Doze macacos aparecem mortos e suspeita de febre amarela é apurada no PR

Doze macacos foram encontrados mortos no município de Castro, no Paraná. A possibilidade de contágio por febre amarela é investigada pela Secretaria Municipal de Saúde da cidade. Os corpos foram enviados para análise em Curitiba.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

Cinco dos macacos foram encontrados nesta segunda-feira (25) e os outros sete apareceram mortos na última semana, sendo o primeiro deles na quinta-feira (21). Os corpos estavam no distrito de Sovacão, na área rural. Equipes da Vigilância Sanitária estiveram no local para procurar outros macacos que poderiam ter morrido. As informações são do portal G1.

Amostras dos corpos dos macacos encontrados na última semana foram recolhidas e encaminhadas para o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen). Até o próximo fim de semana, os resultados que indicarão a causa das mortes devem estar prontos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

A Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (Sesa) reforça que os macacos não são os responsáveis por transmitir a doença para humanos, sendo eles vítimas da doença.

O vírus da febre amarela é transmitido por dois mosquitos, o haemagogus e o sabethes. Eles vivem nas copas das árvores na mata e preferem o sangue dos macacos. No entanto, caso todos os macacos morram, o inseto continuará buscando por sangue e poderá voar mais longe, chegando às cidades e picando os humanos.

ONG acolhe 68 filhotes de sagui vítimas do tráfico de animais silvestres

O Projeto Mucky, ONG que atua na preservação dos primatas, acolheu 68 filhotes de sagui resgatados pelas polícias Civil e Ambiental de São Paulo durante uma operação de combate ao tráfico de animais silvestres. O resgate foi realizado em Osasco e os animais foram levados para a sede da entidade, em Itu, no interior de São Paulo.

Foto: Divulgacão/Projeto Mucky

Trazidos da Bahia, os macacos estavam sendo vendidos por R$ 100 cada. Três pessoas estavam envolvidas no crime e responderão em liberdade por maus-tratos e pelo comércio dos animais. Elas assinaram um termo circunstanciado e foram multadas em R$ 2 milhões. As informações são do Estadão.

Os policiais resgataram ainda 120 aves de diferentes espécies. Algumas já estavam mortas. Elas eram transportadas “de maneira precária em dois compartimentos minúsculos, sem água ou alimentos”, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

“O índice de animais que morrem em decorrência do tráfico é muito grande. Infelizmente, desde a captura, até o transporte em condições insalubres e todo o estresse pelo quais eles são submetidos, são fatores que obviamente contribuem para a falência destes animais”, explica o Tenente Guedes, do Comando de Policiamento Ambiental.

Para conseguir proporcionar aos novos resgatados tudo o que eles precisam, o Projeto Mucky pede ajuda. “Temos 34 anos de trabalho e já fizemos resgates como este, mas nada com uma dimensão tão grande. Logo que soubemos do resgate, conseguimos um local para cuidar desses animais em Atibaia, mas ao chegarmos na delegacia, vimos que eram animais muito debilitados e todos filhotes”, conta Ana Paula Barranco, que integra a diretoria do Projeto Mucky.

Foto: Reprodução / Instagram / Projeto Mucky

Os macacos têm, segundo ela, entre dez dias e três meses de idade. “Filhotes dão três vezes mais trabalho do que adultos e estavam todos num ambiente em que poderiam morrer a qualquer momento. Optamos por levá-los à sede do Projeto, em Itu, onde hoje já cuidamos de 207 macacos. Eles estão se recuperando, mas não temos como ficar com eles”, diz.

A ONG tem utilizado as redes sociais para conseguir parcerias com outras entidades que possam receber os macacos, além de buscar reforço voluntário de cuidadores e ajuda financeira, com doações e patrocínio.

“Todos os 68 bebês receberam alimentação, soro e foram transferidos para recintos secos, limpos e aquecidos, uma operação que mobilizou cerca de dez pessoas e durou cinco horas até que todos os primatas fossem socorridos. Até o momento, todos os filhotes estão vivos e continuamos empenhados para que sobrevivam”, afirma o Projeto Mucky por meio de nota.

A Secretaria de Segurança Pública incentiva denúncias de tráfico de animais silvestres e reforça que a “crueldade contra os animais é comum no crime de tráfico da fauna”.

 

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68 olhares pedindo socorro! 68 motivos para ajudar! Uma das apreensões mais aterrorizantes e desumanas que já vivenciamos: 68 saguis “encomendados” da Bahia por uma mulher que os vendia ao preço de R$ 100,00 cada um. Quando o Projeto Mucky recebeu das Polícias Ambiental e Civil (3° DP de Osasco) o pedido de socorro sabíamos que não teríamos fôlego para acolher tantos primatas de uma só vez, mas não havia tempo para pensar, era preciso agir, pois 68 vidas estavam em risco e corríamos contra o tempo. Ao chegar na delegacia encontramos um cenário de terror e desolação. Todos os macacos eram filhotes com idades que variavam entre 10 dias e 3 meses. O grupo estava dividido em duas caixas minúsculas, completamente imundas e aqueles que ainda tinham alguma energia circulavam num lamaçal de fezes, urina e comida estragada.Por entre as frestas dos caixotes os olhares assustados pediam socorro e expressavam a dor de não entenderem por que estavam ali. Os macacos estavam molhados, sujos, famintos e sedentos. Um a um, começamos a retirá-los das caixas e prestar os primeiros socorros. Todos os 68 bebês receberam alimentação, soro e foram transferidos para recintos secos, limpos e aquecidos, uma operação que mobilizou cerca de dez pessoas e durou cinco horas até que todos os primatas fossem socorridos. Até o momento, todos os filhotes estão vivos e continuamos empenhados para que sobrevivam. EXTREMA URGÊNCIA, precisamos de: – Apoio financeiro para contratação emergencial de mais cinco cuidadores para reforçar nossa equipe. – Parceiros (ONGs e Associações) que possam RECEBER pequenos grupos de saguis, sob nosso acompanhamento e orientação técnica; – Mobilização contínua da sociedade para que esses crimes passem a ser punidos com rigor! Pasmem: a mulher apenas assinou um termo circunstanciado e já está livre! Ajude-nos a ajudá-los! Banco Itaú Ag. 0796 CNPJ 01.943.493/0001-66 C/C 60400-7 E-mail: contato@projetomucky.org.br

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Fundação de Saúde apura se macacos morreram por febre amarela no Piauí

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) está investigando se macacos encontrados na Zona Leste de Teresina (PI) morreram em decorrência da febre amarela. Os corpos estavam na região do condomínio residencial Mirante dos Lagos e no Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal do Piauí.

Foto: Pixabay

Dez amostras de sangue dos macacos foram encaminhadas ao Instituto Evandro Chagas, no Pará. Testes realizados em Teresina descartam a raiva como causa da morte, segundo a gerente da Zoonoses da FMS, Oriana Bezerra. As informações são do portal Cidade Verde.

“Como as amostras deram negativas para raiva nos teste feitos pela FMS, elas foram encaminhadas ao Instituto Evandro Chagas para identificar se os animais tinham arboviroses, dentre elas febre amarela. Estamos cumprindo um protocolo do Ministério da Saúde”, explica Oriana. Segundo ela, não há notificação de mortes de macaco por febre amarela em Teresina até o momento.

Desde o ano passado, segundo a gerente, casos da doença voltaram a preocupar as autoridades, que reforçaram os trabalhos de vigilância, prevenção e controle. “Quando houve boom da febre amarela a gente sensibilizou muito os órgãos e a população para que informasse se vissem algum macaco morto. Reforça que nossas ações estão corretas”, afirma Oriana.

Não há previsão para divulgação do resultado dos exames feitos com amostras de sangue dos macacos.

Oriana faz um apelo à população para que não mate macacos. Ela lembra que eles são vítimas da doença e não a transmitem. A febre amarela é transmitida exclusivamente através da picada dos mosquitos Aedes Aegypti, Haemagogus e Sabethes.

Macacos mortos levantam suspeita sobre febre amarela em Antonina (PR)

Três macacos foram encontrados mortos no município de Antonina, no litoral do Paraná. O caso preocupa a Secretaria de Estado de Saúde (SESA), que destinou uma equipe para investigar se a causa da morte dos animais foi a febre amarela. Um corpo de um macaco morto há mais tempo também foi localizado.

(Foto: Pixabay / Ilustrativa)

Material foi coletado do corpo dos macacos para realização de exames. As amostras foram enviadas para a Fiocruz. Devido a um pedido de urgência, os resultados devem sair em uma semana. As informações são do portal R7.

 

 

A médica veterinária Ivana Belmonte, do Centro de Vigilância Ambiental de Saúde, pede que a população não agrida ou mate os macacos. Ela lembra que os animais não transmitem a febre amarela.

A falta de informação da população já levou pessoas a matarem macacos em São Paulo e também no Rio de Janeiro. “Os macacos são tão vítimas da doença quanto os seres humanos”, disse Ivana.

A veterinária explica que em áreas de mata o vírus é transmitido pelos mosquitos haemagogus e sabethes. Os insetos vivem na copa das árvores e preferem o sangue dos macacos. No entanto, Ivana lembra que caso os macacos sejam mortos, as fêmeas dos mosquitos irão em busca de sangue humano.

Macacos são torturados e explorados nas ruas para entreter turistas

Macacos são cruelmente explorados e mortos em laboratórios de todo o mundo e, em circos e zoológicos, são forçados a aprender, com privação de alimentos, truques “engraçados” para divertir pessoas. Mas a maldade do homem não tem limites e, na Indonésia, eles são torturados e abusados nas ruas de Medan, a quarta maior do país, para entreter turistas e moradores.

Fotos angustiantes mostram os animais acorrentados pelo pescoço, vestem trajes bizarros, máscaras grotescas e andam de motocicletas em miniatura. Como não bastasse tamanha atrocidade, no fim dos “shows”, os pobres e indefesos macacos são mantidos em cativeiros minúsculos, escuros, sujos e com as correntes ainda em volta do pescoço.

Os homens que “cuidam” dos animais também foram registrados nas imagens pegando-os pelas mãos, pelos pés, deixando-os no chão, apenas para trocar as fantasias bizarras.

 

Quem capturou as terríveis imagens foi Sutanta Aditya, que visitou as ruas de Medan, na Indonésia, na semana passada. As informações são do Daily Mail.

Ela acredita que isto acontece devido a necessidades econômicas. “Os shows são controversos por causa da sensibilidade dos sentimentos humanos”.

Nada justifica torturar outras criaturas e as privar da liberdade em gaiolas e correntes de ferro para ganhar dinheiro.

“Se você está domando uma criatura de Deus, deve haver uma responsabilidade que vem disso. Sinto-me triste pelos macacos e espero que minhas fotos produzam pensamentos e ações”.

As tristes exposições também são encontradas na Índia, Vietnã, Paquistão, Tailândia, China, Camboja, Japão e Coréia do Sul.

 

 

 

Audiência do caso de crueldade contra macacos explorados em testes é suspensa

Na Alemanha, um processo judicial de crueldade animal contra funcionários do Instituto Max Planck de Cibernética Biológica (MPI) foi suspenso. Os pesquisadores do MPI foram acusados ​​de causar sofrimento a três macacos durante a pesquisa que aconteceu em 2014.

um macaco ensanguentado e encolhido no canto de uma cela

Foto: Cruelty Free International e Soko Tierschutz

Processos criminais foram lançados pelo gabinete do procurador estadual, mas de acordo com a Cruelty Free International, o tribunal distrital de Tübingen anunciou que houve um acordo de um pagamento em dinheiro no valor de quatro a cinco dígitos em vez do julgamento.

As acusações tinham seguido uma investigação secreta conjunta sobre o MPI pela Cruelty Free International e pela organização de bem-estar animal alemã Soko Tierschutz, revelando que os macacos foram submetidos a grandes cirurgias na cabeça, privação de água e contenção física.

“Estamos extremamente desapontados pelo fato da audiência ter sido suspensa e as alegações de crueldade contra animais não serem abordadas agora”, disse a Dra. Katy Taylor, diretora de Ciência e Assuntos Regulatórios da Cruelty Free International – que agora está pedindo pela divulgação de um relatório preparado pela Universidade de Bochum, que foi apresentada pelo advogado de defesa dos pesquisadores.

“Durante nossa investigação no Instituto Max Planck, ficamos chocados com o nível de sofrimento a que os macacos foram submetidos. Os macacos são animais inteligentes e sociais e é absolutamente terrível para eles serem tratados dessa maneira.”

MPI disse que havia acabado com a exploração de macacos nesses experimentos em 2017.

Uma ameaça crescente à vida selvagem: eletrocussão

A África do Sul é um país de fazendas, reservas e parques nacionais, muitos deles cercados por quilômetros de cercas elétricas. O bloqueio impede a entrada de animais e humanos indesejados e protege o gado e a vida selvagem que ali habita mas também tem um efeito colateral letal: ela mata pequenos animais, particularmente pássaros e répteis, primatas, girafas , elefantes africanos , leopardos , búfalos e rinocerontes brancos.

Uma mulher rezou sobre os corpos de dois elefantes asiáticos que foram eletrocutados em Siliguri, na Índia. Foto: Diptendu Dutta / Agência France-Presse – Getty Images

Os Tripwires são grandes vilões nos incidentes. Posicionados a cerca de meio pé do chão, os fios enviam um zumbido para leões famintos e suínos selvagens.

Mas nem todas as criaturas simplesmente dão as costas. As tartarugas que atingem um tripwire retiram seus cascos em vez de recuar, os pangolins enrolam-se sobre o arame como uma bola. Os animais ficam parados, chocados até que seus corações parem. As informações são do The New York Times.

“Os agricultores que caminham ao longo de cercas e encontram de seis a oito tartarugas mortas em 100 metros”, disse Luke Arnot, cirurgião veterinário e professor da Universidade de Pretória. “Com as tartarugas, tendemos a pensar em caça furtiva e incêndios florestais, mas as cercas elétricas são tão grandes, se não um problema maior.”

Um estudo de 2008 , cerca de 21.000 répteis na África do Sul são mortos a cada ano após entrarem em contato com cercas elétricas. O Dr. Arnot tenta alertar, publicando artigos em revistas agrícolas e de pecuária que detalham soluções práticas e baratas e elaborando diretrizes amigáveis ​​para a vida selvagem na  instalação de cercas elétricas.

As soluções são simples: por exemplo, elevar os tripwire para fora do chão, ou transmitir a corrente sonora somente à noite, quando há predadores por perto.

“Essas cercas têm a capacidade de dizimar populações inteiras e estão fazendo isso”, disse ele. Mas a ameaça à vida selvagem “ainda não é algo que muita gente pensa”.

De acordo com o The New York Times, a África do Sul não é o único país que enfrenta o problema e não são apenas as cercas que matam. As linhas de energia estão sendo amarradas aleatoriamente nos países pobres; estes também eletrocutam animais e as colisões, por si só, costumam ser fatais para as aves.

“Há estudos de todo o mundo que documentaram isso como um problema”, disse Scott Loss, ecologista da Universidade Estadual de Oklahoma.

A eletrocussão afeta uma variedade diversa de espécies e pode comprometê-las. Nos países do sul da África, a eletrocussão é considerada uma das principais ameaças aos abutres-do-cabo ameaçados de extinção e aos abutres de dorso branco, extremamente ameaçados.

Na Ásia Central, a eletrocussão mata cerca de 4.000 falcões Saker ameaçados a cada ano. Nos Estados Unidos, Dr. Loss e seus colegas estimaram que dezenas de milhões de aves são mortas por linhas de energia a cada ano.

Os cientistas ainda não estão certos do quanto uma eletrocussão representa de ameaça para muitas das espécies afetadas. “Aves de conservação, como os falcões de cauda vermelha e águias-douradas, estão morrendo de eletrocussão, mas não temos uma ideia concreta de como essa fonte de mortalidade está contribuindo para as mudanças nas populações dessas espécies, se for o caso”, disse Dr. Perda disse.

Fazer estimativas confiáveis ​​é especialmente difícil em áreas mais selvagens, porque os predadores rapidamente farejam as carcaças, disse Simon Thomsett, um ornitólogo e administrador do Bird of Prey Trust do Quênia.

“Em áreas de vida selvagem no Quênia, hienas e outros animais fazem caminhos para as linhas de energia para chegar às aves mortas”, disse ele.

Animais eletrocutados também não são necessariamente mortos no local. As aves podem ser atingidas, disse Thomsett, e depois voar a centenas de quilômetros de distância para morrer uma ou duas semanas depois, quando seus membros danificados se atrofiam e se tornam necróticos.

“Isso torna impossível enumerar o número de mortes”, disse Thomsett. “Mas eu acho que esta é uma ameaça crescente e que é enormemente subestimada pela maioria dos conservacionistas da vida selvagem, guardas e gerentes de conservação.”

Até mesmo grandes animais estão ameaçados. Mais de 100 elefantes asiáticos em risco de extinção já foram mortos por eletrocussão no estado de Odisha, na Índia, durante 12 anos, principalmente por contato com linhas de energia. Girafas , elefantes africanos , leopardos , búfalos do Cabo e rinocerontes brancos também foram eletrocutados em vários países.

Primatas são vítimas frequentes. Pelo menos 30 espécies e subespécies, metade das quais estão ameaçadas de extinção, são afetadas por eletrocussão na Ásia, África e América Latina. “Este é um problema generalizado, mas também é pouco notificado e estudado, para que se possa saber sobre mais espécies afetadas”, disse Lydia Katsis, recém-formada pela Bristol Veterinary School, na Grã-Bretanha.

Em julho, Katsis publicou uma pesquisa no International Journal of Primatology identificando os principais pontos de eletrocussão para cinco espécies de primatas em Diani Beach, no Quênia. A eletrocussão é responsável por até 20% dos casos de mortalidade e lesão de primatas registrados na Colobus Conservation, um grupo sem fins lucrativos com sede na cidade.

Em geral, os primatas que são eletrocutados morrem na hora ou pelo impacto de uma queda, mas se eles sobreviverem ao choque inicial, eles podem sucumbir mais tarde a infecções secundárias de ferimentos horríveis causados ​​pelo choque, disse Katsis.

Além dos custos de conservação, os animais que entram em contato com linhas de energia ou outras infraestruturas elétricas extraem um custo econômico significativo. Em 2016, por exemplo, um macaco vervet causou um blecaute nacional no Quênia depois de tropeçar em um transformador, cortando energia para cerca de 4,7 milhões de residências e empresas.

“Os animais causaram interrupções e danos à infra-estrutura no valor de bilhões de dólares”, disse Constant Hoogstad, gerente sênior de parcerias do setor no Endangered Wildlife Trust, uma organização de conservação sem fins lucrativos na África do Sul. “Estimamos que 60% das falhas e interrupções na linha na África do Sul estão relacionadas à vida selvagem.”

Hoogstad e seus colegas trabalham diretamente com a Eskom, fornecedora estatal de eletricidade da África do Sul, para realizar várias estratégias de mitigação. Isso inclui tornar as linhas de energia mais visíveis para os pássaros, isolar os condutores nos topos dos postes e projetar postes para que as aves não possam entrar em contato com os componentes ativos.

“É realmente importante ressaltar esse problema”, disse Hoogstad.

Os resultados são imprevisíveis. Para algumas espécies, como a abetarda de Ludwig, as intervenções para reduzir as colisões com linhas de força tiveram pouco sucesso. Para outros, incluindo guindastes azuis e flamingos, a mortalidade pode ser reduzida em 90% ou mais.

Por que essas medidas funcionam para algumas espécies e não para outras é “a pergunta de um milhão de dólares”, disse Hoogstad, que seus colegas de pesquisa estão trabalhando para responder.

Os esforços da Endangered Wildlife Trust estão sendo replicados na Jordânia, Namíbia, Tanzânia e Austrália. Nos Estados Unidos, o Comitê de Interação da Linha de Energia Aviária, uma organização sem fins lucrativos cujos membros incluem mais de 50 empresas de serviços públicos, também trabalha para reduzir as mortes de aves.

A maioria dos outros países não possui tais iniciativas e em muitos lugares o problema só piora, alertou Thomsett.

No Quênia, por exemplo, as linhas de energia estão sendo instaladas rapidamente, geralmente em áreas protegidas e ao longo das principais rotas de migração usadas ​​por aves. Em outubro de 2018, os colegas de Thomsett encontraram os restos eletrocutados de uma águia marcial ameaçada de extinção – a maior águia da África – sob as linhas de energia recém construídas perto da Reserva Nacional Masai Mara.

A jovem ave era uma das que os conservacionistas conheciam: eles haviam marcado apenas sete meses antes, como parte de um estudo de longo prazo sobre a ecologia e a sobrevivência da espécie no Quênia.

“O terrível das linhas de energia é que cada uma delas vai matar”, disse Thomsett. “Mas as pessoas daqui dizem que não se importam porque precisamos desenvolver nosso país”.

um chimpanzé na selva sentado de braços cruzados

Chimpanzés e bebês são mais lógicos do que humanos adultos

Adultos acham irresistível o desejo de competir com seus pares, e necessidade de “vencer” pode muitas vezes ofuscar seu julgamento, optando por decisões menos benéficas a fim de prejudicar seu oponente. Chimpanzés e bebês são mais lógicos e simplesmente escolhem a opção que os beneficia.

um chimpanzé na selva sentado de braços cruzados

Foto: Getty Images

Os cientistas dizem que a pressão constante dos adultos para superar seus pares os faz piorar. A remoção dessa barreira permite que os macacos – e seres humanos infantis – processem as coisas de uma maneira mais lógica. As descobertas, publicadas na revista Proceedings, da Royal Society B, investigaram como os processos mentais são afetados por duas facetas da sociedade: competição e cooperação.

Ambos desempenham papéis críticos na melhoria do conhecimento humano e os cientistas descobriram que as pessoas muitas vezes acham muito difícil não competir com os outros.

Cientistas dos EUA e da Alemanha dizem que sair por cima às vezes pode ser em nosso detrimento. Os pesquisadores testaram 96 crianças entre cinco e dez anos de três escolas quenianas e pediram que completassem a mesma tarefa de 15 chimpanzés.

Eles foram obrigados a sentar-se em frente a um par e tinha duas bandejas com deleites foram apresentados a eles. Ambas as bandejas vieram com seu próprio conjunto de condições.

Uma permitia que o sujeito recebesse dois lanches e sua contraparte recebesse um, enquanto a outra fornecia ao seletor três e ao seu companheiro seis. Os chimpanzés e as crianças (menores de seis anos) agiram racionalmente e escolheram a segunda opção que lhes deu mais guloseimas, três ao invés de duas.

No entanto, as crianças mais velhas também foram testadas, com idades variando entre seis e dez anos, e este estudo descobriu que elas estavam mais preocupadas com a quantidade que seus pares estavam recebendo ao escolher a bandeja a ser recebida.

Em vez de pegar três e dar seis, eles decidiram “vencer” a batalha fictícia de quem ganha mais guloseimas escolhendo a outra bandeja.

“Crianças pequenas e chimpanzés se comportaram de maneira racional: eram altamente consistentes na escolha da opção que maximizava o pagamento absoluto”, escreveram os autores do estudo.

“As crianças mais velhas, no entanto, agiam de maneira irracional, do ponto de vista da ‘vantagem’. Pagavam um custo para ter uma vantagem relativa em comparação com um par e, assim, priorizaram a vantagem relativa ao valor absoluto.”