Gato sobreviveu com olhos perfurados, abdômen aberto, unhas e dentes arrancados

Foto: Divulgação
Em função de tudo que passou recentemente ele recebeu o nome de Vitório, mas na verdade esse gatinho é um verdadeiro milagre! Com apenas dois anos de idade, infelizmente ilustra muito bem o “Abril Laranja”, mês da Prevenção da Crueldade Contra Animais em todo o mundo – uma campanha criada pela Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade Contra Animais (ASPCA).
Vitório foi resgatado há 20 dias em uma rua de SP e levado para o IAPA -Instituto Amor em Patas. No Hospital Vetmétodo, parceiro da ONG, nove profissionais precisaram unir esforços para salvar a vida dele. Cego, com unhas e dentes arrancados e rabo quebrado, Vitório tinha ainda um corte profundo no abdômen. Acompanhem o impressionante relato da veterinária Jaqueline Neratika Negrette Garcia, que contou com a ajuda dos clínicos Karinne Christine Faro dos Santos e Bruno Rigobello:

Foto: Divulgação
“Ao realizar o primeiro atendimento notei ausência dos globos oculares, de algumas garras e dentes, e uma cicatriz no abdômen (sem sinais de pontos de sutura). No abdômen, não havia musculatura. Não sei dizer o que foi que aconteceu ali, sei que não tinha músculos para fechar adequadamente o abdômen, segurando os órgãos no lugar e, por isso, todos desceram e ficaram presos apenas por um saco de pele. A bexiga também estava fora do lugar e ele não conseguia urinar sozinho”.
“Realizamos manejo clínico pré-operatório com soro, medicações contra dor e antibióticos. Após alguns dias foi possível a intervenção cirúrgica para limpeza e fechamento das pálpebras. Na cirurgia, notei que os olhos estavam lá ainda, mas ambos estavam perfurados e por isso afundaram dando o aspecto de terem sido arrancados. Ambos não tiveram possibilidade de melhora e tiveram de ser retirados. Foi preciso uso de uma tela de malha cirúrgica para reconstituir a parede abdominal dele”.

Foto: Divulgação
A veterinária explicou ainda que as mutilações e perfuração dos olhos não eram muito recentes, o que leva a crer que Vitório foi sendo torturado aos poucos e por gente com algum conhecimento médico ou veterinário: “Eu acho que existe a possibilidade de quem o abriu, saber sim o que estava fazendo. Não havia nenhum órgão danificado. Havia uma cicatriz de corte na região justamente onde incisamos para cirurgias abdominais. O que me chamou a atenção, na verdade, foi o abdômen pois a cicatriz era perfeita. Sou formada há 9 anos, já peguei tudo que é tipo de maus-tratos, mas esse gatinho me chocou”.
A situação de Vitório se assemelha a de uma vítima de psicopata que talvez o tenha mantido como cobaia por algum tempo, fazendo as mutilações em etapas. Pode ser isso ou não. O que importa não é a motivação, mas que se trata de crime com requintes de crueldade contra um animal e previsto no artigo 32 da Lei Federal 9.605 de crimes ambientais.

Foto: Divulgação
Vitório tem se recuperado muito bem. Come, urina sozinho e já foi adotado. É um gatinho manso. Um sobrevivente de torturas e de sofrimentos impossíveis de calcular. Vários estudos internacionais comprovam que psicopatas começam matando animais antes de migrarem para vítimas humanas. Alguns escolhem profissões como de médico, enfermeiro e veterinário para justificarem suas atrocidades.
Quem decepou Vitório dessa maneira não era leigo em medicina e muito menos principiante em atrocidades. Vitório pode não ter sido a primeira vítima dele e certamente não será a última porque os psicopatas nunca param. Ele não tem a inocência de um deficiente mental e nem é uma pessoa normal. Está na fronteira entre uma coisa e outra guiado pelo prazer de fazer sofrer.

Foto: Divulgação
Lamentavelmente, esse tipo de criminoso, quando descoberto, raramente é preso porque as autoridades ainda não reconhecem nele um promissor assassino de pessoas indefesas.
Ainda assim, as denúncias de maus-tratos contra animais são necessárias nas delegacias comuns e de defesa animal. Denúncias podem salvar vidas. E resgates também. Vitório só nasceu de novo há 20 dias porque alguém viu o estado dele e não o ignorou.

Foto: Divulgação
*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

















