Câmara de Campo Grande (MS) debate liberação da entrada de animais em hospitais

A Câmara Municipal de Campo Grande (MS) realiza nesta terça-feira (25) uma audiência para debater a liberação da entrada de animais para visitas a pacientes internados em hospitais. Tema de um projeto de lei, de autoria do vereador Dr. Cury, o assunto será realizado às 14 horas e foi convocado pela Comissão Permanente de Defesa, Bem-Estar e Direito dos Animais, composta pelos vereadores Veterinário Francisco (presidente), Dr. Cury (vice-presidente), Ayrton Araújo do PT, Fritz e Eduardo Romero.

Foto: Divulgação/PUCRS

A audiência vai debater o assunto com o Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso do Sul – CRM-MS, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Mato Grosso do Sul – CRMV-MS, a Secretaria Municipal de Saúde – SESAU, a Vigilância Sanitária, diretores de hospitais, a Sociedade de Psiquiatria de MS, profissionais da área de saúde mental, estudantes e acadêmicos, protetores de animais e ONGs. As informações são do portal Enfoque MS.

“É estudada e comprovada a influência positiva que os animais têm na saúde humana. Além de serem excelentes companhias, os animais fazem bem à saúde e são verdadeiros protetores e cuidadores. Essa proposta já é realidade em alguns hospitais do Brasil, como o Albert Einstein, em São Paulo e, recentemente foi aprovada pela Assembleia Legislativa do nosso Estado. Acredito que a possibilidade do animal visitar seu tutor no momento de uma enfermidade poderá sim, ajudar na recuperação”, afirmou Dr. Cury.

A proposta prevê autorização para animais entrarem em hospitais públicos. Para isso, eles deverão estar vacinados e higienizados e os tutores terão que apresentar laudo veterinário que comprove que os animais estão saudáveis.

A comissão de infectologia do hospital também terá que autorizar a entrada do animal, assim como o médico responsável pelo paciente. A presença de animais não é permitida, segundo o projeto, nos setores de isolamento, de quimioterapia, de transplante, de assistência a pacientes vítimas de queimaduras, na central de material e esterilização, de unidade de tratamento intensivo – UTI, nas áreas de preparo de medicamentos, na farmácia hospitalar e nas áreas de manipulação, processamento, preparação e armazenamento de alimentos.

As normas e procedimentos para organizar o tempo e o local de permanência dos animais para visitação ficará a cargo dos hospitais.


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Cavalo ferido desmaia de exaustão enquanto puxa carroça em MS

Um cavalo desmaiou de exaustão enquanto puxava uma carroça em Dourados, no Mato Grosso do Sul. O animal transportava peso excessivo, levando cinco pessoas na carroça, e estava com diversos machucados pelo corpo. Os sinais de maus-tratos e de cansaço eram aparentes no animal.

Foto: Reprodução / Correio do Estado

O caso aconteceu no último domingo (16) e foi flagrado por um membro da Associação Amigos dos Animais (AAMA). As informações são do Correio do Estado.

O cavalo ficou desfalecido por 30 minutos, de acordo com registro feito em boletim de ocorrência. Pessoas que moram nas proximidades do local onde o cavalo desmaiou tentaram ajudá-lo oferecendo capim e água para o animal.

A entidade afirmou que o cavalo três baldes de água e comeu todo o capim que lhe deram. Ele foi socorrido e ficou sob a responsabilidade da ONG, que pede que a guarda dele seja retirada de sua tutora.


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‘Melhor antidepressivo’, diz mulher que enfrenta doença degenerativa com ajuda de cachorro

Barnabé é o companheiro de quatro patas da relações públicas e acadêmica de Filosofia Rosy Mamede, de 48 anos. Membro da família, o cachorro ajuda a tutora a superar as dificuldades de enfrentar uma doença degenerativa. Segundo Rosy, Barnabé é o melhor antidepressivo que existe.

Foto: Rosy Mamede/Arquivo Pessoal

“Eu tenho uma doença degenerativa, que é a esclerose múltipla. E o Barnabé me acompanha há 13 anos. Agora ele está usando óculos porque está velhinho, com 13 anos. Só que os acessórios ele usa desde sempre. Eu curto muito cada momento, ele adora passear de carro, curte o vento e vai até à faculdade comigo”, contou Rosy ao G1.

Rosy mora com o filho e com o cachorro em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. “Eu sou divorciada e Barnabé também é o xodó do meu filho. Todos os dias, saio de carro com ele e acho que é por isso que tem muito campo-grandenses vendo ele por aí. Meus amigos também insistiam que queriam ver fotos, saber mais da rotina, por isso fiz o Instagram dele. Agora ele está famoso e eu preciso fazer os stories em inglês e em português. Só que, muito mais do que tudo isso, tenho nele um apoio emocional fundamental na minha vida”, disse.

Os sintomas da esclerose múltipla começaram a surgir em 2004. O diagnóstico, porém, só veio dois anos depois. “Foi difícil, demorou para saber o que eu tinha. No mesmo ano, nasceu o Barnabé e eu o ganhei de presente. Ele veio depois, como um anjinho para me ajudar. Tenho o meu filho, que é o número um na minha vida, depois o Barnabé”, comentou.

Foto: Rosy Mamede/Arquivo Pessoal

O amor que a família sente por Barnabé é tamanho que, há algumas semanas, o cão ganhou uma festa. “A gente tem que ficar inventando coisas para fugir do foco da doença, então teve recentemente até aniversário e inclusive estamos saindo de férias daqui a 10 dias. Ele não gosta de viajar de avião, tive um experiência horrível quando levei ele para São Paulo há algum tempo e ele não gostou. Barnabé só não está comigo quando vou ao tratamento ou preciso ficar internada”, afirmou a tutora.

Fama dentro e fora da internet

Depois que Rosy fez um Instagram para Barnabé, o cachorro ficou famoso. Atualmente, ele é tão conhecido na rede social que a tutora passou a usar expressões próprias para se referir a situações relacionadas ao animal, dentre elas “barnafriends” para falar dos amigos do cão. A escola para onde ele vai é a “barnaschool”. O “barnabday” se refere à comemoração de aniversário de Barnabé que, quando passeia, está “barnabezando”. O “barnaTBT” é usado para relembrar momentos no Instagram e o “barnacare” se refere aos cuidados e mimos que ele recebe.

Foto: Rosy Mamede/Arquivo Pessoal

 

A fama, porém, não se restringe à internet. Em Campo Grande, Barnabé já foi reconhecido na rua. Uma das pessoas que o reconheceu é a professora de História Karla Winckler, de 32 anos. Ela conta que o encontrou no trânsito, recentemente. “Eu e o meu marido estávamos saindo do shopping quando encontramos com ele na avenida Ernesto Geisel. A tutora estava no carro, passeando com ele todo faceiro. Achei um fofo, a coisa mais linda e eu fiz stories com ele, todo trajado, até pra ele se proteger acho, porque é idosinho”, afirmou Karla.

O cachorro também já foi reconhecido pela jornalista Maria Caroline Palieraqui, de 25 anos. “Foi no domingo de Páscoa, estava indo pra missa. No trajeto, me deparei com ele na janela do motorista: de roupinha, boné e óculos super estiloso, lançando tendência. Minha mãe estava dirigindo e eu tentei pegar o celular para tirar foto e não consegui, só que da segunda vez que o vi deu certo”, comentou.

Segundo Maria, todos prestam atenção em Barnabé. “Naquele dia, lembro que ele virou assunto do nosso almoço de Páscoa. Depois, uma colega postou que vi ele e recentemente eu o vi novamente, só que desta vez eu estava saindo da igreja”, concluiu.


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Cavalo debilitado é resgatado após ser abandonado em Batayporã (MS)

A Prefeitura de Batayporã (MS), através do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), atendeu na última terça-feira (28) uma denúncia de um animal que estava em situação de abandono e maus-tratos, na Rua José Antônio Mourão.

Foto: PMB / SIM

Na ação, que aconteceu em conjunto com a Polícia Militar Ambiental, o diretor do SIM, o médico veterinário Rafael Olegário realizou a avaliação do cavalo, constatando violência física, psíquica e nenhum tipo de manutenção para sua vida.

Criação e abandono de animais em vias urbanas são práticas terminantemente proibidas no município, conforme prevê a Lei Complementar Municipal nº 008/2003. A normativa determina que o tutor deve possuir propriedade rural ou ser arrendatário de algum imóvel rural que tenha condições para manter e preservar o bem-estar do animal.

De acordo com a legislação municipal, o tutor do cavalo foi notificado e responderá pelo crime. Coube a ele ainda a aplicação da Lei 9.605/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, bem como praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos; e prevê detenção de três meses a um ano, e multa.

O Serviço de Inspeção Municipal, que é um órgão vinculado à Secretaria de Obras, Desenvolvimento Econômico, Turismo e Meio Ambiente (SODETA), vem planejando iniciativas que façam com que o trabalho na proteção animal seja efetivo e eficaz.

Para registrar denúncias de casos semelhantes, basta entrar em contato com a SODETA, por meio do telefone (67) 3443-1288, ou com a Vigilância Sanitária do Município, pelo (67) 3443-2637. O SIM tem atuado de forma colaborativa em situações como a que ocorreu nesta semana.

Fonte: Nova News


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Moradores denunciam morte de pelo menos 8 gatos em Campo Grande (MS)

Moradores denunciaram a morte de pelo menos oito gatos no bairro Guanandi, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Quatro gatos e quatro cachorros morreram. A suspeita é de envenenamento.

Foto: Reprodução / Campo Grande News

Segundo a educadora Ana Carolina Lima Pereira, de 29 anos, os assassinatos começaram recentemente. “Um cachorro da vizinha amanheceu morto”, disse. No dia seguinte à morte do cão, ela encontrou o próprio gato morto no quintal da casa dela. O animal apresentava uma baba na boca, que é característica de envenenamento.

“Não sabemos o que é e nem quem pode estar fazendo isso. Estou com medo porque tenho outros quatro gatos e ainda um cachorro”, lamentou.

Ana Carolina contou que todos os casos aconteceram durante a madrugada. A moradora se comprometeu em procurar a polícia e denunciar o caso para que as mortes sejam investigadas.

Mais de 500 tamanduás-bandeira morrem em rodovias do MS

Dados do Projeto Bandeiras e Rodovias, divulgados recentemente, registraram a morte de 520 tamanduás-bandeira e mais de 8 mil atropelamentos de animais da espécie em rodovias do Mato Grosso do Sul. O tamanduá-bandeira é o animal ameaçado de extinção mais atropelado no estado e a terceira espécie mais atingida.

O último animal morto por atropelamento foi Pequi, um dos 45 que eram monitorados pelo projeto. O animal usava um colar com GPS desde agosto de 2018. Segundo os pesquisadores, Pequi sempre atravessava a BR-262, uma rodovia que liga Corumbá a Vitória, no Espírito Santo, em busca de abrigo e alimento. Ele foi atropelado em 9 de abril. As informações são do portal O Eco.

Foto: Mário Alves

“A BR 262 tem alguns pontos de travessia que foram feitos para os bois. Porém, não é uma rodovia bem preparada para evitar atropelamento de fauna, já que não tem cercas nem a quantia adequada de travessias”, informou Mário Alves, veterinário do projeto. “Não fizemos necropsia do Pequi porque quando encontramos a carcaça, ela já estava em estágio avançado de decomposição”, lamentou o veterinário.

Ben, outro animal monitorado pelo projeto, também foi atropelado e morto em agosto de 2018 na BR-267. “Também houve animais que foram atropelados depois que tiramos o colar. Apesar de os dados de número de mortes de animais serem assustadores, é importante destacar que eles são subestimados. Tem muita carcaça que desaparece antes que nossa equipe possa registrar, além de animais que morrem fora da pista, por exemplo”, informou o veterinário. Para ele, “o atropelamento de fauna é obviamente uma problemática muito importante para a conservação da biodiversidade, mas também para a segurança dos motoristas, pois muita gente morre aqui no Estado com colisões assim. É importante frisar que não estamos de forma alguma culpabilizando os motoristas quando debatemos o problema. O que o projeto busca é viabilizar rodovias que previnam esse tipo de acidente”.

A bióloga Fernanda Abra, doutoranda em ecologia de estradas pela Universidade de São Paulo (USP), sócia-fundadora da empresa de consultoria ViaFAUNA e vencedora do Prêmio Future For Nature 2019, lamentou o atropelamento de Pequi. “Toda morte de animal por atropelamento é digna de ser lamentada, porém, esse episódio com o Pequi nos faz refletir quão grave é a questão dos atropelamentos nas rodovias do MS. Um animal que estava retornando dados valiosíssimos para a pesquisa e para o pessoal do Bandeiras e Rodovias. Houve um esforço de recursos humanos, recursos financeiros, esforços para capturar o animal, equipar com rádio colar e depois continuar monitorando o deslocamento desse animal. O Pequi estava retornando dados muito importantes para entender a dinâmica do tamanduá com as rodovias e, futuramente, os dados do Pequi também poderiam contribuir para entender quais são os pontos prioritários para receber medidas de mitigação”.

Investir na modernização de rodovias é considerado fundamental para a bióloga. Segundo ela, essa é maneira de manter animais e motoristas mais seguros. “Claro que a implantação de medidas de mitigação tem um custo. O valor médio por metro instalado de cerca ao longo das rodovias, por exemplo, varia entre 40 e 80 reais. Já o valor da passagem de fauna varia bastante, dependendo se a rodovia é de duas ou quatro faixas ou se a passagem é metálica ou de concreto. Mas o importante é ressaltar que, independentemente do valor, o custo-benefício é sempre positivo. Já foi demonstrado em estudos que soluções para passagens de fauna se auto pagam, porque existem menos acidentes e, por isso, menos custos para a concessionária ou para o administrador rodoviário em atender a esses acidentes, remover veículos e animais, atender às vítimas, cuidados hospitalares decorrentes, dentre outros”, explicou a bióloga. “Além disso, quem é responsabilizado criminalmente pelos acidentes é o gestor da rodovia, que não cuidou para que os animais ficassem fora da pista. Eles são legalmente responsáveis e tem o dever de compensar as vítimas humanas de eventuais danos materiais, físicos, lucros cessantes etc.”, ressaltou.

Foto: Mário Alves

Fernanda afirma que Mato Grosso do Sul precisa de políticas públicas para coibir casos de mortes nas rodovias. “É necessário salientar que todas as rodovias do MS são muito impactantes para a fauna, e que a fauna silvestre nesse Estado não foi e atualmente não é contemplada pelos licenciamentos ambientais dos projetos rodoviários. Não vemos um exemplo de licenciamento de nova rodovia, de pavimentação ou duplicação de rodovias que considerou os impactos sobre a fauna, principalmente atropelamento e efeito barreira, além de não haver o planejamento de medidas de mitigação, instalação e monitoramento dessas medidas. Então eu espero que a morte desses animais sirva, em curto prazo, para demonstrar para os órgãos, tanto de meio ambiente quanto de transporte, que é necessário que haja uma melhor coordenação entre os órgãos e um melhor planejamento para as novas rodovias ou os novos licenciamentos que virão, para que a fauna seja, enfim, contemplada nesses projetos”.

“O Projeto Bandeiras e Rodovias é um dos mais completos que temos no Brasil em termos de coordenação da questão da conservação da biodiversidade com os impactos que as rodovias causam, seja com a perda direta dos indivíduos por atropelamento ou pelos impactos às populações da fauna”, observa Fernanda.

Arnaud Desbiez, pesquisador associado da Royal Zoological Society of Scotland (RZSS), fundador e coordenador do Projeto Bandeiras e Rodovias, conta que o monitoramento teve início como uma forma de combater os atropelamentos. “O projeto foi fundado em janeiro de 2017 para responder a uma triste realidade que temos no MS, que é a morte de animais por atropelamento em rodovias. O Projeto Tatu-canastra já tinha feito um monitoramento em 2013-2014, em parceria com a Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira, das três rodovias do MS, e constatamos que o tamanduá-bandeira é o terceiro animal mais atropelado. Nós percorríamos 900 km de estradas a cada quinze dias e em um ano registramos 135 tamanduás-bandeira. Foi devido a essa constatação que o Projeto Bandeiras e Rodovias foi criado, para tentar entender quando, onde e como os tamanduás estão atravessando, para buscar formas de mitigar esse perigo”, disse. Em 2015, a Fundação Whitley premiou o Projeto Tatu-canastra. A honraria é uma das maiores da área ambiental no mundo todo.

Foto: Projeto Bandeiras e Rodovias

Desbiez explica que o projeto tem diversos componentes e atua em várias frentes para estudar os impactos. “O primeiro é o monitoramento das estradas, no qual percorremos 1.300 km a cada 15 dias. Ao todo, foram 60 mil km monitorados nos últimos dois anos e meio. Registramos animais de médio e grande porte que estão sendo atropelados, e conseguimos identificar os principais pontos onde ocorrem. Também monitoramos os animais por meio de radiotelemetria, no qual colocamos colares nos animais que, via satélite, nos mandam os pontos dos animais. O Pequi era um desses animais que foi capturado próximo a uma rodovia. Colocamos um colar nele e desde agosto do ano passado vinha sendo monitorado. Os dados dele ainda não foram analisados, mas temos os pontos onde ele caminhou nesse período, que eram coletados a cada 20 min. Com isso, conseguiremos entender bem como ele se movimentava”, afirmou.

O projeto também realiza necropsias nos animais para avaliar a saúde deles, quando os corpos não estão em estado avançado de decomposição. “Já fizemos necropsias em mais de 50 tamanduás-bandeira e temos cerca de 28 parceiros diferentes contribuindo com esses estudos”, explicou Desbiez. “Temos também a parte social do projeto, coordenada pela doutoranda Mariana Catapani, que busca entender como as pessoas percebem essas colisões e quais os impactos disso. No passado suspeitávamos que havia atropelamentos propositais dos tamanduás devido a algumas crenças, mas isso não se confirmou. A Mariana está estudando a relação desses animais silvestres com alguns grupos focais, como caminhoneiros, em relação aos atropelamentos. Temos ainda um outro doutorando, o Vinícius Alberici, que está colocando armadilhas fotográficas perto e longe da estrada, para avaliar o impacto sobre a fauna, além de vários estudos paralelos que estão sendo efetuados. Por fim, temos os veterinários Mário Alves e Débora Yogui que trabalham full time no projeto, coordenando a parte logística e o dia-a-dia das atividades”, explicou.

O funcionamento do projeto é garantido não só pelos pesquisadores, mas também pela comunidade local e por diversas organizações. “Esse projeto depende muito do apoio local. Todas as fazendas onde trabalhamos e capturamos os animais são privadas. Todos os proprietários rurais nos dão apoio, sem eles seria impossível fazermos nosso trabalho, por isso somos muito gratos a eles. Esse projeto também é apoiado pela Fundação Segré e vários zoológicos internacionais, além do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE)”, conclui Desbiez.

Cachorro é abandonado após ter olhos mutilados e fica cego em MS

Um cachorro foi abandonado sem um dos olhos e com apenas resquícios do outro em frente à casa de uma voluntária da ONG Pedacinho do Céu, na região da Vila Nova Campo Grande, no município de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

O animal, que aparenta ter sido torturado, foi deixado no local na última sexta-feira (5) dentro de uma poça d’água. Trovão, como passou a ser chamado, estava sangrando e não conseguia se mexer quando foi resgatado.

Foto: Reprodução / Portal Campo Grande News

“Ele não sabe andar, não tem noção de onde está. Dá para ver que foi tudo muito recente mesmo”, explicou Camila Bezerra Paz Gomes, 24, fundadora da entidade. As informações são do portal Campo Grande News.

Após ser resgatado, o cachorro foi levado para uma consulta com um médico veterinário, que constatou que, devido à mutilação, não seria possível salvar o olho do animal que não havia sido completamente mutilado.

De acordo com Camila, o trauma que o cachorro sofreu foi grande e não há previsão de como será a vida dele. “A gente deixou ele na clínica para fazer a cirurgia, só vamos saber como será a adaptação depois que ele voltar para o lar temporário”, disse.

Sem apoio financeiro fixo, a ONG depende de rifas, bazares, apoio voluntário e doações para manter o trabalho voluntário realizado em prol dos animais vítimas de maus-tratos e abandono.

O foco da entidade, segundo Camila, são animais doentes. “Resgato em especial os animais doentes porque é difícil para alguém resgatar. Ninguém quer esses animais até porque a adoção depois é bem mais complicada”, explicou.

Até o momento, os gastos com Trovão chegam a R$ 740. Para quitar a dívida, a ONG tem solicitado doações por meio de transferências bancárias e também irá realizar uma rifa.

Animais órfãos podem ter depressão e morrer mesmo após resgate

Filhotes de animais resgatados sem a mãe correm um risco de vida maior que outros animais e podem até desenvolver depressão. O coordenador do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Campo Grande (MS), Marlon Cezar Cominetti, que recebe filhotes órfãos com frequência, conta que a ausência da mãe pode prejudicar a vida do animal.

Foto: Marina Pacheco / Campo Grande News

“A onça pode morrer por conta disso, não conseguimos prever, o animal entra em depressão”, disse. As informações são do portal Campo Grande News.

Um dos casos relatados por Cominetti é de um bugio que morreu de tristeza após ser resgatado. “Recebemos um há algum tempo que morreu, provavelmente, de tristeza, porque não tinha nada fisiologicamente. A gente não consegue dizer que é uma tristeza igual do ser humano, mas notamos na aparência. Ele fica apático, não brinca”, contou.

Entre os animais órfãos recebidos pelo CRAS, estão um beija-flor, tamanduás e papagaios. “Cuidamos do beija-flor no biquinho, mas quando está quase pronto para sair e pegar voo morre sem ter nenhum problema aparente. Tá perfeito, porém o que falta é a mãe. Recebemos ainda muitos tamanduás que se tivessem a mãe seria mais fácil. Filhotes de papagaio a gente dá comida dentro do papo, igual os pais fariam. Faz falta para todos. Alguns são mais sensíveis a ausência, diferente dos répteis que não costumam ter cuidado parental”, explicou.

Foto: Marina Pacheco / Campo Grande News

Para tentar salvar o animal que fica deprimido, os cuidadores do CRAS dão carinho para ele. “Damos carinho, mas não podemos deixar que façam laços com humano. Temos que manter o equilíbrio entre carinho e isolamento para o bem deles”, afirmou.

O CRAS abriga atualmente cerca de 400 animais. Segundo Cominetti são répteis, aves e felinos. Na terça-feira (2), dois filhotes de onça-parda chegaram ao local.

“Aqui era para ser uma passagem rápida. Recebemos cinco animais por semana, mas nesse ano soltamos poucos desde janeiro”, falou o coordenador, que explicou ainda que há espécies mais fáceis de serem devolvidas à natureza do que outras.

Foto: Marina Pacheco / Campo Grande News

“Os mais fáceis são os répteis, com eles não têm muito problema. Agora, mamífero já é mais complicado assim como as aves, isso num panorama geral. No entanto, de espécie a onça é mais difícil ainda por conta do espaço”, afirma. “Temos um exemplo das aves. Elas precisam voar, mas vão se aproximar das pessoas porque são sociáveis. Precisamos ver isso na hora de soltar também”, complementa.

De acordo com ele, apesar de terem sido resgatados e levados para o CRAS, os animais não perdem o instinto. “O problema é que estão acostumados com a gente. Aqui não temos um recinto para a onça ficar, pois precisa de espaço de no mínimo 1 hectare. Outra questão é que é a mãe que ensina os filhotes a abaterem, sobreviverem”, disse.

Dependendo da época, o CRAS recebe filhotes com bastante frequência. “Nessa semana já chegou um filhote de tamanduá e outro de capivara, que morreu logo depois, pois deve ter sofrido um trauma interno que ninguém percebeu”, relatou.

Casos de violência contra animais aumentam em Campo Grande (MS)

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e Bem-Estar Animal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, registrou 1.706 caos de maus-tratos contra animais no município de janeiro de 2017 a fevereiro de 2019. Dados da Secretaria Estadual e Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam o registro de 134 boletins de ocorrência por atos de abuso contra animais, de janeiro de 2017 a 25 de março de 2019. Em todo o estado, foram 411 ocorrências.

Foto: Pixabay

Os números indicam um aumento de 35% da violência contra animais em todo o estado de 2017 para 2018 e de 39% em Campo Grande, no mesmo período. Apenas nos dois primeiros meses de 2019, 177 casos já foram registrados no CCZ. As informações são do portal A Crítica.

Diante deste cruel cenário, a Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade Contra os Animais (ASPCA) decidiu instituir o “Abril Laranja”, mês dedicado à prevenção da crueldade contra animais em todo o mundo. A iniciativa é apoiada em Campo Grande pelo presidente da Comissão Permanente de Defesa do Bem-Estar e Direitos dos Animais, vereador Veterinário Francisco (PSB).

“Eu estou vereador. Minha bandeira é a Causa Animal. Eu sou veterinário há 40 anos e me deparo infelizmente todos os dias com violências contra animais e a campanha Abril Laranja é uma forma de divulgar e mostrar para as pessoas que precisam ter consciência e proteger os animais. Essa campanha é de fácil adesão e é só compartilhar um laço laranja nas mídias sociais”, explica o parlamentar.

De acordo com ele, as redes sociais se tornaram um facilitador para a realização de denúncias e coleta de provas de crimes contra animais, além de serem locais onde podem ser propagadas campanhas de conscientização.

“Há mais relatos de maus-tratos em redes sociais do que nas delegacias. Então a falta de resolução do Poder Público desestimula as pessoas a procurarem os órgãos competentes, mas temos que denunciar mesmo assim. Hoje, todo mundo tem um celular com câmera. Fica mais fácil fazer uma denúncia e reunir provas em favor dos animais”, comenta.

Francisco explica que são considerados maus-tratos, entre outros casos, abandonar, espancar, envenenar, deixar o animal preso com corrente, negar água e comida, capturar animais silvestres, obrigar animais a puxarem pesos superiores à sua força, negar assistência veterinária a animais feridos ou doentes, não abrigar os animais da chuva ou do sol, explorar animais em shows que lhes cause estresse e promover rodeios e rinhas de galo.

Com a intenção de implementar políticas públicas que beneficiem os animais, foi criado o Conselho do Municipal do Bem-Estar Animal (Combea), sob incentivo do parlamentar. Colegiado de caráter permanente, deliberativo e consultivo, o conselho é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e tem por função buscar condições necessárias à defesa, proteção, bem-estar e preservação da vida animal, assim como dos direitos dos animais.

Como denunciar

Em Campo Grande, a população pode denunciar crimes de maus-tratos a animais na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Atendimento ao Turista (DECAT) e no Ministério Público. Os telefones da delegacia são: 3325-2567 / 3382-9271.

Capivara é atropelada e abandonada em canteiro central em MS

Uma capivara foi atropelada no domingo (10) e abandonada no canteiro central da avenida Nelly Martins, ao lado do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Ela não resistiu aos ferimentos.

Foto: Dayene Paz

O animal apresentava ferimentos pelo corpo que indicavam o atropelamento. O corpo da capivara exalava forte odor.

A Polícia Militar Ambiental (PMA) e a Solurb foram acionadas para retirar o corpo do animal do local. As informações são do portal Mídia Max.

De acordo com a PMA, ao atropelar ou encontrar um animal atropelado, a orientação é acionar a autoridade policial para que o animal possa receber os atendimentos veterinários necessários. O telefone da Polícia Militar Ambiental de Campo Grande é o (67) 3357-1500.

Caso o animal não sobreviva ao acidente, o indicado é acionar a Solurb para que o corpo seja retirado do local do atropelamento. O telefone de contato do órgão é o (67) 3303-9200.