Ativistas nepaleses protestaram em Katmandu na sexta-feira última pedindo o fim dos sacrifícios religiosos de animais, meses antes de um festival regional que no passado já matou dezenas de milhares de animais.
Alguns dos mais de 100 manifestantes usavam cabeças de búfalos, porcos e galinhas, enquanto cantavam e protestavam contra a prática cruel profundamente enraizada nas tradições hindus do país.
“Isso está errado e deve parar”, disse à AFP Sneha Shrestha, da Federação de Bem-Estar Animal do Nepal.
“Somos todos iguais aos olhos de Deus, e Deus não pedirá o sacrifício de seus próprios filhos”.
Foto: AFP
Os defensores dos direitos animais enfrentam uma luta difícil no Nepal, onde os hindus compõem 80% da população e onde o sacrifício ritual é parte da vida cotidiana e fundamental para os grandes festivais.
Os cartazes e faixas presentes no protesto também pediram a suspensão dos sacrifícios em Gadhimai, um festival que se acredita ser o maior massacre ritual do mundo.
Uma vez a cada cinco anos, a pequena aldeia de Bariyapur, perto da fronteira do Nepal com a Índia, se afunda em sangue, enquanto milhares de devotos hindus visitam seu templo para homenagear Gadhimai – uma deusa hindu que representa o poder.
Foto: AFP
O sacerdote principal do templo inicia o festival centenário com o sacrifício ritual de dois ratos selvagens, dois pombos, um galo, um cordeiro e um porco antes que dezenas de milhares de animais sejam mortos.
Embora o templo tenha proibido a prática sob forte pressão em 2015, os ativistas temem que os sacrifícios ainda sejam realizados no próximo festival, previsto para novembro.
Durante o festival de dois dias, os adoradores do Nepal e da vizinha Índia passam dias dormindo ao ar livre e oferecendo orações à deusa no templo.
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A ONG Compassion in World Farming está liderando, pelo terceiro ano consecutivo, um movimento internacional para mobilizar a população mundial em torno do Dia Internacional contra a Exportação de Gado Vivo, celebrado nesta sexta-feira (14). O intuito da data é conscientizar as pessoas acerca do sofrimento dos animais exportados.
Em 2017, 30 países participaram do movimento. Ano passado, o Brasil também aderiu à ação, que envolveu 33 nações. Neste ano, 41 países foram mobilizados e irão realizar manifestações. Coordenados pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, em parceria com entidades de várias cidades, os protestos brasileiros começaram na quinta-fera (13) e serão realizados até o domingo (16). Doze cidades estão participando. As informações são da Agência Brasil.
Bois mantidos em condição insalubre no navio NADA (Foto: Magda Regina)
De acordo com a diretora de Educação do Fórum, a geógrafa Elizabeth MacGregor, embora existam legislações que determinem que os animais exportados recebam tratamento humanitário, “a questão do bem-estar animal é zero”. Além disso, segundo ela, essa exportação é negativa do ponto de vista econômico, já que representa apenas 1% do que é produzido pela pecuária brasileira para consumo humano. De acordo com MacGregor, todos os países importadores também importam carne embalada.
A geógrafa lembrou ainda que, por não ser taxada, a exportação de boi vivo não gera riqueza para o Brasil. “O couro vai de graça” para o importador, disse MacGregor, que reforçou também que essa atividade não gera emprego no Brasil, mas nos países compradores, como a Turquia e o Líbano. Além disso, esses país, comentou a geógrafa, não utilizam práticas de bem-estar animal, o que faz com que os animais sejam mortos de maneira cruel.
O problema, porém, é ainda maior, já que “ambientalmente é péssimo”. Isso porque o transporte costuma ser feito em navios reformados ou adaptados, de péssima qualidade, sem condições mínimas de higiene, sem alimentação e hidratação adequada para os animais, sem assistência veterinária, impondo aos animais uma viagem longa e exaustiva, na qual eles são sujeitos a intempéries climatológicas, com urina e fezes provocando a proligeração de doenças. Em ambientes superlotados, esses animais também não têm espaço sequer para deitar e descansar durante o percurso, que pode levar semanas. “Vão cheios de outras substâncias que afetam o meio ambiente”, disse MacGregor.
De acordo com a diretora do Fórum, a exportação de animais vivos não é boa para o Brasil, “tanto na questão econômica, como na questão da imagem do país que, no momento, parece estar sendo deixada de lado”. A questão, na opinião da ONG, é econômica. Mais de 700 mil animais vivos foram exportados em 2018, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o que gerou receita de US$ 470 milhões para o Brasil. Esse valor, porém, representa só 7% da receita proveniente da exportação de carne e derivados, que ultrapassa US$ 6 bilhões anuais.
Boi com corpo coberto por fezes e urina dentro do navio NADA (Foto: Magda Regina)
Dentre os países contrários a essa prática, a maior parte está na Europa. Isso, segundo MacGregor, deve-se ao conhecimento. A diretora da ONG lembra que a ciência já comprovou que todo animal vertebrado é senciente, ou seja, consegue sentir dor, física e psicológica. “Têm capacidade cognitiva, então raciocinam, têm sentimentos e desde a década de 1970, a ciência do bem-estar animal usa parâmetros científicos e objetivos para analisar tecnicamente como os animais estão sendo tratados”, disse. Segundo ela, esse conhecimento ainda é heterogêneo, “como tudo no mundo”.
Sobre o movimento internacional, a diretora contou que os 41 países participantes estão localizados em todos os continentes. “O movimento é global mesmo”, explicou. Na Europa, também é defendida a redução das horas de transporte terrestre dos animais. “Mas o pior é essa exportação”, segundo MacGregor.
O movimento teve início em Londres, na Inglaterra, em 2017. Trata-se de uma iniciativa da ONG ‘Compassion in World Farming’, em parceria com a ONG ‘World Wide Fund for Nature’ (WWF), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Todas essas organizações reforçam o impacto negativo da pecuária e lembram que, dentre as atividades humanas, ela é a que causa prejudica o meio ambiente – considerando desde o desmatamento até a poluição de mares, lagos e oceanos. A diretora do Fórum explicou que a flatulência dos bois é gás metano – afirmação que é confirmada por estudos.
“Tem todo um embasamento técnico e de órgãos internacionais, não só de ONGs”, disse. MacGregor comentou também que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já se pronunciou sobre o impacto da pecuária na natureza. “O Brasil tem mais boi do que gente”, afirmou. A questão, segundo MacGregor, “é seríssima em todo o mundo”.
Graxaria do navio NADA (Foto: Magda Regina)
Diretora do Fórum, a médica veterinária Vânia Nunes disse ainda que os maus-tratos se iniciam no transporte das fazendas para os portos, que já é “extremamente estressante para os animais”. Além disso, Nunes salientou que muitos animais morrem nos navios, durante as longas viagens de exportação, por não resistirem às péssimas condições as quais são submetidos. Os corpos, triturados, são jogados no mar, assim como toneladas de fezes e urina produzidas diariamente, poluindo o meio ambiente.
Na quinta-feira (13), foram realizados protestos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (MG). Para esta sexta-feira (14), há atos marcados em Brasília, Salvador (BA) e Sorocaba (SP). No sábado (15), as manifestações serão realizadas em Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Belém (PA) e Indaiatuba (SP). O encerramento está marcado para domingo (16), em Lajeado (RS).
ANDA move ações contra exportação de animais
A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) entrou com duas ações contra a exportação de animais. A primeira, feita em conjunto com a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA), solicitou a interrupção das operações no porto de Santos com base nas implicações ambientais e nos crimes de maus-tratos registrados durante o embarque feito pelo porto em dezembro de 2017.
A segunda ação, movida exclusivamente pela ANDA, foi contra os embarques de animais vivos no porto de São Sebastião. Devido à existência de outras duas ações contra tais operações no porto que tinham como foco os maus-tratos contra os animais, a ANDA optou por usar o enfoque ambiental como fundamento para se opor à exportação de animais vivos em São Sebastião.
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Mais de 1,3 mil manifestações pelo clima estão programadas para esta sexta-feira (15) em todo o mundo. Na Alemanha, serão realizadas 150 delas. O Brasil será palco de 19 atos. Todos os protestos são realizados por estudantes de mais de cem países durante o horário de aula.
O movimento recebeu o nome de “Fridays For Future” (Sextas-feiras Para o Futuro, em tradução livre). O objetivo é combater as mudanças climáticas exigindo que os governos adotem práticas para salvar o clima do planeta. As informações são do portal DW.
De acordo com o porta-voz do movimento no estado alemão de Brandemburgo, Vincent Bartolain, “os preparativos estão avançados na Alemanha”. O jovem afirma que os estudantes estão “organizados em vários grupos locais, que planejam as manifestações, mas recebem material informativo da equipe nacional de organização”, ao se referir a flyers, adesivos e cartazes, produzidos com o mínimo de prejuízo ao meio ambiente, geralmente a partir de papel reciclado, nos quais são escritas palavras de ordem como “podemos aguentar faltas às aulas, mas não as mudanças climáticas!”, “ão, ão, ão, chega de carvão!”, ou ainda o slogan do movimento: “não há um planeta B!” e “marche agora ou nade depois!”.
Na Alemanha, uma campanha de doações foi feita para cobrir os custos de produção do material e de viagens. No entanto, segundo Bartolain, a maior parte das despesas é paga com os próprios recursos dos estudantes.
“Queremos fazer os políticos se mexerem”, responde Bartolain, que lembra que o desejo deles é de que algo realmente seja feito a favor da proteção climática na Alemanha, “para que não seja só da boca pra fora e empurrar com a barriga.”
Com 18 anos, Bartolain é membro do Partido Verde e candidato ao legislativo de Brandemburgo na eleição de setembro. Ele faz parte da mesma geração de jovens alemães que a ativista sueca pelo clima Greta Thunberg, de 16 anos. São conhecidos por serem mais engajados na luta política do que a geração anterior.
Greta se manifesta, há meses, todas às sextas-feiras a favor do clima perante o prédio do parlamento sueco. Portadora da síndrome de Asperger, ela foi incluída pela revista Time na lista dos 25 adolescentes mais influentes de 2018. E ela tem feito milhares de adolescentes em todo o mundo se inspirarem nela e seguir seu exemplo. Apenas na Alemanha já são 155 grupos locais, segundo o próprio movimento, que está presentes em todas as redes sociais, por meio das quais artigos, notícias, eventos e manifestações são divulgados.
O Fridays For Future recebeu o apoio de 12 mil cientistas, por meio de uma carta assinada por eles, e também tem sido apoiado por organizações e associações. Para os cientistas, os estudantes têm motivações legítimas e bem fundamentadas, pois as medidas adotadas até o momento por governos do mundo todo para proteger o clima, a biodiversidade, as florestas, os oceanos, os mares e o solo são insuficientes e a hora de agir é agora.
Um dos cientistas, Volker Quaschning, da Escola Superior de Técnica e Economia de Berlim, afirmou que os políticos europeus que disseram que os jovens deveriam retornar às aulas não sabem do que falam. “E é por isso que nós estamos aqui. Nós somos os profissionais e podemos dizer: a nova geração está com a razão. E faltar aula também é um gesto de coragem”, disse Quaschning, que, assim como os demais cientistas, defende que as exigências dos alunos sejam atendidas.
No meio político, os estudantes têm recebido muitas críticas. A ministra da Educação, Anja Karliczek, e o ministro da Economia, Peter Altmaier, afirmaram que os protestos deveriam ser feitos fora do horário de aula. O presidente nacional do Partido Liberal (FDP), Christian Lindner, disse que os jovens não podem entender as implicações globais e as viabilidades técnicas e econômicas do combate ao aquecimento global. O partido populista de direita AfD chegou a falar em “abuso político de crianças”. A ministra do Meio Ambiente, Svenja Schulze, por sua vez, elogiou o engajamento dos alunos.
As críticas, porém, não vieram apenas dos políticos. Nas redes sociais, xingamentos estão sendo proferidos contra o movimento, que afirmou que irá acionar a Justiça contra quem fizer ameaças ao Fridays For Future e aos seus participantes.
Bartolain lembra que os jovens não irão desistir. “Estamos só no começo”, concluiu. Segundo ele, mais pessoas estão se unindo ao movimento e novos grupos locais estão se formando na Alemanha.