.

“As pessoas decidem quem vai receber o dinheiro porque todas elas precisam comprar alimentação para os animais, produtos de higiene e custear as despesas com tratamento de saúde. Logo, não achamos justo indicar só uma que mereça receber esta doação”, explicou Helayne Sabrine.

A arquiteta Roxane Firmeza Rocha foi umas das primeiras pessoas que abraçaram a causa das meninas e doou livros para serem comercializados.

Amigas criam sebos online para ajudar no resgate de animais abandonados em Teresina — Foto: Reprodução/Instagram

“Eu decidi participar do projeto porque minha mãe já ajuda em muitas causas animais e eu admiro demais quem ajuda os animais a encontrarem um lar, dar cuidados, vacinas, tirá-los das ruas, etc. E eu já tinha separado muitos livros pra doar, antes mesmo de conhecer o sebo, mas que por falta de tempo, nunca fui atrás de um local que recebesse, porque a maioria dos meus livros era de ficção ou sagas, então não sabia se bibliotecas locais aceitariam, e foi aí que eu conheci o Sebo Amor de Patas, minha mãe me mandou a página e no dia seguinte já levei todos os livros para a Sthefanne”, contou.

Benefício se estende para outras pessoas

O Sebo Amor de Patas foi criado para ajudar animais maltratados em Teresina, mas com o decorrer do tempo, Bruna Campos, Stefanne Alencar e Helayne Sabrinem perceberam que também estavam ajudando os estudantes universitários a adquirir livros por preços bem acessíveis.

“Descobrimos que podemos ajudar em mais uma vertente, já que recebemos muitos livros acadêmicos que são vendidos a preço altos e eles conseguem com o sebo a um valor mais em conta. Além disso, ajudamos a Associação do Cegos do Piauí – ACEP. Eles recebem doações de papéis para reciclagem e o dinheiro da venda desse material é revertido para melhoria da instituição. Assim, alguns dos livros que estamos recebendo nas doações serão destinados a esta associação, seja porque estão muito desatualizados, como dos livros de direito anteriores a 2014, seja porque estão muito danificados ou que de alguma forma não servem para venda”, afirmou Stefanne Alencar.

Para elas, “é uma forma de sempre ter os livros bacanas para serem vendidos e ajudar os animais e ao mesmo tempo ajudar o meio ambiente, evitando que os papéis sejam descartados de forma inadequada”, destacou Bruna Campos.

Fonte: G1


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ONG promove programa de leitura para ressocializar cães abandonados

A Humane Society Of Missouri (HSMO), ONG com sede no Missouri, nos Estados Unidos, criou um programa de leitura para ressocializar cachorros abandonados. As histórias são lidas por voluntários com idades entre seis e 15 anos, cadastrados pelos responsáveis.

Cachorro resgatado pela ONG norte-americana (Foto: Humane Society Of Missouri)

Segundo os profissionais da entidade, a iniciativa é benéfica não só para os animais, mas também para as crianças e jovens que dela participam, já que ajuda a desenvolver a empatia e a compaixão, além de habilidades de leitura.

“O programa também faz com que essas crianças causem um impacto positivo no mundo, por estarem ajudando animais com necessidades”, afirmou Joellyn Klepacki, diretora de educação da HSMO. As informações são do portal Globo Rural.

Os cães, por sua vez, são encorajados a vencer a timidez e a ansiedade e se aproximar dos voluntários, o que os torna mais sociáveis. Essa melhora no comportamento do animal o ajuda a ser adotado, já que, segundo a ONG, os animais mais desinibidos são adotados mais rapidamente. Com isso, esses cães reduzem a média de permanência no local, o que é bom, já que, segundo a entidade, animais que ficam por muito tempo em abrigos têm mais chance de desenvolver problemas de saúde.

Porco que vive na fazenda da ONG (Foto: Humane Society Of Missouri)

Cerca de 2,4 mil voluntários inscritos no programa comparecem diariamente para contar histórias para os cães. Com isso, todos os cachorros que ficam nos andares de adoção já ouviram pelo menos uma leitura. Segundo a diretora, cerca de 10 mil animais são adotados por ano no abrigo. “Ao todo, os jovens voluntários já gastaram mais de três mil horas lendo para os animais”, disse.

Além do programa de leitura, a ONG, fundada em 1870, tem um centro de reabilitação para animais de fazenda, com 165 acres, chamado Longmeadow Rescue Ranch. A entidade está prestes a comemorar o 150º aniversário.

“Nós resgatamos, reabilitamos e buscamos um novo lar para animais de fazenda de todos os tipos, como cavalos, galinhas, patos, ovelhas, cabras, porcos, mini-cavalos, burros, lhamas, alpacas, entre outros”, conta Klepacki.

Bode foi resgatado pela entidade nos EUA (Foto: Humane Society Of Missouri)

Outro programa criado pela entidade é o Pet Pal, por meio do qual voluntários passeiam com os cachorros do abrigo. Há ainda, a iniciativa “pais adotivos”. Através dela, pessoas oferecem lares temporários para animais que estão doentes ou para filhotes. Para saber como educar e brincar adequada com os animais, a ONG oferece educação humanitária aos voluntários.

O abrigo é mantido com contribuições privadas de pessoas físicas, corporações e doações e nenhum imposto é destinado a ONG, que tem cerca de 250 funcionários e aproximadamente 900 voluntários.

Para adotar um animal, o interessado preenche um questionário e passa por uma entrevista, além de pagar uma taxa que é usada para cobrir parte do custo dos cuidados do animal adotado.

Crianças leem para cães maltratados para que eles voltem a confiar em humanos

Um abrigo para cães abandonados e vítimas de maus-tratos no Missouri, nos Estados Unidos, iniciou um projeto por meio do qual crianças leem para os cachorros. O objetivo é fazer com que os animais voltem a confiar nas pessoas e que as crianças aprendam a se relacionar de forma saudável com os cães.

(@hsmopets/Instagram)

O projeto, nomeado de “Shelter Buddies Reading Program” (Programa de leitura de amigos do abrigo, em tradução livre), trabalha com crianças de 6 a 15 anos. As informações são do portal M de Mulher.

Submetidas a um treinamento de 10 horas no Humane Society of Missouri, as crianças aprendem a se comportar corretamente diante dos animais, que estão fragilizados devido aos maus-tratos, e a interpretar a linguagem corporal dos animais para saber se eles estão estressados ou com medo.

Após o treinamento, as crianças sentam em frente aos cães, sob a supervisão de um adulto, e começam a ler histórias. Elas podem levar um livro que gostem ou escolher um dos mais de 100 livros disponíveis no abrigo.

O projeto tem ajudado na recuperação dos animais e funcionado como uma espécie de reabilitação. Com a leitura feita pelas crianças, os cachorros têm ficado menos estressados e, aos poucos, começam a confiar novamente nos seres humanos. Além disso, as crianças aprendem sobre a responsabilidade que elas têm com o bem-estar dos animais.

Conheça 16 livros disponíveis gratuitamente no Le Livros para repensar a relação entre humanos e animais

Em menor ou maior proporção, todos têm algo a acrescentar à discussão e à percepção sobre a existência animal não humana

Em uma das minhas buscas por livros digitais, decidi dedicar um tempinho a reunir informações sobre 16 livros disponíveis gratuitamente no site Le Livros. São obras que de alguma forma nos levam a refletir sobre as nossas relações com os animais não humanos. Há narrativas ficcionais e obras de caráter filosófico, jornalístico e científico de autores brasileiros e estrangeiros. Em menor ou maior proporção, todos têm algo a acrescentar à discussão e à percepção sobre a existência animal não humana.

“Comer Animais”, de Jonathan Safran Foer

Jonathan Safran Foer discorre sobre o mundo da criação intensiva de aves, porcos e bois, assim como a pesca em larga escala e suas implicações. Após três anos de pesquisas, o resultado é um panorama revelador que mostra que o preço relativamente acessível dos produtos de origem animal só foi possível por causa da intensa violência e do tratamento cruel que dispensamos aos animais no regime industrial.

“De Gado a Homens”, de Ana Paula Maia

Edgar Wilson é um ex-carvoeiro que trabalha em um matadouro de gado em que a carne é destinada à produção de hambúrgueres que nunca experimentou. Exercendo com perícia a função de atordoador, o responsável pelo abate se vê, junto de seu chefe e de outros funcionários, surpreso diante da morte inesperada de animais e dos questionamentos despertados por tais eventos, até então considerados impossíveis.

“A Hora dos Ruminantes”, de José J. Veiga

Conta a história da pequena cidade de Manarairema, que é tomada por cães, que chegam às dúzias no vilarejo, causando uma inversão de papéis. Enquanto os moradores ficam acuados em suas casas, os animais passeiam livremente pela cidade. E, por último, a chegada de centenas de bois completa o quadro alegórico do romance.

 “Eles Sempre Estarão ao Seu Lado”, de Teresa J. Rhyne

O que levaria uma advogada amante de queijos e carnes a se tornar vegana? A reflexão despertada pelo amor por seu companheiro canino. Teresa Rhyne e Seamus, o beagle, sobrevivem ao câncer uma vez, então, quando Seamus desenvolve outro câncer, Teresa embarca em uma intensa jornada de mudanças. Quando ela se depara com outros dois cachorros que precisam de ajuda, incluindo um que foi resgatado de testes com animais, virar as costas parece impossível diante de toda a crueldade que ela descobre.

“Canto de Muro”, de Luís da Câmara Cascudo

O livro pode ser definido como um deslavado namoro com a natureza e reverência pelas espécies animais menos prestigiadas pelo bicho humano: ratos, cobras, escorpiões, morcegos, aranhas, baratas “profissionalmente famintas”, formigas, besouros, o grilo “solitário e tenor”, o sapo “orgulhoso, atrevido e covarde na classe musical dos barítonos”, as lagartixas, muito educadas, balançando “as cabecinhas triangulares concordando com tudo”, todo o povinho miúdo que vive nos quintais das velhas casas, nos cantos de muro, entre trepadeiras, tijolos quebrados, e um tanque, no qual vão se abeberar os bem-te-vis, os xexéus, as lavadeiras de casaca preta.

“Caninos Brancos”, de Jack London

Parte lobo, parte cão, Caninos Brancos é vendido por um índio ao perverso Beleza Smith. Sofrendo mil tormentos, o animal aprende que para sobreviver é preciso adaptar-se sempre e sempre. Nesta aventura clássica, Jack London mais uma vez traça um empolgante paralelo entre bicho e homem, natureza e civilização.

“Elizabeth Costello”, de J.M. Coetzee

A consagrada romancista australiana Elizabeth Costello, personagem criada por J. M. Coetzee, já havia protagonizado “A Vida dos Animais”, livro em que profere duas conferências sobre a crueldade com que são tratados os animais não humanos. Em “Elizabeth Costello”, ela vive um novo conflito e o assunto volta a ser rediscutido em um capítulo.

“Desonra”, de J.M. Coetzee

Embora “The Lives of Animals” e “Elizabeth Costello” tenham se popularizado nesse aspecto, a discussão em torno dos direitos animais na literatura de J.M. Coetzee começou modestamente com o romance “Desonra”, em que os animais ocupam papel consideravelmente proeminente, ainda mais quando o protagonista decide realizar trabalho voluntário em um local onde cuidam de animais enfermos e abandonados.

“A Mulher que Matou os Peixes”, de Clarice Lispector

“A mulher que matou os peixes infelizmente sou eu”, afirma Clarice Lispector confessando o “crime” que cometeu sem querer. E para explicar como tudo aconteceu, ela escreveu uma história de compreensão e afeto para com pessoas e bichos. Clarice conta sobre todos os bichos de estimação que já viveram em sua casa. Os que vieram sem ser convidados e foram ficando, e os que ela escolheu para criar, e que foram muitos: uma lagartixa que comia os mosquitos e mantinha limpa a sua casa, cachorros brincalhões, uma gata curiosa, um miquinho esperto, vários coelhos…

 “O Grande Ivan”, de Katherine Applegate

Ivan é um gorila que há 27 anos vive com outros animais em um cativeiro em um shopping. Impedido de sair de um espaço reduzido, as suas únicas distrações são uma TV velha, uma piscina suja e um balanço de pneu.

“A Evolução de Bruno Littlemore”, de Benjamin Heale

Bruno Littlemore é um chimpanzé nascido no zoológico de Chicago, e logo transportado a um laboratório, onde fica sob os cuidados da primatóloga Lydia Littlemore. Como nasceu distante da natureza, o animal que tem uma inteligência muito acima da média não sabe como lidar com seus instintos mais primitivos.

 “O Estranho Caso do Cachorro Morto”, de Mark Haddon

Christopher John Francis Boone gosta de animais, mas não entende nada de relações humanas. Um dia, christopher encontra Wellington, o cachorro da vizinha morto no jardim. É acusado de assassinato e preso. Depois de uma noite na cadeia, decide descobrir quem matou o animal. Então escreve um livro relatando suas investigações.

“Zoo”, de James Petterson

Uma misteriosa doença começa a se espalhar pelo mundo. Inexplicavelmente, animais passam a caçar humanos e a matá-los de forma brutal. A princípio, parece ser algo que se dissemina apenas entre as criaturas selvagens, mas logo os bichos de estimação também mostram as suas garras e as vítimas se multiplicam.

“A Criação”, de Edward O. Wilson

“A Criação” é um apelo para que deixemos o embate entre religião e ciência de lado para podermos salvar a vida no planeta, que nunca esteve tão ameaçado. Valendo- se de suas experiências como um dos biólogos mais destacados no cenário mundial, Edward O. Wilson prevê que, até o final do século, pelo menos a metade das espécies de plantas e animais da Terra poderá ter desaparecido, ou estará a caminho da extinção precoce.

“O Ano do Dilúvio”, de Margaret Atwood

Pensamentos uniformes, comportamentos programados, regimes de exceção, controle social, experiências genéticas e a luta por uma sobrevivência cada vez mais em risco pelo desrespeito à natureza compõem “O ano do dilúvio”, romance pós-apocalíptico da escritora canadense vegetariana Margaret Atwood.

“Os Elementos da Filosofia Moral”, de James Rachels

Abordando os temas centrais da filosofia moral de forma clara e despretensiosa, o autor guia o leitor pelos labirintos fascinantes de problemas, teorias e argumentos relacionados com o modo como devemos viver a vida. Um dos aspectos mais destacáveis da obra é a integração de diversos problemas de ética aplicada, como a eutanásia e os direitos animais.