Greta Thunberg viaja para a América de maneira sustentável

Por Rafaela Damasceno

A ambientalista Greta Thunberg está levando seu ativismo climático até os Estados Unidos, viajando em um iate ecologicamente correto (que não emite gás carbônico na atmosfera). A sueca, de apenas 16 anos, dispensou os aviões poluentes e está a bordo do barco que gera eletricidade através de painéis solares e turbinas submarinas, sem poluir o ar.

Greta Thunberg olhando para o lado

Foto: Greta Thunberg

Greta fez discursos durante a maior parte do ano, responsabilizando governos e corporações pela crise climática e inspirando milhares de crianças ao redor do mundo a protestar em favor do meio ambiente. Nos Estados Unidos, pretende continuar pregando sua mensagem de apoio ao planeta.

“Ainda temos uma janela de tempo quando as coisas estão em nossas mãos”, escreveu em seu Instagram. “Mas a janela está se fechando rápido. É por isso que decidi fazer essa viagem agora”.

Durante sua visita à América do Norte, a ambientalista participará de uma reunião organizada por António Guterres, secretário-geral da ONU; também irá a protestos climáticos em Nova York. Viajará para o Chile, onde a conferência climática anual da ONU será organizada e visitará outros países da América do Norte.

Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, é conhecido por negar a crise climática. Ele também afirmou que a crise é falsa, inventada pela China, e que turbinas eólicas poderiam causar câncer.

Greta, segundo a ABC, disse que não pretende falar com o presidente. “Ele obviamente não ouve a ciência e os cientistas. Então como eu, uma criança sem educação apropriada, poderia convencê-lo?”, indagou à Associated Press. Com sua viagem, a ambientalista espera ser ouvida pelo restante da América.

O iate ecologicamente correto não é acessível para todas as pessoas, e Greta reconhece que nem todos podem escolher transportes alternativos. Mas enfatizou que os aviões precisam se adaptar ao planeta, emitindo menos poluentes. “Só estou dizendo que precisa ser mais fácil ser neutro em relação ao clima”, concluiu.


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Cientistas criam plástico que pode ser reciclado infinitas vezes

Por Rafaela Damasceno

Na realidade atual, muitos plásticos não podem ser reciclados de maneira eficaz. Como consequência, são descartados indevidamente e acabam em aterros sanitários ou nos oceanos, onde representam uma séria ameaça ao meio ambiente e à vida marinha.

Um macaco segurando uma garrafa de plástico

Foto: Livekindly

Recentemente, pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos, encontraram o que parece ser a solução.

Eles projetaram uma nova forma de plástico, chamada polydiketoenamine (PDK). Ele se decompõe em nível molecular, pode ser desmontado e remontado de maneiras diferentes, com texturas e cores distintas. Esse processo pode ocorrer infinitas vezes, o que anima os cientistas com a possibilidade de ser devidamente reciclado, e não descartado na natureza.

“A maioria dos plásticos não foi feita para ser reciclada”, afirmou à Forbes o principal autor do projeto, Peter Christensen. “Nós descobrimos uma maneira de juntar o plástico levando em conta a reciclagem de uma perspectiva molecular”.

A poluição plástica é um dos maiores problemas da atualidade. Estima-se que, em 2050, haverá mais lixo plástico no mar do que peixes. Diversos países estão se movendo para tentar diminuir a poluição: o Panamá, recentemente, se tornou o primeiro país da América Central a banir as sacolas plásticas, e o Canadá declarou que irá impor uma proibição do uso único do material até 2021.

“Esse é o momento exato para pensar em projetar materiais e instalações de reciclagem para permitir a reutilização do plástico”, afirmou Brett Helms, o líder da equipe de pesquisa.

Os pesquisadores planejam incorporar materiais a base de plantas no PDK futuramente, tornando o novo plástico ainda mais sustentável.


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Extinta na natureza, ararinha-azul deve ser reintroduzida ao habitat até 2024

A ararinha-azul, considerada extinta na natureza desde 2000, deve ser reintroduzida ao habitat até julho de 2024, com ao menos uma soltura experimental, conforme anunciou nesta terça-feira (30) o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, responsável pelo Plano de Ação Inicial (PAN) para a conservação da espécie. O projeto, previsto em uma portaria publicada no Diário Oficial da União, está em sua segunda fase.

(Patrick Pleul/AFP)

Espécie nativa da caatinga brasileira, a ararinha-azul foi exterminada por caçadores e traficantes de animais. Ela é originária do interior baiano, entre os municípios de Juazeiro e Curaçá, uma das regiões mais quentes e áridas do Brasil. As informações são da Veja.

Atualmente, existem 116 ararinhas-azuis vivendo em cativeiro em todo o mundo, sendo 147 na Alemanha, 13 no Brasil, duas na Bélgica e quatro em Singapura. Em 2016, uma aparição da ave vivendo em liberdade foi registrada, mas ela é considerada extinta na natureza. Uma ação prevista para este ano deve repatriar 50 delas graças a uma parceria entre o ICMBio e a ONG alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP).

Desde 1986, quando pesquisadores notaram que existiam apenas três ararinhas-azuis selvagens, esforços de conservação foram iniciados. Em 2017, um primeiro ciclo do Plano de Ação Nacional foi executado, com êxito parcial na missão de aumentar a população da espécie em cativeiro, reativar o habitat e começar a reintrodução a natureza em 2021. O ICMBIo afirma que 60% das ações planejadas foram cumpridas, 20% tiveram problemas no andamento e outros 20% não foram concluídas ou iniciadas.

Pelo menos uma soltura experimental de ararinhas deve ser realizada, até 2024, durante o segundo ciclo do projeto. Novos estudos sobre a reintrodução e a redução do tráfico de animais silvestres na região também devem ser executados.

A reintrodução da espécie e a reprodução da ave sofrem riscos relacionados não só à caça e ao tráfico, mas também às condições naturais da caatinga, com imprevisibilidade de água e alimento e com ocorrência de predadores, como o falcão-de-coleira.

De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial, o plano receberá monitoramento anual, com revisão e ajustes, e sua implementação terá acompanhamento de um grupo de assessoramento técnico.


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Humanidade esgota recursos naturais renováveis mais cedo do que em toda série histórica

Nesta segunda-feira (29), a humanidade atingiu o limite da exploração de recursos naturais que poderiam ser renovados sem prejudicar o meio ambiente. A data chegou três dias antes que em 2018 e mais rápido do que em toda a série histórica, medida desde 1970.

Foto: REUTERS/Bruno Kelly

O dado é de responsabilidade da Global Footprint Network, organização internacional pioneira no cálculo da pegada ecológica, que contabiliza a quantidade de recursos que são necessários para o consumo de cada indivíduo ou população.

Para manter o mesmo padrão de consumo atual, um único planeta não basta. Seria preciso ter 1,75 planeta Terra.

Esse esgotamento indica que, daqui para frente, todos os recursos explorados pelos humanos serão completamente perdidos, sem qualquer condição de renovação por parte da natureza. Dentre esses recursos estão: água, mineração, extração de petróleo e o plantio de alimentos com esgotamento do solo. O último, apesar de ser praticado pela agricultura, tem forte relação com a pecuária, visto que a maior parte dos grãos plantados em grandes plantações, geradoras de desmatamento extenso, são destinados à alimentação dos animais explorados e mortos para consumo.

Segundo estimativas da Global Footprint Network, 60% da pegada ecológica da humanidade está relacionada à emissão de carbono. As informações são do G1.

“Sublinhar que não podemos usar 1,75 Terras por muito tempo quando só temos uma é simplesmente reconhecer o contexto da existência humana”, disse Mathis Wackernagel, coinventor da Pegada Ecológica e fundador da Global Footprint Network.

Em 1970 o planeta entrou em déficit de recursos naturais. O que significa que, desde àquela época, a humanidade está consumindo recursos além da capacidade de regeneração do planeta. A situação, no entanto, tem piorado nos últimos 20 anos, com a data-limite chegando mais rapidamente.

“Os custos deste excesso estão se tornando cada vez mais evidentes em todo o mundo, sob a forma de desflorestação, erosão dos solos, perda de biodiversidade e acumulação de dióxido de carbono na atmosfera, levando a alterações climáticas e a secas, incêndios e furacões cada vez mais graves”, diz a organização.

Cálculo da pegada ecológica

O site Foot Print Calculator permite que você calcule o impacto que os seus hábitos diários têm sobre o planeta. Para isso, basta inserir no portal dados e informações sobre o quanto você consome de carne, se come comida processada, se seu alimento é produzido localmente, entre outras.


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Copo e sacola de plástico são encontrados no intestino de uma tartaruga

Por Rafaela Damasceno

Em 2012, Robson Guimarães dos Santos fez uma necropsia de uma tartaruga-verde que morreu em uma costa brasileira. Ele gravou a necropsia para usar em sua pesquisa de doutorado, e hoje as imagens são usadas pelo biólogo para conscientizar as pessoas sobre o impacto do plástico na natureza.

Uma tartaruga morta na praia ao lado de muito lixo

Foto: Foto: Robson Santos / Arquivo Pessoal

A divulgação do vídeo é uma das formas que ele encontrou para chamar a atenção das pessoas para as ameaças ambientais do descarte indevido do plástico. Se não receber o destino correto, este material afetará a natureza de alguma forma, podendo até mesmo causar a morte de animais.

“A ingestão de plástico é hoje um dos principais problemas para a conservação das espécies de tartarugas marinhas tanto pela mortalidade direta como por todos os problemas crônicos decorrentes de sua ingestão, como contaminação por poluentes, por exemplo”, disse o biólogo em entrevista ao G1.

As tartarugas não precisam ingerir muito plástico para serem afetadas pelas consequências: meio grama de plástico já é o suficiente para causar a morte de uma tartaruga-verde jovem. Como o material não é digerido, permanece em seu corpo e normalmente obstrui o trato gastrointestinal. Dessa forma, funções fisiológicas básicas não são mais possíveis de serem realizadas, o que leva o animal a uma morte lenta e dolorosa.

Uma pesquisa realizada pelo biólogo, feita na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), descobriu que em média 70% das tartarugas que morrem no Brasil ingeriram plástico. Segundo Robson, há cerca de 5 trilhões de fragmentos de plástico nos oceanos do mundo atualmente, o que torna a ingestão do material pelos animais marinhos ainda mais difícil de combater.


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Onça reabilitada após ficar 22 dias presa em caverna é devolvida à natureza

Uma onça-pintada resgatada após ficar 22 dias presa em uma caverna na região de Sento Sé (BA) foi devolvida à natureza no final de junho, depois de passar pouco mais de um mês em recuperação.

Foto: Programa Amigos da Onça/ Divulgação

Com aproximadamente 10 anos de idade, a onça foi resgatada pelo Programa Amigos da Onça. Membros do grupo soltaram-a no Parque Nacional do Boqueirão da Onça. Segundo a bióloga Claudia Campos, coordenadora do Programa Amigos da Onça, uma longa viagem foi feita até o local da soltura.

Ao ser solta, Luísa, como foi batizada, aparentou estar assustada, mas logo percebeu que estava em liberdade para desfrutar de seu habitat e, então, deu um rugido e entrou na mata.

“Ela dá um rugido para espantar qualquer coisa que poderia machucá-la. Assim ela se sentiu segura e foi embora”, explicou Claudia, em entrevista ao portal G1.

Luísa, que tem 58 centímetros de altura e um metro de comprimento, estava bastante debilitada quando foi retirada da caverna. Desidratada e desnutrida, ela pesava apenas 35 kg. Foi devolvida à natureza pesando 46 kg e recebeu um colar de monitoramento para ser acompanhada, via satélite, pelo projeto.

Foto: Programa Amigos da Onça/ Divulgação

Presa na caverna

A onça-pintada foi presa por um grupo de pessoas em uma caverna no Parque Boqueirão da Onça. Luísa havia capturado uma ovelha e levado-a para o local. Moradores seguiram o rastro de sangue do animal morto pela onça e entraram na caverna.

Em seguida, a onça caiu em uma dolina – isso é, uma abertura que se forma no solo quando o teto de uma caverna desaba. Foi então que o grupo colocou pedras sobre a abertura, impedindo a passagem do animal, que ficou preso.

Foto: Programa Amigos da Onça/ Divulgação

Ao saber da situação da onça, a equipe do projeto iniciou os trabalhos para resgatá-la. O resgate durou três dias e foi preciso, inclusive, fazer uso de técnicas de rapel. Bombeiros, veterinários, ajudantes de campo, biólogos e um espeleólogo (especialista em cavernas) participaram da ação.

Após o resgate, a onça recebeu o nome de Luísa, em homenagem à filha de uma integrante do programa. Quando foi retirado da caverna, o animal foi encaminhado para o Centro de Manejo e Fauna da Caatinga (Cemafauna) da Universidade Federal do Vale de São Francisco (Univasf), onde foi reabilitada até estar pronta para voltar para o habitat.

Programa Amigos da Onça

O Programa Amigos da Onça trabalha em prol da preservação das onças e da caatinga e realiza pesquisas com onças-pardas e pintadas em um território que abrange a zona rural de Sento Sé, onde está localizado parte do Boqueirão da Onça, que abrange também as cidades de Juazeiro, Sobradinho, Campo Formoso, Umburanas e Morro do Chapéu. O local tem 850 mil hectares, nos quais estão um parque nacional e uma área de proteção ambiental.

Cerca de 200 onças-pardas e 30 onças-pintadas vivem no Boqueirão. Há dez anos, eram 50 onças-pintadas. Maior felino das Américas, a espécie corre sério risco de extinção e é vítima da caça, do desmatamento e das queimadas.

Para preservar esses animais, a equipe do projeto usam uma armadilha, semelhante a um laço, que é colocada no chão e prende a onça assim que ela pisa no objeto. Sem machucá-la, os pesquisadores a analisam e inserem em um sistema de monitoramento.

Foto: Programa Amigos da Onça/ Divulgação

Após serem registradas no projeto, as onças passam a ser acompanhadas através da rádio-frequência e de satélites, graças a um equipamento colocado na coleira delas. Através de computadores, os pesquisadores conseguem saber, em tempo real, onde e como estão esses animais.

Utilizando os dados coletados a partir desse monitoramento, os pesquisadores estão desenvolvendo um estudo pioneiro para descobrir qual é o impacto da ação humana sobre as onças que vivem na caatinga, a exemplo da instalação de parques eólicos em Sento Sé e região. O objetivo da pesquisa é encontrar meios de equilibrar o desenvolvimento dos municípios com a preservação ambiental. Para isso, a conscientização da sociedade é fundamental.

“O conjunto vai permitir, por exemplo, saber se ela [onça] passou por locais que tenham água, onde ela ficou mais, se ela se aproximou das comunidades, onde moram as pessoas, ou, por exemplo, de alguns locais onde existem animais domésticos”, finalizou a bióloga Claudia Campos, coordenadora do Amigos da Onça.


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Onça resgatada em pet shop se recupera e deve ser solta na natureza na Argentina

Uma onça-pintada que foi resgatada em agosto de 2019 em uma pet shop em Sorriso (MT), quando ainda era filhote, recuperou-se após passar por um período de reabilitação. O animal deve ser levado para a Argentina para ser devolvido à natureza.

Foto: Rauzito Coimbra

Os funcionários da pet shop chamaram o Corpo de Bombeiros após um morador da cidade levar o filhote, que tinha entre 2 e 3 meses, até o estabelecimento. Na época, os militares cogitaram a possibilidade da mãe da onça ter sido morta por um caçador. As informações são do G1.

Em junho deste ano, após 10 meses de cuidados no hospital veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a onça foi levada para um centro de reabilitação de animais em Goiás (GO). A transferência foi realizada, segundo a médica veterinária do hospital Elaine Dione, porque o animal já havia crescido o suficiente para retornar à natureza. No período em que a onça que esteve em Mato Grosso, uma parceria foi firmada entre a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e uma clínica para garantir os cuidados ao animal, que foi monitorado por vídeo e câmeras noturnas.

Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

A onça-pintada foi levada para Goiás para receber um tratamento de aprendizagem para que a reintrodução ao habitat possa ser feita. A operação de transferência contou com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Atualmente, o animal está sendo mantido em cativeiro, mas deve ser transferido em breve para uma floresta na Argentina.

De acordo com Elaine, a onça tem cerca de um ano de vida e integra um programa do ICMBio que reabilita animais para reintegrá-los à natureza, contribuindo para o desenvolvimento da espécie, que que está ameaçada de extinção.

Foto: Arquivo pessoal


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Governo Bolsonaro libera agrotóxico que mata abelhas e registros de pesticidas chegam a 262 em 2019

Um lote com 51 novos agrotóxicos foi liberado pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) nesta segunda-feira (22), totalizando 262 produtos registrados apenas neste ano. Dentre os pesticidas autorizados está o sulfoxaflor, responsável por exterminar abelhas. A liberação desse veneno, após ele ter sido responsável pela morte de mais de meio bilhão de abelhas em quatro estados brasileiros entre janeiro e março de 2019, quando ainda estava em fase de testes, expõe o descaso do governo com os animais.

Foto: Pixabay

Além dos insetos, outros animais, como pássaros, também sofrem com os efeitos dos pesticidas. A natureza também é prejudicada, tendo o solo e a água contaminados, e a saúde humana é diretamente afetada pelo consumo de vegetais cultivados com agrotóxicos, capazes de gerar doenças graves como o câncer. No entanto, a rapidez com que novos agrotóxicos têm sido liberados demonstra que o Ministério da Agricultura, responsável pelo registro desses produtos, e o presidente Bolsonaro estão mais interessados no lucro gerado pelos pesticidas do que nos efeitos devastadores causados por eles.

Em abril, o sulfoxaflor foi um dos principais assuntos discutidos pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara. A ministra da Agricultura, Teresa Cristina, que é ex-líder da bancada ruralista, participou do debate. Na ocasião, ela explicou que o veneno responsável pela matança de abelhas não estava registrado no Brasil. As informações são da revista Fórum.

“O problema das abelhas é que foi usado um produto chamado Sulfoxaflor. Esse produto não está registrado no Brasil. Esse é o grande problema dessa fila enorme. Esse produto muito provavelmente entrou de maneira ilegal, está sendo usado de maneira errônea e causou a morte das abelhas”, afirmou.

Agora, no entanto, o produto passará a ser usado livremente, o que poderá causar mortes de insetos com respaldo do governo.

Apesar de ser considerado “medianamente tóxico” pela Anvisa, o sulfoxaflor tem, sob certas condições, um impacto negativo sobre as colônias de abelhas e suas capacidades reprodutivas, conforme descobriu um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Londres. A pesquisa concluiu que o pesticida, produzido pela Corteva AgriscienceTM, reduziu em 54% o tamanho das colmeias.

Em 2015, uma decisão da Corte de Apelações de São Francisco, que indicou que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) falhou em considerar os impactos do sulfoxaflor sobre insetos polinizadores, levou ao cancelamento do registro do produto nos Estados Unidos. No entanto, um ano depois a EPA concedeu novamente o registro, porém com abrangência limitada.

Classificação

Dos 51 agrotóxicos liberados nesta segunda-feira, 7 são produtos formulados – isso é, aqueles que chegam às lojas e podem ser comprados pelos agricultores. O princípio ativo sulfoxaflor está em 6 desses produtos.

Os outros 44 herbicidas são produtos equivalentes, ou seja, genéricos de princípios ativos já autorizados no Brasil. De acordo com informações do G1, 18 deles são para produtos técnicos de uso industrial e outros 26 são produtos formulados, sendo quatro de origem microbiológica.

Entre os pesticidas liberados há também um que tem como base o florpirauxifen-benzil, princípio ativo que já havia sido aprovado em junho pelo governo.

“Podemos produzir sem agrotóxicos”

 A ONG Greenpeace, que defende o meio ambiente, criticou a liberação dos novos agrotóxicos devido ao impacto negativo que esses produtos causam na natureza e na saúde humana.

“Podemos produzir sem agrotóxicos, em equilíbrio com o meio ambiente e respeitando a saúde das pessoas. Porém, as decisões do governo no tema ignoram isso e colocam o povo brasileiro em risco. Isso é inaceitável”, afirma Iran Magno, da campanha de Alimentação e Agricultura do Greenpeace.


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Protesto contra liberação de 239 agrotóxicos será realizado domingo em SP

O governo Bolsonaro liberou, em apenas 200 dias de governo, 239 agrotóxicos, alguns proibidos na União Europeia por serem extremamente tóxicos. Prejudiciais para a saúde humana e causadores de doenças graves e fatais, como o câncer, os pesticidas também fazem mal para a natureza. Para lutar contra eles, uma manifestação foi marcada para o próximo domingo (21).

Foto: Reprodução / Facebook

A manifestação, que recebeu o nome de “Marcha Agrotóxico MATA” será realizada a partir das 14 horas e a concentração será no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

“Em resumo, nos últimos seis meses, foram registrados no Brasil 33 novos produtos agrotóxicos altamente tóxicos para a saúde humana (aqueles cuja dose letal esta entre 5 e 50 mg/kg), 63 novos produtos extremamente tóxicos para a saúde humana (cuja dose letal esta em menos de 5 mg/kg), 115 novos produtos muito perigosos para o meio ambiente e cinco novos produtos altamente perigosos para o meio ambiente (considerando os parâmetros de bioacumulação, persistência, transporte, toxicidade a diversos organismos, potencial mutagênico, teratogênico e carcinogênico da Portaria 84/1996 do IBAMA)”, diz a descrição do evento no Facebook sobre o protesto. 

De acordo com a organização da manifestação, outros estados também estão se organizando para realizar atos contra a liberação dos agrotóxicos e, em breve, as datas e locais serão divulgados.

“Estamos sendo envenenados com tantos agrotóxicos e precisamos agir!”, dizem os organizadores.


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Animais são encontrados mortos dentro de sacos plásticos em Presidente Prudente (SP)

Corpos de animais mortos foram encontrados dentro de sacos plásticos em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O caso foi denunciado à Delegacia Participativa.

De acordo com um boletim de ocorrência registrado, é possível que os animais tenham vindo de clínicas veterinárias. Eles foram encontrados no Parque Alexandrina. As informações são do G1.

Foto: Sandro Bittencourt/TV Fronteira

O parque, que é uma área de preservação ambiental próxima a um rio, tornou-se um cemitério a céu aberto. No local, foram localizados inúmeros animais envoltos em sacos plásticos.

Em depoimento à polícia, um funcionário afirmou que descobriu que uma das pessoas envolvidas no caso trabalha em uma clínica veterinária.

De acordo com a Prefeitura de Presidente Prudente, a situação será levada ao conhecimento do Ministério Público e da Polícia Ambiental.


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