Matadouros lideram ranking de acidentes de trabalho

São pelo menos 54 ocorrências por dia, e apenas em 2017 foram contabilizados 20.595 acidentes em matadouro (Foto: Getty)

A agropecuária lidera o ranking de acidentes de trabalho no Brasil. Só no Mato Grosso, de um total de 18 mil acidentes envolvendo alguma atividade agropecuária entre 2012 e 2017, 10 mil foram no setor de abate de animais, ou seja, em matadouros.

Segundo dados disponibilizados no site do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, criado pelo Tribunal Regional do Trabalho, os tipos de acidentes mais comuns são fraturas, cortes, lacerações, contusões, esmagamentos e amputações.

Mas não é apenas o Mato Grosso que contabiliza acidentes de trabalho em matadouros. Segundo a Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, a indústria frigorífica é líder em acidentes de trabalho em todo o Brasil.

São pelo menos 54 ocorrências por dia, e apenas em 2017 foram contabilizados 20.595 acidentes em matadouros, o que representa crescimento de 7,90% em comparação com 2016, que somou 19.087 acidentes.

Vale lembrar também que este ano duas pessoas morreram em decorrência de choque elétrico em um matadouro em Caracol (PI). Em síntese, o local onde vidas não humanas são reduzidas a alimentos também é aquele onde os funcionários têm a maior probabilidade de sofrer algum grave acidente.

É possível que até 50% dos matadouros brasileiros sejam clandestinos

todos os meses matadouros ilegais, e alguns até mesmo legais, onde animais são abatidos a pauladas ou marretadas, são identificados no país (Foto: Ascom MPF/SE)

Em um país onde a quantidade de matadouros clandestinos pode chegar a até 50% do total, de acordo com informações do artigo “A Clandestinidade na Produção de Carne Bovina no Brasil”, de João Felippe Cury Marinho Mathias, publicado na Revista de Política Agrícola, é uma ilusão acreditar que existe consumo de carne seguro ou que a maior parte da produção de carne é resultado de práticas que se enquadram no chamado “abate humanitário”.

Mesmo que se fale na crescente implementação desse sistema, é inegável que isso não anula a privação e o sofrimento dos animais criados com fins de abate, sem considerar ainda a comum displicência em relação às medidas sanitárias. Embora o artigo de João Felippe Cury não seja tão recente, nada indica que a situação melhorou e, quem sabe, até piorou.

A existência de muitos matadouros clandestinos continua sendo um grande facilitador de proliferação de doenças e abusos ainda mais terríveis contra os animais. Prova disso é que todos os meses matadouros ilegais, e alguns até mesmo legais, onde animais são abatidos a pauladas ou marretadas, são identificados no país.

Só no último mês quatro foram fechados no Norte e Nordeste do Brasil. E quanto às condições sanitárias, nem é preciso entrar em detalhes, já que se não é incomum os matadouros legais não atenderem todas as normas e especificações, imagine então os ilegais, onde animais muitas vezes são abatidos em estacionamentos, pátios de cimento e a céu aberto. A verdade é que não há consumo seguro de carne.

Em março, o Núcleo de Justiça Animal da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) divulgou um levantamento denunciando que só na Paraíba 71 matadouros abatem animais a pauladas e estão envolvidos em exploração de trabalho análogo ao escravo, além de atuarem sem o mínimo de condições de higiene.

E agora falando de grandes frigoríficos, quem não se recorda também da Operação Carne Fraca, que em março de 2017 denunciou que as gigantes JBS (Friboi, Seara e Big Frango) e BRF (Sadia e Perdigão) estavam mascarando carne vencida usando produtos químicos, e levantou, mesmo que modestamente, uma discussão sobre medidas sanitárias e “abate humanitário”?

Ademais, ontem os principais veículos de comunicação internacionais e nacionais denunciaram que foram encontrados resíduos plásticos em toneladas de carne da JBS nos Estados Unidos, ainda a “principal produtora de carne do Brasil” e uma das maiores do mundo.

Não podemos ignorar também que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) continua frisando que cerca de 70% das novas doenças que infectam seres humanos estão associadas à cadeia agropecuária, seja por meio do sistema de produção ou consumo, o que tem favorecido a redistribuição de patógenos, vetores e hospedeiros.

Isso ainda sem falar especificamente da Resistência Antimicrobiana (AMR), que é um dos maiores desafios da atualidade, que diz respeito às bactérias resistentes aos antibióticos que se desenvolvem em tempo recorde e podem antecipar um futuro em que muitos medicamentos já não terão efeitos na resolução de doenças que afligem animais e seres humanos – o que pode ser catastrófico nas próximas décadas.

Em menos de um mês, quatro matadouros foram fechados no Brasil

Matadouros em Santa Cruz do Capibaribe (PE) e Nossa Senhora das Dores (SE) foram fechados recentemente (Fotos: Ministério Público de Pernambuco e Sergipe)

Em menos de um mês, quatro matadouros foram fechados no Brasil após denúncias do Ministério Público. Os abatedouros se situavam em Nossa Senhora das Dores (SE), Siriri (SE), Santa Cruz do Capibaribe (PE) e Itacoatiara (AM).

Atê o mês passado, no matadouro de Nossa Senhora das Dores os animais eram abatidos no concreto do estacionamento. No matadouro de Siriri, os bovinos, além de maltratados antes do abate, eram mortos à marretadas.

Realidade parecida foi testemunhada e denunciada pelo Ministério Público em Santa Cruz do Capibaribe, onde caprinos, ovinos e suínos eram abatidos com o uso de marretas. O local também apresentava precárias condições de higiene.

Além da realidade dos animais, a Segunda Promotoria de Justiça Cível de Santa Cruz do Capibaribe declarou que a situação do matadouro demonstrou alto e elevado risco de contaminação.

“Há consequente perigo de contaminação da população que consome tal tipo de carne, sujeita a contrair doenças graves, infectocontagiosas, por bactérias, vermes e resíduos de antibióticos e [esteroides] anabolizantes, que podem matar, provocar câncer, tuberculose e alterações hormonais, além de vários outros prejuízos à saúde”, frisou o promotor Carlos Eugênio do Rego Barros Quintas Lopes.

Em Itacoatiara, a 270 km de Manaus, um matadouro foi fechado por más condições de higiene e por maus-tratos aos animais. O espaço também era utilizado para a realização de “brigas de galo”. Além disso, o Ministério Público denunciou que havia esteroides anabolizantes no local.

O MP e a Polícia Civil recolheram porcos e 50 galos. Três homens que eram responsáveis pelo matadouro foram encaminhados à delegacia e indiciados por crimes ambientais e maus-tratos.

“O lugar não tem condição de higiene nenhuma, há proliferação de insetos, bichos. A carne que sai deste abatedouro é altamente imprópria para o consumo”, destacou a promotora do Ministério Público do Amazonas, Tânia Azevedo.

Trabalhar em matadouros pode alterar a personalidade humana

Eu não sinto mais nada, mas no começo foi muito ruim”, frisou um homem identificado apenas como RP9 (Foto: Vegan Australia)

Recentemente, o professor do Departamento de Psicologia Organizacional e Industrial da Universidade da África do Sul, Antoni Barnard, republicou um estudo concluído em 2016 sobre o impacto psicológico e emocional de se trabalhar em matadouros.

Para a realização do trabalho, ele entrevistou dezenas de magarefes, pessoas que matam animais criados para consumo. Todos disseram que jamais se esqueceram da primeira vez que abateram um animal. Além do desconforto, muitos relataram tremores, tristeza, aflição e vergonha.

“Eu estava com muito medo, mesmo segurando uma arma”, disse um dos entrevistados. Um dos maiores pontos de estranhamento foi reconhecer que estava trabalhando em um local por onde centenas de animais entram a cada dia e não saem de lá com vida.

“A primeira vez que matei não foi fácil. Eu sinto vergonha disso. Só queria fechar os olhos, me virar e fugir. Foi muito triste, mas quanto mais você faz, mais fácil fica. Ontem, por exemplo, tive que atirar na cabeça de algumas vacas. Eu não sinto mais nada, mas no começo foi muito ruim”, frisou um homem identificado apenas como RP9.

Barnardi conta que nos primeiros meses, os funcionários de matadouros costumam ter sonhos vívidos e pesadelos paranoicos repletos de medo e ansiedade. Alguns citaram experiências em que eram perseguidos pelos animais que mataram; outros os viam em um sofrimento que parecia não ter fim, agonizando incessantemente. Sentimentos de culpa, medo e vergonha são os mais comuns na “fase de adaptação”.

Um participante declarou que sonhou que uma vaca saltava da caixa de abate e o perseguia. Outros lembram de experiências em que os animais se comunicavam com eles, perguntando algo como: “Por que você está me matando?”

As respostas emotivas são bastante intensas durante um período que pode variar muito de pessoa para pessoa, mas há uma certa unanimidade em relação ao fato de que seus dias fora do matadouro também são tomados por emoções negativas em decorrência da prevalência da raiva e do temor. O entrevistado RP9 revelou que começou a se tornar mais impaciente e explosivo. Se alguém o magoa, “seus punhos balançam”.

Por outro lado: “Os funcionários de matadouros transmitem uma preocupação moral, acreditando que terão que responder por suas ações quando morrerem. Sentimentos de tristeza também são frequentemente mencionados em histórias de abate”, destacou o pesquisador.

Outro entrevistado, RP10, contou que quando chegava para trabalhar o seu encarregado dizia que ele deveria abater uma grande quantidade de animais, e quando ele olhava para os bovinos, grandes e fortes, aquilo parecia errado e o deprimia.

O estudo também apontou que quem trabalha diretamente no abate de animais acaba desenvolvendo baixa tolerância à frustração e, em decorrência disso, seus níveis de irritação aumentam. RP8 segredou que nunca havia agredido um animal como um cão ou gato, mas desde que começou a matar bovinos ele já não sente a mesma inibição de antes:

“Eu acredito que posso chutar se eu quiser porque eu mato boi todos os dias. Chutar um cão ou gato e jogá-lo para longe já não é uma preocupação.” Relatos como esse são consequências da mudança de personalidade que os funcionários do matadouro experimentam quando o cotidiano se resume a tirar vidas.

Mesmo que não falem abertamente a respeito com qualquer pessoa, os participantes da pesquisa deixaram claro que perceberam tanto mudanças em si mesmos quanto nos colegas de trabalho ao longo do tempo:

“Os participantes narram que o abate afeta suas capacidades de pensar com clareza e percebem que se sentem ‘loucos’. Fazer o trabalho de abate também impacta de uma forma que eles parecem se tornar mais agressivos do que antes, com uma atitude descuidada no que diz respeito às consequências de suas ações em relação a outras pessoas.”

As emoções intensificadas de medo, ansiedade, culpa, vergonha e tristeza diminuem com o tempo. Algumas até mesmo desaparecem, mas a adaptação à realidade do matadouro como algo banal não impede que ninguém que ganhe a vida matando animais passe por um embrutecimento que pode ter consequências sociais. E isso é parte da realidade de quem vive nesse universo.

Referência

Barnard, Antoni; Victor, Karen. Slaughtering for a living: A hermeneutic phenomenological perspective on the well-being of slaughterhouse employees. International Journal of Qualitative Studies in Health and Well-being (2016).

Justiça investiga trabalho infantil e maus-tratos a animais em 71 matadouros na Paraíba

O Ministério Público do Trabalho (MPT) vai apurar denúncias de trabalho infantil e análogo ao escravo, além de maus-tratos a animais e condições de higiene em 71 matadouros da Paraíba. A investigação será realizada devido a irregularidades encontradas por um levantamento feito pelo Núcleo de Justiça Animal da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Foto: O Vale do Apodi / Imagem Ilustrativa

A denúncia foi protocolada no MPT pelo professor Francisco Garcia, coordenador do Núcleo que reuniu informações de duas dissertações de mestrado, um artigo científico e seis relatórios do Conselho Regional de Medicina Veterinária para dar fundamento à denúncia.

“Foi detectado o trabalho infantil, o trabalho análogo a labor escravo, a periclitância da saúde humana dos trabalhadores e da população destinatária das carnes e maus-tratos aos animais. Os animais, em 100% praticamente, são mortos a pauladas”, disse o professor Francisco Garcia ao portal G1.

O levantamento concluiu que em 100% dos matadouros pesquisados não existem câmaras de refrigeração; não há controle dos animais sobre doenças, que são mortos de forma cruel e inadequada; 80% dos trabalhadores não utilizam equipamentos de proteção individual (EPIs); acidentes de trabalho são comuns; há trabalho degradante e análogo ao escravo; a maioria dos estabelecimentos atua sem o mínimo de higiene e em 34,9% deles havia trabalho infantil e a maior parte das crianças havia abandonado a escola.

Parte das informações do levantamento, feito entre 2014 e 2018, foi apresentada em audiência pública para procuradores, universitários e representantes da sociedade civil na última segunda-feira (25). Nenhum dos matadouros eram clandestinos, mas não passavam por fiscalização.

MPT divulgou imagens dos matadouros (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

O objetivo da audiência é acabar com as práticas irregulares encontradas nos estabelecimentos pesquisados. “Nosso objetivo é a resolução dessa situação, que mude, seja transformado essa realidade, para que as condições de trabalho sejam condições dignas”, ressaltou Carlos Eduardo de Azevedo Lima, procurador chefe do MPT.

Após a audiência, uma articulação de ações para por fim aos problemas identificados foi iniciada. “O Ministério Público vai instaurar diversos procedimentos investigatórios e chamará os responsáveis, na maioria prefeitos, para firmar termos de ajustes de conduta do Ministério Público para regularizar a situação”, declarou Edlene Lins Felizardo, procuradora do trabalho.

Problemas psicológicos

Um artigo publicado na ANDA sobre uma pesquisa do Texas Observer expõe as consequências negativas sofridas pelos trabalhadores de matadouros: problemas emocionais e psicológicos são frequentes.

Milhares de funcionários de cerca de 1100 matadouros inspecionados em 2017 pelo governo federal nos Estados Unidos sofriam uma variedade de tensões físicas e perigos no trabalho. Além disso, evidências indicam também transtornos de ordem mental.

Para que sejam capazes de matar animais gentis e inofensivos, como porcos e vacas, os trabalhadores precisam se desconectar do ato que estão realizando e dos seres vivos que têm diante de si. Essa dissonância emocional pode levar à prática, por parte do funcionário, de violência doméstica e abuso de álcool e drogas, além de poder gerar isolamento social, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático.

Um estudo feito em 2010 pela professora de criminologia da Universidade de Windsor, no Canadá, Amy Fitzgerald, apontou o aumento da criminalidade em cidades que abrigam matadouros. De acordo com a pesquisadora, comunidades com matadouros têm altos índices de criminalidade porque os trabalhadores estão “dessensibilizados” da violência que cometem e testemunham no ambiente de trabalho, o que acaba refletindo no comportamento deles fora dos matadouros.

(Foto: Pixabay)

Para chegar a essa conclusão, Fitzgerald comparou estatísticas de 581 condados dos Estados Unidos e provou a ligação entre a violência das cidades e os matadouros. De acordo com a professora, os trabalhadores se tornam insensíveis.

A pesquisadora reforça ainda que o aumento da violência não foi causado pela natureza do trabalho repetitivo e perigoso, mas pelo ato de matar um animal. “Algo peculiar sobre [matadouros] é que [os trabalhadores] não lidam com objetos inanimados, mas com animais vivos. Eles são levados para a morte e, em seguida, processados”, afirmou.

Outra pesquisa, de 2015, publicada na revista Society and Animals, confirmou que trabalhadores de matadouros são mais propensos a serem insensíveis ao sofrimento, o que os torna mais violentos, inclusive com seres humanos. Segundo o News.com.au, o estudo foi feito após a descoberta de taxas mais elevadas de violência doméstica e crimes violentos, como assassinato e estupro, em cidades australianas que possuem matadouros.

A pesquisadora e professora da Universidade Flinders, na Austrália, Nik Taylor, explicou que quanto mais positiva a pessoa for com os animais, mais baixos serão seus níveis de agressividade. Caso ela seja cruel com os animais, é provável que seja, também, agressiva com humanos.

O estudo concluiu, segundo Taylor, que os níveis de agressividade dos trabalhadores de matadouros são “tão altos que chegam a ser similares às taxas das populações encarceradas” e que as mulheres que trabalham na indústria de produção de carne são ainda mais agressivas que os homens. “Nós observamos mulheres muito agressivas. Talvez elas se sintam pressionadas a serem mais violentas”, disse Taylor.

A pesquisa avaliou também agricultores e apontou que eles têm atitudes menos agressivas do que a comunidade em geral.

Nota da Redação: as descobertas feitas por pesquisadores sobre a relação da insensibilidade e da violência com o trabalho em matadouros é especialmente preocupante quando considerada a prática de trabalho infantil nesses locais. Isso porque a infância é a fase em que o ser humano inicia a construção de sua personalidade, define princípios e começa a consolidar bases que indicarão quem ele será na vida adulta. Lidar com o sofrimento animal e se tornar insensível a ele a ponto de conseguir matar um boi ou uma vaca é um evento traumático que pode gerar consequências terríveis para a criança, que tem a possibilidade de crescer com graves problemas de ordem psicológica.

Açougues e matadouros no Reino Unido não conseguem preencher vagas de emprego

Foto: Stock

O açougue “está morrendo”, reconheceu um açougueiro para o jornal Devon Live.

Um dos últimos açougues da cidade de Exeter, na Inglaterra pertence a Kevin Hollamby.  Desde 1985, quando entrou para o ramo, ele vê de perto o declínio ao longo dos anos; o número de funcionários de sua loja caiu de nove para três.

De acordo com o Office for National Statistics, essa queda não aconteceu apenas no comércio de Hollamby. Em 1990, havia cerca de 15 mil açougues no Reino Unido, 6.380 em 2010 e agora existem apenas 5.830.

Fatores

A expansão do supermercado, a mudança de estilos de vida e o aumento do número de vegetarianos e veganos estão por trás do declínio.

Segundo Emma Hollamby, esposa de Kevin, as pessoas estão perguntando de onde vem sua carne, demonstrando preocupação com o bem-estar animal.

Roger Battishill, gerente da Burrow Farm na Courtneys – onde há um açougue há 70 anos – concorda que os clientes estão mais exigentes e atentos.  Sua loja é o último açougue sobrevivente em Cowick Street, onde havia anteriormente 17 açougues.

Battishill conta que são os jovens na faixa dos 20 e 30 anos os mais preocupados com questões éticas. Essa mesma geração não está interessada em trabalhar como açougueiros.

“Há muitas pessoas na geração mais jovem que não querem sujar as mãos”, disse ele.

Não é apenas o comércio de açougues que está lutando para preencher vagas. No final do ano passado, de10 a 15 % das vagas para processamento de carne estavam vagas, totalizando 10 mil postos não preenchidos nos principais matadouros do Reino Unido.

“Não parece que o salário é o problema. As pessoas não querem fazer esse trabalho”, disse Jonny Williams, diretor sênior de compras de gado da cooperativa escocesa Farm Stock.

Compaixão

Enquanto alguns açougueiros fecham seus negócios pelo declínio do mercado, outros abandonam a prática pelo bem-estar animal.

Rian Kavanagh, um açougueiro em Glasgow, no Reino Unido, deixou o ofício e se tornou vegano depois de assistir “Earthlings”, um documentário de 2005 narrado por Joaquin Phoenix sobre o sofrimento dos animais em fazendas industriais e laboratórios de pesquisa.

Outra história parecida é a de Fraser Bayley, que era um jovem açougueiro em busca de uma carreira profissional. Após dois anos envolvido em uma indústria que explora e assassina animais, ele tomou uma decisão surpreendente: adotou o veganismo, se tornou atleta, personal trainer e inspira outras pessoas a adotarem um estilo de vida mais compassivo e saudável.

 

Ministros escoceses anunciam projeto de lei para os matadouros no país

Novas leis de bem-estar animal exigindo que todos os matadouros usem o sistema CCTV em suas instalações podem fazer parte das propostas. O governo escocês anunciou que vai apresentar legislação sobre a questão este ano.

O governo escocês quer ver gravação de CCTV em todos os matadouros.

Segundo os planos dos ministros, os matadouros seriam obrigados a usar um CCTV, circuito fechado de televisão constituído por câmeras localizadas em pontos específicos com o objetivo de gravar e transmitir imagens para um ou mais monitores locais ou remotos, em todas as áreas onde há animais vivos.

O objetivo é garantir que haja “os mais altos padrões de bem-estar animal” nos matadouros, ajudando os responsáveis pela aplicação da legislação de bem-estar social, disseram os ministros.

A proposta vem depois que a grande maioria das pessoas que responderam a uma recente consulta apoiou a medida, disse o governo escocês. As informações são do Daily Mail.

Mairi Gougeon, Ministro dos Assuntos Rurais, disse: “Mais de oito em cada dez matadouros na Escócia já instalaram voluntariamente a cobertura CCTV nas suas instalações e mais de 95% de todos os animais abatidos na Escócia estão cobertos por alguma forma do CCTV. No entanto, os padrões dessa cobertura podem variar de local para local.

“Este governo está comprometido em garantir os mais altos padrões de bem-estar para todos os animais. E estamos satisfeitos com o fato de tantos entrevistados terem aprovado nossas propostas para tornar isso obrigatório.

“Era importante também considerar as implicações financeiras de tal movimento para a indústria e se outras opções poderiam estar disponíveis para melhorar o bem-estar animal.

“Após uma resposta positiva à consulta, tenho o prazer de anunciar que apresentarei legislação ao Parlamento escocês em 2019, que ajudará a melhorar ainda mais os padrões já elevados que estão sendo seguidos pelo setor pecuário na Escócia.”