Ato mundial alerta para a preservação do meio ambiente e o futuro do planeta

Convidamos você para participar da Ação Mundial pelo Planeta no dia 02 de junho, evento idealizado para chamar atenção das pessoas, instituições governamentais e não-governamentais sobre os grandes danos ambientais que o planeta vem sofrendo devido à exploração desenfreada de recursos.

Foto: Pixabay

Para muitos especialistas, 2019 é o ano limite para um debate real e decisivo sobre meio ambiente e o futuro do planeta. Atualmente os seres humanos produzem cerca de 50 milhões de toneladas de plástico de uso único anualmente e grande parte deste material não reciclável está em todos os oceanos e continentes. Palavras como aquecimento global, mudanças climáticas, desmatamento e poluição se tornaram parte da rotina e agenda de todos os países do mundo. Um recente relatório da ONU aponta que cerca de 1 milhão de espécies de animais e plantas correm risco de extinção na próxima década se esforços radicais não forem adotados em caráter emergencial. Todos estes danos foram causados exclusivamente pela ação humana e sua ganância descontrolada.

Muitas consequências causadas pela industrialização e inconsciência humana são irreversíveis, mas ainda há muito que pode ser feito se todos assumirem a responsabilidade na luta pela preservação do meio ambiente. Este é o objetivo da Ação Mundial pelo Planeta, uma grande manifestação pacífica que será realizada em vários locais do mundo no dia 02 de junho para alertar sobre a importância do impacto da ação humana sobre o meio ambiente e conscientizar a toda a sociedade que salvar o planeta é um dever de todos. “O meio ambiente é nossa casa! É nosso ar! É nossa água! É nossa saúde! É nosso alimento! É nosso futuro!”, lembra a página do evento no Facebook.

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A ação foi idealizada pela organização independente VIVA Baleias, Golfinhos e cia / Instituto Verde Azul com a coorganização da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e de um coletivo de ONGs e grupos de proteção animal e ambiental como a Proteção Animal Mundial (WAP, na sigla em inglês), Greenpeace, WWF Brasil, Fundação Mamíferos Aquáticos, AMPARA Animal, Projeto Baleia Jubarte, Faos/SP, Projeto Baleia à Vista, Nação Vegana Brasil, Instituto Nina Rosa, e muitas outras organizações, incluindo coorganizadores de Portugal e do Canadá. A página do evento pede que todos os participantes levem faixas, cartazes e vão vestidos de verde e azul, simbolizando o planeta Terra.

Para a jornalista e presidente da ANDA, Silvana Andrade, o evento será realizado em um momento oportuno para a discussão sobre o tema, principalmente no país. “O Brasil vive atualmente a maior onda de retrocesso ambiental da história. Com o atual governo, vemos o desmonte de políticas e ações voltadas para a defesa do meio ambiente. É preciso clarear a consciência humana para aquilo que temos de mais urgente e importante: nosso planeta”, afirmou.

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A crise ambiental é mundial e cresce diariamente. Os parlamentos do Reino Unido e da Irlanda declararam emergência climática. O partido português Pessoas, Animais e Natureza (PAN) fez um apelo para que toda a União Europeia também declare estado de emergência climática e adote medidas de conversão para um modelo de produção sustentável em até 10 anos. Nos últimos 120 anos o mundo perdeu 20% de toda sua biodiversidade. Das 1 milhão de espécies que estão ameaçadas, mais de 40% são anfíbios. Cerca de 33% dos corais e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados. Estima-se que aproximadamente 700 espécies de vertebrados tenham sido levadas à extinção desde o século 16, segundo informações da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES).

O ato chama a atenção também para consequências da criação, confinamento e exploração de animais para consumo humano. Dados da IPBES apontam também que um terço das áreas terrestres e cerca de 75% de toda água limpa usada no mundo são destinados à agropecuária. Há ainda outros problemas envolvendo esta indústria, como a destruição de ecossistemas e destruição de habitats, desmatamento, poluição, destruição e contaminação do solo e da água. Três quartos do ambiente terrestre e cerca de 66% do ambiente marinho foram significativamente alterados por ações humanas.

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Desde 1980 as emissões de gás carbônico dobraram, levando ao aumento da temperatura global em pelo menos 0,7 graus Celsius. A derrubada de árvores aumentou cerca de 45% e aproximadamente 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis e não renováveis são extraídos globalmente a cada ano. A poluição plástica aumentou dez vezes. Cerca de 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lamas tóxicas e outros resíduos de instalações industriais são despejados anualmente nas águas do planeta. Fertilizantes que entraram nos ecossistemas costeiros produziram mais de 400 “zonas mortas” oceânicas, totalizando mais de 245.000 km2, uma área maior que todo o território do Reino Unido.

Para a bióloga e fundadora da organização VIVA, Mia Morete, é necessário um esforço conjunto para mudar o quadro atual. “Nossa casa, nosso planeta está em risco. É preciso unir esforços para garantir o futuro da humanidade e da preciosa e vital biodiversidade”, disse. A conservação da fauna e da flora também é considerado um ponto vital para a bióloga do VIVA Rafaela Souza. Segundo ela, preservar a natureza também é assegurar a sobrevivência humana e o futuro das nações. “A perda de biodiversidade não é apenas uma questão ambiental, mas também uma questão econômica, de segurança, social, moral e de desenvolvimento. Esse evento foi idealizado para chamar a atenção das pessoas, instituições governamentais e não governamentais, dos grandes danos ambientais que nosso planeta está sofrendo”, afirmou.

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Representando o coletivo Nação Vegana Brasil, a ativista em defesa dos direitos animais Raquel Sabino (Kaz), acredita que a manifestação é uma forma de chamar atenção para a sobrevivência dos seres humanos e dos animais. “Entendemos, sabemos e lutamos por um planeta livre de exploração abusiva, descontrolada e irresponsável. Todos os preciosos recursos naturais, água, terra, os minerais, todos estão sob a ameaça de grandes exploradores, grandes empresas que buscam apenas o lucro. Nós estamos aqui, muito como veganos que têm uma visão ampla da dinâmica da exploração que atinge os animais humanos e não humanos. A nossa luta é por todos. A extinção de todos está em risco. O nosso planeta pede socorro”, disse em entrevista à ANDA.

Para a bióloga do VIVA Marina Leite Marques, lutar pela preservação do meio ambiente é uma atitude política e um dever de todos. “Precisamos que os governos sejam mais efetivos em ações para conter a perda de espécies, combatendo o desmatamento, tráfico e a poluição ambiental e promovendo medidas para evitar as mudanças climáticas. Nosso objetivo principal é levar às ruas o maior número de pessoas vestidas de verde e azul para que possamos mostrar nossa indignação com a destruição ambiental. Será uma ação apartidária e pacífica. Temos que cobrar ações urgentes para minimizar nosso impacto no planeta e no nosso futuro”, asseverou.

Serviço

São Paulo capital

Ação Mundial pelo Planeta
Avenida Paulista, em frente ao Parque Trianon, no Centro de SP
Dia 02 de junho (sábado), às 14h
Confirme sua participação no evento clicando aqui.

Bulgária se torna exemplo em manejo florestal

Por David Arioch

Os recursos permitiram que o país ampliasse ainda mais seus programas ambientais (Foto: Valentin Valkov/Shutterstock)

A Bulgária, cujas florestas cobrem mais de um terço de sua área terrestre, é um dos pontos de maior biodiversidade da Europa. Ursos marrons, linces e lobos podem ser encontrados em suas florestas, que também abrigam centenas de espécies de aves, bem como uma grande variedade de tipos de árvores, incluindo faias, pinheiros, abetos e carvalhos.

O país tem uma longa tradição de práticas de manejo florestal. Programas de monitoramento em grande escala estão em vigor e as comunidades locais são conhecidas por manter um olhar atento sobre o ambiente natural. Juntos, esses fatores permitiram que as autoridades nacionais aproveitassem ao máximo sua biodiversidade.

Mais de 90% da colheita anual de ervas silvestres e cultivadas são vendidos como matéria-prima para Alemanha, Itália, França e Estados Unidos, tornando a Bulgária um dos principais fornecedores mundiais neste setor. Ao ganhar experiência na proteção e uso sustentável de produtos florestais não madeireiros, o país se tornou modelo para outras nações dos Bálcãs.

Nos últimos doze anos, a Bulgária recebeu 335,3 milhões de dólares em financiamento da União Europeia para projetos de conservação. Essas iniciativas foram implementadas pelo Ministério do Meio Ambiente e da Água, por parques nacionais e naturais, municípios e organizações sem fins lucrativos.

Os recursos permitiram que o país ampliasse ainda mais seus programas ambientais e assegurasse que seus recursos florestais continuassem sendo utilizados de maneira sustentável. No entanto, Miroslav Kalugerov, diretor do Serviço de Proteção da Natureza da Bulgária no Ministério do Meio Ambiente e da Água, sabe por experiência que receber dinheiro para proteção ambiental não leva necessariamente ao sucesso.

Ele afirma que, embora o acesso a informações abrangentes seja vital para o bom gerenciamento de qualquer recurso natural, é apenas um primeiro passo em direção às soluções ambientais. “Sem dados, a conservação da natureza é caótica, os objetivos podem não ser cumpridos e a conservação de produtos florestais não madeireiros é impossível”, diz Miroslav.

Comida vegetariana será a norma nos eventos do governo de Amsterdã em 2020

Por David Arioch

“Esse governo está fazendo escolhas sustentáveis ​​e acho que também devemos fazê-las por nós mesmos” (Foto: Visually Spectacular Catering)

A partir de 2020, comida vegetariana será a norma nos eventos realizados pelo governo de Amsterdã. O anúncio foi feito esta semana, mas a medida deve passar antes por uma votação em junho antes da elaboração de estratégias para a implementação.

“Os quatro partidos que governam a cidade, que detêm a maioria das cadeiras do governo, adotaram a iniciativa que será oficialmente votada por todo o corpo governamental”, informou o chefe de gestação operacional Rutger Groot Wassink ao jornal britânico Telegraph.

De acordo com o representante do Partido pelos Animais, Johnas van Lammeren, no ano que vem alimentos de origem animal só serão servidos mediante prévia solicitação, já que o padrão serão refeições prioritariamente baseadas em vegetais.

A princípio, a ideia era oferecer somente opções veganas, mas ficou decidido que seria melhor “ir com calma” nessa etapa classificada como uma espécie de transição.

“Estamos invertendo as normas. A questão não é mais “você é vegetariano?”, mas “você come carne?”, disse Wassink.

E acrescentou: “Esse governo está fazendo escolhas sustentáveis ​​e acho que também devemos fazê-las por nós mesmos. Trata-se de dar um bom exemplo.”

É preciso salvar todos os insetos para salvar a existência humana

A diversidade de insetos no mundo, bem como o número de insetos que restou em cada espécie, diminuiu bastante e tende a diminuir ainda mais se nada for feito para salvá-los. Muitos de nós humanos repelimos os insetos quase que o tempo todo, mas de acordo com pesquisadores, precisamos salvá-los ao invés de exterminá-los. Não só para o bem deles e do planeta, mas para a nossa própria existência.

Uma notícia publicada pelo site The Guardian fala sobre um relatório da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES em Inglês), o qual alertou sobre a estimativa de que 10% das espécies com 5,5 milhões de insetos estão ameaçadas de extinção.

Foto: Pixabay

Isso está ocorrendo devido às culturas agrícolas, uso de pesticidas e o aumento da população humana. No entanto, a pesquisadora Anne Sverdrup-Thygeson, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida, explica que tanto a água quanto a comida que a humanidade necessita dependem da sobrevivência desses insetos.

Apreciadora dos insetos, Anne em seu livro Insetos Extraordinários não só descreve as mais variadas façanhas e curiosidades que cada inseto pode ter, como tenta fazer com que as pessoas passem a apreciar as mais diversas criaturas. Segundo ela, atualmente existem cerca de 200 milhões de insetos para cada ser humano. Porém, estatísticas mostram que, com o aumento da população humana, o número de insetos foi reduzido pela metade, ameaçando um colapso dos ecossistemas.

Claro que para muitos de nós salvar os insetos é algo fora de cogitação, principalmente para quem vive em áreas urbanas e se incomoda com qualquer besourinho. Contudo, Anne explica que os insetos são extremamente importantes para a sobrevivência natural da vida na Terra.

Não somente as abelhas…

Nós aprendemos que a função das abelhas, por exemplo, é polinizar as flores, fazendo com que outras plantas cresçam em diversas regiões. Anne explica que até as formigas têm o seu papel na dispersão de sementes, pois segundo descreveu a pesquisadora, algumas delas são responsáveis pela propagação de até 11.000 espécies de plantas. Além disso, o que nós vemos como pragas e destruidores de móveis, Anne chama de “serviço de coleta de lixo”, pois os insetos decompõem madeiras, plantas e animais com o intuito de gerar nutrientes para uma nova vida.

Outra função importante dos insetos é a de servirem como alimento para aves, répteis, anfíbios e mamíferos. Segundo informou o site Audubon.org, a queda no número de insetos contribuiu para a perda de 421 milhões de aves na Europa nas últimas três décadas.

De acordo com a conclusão da apreciadora de insetos, as espécies mais raras estão desaparecendo primeiro. Na opinião dela, a consequência do desaparecimento dos insetos poderá colocar a nossa própria existência em risco. É preciso dar um basta no uso de pesticidas e ter a consciência da importância de todos os insetos para o bom funcionamento do nosso ecossistema.

Fonte: GreenMe

Leonardo DiCaprio anuncia doação milionária para proteger o planeta e os animais

O ator Leonardo DiCaprio doará US $ 15,6 milhões para o financiamento de programas de proteção e conservação ambiental que visam combater as mudanças climáticas. A doação será feita por meio da fundação que leva seu nome e que atua na proteção do meio ambiente e de animais ameaçados de extinção.

Foto: United Nations

“Hoje estamos ampliando significativamente o nível dos nossos subsídios e nossas parcerias para resolver alguns dos problemas climáticos”, disse Leonardo DiCaprio.

De acordo com DiCaprio, “a mudança climática é uma realidade e está acontecendo agora. É o maior perigo que ameaça a humanidade. Nós não paramos de valorizar este planeta, assim como eu não paro de valorizar hoje à noite”.

Mais de 200 projetos em 50 países e cinco oceanos foram financiados pela Fundação Leonardo DiCaprio (LDF) de 1998 até hoje. São 132 organizações apoiadas pela entidade, que já fez doações no valor de US$ 59 milhões.

O ator se mobiliza contra a poluição causada pelo plástico, defende o fim das indústrias de óleo de palma na Indonésia, é contra o gasoduto Dakota – destinado a destruir terras indígenas -, e se comprometeu a lutar contra a extinção da vaquita, espécie que tem apenas 30 animais vivos.


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Empresas líderes globais se unem para evitar a poluição por lixo plástico

Foto: Adobe

Foto: Adobe

Seis das maiores e principais empresas do mundo assumiram um comprimisso conjunto em evitar que 10 milhões de toneladas de resíduos plásticos globais poluam o meio ambiente, depois de assinarem um acordo como membros principais um novo centro de compartilhamento de ideias apelidado de “ReSource: Plastic”.

A Keurig, Dr. Pepper, McDonald’s, Procter & Gamble, Starbucks, Tetra Pak e a The Coca-Cola Company são as gigantes globais que se juntaram à ReSource – que foi lançada pela organização ambiental World Wide Fund for Nature (WWF).

A iniciativa visa ajudar as empresas a alinharem seus compromissos em relação à produção e poluição por plásticos em grande escala em prol de uma ação significativa e mensurável.

Uma questão complexa

“Enfrentar o problema do plástico em nossos oceanos, rios e terras é responsabilidade de todos – incluindo as empresas que usam grande parte do plástico no mundo hoje. É uma questão complexa, sem uma solução única para todos, e é por isso que estamos tão animados pela abordagem que o WWF está tomando com o programa ReSource”, disse Virginie Helias, vice-presidente e diretora de sustentabilidade da Procter & Gamble.

“A ReSource trará uma abordagem de sistemas de parceria com muitas partes interessadas – métricas comuns, melhores práticas, responsabilidade – que são extremamente necessárias para acelerar o progresso em soluções de longo prazo”.

Soluções ponderadas e escaláveis

A vice-presidente executiva do McDonald’s e chefe de Supply Chain (Cadeia de logística) e Sustentabilidade, Francesca DeBiase, disse que a empresa estava “orgulhosa” de se juntar à ReSource.

Ela acrescentou: “Esta parceria se alinha perfeitamente com a nossa ambição de usar a nossa projeção mundial para o bem e trabalhar com outras pessoas para desenvolver soluções pensadas e aplicáveis que terão um impacto significativo sobre o desafio da poluição por plástico”.

Entenda a poluição por micro plásticos (partículas de plástico)

Os micro plásticos estão tendo seu momento sob os holofotes, uma vez que o público está cada vez mais consciente de sua presença no ambiente ao nosso redor. Mas à medida que mais evidências de sua presença vêm à tona, fica mais claro que ainda não sabemos o quanto o problema é realmente grande ou nocivo. Uma enorme quantidade de pequenas partículas de plástico acaba no mar, mas pesquisas recentes também as encontraram em lagos e várzeas, e até mesmo na poluição do ar de grandes metrópoles.

Um novo artigo publicado na Nature Geoscience relata a descoberta de micro plásticos em uma região que deveria ser primitiva: as montanhas dos Pireneus franceses. Os pesquisadores estimaram que as partículas poderiam ter viajado cerca de 95 quilômetros de distância, mas sugerem que os micro plásticos poderiam viajar ainda mais longe com o vento – o que significa que até lugares relativamente intocados por humanos estão sendo poluídos por nossos plásticos.

O mistério do desparecimento do plástico

Todos os anos, milhões de toneladas de plástico são produzidas. Em 2016, esta quantidade foi estimada em cerca de 335 milhões de toneladas. Não temos ideia de onde a maior parte disso foi parar. Os montantes que são recuperados em usinas de reciclagem e aterros sanitários não correspondem ao que é realmente produzido. Alguns desses materiais permanecem em uso, às vezes por décadas, o que explica parte da discrepância. Estima-se que 10% deles acabam nos oceanos. Embora esses números ainda possam mudar com mais pesquisas, pois ainda há uma lacuna grande a ser preenchida com respostas.

Onde quer que o plástico esteja acabando sua jornada, sabemos que ele se desfaz com o tempo, se desintegrando em micropartículas com menos de 5 mm de tamanho, e algumas até quebrando em nano escala a menos de um micrômetro (o micrômetro é uma unidade frequentemente usada para mensurar bactérias e células – a cabeça do esperma humano tem cerca de 5 micrômetros de comprimento). O efeito que essas partículas terão em escala global à medida que continuam a se acumular não é nem remotamente entendido em sua totalidade.

A maior parte de se lidar com as conseqüências dessa questão é apenas entender onde todo esse plástico produzido acaba. Os Pirineus são o lugar ideal para avaliar até onde o material pode viajar, pois são escassamente povoados, de difícil acesso e sem atividade industrial ou agricultura em grande escala. Assim, por cinco meses, uma equipe de pesquisadores coletou amostras da estação meteorológica de Bernadouze, a 6 km da vila mais próxima. As amostras eram de “precipitação atmosférica” – qualquer coisa que caísse do céu, molhada ou seca, variando de poeira a chuva e neve.

O problema com os micro plásticos estando (potencialmente) em toda parte é que a contaminação se torne uma preocupação. Fibras plásticas de roupas, recipientes e equipamentos poderiam hipoteticamente entrar nas amostras colhidas. Para evitar isso, os pesquisadores tomaram precauções, como usar roupas de algodão enquanto se aproximavam dos dispositivos de coleta de amostras, aproximando-se delas “contra o vento” e armazenando tudo em vidro. Eles também coletaram e processaram amostras “em branco” retiradas de contêineres fechados deixados no campo para checar se os plásticos encontrados nas amostras reais haviam realmente chegado até a atmosfera.

Os plásticos estão voando com o vento

Micro plásticos foram encontrados em todas as amostras coletadas pelos pesquisadores – em média, 365 partículas por metro quadrado foram depositadas todos os dias. O tipo mais comum de plástico era o poliestireno, seguido pelo polietileno (o tipo de plástico usado em sacolas plásticas e embalagens descartáveis).

O número de partículas depositadas apresentou uma correlação forte com a velocidade do vento e mais partículas eram encontradas após ventos mais altos. A precipitação – tanto de vento quanto de neve – também estavam fortemente ligadas. Os pesquisadores analisaram as velocidades do vento e as direções que haviam sido registradas durante todo o estudo, e usaram isso para calcular a distância que partículas dos tamanhos que encontraram poderiam ter sido transportadas, estimando que os plásticos poderiam ter vindo de quase 100 quilômetros de distância.

Essa é uma “avaliação altamente simplificada”, observa a equipe – não leva em conta todas as diferentes variáveis atmosféricas que poderiam mudar os números. Com a evidência de que as partículas de poeira (que estão bem dentro da faixa dos tamanhos das partículas de plástico) podem viajar até 3.500 km, é possível que elas possam vir de uma distância ainda maior.

Uma pesquisa que analisa o tamanho das partículas de plástico que encontra mostra que há uma tendência das partículas ficarem mais finas ao longo do tempo. À medida que as partículas se tornam menores, aumenta sua capacidade de dispersão em toda parte. Os micro plásticos já foram encontrados em todos os lugares, desde a água potável até o ar da cidade, e há evidências de partículas de plástico no fígado de peixes, sugerindo que eles poderiam passar pelos sistemas dos órgãos. Tudo isso deixa claro que a minúsculo poeira de plástico invisível está se tornando onipresente em nosso planeta. Estamos apenas começando a entender quais serão os efeitos disso.

Senador americano chama as fazendas industriais de criação de animais de ameaça à sociedade

Foto: Library Guides

Foto: Library Guides

As fazendas industriais de criação de animais são uma ameaça para os Estados Unidos, de acordo com o político Bernie Sanders, que condenou a agricultura animal por seus altos níveis de poluição.

O político americano Bernie Sanders falou sobre a indústria da carne, classificando fazendas industriais uma ameaça para a humanidade.

Escrevendo no Twitter para seus 9,26 milhões de seguidores, o senador de 77 anos – que está concorrendo a presidente dos Estados Unidos em 2020 – comentou sobre o desperdício produzido pelas fazendas industriais. “Fazendas de larga escala são responsáveis por 1,4 trilhões de libras de resíduos de animais na América”, disse ele.

Foto: Venngage

Foto: Venngage

“Elas são uma ameaça à água que bebemos e ao ar que respiramos, e é inacreditável para mim que os republicanos no Congresso tenham trabalhado horas extras para isentar as fazendas industriais das leis ambientais”, continuou ele.

Fazendas industriais e o desperdício

Em todo o mundo, cerca de dois terços dos animais da fazenda vivem em fazendas industriais. A indústria tem estado ligada a uma infinidade de preocupações ambientais, incluindo resíduos e poluição.

De acordo com a Make It Possible, uma fazenda de 5 mil porcos produz tanto desperdício quanto uma cidade de 20 mil pessoas. Se não forem tratados, os resíduos podem poluir o solo e a água da superfície.

Foto: foodandwaterwatch

Foto: foodandwaterwatch

Esse lixo anda pode prejudicar os oceanos. De acordo com o website de defesa ambiental EcoWatch, “produtos químicos potencialmente tóxicos, drogas e bactérias em resíduos animais não tratados escorrerão pelos solos, entrando nos rios, córregos, lençóis freáticos e água potável do país a taxas alarmantes, impactando diretamente as comunidades”.

A carne e o meio ambiente

Falando ao US Youth Climate Strike este mês, Sanders ressaltou a importância de resolver as questões ambientais. O senador disse que é de vital importância inciar um debate real sobre o clima, acrescentando: “Há pouquíssimas questões mais importantes do que a sobrevivência do nosso planeta”.

Sanders não está sozinho em reconhecer a natureza oportuna das crises ambientais. Em outubro, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente falou sobre nosso sistema alimentar e seu impacto no planeta. “Nosso uso de animais como uma tecnologia de produção de alimentos nos levou à beira da catástrofe”, disse o Unep em um comunicado, acrescentando que a carne é “o problema mais urgente do mundo”.

Foto: Animal Grace

Foto: Animal Grace

“A pegada de gases do efeito estufa da agricultura animal rivaliza com a de todos os carros, caminhões, ônibus, navios, aviões e foguetes”, disse a organização. “Não há caminho para alcançar os objetivos climáticos de Paris sem uma queda maciça na escala da agricultura animal”.

Reconhecendo a urgência do assunto, muitos estão optando por adicionar mais alimentos à base de plantas em seus pratos para reduzir seu impacto sobre o meio ambiente.

Ano passado, a maior e mais profunda análise de produção de alimentos de todos os tempos descobriu que uma “alimentação vegana é provavelmente a melhor e maior maneira de reduzir seu impacto no planeta Terra”.

Governo se mantém reticente quanto a proibição da importação de troféus de caça

Foto: wildwatch

Foto: wildwatch

Junto com os Estados Unidos, o Reino Unido é um dos maiores importadores de troféus do mundo, sendo responsável pelo extermínio de milhares de animais indefesos, alimentando um mercado de criação e reprodução de espécies destinadas apenas para este fim e impulsionando uma indústria sórdida e cruel que lucra com a morte.

Alguns desses animais, como os leões, são catalogados como produtos e vendidos em menus pela internet, onde são escolhidos para serem mortos por valores altíssimos. Uma vez selecionados eles são soltos em áreas cercadas junto com seus caçadores assassinos para correr por sua vida, numa batalha já perdida.

Proibições da importação de pedaços dos cadáveres desses animais (ou do corpo todo), vistos por seus assassinos como troféus, representariam um passo importante em defesa dos animais. Os governos tem esse poder nas mãos.

Recentemente o secretário do meio ambiente do Reino Unido, Michael Gove deu passo importante em prol dos direitos animais ao anunciar a introdução do projeto de lei que criminaliza a exploração de animais selvagens em circos.

Mas o político é enfático em dizer que não tem planos para proibir a importação dos sanguinários troféus de caça.

O secretário afirma que a medida envolve um “delicado equilíbrio de interesses”.

Falando em entrevista ao conservacionista Kevin Pietersen, na BBC Radio 5 Live, Gove disse que havia sido aconselhado por instituições de caridade a “ser cautelosos” em seguir outros países e proibir a prática polêmica de importar partes de animais resultantes de caçadas raras, muitas vezes de animais ameaçados de extinção.

O ex-jogador de críquete da Inglaterra, e também apresentador do programa, Kevin Pietersen, deixou sua carreira de rebatedor para perseguir sua paixão pela conservação das espécies e prometeu fazer o governo britânico mudar sua posição em permitir que os caçadores de troféus importem suas vítimas.

Pietersen abordou o ministro sobre a caça de espécies em extinção, especialmente o rinoceronte, em sua terra natal a África do Sul.

Nascido na África do Sul, o ex-jogador de críquete da Inglaterra recentemente filmou um documentário sobre a caça ao troféu depois que o leão Cecil foi morto no Zimbábue em 2015.

Na entrevista, ele pergunta a Gove por que o Reino Unido não seguiu outros países, como Austrália, França e Holanda, e impôs a proibição de troféus.

Gove responde que foi aconselhado por conservacionistas e ONGs a proceder com cautela. Ele diz: “Não entre com os dois pés no peito no Reino Unido e diga às pessoas em cada um desses países como devem regular sua própria vida selvagem”, disse ele.

“Em um nível emocional e pessoal, acho difícil de entender. Mas você sabe que também reconheço que tenho que respeitar se há especialistas, que dizem que fazer isso de uma maneira gerenciada pode ajudar a vida selvagem em geral, então vamos apenas testar isso”.

Atualmente, se um caçador de troféus quiser trazer uma lembrança de sua caça de volta para o Reino Unido, eles poderiam fazê-lo, com uma permissão especial.

Um movimento entre os partidos chamado Early Day Motion, assinado por mais de 159 deputados, também pediu ao governo do Reino Unido que pare com as importações de espécies ameaçadas de extinção.

Gove disse: “Eu acho que há uma força crescente lutando para que a lei mude. Mas o que eu não quero fazer é atropelar as coisas”.

O político se justifica: “Eu não quero estar em uma posição em que esteja correndo tão longe e antes das ONGs e outros líderes querem, que possa arriscar o bom relacionamento construído ao longo do tempo”.

“Como muitas áreas de conflito, este é em parte um processo de educação e em parte um processo de diálogo”.

Durante a entrevista, um espectador e caçador de troféus disse a Pietersen que o esporte é emocionante e ajuda na conservação: “Matar um elefante é uma coisa incrível de se fazer, é uma coisa absolutamente impressionante, e é por isso que eu o fiz”.

“Eu quero tentar preservar esses lugares selvagens na África. Mas a única maneira de serem preservados é se houver dinheiro. Se não pagar, não há como. É tão simples quanto isso”, disse o caçador.

Os clientes, principalmente da Europa ou dos EUA, pagam muitas vezes milhares de libras e dólares para participar de uma caçada e guardam um “troféu” – geralmente a cabeça, a pele ou outra parte do corpo.

Em 2018, mais de 50 celebridades – incluindo os cantores Ed Sheeran e Liam Gallagher – assinaram uma carta aberta em apoio à Campanha para Proibir a Caça ao Troféu, instando o governo a banir os caçadores de troféus da importação de partes do corpo para a Grã-Bretanha.

Ministério do Meio Ambiente bloqueia 95% da verba para políticas sobre o clima

O Ministério do Meio Ambiente bloqueou 95% da verba de R$ 11,8 milhões para políticas sobre mudanças climáticas, praticamente zerando o orçamento. A medida é mais um dos retrocessos do governo na área ambiental e coincide com a proposta de Jair Bolsonaro (PSL) de retirar o Brasil do Acordo de Paris, que define metas de combate ao aquecimento global.

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles
(Foto: Fotoarena/Folhapress)

Ao ser pressionado, Bolsonaro voltou atrás e desistiu da saída imediata do Acordo de Paris, mas não descartou abandoná-lo futuramente. As informações são do portal O Globo.

O Ministério do Meio Ambiente sofreu um corte de R$ 187,4 milhões imposto pela equipe econômica da pasta. As políticas para o clima foram as que mais sofreram, com um corte que equivale a 22,7% do valor total do orçamento discricionário (não obrigatório) do Ministério, de aproximadamente R$ 825 milhões.

O anúncio do corte do orçamento foi feito no mesmo momento em que a ONU divulgou um relatório por meio do qual expõe que um milhão de espécies, entre animais e plantas, podem ser extintas devido a vários fatores, dentre eles a interferência humana na biodiversidade e as mudanças climáticas.

O apoio à implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos também foi castigado pelos cortes. O programa sofreu uma perda de R$ 6,4 milhões, de um total de R$ 8,1 milhões, representando um corte de 78,4%.

A pasta bloqueou ainda 38,4% da verba para prevenção e controle de incêndios florestais, o equivalente a R$ 17,5 milhões, e 42% para o licenciamento ambiental federal, da verba de R$ 7,8 milhões. O programa de apoio à criação de unidades de conservação sofreu um boqueio de R$ 45 milhões, o que representa 1/4 do orçamento.

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nota por meio da qual afirmou que irá revisar “todas as despesas de custeio como aluguéis, limpeza, segurança e tudo que for economizado será revertido para atenuar as restrições” e disse também que o contingenciamento foi aplicado a todos os ministérios e que o do Meio Ambiente está “entre os menos afetados”.

Brasil liderou desmatamento de florestas primárias no mundo em 2018

O Brasil liderou o desmatamento de florestas primárias – áreas com árvores antigas que não são fruto de replantio – no mundo em 2018, segundo um relatório do Global Forest Watch, atualizado pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

Foto: Getty Images

Em todo o mundo, cerca de 12 milhões de hectares de florestas tropicais desapareceram no ano passado, o equivalente a 30 campos de futebol por minuto. Só no Brasil, foram 1,3 milhão, tornando o país o que mais perdeu árvores em 2018. As informações são do portal BBC.

Segundo o levantamento, uma área de florestas primárias equivalente ao tamanho a Bélgica foi destruída no ano anterior. O Brasil e a Indonésia juntos foram responsáveis pelo desmatamento de 46% das florestas tropicais no mundo. Em 2002, o número foi ainda maior, com 71% de desmatamento gerado pelos dois países. A redução foi responsabilidade da Indonésia, com perda de floresta primária 40% menor no ano passado que o registrado entre 2002 e 2016.

Entre os anos de 2007 e 2015, o Brasil registrou 70% de queda no desmatamento. No entanto, entre 2016 e 2017 incêndios, muitos deles intencionais, fizeram o número de áreas desmatadas aumentar.

E apesar da área de floresta primária desmatada no Brasil em 2018 – 1,3 milhão de hectares – ter sido menor do que em 2017, o número ainda está acima da média histórica do país.

“Pode parecer tentador comemorar essa queda nos últimos dois anos, mas quando observamos os últimos 18 anos, fica claro que a tendência é de alta no desmatamento. Estamos longe de vencer essa batalha”, diz Frances Seymour, do World Resources Institute, que administra o Global Forest Watch.

O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registrou, na Amazônia, aumento de 13,7% de desmatamento entre agosto de 2017 e julho de 2018, em comparação aos 12 meses anteriores. O resultado é o pior em 10 anos.

Segundo o Global Forest Wacth, várias áreas desmatadas no ano passado ficam próximas ou dentro de territórios indígenas. Mais de 4 mil hectares foram perdidos na reserva Ituna Itata, onde vivem índios isolados, devido à exploração de madeira.

Com árvores que possuíam centenas e até milhares de anos de idade, os espaços desmatados são importantes para a manutenção da biodiversidade e abrigam animais silvestres, como onças, tigres, macacos e aves. A floresta também é essencial para o controle do aquecimento global, já que armazena dióxido de carbono, conforme lembra o relatório.

“Para cada hectare perdido, estamos um passo mais próximos dos desastrosos cenários projetados para o aquecimento global”, diz Frances Seymour.

Além dos dados sobre o Brasil e a Indonésia, o levantamento mostrou a realidade de países como a República Democrática do Congo, a Colômbia, a Bolívia e o Peru, que também tiveram aumento no desmatamento de florestas primárias desde 2002.

Na Colômbia, especialmente a partir de 2016, o aumento do desmatamento é visto como um reflexo do processo de paz do governo com as Farc, guerrilha que ocupava as florestas. Com o fim da luta armada, abriu-se espaço para a exploração econômica da Amazônia colombiana.

Outro país que apresentou resultados alarmantes foi Madagascar, com perda de 2% de florestas primárias, percentual maior do que qualquer outro país tropical.

“Não é incomum que a perda de áreas de floresta seja associada à morte, porque a cada ano centenas de pessoas são assassinadas tentando impedir a atividade ilegal de madeireiros e garimpeiros”, destaca ainda Frances Seymour.

Exemplo da Indonésia

O sucesso da Indonésia em diminuir o desmatamento no país mostram como as políticas públicas podem impactar positivamente na proteção do meio ambiente.

Além disso, um acordo firmado entre a Indonésia e a Noruega, com o objetivo de promover uma compensação pela redução de emissões, também pode ter colaborado para o país passar a desmatar menos.

“Nós estamos levando a política ambiental a sério. No nosso país, várias empresas foram punidas ou receberam alertas do governo, então estamos nos esforçando para garantir o cumprimento da lei”, diz Belinga Margono, do Ministério de Meio Ambiente da Indonésia.